Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Privilégios públicos, desigualdade privada

   Adriano Dorta


No dia 8 de julho, a Receita Federal divulgou dados consolidados do Imposto de Renda.Os dados se referem ao patrimônio médio declarado por contribuintes segundo sua ocupação principal no Imposto de Renda.

Embora o titular de cartório não seja servidor público e os serviços sejam exercidos em caráter privado, a delegação vem do poder público e quem faz a fiscalização é o Judiciário. O titular administra a unidade, contrata funcionários e assume seus custos, mas exerce uma função pública protegida e regulamentada pelo Estado.

O sistema cartorial brasileiro apresenta uma dinâmica parecida com o mercantilismo. O Estado cria uma demanda compulsória por determinados serviços, restringe a entrada de prestadores e concede exclusividades jurídicas a um grupo limitado de delegatários. Como ocorria nos antigos sistemas mercantilistas, a renda não decorre exclusivamente da capacidade de satisfazer a consumidores em um mercado competitivo, mas também da posse de uma posição protegida pelo poder público.

Os benefícios dessa estrutura permanecem concentrados nos titulares, enquanto os custos são dispersos entre milhões de cidadãos. Isso fortalece os incentivos para que o grupo beneficiado se organize e preserve as regras existentes, ao passo que cada usuário possui pouco incentivo individual para combatê-las.

O resultado é uma forma de rent-seeking institucionalizado, na qual o Estado não apenas regula a atividade econômica, mas produz e protege rendas que contribuem para a própria desigualdade que afirma combater.

Ministros, juízes e desembargadores fazem parte do Judiciário. O segundo lugar no ranking custa ao Brasil, segundo o relatório Justiça em Números 2025, do CNJ, 1,2% do PIB e 2,45% dos gastos da União, Estados, DF e Municípios. Um Judiciário independente é necessário para proteger contratos, propriedade, liberdade individual e limites constitucionais. A crítica liberal ao Judiciário brasileiro não está na sua independência, mas na falta de restrição do poder.

A Lexum faz um trabalho excelente de crítica ao judiciário, além de apontar que a instituição é capaz de preservar privilégios, impor políticas públicas e participar da concentração de renda produzida pelo próprio Estado. O mesmo raciocínio se aplica às demais carreiras jurídicas de Estado. Promotores e procuradores não fazem parte do Poder Judiciário, mas integram a elite jurídica estatal brasileira. São carreiras protegidas por estabilidade, altos salários, autonomia institucional e baixa exposição à concorrência.

O que torna essa situação ainda mais assustadora é a forma com que parte da população politizada reage de forma distinta aos números. No mês passado, foi noticiado que Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história. Claro que a esquerda reagiu com o seu famoso slogan “bilionários trilionários não deveriam existir”.

A indignação seletiva revela muito. Quando a riqueza é criada através de inovação, investimento, criação de empresas e prestação de serviços, parte da opinião pública trata isso como escândalo moral. Mas, quando a riqueza é acumulada por parte do funcionalismo público através de auxílios, penduricalhos, benefícios e salários exagerados financiados compulsoriamente pelo contribuinte, vem o silêncio.

Enquanto o pagador de impostos usa o SUS, o Senado gastou R$ 300 milhões com plano de saúde vitalício em 12 anos. Pais e mães deixam de trabalhar por falta de creche, juízes e promotores de Minas Gerais recebem R$ 57 mil por filho através do auxílio-creche. Muitos esquerdistas alegaram que se taxássemos Elon Musk e seu um trilhão de dólares, acabaríamos com os problemas sociais. Porém, se um governo federal que arrecada quase R$ 3 trilhões ainda não consegue entregar serviços básicos de qualidade, talvez o problema não seja simplesmente falta de dinheiro. Talvez seja a forma como o Estado arrecada, gasta, protege grupos organizados e distribui privilégios.

Dos 213 milhões de habitantes, apenas 21% (44,5 milhões) da população declara o Imposto de Renda. O pagador de imposto médio é o que possui renda tributável de R$ 2,4 mil a R$ 5 mil por mês.

