Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

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sábado, 8 de agosto de 2026

Um Brasil que funciona só existe na cabeça de Lula

    Francisco Carneiro Junior


O socialismo nunca defendeu o povo — defendeu o Estado contra o povo, e destruiu, no caminho, a menor minoria que existe sobre a Terra: o indivíduo”. Ayn Rand

             Enquanto Brasília sonha com outubro, o Brasil sangra em silêncio.

O projeto que hoje ocupa Brasília não é um projeto de governo. É um projeto eleitoral disfarçado de governo. Não existe plano de nação ali dentro — existe cronograma de campanha. E a diferença entre as duas coisas é medida em vidas, em contas de luz, em presídios que viraram sede social do crime, em fronteiras que ninguém fecha. O horizonte deles é outubro de 2026. O horizonte do povo é o Brasil que sobra depois. Sacrifica-se o presente do brasileiro para financiar o futuro do partido — e a fatura, gigantesca, cairá sobre a mesa de cada família em 2027, quando o circo já tiver ido embora e restar só a lona rasgada.Olhe ao redor. Segurança pública, defesa nacional, infraestrutura, o interior esquecido, o cotidiano exaurido — em cada uma dessas frentes a sensação é uma só, monocórdica, obsessiva: abandono. Não é impressão. É método.

Comecemos pelo bolso, que é onde a ideologia perde a poesia e vira aritmética. Você paga luz, combustível, internet, plano de saúde, transporte, água — e nunca votou em quem decide, de fato, quanto você vai pagar por cada um desses itens. O Brasil mantém onze agências reguladoras federais com poder de editar norma, autorizar, fiscalizar, multar, interferir. Um poder imenso, quase invisível, que não passa pela urna e raramente passa pela imprensa. O problema não é a regulação em si — regular é função legítima do Estado moderno. O problema é quando a regulação deixa de prestar contas a alguém e passa a prestar favor a algum setor. Isso tem nome técnico: captura regulatória. E captura regulatória, meus caros, é apenas uma forma elegante de dizer que o Estado trocou de dono sem avisar o eleitor.

Agora olhe a fronteira, porque é lá que a ficção do “Brasil que funciona” se desfaz com mais violência. O país deixou de ser rota do narcotráfico internacional para se tornar base dele. O Tren de Aragua fornece armamento. O Comando Vermelho articula redes que atravessam continentes. O PCC se expande como uma corporação transnacional — porque é exatamente isso que ele é: uma corporação transnacional do crime, com filial, com logística, com departamento financeiro. E enquanto isso acontece, a cúpula da Polícia Federal chama de “equívoco técnico” a decisão de potências estrangeiras de tratar essas facções como organizações terroristas. Chamam de equívoco o que deveria ser chamado de diagnóstico tardio. O governo, em vez de agradecer a cooperação, veste a beca da soberania ferida — como se soberania fosse o direito de deixar o crime crescer sem interferência alheia, e não o dever de protegê-la com as próprias mãos, antes que outros precisem fazê-lo por nós.

A solução, aliás, nunca foi complicada — só foi, sistematicamente, evitada. Fronteira protegida. Dinheiro bloqueado. Bens confiscados. Lideranças isoladas em regime que impeça o comando de dentro da cela. Facções tratadas como o que são: ameaça à soberania nacional, não como problema de assistência social mal resolvido. Ou o Brasil enfrenta o narcoestado que se instala célula por célula, ou aceita ser playground do crime organizado — e nações não escolhem entre essas duas coisas por acaso; escolhem por covardia ou por coragem, e a covardia, infelizmente, também é política pública.

E é dentro do próprio sistema prisional que se vê o retrato mais cru do abandono. Quando o Estado perde o controle dos presídios, ele não perde um detalhe administrativo — perde a soberania sobre o próprio território, célula por célula, ala por ala. É nesse vácuo, morno e silencioso, que as facções recrutam, se organizam, se profissionalizam. Cada preso não ressocializado é um funcionário em potencial da maior multinacional do crime que o Brasil já produziu.

E é nesse cenário que ouvimos uma vereadora — Karen Santos, do PSOL — descrever traficantes como “trabalhadores megaexplorados” e defender a legalização das drogas como política de combate ao próprio tráfico. Segundo ela, a droga seria “uma mercadoria como qualquer outra”. Vejam a inversão: quem morre soterrado pela guerra das facções vira estatística; quem comanda o tráfico vira proletário oprimido. É a compaixão apontada para o lado errado da arma. E o pior: dita com a solenidade de quem acredita estar do lado certo da história — o que nos leva a um fenômeno mais profundo do que qualquer discurso isolado de plenário.

