quinta-feira, 27 de agosto de 2026
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Que bigode é esse, Marçal
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Que bigode é esse, Marçal
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quarta-feira, 12 de agosto de 2026
A arte imita a vida ou a vida imita a arte?
Adriano Dorta
Em 8 de julho, a Câmara dos Deputados aprovou uma PEC que altera o cálculo do IPVA, limitando sua alíquota a 1% do valor do veículo, em vez de se basear no valor de mercado. A proposta visa a beneficiar todos os contribuintes, reduzindo o imposto, mas prejudica a arrecadação dos Estados.
Em 8 de julho, a Câmara dos Deputados em Brasília aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para alterar como é calculado o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Atualmente, o IPVA é cobrado pelos Estados com base no valor de mercado dos veículos, as alíquotas variam de acordo com cada Estado e costumam ficar entre 1% e 4%. A intenção da PEC é mudar a forma de calcular o imposto. Além disso, também não poderá ultrapassar 1% do preço do veículo. O texto é de autoria do deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e o relator é o deputado Rodrigo de Castro (União Brasil-MG).
A medida é boa para toda a população, desde os ricos até os mais pobres. Ela só é ruim para alguém: a coisa. “A coisa” é o Estado. Essa mudança afeta negativamente os Estados e suas arrecadações. Atualmente, o IPVA é cobrado com base na tabela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). A tabela Fipe é o principal índice do mercado automotivo brasileiro que expressa o preço médio cobrado por veículos (carros, motos, caminhões e micro-ônibus) no mercado nacional. Essa é uma forma que o governo achou para nunca perder arrecadação. Quando os preços dos produtos sobem de forma generalizada na economia (inflação), o custo dos carros novos dispara. Esse movimento gera um efeito dominó: a demanda por veículos seminovos e usados cresce, provocando uma valorização artificial desses automóveis no mercado.
Como o IPVA é uma porcentagem fixa sobre o preço venal do bem, se o preço do carro sobe na Tabela Fipe, o valor final do imposto aumenta na mesma proporção. O contribuinte acaba pagando um IPVA mais caro por um carro mais velho. O governo lucra sobre a inflação repassada aos preços dos automóveis, elevando a arrecadação acima do índice inflacionário oficial. Essa dinâmica gera um incentivo perverso de busca e manutenção de carros mais velhos e mais baratos. Alguns proprietários acabam optando por continuar possuindo carros com 20 ou mais de fabricação por conta da sua isenção de IPVA.
Segundo o relator, a PEC vai gerar uma redução para todos que pagam esse imposto. Como exemplo, o relator usou o Estado pelo qual foi eleito (MG), para apontar uma redução de até 75% no IPVA. Isso significa que uma pessoa que paga mil reais pode passar a pagar apenas R$ 250. Essa notícia deveria ter sido recepcionada com alegria pelo contribuinte, mas a verdade é que nem depois de três anos com governo Lula 3 aumentando impostos essa PEC conseguiu agradar a todos.
Muitas reações na internet foram em defesa da “arrecadação do Estado” ou na crítica aos ricos e os valores pagos por eles. Para alguns, a diminuição dos impostos para os pobres não foi vista de forma positiva porque também diminuiu para os ricos.

A resistência de parte dos internautas contra a PEC que reduz o IPVA revela um curioso fenômeno de ressentimento. Ao preferirem manter uma carga tributária sufocante sobre si mesmos apenas para garantir que os mais ricos não paguem menos, essas pessoas reproduzem a exata atitude de Stephen, o escravo do filme Django Livre. Na obra de Tarantino, Stephen (interpretado por Samuel L. Jackson) não canaliza sua energia para questionar o sistema que o escraviza, mas sim para combater a liberdade de Django Freeman (interpretado por Jamie Foxx).
A história do filme se passa numa época em que a escravidão do homem sobre outro homem era uma atitude normal. Porém, um caçador de recompensas alemão chamado Dr. King Schultz (interpretado por Christoph Waltz), que abomina a escravidão, faz um acordo: Django ajuda o caçador a achar os foras da lei, e então ele será um homem livre.