Nos EUA, Alemanha, Suíça, Irlanda, por exemplo, quando o Estado é colocado na conta, o índice de Gini – índice que mede a taxa de desigualdade de uma sociedade – tende a diminuir. No índice de Gini, 0 significa uma sociedade completamente igualitária e 100 uma pessoa possuindo toda a riqueza. No Brasil, quando o governo entra na conta, o índice de Gini sai de 50 e passa para 54.

Apesar das críticas da esquerda ao setor de agronegócio, os produtores rurais têm patrimônio inferior ao Ministério Público. Dirigentes de empresas que assumem riscos, empregam e pagam impostos têm patrimônio menor que um diplomata.

Onde está a indignação por parte da sociedade politizada que se importa tanto com desigualdade? Por que a desigualdade criada pelo Estado é menos revoltante do que a desigualdade no setor privado? Como um país pode se sustentar quando o incentivo é estudar para conseguir passar em um concurso e exercer um cargo público?

30% das declarações de Imposto de Renda vêm do Estado de São Paulo. 2/3 vem da região Sul e Sudeste. Esse é o tal do pacto federativo? Como ter uma sociedade coesa se o Estado fomenta o rancor e a sensação de injustiça?

Quem recebe entre R$ 5.000 e R$ 7.350 precisa pagar 7,5% a 22,5%. A título de comparação, a alíquota marginal de 22% só começa por volta de US$ 50.400 de renda tributável. Não à toa, as declarações de saída definitiva do país (documento entregue à Receita Federal para informar oficialmente que deixou de ser residente fiscal no Brasil) subiram de 31.503 em 2025, para 45.847 em 2026.

A economia brasileira é em grande medida informal, ou seja, as regras são tão abusivas que as pessoas preferem participar fora do conjunto de regras. Consequentemente não são tributados e a conta sobra para quem se arrisca a jogar o jogo dentro das regras.

Apenas 4% da população investe. O pouco dinheiro que pode ser usado como investimento acaba precisando ser disputado a tapas entre os que querem produzir, os que são amigos do rei e aqueles que decidem para onde vai o dinheiro.

Trabalhar e produzir no Brasil é muito caro. O ideal é carimbar e usar toga.









publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/privilegios-publicos-desigualdade-privada/

CONTRATO VALENDO POR SUA VIDA INTEIRA

 MARCELOTOLEDO/FACEBOOK


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PF Pede SOCORRO a Lula: Lulinha Em Perigo!

 andremarsiglia/youtube


PF Pede SOCORRO a Lula: Lulinha Em Perigo!


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PF Abre Inquérito Contra Lulinha e Cita Gabinete do Lula: Lula está envolvido?

 deltandallagnol/youtube


PF Abre Inquérito Contra Lulinha e Cita Gabinete do Lula: Lula está envolvido?


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ZEMA PROPÕE UM REALITY SHOW...

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ZEMA PROPÕE UM REALITY SHOW...



ISSO ELES ESCONDEM DE VOCÊ

 BIAKICIS/INSTAGRAM


UM ABSURDO TOTAL! Mas ué? Não era o Lula que na campanha dizia ser contra qualquer sigilo? O que eles querem esconder?



COMO A GENTE VAI VIVER SEM AS BETS???

 MARCELOTOLEDO/FACEBOOK


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A Ciência Já Provou: 12% de Vantagem que a Militância Esconde

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E o crápula é o patrão... tem certeza?

 rokast/facebook


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INSS: Mendonça desconfia de 'corpo mole' da PF no caso Lulinha, revela jornalista

 revistaoeste/youtube


INSS: Mendonça desconfia de 'corpo mole' da PF no caso Lulinha, revela jornalista

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COM AMOR CUSTA MAIS DE 8 REAIS

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COM AMOR CUSTA MAIS DE 8 REAIS



quinta-feira, 30 de julho de 2026

O erro da direita americana e o alerta para o Brasil

 Adriano Dorta 


O dirigismo econômico esteve, por muito tempo, associado à esquerda latino-americana. Ultimamente, porém, a direita americana — mais especificamente o movimento MAGA — parece estar seguindo o mesmo caminho.