Porque existe uma engrenagem, quase invisível, que rege a política digital contemporânea, e que explica por que discursos como esse não desaparecem — eles se multiplicam. A internet não premia necessariamente quem está certo. Premia quem consegue fazer o adversário reagir. Há uma lei informal da internet que descreve exatamente isso: a forma mais eficiente de dominar uma conversa não é fazer a pergunta mais inteligente — é lançar a provocação mais irritante, aquela que ninguém consegue deixar sem resposta. O erro vira isca. A indignação vira combustível. E jornalistas, adversários, influenciadores, militantes de boa-fé começam, sem perceber, a trabalhar de graça espalhando exatamente aquilo que gostariam de destruir. Some a isso outro princípio, batizado em homenagem a um escritor italiano: a quantidade de energia necessária para desmentir uma mentira é ordens de grandeza maior do que a energia necessária para produzi-la. E some ainda a advertência de um linguista americano: negar publicamente um enquadramento é, paradoxalmente, reforçá-lo na mente de quem ouve — porque a palavra repetida grava a moldura, mesmo quando pretende apagá-la. Três mecanismos, uma só conclusão: nem toda provocação merece palco, porque na guerra de narrativas quem “corrige” costuma sair convencido de que venceu o debate — enquanto quem provocou, na verdade, venceu a pauta.

E a hipocrisia, aqui, atinge sua forma mais pura. Em palanque na universidade, antes de discurso do próprio presidente da República, ouvimos a acusação de que as igrejas seriam “máfias”. Mas, chegada a eleição, os mesmos lábios que insultaram os templos pedirão, mansamente, o voto dos que neles rezam. Quando alguém chama a igreja de máfia, não está atacando um prédio de tijolo e telha — está atacando milhões de pessoas de fé que sustentam famílias, recuperam vidas destruídas pelo vício, alimentam quem o Estado esqueceu. Quem conhece o trabalho das igrejas nas periferias sabe que ali não há crime organizado: há oração, acolhimento, prato de comida quente, esperança reconstruída tijolo por tijolo. A fé do povo não pode ser transformada em inimigo ideológico por quem, depois, precisará dela nas urnas. Respeitar as igrejas não é favor — é reconhecer a liberdade religiosa e a dignidade elementar de quem crê.

Mas para entender por que tudo isso se encaixa como peças de um só quebra-cabeça, é preciso voltar a 1985, quando um ex-agente da KGB desertou para o Ocidente e revelou o método. Yuri Bezmenov não foi treinado para plantar bombas — foi treinado para plantar percepções. O trabalho dele não era espionagem no sentido clássico. Era reformular, lentamente, a maneira como uma população inteira enxerga a realidade, até que essa população perca a capacidade de distinguir o certo do errado. Ele batizou o processo de subversão ideológica. Eu batizo de Brasil contemporâneo.

A subversão não chega de tanque. Chega pela escola que ensina a obedecer em vez de pensar. Chega pela mídia que decide, por você, o que merece sua indignação hoje. Chega pela cultura que glorifica o Estado provedor e culpa o empresário pela pobreza que o próprio Estado, com sua carga tributária asfixiante, ajudou a produzir. Bezmenov descreveu quatro etapas, e cada uma delas tem endereço no Brasil de 2026. Desmoralização: corroer os valores que sustentam uma sociedade produtiva — família, mérito, propriedade. Ele considerava essa etapa concluída no Ocidente já em 1985; no Brasil, ela amadureceu tardiamente, mas amadureceu. Desestabilização: atacar a economia real, as relações exteriores, a capacidade de defesa — leis que encarecem produzir, impostos que sufocam quem gera emprego. Crise: o colapso que chega, com pontualidade quase matemática, quando a base produtiva de um país é sistematicamente destruída. Normalização: o momento em que o povo deixa de se indignar e passa a administrar o caos como se fosse clima — carga tributária alta? “é assim mesmo”. Empresa fechando? “culpa do empresário ganancioso”. E aqui mora a peça mais trágica do tabuleiro: os idiotas úteis. Não são vilões conscientes — são, em sua maioria, pessoas de boa-fé que propagam a narrativa da própria ruína por ingenuidade, por vaidade, por ganância de aplauso, sem perceber que ajudam a afundar o mesmo barco em que navegam.

