Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

-

CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Sapucaí, palanque e dois pesos na lei eleitoral

   Bernardo Santoro


O desfile da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí foi uma manifestação política explícita, televisionada para todo o país, exaltando o presidente Lula em pleno ciclo pré-eleitoral.

A aplicação seletiva da lei eleitoral conforme conveniências políticas e preferências institucionais virou a regra.

Os elementos vistos no desfile seriam suficientes, em qualquer outro contexto, para gerar punição de inelegibilidade.

Exaltação direta do chefe do Executivo em exercício pleno do mandato e presente na festa, repetição de símbolos associados ao PT, uso reiterado do número 13, ataque direto ao adversário político Bolsonaro com a alusão ao palhaço, Bozo preso, tudo financiado por recursos públicos destinados ao carnaval.

Se propaganda eleitoral antecipada consiste em promover liderança política fora do período legal, se mensagens inequivocamente eleitorais podem caracterizar pedido de voto e se abuso de poder político ocorre quando estruturas públicas favorecem determinado projeto político, então o que se viu ontem reúne, simultaneamente, esses três elementos.

Compare-se isso com o julgamento que tornou Jair Bolsonaro inelegível em 2023.

Não houve pedido de voto. Não houve campanha. Não houve promoção eleitoral direta. Houve uma reunião institucional com embaixadores estrangeiros na qual o então presidente expressou críticas ao sistema eleitoral, o que é inerente ao debate público em uma democracia.

Ainda assim, o TSE transformou o episódio em abuso de poder político, reinterpretando a lei para produzir uma sanção máxima. Ampliou-se o conceito de abuso para alcançar uma conduta que, até então, jamais havia sido tratada como causa de inelegibilidade.

A mensagem transmitida pela Globo ontem em rede nacional é que há duplo padrão do poder vigente na hora de se aplicarem regras eleitorais. Aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei eleitoral.










publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/sapucai-palanque-e-dois-pesos-na-lei-eleitoral/

A maior ressaca da Terra,

 por Guilherme Fiuza


— E aí, curtiu o desfile? 

— Desmaiei. 

— Uau! De emoção? 

— Não. De vergonha. 

— Vergonha de quê? 

— Sei lá. Me deu um negócio esquisito na hora. Eu tava super animado pra entrar na avenida, mas no que a coisa começou, me deu um revertério. 

— Muito calor. 

— Demais. Estranho é que calor em geral não dá vergonha, né? 

— Não. Pode até desidratar, mas nunca vi ninguém desmaiar de vergonha por causa do calor. 

— Esquisito mesmo. No que comecei a cantar aquele “olê, olê, olê, olá” da homenagem, escureceu tudo. 

— Teve blecaute na avenida? 

— Não. Mas pra mim ficou tudo preto. Como se fosse uma sombra pesada, sabe? 

— Eu, hein. Filme de terror. 

— Exatamente isso. Terror. 

— De onde você acha que veio essa alucinação?

— Parecia uma sombra do passado. E não tinha cara de alucinação. A sensação era muito real. 

— Trauma de vidas passadas? 

— Acho que era dessa vida mesmo. A sensação era de que eu estava roubando os outros. 

— Roubando?! Como assim? Não vai me dizer que você já participou de algum assalto. 

— Claro que não. Por isso eu fiquei completamente tonto. De repente, me senti um assaltante, sem nunca ter assaltado ninguém.

 — Quer o telefone de um psiquiatra?

 — Acho que não vai resolver. 

— Por quê?

— Psiquiatra sabe apagar o passado? 

— Acho que não.

— Então não adianta. Tenho a impressão de que fui cercado por fantasmas. Eles vieram me trazer notícias de um passado comprometedor. 

— Que tipo de fantasma? Da ditadura? 

— Fantasma da democracia. 

— Existe isso? 

— Existe. Fantasma da democracia de fachada. E da censura dissimulada. E da roubalheira desenfreada. 

— São vários fantasmas, então.

