Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 13 de setembro de 2026

A tecnologia da inocência

  Alex Pipkin


Há duas maneiras de atravessar um escândalo. A primeira é provar que não fez. A segunda, muito mais prática, é não saber de nada. Lula, a alma mais pura deste planeta, especializou-se na segunda.

Depois de mais de dezessete anos de governos petistas, a ignorância deixou de ser deficiência e tornou-se salvo-conduto. Lula sabe distribuir ministérios, escolher aliados, identificar inimigos, negociar cargos, aumentar impostos e explicar ao mundo aquilo que o mundo não lhe perguntou. Seu conhecimento é vasto. Termina exatamente na porta da responsabilidade.

A ética começa onde a desculpa termina. O petismo realizou a proeza inversa, transformando a desculpa num sistema de poder. A psicologia moral empresta dois nomes ao milagre. Max Bazerman e Ann Tenbrunsel chamam de cegueira motivada a tendência de não perceber uma conduta imprópria quando reconhecê-la ameaça nossos interesses. Ann Tenbrunsel e David Messick descrevem o apagamento ético, processo pelo qual o conteúdo moral desaparece e o problema reaparece fantasiado de questão política, administrativa ou eleitoral.

A cegueira motivada seleciona o que não deve ser visto. O apagamento ético esteriliza aquilo que já apareceu. Uma fecha os olhos, o outro lava o fato. Juntos, formam uma tecnologia de inocência.

Quando o mensalão terminou com figuras centrais do PT condenadas pelo Supremo, Lula declarou sentir-se traído por práticas das quais jamais tivera conhecimento. Era capaz de interpretar a alma do povo brasileiro, a fome dos pobres, a perversidade dos ricos e os destinos da humanidade. Só não sabia o que faziam os homens sentados ao seu lado.

Há uma geografia muito curiosa nessa ignorância. Os fatos acontecem sempre perto o suficiente para beneficiar o governo e longe o bastante para não alcançar o governante. No sítio de Atibaia, Lula conhecia o caminho, frequentava a propriedade com a família e havia pedalinhos com os nomes dos netos. Não sabia quem fizera as reformas, quanto custaram nem por que empreiteiras decidiram melhorar a cozinha alheia. A intimidade pertencia à família. As despesas eram metafísicas.

Diante das apurações envolvendo a lobista Roberta Luchsinger, afirmou nunca tê-la visto. Existem ao menos doze fotografias dos dois juntos, publicadas entre 2018 e 2023. Uma fotografia pode ser cortesia. Doze exigem fé e uma opinião bastante modesta sobre a inteligência dos brasileiros. As redes sociais mentem diariamente. O arquivo digital, porém, possui um defeito desagradável. Ele se lembra.

Na mesma sabatina, Lula foi questionado sobre a dívida pública federal, que já encosta em R$ 8 trilhões, enquanto a dívida bruta ultrapassa 80% do PIB. A resposta veio com a serenidade de quem comenta a temperatura da água: “A mim, não preocupa a dívida pública”. A evolução do método é admirável. Diante da corrupção, Lula não sabe. Diante da dívida, sabe e diz que não se preocupa.

A cegueira motivada protege do passado. O apagamento ético permite hipotecar o futuro. O endividamento deixa de significar juros, impostos, crédito caro e menos dinheiro para investir. Transforma-se numa porcentagem do PIB, dessas que cabem confortavelmente num gráfico e não perturbam o sono de ninguém no Palácio.

Dívida pública é imposto que ainda não disse seu nome. O governo gasta no presente, os juros fazem hora extra e a conta chega quando o autor da despesa já está escrevendo suas memórias.

É fácil conservar a serenidade diante de uma fatura que será, evidentemente, entregue aos outros.

