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PF Acha o Vazador do Master, Mas Isso Pode Destruir Tudo
Que bom te ver por aqui, seja bem vindo. Neste espaço busco repassar a informação séria, sem censura. Publico artigos e notícias que estão na internet e que acredito serem de interesse geral. Também publico textos, vídeos e fotos de minha autoria. Nos textos há sempre uma foto ou um gif, sempre ilustrativa, muitas vezes, nada tem a ver com o texto em questão. Para entrar em contato comigo pode ser em comentários nos artigos ou, então, pelo e mail andradejrjor@gmail.com.
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PF Acha o Vazador do Master, Mas Isso Pode Destruir Tudo
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O DISCURSO MAIS PESADO E EMOCIONANTE NA PAULISTA
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A questão das câmeras corporais da PM em São Paulo
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Pavinatto revela quais informações a Globo está escondendo sobre a PM de SP
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DIÁRIODOPODER
O ranking do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que as três cidades brasileiras mais violentas estão em estados com governadores que apoiaram o presidente Lula (PT) nas Eleições de 2022. No topo, Santana, no Amapá do governador Clécio Luís (SD); a taxa de mortes violentas intencionais (MVI) atingiu 92,9% em 2023. A cidade é seguida por Camaçari, com taxa de MVI em 90,6%; e Jequié, com MVI em 84,4%; todas duas na Bahia, do governador petista Jerônimo Rodrigues.
O Mato Grosso é o único estado com governador oposicionista (Mauro Mendes-União) no top 10. Sorriso, em 4º, tem taxa de MVI em 77,7%.
Quando apurada a letalidade policial, estados esquerdistas nadam de braçada. Jequié, outra vez na Bahia de Jerônimo Rodrigues, leva o topo.
Angra dos Reis, no Rio de Janeiro de Cláudio Castro (PL), é a segunda com maior letalidade policial. É o único estado oposicionista no ranking.
O ranking da letalidade policial têm ainda outras duas cidades do Amapá, quatro da Bahia e duas de Sergipe, governado por Fábio Mitidieri (PSD).
Diário do Poder
PUBLICADAEMhttps://rota2014.blogspot.com/2024/07/estados-de-esquerda-tem-cidades-mais.html
MATHEUS GONÇALVES
Nos últimos anos, o Brasil tem testemunhado um embate entre políticas governamentais e a liberdade econômica, em especial neste último governo, que, cumprindo uma promessa de campanha, vem revogando diversos atos do governo anterior na área trabalhista. Um dos exemplos mais recentes dessa política pode ser verificado pela controvérsia em torno da regulamentação do trabalho nos domingos e feriados para diversos setores, dentre eles o comércio em geral, ante decisão firme do governo de revogar a Portaria MTE nº 671/2021, impondo restrições ao trabalho nesses dias.
Apenas para contextualizar o problema, enquanto a legislação anterior concedia autorização permanente para tais atividades, a nova regulamentação impõe barreiras burocráticas e exige negociação prévia com sindicatos, ou seja, impõe mais uma barreira burocrática para o empreendedor, refletindo numa tendência preocupante de intervenção estatal na economia. Essa medida foi posta em prática ainda em 2023, mais especificamente no mês de novembro, através da Portaria MTE nº 3.665/2023, e, embora apresentada sob o pretexto de proteger os direitos dos trabalhadores, na verdade mina a liberdade individual e prejudica o setor produtivo de forma desnecessária.
Não por outro motivo, a medida foi recebida com críticas e muita resistência por parte dos setores produtivos e políticos, evidenciando seus efeitos negativos sobre o ambiente de negócios. A reação foi tão forte que forçou o recuo do governo, que optou por suspender a medida por noventa dias sob o argumento de que seria necessário melhor negociar o texto. Essa suspensão foi novamente prorrogada em fevereiro de 2024.
O problema com medidas como essas, populistas e intervencionistas que são, é evidente, pois mesmo quando carregada de boas intenções, a intervenção governamental na economia tende a terminar em desastre. Não será diferente nesse caso, pois, ao exigir autorização prévia e negociação com sindicatos, o governo cria obstáculos desnecessários para as atividades comerciais, comprometendo a capacidade das empresas de operar de forma eficiente e, sem dúvidas, comprometendo inúmeros postos de trabalho.
