Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 26 de julho de 2026

Devolva a toga, ministro -

 por Auigusto Nunes  Moraes não está preparado para arbitrar uma briga de galo 


No fim de 1967, arquivei a ideia de virar jornalista profissional. Aos 18 anos, baixei no Rio de Janeiro decidido a cursar a Faculdade Nacional de Direito, ingressar no Instituto Rio Branco e desfrutar da boa vida de diplomata, de preferência como embaixador em Paris. O projeto começou a fazer água em junho de 1968, quando fui eleito 2º vice-presidente do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, o CACO Livre. Passei a dividir meu tempo entre as obrigações de estudante e as atribuições de militante do movimento estudantil. Durante três meses, consegui aumentar a milhagem em passeatas sem deixar de aparecer de segunda a sexta na sala de aulas, ministradas por professores que esbanjavam saber jurídico.

As coisas mudaram em outubro: foram presos em São Paulo todos os participantes do congresso da União Nacional dos Estudantes. A maioria dos diretores do CACO estava entre os quase mil engaiolados. O presidente do centro acadêmico escapou porque não fora ao encontro, mas achou melhor manter distância da faculdade e sumiu de vez com a decretação do Ato Institucional número 5 em 13 de dezembro. O 1º vice também saiu de cena. Continuaram em circulação o secretário e o 2º vice-presidente. Coube a mim manter acesa a chama da revolução com falatórios diários no restaurante da faculdade.

Em abril de 1969, com pena da plateia castigada por discurseiras redundantes, reapareci na sala de aula. Tarde demais. No fim de 1969, o diretor da faculdade avisou-me que deveria escolher entre duas opções: se não mudasse de faculdade, seria expulso em dezembro. Resolvi perseguir o diploma em São Paulo. Desisti no fim do 3º ano e mergulhei de vez no jornalismo. A paixão pelo Direito e pela Justiça nunca arrefeceu. 

Há seis anos, comecei a desconfiar que meu diminuto saber jurídico é bem maior que o existente na cabeça do ministro Alexandre de Moraes. Aprendi, por exemplo, que ninguém pode ser preso em flagrante por ter criticado duramente ministros do Supremo num vídeo na internet. Sei que nenhum senador ou deputado pode ser punido por quaisquer opiniões, palavras ou votos. Sei que nenhum inquérito pode estender-se por anos. Sei que a Constituição garante a liberdade de expressão e proíbe a censura.

 Essas verdades elementares, ratificadas pelo professor Alexandre de Moraes no livro Direito Constitucional, foram mandadas às favas pelo ministro na perseguição ao deputado Daniel Silveira. Ou o autor do calhamaço é um homônimo do juiz togado ou Moraes protagonizou uma conversão mais amalucada que a sofrida pelo agora socialista Geraldo Alckmin. É só mais um caso entre milhares.

Para atormentar Daniel Silveira, o perseguidor patológico criou o flagrante perpétuo: se a prova do crime não sumiu das telinhas, continua valendo. Pensei nisso ao tropeçar num vídeo em que Moraes jura que nenhum integrante do Pretório Excelso se meteu em processos de que parentes participam como advogados. Transcrevo sem correções nem retoques uma prova definitiva de que Moraes difunde fake news, tortura a língua portuguesa, mente mais que Dilma Rousseff e não pode ser autorizado a arbitrar a mais bisonha briga de galo.

“Magistrado não pode ter ligação com o processo que julga. E um magistrado, todos os magistrados, inclusive os magistrados desta Suprema Corte, não julgam nunca nenhum caso em que tem ligação. E aí, presidente, volta a má fé. Porque aqui não se pode dizê nem que é má interpretação. Há má fé. Muitas pessoas, que querem prejudicá o Poder Judiciário e o Supremo Tribunal Federal, dizendo… e não se dão nem ao trabalho que seja pelo menos uma má fé honesta, se é que isso existe… de tentá disfarçá a ementa do julgamento, dizendo que este tribunal autorizô os magistrados a julgarem casos onde seus parentes são advogados. Essa mentira absurda vem sendo repetida, por ignorância, por má fé, por outros interesses econômicos escusos de prejudicá esse tribunal. “

Num concurso de oratória de improviso, Moraes não escaparia do zero com louvor. Transcrito, o palavrório deixaria ruborizado o pior aluno do Jardim da Infância. As ligações entre Daniel Vorcaro, Moraes e sua mulher advogada escancaram as falsidades que emergem de cada linha. Moraes fez mais que defender um cliente da doutora Viviane. Cobrado por Vorcaro, também tentou bloquear a prisão do banqueiro-bandido. 