O problema de Lula não é a falta de diploma universitário. Ausência de formação acadêmica não é pecado moral, assim como diploma nunca foi certificado de caráter. Algumas universidades demonstram isso com admirável regularidade. A Presidência não exige tese, exige responsabilidade. Nenhum governante sabe tudo. Governar consiste em saber aquilo que não se tem o direito de ignorar. Se Lula não sabia, fracassou. Se sabia, mentiu. Se preferiu não saber, transformou a ignorância em proteção moral. Em nenhuma das hipóteses aparece um estadista. Apenas a pretensão abissal de sê-lo.

A grande inovação do petismo não foi a corrupção, que desembarcou no Brasil muito antes dele. Foi sua arquitetura moral. O poder sobe e se concentra. A culpa desce e se dissolve. No topo, permanece o líder, eternamente surpreendido com o próprio governo e serenamente despreocupado com a conta que deixa. Não saber o absolve do passado. Não se preocupar o dispensa do futuro. O presente, naturalmente, fica reservado ao poder.

A tecnologia funciona. Lula fica com a inocência. O Brasil, em especial os mais pobres, com a fatura.





















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/a-tecnologia-da-inocencia/

Narrativas e a política

 RODRIGOMELLO/INSTITUTOLIBERAL


No início de 2024, o debate público se viu envolto na discussão sobre a tributação de compras internacionais abaixo de 50 dólares. Em meio a críticas da jornada arrecadatória da atual gestão, alguns argumentos foram apresentados à população, e um deles foi de que tal tributo não impactaria os consumidores.

Com a medida em vigor há mais de dois anos, podemos afirmar que o impacto foi desastroso. Tanto que, ciente disso, o governo revisou a regra. Porém, não se furtou de apresentar uma nova narrativa: a de que sempre foi contrário à proposta.

Os números são expressivos: a chamada taxa das blusinhas gerou R$ 5 bilhões em 2025. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, mais R$ 1,78 bilhão entraram nos cofres públicos. O objetivo arrecadatório foi cumprido. Mas a que custo?

Segundo pesquisa da AtlasIntel, 62% dos brasileiros consideram a medida um dos principais erros do governo atual, e não é difícil entender o porquê. A taxa encareceu o acesso a produtos importados de baixo valor para milhões de consumidores.

No entanto, os problemas não se limitam à popularidade. Se, por um lado, os cofres públicos arrecadavam, por outro, o governo via uma de suas empresas estatais ser diretamente prejudicada. Os Correios relataram forte redução no volume de encomendas internacionais, que passaram de cerca de 22% para 8% das receitas da estatal. Em suas notas explicativas, a empresa apontou esse movimento como um dos fatores que contribuíram para o prejuízo bilionário registrado no período.

Um resultado e déficit que obriga o governo a capitalizar a companhia, ou seja, o dinheiro entra por um bolso e sai pelo outro. Quem paga a conta, ao fim, é o mesmo cidadão sufocado por tributos. Portanto, em meio a narrativas e discursos políticos, a economia acontece no mundo real – e é nesse mundo real que decisões mal planejadas e sem justificativa afetam o bolso, as oportunidades e a vida das pessoas. O ano é decisivo e de eleições no Brasil, e, com as eleições, virão mais e mais narrativas sobre diversos fatos ocorridos nos últimos anos.

Por isso, é fundamental revisitar seus resultados e consolidar o debate público sobre seus efeitos para que medidas dessa natureza não voltem a ser adotadas sem a devida reflexão sobre seus custos e consequências.

*Rodrigo Villa Real Mello é economista e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE).












PUBLICADAEMhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/narrativas-e-a-politica/


O sistema de poder que resiste à reação institucional

 Lucas Berlanza


Os ministros do STF, tendo Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes nos holofotes, registrados em foto sorridentes depois do escandaloso relatório oriundo da Polícia Federal divulgado por ordem de André Mendonça, são as figuras  mais midiáticas. Essa estrutura de poder se mantém, porém, com uma forma de blindagem complexa bloqueando as possibilidades institucionais de reação.