Mais do que isso: a medida inverteria a lógica natural, pois verdadeiramente transferiria parte da administração da empresa para os sindicatos, que muitas vezes sequer conhecem a realidade econômica e cultural da região onde aquele comércio está instalado. É importante ressaltar que a legislação existente já oferece mecanismos para a negociação entre empregadores e trabalhadores através de convenções ou acordos coletivos. A imposição de novas regulamentações apenas serve para complicar o processo e prejudicar a flexibilidade necessária para responder às demandas do mercado.
Diante desse cenário, é evidente que as restrições ao trabalho nos domingos e feriados representam um retrocesso em relação aos princípios da liberdade econômica e da autonomia individual. Como bem defendia John Locke, o papel do Estado deveria ser limitado, com sua intervenção existindo apenas para proteger os direitos naturais dos indivíduos, incluindo o direito à propriedade e à liberdade econômica, e não o contrário, como se pretende fazer no Brasil.
Em vez de promover o bem-estar dos trabalhadores, essas medidas apenas servem para criar mais obstáculos ao desenvolvimento econômico, prejudicando justamente àqueles que mais se alega defender, ou seja, os trabalhadores. Por essas razões, é fundamental que o governo reconsidere sua abordagem e promova políticas que incentivem a livre iniciativa e a competitividade em vez de sufocar a criatividade e a inovação, que são essenciais para o progresso de uma sociedade verdadeiramente livre.
Os próximos meses dirão que caminho seguiremos: se é o caminho da prosperidade ou se continuaremos andando de ré.
*Matheus Gonçalves Amorim é associado do Instituto Líderes do Amanhã.
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REVISTAOESTE/YOUTUBE
Polícia Federal intima deputado que chamou Lula de ladrão
'Justiça' anula condenações de Cabral, como fez com Lula, o chefe da quadrilha Pena de Cabral aliviada em mais de 40 anos
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) anulou três condenações do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. As condenações se referem aos processos das operações Unfairplay (10 anos e 8 meses de pena), Ratatouille (18 anos de prisão) e C’est Fini (11 e 10 meses de reclusão).
Os processos foram conduzidos pelo juiz Marcelo Bretas, afastado da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. As informações são do jornal O Globo.
De acordo com decisão tomada pelos desembargadores da 2ª Turma Especializada, nesta quarta-feira (6), as operações Unfairplay e Ratatouille não deveriam ter sido julgadas pela 7ª Vara Federal Criminal, pois não teriam relação com a Lava Jato. Já o processo da C’est Fini foi anulado porque os magistrados consideraram que a Justiça Federal não era o foro adequado para o trâmite.
A anulação abateu 40 anos e 6 meses das penas de Cabral que, antes, somavam mais de 425 anos. Apesar da pena, o ex-governador do Rio de Janeiro desfruta em liberdade desde o final de 2022.
Com Diário do Poder
PUBLICADAEMhttps://rota2014.blogspot.com/2024/03/justica-anula-condenacoes-de-cabral.html
Percival Puggina
O “freio puxado” que marcou os discursos na Av. Paulista no dia 25 de fevereiro foi um dos fatos mais eloquentes daquele evento e sobre ele já muito se falou. Não é normal que, diante de tamanha multidão, personagens tão destacados da política brasileira, incluindo parlamentares com liberdade de expressão protegida pela Constituição, oradores brilhantes, discursem com freio de mão puxado. Há algo muito errado num país onde isso acontece! Deveria ser motivo de escândalo. E não foi.
Silas Malafaia, em suas primeiras palavras, antecedendo um discurso duríssimo, afirmou que não estava ali para criticar as instituições [de Estado] porque isso seria atacar a República. É proibido criticar as instituições? Merecem elas louvores? Não, claro que não! Criticá-las é próprio e útil a qualquer regime democrático. Não poder fazê-lo dá atestado de óbito à democracia.
Comecei a escrever para jornais em 1985 e, desde então, não mais parei de criticar nossas instituições. De início, eu o fazia advogando a adoção do parlamentarismo e como defensor do voto distrital puro. O passar dos anos, a Constituinte de 1988 e tudo que veio a seguir, consolidou aquelas convicções. Quatro décadas e centenas de artigos mais tarde, chegamos ao recente evento da Av. Paulista, ao discurso de Silas Malafaia e à reação irada da imprensa amestrada.