Em certa parte do filme, Django e Schultz chegam à fazenda Candyland, onde o proprietário e escravagista Calvin Candie (interpretado por Leonardo DiCaprio) reside. É lá que vemos Stephen, o chefe dos escravos domésticos da propriedade. Stephen desenvolveu uma lealdade cega ao seu senhor branco e ao sistema escravista; ele goza de pequenos privilégios dentro da casa grande, mas continua sendo um escravo. Ele não luta por sua própria libertação, mas se torna o maior inimigo de outro homem negro que busca ser livre, agindo como o protetor da estrutura que o oprime.
Essa atitude fica clara quando os dois personagens se encontram no filme pela primeira vez. Assim que Stephen vê Django montado em um cavalo e usando roupas finas, ele fica enfurecido. Ele não questiona o seu senhor o porquê de um preto ser livre, ele questiona o porquê de Django não ser um escravo como ele.
Para o personagem interpretado por Samuel L. Jackson não seria um problema se todos os negros permanecessem escravizados. O que ele não suporta é que um deles tenha “escapado” da condição que ainda o aprisiona. Em vez de desejar “escapar”, Stephen deseja impedir que outros “escapem”. Esse é o mesmo pensamento em parte das reações à redução do IPVA. Os ressentidos que terão uma parcela maior da renda nas suas próprias mãos passam a considerar preferível que ninguém seja beneficiado a verem que os ricos também irão se beneficiar.
Esse radicalismo igualitário se sobrepõe ao bem-estar. Já não se pergunta se os pobres estarão em melhor situação, mas se os ricos vão estar em pior situação. Se todos perderem, mas os ricos perderem mais, considera-se o resultado justo. Se todos ganharem, mas os ricos ganharem também, então o resultado é injusto. Parte da sociedade contemporânea busca a igualdade a qualquer custo, mas não entende que liberdade e igualdade são impossíveis de serem conquistadas sem autoritarismo.
Adaptando o experimento mental usado pelo filósofo político Robert Nozick para os padrões culturais do Brasil, imagine uma sociedade ideal onde o governo conseguiu estabelecer a igualdade perfeita: todos começam com a mesma quantia exata de dinheiro no bolso. Então, começa a temporada de futebol e o Neymar Jr. assina um contrato estipulando que, de cada ingresso vendido, 25 centavos vão direto para ele. Ao longo do ano, um milhão de pessoas vão voluntariamente ao estádio e pagam esse valor extra com alegria para ver o ídolo jogar. No final do campeonato, as pessoas continuam com a liberdade que tinham, mas Neymar Jr. agora está 250 mil reais mais rico. O padrão de igualdade inicial foi quebrado.
Nozick pergunta: quem foi prejudicado? Ninguém. A desigualdade surgiu puramente da liberdade de escolha das pessoas em gastar o próprio dinheiro. A única maneira de o Estado reestabelecer a igualdade original seria intervindo brutalmente na vida dos cidadãos ao confiscar o dinheiro legítimo do jogador, regulando os pagamentos de salários no setor desportivo ou até proibindo pessoas de comprarem ingressos. Os igualitários radicais contemporâneos preferem que o chicote tributário bata em todos, sob um pretexto de justiça social fictícia, mesmo que o preço dessa igualdade seja o sacrifício financeiro de toda a população.
Enquanto o debate público for pautado pelo ressentimento e não pela busca de prosperidade, o Brasil continuará preso ao mesmo ciclo. O progresso de uma nação não acontece sufocando os que estão em cima, mas libertando os que estão embaixo. Enquanto parte da população preferir manter o cabresto estatal para garantir que o vizinho rico também seja domado, o país continuará assistindo, na vida real, ao triste espetáculo de homens dominados que esqueceram o sabor da liberdade, cavalgando lado a lado com o escravo Stephen.
*Artigo publicado originalmente na Revista Oeste.
publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/a-arte-imita-a-vida-ou-a-vida-imita-a-arte/
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
domingo, 9 de agosto de 2026
DADOS SAÍRAM E BRASIL É O PIOR DO MUNDO: O QUE O PT FEZ? - @Bruno_Musa
@Bruno_Musa
DADOS SAÍRAM E BRASIL É O PIOR DO MUNDO: O QUE O PT FEZ? -
sábado, 8 de agosto de 2026
Wagner Moura no Bial: Desmontando Cada Argumento
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Wagner Moura no Bial: Desmontando Cada Argumento
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Fatos e Falácias da Economia Segundo Thomas Sowell
Luan Sperandio
Quanto maior o consumo de margarina no estado americano do Maine, mais indivíduos se divorciam naquela região. Deveríamos desestimular o consumo do laticínio a fim de preservar o relacionamento dos casais?
