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Conversas de Vorcaro com Mulher de Moraes São Chocantes
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Que bom te ver por aqui, seja bem vindo. Neste espaço busco repassar a informação séria, sem censura. Publico artigos e notícias que estão na internet e que acredito serem de interesse geral. Também publico textos, vídeos e fotos de minha autoria. Nos textos há sempre uma foto ou um gif, sempre ilustrativa, muitas vezes, nada tem a ver com o texto em questão. Para entrar em contato comigo pode ser em comentários nos artigos ou, então, pelo e mail andradejrjor@gmail.com.
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Conversas de Vorcaro com Mulher de Moraes São Chocantes
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O ERRO HISTÓRICO DE LULA SOBRE A MORTE DE TIRADENTES
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Adriano Dorta
Quando você começa a estudar Ciências Econômicas, uma das primeiras lições é que os mercados, às vezes, não produzem resultados considerados socialmente desejáveis. Em certas circunstâncias, portanto, políticas públicas poderiam melhorar esses resultados. Os economistas chamam isso de falhas de mercado.
Falhas de mercado podem envolver, por exemplo, externalidades (como a poluição), bens públicos (como iluminação de ruas, cuja provisão envolve problemas de não exclusão e não rivalidade), poder de mercado (como monopólios ou cartéis), assimetria de informação (quando uma parte detém informação relevante que a outra não possui) e mercados incompletos (quando não existem mercados/contratos para lidar com certos riscos e contingências).
A partir desses problemas, a tradição da welfare economics (economia do bem-estar) desenvolveu argumentos para intervenções que, em tese, poderiam reduzir ineficiências e melhorar a alocação de recursos.
Boa parte dessa formulação moderna ganhou forma com textos clássicos como Paul A. Samuelson, “The Pure Theory of Public Expenditure” (SAMUELSON, 1954), e Francis M. Bator, “The Anatomy of Market Failure” (BATOR, 1958), frequentemente tratados como marcos por apresentarem, de modo claro, os fundamentos do argumento de falha de mercado.
Qual é o risco dessa linha de raciocínio? O problema aparece quando a análise passa a comparar o mundo real com um padrão idealizado, uma espécie de “modelo perfeito” (por exemplo, o equilíbrio competitivo em sua forma mais pura), que é útil como referência teórica, mas é inobservável e, muitas vezes, inatingível na prática. Se o mercado real inevitavelmente diverge desse ideal, a conclusão pode ser: “logo, o Estado deve corrigir e aproximar a realidade do modelo perfeito”.
Essa passagem, porém, esbarra em dois obstáculos fundamentais.
O primeiro é o problema do conhecimento. Hayek mostrou que o conhecimento relevante para coordenar a vida econômica é disperso, local, frequentemente tácito e muda com o tempo: não está concentrado em um único lugar ou indivíduo e, por isso, não pode ser plenamente reunido e aplicado como se fosse um plano de engenharia social (HAYEK, 1945).
A resposta foi dizer que formuladores de políticas públicas fariam estudos, coletariam dados e condensariam informações para orientar os tomadores de decisão. De posse de todo o conhecimento necessário, esses tomadores de decisão poderiam ajudar os mercados a alcançar o modelo ideal.
Mas mesmo grandes esforços de coleta não eliminam o ponto central: parte essencial do conhecimento econômico é prática, contextual e dinâmica; ela aparece no próprio processo de interação, adaptação e descoberta. Nesse sentido, o sistema de preços não é apenas “um dado” a ser usado; ele é um resultado do processo de coordenação e um mecanismo de transmissão de informação sobre escassez e custos de oportunidade.
O segundo obstáculo é o problema dos incentivos, enfatizado pela teoria da Escolha Pública. A conclusão de que o Estado corrigirá falhas de mercado pressupõe que os agentes que compõem o Estado agirão de modo sistemático em torno do “interesse público” e que suas decisões refletirão esse ideal.