Então, caro leitor, pensemos juntos. O Brasil não vai bem. Nossos problemas se acumulam. A taxa de investimento se mantém muito inferior à que seria necessária. O Brasil perde atração e posições no ranking de investimentos externos (já foi 4º, hoje e 14º). O crescimento econômico é lento e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de terceiro mundo. A renda média da população decresce e o endividamento sobe (72 milhões de brasileiros estão inadimplentes). Cem milhões não dispõem de coleta de esgoto. Trinta e cinco milhões não recebem água tratada. Um terço da população vive em condições de pobreza. Educação de qualidade é exceção, rarefeita e onde ocorre é malvista. Convivemos com cinturões de miséria, criminalidade consolidada em estados paralelos e insegurança pessoal. Insegurança jurídica. Infraestrutura precária.
A lista é imensa. Complete-a você mesmo e responda. A culpa disso é sua? Minha? Nossa? Da sociedade? Ou é do Estado que arrecada muito e gasta mal? Ou é do Estado onde uma elite instalada em instituições que existem para servir à sociedade se abastece de privilégios e regalias crescentes, julgando-se credora de luxos e mesuras dos tempos do absolutismo monárquico? Ou é de um Congresso que graves equívocos constitucionais, judiciais e legislativos se combinam para converter num shopping com lojinhas de venda de votos parlamentares? Ou de governos e mais governos nos quais a virtude é punida e o vício recompensado e protegido? Ou é de um judiciário que perde o senso de justiça e de medida, invade competência dos outros poderes, usa a Constituição ao gosto, como livro de receita e se assume como tutor da sociedade? Ou é da corrupção estrutural? Ou é dos partidos, que do Estado se abastecem? Ou é de instituições de Estado que têm como lacaia a nação a que deveriam servir e impõem a ela o temor que lhe deveriam ter?
Não será delas que virá a solução porque elas são o problema. Estão concebidas para atuar como atuam e proporcionar os resultados que proporcionam. Há responsabilidades individuais? Sim, claro! E também brilhantes méritos individuais. Mas estamos vendo, periodicamente, que não basta trocar nomes porque a regra do jogo determina como o jogo político e institucional é jogado. Em decorrência dessa realidade estrutural, congênita, que afasta representantes de representados, governantes de governados e julgadores de julgados, os cidadãos veem afastar-se, célere, a liberdade e, com ela, a democracia e as possibilidades de uma reforma institucional.
Independentemente do que o politburo pense, imponha ou consinta, eu sigo fazendo minha parte.
PUBLICADAEMhttps://puggina.org/artigo/a-culpa,-entao,-e-sua+-minha+-nossa+-da-sociedade+__17971
PAULOALCEU/YOUTUBE
Vandré Kramer, Gazeta do Povo
A insegurança e a violência custam caro para a economia brasileira. Um estudo realizado por economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra que a economia brasileira poderia crescer 0,6 ponto percentual a mais se a criminalidade recuasse para a média mundial. Para este ano, a projeção do Fundo é de uma expansão de 1,7% do PIB brasileiro.
“A violência é um problema sério que afeta uma série de decisões que têm impacto no dia a dia das pessoas: onde morar, onde investir”, ressalta a coordenadora do Centro de Ciência Aplicada à Segurança Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV), Joana Monteiro.
Ela aponta que um dos piores impactos vem do crime organizado. No Rio de Janeiro, por exemplo, ele está envolvido com distribuição de gás, construção civil e comércio de bebidas. “Isso impede a concorrência”, diz Monteiro. Há também ameaças a empresas, das quais são cobradas taxas de proteção.
O Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) aponta que em 2021 o Brasil registrou 21,26 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. É quase dez vezes o índice mundial, de 2,24 homicídios a cada 100 mil.
Na América Latina e Caribe, o número brasileiro só foi inferior ao das Bahamas. Belize, Colômbia, Honduras, Jamaica, México, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas e Trinidad e Tobago.
Segundo os economistas do FMI, a criminalidade e a violência são problemas graves na América Latina e no Caribe. Os índices de criminalidade, medidos pelos homicídios intencionais notificados, são historicamente altos e pioraram recentemente em muitos países da região.
A América Latina e o Caribe tiveram aumentos anuais das taxas de homicídios de cerca de 4% nas últimas duas décadas. Quase metade das vítimas de homicídio intencional no mundo são da região, apesar de ela representar apenas 8% da população mundial, de acordo com dados das Nações Unidas.