— Sim. Mais do que você imagina. Tem também o fantasma da mentira oficial. E o da perseguição aos opositores. E o do conluio com a imprensa. E o dos bajuladores de picaretas. 

— Bajuladores de picaretas? 

— Isso. Acho que foi esse que me fez desmaiar de vergonha. Parecia que eu estava me olhando no espelho.

— Que loucura. Bom, estimo as suas melhoras. 

— Obrigado.

— Enquanto isso, tome todas as precauções para evitar uma recaída. 

— Que precauções?

— Tire todos os espelhos de casa.










publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/02/a-maior-ressaca-da-terra-por-guilherme.html


FRACASSO EM SAMBA E VERSO

 gilbertosimõespires/pontocritico


MODO PETISTA DE GOVERNAR

Mais do que sabido, a partir de 2003, quando LULA foi eleito pela primeira vez para comandar o Poder Executivo do Brasil, em muito pouco tempo o mundo todo percebeu, compreendeu e comprovou que o -MODO PETISTA DE GOVERNAR- sempre teve como -FOCO PRINCIPAL E SECUNDÁRIO- a PRODUÇÃO DE MAZELAS do tipo que misturam, em doses cavalares, ALTA CORRUPÇÃO, MÁ ADMINISTRAÇÃO, INCOMPETÊNCIA, INFORTÚNIOS, ROMBOS NAS CONTAS PÚBLICAS etc., com reflexos SOCIAIS ECONÔMICOS INCALCULÁVEIS.


PROSPERIDADE PETISTA

Em meio ao processo de convencimento -palpável, paulatino e inequívoco- do quanto o MODO PETISTA DE GOVERNAR tem sério compromisso com a DESTRUIÇÃO, A CORRUPÇÃO E A ROUBALHEIRA, muita gente, com cara de espanto, acabou por descobrir, enfim, que a PROSPERIDADE, sob a ótica dos PETISTAS, tem -COMPROMISSO ETERNO COM O INSUCESSO-, ou seja, com a OBTENÇÃO DE RESULTADOS TRÁGICOS E/OU INSUSTENTÁVEIS A MÉDIO E LONGO PRAZO.   


FRACASSO EM SAMBA E VERSO

Ainda assim, partindo do princípio de que -TUDO TEM LIMITE-, nem mesmo os mais resistentes, do tipo que apoiam o FUNESTO IDEÁRIO PETISTA, imaginavam que o -MODO PETISTA DE GOVERNAR-, acabaria, por óbvio, levando - A ESCOLA DE SAMBA - ACADÊMICOS DE NITERÓI- ao inevitável -REBAIXAMENTO PARA O GRUPO DE ACESSO-.  Como se vê, tudo que LULA e o PT tocam, se envolvem, participam e elegem, resultam sempre em estrondosos FRACASSOS. Vide, por exemplo, as ESTATAIS, que ano após ano acumulam prejuízos cada vez maiores.  


O POVO É O GRANDE FRACASSADO

Pois, para deixar bem claro que, NA REAL, o maior FRACASSADO É O POVO BRASILEIRO, pois a Escola de Samba ACADÊMICOS DE NITERÓI recebeu R$ 9,6 MILHÕES EM VERBA PÚBLICA (DINHEIRO DOS PAGADORES DE IMPOSTOS) para realizar seu desfile. Os pagamentos vieram da PREFEITURA DE NITERÓI, DO GOVERNO DO ESTADO DO RJ, DO GOVERNO FEDERAL, POR MEIO DA EMBRATUR, E DA PREFEITURA DO RJ, VIA RIOTUR. Mais: o governo federal, leia-se LULA e JANJA, se envolveu diretamente com o desfile.
















publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/fracasso-em-samba-e-verso

FAB decreta sigilo de 5 anos sobre voos de Hugo Motta, moleque de recado da dupla medonha lula-moraes

  Aeronáutica aplica classificação de informação reservada às despesas da viagem do presidente da Câmara ao litoral fluminense


A Força Aérea Brasileira (FAB) determinou a classificação como informação reservada por cinco anos dos custos operacionais do voo que levou o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), de João Pessoa (PB) até Angra dos Reis (RJ), onde passou o réveillon com aliados e equipe. 

