Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A ferramenta retórica da esquerda trabalhista: China (parte 2)

  Adriano Dorta 


Na primeira parte, discutimos rapidamente sobre o que era o trabalhismo, o contexto em que ele surgiu e o seu papel na construção da história do Brasil. Também citamos alguns militantes e suas ideias para o país.

Como foi dito na primeira parte, existem muitas diferenças entre as estruturas institucionais da China e dos países nórdicos. Essas estruturas não são complementares porque vivemos em um mundo com recursos escassos.

Enquanto os países nórdicos estão concentrando seus gastos em bem-estar social, a China foca seus gastos em investimento e infraestrutura. Caso o argumento dos trabalhistas fosse “juntar o melhor dos dois mundos”, o Estado teria um gasto em torno de 85% do PIB.

A China não tem a mesma rede de proteção social que os países nórdicos possuem. Além disso, como mostramos na primeira parte, as regras de relações do trabalho são criadas e discutidas entre o mercado (empresas, empregadores, sindicatos e trabalhadores), não pelo Estado.

A título de comparação, o Brasil gasta 12% do PIB com previdência, enquanto a China gasta 2% do PIB.

Ao contrário, na China, além de não existir essa rede de proteção social, o Estado não só intervém, mas dita as regras que mais beneficiam a economia e não os trabalhadores.

Segundo a China Labor Watch[1], por meio de um relatório, as empresas ocidentais praticam ações diferentes dos seus próprios compromissos declarados com padrões éticos de trabalho.¹

Podem acusar essa prova de ser uma evidência anedótica, mas o site promove um trabalho extenso mostrando a dura realidade que os trabalhadores chineses enfrentam. Além disso, a jornada média anual da China é maior que a de quase todos os países capitalistas – e não é pouco.

Enquanto a média anual de horas trabalhadas por trabalhador nos países nórdicos é de 1.434 horas, na China, a média é de 2.328 horas. São 894 horas, em média, trabalhadas a mais.

Um outro caso que confirma a falta de proteção e direitos da classe trabalhadora na China foi o escândalo que ocorreu na Bahia com a empresa chinesa BYD. Em junho de 2025, a empresa chinesa de carros elétricos BYD (Build Your Dreams – que, em português, significa “Construa Seus Sonhos”), foi autuada pela fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (SRTE/BA) por condições análogas à escravidão.

Segundo o próprio Ministério do Trabalho e Emprego, “foram identificados 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.”²

Os auditores detalharam “um conjunto de irregularidades que, em sua totalidade, configuram a submissão dos trabalhadores a condições degradantes e coercitivas, caracterizando a violação dos direitos fundamentais previstos na legislação brasileira.” Os relatos mostram que alguns trabalhadores estavam em jornadas de trabalho superiores a 10 horas. Um trabalhador machucado relatou que estaria trabalhando “há 25 dias sem descanso.”

A mesma prática usada nos sindicatos é usada nas empresas. Essa dinâmica é muito parecida com o que o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães usava na Alemanha pós-1933. O Reichswirtschaftsministerium (Ministério da Economia do Império) direcionava um Betriebsführer (“gerente” de negócios) que fazia parte do partido com a missão de garantir a conformidade ideológica dentro das empresas. Já o Arbeits-Vertrauensmänner era responsável por coordenar e supervisionar os trabalhadores. Além disso, também resolvia disputas em prol dos planos do Reich. Esse sistema sustentava a subordinação dos direitos dos trabalhadores a serviço do Estado.

Na China, sindicatos de trabalhadores têm membros do Partido Comunista Chinês controlando e coordenando essas instituições conforme o plano do governo. Caso greves ou tentativas de pressão sejam vistas como prejudiciais para empresas, o governo não vê problema algum em reprimir tais ações.

工会 — gōnghuì (sindicato) integra a estrutura da All-China Federation of Trade Unions (ACFTU), que funciona dentro da ordem do Partido-Estado. A ACFTU segue a liderança do Partido Comunista Chinês, opera seguindo o centralismo democrático.

O trabalhismo como ideologia política defende um Estado que crie e proteja direitos à classe trabalhadora. Isso é o que a China quase não faz. Isso não significa que é uma defesa das empresas, mas sim uma defesa dos planos do governo. Significa que uma paralisação em uma empresa-chave pode atrapalhar os planos do governo na condução da política econômica.

A mesma coisa acontece em empresas que começam a despontar e ganhar competitividade internacional. Para garantir que as empresas vão participar e seguir os planos do governo central, 党委书记 — dǎngwěi shūjì (Secretário do Comitê do Partido) é enviado para participar da gerência dessas empresas.

O “desaparecimento de CEOs” não é algo tão incomum na China. O jornal The Economist informou em uma matéria que, em 2023, 13 CEOs de empresas listadas na bolsa desapareceram. Inclusive, o governo nunca reconheceu publicamente a detenção de Xiao Jianhua, empresário que foi sequestrado por agentes chineses em Hong Kong em 2017 e preso em 2022, fato denunciado por autoridades canadenses. ³

Essa dinâmica na China mostra que há uma semelhança com as experiências corporativistas autoritárias do século XX como a Itália fascista e a Alemanha nazista. Portanto, os trabalhistas se colocam em uma posição difícil ao defender o modelo chinês. A China está longe do ideal que essa militância afirma defender: jornadas extensas, baixa proteção social, sindicatos subordinados ao Partido e mecanismos de representação que operam mais como instrumentos de controle político do que como expressão autônoma dos trabalhadores.