Os impactos da violência sobre a economia
O levantamento feito pelos economistas do FMI aponta que a criminalidade acarreta custos macroeconômicos consideráveis. Os resultados da pesquisa sugerem que um aumento de 1% nas taxas de homicídio reduz o crescimento do PIB em 0,3 ponto percentual.
“Isso ocorre por meio da queda na acumulação de capital e da redução no crescimento da produtividade”, destaca o estudo, assinado por Rodrigo Valdés, diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental, e Rafael Machado Parente.
Valdés e Parente apontam que a criminalidade dificulta a acumulação de capital, possivelmente por dissuadir os investidores, que temem roubos e violência. E prejudica a produtividade, pois tende a desviar recursos para investimentos menos produtivos, como em segurança residencial.
Estimativas sugerem que os ganhos com a redução da violência na América Latina e Caribe para índices próximos à média mundial poderia aumentar o crescimento do PIB regional em até meio ponto percentual. O Fundo prevê que a região irá crescer 1,9% em 2024 e 2,5%, em 2025.
Gastos com manutenção da ordem e segurança pública são grandes na América Latina e Caribe
Os gastos com manutenção da ordem e segurança pública são elevados na região. No Brasil, eles correspondem a pouco mais de 1% do PIB, de acordo com o UNODC. Na Jamaica, é mais do que o triplo.
Parente aponta que, apesar de níveis elevados de gastos com ordem e segurança serem necessários para evitar mais crimes, isso sugere que práticas mais eficazes de combate ao crime poderiam liberar recursos significativos para outras despesas prioritárias.
“Esses outros gastos prioritários poderiam, ao atacar os obstáculos estruturais ao crescimento, gerar oportunidades de trabalho para reduzir os níveis de criminalidade na região”, diz.
Os economistas do Fundo apontam que há outros recursos valiosos em termos de evidências científicas sobre a eficácia das soluções de segurança e justiça existentes. Uma delas é a Plataforma de Evidências em Segurança e Justiça do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A plataforma destaca, por exemplo, a escassez de evidências quanto à eficácia do reconhecimento de placas de veículos na redução de violência no trânsito. E aponta que as políticas de preços e tributação das bebidas alcoólicas têm impactos positivos na redução da violência em determinadas situações.
Os economistas também apontam que a criminalidade é uma questão de natureza socioeconômica, com consequências de longo alcance e uma variedade de raízes interligadas. “Ao priorizar estratégias mais eficazes de combate ao crime, os governos da região não só aumentariam a segurança pública, mas elevariam o potencial econômico da região”, ressaltam.
Um caminho apontado para isso, de acordo com os especialistas, seria incrementar a colaboração entre autoridades, instituições financeiras internacionais, o meio acadêmico, ONGs e o setor privado para encontrar alternativas e maneiras de eliminar esse obstáculo ao crescimento.
Vandré Kramer, Gazeta do Povo
PUBLICADAEMhttps://rota2014.blogspot.com/2024/02/violencia-e-inseguranca-limitam-o.html
ROBERTO MOTTA/X
É ATÉ DIFICIL ACREDITAR, MAS É VERDADE... PUBLICIDADE PARA DIMINUIR A BANDIDAGEM E NÃO É PEGADINHA
Roberta Ribeiro, Gazeta do Povo
A facção criminosa Comando Vermelho (CV) se estabeleceu como a principal operadora da rota do tráfico de drogas na Amazônia (Rota do Solimões) a partir de 2016, quando sua facção inimiga, o Primeiro Comando da Capital (PCC), dominou a rota do Paraguai. Após sete anos, a organização criminosa carioca aniquilou todos os seus rivais na região e hoje opera não só o transporte de cocaína, mas atua no garimpo de ouro e na comercialização de madeira ilegal.
Na semana do Natal, uma apreensão feita pelo Exército Brasileiro deu uma ideia da natureza das operações criminosas na região. Uma embarcação carregada com 750 kg de maconha tipo skank (mais forte que a média), avaliada em R$ 11,25 milhões, munições e combustível foi apreendida no rio Içá, na fronteira brasileira com a Colômbia e com o Peru. O rio é uma das portas de entrada da Rota do Solimões, que consiste no transporte de cocaína produzida em países andinos por rios e em aviões de pequeno porte pela Amazônia até o litoral brasileiro.