A decisão foi tomada com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) e divulgada por órgãos de imprensa após pedido formal de dados. 

O deslocamento ocorreu na manhã de 26 de dezembro de 2025, com decolagem da capital paraibana e pouso no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, no início da tarde do mesmo dia. 

Onze passageiros embarcaram na aeronave militar requisitada para o transporte. 

Embora a FAB tenha mantido sob reserva os valores totais relacionados a combustível, manutenção e demais custos operacionais do voo, a Aeronáutica informou que as diárias pagas à tripulação somaram juntos R$1.580, valor divulgado via resposta à LAI por se tratar de deslocamento interno no território nacional. 

A lista completa de passageiros que integraram a comitiva de Motta no voo também segue sob sigilo. 

A Câmara dos Deputados justificou a não divulgação desses nomes alegando que o uso de aeronaves oficiais em deslocamentos de autoridades envolve “questões de segurança institucional”, o que, segundo a Casa, impõe a necessidade de classificação de sigilo para proteger rotas, calendários e a própria segurança dos ocupantes. 

Durante o período de festas, Motta e aliados permaneceram hospedados em imóvel alugado em condomínio de alto padrão na região do Frade, em Angra dos Reis, conhecido por oferecer estrutura de lazer com acesso privativo a áreas naturais, como trilhas e cachoeiras. 

A legislação que rege o uso de aeronaves da Força Aérea prevê que autoridades podem requisitar voos oficiais quando houver justificativa relacionada à segurança e à eficiência do deslocamento. 

A classificação de informações como reservadas por prazo determinado  (cinco anos, no caso) é prevista pela própria LAI quando a liberação de dados possa comprometer algum aspecto de proteção institucional. 

A decisão de manter sob sigilo os elementos financeiros e a relação de passageiros motivou questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU), com a abertura de procedimento que busca a divulgação das informações completas. 

Até o momento, no entanto, o sigilo determinado pela Aeronáutica permanece em vigor.

Com informações doe Pedro Taquari - Diário do Poder











publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/02/fab-decreta-sigilo-de-5-anos-sobre-voos.html

'Lulopetismo rebaixado',

 por Adalberto Piotto   A esquerda consegue destruir tudo o que toca. Nem o Carnaval resistiu


Quando, no final da noite do domingo, 15 de fevereiro de 2026, a Acadêmicos de Niterói entrou na Avenida Marquês de Sapucaí para abrir o primeiro dia do desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro com uma homenagem a Lula, o Carnaval do Rio já não seria mais o mesmo. De “o maior espetáculo da Terra”, tinha sido transformado em mero palanque eleitoral. E protagonizado por uma escola ainda sem expressão, que acabara de ascender à elite da avenida. Recorrendo ao melhor das tradições carnavalescas do passado, resumiu-se a um enorme “cordão dos puxa-saco”, aquele que cada vez aumenta mais. Original de 1945 e composta por Roberto Martins e Frazão, a marchinha que retrata a bajulação desavergonhada não poderia ser mais atual. 

O Carnaval é do povo, é livre e costuma fazer piada com a política e os políticos, jamais incensá-los. Lula e a esquerda subverteram esse espírito e, no caso do Rio, tiraram o protagonismo das outras escolas com seus milhares de integrantes que trabalham durante um ano inteiro para mostrar apoteoticamente um desfile que chama a atenção do mundo. Ao apostar no uso político do desfile para benefício próprio, a esquerda e o governo anteciparam a eleição com todas as suspeitas de abuso de poder político e econômico, e muito pouca gente falou dos demais enredos e apresentações. 