E é preciso dizer, com honestidade que a militância raramente pratica: a esquerda moderna não é uma conspiração de cinismo. É pior — é um sistema de poder que se autolegitima através da própria linguagem moral. A maioria de seus operadores acredita genuinamente no que prega. E é exatamente por isso que o sistema é tão resistente: um regime que depende de conspiradores conscientes é frágil, porque conspiradores podem ser expostos, comprados, desmascarados. Um regime que convence seus próprios operadores de que estão praticando o bem é quase inexpugnável, porque não há traidor a delatar — há apenas fiéis convictos. Roger Scruton deu nome a esse impulso: oikofobia — o desprezo sistemático pelo que é seu, familiar, herdado, local. É um movimento psicológico que precede o político. Primeiro se aprende a sentir vergonha da própria origem; depois se aprende a reparar essa vergonha através da militância; a militância então se torna identidade; e a identidade se torna o bem supremo, blindado contra qualquer crítica. O resultado é uma classe que se sente moralmente superior precisamente por ter rompido com tudo que a precedeu — a família, a tradição, a fé, a nação. Quanto mais se rejeita o passado, mais virtuoso se é. Quanto mais se pertence a ele, mais culpado se torna. É um sistema fechado, meus caros: não há como vencer esse debate por dentro, porque o debate, ali, nunca foi sobre argumentos — é sobre pertencimento moral, e pertencimento moral não se discute, se professa.

Se o brasileiro real, no seu dia a dia, em seus valores, em sua fé, é majoritariamente conservador — e se os partidos que dizem falar em nome do povo são sistematicamente progressistas — a pergunta que ninguém quer responder se impõe sozinha: quem, afinal, representa quem? A resposta é desconfortável, mas é precisa: a esquerda brasileira nunca representou o povo. Representou a classe intelectual que se autoproclamou porta-voz dele. E essa distinção não é detalhe acadêmico — é o núcleo exato do problema. Quando Antonio Gramsci formulou o conceito de hegemonia cultural, ele não estava ensinando como convencer a maioria a mudar de opinião. Estava ensinando como tornar a opinião da maioria irrelevante, controlando as instituições que decidem o que conta como realidade. Escola. Universidade. Imprensa. Entretenimento. Quem domina essas quatro estruturas não precisa vencer eleição nenhuma para governar — governa antes mesmo de a urna ser aberta.

E o que é o aparelhamento senão a hegemonia cultural com CNPJ, com organograma, com folha de pagamento? Não é teoria. É prática administrativa. Educação, saúde, previdência, o Bolsa Família — tudo instrumento; nada é fim em si. Um pedaço das Forças Armadas, capturado pela lógica da acomodação. Um pedaço da Polícia Federal, capturado pela lógica do “equívoco técnico”. As autarquias, a ANEEL, a ANATEL, o alfabeto inteiro das siglas que ninguém elegeu — tudo isso não administra o Brasil: administra o desvio, a cooptação, a promoção contínua de um projeto único, que é a utopia centralizadora de Brasília. E a essa utopia é preciso, finalmente, dizer basta. Precisamos rever, reexaminar, reconquistar aquilo que é nosso — porque a verdade incômoda é esta: nós não defendemos coisa alguma que seja nossa.

Enquanto isso, observe o mundo lá fora: as outras nações defendem, com unhas e dentes, até aquilo que não lhes pertence. Recebem o que não é delas, e ficam com o que recebem. O Brasil, ao contrário, entrega o que é seu — e agradece pela oportunidade. Por que a exceção somos sempre nós? O sistema, note bem, já nasceu arranjado para isso: os fundos estão definidos, as autarquias estão desenhadas, os recursos escoam para onde a lei manda escoar, obrigatoriamente, independentemente de mérito, de resultado, de qualquer critério que não seja o critério político que criou a norma. Não é desvio informal — é rolo institucionalizado, com força de lei, blindado contra qualquer revisão.

E aqui está o erro estratégico mais grave de décadas de resistência conservadora: nós só sabemos nos levantar contra indivíduos. Contra o ministro, contra o petista da vez, contra o rosto que a televisão nos mostra. Mas nunca contra a instituição — a autarquia, o fundo, a estrutura burocrática permanente — que segue ali, entronizada, cooptada, orientada contra o próprio país, muito depois de o indivíduo ter caído em desgraça e sido substituído por outro igual. Combater o sintoma e poupar a doença é a receita exata da derrota eterna. É a instituição, e não apenas o nome que a ocupa hoje, que precisa ser revista, disputada, reconquistada — porque enquanto lutarmos apenas contra pessoas, o aparelho continuará de pé, esperando, paciente, o próximo ocupante.

A esquerda não chegou ao poder no Brasil por vitória eleitoral esmagadora nem por sedução ideológica da maioria silenciosa. Chegou por infiltração institucional — lenta, paciente, metódica, executada ao longo de gerações por intelectuais e militantes que compreenderam exatamente aquilo que os conservadores brasileiros insistiram, soberbamente, em ignorar: que o poder duradouro não está em quem vence a eleição de outubro, mas em quem forma os juízes, os professores, os jornalistas, os funcionários públicos de carreira que permanecem no cargo enquanto os governos passam. Os conservadores brasileiros falharam de maneira monumental em construir as alternativas institucionais que poderiam ter alterado esse equilíbrio décadas atrás. E aqui vai a advertência mais dura deste texto, porque advertência sem dureza é apenas lamento vestido de análise: criticar a hegemonia cultural da esquerda sem ter erguido nada comparável não é diagnóstico — é queixa. É o general que denuncia o exército inimigo sem jamais ter treinado o próprio batalhão.

