Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

BANDIDO TRATADO COMO HERÓI E IDOLATRADO

 CARLOS KAKÁ/FACEBOOK


BANDIDO TRATADO COMO HERÓI E IDOLATRADO




domingo, 28 de junho de 2026

A camisa da Seleção virou artigo de luxo — e isso diz mais sobre o Brasil do que sobre a Nike

 Marcos Kayan Niquelatte


A camisa da Seleção Brasileira sempre ocupou um lugar curioso na cultura nacional. Ela é, ao mesmo tempo, peça esportiva, símbolo patriótico, objeto afetivo e uniforme informal de milhões de torcedores. Em tese, deveria ser um produto popular. Na prática, tornou-se um artigo caro, inacessível para grande parte da população e revelador de uma distorção econômica brasileira que vai muito além do futebol.

A versão oficial de torcedor da camisa Nike da Seleção Brasileira para a Copa custa cerca de R$ 450. À primeira vista, alguém poderia dizer que esse é apenas o preço de mercado de um produto licenciado, produzido por uma grande marca global, associado à CBF, ao futebol internacional e à lógica contemporânea do consumo esportivo. Há verdade nisso. Mas a comparação internacional mostra que o problema brasileiro não se limita à marca, ao clube, à federação ou ao marketing. O problema é de poder de compra.

Com o salário mínimo brasileiro em torno de R$ 1.621, uma camisa de R$ 449,99 representa aproximadamente 27,8% do salário mínimo mensal. Em outras palavras: para um trabalhador que recebe o piso nacional, comprar uma camisa oficial da Seleção equivale a comprometer quase um terço da renda bruta do mês.

Esse dado, isoladamente, já é grave. Mas ele se torna ainda mais eloquente quando comparado com outros países. Nos Estados Unidos, uma camisa equivalente vendida por cerca de US$ 100 representa aproximadamente 8% do salário mínimo federal mensalizado. No Reino Unido, com preço próximo de £90, a proporção fica perto de 4%. Na Austrália, com a camisa em torno de A$130, a proporção é de aproximadamente 3,2%. Em países europeus como Alemanha, Irlanda, Holanda, Bélgica, França e Luxemburgo, a relação costuma ficar entre 4% e 6% do salário mínimo mensal.

Ou seja: no Brasil, a camisa oficial pesa proporcionalmente várias vezes mais no bolso do trabalhador. Não estamos falando de uma pequena diferença. Estamos falando de uma distorção estrutural. O brasileiro paga preço global com renda local deprimida e carga tributária elevada.

Esse é o tipo de comparação que desmonta a retórica confortável segundo a qual determinados bens são caros apenas porque “o consumidor quer pagar pela marca”. Sim, há valor de marca. Sim, há royalties, licenciamento, marketing, distribuição e margem de varejo. Mas há também o custo Brasil: tributação alta, burocracia, ineficiência logística, insegurança jurídica, baixa produtividade, câmbio sensível e uma economia formal que transforma qualquer produto regularizado em uma espécie de bem premium.

O resultado é perverso. O produto oficial, que deveria ser a escolha natural do consumidor, passa a competir contra alternativas informais muito mais baratas. Quando uma camisa alternativa de alta qualidade aparece no mercado por R$ 150 a R$ 250, o consumidor não precisa ser ideologicamente sofisticado para fazer a conta. Ele percebe, de modo intuitivo, que a camisa oficial custa três vezes mais, mas não necessariamente dura três vezes mais. E, quando a diferença de preço é dessa magnitude, o discurso moral contra o mercado paralelo perde parte de sua força persuasiva.

Isso não significa defender a falsificação. Do ponto de vista jurídico, há violação de propriedade intelectual. Do ponto de vista institucional, há prejuízo à economia formal, à arrecadação e aos agentes que cumprem as regras. Mas uma análise honesta precisa reconhecer que mercados paralelos prosperam quando a legalidade se torna excessivamente cara. A informalidade não surge apenas da malandragem; muitas vezes surge como resposta econômica a um sistema que cobra demais, entrega pouco e restringe o acesso ao consumo regular.