As consequências eleitorais são inequívocas, agravadas pelo uso do dinheiro público e da máquina do Estado, que entrou em funcionamento para permitir que o presidente estivesse no sambódromo não para prestigiar uma festa popular, mas para ver um desfile de culto à sua imagem no pior estilo de ditadores africanos, de Kim Jong-un, da Coreia do Norte, ou de Maduro, da Venezuela, hoje preso por tráfico de drogas e acusado de financiar partidos de esquerda ligados ao Foro de São Paulo, criado por Lula.

Se o TSE será rigoroso o suficiente, não se sabe. Há muito, a Justiça deste país é imprevisível para a própria lei. Para Bolsonaro, uma reunião com embaixadores — prerrogativa do presidente da República — e um discurso depois do 7 de Setembro foram considerados gravíssimos pelo Tribunal e o ex-presidente hoje está inelegível. Como então deveria o TSE classificar um desfile de autopromoção pessoal com uso de dinheiro público, bandeiras partidárias do governo, críticas a opositores e menosprezo a religiosos visto por milhões em rede nacional? Independentemente do que fará a corte eleitoral — é preciso cobrar isonomia dela — fato é que o cidadão do país inteiro reconhece quando ele é feito de tolo com o dinheiro dele próprio. 

E aí o governo atual, antes soberbo pela homenagem “como nunca na história deste país”, entrou em modo desespero porque a estratégia deu errado. O caso em si pode ser dividido em três campos de repercussão: a questão jurídica, a repercussão na imprensa — antes dócil a Lula — e a político-eleitoral, do comportamento do eleitor, aquele que decide eleição. O primeiro depende de quão técnico, independente e isonômico será o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, o TSE é presidido pela ministra Cármen Lúcia, a da “censura até segundafeira” ao filme da Brasil Paralelo, proibido de ser lançado, num ato de censura prévia grotesca e inconstitucional até as vísceras. No caso do desfile da escola de Niterói, a Corte rejeitou uma liminar que pretendia barrar o desfile. 

Na defesa da liminar apresentada inicialmente pelo Partido Novo, o argumento era o de que, se a escola desfilasse com inegável propaganda a Lula, o dano poderia ser irreparável. Transmitido pela Rede Globo com alcance nacional de milhões de espectadores, além dos milhares in loco e de toda a repercussão, se a “homenagem” desse certo, um candidato — e Lula já deixou claro que pretende concorrer à reeleição em outubro — teria tido enorme exposição em detrimento dos concorrentes.












publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/02/lulopetismo-rebaixado-por-adalberto.html

publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/02/lulopetismo-rebaixado-por-adalberto.html

Supremo pode ter descoberto quem vazou reunião secreta, mas tomou decisão drástica! Veja!

 andrémarsiglia/youtube


Supremo pode ter descoberto quem vazou reunião secreta, mas tomou decisão drástica! Veja!


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=8ntNzFWO3uY

DESUMANO: servidora alvo de Moraes ficou em cadeia de homens por 4 horas!

 deltandallagnol/youtube


DESUMANO: servidora alvo de Moraes ficou em cadeia de homens por 4 horas!

clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=FgckoKbhAAs

FANTASMA DA LAVA-JATO: Odebrecht deixa dívida bilionária para você pagar!

 rubinhonunes/youtube


FANTASMA DA LAVA-JATO: Odebrecht deixa dívida bilionária para você pagar!

clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=oS5iF4ySDPc

Janja 'some' após vexame no carnaval e faz desembarque relâmpago na Coreia antes de Lula

 revistaoeste/youtube


Janja 'some' após vexame no carnaval e faz desembarque relâmpago na Coreia antes de Lula

clique no link abaixo e assista

A Receita Federal odeia esse vídeo

 jduartemoney/instagram


A Receita Federal odeia esse vídeo



sábado, 21 de fevereiro de 2026

'O Brasil e a carnavalização permanente',

  por Flávio Gordon  “Mamãe, eu quero mamar” é a marchinha rotineira dos próceres da República de Tayayá