E, no entanto — e é aqui que este texto se recusa a terminar em resignação, porque resignação é exatamente o produto final que a subversão ideológica pretende entregar — reverter esse quadro é questão de construção, não de lamentação. Escola por escola. Instituição por instituição. Uma geração disposta a ocupar o espaço que a anterior cedeu por comodismo.

O Brasil não está condenado ao regime de exceção regulatória, ao narcoestado tolerado, à normalização do caos como clima. Está, isso sim, diante da última hora em que a construção ainda é possível sem que o colapso a torne inevitável. Um Brasil que funciona não é utopia de gabinete nem imaginação de discurso de posse — é projeto que se constrói com as mãos, com instituição, com coragem de nomear o crime pelo nome certo e a fé pelo respeito que ela merece. Existe, ainda, um caminho de volta. A pergunta que resta — e que cada brasileiro terá que responder, sozinho, diante da própria consciência, antes de outubro de 2026 — é se ainda restará gente disposta a percorrê-lo antes que a conta, gigantesca e avassaladora, vença de vez.

Francisco Carneiro Júnior















publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/um-brasil-que-funciona-so-existe-na-cabeca-de-lula__18710

O jogo e a regra do jogo

  Percival Puggina


        Em qualquer jogo, a regra determina a conduta dos participantes. O futebol, sem a norma do impedimento, teria menos drible e mais trombada na área; o basquete, sem a regra do tempo jogado, seria um esporte dormente em que a bola permaneceria mais tempo parada do que em disputa; o vôlei, sem rodízio, seria repetitivo e monótono.

Na política não é diferente. Se o sistema de governo e a lei eleitoral induzem à representação política dos grupos de interesse, teremos raros estadistas e muitos políticos distribuindo privilégios para uns e mandando a conta para outros. Se a regra do jogo estimula que os parlamentares sejam porta-vozes de regiões, corporações, sindicatos patronais e de trabalhadores, etc., a mobilização e a militância se darão muito mais nessas áreas do que nos partidos. E será a tais grupos e não às respectivas legendas que os políticos serão fiéis.

Contam-se nos dedos os políticos ocupados com o bem comum porque nada estimula os votantes a ter critérios superiores. O mesmo eleitor que exige a presença do político junto a si e se satisfaz com que ele agencie apenas seus interesses pessoais ou corporativos, cobra a presença de todos os outros no parlamento para cuidar dos interesses gerais. Hipocrisia de manual! De onde sairiam tais estadistas?

Não é paradoxal que o eleitor obediente à regra do jogo (e não poderia ser diferente) vote em defesa de seus interesses e acabe profundamente descontente com o espelho de representação que surge de cada pleito? Ele constata que, periodicamente, como que brotam do ventre da terra, para se emaranharem nos altares do poder, personagens cada vez mais interesseiros, menos honestos, menos capazes e menos comprometidos com o bem comum. E há quem conclua, dessa observação, que a política seja exatamente a lavoura onde se cultivam tais produtos e que dela nada melhor pode surgir. No entanto, reitero: é a regra do jogo que está errada.

Observe um jogo de cartas. Quando os participantes se sentam para jogar, tratam de definir as regras a que estarão submetidos. Se o jogo for de canastra, definirão o valor dos coringas, como bater, etc, mas dificilmente alguém abandonará a mesa de jogo em função da regra fixada. Na política é diferente: a regra do jogo determina objetivamente quem vai jogar. Existem regras que levam à mesa as representações classistas, as representações regionais, os economicamente poderosos, e existem outras que estimulam o surgimento de estadistas. Existem regras que promovem a formação de partidos consistentes, de longa tradição, e regras que criam representações comerciais das movediças pautas políticas.

O mosaico normativo em que já se tornou a Constituição Federal de 1988 é decorrência da regra do jogo político ao tempo de sua elaboração. Com uma Constituinte não exclusiva (decisão lamentável de José Sarney em 1985), com o modelo eleitoral estimulando a representação política dos grupos de interesse, e num ambiente de tensão ideológica, criamos a matriz dos problemas com os quais convivemos. Entre os destampatórios da esquerda que queria tudo estatal e grátis e a insensibilidade dos caciques regionais que desejavam conservar os anéis nos próprios dedos, surgiu o centrão para compor o possível. O leitor mais idoso lembra, por certo, dos “buracos negros”, temas sobre os quais não se chegava a um entendimento e que acabaram entrando para o texto unidos a preceitos do tipo “na forma da lei complementar”. Ou seja, a Constituição diz, mas não diz, para que a lei, mais tarde, quando houver acordo, venha a dizer.