O estudo “Nexos de Crime-Drogas na Bacia Amazônica”, publicado em 2023 pelo UNODC, o escritório da ONU para o combate aos crimes e às drogas, mostra como narcotraficantes passaram a se envolver com mineração e extração de madeira. De acordo com o documento, “há evidências crescentes de traficantes de drogas financiando e fornecendo apoio logístico para atividades ilegais nas operações de mineração de ouro em toda a região, incluindo em territórios protegidos, expandindo-se para a exploração de madeireira ilegal e o tráfico de vida selvagem (incluindo plantas, insetos e animais)”.
Os pesquisadores da UNODC ainda apontam que as embarcações usadas para transportar madeira ou minerais são também rotineiramente carregadas com cocaína escondida em remessas destinadas a mercados estrangeiros. “Esses tipos de atividades ilícitas são frequentemente acompanhados por crimes convergentes, que vão desde suborno, extorsão, fraude e lavagem de dinheiro, a homicídio, agressão violenta, violência sexual e violência forçada”.
Para atuar nessas áreas os traficantes do sudeste se aliaram a quadrilhas locais. O Comando Vermelho atua principalmente no Estado do Amazonas e o Primeiro Comando da Capital tem operações em Roraima e Rondônia.
Segundo Tássio Franchi, historiador e especialista em fronteiras, o tráfico de drogas realmente deixou de ser único ilícito praticado pelo CV no Norte do país. “Na última década, essas facções criminosas descobriram o garimpo ilegal”, observa o pesquisador.
Franchi é coordenador do projeto de pesquisa acadêmica Defesa Nacional, Fronteiras e Migrações (PROCAD Defesa - MD/CAPES), financiado pelo Ministério da Defesa e que, há quatro anos, pesquisa os crimes transnacionais nas fronteiras do Brasil, dentre outros temas.
Ele explica ainda que a “taxa que se consegue lavando o ativo da cocaína com ouro é muito melhor do que qualquer outra atividade com que se lave o dinheiro”.
EUA, Canadá e Suíça são os maiores compradores de ouro amazônico
Brasil, Colômbia e Peru são os países que mais se destacam na produção de ouro na América do Sul, segundo o estudo “Soberania e crimes ambientais na Amazônia: uma oportunidade para o Brasil atuar como líder regional?”, de autoria de Franchi e publicado na revista Diálogos Soberania e Clima.
Juntos, eles responderam por 258,5 toneladas das cerca de 373 toneladas de ouro exportado pela região em 2020. Canadá, Suíça e Estados Unidos são os principais compradores, respondendo pela importação de, aproximadamente, 247 toneladas no mesmo ano. Já em 2022, eles foram responsáveis pela importação de 412,5 das 567,6 toneladas de ouro exportadas pelos países amazônicos, de acordo com dados das Nações Unidas (Comtrade 2020 e 2022).
Brechas na legislação fazem com que seja relativamente fácil legalizar e exportar ouro extraído ilegalmente de garimpos na Amazônia. Assim, ao operar na região, o CV e outras facções brasileiras descobriram que a comercialização do ouro facilita a lavagem de dinheiro do tráfico de cocaína.
Tássio Franchi afirma que o comércio ilegal de ouro é uma das formas mais simples de lavar o dinheiro do tráfico e que, inclusive, grupos criminosos de outros países se utilizam da mesma tática. Tanto garimpos legais quanto ilegais participam do esquema, pois não há um sistema robusto de rastreamento do metal precioso no país. O especialista explica que, em alguns casos, os traficantes de drogas chegaram a assumir o total controle de minas de ouro.
A rota da Solimões vem também crescendo de importância para o crime organizado por causa de um aumento mundial na demanda por cocaína, que teria ocorrido a partir da pandemia de Covid-19.
O crescimento no consumo e, portanto, na oferta de drogas, foi reportado pelo Relatório Mundial sobre Drogas de 2023, publicado pela Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC). Em 2021, o consumo de entorpecentes cresceu 23% em todo o mundo, na comparação com 2011, chegando a 296 milhões de pessoas. Em 2020, também segundo dados da UNODC, o aumento foi de 26% em relação aos dez anos anteriores.