Por essas e outras, o presidente Edson Fachin tem 48 horas — e, além dos aqui citados, outros 129 milhões de motivos — para exigir de Moraes o encerramento do Inquérito do Fim do Mundo, a desativação da fábrica de tornozeleiras eletrônicas, a imediata matrícula num cursinho intensivo de língua portuguesa e a devolução da toga. Não pode continuar no STF quem sabe muito menos que um advogado interrompido.


Augusto Nunes - Rvista Oeste















publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/07/devolva-toga-ministro-por-auigusto-nunes.html

CazéTV, Globo, bets e a sociedade brasileira mercantilista

   Adriano Dorta 


O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) emitiu uma medida liminar contra as propagandas de casas de apostas, as chamadas bets, no canal CazéTV, do youtuber Casimiro Miguel, o Cazé. O objetivo da medida liminar é suspender provisoriamente as propagandas até o julgamento final do caso.

Além do Conar, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão federal vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, abriu investigação contra a CazéTV após uma ação movida pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Esse acontecimento mostra como a sociedade brasileira é mais parecida com uma sociedade mercantilista do que com uma sociedade capitalista.

O youtuber Cazé ficou famoso com suas lives sobre futebol. Com sua ascensão, criou uma base de espectadores nesse segmento. Cazé atingiu o auge dessa trajetória ao conseguir transmitir alguns jogos da Copa do Mundo de 2022. Antes disso, a emissora Globo tinha a exclusividade da transmissão do evento. Neste ano, o canal do youtuber conseguiu ir além: atingiu 18,3 milhões de dispositivos conectados simultaneamente contra 22,8 milhões da TV Globo. Um youtuber que começou fazendo lives no quarto de sua casa conseguiu rivalizar com o maior canal de televisão do país.

Para isso, o canal buscou recursos por meio de patrocinadores. O modelo é basicamente o mesmo usado por empresas como o Google. O acesso ao Google é gratuito; isso significa que você não paga diretamente pelo serviço. O lucro do Google vem dos patrocinadores, que pagam para ter sua marca divulgada nas páginas da empresa. Quanto maior o acesso, maior é o preço que o Google pode cobrar das empresas para anunciá-las.

Cazé fez a mesma estratégia. Ele e sua equipe foram em busca de patrocinadores que pagariam para ter suas marcas anunciadas nas propagandas do canal. Entre essas marcas, estão as bets.

Esse caso da CazéTV só aumenta a percepção de que a sociedade brasileira vive muito mais em um sistema mercantilista do que em um sistema capitalista. O argumento utilizado para que o Estado brasileiro fosse acionado contra a CazéTV foi o uso de propagandas de bets. Porém, a emissora que disputa audiência com o canal do YouTube apresentou o programa Big Brother Brasil entre 12 de janeiro e 21 de abril de 2026, e era possível ver propagandas de bets, mas nada aconteceu.

Também é possível ver propagandas de apostas em jogos do Campeonato Brasileiro, o Brasileirão, no canal Premiere — um canal que pertence ao Grupo Globo.

Para piorar a situação, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) proibiu a CazéTV de disputar os direitos de transmissão da Copa do Brasil. O problema é que a organização, a regulamentação e a negociação das cotas de televisão, dos patrocinadores e dos naming rights são responsabilidades da CBF, e o nome oficial do torneio neste ano é Copa Betano do Brasil, em referência a uma casa de apostas. Além disso, o campeonato conta com mais duas casas de apostas como patrocinadoras: a Betnacional e a Superbet.

Este texto não tem a intenção de expressar a minha opinião sobre as casas de apostas e suas propagandas na televisão. O objetivo é refletir sobre por que agentes públicos, políticos e a entidade privada que organiza o futebol no Brasil reagiram dessa forma contra um simples canal de YouTube. A CBF alega que a CazéTV não atende aos critérios financeiros. Porém, o canal conseguiu acesso a um evento muito maior, que é a Copa do Mundo, mas não passou nos critérios da CBF.