Se o critério é a democracia, a contradição é ainda maior: o modelo chinês concentra poder, restringe oposição, controla sindicatos e submete empresas, trabalhadores e lideranças econômicas aos objetivos do Partido. A China pode até servir como exemplo da capacidade estatal de planejar a economia, mas dificilmente pode ser apresentada como modelo trabalhista ou democrático. Nesse sentido, quando parte da esquerda trabalhista brasileira exalta a experiência chinesa, ela não está defendendo a emancipação da classe trabalhadora.

O único argumento que sobra é a tentativa utópica de selecionar a dedo as melhores práticas de cada país e achar que podem simplesmente implementá-las de cima para baixo, assim como foram o sindicalismo, a constituição e quase tudo que é feito no Brasil.

Referência

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. BYD é autuada por submeter trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão na Bahia. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 3 jun. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2025/junho/byd-e-autuada-por-submeter-trabalhadores-chineses-a-condicoes-analogas-a-escravidao-na-bahia. Acesso em: 4 jun. 2026.

CHINA LABOR WATCH. Brewing Concerns: Labor Practices and Compliance Gaps in Starbucks’ South China Operations. China Labor Watch, 14 out. 2025. Disponível em: https://chinalaborwatch.org/brewing-concerns-labor-practices-and-compliance-gaps-in-starbucks-south-china-operations/. Acesso em: 4 jun. 2026.

THE ECONOMIST. The case of China’s vanishing chairmen. The Economist, 7 dez. 2023. Disponível em: https://www.economist.com/business/2023/12/07/the-case-of-chinas-vanishing-chairmen. Acesso em: 4 jun. 2026.

[1] Fundada em 2000, a China Labor Watch é uma organização independente. Ao longo dos últimos 20 anos, a CLW tem se dedicado a monitorar e relatar práticas trabalhistas em fábricas, defender os direitos dos trabalhadores, criar comunidades, desenvolver capacidades de ação coletiva e compartilhar conhecimento com trabalhadores, comunidades, governos e outros parceiros.



















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/a-ferramenta-retorica-da-esquerda-trabalhista-china-parte-2/

O Banco Central quer ajudar Lula na eleição?

  Adriano Dorta 


O Banco Central (BC) divulgou nest terça-feira (23) um comunicado sobre a última reunião, no qual explica a decisão de reduzir a taxa Selic, que atualmente se encontra em 14,25% ao ano.

A decisão, isoladamente, já chama atenção. Mas o verdadeiro problema não está apenas no corte dos juros. Está na justificativa.

O problema está na projeção do Banco Central sobre a inflação futura. Desde que os cortes de juros começaram, em março de 2026, as próprias projeções do BC mostram uma inflação crescente.

A pergunta que fica é: se a inflação está piorando, por que o Banco Central está reduzindo os juros?

Para entendermos o tamanho do problema, primeiro precisamos entender: (1) o papel dos juros, (2) a inflação e (3) o papel do Banco Central nessa história.

De forma bem simples, os juros são a ferramenta que o BC usa para tentar controlar a inflação. A inflação é o aumento generalizado e sustentado no nível de preços de bens e serviços em uma economia. Com a inflação, a moeda perde poder de compra.

A inflação aumenta por causa de um desequilíbrio agregado, quando a quantidade de dinheiro circulando na economia cresce mais rápido do que a capacidade real de produção de bens e serviços.

Já o papel do BC é usar os juros como uma forma de reduzir ou aumentar os estímulos à economia, tentando levar a inflação para a meta. A decisão da meta de inflação cabe ao Conselho Monetário Nacional (CMN). O CMN é um colegiado composto pelo ministro da Fazenda, pelo ministro do Planejamento e Orçamento e pelo presidente do Banco Central.

Embora as metas de inflação sejam definidas pelos cargos hoje ocupados por Dario Durigan, Bruno Moretti e Gabriel Galípolo, o atual modelo contínuo foi decidido em 2023 e 2024 por seus antecessores Fernando Haddad, Simone Tebet e Roberto Campos Neto.

O CMN decidiu que a meta de inflação seria de 3%, com teto de 4,5% e piso de 1,5%. Isso quer dizer que, em teoria, o BC deveria usar os juros para fazer com que a inflação se aproxime cada vez mais de 3%.

Juros mais altos encarecem o preço do dinheiro. Quando os juros sobem, usar o cartão de crédito, comprar no carnê ou fazer um financiamento fica mais caro. Para empresas e empresários, também fica mais caro tomar empréstimos para comprar uma máquina nova ou contratar mais empregados.

Isso incentiva as pessoas a reduzirem o consumo. Ao mesmo tempo, fica mais atraente emprestar dinheiro ao governo. Essa dinâmica tira dinheiro de circulação e diminui a pressão sobre os preços.