Porém, o processo político é formado por indivíduos com objetivos próprios e restrições próprias. Políticos buscam reeleição; burocratas tendem a buscar expansão de orçamento, influência e estabilidade; eleitores e grupos organizados perseguem benefícios concentrados, mesmo quando os custos estão dispersos pela sociedade.
O processo político é o resultado das interações entre indivíduos que agem com seus próprios interesses. O interesse de um grupo nada mais é do que o conjunto dos interesses individuais de cada um de seus membros.
Além disso, diferentemente do mercado, o Estado não opera sob um sistema de preços que permita mensurar com precisão valor, custos e desempenho do que é produzido e entregue.
Como os recursos utilizados pertencem a terceiros e são empregados em benefício de outros, os incentivos para alocá-los com a máxima eficiência tendem a ser mais fracos — e os problemas de monitoramento se tornam maiores. Assim, a intervenção estatal raramente é neutra ou perfeita: burocracia, ineficiência e corrupção podem superar, em muitos casos, os custos da falha de mercado inicial.
Em resumo, mercados e Estado são imperfeitos. A diferença é que os mercados, mesmo falhos, geram sinais de preços e incentivos à inovação institucional: novas formas de contrato, novas tecnologias de exclusão, novos arranjos de cooperação e mecanismos de governança. Já o Estado, por sua própria natureza, lida com poder, e o exercício desse poder pode ser direcionado para a proteção de privilégios daqueles que conseguem influenciá-lo.
Por isso, o produto da interação entre esses dois sistemas imperfeitos pode ser uma economia menos inovadora, com menor crescimento e com maior grau de compadrio: conexões entre agentes políticos e grupos de interesse que buscam direcionar regras, licenças, subsídios, reservas de mercado e barreiras à entrada em benefício próprio.
Essa dinâmica ocorre porque, ao aceitar a ideia de que o Estado deve “corrigir” continuamente a vida econômica e social, atribui-se a ele um poder discricionário que não fica restrito ao setor econômico: ele aparece na saúde, no esporte e, no caso brasileiro, de modo particularmente visível, na educação e em diversas estruturas de regulamentação e credenciamento.
Grupos de interesse como sindicatos, associações setoriais (indústria, agricultura), organizações de pressão e corporações profissionais têm incentivos para estreitar relações com o governo porque é ali que decisões discricionárias podem gerar vantagens: reservas de mercado, exigências regulatórias que restringem entrada, benefícios tributários, crédito direcionado e proteção contra concorrência.
Mesmo em países em que a cultura pela honestidade e respeito são vistos como algo muito sério, esse tipo de conexão existe. Coreia do Sul e Japão também experimentam alto nível de regulação.
No Japão, além da liberalização, existiram políticas industriais* através da criação do MITI (Ministry of International Trade and Industry). Essa segunda ação resultou em favoritismo, clientelismo, compadrio (Lippit, 1975). Além disso, enfrenta uma economia estagnada e um grau de corrupção que impossibilita reformas (Black, 2015). *nota: A política industrial é um conjunto de medidas governamentais, como incentivos fiscais, crédito e investimentos, voltadas para fortalecer a competitividade, a inovação e o crescimento da indústria nacional.
Na Coreia do Sul, o acesso privilegiado a instrumentos governamentais (crédito barato, licenças, resgates) coexistiu em períodos autoritários e democráticos (1994, CHOI).
Apesar de ter passado por abertura de mercado, o Estado precisava de grandes grupos para investir, exportar e executar projetos, e esses grupos dependiam de crédito e autorizações. Isso limitava conflitos abertos, mas também institucionalizava a troca de benefícios por financiamento político e influência.
A relação governo–empresas tornou-se uma troca recorrente de favores por recursos. Empresas buscavam crédito subsidiado, proteção e resgates (“too big to fail”), enquanto elites políticas obtinham financiamento e apoio financeiro.