Quanto mais Nicolas Cage lança filmes em um ano, menos pessoas morrem em acidentes de helicóptero. Deveríamos subsidiar filmes do ator norte-americano para evitar mortes?
Quanto maior a despesa governamental dos Estados Unidos com pesquisa tecnológica espacial, menor a taxa de suicídios. Deveríamos despender maiores recursos enviando humanos para a lua a fim de desenvolver maior saúde mental da população e salvar vidas?
As três inferências acima são levantamentos do site Spurious Correlations e ajudam a evidenciar, de forma jocosa, uma máxima da literatura das Ciências Econômicas de que uma correlação não implica em causalidade.
Contudo, a despeito disso, muitas falácias são vendidas no debate público como fatos que, por definição, tendem a ser algo cuja contestação é complexa. Isso se dá tanto por ignorância científica quanto por narrativas populistas de políticos ou grupos de interesses que manipulam a opinião pública ou parlamentar em busca de rent-seeking — conceito da Ciência Política que define a busca por renda política.
Naturalmente, dados e evidências são melhores insumos para uma tomada de decisão do que meros achismos; contudo, eles precisam ser analisados de forma adequada, buscando “observar mais profundamente as coisas que, num dado momento, parecem boas na superfície.”
É este o propósito de Fatos e Falácias da Economia, do economista norte-americano Thomas Sowell, um dos intelectuais mais subestimados de todos os tempos, segundo Steven Pinker.
Não obstante a origem pobre, Sowell conseguiu graduar-se pelas universidades de Harvard, Columbia e Chicago. Ganhou notabilidade no debate público global ao escrever obras com perspectiva histórica e econômica, sendo conhecido por transformar questões complexas em análises recheadas de evidências e com linguagem acessível para leigos. Todas essas virtudes estão presentes na obra.
Para introduzir o livro, o autor fala dos quatro tipos de falácias mais comuns: a da soma zero (negligenciando a possibilidade de relação de ganho mútuo), a da composição (ignorar as alterações entre os grupos estatísticos), das peças de xadrez (a falsa premissa de que os líderes podem planejar e colocar ordem como bem quiserem na sociedade) e a falácia do infindável (extrapola a partir de dados limitados). Na sequência, Sowell as apresenta na prática ao discutir temas como urbanização, gênero, igualdade, educação, raça, renda e desenvolvimento econômico.
Falácias da urbanização
Enquanto críticos da arquitetura reclamam da expansão urbana, da feiúra dos subúrbios e tratam com saudosismo o período em que a maior parte da humanidade estava no campo, os críticos sociais reclamam da falta de habitação na cidade e apontam a alta densidade dos bairros como a causa da criminalidade. Outros críticos são líderes comunitários, que condenam o grande deslocamento necessário para que as pessoas transitem pela cidade para poder trabalhar.
Contudo, a história do desenvolvimento urbano aponta que há vantagens econômicas para a formação das cidades. Afinal, são lugares onde os habitantes se reúnem para realizar negócios e criar uma cultura compartilhada, usufruindo de infraestruturas dispendiosas de serem construídas, como energia, saneamento básico e telecomunicações.
Por conseguinte, a densidade ou regiões periféricas não são questões ruins per si, pois é preciso que as pessoas vivam em algum lugar. Além disso, intervenções governamentais a fim de restringir esse processo podem resultar em distorções econômicas, como a partir do controle de preços de aluguéis.
Falácias sobre gênero
As mulheres sofrem injustiças no mercado de trabalho e possuem salários menores por preconceito e machismo estrutural. Para combater isso, é necessária a aprovação de legislações anti-discriminação.