O liberalismo clássico parte de uma premissa simples: mercados funcionam melhor quando há liberdade econômica, concorrência, segurança jurídica, impostos moderados e regras estáveis. Quando o Estado tributa demais e regula mal, ele não elimina o desejo de consumo. Ele apenas empurra parte desse consumo para fora da formalidade. O consumidor continua querendo a camisa. O torcedor continua querendo vestir a Seleção. A diferença é que, diante de um preço oficial incompatível com sua renda, ele passa a buscar substitutos.

A consequência é uma espécie de círculo vicioso. O produto formal fica caro porque carrega impostos, encargos e custos regulatórios. Como fica caro, perde consumidores para o mercado informal. Como o mercado informal cresce, o Estado responde com mais fiscalização, mais controle e, muitas vezes, mais complexidade. Essa complexidade, por sua vez, encarece ainda mais a formalidade. Ao final, quem paga a conta é o consumidor comum.

A camisa da Seleção é um símbolo perfeito dessa tragédia econômica brasileira. Ela deveria representar pertencimento nacional, mas, no caixa da loja, representa exclusão. Para uma parcela relevante da população, o produto oficial diz: torça, mas não compre; vista a camisa, mas apenas se puder pagar preço de luxo.

A pergunta incômoda não é por que alguns consumidores recorrem a alternativas mais baratas. A pergunta correta é: por que um país torna tão caro comprar legalmente uma camisa de futebol?

Enquanto essa pergunta não for enfrentada, o debate continuará superficial. Uns acusarão o consumidor de compactuar com a pirataria. Outros acusarão as marcas de ganância. Ambos podem ter parte da razão. Mas o centro do problema está na estrutura econômica que transforma bens comuns em bens aspiracionais.

Uma sociedade livre e próspera não deveria precisar escolher entre legalidade e acessibilidade. O caminho liberal clássico é justamente reduzir essa distância: menos tributação sobre consumo, menos barreiras à importação, mais concorrência, mais produtividade, mais renda e mais liberdade para que produtos formais sejam efetivamente competitivos.

No Brasil, até a camisa da Seleção virou prova material de que o país pune quem produz, pune quem importa, pune quem vende formalmente e, no fim, pune quem quer comprar. O torcedor olha para a etiqueta de R$ 450 e entende, mesmo sem ler relatórios econômicos, que há algo errado. E há mesmo.

*Marcos Kayan Niquelatte é Diretor de Formação do Instituto Atlantos.











publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/a-camisa-da-selecao-virou-artigo-de-luxo-e-isso-diz-mais-sobre-o-brasil-do-que-sobre-a-nike/

O LEVIATÃ AMEAÇA A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

  Dagoberto Lima Godoy


O Brasil parece disposto a regular a inteligência artificial antes mesmo de compreender bem do que se trata. Em nome da proteção de direitos, da segurança e da transparência, uma nova camada de controle sobre o ambiente digital avança no Congresso e no Executivo. A intenção declarada é nobre, como quase sempre é. Mas a história ensina que o poder raramente se expande confessando seus verdadeiros apetites. O Leviatã moderno não se apresenta como tirano, mas como tutor.
A inteligência artificial é a inovação mais decisiva de nosso tempo — talvez de todos os tempos. Ela afetará a produtividade, a ciência, a indústria, a educação, a saúde, a defesa, a administração pública e será decisiva para a competitividade internacional. O país que souber usá-la ganhará velocidade; o que a constranger — por medo, burocracia ou suspeita — ficará para trás.
É claro que há riscos: fraude, manipulação, violação de intimidade, discriminação, abuso de dados e vigilância indevida. Mas a resposta não pode ser transformar a inovação em território vigiado, submetido a conceitos vagos como “alto risco”, “impacto sistêmico”, “uso responsável” ou “falha sistêmica”, entregues à interpretação de burocracias reguladoras.
A norma vaga é o instrumento preferido do Estado sedento de poder. Ela não proíbe claramente; intimida. Não censura diretamente; induz à autocensura. Não impede a inovação por decreto; torna-a cara, arriscada e juridicamente insegura.
O resultado é previsível. Plataformas e empresas passam a remover conteúdos, bloquear experiências e evitar riscos antes mesmo de qualquer ordem estatal. Ao mesmo tempo, os grandes grupos saem fortalecidos, pois têm departamentos jurídicos, equipes de compliance e acesso permanente ao Estado. Já startups, pesquisadores, pequenas empresas e empreendedores locais são empurrados para fora do jogo.
Assim, uma regulação apresentada como defesa da sociedade pode acabar concentrando mercado, sufocando a inovação nacional e aumentando a dependência de plataformas estrangeiras. O Estado diz proteger o cidadão, mas termina protegendo os gigantes e constrangendo os pequenos.
Não se trata de defender uma terra sem leis. O Brasil já as tem até em excesso, embora muitas vezes desconsideradas até por quem existe para por elas zelar. O que se contesta é a criação sucessiva de novas estruturas administrativas, com sanções, relatórios, deveres genéricos e crescente margem de intervenção política.
A inteligência artificial precisa de responsabilidade, mas precisa, sobretudo, de liberdade. Sem liberdade, não há ciência viva, mercado dinâmico nem criatividade transformadora. O perigo não está apenas nos abusos da IA, mas na tentação de usar esses abusos como pretexto para domesticar a inteligência humana.


