Nesse arranjo, a corrupção não era um “desvio” marginal, mas um componente previsível do sistema de intervenção, porque a própria política industrial e o controle financeiro ampliavam as oportunidades de captura e barganha (2002, KANG).
O que resta, então? Não fazer nada? Uma lição importante de James Buchanan é que o economista deve trabalhar na área das ideias e explicar como o mundo funciona e não como ele deveria funcionar.
Isso significa reconhecer a existência de literatura que encontra associação robusta entre maior discricionariedade regulatória e maior incidência de captura, corrupção e favorecimento. As evidências apontam que conexões políticas e instrumentos discricionários de política pública geram privilégios mensuráveis para grupos de interesse. Diante disso, a tarefa do cientista social é trazer esse diagnóstico para o debate público.
Se convivemos com essas instituições, cabe ao escrutínio da sociedade decidir qual é a taxa de regulação e, consequentemente, a taxa de compadrio aceitável. No fim, o preço pela busca da economia perfeita é renunciar a uma economia mais livre e com menor conexão entre agentes políticos e agentes econômicos.
Referências
SAMUELSON, Paul A. The pure theory of public expenditure. The Review of Economics and Statistics, Cambridge, v. 36, n. 4, p. 387–389, 1954.
BATOR, Francis M. The anatomy of market failure. The Quarterly Journal of Economics, Cambridge, v. 72, n. 3, p. 351–379, 1958.
HAYEK, Friedrich A. The use of knowledge in society. The American Economic Review, Nashville, v. 35, n. 4, p. 519–530, 1945.
LIPPIT, Victor D. Economic planning in Japan. Journal of Economic Issues, Abingdon, v. 9, n. 1, p. 39–58, 1975. DOI: 10.1080/00213624.1975.11503252.
CHOI, Young Back. Industrial policy as the engine of economic growth in South Korea: myth and reality. In: CHOI, Young Back. Collapse of development planning. New York: New York University Press, 1994. p. 231–255. DOI: 10.18574/nyu/9780814723456.003.0013.
KANG, David C. Bad loans to good friends: money politics and the developmental state in South Korea. International Organization, Cambridge, v. 56, n. 1, p. 177–207, 2002. DOI: 10.1162/002081802753485179.
publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/economia/o-preco-pela-busca-de-uma-economia-perfeita/
Lexum
Digamos a verdade com a educação de quem não precisa levantar a voz: quando o professor de direito Adilson José Moreira, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, cita a Justice Sandra Day O’Connor, em pleno ano de 2025, para justificar que a indicação ao Supremo deve seguir um roteiro identitário, algo aí está definitivamente fora do compasso. É como invocar um mapa náutico do século XIX para navegar com GPS — um gesto romântico, sim, mas completamente inútil para chegar a qualquer porto.
A entrevista, aliás, começa com a promessa de um moralismo sofisticado: “o critério deveria ser diversidade, não cálculo político”. Mas tudo o que se segue é apenas outra forma de cálculo — tão política quanto a que ele critica, apenas com outro vocabulário. Troca-se o clientelismo tradicional pela astrologia identitária: a ideia de que a cor da pele do juiz garantiria algum tipo de hermenêutica diferenciada, um prisma moral que magicamente corrigiria injustiças históricas. É com esse tipo de imaginação que a academia brasileira insiste em flertar com sofisticação, quando na verdade apenas recobre velhos desejos paternalistas com verniz teórico.