Essa é a narrativa comum no debate público. Contudo, o fato de mulheres ganharem menos do que os homens pode ter contribuições e pesos maiores do que uma discriminação generalizada e do preconceito contra elas. Sowell discorre diversos estudos que isolam variáveis e apontam que salários maiores a homens de carreiras similares decorrem de maiores horas dispendidas trabalhadas.
Outros estudos marcantes da obra apontam que um percentual relevante de mulheres deixa o mercado de trabalho formal em algum momento de suas carreiras, o que contribui para um desnível salarial posterior. Esse período comumente está associado à gestação e obrigações maternas.
Como esse padrão se mostra de forma repetida, a responsável por grande parte da diferença na renda entre gêneros tende a estar mais amparada na escolha, e não na discriminação.
Falácias na educação
Há um abismo entre as universidades e as empresas. Em larga medida, por questões ideológicas de que entidades sem fins lucrativos precisam ser motivadas por ideais mais elevados do que o dinheiro.
Contudo, por que os interesses dos clientes dessas instituições (os alunos) não são priorizados? Há incentivos políticos perversos que contribuem para esse panorama, como a estabilidade dos profissionais, gestão controlada por membros do corpo docente e promoções baseadas em prestígio e tempo de serviço, e não com base em qualidade de pesquisas publicadas e ensino.
Falácias sobre a renda
Os ricos estão ficando mais ricos e os pobres mais pobres? A classe média está encolhendo? A renda de altos executivos e CEOs é díspare com o retorno dos acionistas ou o salário médio de funcionários? São algumas das principais narrativas presentes sobre renda.
Muitos dos números que fundamentam essas informações são interpretados de forma ideológica e equivocada. Entre os exemplos, está o fato de afirmar que a renda familiar da última geração dos Estados Unidos está estagnada, contudo, omite-se que a quantidade de membros das famílias diminuiu. Outro exemplo comum citado pelo autor é negligenciar auxílios governamentais ao expor a renda dos mais pobres.
Falácias raciais
A principal razão da diferença atual dos rendimentos entre negros e brancos deriva de fatos históricos da escravidão e do racismo?
A narrativa progressista afirma que discriminação e racismo são correlacionados. Todavia, ao menos na amostragem dos Estados Unidos analisada por Sowell, usar exclusivamente a raça como um classificador pode esconder outras diferenças importantes entre os grupos, como a idade. No caso do país, a idade média dos afro-americanos é cinco anos mais jovem do que a da população em geral, o que contribui para a renda ser menor, pois indivíduos mais jovens tendem a ganhar menos por possuírem menos escolaridade e experiência.
O autor aponta que outros grupos raciais também são mais jovens do que a idade média dos EUA, como asiáticos, também tendendo a ter em média renda menor do que o restante da população do país.
Países em desenvolvimento
O nível de desenvolvimento de um país muitas vezes é atribuído a questões relacionadas à colonização, geografia, questões climáticas ou à falta de auxílio econômico de países mais ricos.
Todavia, o principal fator é institucional, relacionado à tradição de lei e ordem, responsável pelo maior peso do desenvolvimento econômico.
Considerações finais
Sowell defende que questões como gênero, raça, renda, desenvolvimento econômico, entre outras, não podem ser analisadas sob a luz de emoções, a despeito de quão sensíveis ou complexas elas sejam.
Mesmo que algo seja apresentado como um fato, é necessário ter uma postura cética — tendo o princípio da prudência, como apontado por Russell Kirk em A Mentalidade Conservadora —, algo próprio também do método científico.
Fatos e Falácias da Economia é um conjunto de Sowell recheado com centenas de pesquisas, papers e trabalhos acadêmicos empíricos que podem desafiar a sua opinião sobre alguns dos temas contemporâneos mais sensíveis.
publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/fatos-e-falacias-da-economia-segundo-thomas-sowell/
sexta-feira, 10 de julho de 2026
quarta-feira, 8 de julho de 2026
OS PARASITAS USAM A FORÇA
Por Roberto Rachewsky
Elon Musk ficou rico com o dinheiro dos outros, assim como os políticos ficaram ricos com o dinheiro alheio.
Não está aí o problema da riqueza. A acumulação de riqueza nunca foi um problema. O problema não é matemático, não é econômico. O problema é moral, é sobre escolhas.