Em uma sociedade capitalista saudável, a regra deve ser geral, previsível e aplicada de maneira igual a todos os participantes do setor. Se propaganda de apostas é considerada abusiva, ela deve ser fiscalizada em todos os veículos, em todos os campeonatos e contra todos os agentes econômicos envolvidos. O problema está em usar a regulação de forma seletiva, especialmente quando o alvo é um novo concorrente que ameaça estruturas já estabelecidas. É nesse ponto que o Brasil se aproxima mais de uma sociedade mercantilista do que de uma sociedade genuinamente capitalista.

No capitalismo, empresas competem para conquistar consumidores. No mercantilismo, empresas competem para conquistar proteção, autorização, privilégio e tolerância do poder político. Em uma ordem capitalista, o sucesso da CazéTV deveria ser medido pela capacidade de atrair audiência, patrocinadores e entregar um produto que o público deseja consumir. Em uma ordem mercantilista, o sucesso passa a depender também da capacidade de sobreviver ao emaranhado de regras, pressões, órgãos, entidades e decisões que controlam o acesso ao mercado.

Uma ruptura na transmissão

A CazéTV representa justamente uma ruptura nesse setor. Um canal que começou na internet, com linguagem própria, mais leve e um orçamento muito menor conseguiu competir com empresas tradicionais que dominaram a transmissão esportiva no Brasil por décadas. Isso é capitalismo em sua forma mais clara: um novo entrante usando tecnologia, inovação e preferência do consumidor para desafiar incumbentes. Mas a reação das instituições ao crescimento desse novo competidor revela uma realidade diferente.

Quando o novo entrante cresce, incomoda e começa a disputar audiência, direitos de transmissão e dinheiro publicitário, o jogo deixa de ser apenas econômico e passa a ser político-regulatório. De repente, aquilo que era tolerado em vários espaços do futebol brasileiro passa a ser tratado como um problema urgente quando aparece no canal que ameaça a velha estrutura. A Globo é a emissora que mais recebe repasses do orçamento de publicidade do governo. Sob o governo Lula, a Globo recebeu R$ 270 milhões, o que representa 25,6% do total do orçamento entre 2023 e junho de 2026.

Para fins de comparação, o valor recebido pela Globo é 118% maior que o da Record, que recebeu R$ 122 milhões e é a segunda maior recebedora de recursos de publicidade da Presidência da República. A revista Oeste divulgou que a emissora já teria recebido R$ 10,2 bilhões entre 2000 e 2016. A contradição é evidente. O futebol brasileiro está profundamente financiado por casas de apostas. Há bets nos nomes dos campeonatos, nas placas de publicidade, nas transmissões, nos uniformes e nos intervalos. Mas, quando a CazéTV usa esse mesmo mercado publicitário para viabilizar sua transmissão gratuita e competir com gigantes tradicionais, surge uma pressão regulatória e institucional.

Um caso de poder

No mercantilismo clássico, reis concediam monopólios, licenças e privilégios a grupos próximos ao poder. O comerciante bem-sucedido não era necessariamente aquele que produzia melhor, mas aquele que conseguia comprar essas concessões dos reis. No Brasil atual, a lógica é parecida. A disputa econômica muitas vezes não é decidida pelo consumidor, mas por órgãos reguladores, decisões administrativas ou judiciais e relações políticas.

Em vez de ser punida pelos consumidores, a CazéTV foi vítima do sistema mercantilista contemporâneo brasileiro – a estrutura que pune quem quer ser o “getting ahead” para proteger os que são “staying ahead”. O grupo do staying ahead é composto por empresas e empresários que já estão no topo. Trata-se de uma elite econômica consolidada, cuja sobrevivência depende, em grande medida, de lucros e ganhos derivados de rent seeking. Para esse grupo, a concorrência deixa de ser oportunidade e passa a ser ameaça; por isso, seus membros tendem a usar o poder político para erguer barreiras à entrada, proteger mercados e a ordem existente excluindo ou barrando novos concorrentes.