Porque, se o assunto é Suprema Corte americana, o relógio jurídico simplesmente já virou a página. E virou com estrondo. Students for Fair Admissions v. Harvard marcou a demolição definitiva do edifício que sustentava políticas de “consideração racial” — não por um detalhe técnico, mas por uma reafirmação categórica do próprio núcleo da equal protection. A Corte disse, sem hesitação e sem notas de rodapé salvadoras, que o Estado não pode tratar indivíduos como representantes de grupos raciais, seja para punir, seja para “corrigir” a história. Trata-se de uma proibição total: nada de “balanços demográficos”, nada de engenharia social disfarçada, nada de justificar desigualdade jurídica com intenções supostamente virtuosas. Em termos simples: o governo não tem licença para usar raça como variável decisória em lugar nenhum — nem na universidade, nem no serviço público, nem em tribunal algum. Depois de Students for Fair Admissions, a tolerância constitucional com “representatividade” compulsória é exatamente a mesma que a de um libertário com aumento de imposto: nenhuma.
E aí, como se não bastasse, o destino acrescenta um toque de ironia fina. Chega Ames v. Ohio — um caso sobre direitos LGBT, não sobre raça — e quem escreve a opinião da Corte? A Justice Ketanji Brown Jackson, mulher negra, indicada por democratas, celebrada pela militância identitária, frequentemente apresentada como a encarnação da chamada “hermenêutica a partir da raça”. Se essa promessa tivesse algum lastro teórico, seria aqui que ela deveria aparecer com nitidez.
Mas ela não aparece. Porque, embora Jackson seja defensora de políticas raciais em outros contextos — como demonstra seu dissenso robusto em Students for Fair Admissions —, ela não adota em Ames a lógica identitária que lhe atribuem. Não há “perspectiva da mulher negra”, não há “epistemologia de grupo”, não há sentença construída sobre vivências biográficas. O que há é método constitucional clássico: texto, doutrina, estrutura e igual proteção aplicada sem o filtro das biografias. A porta que os identitários tentam manter aberta fecha-se sem estardalhaço, apenas seguindo a gravidade natural das coisas.
A ironia se completa sozinha: a própria figura usada como símbolo do argumento identitário não pratica a hermenêutica identitária que lhe imputam. E isso não porque ela pense como os conservadores — ela não pensa —, mas porque, quando veste a toga, ela pensa como Justice, não como mascote racial. Decisões judiciais não se tornam melhores porque refletem um mosaico de identidades, mas porque seguem princípios previsíveis, consistentes e ancorados no Estado de Direito.
Thomas Sowell já advertia que a unidade identitária imaginada por acadêmicos e militantes simplesmente não existe fora das salas de seminário: “o tipo de unidade idealizada prevista por líderes políticos e intelectuais raramente existiu entre qualquer minoria racial ou étnica em qualquer lugar”[1]. Pluckrose e Lindsay chegam ao mesmo ponto por outra estrada: “no mundo real, tentar ‘respeitar’ todas as identidades marginalizadas ao mesmo tempo, como vozes únicas com a sabedoria inerente e inquestionável conectada aos seus grupos culturais, pode gerar conflitos e contradição”[2].
Forçar essa unidade mítica a serviço de uma agenda política específica produz exatamente o contrário do prometido: não amplia a justiça, amplia a arbitrariedade; não fortalece instituições, fortalece agendas; não corrige desigualdades, apenas redistribui poder entre grupos organizados.
Enquanto isso, Moreira insiste em pintar o Estado brasileiro como entidade permanentemente engajada em “eliminar” determinados grupos sociais, como se o Direito fosse apenas ferramenta para decifrar narrativas morais e não para resolver problemas jurídicos concretos. Condena o uso estratégico dos direitos fundamentais, mas, na frase seguinte, propõe usar a própria composição do Supremo como instrumento estratégico de transformação racial da sociedade. É uma contradição tão explícita que não exige hermenêutica avançada — apenas exige que se mantenha o pudor intelectual.
O debate sobre o Supremo, aliás, tem sido conduzido como se a qualidade da instituição dependesse do número de identidades representadas na Corte. Mas, como lembra Sowell[3], sociedades não funcionam com base em intenções — funcionam com base em incentivos, restrições e consequências reais. O ponto central não é quem ocupa uma cadeira, mas quais critérios determinam essa escolha. A pergunta decisiva não é “quem entra no STF?”, mas “quais critérios — objetivos, transparentes e orientados ao mérito — definem quem está apto a entrar?”.