Resultaram inúteis as advertências no sentido de que a Constituição deveria definir os consensos e a lei dispor sobre os dissensos. Era fatal que, a partir da promulgação, as emendas fossem se acumulando. A Constituição é tratada como se lei ordinária fosse porque fizeram dela uma lei assim, portadora de grave pecado original decorrente da regra de jogo que selecionou seus elaboradores. Por isso, nestes dias, tantos candidatos ao Legislativo carregam no bolso Propostas de Emendas à Constituição (PECs) que refletem o equívoco dos constituintes de 1988.

Quatro décadas após aquele alvoroço democrático, fomos estacionar, com liberdades minguantes, tão longe de uma democracia quanto estamos nestes dias de burrice, estupidez, insegurança e trevas.

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.











publicadaemhttps://www.puggina.org/artigo/o-jogo-e-a-regra-do-jogo__18215

LULA É UM EXÍMIO GESTOR

 gilbertosimõespires/pontocritico


O PROGRAMA DE GOVERNO DO PT ESTÁ SENDO CUMPRIDO À RISCA

Ontem, revendo alguns editoriais que escrevi há exatos quatro anos atrás (agosto de 2022), me deparei com um texto no qual fiz comentários sobre o -PROGRAMA DE GOVERNO DA CHAPA DE LULA EM 2022-, CONSTRUÍDO EM COLIGAÇÃO COM PARTIDOS ALIADOS. Para quem não lembra, o PROGRAMA DO PT, que está sendo cumprido à risca, sempre teve como OBJETIVO CLARO, pelas propostas e inciativas ali contidas a DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA. Dito e feito. 


CUMPRIMENTO DO DEVER PETISTA

A considerar a inquestionável e crescente DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA E DAS FINANÇAS PÚBLICAS, devo admitir que -bem ao contrário do que venho falando, escrevendo, criticando-, dizendo que o presidente LULA é MAU GESTOR, precisa ser corrigido. Ou seja, comparando o que propõe o PROGRAMA com tudo que o GOVERNO LULA-PETISTA vem fazendo e propondo, o presidente tem se mostrado um EXCELENTE GESTOR. De novo: levando em correta conta tudo que LULA fez nesses quatro anos de governo, e promete fazer caso seja reeleito, nada mais é do que o CUMPRIMENTO DO DEVER PETISTA.


ANTES DE CRITICAR, COMPARE...

Antes, portanto, que algum leitor, mesmo os mais atentos, critique o presidente LULA - pelo ABSOLUTO DESCONTROLE DE GASTOS PÚBLICOS, pelo FANTÁSTICO ENDIVIDAMENTO PÚBLICO, pelas ALTÍSSIMAS TAXAS DE JUROS, pela HIPERTROFIA DO ESTADO, pela EXÍMIA MÁ GESTÃO DAS ESTATAIS, pelo DESCASO PELO MÉRITO, pelo INCONTROLÁVEL APETITE TRIBUTÁRIO, pelo DESDÉM PELA INICIATIVA PRIVADA, etc.., sugiro que faça a devida COMPARAÇÃO com aquilo que prega o CLARO E ESCANDALOSO PROGRAMA DE GOVERNO DO PT, o qual, diga-se de passagem, SEMPRE FOI TRANSPARENTE, ou seja, JAMAIS ESCONDEU OU CAMUFLOU SEUS REAIS E DEMONÍACOS PROPÓSITOS. 


COM FOLGA

Como se vê, claramente, uma boa ou má gestão é consequência do atendimento ao PLANO PROPOSTO e ESTABELECIDO. Neste aspecto, repito, como o PLANO DE GOVERNO DO PT tem como claro PROPÓSITO A DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA E DAS FINANÇAS PÚBLICAS, aí há que se admitir que LULA é, efetivamente, um ADMINISTRADOR DIFERENCIADO, do tipo que BATE TODAS AS METAS COM MUITA E EXUBERANTE FOLGA.
















https://www.pontocritico.com/artigo/lula-e-um-eximio-gestor


LAVAGEM CEREBRAL

 PCR2012/FACEBOOK


LAVAGEM CEREBRAL



"O BRASIL VIVE A MELHOR FASE DE SUA HISTÓRIA" . VIVE?

 GILBERTONASCIMENTO/FACEBOOK


"O BRASIL VIVE A MELHOR FASE DE SUA HISTÓRIA" . VIVE?