Elon Musk ficou trilionário porque ele teve uma visão, ideias que por serem benéficas para milhões ou até bilhões de pessoas, fizeram elas escolherem livremente investir nelas ou adquirir os produtos por ele inventados, produzidos e comercializados.
Elon Musk se tornou o mais rico indivíduo da história porque o mundo resolveu fazê-lo assim, voluntária e espontaneamente, para terem acesso ao que ele criou, sejam os produtos ou as oportunidades oferecidas no mercado de bens de consumo ou de capitais.
E os políticos que também enriqueceram através dos conchavos no governo, da corrupção, da extorsão? Eles também enriqueceram com o dinheiro dos outros, como Elon Musk.
A diferença é que Elon Musk chegou lá exercitando o princípio do comerciante, trocando valor por valor. O valor que ele tinha pelo valor que seus investidores ou consumidores tinham e escolheram nele depositar.
Esses políticos que enriqueceram usando a coerção estatal ou roubo, ou fraude, ou corrupção, não deram nada em troca pelo dinheiro obtido que o público já não tivesse. É a aplicação do princípio do parasita, simplificada na máxima do assaltante quando este diz: "A bolsa ou a vida".
Ora a vida já temos, a bolsa também. A ameaça coercitiva do parasita implica em uma falsa escolha. Essa é a questão moral que separa os Elon Musks da vida dos ministros do STF, dos burocratas das estatais, dos políticos do Congresso ou do Executivo, dos burocratas e juízes dos tribunais.
Elon usa a razão, os parasitas usam a força.
PUBLICADAEMhttps://www.pontocritico.com/espaco-pensar-artigo/os-parasitas-usam-a-forca-300626
terça-feira, 7 de julho de 2026
FUTURO ADIADO
Alex Pipkin, PhD em Administração
Existem sociedades que resolvem problemas. Outras aprendem a conviver com eles.
No início, a diferença parece pequena. Com o tempo, torna-se a diferença entre construir o futuro e apenas sobreviver ao presente. As primeiras enfrentam as causas, mesmo quando isso exige sacrifícios. As segundas especializam-se em administrar consequências, adiar reformas e transformar soluções provisórias em modo permanente de governar.
Esse é o retrato mais preciso do Brasil.
Já não nos falta diagnóstico. Falta-nos disposição para enfrentar aquilo que o diagnóstico exige.
Substituímos a coragem de reformar pela habilidade de remendar.
Cada dificuldade produz um novo programa. Cada distorção gera uma nova regra. Cada fracasso justifica mais gasto, mais exceções e mais improviso. O problema nunca desaparece, apenas muda de lugar.
É como o navegador que passa a vida ajustando as velas enquanto se recusa a admitir que o casco faz água.
O mais inquietante é que esse mecanismo já não depende de um governo. Ele aprendeu a se reproduzir sozinho.
Todo sistema duradouro produz aquilo de que mais necessita; pessoas adaptadas ao seu funcionamento.
Governos passam, partidos passam, e narrativas passam. A engrenagem permanece.
Pouco a pouco, a política adapta seu discurso ao momento, a burocracia protege a si mesma, grupos organizados preservam seus benefícios e os cidadãos passam a considerar normal aquilo que, uma geração antes, pareceria inaceitável.
É assim que uma sociedade perde a capacidade de imaginar um futuro diferente.
Fala-se muito em empatia, mas quase nunca naquela dirigida às únicas pessoas totalmente ausentes da arena política. São as que ainda não nasceram. Elas herdarão o custo de cada reforma adiada, de cada privilégio preservado e de cada decisão substituída pela conveniência do presente.
A maior injustiça social não é a desigualdade entre os vivos. É permitir que uma geração consuma as oportunidades que pertencem à seguinte.
Civilizações não entram em declínio quando deixam de identificar seus problemas. Entram em declínio quando transformam o adiamento em estratégia, a adaptação em cultura e o futuro no lugar para onde empurram as consequências do presente.
Nesse momento, o amanhã deixa de ser uma promessa. Torna-se o espelho das escolhas que insistimos em adiar.
PUBLICADAEMhttps://www.pontocritico.com/espaco-pensar-artigo/futuro-adiado-010726






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