Apesar de sua fama, Ronald Reagan não seguiu tão fielmente as ideias de seu conselheiro econômico informal, Milton Friedman. Pelo contrário: em seu livro Two Lucky People, Friedman aponta o abismo entre aquilo que foi prometido e o que efetivamente foi entregue. Ele lamenta o fato de que, embora Reagan tenha conseguido cortar impostos e controlar a inflação, o tamanho do governo, os gastos públicos e o número de regulamentações tenham continuado a crescer.

Desde então, a direita americana parece ter se distanciado da defesa da liberdade econômica. Alguns institutos liberais e libertários nos Estados Unidos chegaram a classificar o governo Bush como uma espécie de “conservadorismo de Estado grande” — Big Government Conservatism. Com Trump, não foi diferente. Em seu segundo mandato, ele iniciou uma guerra tarifária apoiando-se em um argumento muito semelhante ao utilizado pelos reis absolutistas durante o período mercantilista: a balança comercial.

Embora, naquela época, esse pensamento econômico estivesse associado à acumulação de metais preciosos, o que mudou hoje foi apenas o objeto da política. O governo Trump já adquiriu uma participação de 10% em uma das maiores empresas do setor de tecnologia, a Intel. Também imitou o governo Lula ao impor impostos sobre importações, alegando que o país precisava lutar pela reindustrialização e trazer de volta os empregos que outros países teriam “roubado”.

O vice-presidente J. D. Vance afirmou, em uma entrevista, que “a política econômica da direita americana é mais parecida com as ideias de Alexander Hamilton do que com as de Milton Friedman”. Segundo o vice-presidente, “as ideias de Friedman faziam mais sentido em 1980”.¹

Esse trecho é quase cômico. Vance considera que as ideias de Friedman, formuladas há cerca de cinquenta anos, estão defasadas ou obsoletas e já não correspondem à realidade do mundo atual. Ao mesmo tempo, não parece considerar ultrapassadas as ideias mercantilistas, protecionistas e autarquizantes do século XVIII. Os números mostram que essas políticas econômicas produziram um crescimento menor do emprego não agrícola entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 — apenas 0,2% — do que entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025, durante o governo Biden, quando o crescimento foi de 0,8%.

As tarifas impostas durante o segundo mandato de Trump foram muito mais agressivas do que as adotadas no primeiro. Ainda assim, os resultados não foram melhores. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, a produção industrial cresceu 1,4%, pouco mais da metade da alta de 2,7% registrada entre janeiro de 2017 e janeiro de 2018.

O emprego na indústria — uma estatística especialmente relevante, já que a intenção declarada do presidente é “trazer de volta os empregos e as indústrias para casa” — caiu 0,7% no primeiro ano de seu segundo mandato. No primeiro ano do primeiro mandato, havia crescido 1,6%. De maneira mais geral, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, os ganhos médios reais por hora de todos os empregados do setor privado cresceram apenas 0,7%, menos do que o aumento de 1% registrado entre janeiro de 2017 e janeiro de 2018.

Embora a renda familiar mediana real tenha crescido 1,4% em 2025, ela havia crescido mais em 2017: 1,9%. O PIB real per capita também cresceu mais em 2017 (2,7%) do que em 2025 (2,3%). O investimento fixo privado real não residencial cresceu 7,5% durante o primeiro ano do primeiro mandato contra 5,8% no primeiro ano do segundo mandato. Entre janeiro de 2017 e janeiro de 2018, a taxa de desemprego caiu de 4,7% para 4%. Já entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, subiu de 4% para 4,3%.