REAÇÃO DA EUROPA

 CAIOCOPPOLA/FACEBOOK


REAÇÃO DA EUROPA



Wagner Moura no Bial: Desmontando Cada Argumento

rubinhonunes/youtube


Wagner Moura no Bial: Desmontando Cada Argumento

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https://www.youtube.com/watch?v=QfPjh2rtzqc

Veja o Barraco Entre Lula e Alcolumbre na Casa de Moraes!

 andremarsiglia/youtube


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NA CAMPANHA DA CHINA PELA POSSE DO MUNDO, LULA É A BOLA DA VEZ

fernãolaramesquita/youtube


NA CAMPANHA DA CHINA PELA POSSE DO MUNDO, LULA É A BOLA DA VEZ



Flávio Bolsonaro surpreende com apoio que NINGUÉM ESPERAVA

 | CAFÉ COM A GAZETA

Flávio Bolsonaro surpreende com apoio que NINGUÉM ESPERAVA 

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Rebati Coluna de Míriam Leitão Com Críticas a Mendonça!

 deltandallagnol/youtube


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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O imposto do crime: quando o Estado perde o monopólio da proteção

  Isaías Fonseca


Em muitas comunidades brasileiras, comerciantes, moradores e prestadores de serviços convivem com uma realidade que desafia a própria ideia de Estado de Direito: além dos tributos legalmente instituídos, são obrigados a pagar cobranças impostas por traficantes e milicianos para continuar trabalhando, circulando ou simplesmente vivendo em segurança. Essas exações ilegais, frequentemente chamadas de “impostos do crime”, representam mais do que uma fonte de financiamento das organizações criminosas. Elas revelam a perda do monopólio legítimo da força pelo Estado e a substituição parcial da autoridade pública por estruturas de poder baseadas na violência.

Sob uma perspectiva liberal, esse fenômeno não resulta simplesmente da ausência do Estado. Em muitos desses territórios, o Estado está presente, mas de maneira fragmentada, ineficiente ou marcada pela captura por interesses ilícitos. Há escolas, postos de saúde e programas sociais; muitas vezes também há policiamento. O problema é que essa presença não consegue assegurar aquilo que constitui a função primordial de qualquer governo legítimo: garantir segurança, proteger a propriedade, assegurar o cumprimento da lei e preservar os direitos individuais. Quando essas funções deixam de ser exercidas de forma efetiva, organizações criminosas encontram espaço para disputar o controle territorial e impor sua própria ordem.

Essa distinção é importante. O problema não é simplesmente um Estado ausente, mas um Estado incapaz de exercer autoridade legítima e contínua. Em alguns locais, a corrupção, a violência policial, a baixa capacidade investigativa e a fragilidade institucional convivem com serviços públicos precários, produzindo um ambiente em que a população permanece formalmente sob a autoridade estatal, mas materialmente submetida ao poder de facções criminosas.

Essa realidade não transforma organizações criminosas em uma espécie de “Estado alternativo”. A comparação é útil apenas até certo ponto. Tanto o Estado quanto esses grupos arrecadam recursos, impõem regras e aplicam sanções, mas existe uma diferença fundamental entre ambos. O Estado democrático possui legitimidade jurídica, está submetido à Constituição e está submetido, ao menos em princípio, a mecanismos de controle institucional. Já traficantes e milicianos exercem poder exclusivamente por meio da intimidação, da violência e da ausência de qualquer responsabilidade perante a sociedade. O problema não é a existência do Estado, mas justamente a perda de seu monopólio legítimo da força, permitindo que agentes privados utilizem a coerção como instrumento permanente de dominação.

Sob esse aspecto, a tradição liberal oferece instrumentos analíticos importantes. John Locke afirmava que os indivíduos instituem governos para proteger a vida, a liberdade e a propriedade. Friedrich Hayek, por sua vez, enfatizava que uma sociedade livre depende do Estado de Direito, entendido como aplicação impessoal e previsível das leis. Quando essas funções deixam de ser desempenhadas, a liberdade deixa de ser garantida pela ordem jurídica e passa a depender da capacidade individual de negociar com quem controla a força em determinado território. É justamente isso que ocorre quando comerciantes são obrigados a pagar para manter seus estabelecimentos abertos, empresas distribuidoras precisam negociar o acesso a determinadas regiões ou moradores precisam adquirir produtos e serviços exclusivamente de fornecedores autorizados por organizações criminosas.

A metáfora do “imposto do crime” torna-se especialmente útil quando analisada sob a ótica econômica. Essas cobranças funcionam como uma tributação compulsória que não financia bens públicos nem produz qualquer benefício coletivo. Ao contrário, aumenta artificialmente os custos de produção e distribuição, eleva preços ao consumidor, reduz investimentos, desestimula novos empreendimentos e limita a concorrência. Além disso, comerciantes frequentemente são obrigados a contratar fornecedores controlados por milícias, utilizar determinados serviços de transporte ou aceitar condições comerciais impostas pela organização dominante. A liberdade contratual desaparece, substituída pela coerção. Pequenos empresários encerram atividades, investimentos deixam de ocorrer e trabalhadores perdem oportunidades de emprego não apenas pela violência direta, mas pela deterioração do ambiente econômico.

