Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

terça-feira, 23 de junho de 2026

O que o governo fez com o nosso dinheiro?

 Adriana Silvestre


Murray N. Rothbard, em O Que o Governo Fez com o Nosso Dinheiro? (1. ed. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2013, 105 páginas), apresenta uma introdução às ideias da Escola Austríaca sobre moeda, inflação, crédito e intervenção estatal. Ao longo da obra, o autor desenvolve uma crítica ao sistema monetário moderno e sustenta que muitos problemas econômicos decorreriam do afastamento do dinheiro de uma base considerada “real”, especialmente após o abandono do padrão-ouro.

O livro organiza sua argumentação a partir de temas como a origem do dinheiro nas trocas voluntárias, a evolução histórica da moeda, o papel dos bancos, os efeitos da inflação e a influência do Estado sobre o sistema monetário. Rothbard procura demonstrar que o dinheiro não teria surgido por imposição estatal, mas das próprias relações de troca estabelecidas entre indivíduos. Nesse contexto, defende que a liberdade econômica seria mais capaz de gerar ordem do que a intervenção governamental. A frase “a liberdade é mãe, e não filha, da ordem” (ROTHBARD, 2013, p. 45) sintetiza de maneira bastante clara uma das ideias centrais da obra.

Nos capítulos iniciais, destaca-se a discussão sobre trocas diretas e indiretas e sobre a forma como o dinheiro surge como facilitador dessas relações. A afirmação de que “a troca é a força vital não apenas da economia, mas da própria civilização” (ROTHBARD, 2013, p. 14) amplia a compreensão do fenômeno econômico para além de um aspecto meramente técnico. Outro elemento importante é a noção de valor subjetivo, segundo a qual o valor não estaria no objeto em si, mas na importância que ele assume para cada indivíduo. A partir dessa perspectiva, o autor constrói sua defesa de uma moeda menos sujeita à intervenção estatal.

Entretanto, foi principalmente a discussão sobre inflação e sistema bancário que despertou reflexões mais profundas ao longo da leitura. Rothbard argumenta que a expansão monetária produz distorções econômicas, cria “lucros ilusórios”, altera preços e afeta grupos sociais de maneira desigual. Mais do que um fenômeno abstrato relacionado apenas ao dinheiro, a inflação aparece como algo capaz de influenciar comportamento, consumo, planejamento e percepção de segurança.

Esse ponto parece especialmente relevante porque desloca a discussão econômica para uma dimensão mais humana e subjetiva. Pensar a inflação apenas como aumento de preços parece insuficiente diante dos efeitos emocionais e psicológicos que ela pode produzir. A instabilidade monetária pode gerar insegurança, dificuldade de planejamento, medo do futuro e mudanças significativas na forma como as pessoas tomam decisões. Em cenários de incerteza econômica, muitas vezes o indivíduo passa a consumir, economizar ou se endividar não apenas por necessidade objetiva, mas também movido por medo, sensação de escassez ou tentativa de proteção.

Sob essa perspectiva, a obra estabelece uma conexão interessante com a psicologia ao evidenciar como fenômenos econômicos também afetam subjetividade, comportamento e qualidade de vida. A inflação não altera somente preços; ela interfere na previsibilidade, na sensação de estabilidade, na percepção de risco e na organização da vida cotidiana. Isso ajuda a compreender por que crises econômicas frequentemente produzem ansiedade, tensão familiar, insegurança e mudanças na maneira como as pessoas enxergam o futuro.

Outro aspecto que provocou reflexão foi a ideia de prosperidade aparente. Em determinados contextos, ganhos financeiros podem transmitir uma sensação temporária de crescimento, enquanto perdas menos visíveis, relacionadas ao poder de compra, à estabilidade e à segurança econômica, continuam ocorrendo. A experiência brasileira de hiperinflação nas décadas de 1980 e início dos anos 1990 contribui para concretizar parte dessas preocupações apresentadas pelo autor, especialmente ao demonstrar como a instabilidade monetária impacta não apenas indicadores econômicos, mas também a vida prática e emocional da população.

Ao mesmo tempo, embora a crítica de Rothbard seja consistente dentro da tradição austríaca, a obra representa uma perspectiva específica e não consensual. Outras correntes econômicas compreendem o crédito, a moeda e a atuação estatal de maneira distinta, inclusive considerando políticas monetárias e fiscais como instrumentos importantes para a estabilização econômica e para o enfrentamento de crises. Nesse sentido, a tradição keynesiana oferece um contraponto relevante ao defender maior participação do Estado em determinados contextos econômicos.