Os líderes dessa estrutura se postaram fielmente ao “protetor da democracia” em defesa da impunidade. Lula depende dos togados para governar. O presidente da Câmara Hugo Motta se recusa a pautar qualquer agenda que realmente caminhe para desconstruir o edifício autoritário, como a anistia, e se definiu pelo governismo explícito. O silêncio dos dois diz tudo que precisariam dizer.

Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal, aparece nas conversas entre Vorcaro e Moraes; segundo o próprio banqueiro teria dito a Mendonça, ele estaria em uma eventual delação, pelo que a evita com malabarismos e intimidações.

Paulo Gonet, da procuradoria-geral da República, é o aliado  mais próximo de Moraes; ao contrário dos que se mantiveram em silêncio, apoiou o chefe de maneira bastante vocal, pedindo anulação do material divulgado por Mendonça – material em que ele mesmo figura pelo menos 33 vezes. Já Davi Alcolumbre, presidente do Senado, julga haver pedidos de impeachment de Moraes em excesso.

Esse elenco infame de inimigos da liberdade precisa ruir se quisermos destruir o poder paralelo que se apossou das instituições brasileiras. Repito, porém, que ainda há tolos que falam em “diálogo”. Que diálogo? Aquele em que eles falam e nós consentimos?









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Fachin paralisa processos do Master e do INSS

 André Mendonça segue como relator das ações, mas não pode tomar mais nenhuma decisão até segunda ordem do presidente do Supremo


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou que os processos dos casos que envolvem o Banco Master e as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sejam paralisados. Ele tomou essa decisão na noite deste sábado, 12. 

O parecer de Fachin não tira, contudo, a relatoria das duas ações do ministro André Mendonça. O magistrado, no entanto, fica impedido de adotar novas medidas sobre os casos até que haja alguma nova determinação por parte da presidência da Corte.

Esta não foi a única decisão de Fachin. Conforme noticiou Oeste, o presidente do STF tirou das mãos de Mendonça a relatoria da ação sobre o material extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.


Mensagens entre Moraes e Vorcaro 

Relatórios da Polícia Federal mostram que Moraes trocou mais de 50 mensagens com o ex-banqueiro. O empresário chegou a perguntar ao magistrado se deveria fugir do Brasil. Os dados também revelam que o juiz editou o contrato de R$ 131 milhões que o Master firmou com o escritório de Viviane Barci, mulher do ministro.

A decisões de Fachin ocorrem três dias antes de o plenário do STF definir se Moraes será investigado por causa da relação com Vorcaro. A sessão sobre o caso está programada para às 10h da próxima terçafeira, 15. 

Haverá transmissão ao vivo da discussão na TV Justiça e no canal do YouTube do STF.

Cristyan Costa e Uiliam Grizafis - Revista Oeste











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Cúmplice do ex-presidiátrio Lula, Vorcaro pediu notebook na prisão e Gonet concordou, mas Mendonça vetou a brincadeira

  Vorcaro estava preso na superintendência da PF em Brasília, onde negociava acordo de delação premiada que fracassou


O procurador-geral da República, Paulo Gonet, concordou com o pedido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para ter notebook na prisão e visitas de seus advogados no fim de semana, conforme solicitação da defesa, mas tudo foi vetado pelo ministro André Mendonça, o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

O episódio que consta do acervo de documentos cujo sigilo foi levantado nos últimos dias e ganha relevância agora que se conhecem detalhes das relações do ex-banqueiro, investigado ppr fraude e por roubar os investdores do seu banco, com o chefe da PGR.

A tentativa de Vorcaro de obter as regalias de noteook e visitação aconteceu em março deste ano, pouco depois de sua segunda prisão, mas o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nessa ocasião, segundo o site GPS, que publicou a informação, Vorcaro estava preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde negociava um acordo de delação premiada, afinal recusado em junho. Seus advogados argumentavam que as regalias buscavam dar “celeridade” à colaboração.