“Tudo isso se combina para preparar o terreno para a pompa ruidosa de pseudofestas a serem celebradas ao comando de qualquer despotismo.” (Josef Pieper, Em sintonia com o mundo: uma teoria da festividade)


N ão culpo o leitor que, porventura, atribua a causa desta coluna sobre o Carnaval brasileiro à rabugice e ao envelhecimento precoce do autor. Por um lado, como é de hábito natural, não há dúvida de que estou ficando mais velho. Por outro, tampouco há dúvida de que, assim como até mesmo o mais otimista dos cidadãos, ando um tanto quanto rabugento com a degradante situação sociopolítica nacional. Ainda assim, contudo, posso garantir que minha abordagem do tema não decorre do meu estado de espírito. 

Não é de hoje que o brasileiro se orgulha de sua vocação festiva. Eu mesmo, quando jovem e solteiro, já tive minha fase carnavalesca. Não há aqui, portanto, nenhuma diatribe contra a festa e a alegria. Muito pelo contrário. O problema não reside na alegria — essa disposição fundamental da alma que afirma o ser —, mas na mutação espiritual que a converte em estímulo incessante, em necessidade de excitação contínua, como se o silêncio fosse uma ameaça e o recolhimento, uma forma de fracasso, quase um ato de impiedade. 

Como, aliás, já observei em uma coluna antiga sobre o mesmo tema, o que tem me chamado a atenção no Carnaval no Brasil de hoje é justamente a sua aparência menos alegre e mais extática, como se se tratasse de uma necessidade desesperada de escape. O que outrora era intervalo ritualizado tornou-se uma atmosfera permanente, e o que antes funcionava como inversão temporária converteu-se em paradigma cultural. Falta ao folião contemporâneo a virtude que, sempre inspirado em Aristóteles, São Tomás de Aquino chamava de eutrapelia — o uso moderado do divertimento. 

Historicamente, o Carnaval encontrava sua inteligibilidade no contraste com a Quaresma. A exuberância precedia o jejum; o riso, o exame de consciência; o excesso, a disciplina. A desmedida possuía contorno, e exatamente por isso educava, ao reconhecer tacitamente um limite. A inversão ritualizada das hierarquias — o servo que zombava do senhor, o grotesco que ridicularizava o solene, o homem que se vestia de mulher — durava alguns dias, apenas o suficiente para reafirmar, ao término da folia, a estrutura da ordem. 

O riso, quando enquadrado, fortalecia aquilo que parecia subverter. Mas quando o intervalo se torna permanente, já não há contraste que eduque, nem retorno que reordene. Uma sociedade não pode permanecer saudável quando o rito se converte em rotina. É justamente o que o Brasil fez com o Carnaval. “Mamãe, eu quero mamar” — não é mais um refrão sazonal, mas a marchinha rotineira dos próceres da República de Tayayá.

Quando se suprime o contraste, suprime-se também o sentido. Em sua meditação sobre a festa, o filósofo Josef Pieper recorda que ela não é mera explosão de energia coletiva, mas afirmação jubilosa da realidade enquanto criação. Celebrar é dizer “sim” ao mundo; é reconhecer, ainda que simbolicamente, que o ser é bom e digno de gratidão. A festa nasce do culto e a ele retorna; é derivada, não autossuficiente. Quando se emancipa dessa moldura ontológica, deixa de celebrar algo que a transcenda e passa a celebrar a si mesma, fechando-se num circuito autorreferente, degradando-se em entretenimento vulgar e daí ao puro hedonismo niilista. 

O Carnaval brasileiro contemporâneo, com toda a sua grandiosidade financeira, tecnológica e midiática, parece ilustrar essa rarefação simbólica: conserva a escala, mas perde a densidade; mantém o volume, mas dissipa o horizonte. Sem Quaresma — não apenas no calendário litúrgico, mas na consciência moral coletiva —, a festa deixa de ser prelúdio e converte-se na ordem social permanente. O excesso já não aponta para purificação alguma, mas limita-se à repetição infinita, convertendo-se em tautologia.