O ano de 2020, viu um recorde histórico na produção mundial de cocaína, quando foram produzidas 1.982 toneladas, segundo o Relatório Global sobre a Cocaína de 2023, da UNODC. Franchi afirma que, apesar do crescimento constante nos últimos anos, “houve um aumento do consumo, principalmente após a pandemia. E onde há demanda, há oferta”, explica o especialista.
Rota do Solimões leva cocaína de países andinos para a Europa
Na Amazônia, o caminho para escoamento do ouro e da madeira ilegais, bem como de drogas, é o mesmo. A droga produzida em países como Peru e Colômbia são transportadas pelos rios amazônicos, no trajeto que ficou conhecido como Rota do Solimões. A outra saída seria a costa peruana, mas, para tanto, é preciso atravessar os Andes e enviar a droga pelo Oceano Pacífico.
Deste modo, a droga que sai desses países sul-americanos pelo com destino à Europa segue pelo Rio Solimões até Manaus ou até portos que ficam na Foz do rio Amazonas, como os de Macapá e Belém. De lá, a droga segue para o litoral do Nordeste e para o Sudeste. Uma parte da cocaína é destinada ao consumo de dentro do Brasil. Mas os maiores lucros dos traficantes são a exportação do entorpecente em larga escala por meio de navios para a Europa e para a África.
Como a Rota do Solimões é todo feita por meio dos rios que entremeiam a selva, é necessário que o trajeto seja realizado por pessoas experientes, com conhecimento da geografia e hidrografia locais. Ou ainda por meio de pilotos dispostos a pousar pequenas aeronaves em pistas clandestinas no meio da selva. A convergência de todos esses fatores fez com que o CV se aliasse a criminosos da região que se especializaram em garimpo e extração ilegal de madeira.
Fronteiras amplas dificultam apreensões e combate ao crime
A vigilância das áreas de fronteira da Amazônia é responsabilidade da Polícia Federal, das polícias militares e das Forças Armadas. O Exército atua com poder de polícia da linha de fronteira até 150 quilômetros adentro do território brasileiro. Na região amazônica a faixa fronteiriça com Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela e Guiana tem 9.762 quilômetros de extensão. A área patrulhada pelo Exército é de aproximadamente 800.000 km².
No ano de 2023, o Comando Militar da Amazônia, que atua nos Estados do Acre, do Amazonas, de Rondônia e de Roraima, apreendeu 1.644 kg de drogas e 25 toneladas de minérios de extração ilegal, um total de R$ 167 milhões.
No entanto, o isolamento de diversas comunidades ribeirinhas e o difícil acesso a áreas de fronteira, somados à permeabilidade da fronteira e a consequente ampliação da abrangência dos grupos criminosos, dificulta o combate a essas atividades e a seu rastro violento.
Como o Comando Vermelho foi parar na Amazônia?
O procurador do Ministério Público de São Paulo (MPSP) Marcio Sergio Christino afirma que o CV precisou migrar para a região norte do país quando o PCC dominou do tráfico da cocaína produzida na Bolívia, que entra no Brasil pela rota do para Paraguai a partir de 2016.
“Comprar a droga boliviana das mãos do PCC não era uma opção para o CV, que ficaria submetido à facção paulista caso isso acontecesse. Então, a opção foi se aliar aos produtores peruanos pela Rota do Solimões, no norte do país”, afirmou Christino, que foi um dos primeiros membros do MP a investigar o PCC no Brasil.
O analista Franchi observa que esse rearranjo ocorreu a partir no momento em que estavam sendo firmados os acordos de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, e o governo colombiano, na década passada. Tradicionalmente ligadas ao tráfico de drogas e outros ilícitos na região da Amazônia Colombiana, algumas lideranças das Farc não aderiram aos tratados e, dessa forma, buscaram se reestruturar, o que levou a toda uma reorganização do tráfico e do crime na América do Sul, incluindo o Brasil.
Assassinato do Rei da Fronteira fechou a rota do Paraguai para o Comando Vermelho
Em 2016, ano em que essa reestruturação teve início, um evento consolidou a primazia do PCC junto aos produtores de cocaína da Bolívia. A droga dos produtores bolivianos é escoada pela chamada Rota Caipira, que sai do país, majoritariamente por via terrestre, passa pelo Paraguai e então entra no Brasil. À época, o líder criminoso Jorge Rafaat Toumani, de 56 anos, era conhecido como o “Rei da Fronteira” pois dominava a logística do tráfico na divisa entre Paraguai e Brasil.