Relações Gonet/Vorcaro

As relações entre Daniel Vorcaro e Paulo Gonet foram tornadas públicas no relatório da Polícia Federal, e ocorreram principalmente via o advogado Ciro Soares, que intermediava recados. As conversas, extraídas do celular de Vorcaro, cobrem de abril de 2024 a meados de 2025 e incluem declarações de amizade, saudades, convites para eventos em Londres e o custeio de viagem  filho do procurador-geral.

Em abril de 2024, Ciro Soares escreveu a Vorcaro: “Amizade é tudo viu irmão” e “Gonet é firme”. O relatório associa o trecho a um episódio em que Gonet teria auxiliado em uma disputa eleitoral no Ministério Público de Minas Gerais.

Em 15 de março de 2025, Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet e pediu: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Seguiram-se quatro ligações consecutivas entre os telefones de Soares e Vorcaro; a PF interpreta que o banqueiro falou com o PGR pelo aparelho do advogado.

“Oba!!!! Tomara que tenha charuto e Macalan!

Em 28 de março de 2025, Soares encaminhou mensagens que atribuiu a Gonet: “Que bom! Estou na torcida por vocês!”; “Já estou com saudade de você! Estou embarcando para Roma”; e “Manda essa mensagem para ele”. Soares acrescentou: “O Gonet mandou msg pra vc”. Vorcaro respondeu: “Agradece muito o carinho” e “Saudade dele, vamos marcar estar juntos”. Soares completou que Gonet “lhe adora” e “Ele vai para Londres com a gente”.

Em seguida encaminhou outra mensagem atribuída ao PGR: “Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan!”. Vorcaro retrucou: “Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de Macalan”.

Vorcaro e a viagem do filho de Gonet

No dia seguinte, 29 de março, Soares perguntou: “Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres”. Vorcaro respondeu “Obvio ne” (ou “Óbvio”). Dias depois, ao receber lista de custos da viagem, o banqueiro autorizou: “Pedro e Ciro ok”. O relatório registra que Vorcaro bancou as despesas de Pedro Gonet (Pedro Henrique de Moura Gonet Branco) e de Ciro Soares. Uma mensagem posterior atribuída a Gonet, encaminhada por Soares, dizia: “Você é uma máquina”.

A referência a charutos e Macallan remete à degustação de abril de 2024 no George Club, em Mayfair, Londres, realizada em paralelo ao fórum jurídico patrocinado pelo Master. O evento, orçado em cerca de US$ 641 mil (equivalente a mais de R$3,2 milhões na época), reuniu Vorcaro, Gonet, ministros do STF (Alexandre de Moraes e Dias Toffoli), o então diretor-geral da PF Andrei Rodrigues e outras autoridades. Anotações recuperadas citam “serviço de degustação Macallan no George Club”. Uma segunda edição planejada para 2025, com o mesmo formato, foi cancelada.

As mensagens são relatadas pela PF como encaminhadas; a PGR, questionada à época, afirmou que não comenta investigação sigilosa. O relatório descreve a relação como próxima, com o advogado Ciro Soares fazendo a ponte entre o ex-banqueiro e o chefe do Ministério Público Federal.


Diário do Poder


















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JÁ FALOU DEMAIS

 AMIGOSDOBOLSONARO/FACEBOOK


JÁ FALOU DEMAIS



Moraes Prova do Próprio Veneno e Usa Defesa Que Ele Rejeitou!

 deltandallagnol/youtube


Moraes Prova do Próprio Veneno e Usa Defesa Que Ele Rejeitou!


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https://www.youtube.com/watch?v=weZVA70N0wU

A ESTRATÉGIA É MANTER A MISÉRIA

 VISOESPELOMUNDO/FACEBOOK


A ESTRATÉGIA É MANTER A MISÉRIA



Dois Brasis, o Mesmo Grão: O Que o Microfone Aberto Revelou

 rubinhonunes/youtube


Dois Brasis, o Mesmo Grão: O Que o Microfone Aberto Revelou


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https://www.youtube.com/watch?v=Sb_yseIlWbA

Ministros Ameaçam Expor os Podres do STF: Que Contem TUDO!

 andremarsiglia/yuoutube


Ministros Ameaçam Expor os Podres do STF: Que Contem TUDO!