Um dos méritos do livro está justamente em provocar esse contraste entre diferentes formas de interpretar a economia e em estimular uma postura mais crítica diante de ideias frequentemente tratadas como definitivas. A leitura não precisa ser tomada como verdade absoluta para ser relevante. Talvez um de seus maiores méritos esteja exatamente na capacidade de gerar questionamentos e ampliar a reflexão sobre dinheiro, crédito, intervenção estatal e comportamento humano.

Considero a obra especialmente relevante para estudantes, profissionais das áreas humanas, empreendedores e leitores interessados em compreender, de forma mais crítica, temas relacionados a moeda, inflação e papel do Estado. Para a psicologia, o texto também oferece um diálogo particularmente rico ao mostrar como insegurança econômica, percepção de risco e instabilidade financeira influenciam emoções, comportamento e tomada de decisão.

Nesse sentido, trata-se de uma leitura recomendada não como resposta definitiva para os problemas econômicos, mas como convite à reflexão crítica sobre dinheiro, segurança, prosperidade e organização social. Ao final da leitura, permaneceu uma questão que considero central: até que ponto nossas percepções sobre dinheiro, estabilidade e prosperidade são realmente construídas a partir de análise consciente — e até que ponto também são moldadas pelo medo, pela instabilidade e pelas narrativas econômicas que aprendemos a repetir ao longo da vida?

*Adriana Silvestre é psicóloga clínica, com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) e Biofeedback. Atua com psicoterapia voltada ao comportamento humano, saúde emocional e trauma, com interesse em reflexões sobre sociedade, economia e relações humanas.
























publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/resenhas/o-que-o-governo-fez-com-o-nosso-dinheiro/

A regra e a tribo

     Alex Pipkin 


A Copa do Mundo já começou e os Estados Unidos derrotaram o Paraguai por 4 a 1. O fato seria banal, não fosse a ironia histórica.

Durante décadas, o soccer ocupou nos Estados Unidos uma posição quase folclórica. Enquanto o Brasil produzia Pelé, Garrincha, Zico, Romário e Ronaldo, os americanos observavam o futebol com a mesma atenção que nós dedicamos ao críquete. O país do futebol era o Brasil. O da inovação, dos negócios e da tecnologia eram os Estados Unidos.

Hoje, porém, o país que nunca precisou do futebol aprende a jogá-lo cada vez melhor. Mas o país que acreditou que o talento resolveria tudo parece cada vez mais distante da excelência que o consagrou.

A explicação não está no esporte. Ela está nos incentivos. Os EUA estão longe da perfeição. A polarização existe, as disputas políticas são ferozes e os governos mudam constantemente. Mas existe algo que permanece relativamente estável: as regras do jogo. Contratos são respeitados, e a propriedade privada continua protegida. O sucesso empresarial não precisa pedir desculpas por existir. A inovação continua sendo recompensada. O fracasso continua produzindo consequências.

Os governantes passam; os incentivos permanecem. O Brasil teve um breve encontro com essa lógica. O Plano Real não derrotou apenas a hiperinflação. Ele representou um raro momento em que o país decidiu tratar a realidade com mais respeito do que a ideologia. A moeda recuperou credibilidade, o planejamento voltou a ser possível e parecia surgir a compreensão de que instituições sólidas importam mais do que salvadores ocasionais.

Mas a maturidade nos entedia. Voltamos rapidamente ao conforto das tribos. A discussão sobre produtividade foi substituída pela disputa entre narrativas. A criação de riqueza passou a interessar menos do que a disputa por sua distribuição. O adversário político deixou de ser alguém com quem se discorda para se transformar em alguém que precisa ser derrotado.

Quando a lógica tribal se impõe, o árbitro veste a camisa do time. Instituições deixam de ser percebidas como árbitros e passam a ser vistas como jogadores. Universidades deixam de ensinar como pensar e passam a ensinar em que pensar. O debate público abandona a busca por soluções e passa a selecionar culpados.

O resultado está diante dos nossos olhos e no bolso dos brasileiros. Um crescimento medíocre, moeda fragilizada, inflação recorrente, impostos elevados e serviços públicos incapazes de entregar aquilo que prometem.