 Resta que esse deslocamento não permanece confinado às avenidas. Infiltra-se na própria forma da vida pública. O episódio do desfile da Acadêmicos de Niterói, financiado com recursos públicos e transformado em homenagem explícita ao mandatário da República, que ali compareceu como figura central da alegoria, não é apenas um crime eleitoral flagrante, mas também um sintoma da nossa carnavalização institucional. 

A oposição anuncia medidas judiciais, por óbvio, mas o tribunal eleitoral companheiro — no qual as togas viraram meros adereços — provavelmente fará o que vem fazendo desde, ao menos, 2022: agir politicamente e favorecer descaradamente o seu próprio partido. Deve-se, contudo, registrar para a posteridade o significado simbólico da cena: o governante convertido em enredo, o poder transfigurado em espetáculo, a cultura absorvida pela coreografia do aplauso.

Não é difícil reconhecer, sob o brilho carnavalesco dos trópicos, uma lógica antiga: aquela em que o Estado e a representação estética se fundem numa pedagogia de exaltação. Regimes totalitários do século 20 — de signos ideológicos distintos, quer fascistas, quer comunistas — compreenderam muito bem o poder da encenação pública como instrumento de legitimação. Nunca se elaborou tanto a liturgia do poder como durante esses regimes, modus operandi ora copiado pelo regime PT-STF-Globo. O que antes era sátira, converteu-se em consagração. Enquanto o carnaval tradicional ridicularizava o poder, o Carnaval do regime PT-STF-Globo o instrumentaliza e exalta.

Essa inversão revela algo mais profundo do que um mero abuso de poder político. O grosseiro crime eleitoral cometido traduz uma cultura que já não distingue com nitidez entre representação e propaganda, entre celebração e mobilização, entre arte e aparato. Nessa cultura, tudo é performance, e nada é propriamente sério, uma vez que a seriedade exige forma e contorno. Tudo vira palco, e a própria República se converte em sambódromo. 

E é claro que, numa cultura que celebra sem penitência, os donos do poder tendem a governar sem contenção. Sem Quaresma — isto é, sem um limite reconhecido e interiorizado —, a festa degenera em vertigem e a política, em espetáculo permanente de pilhagem, brutalidade e escárnio. O hedonismo cultural encontra seu espelho na concupiscência institucional, não apenas na forma grosseira da corrupção, mas na erosão difusa do senso de responsabilidade, na incapacidade de reconhecer que o poder, como o riso, precisa de moldura. 

Talvez o traço mais inquietante de nosso Carnaval não seja, portanto, o excesso em si, mas a ausência de horizonte que o justifique. Ele explode, consome e se dissipa, deixando atrás de si não purificação, mas fadiga; não o silêncio dos satisfeitos, mas a expectativa ansiosa pela próxima explosão orgiástica, como um vício que já não produz euforia, apenas dependência. O mesmo se pode dizer de uma política que vive de narrativas grandiloquentes e de encenações simbólicas, enquanto a substância administrativa se dilui e a representatividade colapsa. 

Nada dessa constatação implica qualquer nostalgia de uma ordem ascética ou hostilidade à alegria. A verdadeira alegria, ao contrário da excitação, supõe forma. Ela não precisa de volume para afirmar-se. É possível que uma cultura que perdeu a capacidade de silêncio também tenha perdido a capacidade de júbilo — restando-lhe apenas a compulsão pela algazarra. 

Sem Quaresma, o Carnaval degenera em vertigem. Sem limite, a política degenera em espetáculo. Uma civilização pode sobreviver a crises econômicas e disputas ideológicas; o que dificilmente sobrevive é à dissolução do senso de limite. Sem limite, não há forma; sem forma, não há ordem; e sem ordem, a liberdade torna-se apenas palavra repetida em meio a um ruído que é tanto compulsivo quanto compulsório.