publicadaemhttps://www.pontocritico.com/espaco-pensar-artigo/o-leviata-ameaca-a-inteligencia-artificial-110626

A escola que não ensina

  Claudio Apolinario


O Brasil gasta mais e aprende menos. Isso não é acidente.

Entre 2003 e 2014, o Brasil triplicou o gasto público por aluno na educação básica. Mesmo descontando a inflação, o aumento real foi de 65%. O resultado? A posição do Brasil no ranking mundial de educação ficou entre os 20% piores do mundo.

Mais dinheiro. Resultado ruim. Isso por si só deveria ser um escândalo nacional.

Em 2022, o PISA — avaliação que mede o conhecimento de jovens de 15 anos em 81 países — colocou o Brasil na 65ª posição em matemática, na 63ª em ciências e na 59ª em leitura. Atrás de Chile, Uruguai e Colômbia.

Mas o dado mais perturbador não é a posição. É que desde 2009, os resultados brasileiros não mudaram nas três disciplinas. Mais de quinze anos parado no mesmo patamar. Metade dos jovens brasileiros de 15 anos não consegue interpretar um texto simples. Apenas 2% atingem alto desempenho em leitura.

Pense nisso. Metade dos jovens que hoje votam, trabalham e tomam decisões não conseguem ler um contrato, entender uma notícia ou saber o que estão assinando.

E tem um dado que assusta ainda mais. Segundo o INAF 2024 — pesquisa coordenada pela Ação Educativa com apoio de UNESCO e UNICEF — 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais. Sabem ler, mas não conseguem interpretar o que leram. Não conseguem preencher um formulário, entender uma bula de remédio ou calcular o troco. São 40 milhões de pessoas. E o mais revelador: 17% de quem terminou o ensino médio ainda é analfabeto funcional. A escola não garantiu nem o básico.

Isso não é falta de recurso. Colômbia e México gastam menos por aluno do que o Brasil e têm resultados melhores (dados OCDE). O problema não é quanto se gasta. É o que se faz com esse dinheiro.

E aqui está a pergunta que ninguém quer responder: se o gasto triplicou e o resultado não mudou, para onde foi o dinheiro?

Essa pergunta incomoda porque a resposta também incomoda. Um sistema inteiro vive desse orçamento — com avaliações que medem mas raramente geram consequência real para quem não entrega.

Não é novidade que há décadas o conteúdo objetivo — matemática, leitura, ciências — tem cedido espaço para outros objetivos dentro da sala de aula. Quando formar opinião política vira prioridade e ensinar a calcular e ler vira secundário, o resultado aparece nos dados. Uma escola que transforma criança em militante ao invés de ensiná-la a interpretar um texto não está falhando por acidente. Está executando um método.

Doutrinação não é falha de gestão. É uma escolha. E esta escolha tem um custo — pago pelas próximas gerações.

O Brasil mede. Mas não age na altura de corrigir o que está errado.