ATÉ ELA ESTÁ CORRENDO

 FERNANDOFRIZIEIRO/FACEBOOK


ATÉ ELA ESTÁ CORRENDO



Moraes quis abrir o sigilo: quem mais pode ser exposto no STF? - SEM RODEIOS

  SEM RODEIOS


Moraes quis abrir o sigilo: quem mais pode ser exposto no STF? 

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sábado, 12 de setembro de 2026

Fim da linha para Alexandre de Moraes

 MARLONREGUELIN


Relação estreita com Vorcaro põe o ministro diante da maior crise desde que chegou ao Supremo.

Há casos que se acumulam devagar, como sedimento, até que um dia a carcaça simplesmente cede. O que está acontecendo com o ministro Alexandre de Moraes nesta primeira semana de setembro é exatamente isso: não uma revelação isolada, mas o desabamento de uma estrutura pútrida que já vinha rachada havia meses — e que, esta semana, finalmente, não resistiu mais ao próprio fardo.

Quem acompanha com atenção o noticiário sabe que o caso Moraes/Vorcaro não nasceu esta semana. Em junho, quando a Polícia Federal rejeitou pela segunda vez a proposta de delação premiada do ex-controlador do Banco Master, esta Oeste já registrava, em texto do colunista Flávio Gordon, uma frase que hoje soa quase profética: “O nome que não aparece na delação é o mais importante da República”.

Naquele momento, já eram conhecidos os contornos do contrato de R$ 129 milhões — hoje sabemos que foram, na verdade, R$ 131 milhões — entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Já se aventava, também, um segundo contrato, no valor de outros R$ 50 milhões, cujos detalhes ainda “engatinhavam nas sombras”, nas palavras do próprio colunista.

Na mesma leva de reportagens, soube-se que a própria proposta de delação de Vorcaro — rejeitada pela PF por insuficiência de provas — já mencionava Moraes diretamente, com o banqueiro admitindo que o contrato milionário buscava “estreitar relações” com o ministro.

Ou seja: o próprio investigado, em documento oficial submetido às autoridades, já apontava para o gabinete mais poderoso do país. E, mesmo assim, o processo seguiu seu curso normal, sem sobressaltos, como se a informação simplesmente não existisse.

A semana em que as sombras se dissiparam

O que mudou na última terça-feira, 1º, foi a quantidade e a qualidade do material que veio à tona, depois que o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, decidiu retirar o sigilo de um conjunto de mensagens recuperadas no celular de Vorcaro. E o que se revelou não deixa mais margem para o benefício da dúvida que a Corte vinha, até então, generosamente concedendo a si mesma.

Primeiro: os metadados do próprio arquivo do contrato de R$ 131 milhões — sim, o mesmo cujo objetivo, segundo o próprio Vorcaro, era “se aproximar” de Moraes — mostram que o documento foi pessoalmente editado por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, cerca de uma hora e pouco depois de o banqueiro devolver a minuta com alterações.

Não se trata mais de “acesso” ao contrato, como alegava a nota inicial do escritório de Viviane. Trata-se de edição direta, pela digital do próprio ministro, da peça contratual que definiria o pagamento milionário à família dele.

Segundo: veio à luz um segundo contrato, de R$ 50 milhões, firmado com a holding Viking Participações — ligada a Vorcaro —, no qual parte substancial do pagamento seria feita não em dinheiro, mas em cotas de duas aeronaves: um jato Legacy 650 e um helicóptero Airbus EC 155 B1. Segundo o relatório da PF, essas mesmas aeronaves já estavam sendo utilizadas pelo casal Moraes meses antes da formalização.

Terceiro, e talvez o mais visceral: as mensagens em que Vorcaro, dois dias antes de ser preso, perguntou a Moraes, sem qualquer constrangimento, “acha que segunda já tenho que estar fora?” — numa clara tentativa de antecipar sua fuga do país — e a mensagem de gratidão enviada horas depois de um encontro na casa do próprio banqueiro: “Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda a minha família, funcionários, parceiros e amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família”.