O drama brasileiro nunca foi a falta de talento. Foi a incapacidade de construir regras capazes de sobreviver às paixões do palanque.

No fim, o Brasil tornou-se um país obcecado pela vitória da própria tribo. Países não prosperam quando concentram suas energias em vencer a guerra política. Prosperam quando alguém decide construir alguma coisa depois da batalha.

Hoje o Brasil enfrenta o Marrocos. Talvez vença. Talvez perca. O futebol raramente explica um país. Mas, de vez em quando, tem o estranho hábito de revelá-lo.

E nenhuma seleção, por talentosa que seja, consegue viver indefinidamente de glórias passadas. O mesmo vale para as nações.







publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/a-regra-e-a-tribo/

O ABISMO ESTÁ MAIS PERTO

 gilbertosimõespires/pontocritico


O ABISMO ESTÁ MAIS PERTO

Na semana passada, o jornalista Felipe Vieira compartilhou uma ANÁLISE CONTUNDENTE, produzida pela RC CONSULTORES, comandada pelo economista e ex-presidente do IBGE e do BNDES Paulo Rabello de Castro, ALERTANDO sobre o cenário econômico brasileiro. Com o título -O ABISMO ESTÁ MAIS PERTO-, o relatório da RC CONSULTORES avalia que as expectativas para -INFLAÇÃO, JUROS E CRESCIMENTO- vêm se deteriorando rapidamente, aumentando os riscos para a economia nos próximos anos. Eis: 


INFLAÇÃO

No relatório, os economistas destacam a sequência de REVISÕES PARA AS PROJEÇÕES DE INFLAÇÃO E O IMPACTO DESSE MOVIMENTO SOBRE AS EXPECTATIVAS DE MERCADO. Segundo a avaliação, a inflação projetada para o fim de 2026 alcançou 5,35%, avanço significativo em relação aos 3,87% estimados em fevereiro deste ano.  De acordo com a consultoria, a mudança ocorreu em um período relativamente curto. Em apenas QUATRO MESES, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou quase um ponto e meio percentual, refletindo uma percepção crescente de dificuldade para o controle da inflação. A análise aponta que o efeito dessa deterioração também aparece nas projeções para a taxa básica de juros. Em março, o mercado trabalhava com a expectativa de que a Selic encerraria 2026 em torno de 12% ao ano. Agora, segundo o levantamento citado pela RC Consultores, a previsão já se aproxima de 14%.


JUROS REAIS

Outro ponto destacado é o comportamento dos JUROS REAIS, considerados um dos mais elevados do mundo. Segundo o relatório, o juro real implícito para 2026 ultrapassa 8,6% ao ano, patamar que, na avaliação da consultoria, dificulta investimentos de longo prazo, reduz a expansão do crédito e aumenta os custos para empresas e famílias.

Embora as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) tenham apresentado leve melhora, com expectativa próxima de 2% para 2026, a RC Consultores considera que esse desempenho é sustentado principalmente pela expansão dos gastos públicos. Na avaliação da empresa, esse impulso pode não ser suficiente para garantir crescimento sustentável nos anos seguintes.


POLÍTICA FISCAL

A preocupação maior, no entanto, está concentrada em 2027. O relatório observa que as projeções já apontam desaceleração da atividade econômica, com crescimento estimado em torno de 1,66%, cenário que refletiria os efeitos prolongados de juros elevados e de um ambiente econômico menos favorável para investimentos privados. Os economistas da consultoria atribuem parte desse quadro à POLÍTICA FISCAL do governo federal. Segundo a análise, o aumento das despesas públicas teria contribuído para elevar a percepção de risco dos investidores, pressionando as expectativas de inflação e reduzindo a eficácia da política monetária conduzida pelo Banco Central.