O IDEB — Índice de Desenvolvimento da Educação Básica — existe desde 2007 e mapeia o desempenho de cada escola e município do país. A meta nacional era atingir, em 2022, o nível de qualidade dos países desenvolvidos. Não foi atingida. Em 2019, apenas 23% dos municípios cumpriram a meta. Nenhuma escola fechou por isso. Nenhum gestor perdeu o cargo.

O Brasil sabe onde está falhando. E continua igual.

A incompetência produz resultados ruins por acidente. O que o Brasil tem é diferente: estagnação, aumento constante de orçamento, nenhuma mudança real de cobrança de resultado. Isso não é desorganização. É um sistema feito para quem vive nele, não para o aluno que depende dele.

Coreia do Sul, Japão e Cingapura têm algo em comum: cobram resultado. Professor é avaliado. Escola é avaliada. Aluno é avaliado. Quem não entrega resultado é obrigado a mudar o que está fazendo. São países que estão no topo do ranking mundial em educação. Não por acaso.

No Brasil, o debate sobre educação raramente chega na pergunta mais simples de todas: o aluno aprendeu? Em vez disso, discute-se tudo menos isso. E o ponteiro do PISA não se move desde 2009.

Uma escola que não ensina a ler, a calcular e a pensar não está cumprindo sua função. Não importa a metodologia. Não importa o orçamento. O que importa é se está ou não dando o resultado. O resultado do Brasil é estar na 65ª posição entre 81 países.

Quinze anos parado. Quanto tempo falta para sermos os últimos?

Quem já entendeu isso tem uma responsabilidade concreta. Antes de votar é preciso perguntar: qual é a meta de aprendizagem? Como será medida? O que acontece se não for atingida?

Cobrar o resultado de quem prometeu, antes de renovar o voto, é o mínimo que o eleitor consciente pode fazer. E explicar a realidade para quem ainda não viu que mais dinheiro não trouxe mais aprendizado. Isso é desperdício com dinheiro do contribuinte.

A próxima geração está sendo formada agora. E o que ela vai saber depende das perguntas que fazemos hoje e das ações que tomamos agora.

*                O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.







publicadamhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/a-escola-que-nao-ensina__18689

TORCER PELO LADRÃO DA PRÓPRIA TORCIDA

 gilbertosimõespires/pontocritico


É TEMPO DE COPA

No momento em que preparava um texto voltado ao -COMPORTAMENTO UFANO- do povo brasileiro em geral, no que diz respeito à participação na NOSSA SELEÇÃO nos jogos da COPA DO MUNDO, me deparei com o oportuno artigo do pensador Alex Pipkin, com o título -O VERDADEIRO ESPORTE NACIONAL- e achei que melhor caberia o compartilhamento do conteúdo através do editorial de hoje. Eis:


ATO DE FÉ

É tempo de Copa, quando o país volta a repetir, quase como um ATO DE FÉ, que o futebol é o nosso esporte nacional. Não é. 

O verdadeiro campeonato brasileiro acontece longe dos estádios, nos corredores do poder, onde influência pesa mais do que mérito, conexões substituem competência e o resultado da partida costuma ser conhecido antes mesmo do apito inicial.

ROBIN HOOD FOI DEMITIDO POR OBSOLESCÊNCIA

Nesse campeonato, Robin Hood foi demitido por obsolescência. Roubar dos ricos para dar aos pobres exige esforço, risco pessoal e uma ingenuidade incompatível com o grau de sofisticação que alcançamos. O Brasil aperfeiçoou a fórmula. Expropria-se quem trabalha, produz, empreende e paga impostos para sustentar uma máquina cuja principal vocação parece ser recompensar aqueles que aprenderam a gravitar em torno do poder.

Tudo isso acontece embalado por discursos moralmente grandiosos.

FREQUENTAR O PIB É MAIS CONFORTÁVEL

A esquerda festiva descobriu, ao longo da caminhada, que é infinitamente mais confortável frequentar o PIB do que combatê-lo. Banqueiros, operadores de influência, grandes empresários e políticos profissionais passaram a compartilhar os mesmos ambientes, os mesmos interesses e, frequentemente, as mesmas conveniências. 