Um debate sério, portanto, não deveria girar em torno de quantas bandeiras cabem numa toga, mas dos mecanismos que garantem que quem veste essa toga seja guiado pela lei.
A tese de que a Suprema Corte brasileira deve buscar representatividade racial como critério de composição não está apenas fora de época; está fora de jurisprudência. E o curioso é que, no fim das contas, o argumento que Moreira tenta importar dos EUA foi superado nos EUA antes mesmo de chegar aqui. É a mais rara das ironias acadêmicas: importar uma mercadoria intelectual já vencida na alfândega.
*Leonardo Corrêa – sócio de 3C LAW | Corrêa & Conforti Advogados, com LL.M pela University of Pennsylvania, Co-Fundador e Presidente da Lexum e autor do livro A República e o Intérprete — Notas para um Constitucionalismo Republicano em Tempos de Juízes Legisladores.
*Isaias Lobão – professor e consultor educacional. Doutor em história pela Universitat de València, Espanha. Membro da Lexum.
PUBLICADAEMhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/a-alfandega-das-ideias-vencidas/
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ROMBO de R$4 BILHÕES: Agora na EDUCAÇÃO!
Um escândalo bilionário de desvios na Previdência Social atinge em cheio o governo Lula, coloca o alto escalão na berlinda e prova que o PT não consegue manter distância dos cofres públicos
SILVIO NAVARRO/REVISTA OESTE
Sempre que o PT chega ao poder, um roteiro irremediável se repete no Brasil: a corrupção como método de governança. A engrenagem foi montada desde as primeiras prefeituras, nos anos 1980 e 1990, e ganhou proporções de escândalos sem precedentes com Lula da Silva e Dilma Rousseff. Em 2025, o país agora assiste a desvios bilionários no coração da Previdência Social.
Desta vez, o novo escândalo não precisou ser batizado com algum apelido aumentativo, como Mensalão e Petrolão, porque não há sofisticação nenhuma. Pelo contrário, é muito simples de compreender, já que o roubo é direto no bolso. O governo Lula 3 nomeou corruptos no comando do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e liberou a farra de sindicatos e associações para descontar dinheiro sem autorização de aposentados e pensionistas a contagotas.
Ou seja, na maioria dos casos, a mordida de R$ 20, R$ 30, R$ 70 por mês, intitulada “mensalidade associativa”, passou despercebida pelos idosos. O resultado foi o sumiço de R$ 6,3 bilhões, arrancados de ao menos 6 milhões de pessoas.
Para descontar a tal mensalidade, os sindicatos precisam, por lei, da autorização expressa dos beneficiários, o que não aconteceu em 97% dos casos, segundo uma amostragem da Controladoria-Geral da União (CGU). A papelada foi falsificada e, num caso que corre na Justiça, foram usadas até fotos de redes sociais para simular biometria — como se o titular tivesse autorizado o débito por meio de uma selfie.
Os relatórios da CGU mostram que os mais afetados foram moradores de áreas rurais, com dificuldades para acessar a internet ou percorrer mais de 24 horas em estradas precárias para conseguir chegar a um posto da Previdência Social. Há uma lista de deficientes físicos, que não poderiam se deslocar em barcos, e analfabetos.
O órgão faz um questionamento óbvio: como o sindicato conseguiu a assinatura de um analfabeto? Há exemplos gritantes de aposentados que pagavam para um sindicato de pescadores, mas disseram que nunca lançaram uma rede ao mar na vida ou pegaram num anzol.
O deputado gaúcho Marcel van Hattem (Novo) levou uma aposentada à Câmara, sem dinheiro para tratar um câncer, que revelou ter pagado R$ 77 por mês para uma entidade que não tem sede em Brasília. Resta ainda a pergunta: por que aposentados precisam de um sindicato, como a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB) ou a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (AAPEN)? Uma Previdência Social gigantesca como a brasileira não basta para atendê-los?