No dia 15 de junho de 2016, quando saía de seu escritório na cidade de Pedro Juan Caballero, que faz fronteira com Ponta Porã (MS), ele sofreu uma emboscada que lhe custou a vida. Após parar em um semáforo, o jipe Hummer de Rafaat foi bloqueado por outro veículo que abriu fogo, rompendo a blindagem e matando o criminoso. O carro responsável pelos disparos, mais de 400 no total, estava equipado com uma metralhadora pesada de calibre .50, capaz de perfurar blindagem.
Segundo as autoridades paraguaias, a operação envolveu cerca de 30 outros carros, ocupados por cerca de três ou quatro criminosos cada. O tamanho da emboscada não possibilitou ação do aparato de defesa de Rafaat, que era escoltado por dois outros veículos. Seus seguranças trocaram tiros com os atacantes, mas tiveram que fugir.
À época, o comando da operação foi imputado por investigadores, inclusive da Polícia Federal brasileira, ao PCC.
Brasil: mercado interno e rota de escoamento no tráfico internacional de drogas
A partir da morte de Rafaat, foi consolidada a parceria entre PCC e os produtores bolivianos para realizar o tráfico na fronteira centro-sul do Brasil, via Paraguai. A droga que chega ao Brasil por essa via é distribuída nos pontos de venda do PCC em todo o país e também é enviada pela facção para a África e a Europa pelos portos do Sul e Sudeste.
Com o acesso fechado para a droga produzida na Bolívia, a saída encontrada pelo CV foi migrar para o norte do país, trazendo a droga produzida no Peru e na Colômbia. E o principal ponto de entrada desses entorpecentes é a tríplice fronteira em Tabatinga, onde se inicia a Rota do Solimões. Deste modo, o CV pode garantir seu abastecimento e escapar do domínio do PCC na Rota Caipira (do Paraguai). No entanto, para conquistar o domínio de toda essa logística, a facção precisou se associar ou guerrear e eliminar grupos criminosos locais, como aconteceu com a Família do Norte (FN).
Consolidação do CV no norte: escalada da violência e fogos de artifício
Após o assassinato de Rafaat, o CV também viu seus “acordos de conveniência”, que garantiam uma “convivência pacífica” com o PCC, serem rompidos. Forçado a migrar para o Norte e Nordeste o CV acabou entando em choque com a facção local que dominava a criminalidade no Amazonas, a Família do Norte (FDN).
Guerras em presídios, ataques e retaliações nas ruas entre os dois grupos se acentuaram a partir dos anos de 2016 e 2017. O aumento da taxa de homicídios no Amazonas oferece uma ideia da letalidade dos conflitos gerados. Entre 2016 e 2021, houve crescimento de 17,1% na taxa de homicídios por cem mil habitantes, que saiu de 36,3 e chegou a 42,5 no final do período analisado. Os dados são do Atlas da Violência 2023, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Mas foi somente em 2020 que o CV conseguiu estabelecer seu domínio no Amazonas, suplantando a FDN. Em fevereiro daquele ano, o assassinato de Diego Lopes Linhares, o “Baixinho”, líder da Família do Norte em Manaus, foi um ponto chave para a consolidação do CV no Estado.
O traficante foi baleado dentro de um carro com seis tiros por dois homens em uma motocicleta. Resgatado com vida, ele acabou morrendo em decorrência dos ferimentos em um hospital de Manaus. No muro ao lado do local onde o crime ocorreu, a sigla CV foi pichada em vermelho.
Segundo registros de jornais manauaras, na noite em que o crime foi cometido, houve queima de fogos de artifício nos bairros comandados pelo CV. Deste modo, assim como o assassinato de Rafaat consolidou o domínio do PCC para o tráfico da cocaína que vem da Bolívia, passando pelo Paraguai, o de Baixinho marcou o ponto em que o Comando Vermelho assumiu o controle do tráfico em Manaus e, consequentemente, na Rota do Solimões.
Esse arranjo do crime, com o PCC dominando a Rota Caipira e o CV a do Solimões, trouxe uma certa estabilidade na relação entre os dois grupos criminosos. Mas ele é reflexo da incapacidade dos governos dos Estados e da União de desmantelar as organizações ou ao menos limitar suas atuações criminosas.
Roberta Ribeiro, Gazeta do Povo
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