O resultado é uma economia local profundamente distorcida. A informalidade deixa de representar apenas uma estratégia de sobrevivência e passa, muitas vezes, a ser imposta pela própria insegurança. O custo da violência incorpora-se aos preços, reduz a produtividade e compromete o desenvolvimento das comunidades muito além das perdas patrimoniais imediatas.

Essa dinâmica evidencia que o crime organizado não se fortalece apenas pelo lucro extraordinário proporcionado por mercados ilícitos, como tráfico de drogas, armas e contrabando. Ele prospera também porque consegue transformar controle territorial em poder econômico permanente. Quanto mais frágil a capacidade estatal de garantir segurança e fazer cumprir contratos, maior o espaço para que organizações criminosas substituam mecanismos legais por relações baseadas no medo. Enfrentar esse problema exige compreender que segurança pública não se resume ao aumento do efetivo policial ou ao endurecimento das penas. A reconstrução da autoridade legítima do Estado depende de uma estratégia institucional muito mais ampla.

Em primeiro lugar, é indispensável ampliar a inteligência policial e a investigação patrimonial, concentrando esforços na descapitalização das organizações criminosas e no combate sistemático à lavagem de dinheiro. Enquanto suas estruturas financeiras permanecerem intactas, prisões isoladas terão impacto limitado. Também é fundamental recuperar o controle efetivo do sistema prisional, impedindo que presídios continuem funcionando como centros de comando e recrutamento das facções. A desarticulação dessas estruturas exige integração entre a inteligência penitenciária, as polícias e o sistema de justiça.

No plano territorial, a presença estatal precisa ser permanente e legítima. Não basta realizar operações esporádicas. É necessário garantir segurança contínua, proteger comerciantes contra extorsões, assegurar a prestação regular de serviços públicos e impedir que organizações criminosas assumam funções de mediação econômica ou social.

Sob a perspectiva econômica, reduzir barreiras à formalização, simplificar o ambiente de negócios e ampliar a segurança jurídica fortalece a atividade produtiva legítima e dificulta a captura econômica das comunidades por grupos armados. Essas medidas não significam ampliar indiscriminadamente o tamanho do Estado. Significam fortalecer justamente as funções que justificam sua existência: proteger direitos, garantir segurança, assegurar a aplicação imparcial da lei e preservar a liberdade dos cidadãos. O liberalismo clássico nunca defendeu um Estado ausente nessas funções. Ao contrário, sempre sustentou que somente uma autoridade legítima, limitada pela lei e responsável pela proteção dos direitos individuais, pode criar as condições necessárias para que a sociedade floresça por meio da cooperação voluntária e da livre iniciativa.

O chamado “imposto do crime” revela o que acontece quando essa missão fracassa. O cidadão continua pagando tributos ao Estado, mas precisa pagar novamente para obter aquilo que seus impostos deveriam garantir: segurança para trabalhar, empreender e viver em paz. No fim, essa talvez seja a imagem mais contundente da crise institucional brasileira. Onde o Estado deixa de proteger, a liberdade transforma-se em privilégio, e onde organizações criminosas conseguem tributar comunidades inteiras, homens e mulheres deixam de trabalhar para prosperar e passam a trabalhar apenas para sobreviver sob coerção.









publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/o-imposto-do-crime-quando-o-estado-perde-o-monopolio-da-protecao/

Artemis II: os novos “recordes” da NASA não são convincentes

  Rainer Zitelmann

Fiquei satisfeito com a missão Artemis II, mas a propaganda da NASA ainda me incomoda. O fato é que estávamos mais avançados em 1969 do que estamos hoje. Naquela época, pousávamos; hoje, apenas passamos por lá. A NASA anunciou em alto e bom som que havia estabelecido “recordes” simplesmente porque a missão voou alguns milhares de quilômetros mais longe do que as da época. Não. O verdadeiro progresso ocorreu na exploração espacial privada. Os custos do sistema SLS são maiores e não menores, enquanto Musk reduziu os custos de lançamento em mais de 90%. O SLS continua sendo um foguete descartável, assim como o Saturn V da década de 1960.