A revolução terminou exatamente onde tantas revoluções terminam; no salão principal do castelo, com o banquete financiado pelos contribuintes.

Mas a verdadeira inovação brasileira não está na corrupção, nos privilégios ou nas relações promíscuas entre poder político e interesses privados. Nada disso é particularmente novo.

TORCER PELO LADRÃO DA PRÓPRIA TORCIDA

A grande novidade é o desaparecimento completo do pudor. Já não existe a necessidade de negar, esconder ou disfarçar. O escândalo se transformou em passivo gerencial, a contradição foi incorporada à rotina e a incoerência transformou-se em simples detalhe operacional.

A velha res publica foi silenciosamente convertida em algo muito mais conveniente. Continua sendo financiada por todos, mas administrada como patrimônio daqueles que controlam a máquina. 

Robin Hood imaginava que o problema eram os privilégios dos nobres instalados dentro do castelo. Nós fomos mais criativos. Transformamos o próprio Estado no castelo e enviamos a conta da manutenção para os camponeses que observam o banquete do lado de fora dos muros.

O detalhe realmente extraordinário é que muitos deles continuam discutindo apenas qual mesa do banquete merece mais aplausos.

No fim, o verdadeiro esporte nacional nunca foi o futebol. Sempre foi torcer pelo ladrão da própria torcida.
























publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/torcer-pelo-ladrao-da-propria-torcida

QUEM ESTÁ POR TRÁS DISSO TUDO??

 ANDRÉFERNANDES/FACEBOOK


QUEM ESTÁ POR TRÁS DISSO TUDO??




Fachin muda de estratégia e abandona código de ética! E agora?!

 deltandallagnol/youtube


Fachin muda de estratégia e abandona código de ética! E agora?!

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https://www.youtube.com/watch?v=8iyG-uZXKoE

DURIGAN FOI NA CÂMARA DIZER QUE A INFLAÇÃO ESTÁ CONTROLADA. ISSO É UMA MENTIRA.

 dep.profcláudiobranchieri/youtube



GANHOU NADA, VAI TER QUE PAGAR

 ABÍBLIOBRUNINI/FACEBOOK


GANHOU NADA, VAI TER QUE PAGAR



PT ENDIVIDOU O PAÍS

 RONALDO CAIADO FACEBOOK


PT ENDIVIDOU O PAÍS




Trump Faz Ameaça Brutal Que Mira Direto o Lula e o STF: Veja!

 andremarsiglia/youtube


Trump Faz Ameaça Brutal Que Mira Direto o Lula e o STF: Veja!


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https://www.youtube.com/watch?v=h-Ls4zLRlow

CUSTO BRASIL: Por que o TRABALHADOR não SAI do LUGAR

 rubinhonunes/youtube


CUSTO BRASIL: Por que o TRABALHADOR não SAI do LUGAR

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https://www.youtube.com/watch?v=WN_mr5cVNz8

A PEÇA MAIS IMPORTANTE DO JOGO É A MAIS INUTIL

 RAFAELATUMA/FACEBOOK


A PEÇA MAIS IMPORTANTE DO JOGO É A MAIS INUTIL



SEM VERGONHA DE MENTIR... DESCARADO

 FLAVIOROMART/X


SEM VERGONHA DE MENTIR... DESCARADO



sábado, 27 de junho de 2026

Escala 6×1: 0 debate certo, na hora errada, pelo motivo equivocado

 Leandro Lima


Redução da jornada avança sem que o país tenha construído as bases econômicas para sustentá-la

Nas últimas semanas, o Brasil descobriu que tinha uma opinião formada sobre escala de trabalho. Nas redes sociais, nos corredores do Congresso e nos programas de televisão, o debate em torno da extinção da escala 6×1 tomou o espaço que, em outro momento, caberia a temas como reforma tributária, qualidade da educação pública e desburocratização da economia. O assunto é legítimo. O problema está no contexto em que ele aparece, na velocidade com que avança e no uso que se faz dele.