Já o grupo do getting ahead é formado por aqueles que querem “chegar lá”: empreendedores inovadores que, em geral, não têm acesso direto ao poder político. Para eles, a única via legítima de ascensão é a inovação, a criação de valor, a expansão da oferta de bens e serviços que melhoram a vida das pessoas. O espírito empreendedor é, por natureza, criativo o suficiente para driblar barreiras e encontrar brechas — desde que essas barreiras não sejam institucionalmente intransponíveis. Uma sociedade mais livre é aquela em que esse segundo grupo consegue desafiar o primeiro em vez de ser bloqueado por uma muralha de privilégios legais.

Por isso, o caso CazéTV não é apenas sobre bets. É sobre privilégio e poder. É sobre um sistema econômico em que novos entrantes podem até crescer, desde que não cresçam demais. Porque, quando crescem a ponto de ameaçar os donos tradicionais do setor, descobrem que, no Brasil, o sucesso depende da aproximação com os “reis”. Enquanto, em uma sociedade capitalista, a eliminação dos concorrentes depende da decisão dos consumidores, no mercantilismo contemporâneo, essa eliminação ocorre por meio do uso seletivo das regras pelos donos do poder regulador, político ou judicial.

*Artigo publicado originalmente na revista Oeste.








publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/cazetv-globo-bets-e-a-sociedade-brasileira-mercantilista/

Estados governados pela esquerda lideram ranking de feminicídio no Brasil

 diariodopoder


O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (com dados de 2025), divulgado na quinta-feira (23), reforça a percepção da dificuldade que governadores de esquerda têm no enfrentamento à violência. O estudo revela que os piores resultados são do campo progressista quando o assunto é o cuidado à vida da mulher. O Amapá, governado pelo esquerdista Clécio Luís (à época do Solidariedade, agora no União), registra a maior variação na taxa de feminicídio: alta de 347,7%.

É bi

O estado, que elegeu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), também lidera taxa de homicídios de mulheres, subiu 198,5%.

Puxa o histórico

Antes de se hospedar no União Brasil, Clécio Luís teve como lar o PT, por 16 anos; o Psol, outros 11 anos; e a Rede, mais 4 anos.

Petista no ranking

Governado por uma mulher petista, Fátima Bezerra, o Rio Grande do Norte é o 2º na lista: + 61,8% no número de homicídio de mulheres.

É do PT

Observada a taxa de homicídios de mulheres, a cada 100 mil, o Ceará de Elmano Freitas (PT) lidera, com 6,2. Acima da média nacional de 3,2.


Diário do Poder









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"Hoje Quem Manda no Brasil é Alexandre de Moraes"

  Fernão Lara Mesquita Explica


91 ANOS VENDENDO CACHAÇA INFANTIL...

 MÁRCIOEUGÊNIO/FACEBOOK


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Datafolha Traz Péssima Notícia Para o Lula! Este Vídeo Vai Te Animar!

 deltandallganol/youtube


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LIBERDADE OU TUTELA?

 CLAUDIOBRANCHIERI/FACEBOOK


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COMO SEMPRE, O SENADO LAVOU AS MÃOS

 DNMARIAHELENA/FACEBOOK


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Trump Vai Questionar Eleições no Brasil!

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Declarações de Lula e aliado petista deixam jornalista pistola | COMENTÁRIO SECRETO

  COMENTÁRIO SECRETO


POLÊMICA SOBRE PUNIÇÕES GERA REVOLTA

 DNMARIAHELENA/FACEBOOK


POLÊMICA SOBRE PUNIÇÕES GERA REVOLTA



sábado, 25 de julho de 2026

Fatos e Falácias da Economia Segundo Thomas Sowell

  Luan Sperandio


Quanto maior o consumo de margarina no estado americano do Maine, mais indivíduos se divorciam naquela região. Deveríamos desestimular o consumo do laticínio a fim de preservar o relacionamento dos casais?

Quanto mais Nicolas Cage lança filmes em um ano, menos pessoas morrem em acidentes de helicóptero. Deveríamos subsidiar filmes do ator norte-americano para evitar mortes?

Quanto maior a despesa governamental dos Estados Unidos com pesquisa tecnológica espacial, menor a taxa de suicídios. Deveríamos despender maiores recursos enviando humanos para a lua a fim de desenvolver maior saúde mental da população e salvar vidas?

As três inferências acima são levantamentos do site Spurious Correlations e ajudam a evidenciar, de forma jocosa, uma máxima da literatura das Ciências Econômicas de que uma correlação não implica em causalidade.