“Dívida de vida”, nesse caso, não soa como uma carta-testamento à la Getúlio Vargas, tampouco carrega a grandiloquência histórica de uma despedida solene. Pelo contrário, é o retrato cru do homem que tratava um ministro do Supremo Tribunal Federal como seu jurisconsulto pessoal.

O consenso da vergonha

Se há uma métrica que resume o tamanho do estrago, é a velocidade e a amplitude com que a imprensa brasileira — inclusive setores historicamente favoráveis ao ministro — reagiu.

Na terça-feira, em editoriais publicados quase simultaneamente, o Estadão declarou que Moraes “não tem mais condições de seguir” no STF; a Folha de S.Paulo, em texto intitulado “A Moraes cabe a renúncia”, afirmou não haver “mais lugar” para o ministro na Corte e defendeu a renúncia como solução “mais digna e rápida”; a Gazeta do Povo foi além, defendendo a abertura imediata de impeachment.

Até O Globo — dificilmente suspeito de simpatia pela direita — cobrou explicações “convincentes” e questionou se caberia a Moraes esclarecer quem seriam o “Andrei” e o “Paulo” citados nas mensagens de Vorcaro, numa referência mal disfarçada ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Não é pouca coisa que quatro dos principais jornais do país — em posições historicamente distintas quanto ao papel do STF na vida nacional — convirjam, no mesmíssimo dia, para a mesma conclusão prática. Quando Estadão, Folha, Gazeta do Povo e O Globo discordam sobre quase tudo, menos sobre isso, é porque não sobrou mais espaço para narrativas frívolas.

A política também reagiu — e o número é constrangedor

No Congresso, o desconforto atingiu um patamar que o próprio presidente do Senado já não consegue mais disfarçar como rotina. Também na terça-feira, Davi Alcolumbre reconheceu publicamente que tramitam 109 (!!!) pedidos de impeachment contra ministros do STF, boa parte deles direcionados a Moraes — “isso não é normal”, admitiu, ainda que tenha evitado comentar diretamente as revelações mais recentes, o que é sintomático da relação pouco republicana entre os atores das duas Casas.

No mesmo dia, a senadora Damares Alves anunciou novo pedido de afastamento, somando-se a outros protocolados horas antes. Flávio Bolsonaro declarou que “não dá mais para se omitir”. O partido Novo apresentou notícia-crime contra o ministro. E parlamentares de oposição foram além, cobrando também a demissão do diretor-geral da PF.

Mesmo Renan Santos — cuja própria candidatura foi suspensa pelo TSE em decisão de Dias Toffoli — não perdeu a oportunidade de declarar, com a autoridade de quem sofreu na pele o outro lado dessa mesma balança desequilibrada, que “Moraes tem de ser preso”.

O fim, quando finalmente chega

Não é exagero, nem sequer entusiasmo político prematuro, dizer que Alexandre de Moraes chegou ao fim da linha. O que temos hoje não é mais suspeita, insinuação ou teoria — é um contrato editado pelas próprias mãos do ministro, uma segunda e multimilionária relação financeira paga em jatos e helicópteros, mensagens de um banqueiro em pânico buscando proteção junto ao mais poderoso magistrado do país e uma imprensa nacional, da esquerda à direita, unida na conclusão de que essa permanência tornou-se insustentável.

Resta saber se, desta vez, as instituições terão a coragem de extrair as consequências óbvias dos fatos que elas mesmas documentaram — ou se a história vai se repetir, com a mesma “pizza” de sempre sendo servida, quentinha, generosa e repugnante, no plenário do partido-corte.

A resposta que a decência exige já é conhecida. O que ainda não se sabe é se a Corte e o Congresso terão coragem de entregá-la.

*Marlon Reguelin é empreendedor. 









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