A Câmara dos Deputados aprovou, em 27 de maio de 2026, a PEC que reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e institui dois dias obrigatórios de descanso. O texto segue para o Senado, com declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta, de que a votação ocorrerá ainda em 2026. O calendário político é relevante: 2026 é ano de eleição presidencial, e o fim da escala 6×1 é uma das bandeiras centrais do governo Lula para a campanha à reeleição. Essa coincidência não invalida o debate, mas é um elemento que precisa ser considerado por qualquer análise que leve a sério os riscos de uma mudança estrutural aprovada com essa velocidade.

O trabalhador que deseja passar mais tempo com a família tem razão em querer isso. O desgaste de quem cumpre seis dias seguidos de trabalho é real, e ignorar esse fato seria uma desonestidade analítica. A questão não é se o desejo de jornadas menores é legítimo. É se a solução proposta consegue entregar esse benefício sem produzir consequências que recaiam sobre o próprio trabalhador que se quer proteger.

A baixa produtividade brasileira

O Brasil ocupa a 94ª posição em produtividade num ranking da OIT que considera 184 nações. Cada hora trabalhada no país gera, em média, US$ 21,17 de produção, medida em paridade de poder de compra. A Irlanda, líder do ranking, gera US$ 164,65 por hora, quase oito vezes mais. Países como Alemanha, França e Estados Unidos ficam entre US$ 80 e US$ 82. Mesmo o Japão, o menos produtivo do G7, entrega mais do que o dobro do Brasil por hora trabalhada.

Há um argumento recorrente no debate que diz que o brasileiro trabalha muito e recebe pouco. Os dados da OIT confirmam a segunda parte. Mas a primeira precisa ser qualificada. O Brasil está na 98ª posição em horas trabalhadas por semana, com média de 38,9 horas. China e Índia, economias em crescimento acelerado, trabalham 46 e 45 horas semanais. Países europeus que adotaram jornadas menores, como Dinamarca e Alemanha, trabalham entre 32 e 33 horas, mas com produtividade quatro vezes superior à brasileira. O trabalhador nacional não trabalha demais em relação ao mundo. Trabalha num sistema que gera menos por hora do que o necessário para sustentar salários mais altos e jornadas mais curtas.

Essa distinção é o ponto central do debate e é justamente ela que desaparece quando a discussão se torna eleitoral. Reduzir jornada num país de alta produtividade é um ajuste possível, porque o trabalhador já entrega mais valor em menos tempo. Fazer o mesmo num país de baixa produtividade, sem contrapartidas de qualificação, investimento ou ganho de eficiência, significa aumentar o custo de produzir sem aumentar o que se produz.

A Confederação Nacional da Indústria estimou, com base em modelos econômicos, que uma redução de 44 para 40 horas semanais, num cenário sem aumento de produtividade, poderia resultar em queda de 0,7% do PIB, o equivalente a aproximadamente R$ 77 bilhões. O custo médio ao consumidor final poderia subir cerca de 6,2%, porque o valor da hora trabalhada aumenta enquanto o volume produzido cai. Para compensar, as empresas precisariam contratar mais funcionários ou pagar horas extras, elevando a folha salarial sem crescimento equivalente de receita. Esses números são projeções condicionadas a um cenário específico, mas revelam uma dinâmica que qualquer formulação séria da política precisa considerar.

A conta não fecha

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, declarou que o governo não concederá compensação fiscal ou tributária às empresas para absorver o custo da mudança. A conta, portanto, recairá inteiramente sobre o setor produtivo. Para grandes corporações com margens saudáveis, a adaptação é possível, ainda que exija esforço. Para a maioria das empresas brasileiras, a equação é estruturalmente diferente.

Noventa por cento das empresas no Brasil têm menos de dez funcionários. São padarias, oficinas mecânicas, pequenos comércios, prestadoras de serviço, restaurantes, clínicas — negócios que operam com margens líquidas de 3%, 5%, 8% em setores de alta concorrência e baixo poder de precificação. Quando o custo do trabalho sobe, as saídas disponíveis são repasse de preço ao consumidor, redução de contratações ou encerramento da atividade. As três opções prejudicam quem a proposta pretendia beneficiar.