Quando a festa não celebra mais uma realidade reconhecida como boa, ela tende a converter-se em compensação. E a compensação, diferentemente da celebração, carrega sempre um traço de tensão. Talvez por isso o êxtase carnavalesco brasileiro, tanto nas avenidas quanto nos palácios, raramente se pareça com contentamento. Ele se aproxima mais de uma catarse. Como se o país inteiro estivesse tentando, por alguns dias — ou permanentemente — esquecer algo que não consegue nomear. 

Esse algo — um mal-estar fantasiado — pode ser simplesmente a ausência de fundamento. Uma sociedade que perdeu o vínculo com qualquer horizonte transcendente tende a oscilar entre a tecnocracia fria e o hedonismo ruidoso ou, o que é pior, a misturar os dois registros, transformando a administração pública em farra. 

A verdadeira festa, lembra Pieper, é sempre um “sim” ao mundo. Quando esse “sim” se esvazia, resta apenas o eco, sonoro e estridente, de uma afirmação não formulada. Mas o som, por mais estrondoso, pode até abafá-lo na consciência nacional, mas jamais substitui o sentido. 


Flávio Gordon - Revista Oeste


















publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/02/o-brasil-e-carnavalizacao-permanente.html

Vitimismo: a nova arma intimidatória de togados desmoralizados

  Judiciário em Foco 


Você não confia na sua Suprema Corte?”. Em plena Lava-Jato, a pergunta foi formulada pelo ex-ministro Marco Aurélio Mello ao jornalista Nêumanne Pinto durante programa televisivo onde se debatia a eficiência do judiciário. A resposta negativa do periodista surpreendeu o togado, cuja natureza retórica da indagação era verniz de hipocrisia para encobrir o mandamento de que “você não pode deixar de confiar na sua Suprema Corte”. O ovo da serpente da restrição oficial ao direito à desconfiança viria a eclodir em breve, dando lugar a um serpentário repleto de venenos.

Na semana que passou, togados desperdiçaram tempo de sessão e, em vez de se aterem ao exame da constitucionalidade da resolução do CNJ objeto do julgamento, se derreteram em queixumes sobre as vedações impostas à magistratura. Após ser categórico em afirmar que “não há nenhuma carreira pública com tantas vedações como a magistratura”, Alexandre de Moraes colou os rótulos de ignorância e/ou má fé às condutas daqueles que, em suas palavras, “demonizariam” palestras conferidas por togados. Em dueto desafinado com seu par, Toffoli complementou que juízes cujos parentes fossem proprietários de negócios ou de fazendas – seria alusão inconsciente ao Tayayá? – disporiam da prerrogativa de perceber dividendos dos empreendimentos familiares. Os dois togados mais diretamente envolvidos no escândalo do caso Master extrapolaram na inconsistência argumentativa e no cinismo e mostraram o fígado a seus críticos da imprensa e da sociedade civil em geral. Parafraseando o seu próprio jargão “democrático”, ambos disseminaram desinformação e escancararam seu lado animalesco mais irracional ao partirem para a agressão contra uma coletividade indeterminada de indivíduos que incorram na “ousadia” de questioná-los.

Contudo, tanto a Constituição quanto a lei desmentem a narrativa da dupla. Basta uma rápida leitura da Lei Orgânica da Magistratura para se chegar à conclusão de que, longe de ser o martírio retratado por Moraes e Toffoli, o ofício judicante, entre nós, é cercado por um extenso rol de garantias e prerrogativas que recheiam nove artigos da LOMAN (incluindo a impossibilidade de demissão e de redução nos vencimentos!), enquanto os deveres inerentes ao cargo são contemplados em minguados três artigos. No Brasil, as vedações a magistrados abrangem tão somente o exercício de atividades comerciais e político-partidárias e a manifestação de opiniões sobre processos em curso, ou seja, a abstenção de condutas naturalmente incompatíveis com a imparcialidade esperada de togados.