Os números indicam que esse movimento mais agressivo para reduzir o déficit comercial com outros países não deu muito certo. Esse é o alerta que os leitores e apoiadores do Instituto Liberal precisam ter em mente. Apesar de aquilo que hoje chamamos de “direita” no Brasil possuir uma visão geralmente mais positiva do livre-comércio, esse grupo político e ideológico não é homogêneo. Um estudo, inclusive, sugere que a direita apresenta maior pluralidade de opiniões do que a esquerda.²

Nota: o lado direito do gráfico, representado pela cor vermelha, refere-se ao Partido Republicano, associado à direita americana. O lado azul representa o Partido Democrata, associado à esquerda.

Como já foi dito, a direita é formada por grupos diversos, com ideias que muitas vezes podem entrar em conflito. As divergências vão desde o grau de confiança depositado na economia de mercado até questões relacionadas à segurança nacional. Liberais, libertários e conservadores podem divergir tanto em grau quanto em natureza. Em algumas pautas, podem concordar integralmente; em outras, podem sustentar posições completamente diferentes. Mesmo no interior de cada um desses grupos, existem discordâncias importantes.

O problema é que algumas alas dessa chamada direita possuem uma visão muito mais próxima do movimento MAGA americano do que das tradições liberal e conservadora brasileiras.

Um exemplo que ajuda a ilustrar o problema discutido neste texto é o influenciador ligado ao bolsonarismo Kim Paim.

O grupo que afirma se opor à falta de liberdade econômica e política promovida pelo PT não pode adotar as mesmas práticas e esperar resultados diferentes simplesmente porque, desta vez, será a própria direita a implementá-las. Os efeitos da falta de liberdade econômica e da redução da concorrência não se alteram apenas porque o grupo político responsável por essas medidas se encontra à direita do espectro político.

Como disse Roberto Campos: “Há três tipos de povos: os inteligentes, que aprendem com as experiências alheias; os medíocres, que aprendem com as próprias experiências; e os idiotas, que nunca aprendem.” Qual desses três tipos de povos a direita brasileira quer ser para o Brasil?

Referências

1 HARKOV, Lahav [@LahavHarkov]. “Milton Friedman’s ideas made more sense in the 1980s”: Vance describes at length how he thinks that, unlike Milton Friedman, the Trump administration’s economic ideas “allow human dignity to flourish”. X, 2 jul. 2026. Disponível em: https://x.com/LahavHarkov/status/2072531820487303348.
2 LÜDERS, Adrian; CARPENTRAS, Dino; QUAYLE, Michael. Attitude networks as intergroup realities: using network-modelling to research attitude-identity relationships in polarized political contexts. British Journal of Social Psychology, v. 63, n. 1, p. 37–51, 2024. DOI: https://doi.org/10.1111/bjso.12665. Disponível em: https://bpspsychub.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/bjso.12665.










publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/o-erro-da-direita-americana-e-o-alerta-para-o-brasil/

O que a experiência de estreia do Novo em 2018 pode ensinar à Missão em 2026

  Bernardo Santoro


Toda estreia nacional de um partido novo carrega o dilema de como converter o desempenho eleitoral de seu candidato presidencial em bancada de deputados federais. Em 2018, o Novo resolveu essa equação de forma quase didática, ainda que tenha desaprendido depois. Em 2026, a Missão tem a chance de repetir a fórmula, mas com uma máquina digital que o Novo simplesmente não tinha.

2018: o manual de estreia do Novo

Na sua primeira disputa nacional, o Novo apostou em João Amoêdo como contraponto liberal e “eficientista” entre um Bolsonaro que radicalizava a direita conservadora e um Haddad carimbado pelo lulopetismo. Foi um discurso de solução prática, de gestão, de redução do Estado por meio de mérito e eficiência; a mesma lógica, guardadas as proporções, que hoje aparece no Livro Amarelo, com o qual Renan Santos tenta se posicionar como a alternativa de resolução de problemas concretos do Missão, embora, destaque-se, o programa do Missão pareça ser bem mais denso e abrangente que o do Novo em 2018.