O risco de informalização é igualmente sério. O Brasil já tem cerca de 40 milhões de trabalhadores no mercado informal. Uma mudança que torne o emprego formal mais caro, sem transição adequada e sem compensação, tende a empurrar mais contratos para fora da proteção legal. O resultado seria o oposto do que a proposta anuncia: menos direitos para mais trabalhadores.

O Centro de Liderança Pública comparou a proposta brasileira com a regulação trabalhista de 21 países. A conclusão foi que o modelo aprovado pela Câmara torna o Brasil mais rígido do que a maioria dessas nações, não necessariamente pela redução da carga horária total, mas pela exigência de dois dias fixos de descanso por semana, aplicada de forma uniforme a todos os setores. França, Japão e China permitem distribuir as horas ao longo de seis dias, com folgas flexíveis conforme as necessidades do processo produtivo. A proposta brasileira não oferece essa margem.

Essa rigidez é onde o problema se torna mais concreto. Uma siderúrgica não interrompe o forno na sexta-feira para reacendê-lo na segunda, porque o processo de aquecimento demora cerca de 20 horas. Uma indústria cerâmica perde produção toda vez que o ciclo é quebrado fora do tempo adequado. Uma padaria concentra boa parte do faturamento nos fins de semana. Uma empresa de limpeza urbana repassa seu custo ao município, que já opera no limite fiscal. Nesses casos, a rigidez da escala não é um detalhe operacional. É a diferença entre um negócio viável e um inviável. Uma legislação que trate esses setores da mesma forma que trata atividades de escritório não resolve o problema da jornada. Cria problemas novos onde não existiam.

A discussão sobre a escala 6×1 é legítima

O debate sobre jornada de trabalho é válido e deve acontecer. O que precisa ser questionado é a forma: uma PEC aprovada com velocidade eleitoral, sem estudo de impacto por setor, sem mecanismo de transição adequado e sem contrapartida para quem absorve o custo.

O próprio ministro Marinho afirmou que a discussão deveria ser conduzida pelo diálogo entre trabalhadores e empregadores. O Brasil já tem o instrumento para isso: a negociação coletiva. Acordos por setor e por empresa permitem buscar jornadas menores sem impor um modelo uniforme a ciclos produtivos, sazonalidades e realidades financeiras completamente distintas. Um frigorífico tem demandas diferentes de um banco. Uma indústria têxtil tem uma lógica de produção diferente de uma empresa de tecnologia. A negociação coletiva permite que cada setor encontre o ponto de equilíbrio entre descanso e viabilidade, sem que o Estado precise saber de antemão qual é a resposta certa para todos. Foi exatamente esse princípio que a reforma trabalhista de 2017 buscou fortalecer. Uma lei nacional que ignora essas diferenças não elimina a tensão, apenas a transfere para outro lugar, geralmente para quem tem menos condições de absorvê-la.

Países que reduziram com sucesso a jornada de trabalho fizeram isso como consequência de aumento de produtividade, não como ponto de partida. A Alemanha e a Dinamarca trabalham menos porque produziram mais ao longo de décadas de investimento consistente em educação, tecnologia e eficiência industrial. A produtividade maior abriu espaço para a jornada menor sem que o custo recaísse sobre as margens das empresas ou sobre os preços ao consumidor.

Querer que o trabalhador brasileiro tenha mais tempo com a família é um desejo justo e merece uma resposta econômica séria. O risco do caminho atual não está na intenção, mas na sequência: reduzir jornada por lei, antes de construir as condições de produtividade que tornam essa redução sustentável, pode produzir efeitos contrários aos prometidos, com preços mais altos, menos contratações formais e mais pressão sobre quem já opera no limite.

O país não erra por querer que o trabalhador viva melhor. Erra quando antecipa por lei um resultado que só se sustenta com base econômica real. Quando essa base não existe, o que sobra não é a conquista prometida. É a conta que chega depois, silenciosa, distribuída entre preços, empregos e contratos que simplesmente deixaram de acontecer.

*Leandro Lima é sócio Fundador da B2 Gestão Inteligente e colaborador do Instituto Liberal.

*Artigo publicado originalmente na Revista Oeste.























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