A lei não exige sacrifícios, mas apenas a distância do magistrado dos universos dos atos de comércio e da política como contrapartida mínima ao enorme poder de ser a boca da lei para dizer o direito e de determinar o que cabe a cada parte litigante. Aliás, as parcas exigências impostas à magistratura não constituem qualquer fator inibidor do interesse dos operadores do direito pelo ofício. Tanto assim é que milhares de candidatos afluem aos concursos para o preenchimento de vagas em primeira instância, enquanto inúmeros advogados e promotores se empenham na busca pela inclusão de seus nomes nas listas do quinto constitucional aos tribunais estaduais e tribunais regionais federais. No âmbito das cortes superiores, onde as nomeações assumem caráter predominantemente político, todos nós acompanhamos a bajulação e as romarias dos “candidatos” aos gabinetes em esforços mais que hercúleos para convencerem os caciques de plantão a ungi-los às cortes. Que estranha carreira é essa que, apesar da quantidade ímpar de vedações, exerce fascínio cada vez maior junto aos nossos juristas?

Quanto às palestras aludidas por Moraes como sendo supostamente “demonizadas”, ninguém poderia, em sã consciência, reprovar a mera disseminação de conhecimentos jurídicos por juízes. Afinal, se a própria LOMAN é inequívoca ao autorizar o exercício do magistério em paralelo à atividade judicante, não faria qualquer sentido torcer o nariz ao ensino, por togados, da doutrina e da jurisprudência brasileiras, inclusive sob o formato de palestras.

O que se critica, com pleno conhecimento de causa e de boa fé, é a realização de encontros entre magistrados e seus jurisdicionados – em sua maioria, empresários nada interessados em matéria jurídica! -, em eventos de luxo bancados ou, pelo menos, patrocinados por partes envolvidas em ações de grande porte sob a jurisdição dos tais togados palestrantes. Longe do que pretende Moraes, a má fé reside na omissão de operadores do direito e jornalistas diante da promiscuidade pornográfica entre os que julgam e os que são julgados, em conversas ao pé do ouvido durante convescotes promovidos no exterior, longe da publicidade e da transparência esperadas das relações entre servidores públicos e usuários da justiça estatal.

Em um passado recente, a crítica mencionada no introito deste texto rendeu ao jornalista tão somente um comentário irônico do então ministro, que disse nele enxergar os atributos de um “bom corregedor”. Hoje, os togados que ora se vitimizam para vociferarem agressões contra a mídia dificilmente admitiriam que o periodista chegasse à metade de sua frase; é quase certo que, antes disso, já o tivessem calado, decretado sua inclusão no Inquérito das Fake News ou até ordenado sua prisão em um pretenso “flagrante” de tentativa de abolição do estado.

Nossa sociedade civil vê suas liberdades à míngua precisamente devido à incapacidade sistêmica de impor a juízes o respeito às vedações funcionais. Enquanto togados politiqueiros e suspeitos de envolvimento em negócios milionários com “suas” partes atuam à sombra da impunidade, profissionais da imprensa e demais indivíduos são cada vez mais intimidados em seu direito fundamental à crítica. Embora nós não confiemos em nossa suprema corte, poucos são aqueles que verbalizam a dimensão do descrédito do nosso sistema judiciário. O pacto implícito de silêncio só será rompido se e quando políticos voltarem a ser políticos para exigirem que togados “retornem à casinha”. Nesse ínterim, seguiremos sob o império do medo e da insegurança jurídica.








Judiciário em Foco

Katia Magalhães é advogada formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e MBA em Direito da Concorrência e do Consumidor pela FGV-RJ, atuante nas áreas de propriedade intelectual e seguros, autora da Atualização do Tomo XVII do “Tratado de Direito Privado” de Pontes de Miranda, e criadora e realizadora do Canal Katia Magalhães Chá com Debate no YouTube.













publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/vitimismo-a-nova-arma-intimidatoria-de-togados-desmoralizados/

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More