Em 14 de dezembro de 1972, os últimos seres humanos deixaram a superfície da Lua. Levaria mais de meio século até que astronautas voltassem a se aproximar da Lua, voando novamente por suas proximidades. Para os teóricos da conspiração, que há muito afirmam que os seis pousos na Lua realizados entre 1969 e 1972 foram encenados em um estúdio de televisão, esse longo intervalo parecia confirmar suas alegações. No entanto, essas teorias já foram refutadas há muito tempo e, de qualquer forma, os soviéticos teriam desmascarado imediatamente qualquer fraude em 1969.

Por que esse meio século perdido?

Em segundo lugar, os esforços espaciais liderados pelo governo dos Estados Unidos nas décadas seguintes — que, no que diz respeito aos voos espaciais tripulados, se concentraram no programa do Ônibus Espacial — revelaram-se profundamente decepcionantes. Após o encerramento do programa, em 2011, os Estados Unidos já não eram sequer capazes de enviar seus próprios astronautas à Estação Espacial Internacional em foguetes americanos. Em vez disso, passaram a depender da envelhecida espaçonave Soyuz, da Rússia, enquanto Moscou cobrava caro por esse monopólio.

A grande mudança só veio com o surgimento de uma exploração espacial verdadeiramente privada. Desde 2020, foguetes americanos voltaram a levar astronautas americanos à órbita a partir de solo americano — desta vez, em veículos desenvolvidos e operados pela empresa privada SpaceX, de acordo com seu próprio projeto e modelo de negócios, em vez de sistemas projetados pelo governo e construídos por empresas contratadas sob a estreita supervisão da NASA.

A diferença é impressionante. Os custos de lançamento caíram cerca de 90% em comparação com os do Ônibus Espacial, em parte porque Musk foi o primeiro a desenvolver um foguete reutilizável.

O que vem a seguir? Uma nova corrida à Lua já começou, desta vez entre os Estados Unidos e a China. A próxima corrida — muito mais importante — também será entre essas duas potências: a corrida a Marte.

Mas o prestígio nacional e o desejo de vencer uma corrida não serão suficientes como motivações de longo prazo. Após o pouso na Lua, Wernher von Braun, o principal arquiteto do programa Apollo, foi questionado sobre o futuro da exploração espacial. Sua resposta foi clara: os voos espaciais precisam provar que são úteis — e até lucrativos — para as pessoas na Terra. Os projetos espaciais, argumentava ele, deveriam, em última análise, se pagar.

Sem incentivos econômicos, os próximos grandes passos na exploração espacial não acontecerão. Esses incentivos estão em grande parte ausentes hoje porque a questão dos direitos de propriedade no espaço continua sem solução. De acordo com o Tratado do Espaço Sideral, os Estados são proibidos de reivindicar soberania sobre corpos celestes ou sobre suas terras. Se essa restrição também se aplica a indivíduos e empresas privadas continua sendo uma questão debatida entre juristas especializados em direito espacial, já que o tratado não aborda explicitamente o assunto.

No entanto, sem a propriedade privada, não há nem o incentivo nem a estrutura financeira necessária para sustentar projetos como a construção de cidades na Lua ou até mesmo em Marte. Elon Musk falou sobre estabelecer uma população de um milhão de pessoas em Marte. Mas até mesmo a criação de uma comunidade com 1.000 ou 10.000 pessoas seria inconcebível se fosse financiada exclusivamente pelos contribuintes.

Na Terra, sistemas econômicos sem propriedade privada nunca tiveram sucesso. Por que seria diferente na Lua ou em Marte?

Então, quem deveria ter o direito de adquirir propriedade no espaço? A resposta é simples: aqueles que têm os recursos financeiros para alcançá-la, desenvolvê-la e utilizá-la. Se a SpaceX tiver sucesso em chegar a Marte e começar a construir comunidades permanentes, a propriedade das terras deveria inicialmente pertencer à empresa — não do planeta inteiro, é claro, mas de uma área administrável.

Tal estrutura também tornaria o financiamento possível. A SpaceX, por exemplo, poderia colocar terras marcianas em um fundo de investimento imobiliário, permitindo que as forças do mercado determinassem seu valor. Qualquer pessoa poderia se tornar acionista.

O mesmo princípio se aplica a futuras indústrias, como a mineração espacial, especialmente em asteroides. Se os corpos celestes não pertencerem a ninguém — ou, como alguns sugerem, a “toda a humanidade” —, então o espaço será utilizado de forma não mais produtiva do que a Antártida, onde a ausência de direitos de propriedade praticamente impediu o desenvolvimento econômico.

Precisamos deixar de encarar o espaço apenas como um objeto de curiosidade e pesquisa. Assim como os satélites já transformaram o espaço próximo à Terra em um domínio econômico, também devemos expandir a atividade econômica para regiões mais distantes do espaço, concretizando a visão que von Braun apresentou há mais de meio século.










publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/economia/artemis-ii-os-novos-recordes-da-nasa-nao-sao-convincentes/


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