Mário César Carvalho - Folha de São Paulo
O executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, investigado pela Operação
Lava Jato sob suspeita de ter pago propina por meio do doleiro Alberto
Youssef, fez um acordo de delação premiada com os procuradores do caso.
Ele é o segundo executivo a fazer um acordo de colaboração com a Justiça: o primeiro foi Julio Camargo.
Ambos são ligados à Toyo-Setal, empresa controlada pela japonesa Toyo
Engineering, que tem contratos de mais de R$ 4 bilhões com a Petrobras.
Com a adesão de Mendonça Neto, já são quatro os delatores da Lava Jato:Paulo Roberto Costa, que foi diretor de abastecimento da Petrobras, o doleiro Youssef e os dois executivos ligados à Toyo.
Todos prometeram contar o que sabem sobre o esquema de suborno na estatal para ter uma pena menor.
Mendonça Neto faz parte do conselho de administração da EBR (Estaleiros
do Brasil), empresa instalada no Rio Grande do Sul e controlada pela
Toyo. Ele é vice-presidente do Sinaval, sindicato das empresas que fazem
navios e plataformas para extração de petróleo.
Uma empresa dele, a Tipuana Participações, depositou R$ 7,3 milhões em
contas controladas pelo doleiro, segundo laudos da Polícia Federal. Como
as empresas de Youssef nunca tiveram atividade, os procuradores dizem
que as transferências eram repasse de propina.
O doleiro confirmou essa hipótese nos depoimentos que prestou após fazer o acordo de delação.
A Tipuana já foi alvo de ação da Justiça Eleitoral por doação irregular a um candidato a deputado federal do PT em 2006.
A Toyo também negocia um acordo de delação com o Ministério Público
Federal e pode ser a primeira empresa entre as investigadas a aderir a
esse tipo de colaboração, segundo a Folha apurou.
A empresa também negocia um acordo com o Cade (Conselho de Administração
e Defesa Econômica), órgão que cuida da defesa da concorrência.
Fornecedores da Petrobras investigados atuavam como um cartel, segundo
Paulo Roberto Costa.
O acordo da Toyo pode comprometer a estratégia de grandes empreiteiras,
como a Odebrecht, OAS e Camargo Corrêa, que buscam fazer uma defesa
coordenada.
A Toyo-Setal faz duas grandes obras para a Petrobras: uma unidade para
produção de hidrogênio de R$ 1,1 bilhão no Comperj (Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro) e uma fábrica de R$ 2,1 bilhões para
fazer amônia, usada para produzir fertilizantes, em Uberaba (MG).
O maior contrato da EBR foi assinado no início do ano passado com a
Petrobras para produzir módulos da plataforma P-74 por US$ 741 milhões
(R$ 1,85 bilhão pelo câmbio atual). A plataforma será usada no pré-sal.
Os contratos que a Toyo-Setal conquistou na Petrobras partiram de projetos e licitações da diretoria de serviços, ocupada entre 2003 e 2012 por Renato Duque, indicado ao cargo por José Dirceu.
Costa e Julio Camargo afirmaram em sua delação que Duque era beneficiado
pelo esquema de suborno. Duque nega as acusações e entrou com uma ação
contra Costa.
A advogada de Mendonça Neto e da Toyo-Setal, Beatriz Catta Preta, não foi encontrada para comentar o acordo.
fonte rota2014





0 comments:
Postar um comentário