O resultado de Amoêdo foi 2.679.745 votos, 2,5% dos válidos, quinto lugar no primeiro turno, à frente de nomes consagrados como Marina Silva e Álvaro Dias. Mas o dado mais relevante para quem estuda a mecânica eleitoral é o que aconteceu na eleição proporcional. O Novo elegeu 8 deputados federais com 2.748.079 votos, equivalentes a 2,79% dos votos válidos nacionais. Um porcentual praticamente colado ao de Amoêdo, com apenas 0,29 ponto porcentual de diferença.

Essa proximidade não foi acidente. Nas semanas finais de campanha de 2018, Amoêdo deslocou deliberadamente parte do seu discurso e esforço para pedir voto de legenda e votos nominais para os candidatos a deputado federal do partido. Esse é um movimento eleitoral clássico de “efeito cauda” (coattail effect) trabalhado de forma consciente, que, desenvolvido com profissionalismo e esmero, gera excelentes resultados, pois a população em geral acompanha muito mais a eleição majoritária que a proporcional, sendo frequentemente levada a apoiar candidatos ao legislativo vinculados a um candidato executivo.

O resultado foi expressivo. Já na estreia, o Novo superou a marca de 1% dos votos em 13 unidades da Federação (quatro a mais que o necessário) e alcançou 1,5% dos votos em âmbito nacional. Para uma legenda sem tempo de TV, sem estrutura partidária consolidada e sem nenhuma experiência em eleições nacionais, o desempenho permitiu superar a cláusula de barreira e passar a ter acesso ao fundo partidário e ao tempo de rádio e televisão.

Missão 2026: o mesmo ponto de partida

A Missão chega a 2026 em posição parecida à do Novo em 2018: estreia nacional, sem tempo de TV, fundo eleitoral pequeno (R$ 3,3 milhões) e um candidato à Presidência, Renan Santos, que ainda não seria conhecido nacionalmente fora dos círculos da direita mais engajados digitalmente.

Mas há uma diferença estrutural que muda esse cálculo: o MBL construiu, ao longo de mais de uma década, provavelmente a melhor máquina de comunicação digital orgânica entre todos os projetos políticos concorrentes em 2026, incluindo os grandes partidos com fundo bilionário.

Isso é um ativo que o Novo simplesmente não possuía em 2018, pelo menos não nessa dimensão. Na época, o partido também dependia de estruturas mais tradicionais de campanha e de um discurso dirigido a um público predominantemente adulto, de renda mais alta e já politizado.

A pergunta que pode definir o tamanho da bancada da Missão em 2026 não é, especificamente, se “Renan vai crescer nas pesquisas presidenciais?” — até porque ele já está fazendo isso. A questão central é outra: “Renan conseguirá converter parte do capital político acumulado em votos de legenda e votos nominais para os candidatos a deputado federal do partido?”

Hoje, o discurso de Renan ainda está centrado majoritariamente na própria candidatura presidencial. Isso é natural nesta fase da campanha, mas, se mantido até outubro, pode desperdiçar o principal trunfo que o partido tem: uma base de apoio jovem, digital, altamente mobilizável e disposta a seguir instruções de voto que cheguem por canais que o eleitorado tradicional usa em menor escala.

A cláusula de barreira

A cláusula de desempenho de 2026 exige dos partidos, para acesso pleno ao fundo partidário e ao tempo de rádio e televisão, 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara dos Deputados ou a eleição de pelo menos 13 deputados federais distribuídos por, no mínimo, um terço das unidades da Federação, com 1,5% dos votos válidos em cada uma delas. Na prática, quem alcança os 2,5% dos votos em âmbito nacional dificilmente deixa de cumprir também a exigência de 1,5% em nove Estados. Historicamente, o maior obstáculo tem sido atingir o porcentual nacional, e não a distribuição geográfica dos votos.