O escândalo do INSS é daqueles esquemas típicos do Brasil: tem empresas de fachada, dinheiro escondido em paraíso fiscal, os corruptos ostentam carros e motos de luxo, viagens ao exterior nas redes sociais (Paris, Dubai, Lisboa) e, como é característico da esquerda, os lobistas são conhecidos por apelidos: “Chinelo”, do PDT, ou “Careca do INSS”, por exemplo — coisa de quinta categoria mesmo. O irmão mais velho de Lula, conhecido como “Frei Chico”, é dirigente de uma dessas entidades picaretas.
O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido. Cinco funcionários do alto escalão estão afastados. Mas os tentáculos do esquema ainda estão longe de ser decifrados. Segundo o jornal O Globo, o chefe de gabinete do ministro Carlos Lupi, chamado Marcelo Panella, exigia a contratação de uma consultoria para autorizar as entidades a cobrar dos aposentados. Aqui entra um agravante: Panella é o tesoureiro do PDT; Lupi é o dono do partido
Seguindo o modus operandi de Lula, o ministro responsável permanece na cadeira como se nada tivesse acontecido. Lupi foi quem indicou o presidente do INSS e a maior parte da cúpula do órgão.
O PDT é um partido pequeno, mas que ajuda o PT há décadas — tem 17 deputados, 3 senadores e 151 prefeitos. Lupi tem histórico nas páginas policiais: foi demitido em 2011, na gestão Dilma, porque usou um avião alugado por uma ONG que recebia dinheiro do Ministério do Trabalho, e a imprensa descobriu que ele era funcionário fantasma da Câmara dos Deputados.
O ministro ainda não explicou por que ignorou uma série de relatórios sobre a roubalheira no INSS desde 2023. No mínimo, pode-se concluir que ele não agiu para estancar os desvios — crime de prevaricação, previsto no artigo 319 do Código Penal. Segundo a Polícia Federal, no ano passado foram seis alertas.
O problema se agravou quando o órgão editou, em março do ano passado, uma instrução normativa (nº 162) que instituiu a assinatura eletrônica e a biometria para autorizar os descontos. Dois meses depois, diante da demora da Dataprev (empresa de tecnologia da Previdência) para conseguir modernizar os cadastros, a Diretoria de Benefícios do INSS atendeu a um pedido para criar uma “solução transitória”. Quem pediu essa solução? O tal Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), cujo vice-presidente é irmão de Lula.
Esse departamento de benefícios solicitou que fosse autorizada a “assinatura eletrônica avançada e biometria facial, com validação em bases biométricas públicas“. O que isso significa? Que os sindicatos e associações passaram a buscar todos os tipos de fotos ou de assinaturas dos aposentados espalhadas na internet — inclusive em redes sociais. A CGU informou que isso representaria um risco grave de fraudes. Mas ninguém ligou. Lupi nunca negou que sabia. Disse, apenas, que se assustou com o volume de dinheiro (veja o vídeo abaixo).
“No governo, tudo é demorado. Eu sabia o que estava acontecendo, das denúncias. Eu sabia que estava havendo um aumento muito grande [dos descontos nas mensalidades], que precisava fazer uma instrução normativa para acabar com isso, e comecei a me irritar pela demora. Só que o tempo no governo não é o tempo de uma empresa privada.” (Carlos Lupi, em entrevista ao jornal O Globo)
O ministro da Previdência não está sozinho nessa encrenca. Outra notícia chacoalhou Brasília no meio da semana: o Cebap, uma das entidades investigadas pela Polícia Federal, contratou o escritório de Enrique Lewandowski, filho do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, quatro meses antes da operação. Motivo: defender a associação para manter o convênio com o INSS que permite o desconto dos aposentados. O Cebap recebeu R$ 140 milhões.