Imagine uma cidade com 10 moradores e apenas uma padaria. Todos os dias, a padaria produz 10 pães, e cada morador compra 1 pão. O padeiro cobra R$ 1,00 por pão. Nesse momento, a economia está em equilíbrio.

Em um belo dia, o prefeito dessa cidade anuncia que vai distribuir R$ 1,00 todos os dias para cada morador comprar pão. Agora, cada morador terá R$ 2,00 no bolso.

Logo pela manhã, no primeiro dia com R$ 2,00 para comprar pão, os moradores correm para a padaria. Cada pessoa pede dois pães em vez de um.

Em um cenário de juros altos, o dono da padaria não consegue comprar mais um forno nem contratar mais funcionários para aumentar a produção, mas, como ele vê que as pessoas estão demandando mais pães, ele aumenta o preço.

Agora, a padaria passa a vender cada pão a R$ 2,00. Os moradores passam a comprar menos pães com a mesma quantidade de dinheiro.

Esse pequeno exemplo serve para demonstrar o cenário econômico do Brasil neste exato momento.

O governo federal usou a expansão dos gastos públicos para aumentar a demanda, fazendo com que as pessoas tivessem mais dinheiro para consumir. As empresas, por outro lado, não conseguem produzir na mesma velocidade.

O papel do BC, segundo o próprio Banco Central, é:

No comunicado da última reunião, o Comitê afirmou que “tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.

Também é possível ler no comunicado que “a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”.

Além disso, os indicadores mostram que a inflação fica acima da meta de 3% — e acima do teto da meta de 4,5% — até o terceiro trimestre de 2027, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente.

O comunicado deixa claro que as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e por diferentes grupos de agentes — como economistas e instituições que acompanham a inflação —, permanecem acima da meta em todos os horizontes. Desde a reunião anterior, essas expectativas ficaram ainda mais desancoradas, principalmente para 2028.

A desancoragem das expectativas, em termos simples, significa que as pessoas acreditam cada vez menos que o BC conseguirá trazer a inflação para dentro da meta. Isso faz com que empresas comecem a reajustar preços, trabalhadores passem a pedir salários maiores e investidores exijam juros mais altos.

O BC reconheceu que a demanda elevada está pressionando a inflação e que isso requer uma política monetária contracionista. Também reconheceu que a última leitura do IPCA, índice que mede a inflação, já está acima do limite superior da meta.

O argumento apresentado foi que, para trazer a inflação de volta à meta de forma mais rápida, seria necessário elevar os juros ou mantê-los altos por um período maior. Essa ação, segundo o BC, poderia criar efeitos contraproducentes para a própria inflação, porque o Banco Central vinha reduzindo juros. Mudar essa direção poderia gerar volatilidade.

O Comitê achou por bem reduzir os juros com base na fé de que um possível cessar-fogo na guerra do Oriente Médio e os efeitos do El Niño possam ajudar a diminuir a pressão sobre os preços e, consequentemente, ajudar a inflação a voltar para a meta.

A verdade é que o BC precisa torcer para que fatores que ele não controla possam ajudá-lo. Nada disso seria necessário se o governo federal não fosse populista e irresponsável com os gastos públicos.

O governo federal faz populismo por meio da redistribuição de renda, usando programas sociais e crédito do BNDES para manter a taxa de desemprego artificialmente baixa.

Isso cria um cabo de guerra entre o BC e o governo federal. O governo federal usa os gastos públicos para manter o desemprego baixo e garantir que a população mais carente continue consumindo. Do outro lado, o BC mantém os juros elevados para que o consumo diminua.

Um aumento dos juros também pode gerar desemprego. O problema é que este é um ano de eleição. E desemprego significa uma população com raiva do governo.

Se os dados mostram que a inflação não vai voltar para a meta, se o BC tem o dever de manter a inflação dentro da meta e de defender o poder de compra da moeda, assegurado pela Constituição, por que o Banco Central reduziu os juros?

Não é objetivo do Instituto Liberal divulgar teorias da conspiração. Porém, em se tratando de PT, Lula, do contexto atual e do passado recente, fica muito difícil não pensar em interferência política.

O cenário atual é muito parecido com o cenário de 2014, durante o governo Dilma II. A economia crescia, mas desacelerava; o desemprego estava baixo; a inflação estava acima da meta; e o Banco Central, sob Alexandre Tombini, reduzia juros.

A economia desabou repentinamente depois que Dilma venceu a eleição. Tudo mudou porque existia a expectativa de que Aécio Neves poderia ganhar.

Não sabemos se a história se repetirá exatamente da mesma forma, mas Lula está liderando as pesquisas de intenções de voto e não demonstra nenhum sinal de que pretende fazer um ajuste fiscal.

Não dá para tomar atitudes semelhantes e esperar resultados diferentes. Como disse Eduardo Cunha: que Deus tenha misericórdia desta nação.








publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/economia/o-banco-central-quer-ajudar-lula-na-eleicao/

NINE REELEITO SERÁ O FIM DO BRASIL

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