É aqui que as candidaturas de Kim Kataguiri e Cristiano Beraldo, em São Paulo, se tornam decisivas. Com dois nomes de peso na disputa pelo Estado que concentra o maior colégio eleitoral do país e onde a própria Missão nasceu institucionalmente, a partir do MBL, é plausível projetar até 1,5 milhão de votos para a legenda apenas em São Paulo na eleição proporcional. Isso faria o partido precisar buscar cerca de 1,2 milhão de votos no restante do Brasil para alcançar algo próximo dos 2,7 milhões de votos que, em 2018, garantiram ao Novo sua entrada na Câmara e que hoje, com um eleitorado maior, seriam o número projetado para atingir os 2,5% dos votos válidos em âmbito nacional.

O que mostra a pesquisa Atlas/Bloomberg

A pesquisa Atlas/Bloomberg de junho de 2026 (RDR, 4.999 respondentes e margem de erro de ±1 ponto porcentual) traz um dado que reforça esse potencial. Nos cenários de primeiro turno com Lula, Renan Santos aparece com 7,8% das intenções de voto nos Cenários 1 e 2, à frente de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, e com 8,1% no Cenário 3, sem a presença de Flávio Bolsonaro na disputa — substituído por Michelle Bolsonaro. Como esses números incluem brancos, nulos e indecisos na base de cálculo, o equivalente em votos válidos gira entre 9% e 10%, um patamar muito superior ao obtido por Amoêdo em 2018 e que, à época, já foi suficiente para levar o Novo a superar a cláusula de barreira.

O ponto central da análise é que essa força individual de Renan nas pesquisas presidenciais constitui, hoje, o principal ativo eleitoral da Missão para a disputa proporcional. Ela, porém, só se converterá em bancada se for deliberadamente direcionada para esse objetivo. Usando a mesma lógica do “efeito cauda” explorada pelo Novo em 2018 — quando o porcentual obtido pelos candidatos a deputado federal ficou a menos de 0,3 ponto porcentual do desempenho de Amoêdo na eleição presidencial —, se a Missão conseguir converter apenas metade da votação presidencial de Renan em votos para sua chapa de deputados federais, o partido partiria de um patamar estimado entre sete e oito deputados eleitos em São Paulo e entre 12 e 15 deputados federais em âmbito nacional. Nesse cenário, superaria com folga tanto a cláusula de barreira quanto a própria meta de “ao menos cinco deputados federais” projetada no artigo “Os três caminhos da direita para 2026”.

O que falta observar até outubro

Restam dois pontos em aberto para validar essa hipótese:

1. Se a campanha de Renan deslocará parte do tempo de TV e da comunicação digital, nos 15 dias finais da campanha, para pedir explicitamente votos de legenda e votos nominais aos candidatos a deputado federal, replicando o movimento tático adotado por Amoêdo em 2018, mas agora com uma máquina digital muito mais sofisticada para operacionalizar esse pedido em escala e com um candidato à Presidência que provavelmente terá desempenho muito superior, em termos absolutos e relativos, ao do candidato do Novo naquele ano.

2. Se a estrutura de pulverização de candidaturas da Missão pelo Brasil vai conseguir captar os 1,2 milhão de votos fora de São Paulo necessários para fechar a conta nacional, já que o partido ainda precisa provar capilaridade fora do Estado, em um primeiro momento, e fora do eixo sudestino no segundo.

Se esses dois fatores se confirmarem, a Missão pode repetir, e superar, a proeza do Novo em 2018, transformando a estreia nacional de um outsider ideológico em bancada relevante já na primeira eleição. A diferença é que, desta vez, o partido tem, na ferramenta de uma máquina digital nativa, testada em mais de uma década de mobilização de rua e de internet pelo MBL, um instrumento pronto para eleger uma bancada de deputados federais que dará à Missão uma vitória eleitoral definitiva, ainda que não vença necessariamente a eleição majoritária para presidente.

*Artigo publicado originalmente na revista Oeste.



















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/o-que-a-experiencia-de-estreia-do-novo-em-2018-pode-ensinar-a-missao-em-2026/

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