Como é possível ter pai e filho na mesma cena de crime? Um como chefe da Polícia Federal e o outro como advogado de uma entidade suspeita?
Brasília é uma festa
Durante sete anos, a Lava Jato mostrou ao país que o PT e os demais sócios do poder sangraram os cofres públicos onde puderam. O caixa petista virou um propinoduto de tal forma que dois tesoureiros foram presos: Delúbio Soares, do Mensalão, e João Vaccari Neto, do Petrolão.
De volta ao poder em 2023, o PT tem, pela primeira vez, a imprensa tradicional do seu lado, e a simpatia da imensa maioria dos integrantes do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União (TCU), a cúpula aparelhada da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF). Não é exagero afirmar que as denúncias que surgiram no noticiário desde a virada do ano são exceção — mesmo com todas as barreiras, é impossível represar 100% dos trambiques em Brasília. O estouro no INSS é um desses exemplos: há uma enxurrada de denúncias protocoladas na Justiça por cidadãos lesados, alertas internos corriam havia dois anos, e a Polícia Federal não tinha mais como ignorá-los.
Até agora, contudo, outros esquemas de corrupção — muitas vezes miúdos — seguem sem investigação. O maior deles é o que acontece em Itaipu, a usina binacional na fronteira com o Paraguai. Oeste apresentou um raio X da empresa em sua edição 261. A praga da corrupção também foi tema na edição 264.
A Hidrelétrica de Itaipu opera numa zona cinzenta de fiscalização. Os contratos não passam pelo crivo do TCU pela dupla paternidade. Oconselho de administração tem cinco ministros de Lula, além do diretor-presidente, o ex-deputado petista Enio Verri. O orçamento da empresa destina R$ 9 bilhões para a rubrica “Outros”, que ninguém sabe o que significa. A partir daí, surgem repasses para ONGs petistas, o MST, a construção de um hotel de luxo no Pará e até um programa que destinou mais bolas do que o número de crianças em favelas para recebê-las.
Esses conselhos de estatais e bancos públicos são uma festa. O jornal O Estado de S. Paulo mostrou na segunda-feira, 28, que a gestão Lula usa os assentos para engordar os salários de aliados. São 323 cadeiras bem remuneradas. No caso de Itaipu, são R$ 34 mil para participar de uma reunião a cada dois meses. Há exemplos de jornalistas da Secretaria de Comunicação (Secom) que integram o conselho fiscal da Caixa Econômica Federal, ou da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), a companhia do Comando da Marinha para a indústria militar.
Ou ainda: o que faz a ministra Anielle Franco (Igualdade Racial) na Tupy, uma empresa de metalurgia? Alexandre Padilha, da Saúde, no conselho fiscal do Serviço Social do Comércio (Sesc)?
O fato é que a fraude no INSS já é o maior escândalo do governo Lula 3 em cifras. Por pouco, o Arrozão, em meio à tragédia das chuvas no Rio Grande do Sul, não ocuparia esse pódio. A compra de toneladas do cereal, que seria distribuído com a logomarca do governo, contudo, foi abortada pela esculhambação: a empresa vencedora era uma loja de queijos no Amapá. A diferença entre os tantos propinodutos do passado é que a fraude na Previdência pegou na carne, no contracheque do aposentado — ele mesmo conferiu. E ninguém responde nem quando nem como esse dinheiro será devolvido.
Trata-se de uma história sem desfecho, que bateu à porta do Palácio do Planalto a pouco mais de um ano das eleições — só rifar Carlos Lupi não vai resolver o estrago. Tampouco há como a esquerda culpar Jair Bolsonaro desta vez. É possível que uma CPI seja instalada na Câmara, o que ampliaria a sangria por meses. Mas uma constatação é inequívoca: a engrenagem da corrupção está lá — cedo ou tarde, ela aparece
Sílvio Navarro - Revista Oeste
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