O documento conclui defendendo uma mudança de rumo na condução econômica do país. Para a RC Consultores, sem medidas capazes de recuperar a confiança fiscal e reduzir as incertezas sobre as contas públicas, o Brasil poderá enfrentar um período mais prolongado de crescimento baixo, juros elevados e inflação resistente. A avaliação da consultoria reforça um debate que vem ganhando espaço entre economistas, investidores e agentes do mercado financeiro: o desafio de equilibrar crescimento econômico, controle da inflação e sustentabilidade das contas públicas em um cenário marcado por incertezas internas e externas.


























publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/o-abismo-esta-mais-perto


Para PF, Wagner dedicou mandato no Senado ao Master

 diáriodopoder


A Polícia Federal atestou que líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), “exerceu o mandato parlamentar de forma alinhada aos interesses econômicos do Banco Master”, a partir de indícios obtidos a partir dos celulares apreendidos, segundo relatório ao ministro do STF André Mendonça. Pior é que a essa atuação não se caracteriza por ato único e isolado, “mas em padrão contínuo, sistemático e documentado de engajamento pessoal” nos negócios liderados por Daniel Vorcaro.

Juntos na ascensão

Para a PF, Jaques Wagner atuou em favor do conglomerado financeiro sobretudo de 2022 a 2025, na “ascensão da organização criminosa".

Projeto de Ciro na mesa

A PF aponta reuniões de Wagner para tratar de temas de interesse do Vorcaro, como aumentar cobertura do FGC para beneficiar o Master.

Batom na cueca

Wagner negou relação com Daniel Vorcaro, mas enviou mensagem ao ex-sócio Augusto Lima, indagando “como estão as coisas do banco".

Pernas curtíssimas

É acusado também de mentir sobre dólares e euros. As diárias pagas pelo Senado totalizam bem menos que os R$600 mil apreendidos.


Diário do Poder
















publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/06/para-pf-wagner-dedicou-mandato-no.html

O PREÇO DA CONVENIÊNCIA 1

 Por Silvio Sibemberg


O artigo de Hélio Schwartsman publicado na Folha esta semana discorre sobre o porquê de a corrupção se manter praticamente sem maiores problemas no Brasil. Segundo ele, não há interesse em combatê-la — ela seria parte da organização social de países subdesenvolvidos. Muitos beneficiários estão no mesmo barco.
O texto se atém à corrupção, mas poderia servir igualmente à análise da sonegação no Brasil. A grande maioria das pequenas empresas sonega para continuar no mercado. Mesmo com diminuição da carga tributária, os MEIs precisam, de alguma forma, sonegar para crescer. O raciocínio fiscal é deixar que cresçam para se tornarem contribuintes mais robustos. O tamanho da malha é para deixar passar os miúdos e reter os graúdos.
Na verdade, muitas das grandes empresas que hoje sustentam a máquina pública recorreram, em maior ou menor medida, à informalidade em algum momento de sua trajetória. Faz parte da cultura de países em desenvolvimento tolerar essa travessia.
Nas rodas empresariais formadas por esses ex-sonegadores, a crítica à falta de combate à corrupção é intensa. Poucos sabem que aqueles probos senhores muito sonegaram para chegar aonde chegaram. A tese de que os meios justificam os fins corre solta nas "Farias Limas" do país. Enquanto a corrupção prefere as sombras palacianas.
As narrativas jornalísticas preferem a corrupção — sempre acontece com os outros. Já a sonegação é mais complicada: costuma morar perto de casa.
Justificativas não faltam: carga tributária excessiva, necessidade de caixa para crescer, gerar empregos. E não estão de todo errados — em meio a uma atribulada gincana fiscal e trabalhista, esse parece ser o único caminho viável.
O Estado se diz prejudicado e justifica suas mazelas pela falta de arrecadação. Saúde e educação deficientes são sempre atribuídas aos sonegadores, raramente à corrupção.
Sob o ponto de vista ético, desviar recursos públicos não é menos grave do que deixar de recolhê-los. Em ambos os casos, a sociedade é privada de recursos que deveriam retornar em serviços e investimentos.
A conta acaba sendo paga pelos mesmos: a turma menos favorecida. O andar de cima sofre menos as consequências desse festival de hipocrisia do qual é personagem atuante, quer em uma ponta, quer em outra da nau dos insensatos.
A consciência de que precisamos evoluir como sociedade constrói-se aos poucos. Décadas de investimentos em saúde, educação e fortalecimento das instituições podem minorar as deficiências morais e econômicas da nação.
Enquanto isso, vamos tentando reduzir o cinismo entre aqueles que realmente podem ajudar na formação dessa nova ordem no Brasil.















publicadaemhttps://www.pontocritico.com/espaco-pensar-artigo/o-preco-da-conveniencia-1-220626

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