Contudo, a despeito disso, muitas falácias são vendidas no debate público como fatos que, por definição, tendem a ser algo cuja contestação é complexa. Isso se dá tanto por ignorância científica quanto por narrativas populistas de políticos ou grupos de interesses que manipulam a opinião pública ou parlamentar em busca de rent-seeking — conceito da Ciência Política que define a busca por renda política.

Naturalmente, dados e evidências são melhores insumos para uma tomada de decisão do que meros achismos; contudo, eles precisam ser analisados de forma adequada, buscando “observar mais profundamente as coisas que, num dado momento, parecem boas na superfície.”

É este o propósito de Fatos e Falácias da Economia, do economista norte-americano Thomas Sowell, um dos intelectuais mais subestimados de todos os tempos, segundo Steven Pinker.

Não obstante a origem pobre, Sowell conseguiu graduar-se pelas universidades de Harvard, Columbia e Chicago. Ganhou notabilidade no debate público global ao escrever obras com perspectiva histórica e econômica, sendo conhecido por transformar questões complexas em análises recheadas de evidências e com linguagem acessível para leigos. Todas essas virtudes estão presentes na obra.

Para introduzir o livro, o autor fala dos quatro tipos de falácias mais comuns: a da soma zero (negligenciando a possibilidade de relação de ganho mútuo), a da composição (ignorar as alterações entre os grupos estatísticos), das peças de xadrez (a falsa premissa de que os líderes podem planejar e colocar ordem como bem quiserem na sociedade) e a falácia do infindável (extrapola a partir de dados limitados). Na sequência, Sowell as apresenta na prática ao discutir temas como urbanização, gênero, igualdade, educação, raça, renda e desenvolvimento econômico.

Falácias da urbanização

Enquanto críticos da arquitetura reclamam da expansão urbana, da feiúra dos subúrbios e tratam com saudosismo o período em que a maior parte da humanidade estava no campo, os críticos sociais reclamam da falta de habitação na cidade e apontam a alta densidade dos bairros como a causa da criminalidade. Outros críticos são líderes comunitários, que condenam o grande deslocamento necessário para que as pessoas transitem pela cidade para poder trabalhar.

Contudo, a história do desenvolvimento urbano aponta que há vantagens econômicas para a formação das cidades. Afinal, são lugares onde os habitantes se reúnem para realizar negócios e criar uma cultura compartilhada, usufruindo de infraestruturas dispendiosas de serem construídas, como energia, saneamento básico e telecomunicações.

Por conseguinte, a densidade ou regiões periféricas não são questões ruins per si, pois é preciso que as pessoas vivam em algum lugar. Além disso, intervenções governamentais a fim de restringir esse processo podem resultar em distorções econômicas, como a partir do controle de preços de aluguéis.

Falácias sobre gênero

As mulheres sofrem injustiças no mercado de trabalho e possuem salários menores por preconceito e machismo estrutural. Para combater isso, é necessária a aprovação de legislações anti-discriminação.

Essa é a narrativa comum no debate público. Contudo, o fato de mulheres ganharem menos do que os homens pode ter contribuições e pesos maiores do que uma discriminação generalizada e do preconceito contra elas. Sowell discorre diversos estudos que isolam variáveis e apontam que salários maiores a homens de carreiras similares decorrem de maiores horas dispendidas trabalhadas.

Outros estudos marcantes da obra apontam que um percentual relevante de mulheres deixa o mercado de trabalho formal em algum momento de suas carreiras, o que contribui para um desnível salarial posterior. Esse período comumente está associado à gestação e obrigações maternas.

Como esse padrão se mostra de forma repetida, a responsável por grande parte da diferença na renda entre gêneros tende a estar mais amparada na escolha, e não na discriminação.

Falácias na educação

Há um abismo entre as universidades e as empresas. Em larga medida, por questões ideológicas de que entidades sem fins lucrativos precisam ser motivadas por ideais mais elevados do que o dinheiro.

Contudo, por que os interesses dos clientes dessas instituições (os alunos) não são priorizados? Há incentivos políticos perversos que contribuem para esse panorama, como a estabilidade dos profissionais, gestão controlada por membros do corpo docente e promoções baseadas em prestígio e tempo de serviço, e não com base em qualidade de pesquisas publicadas e ensino.

Falácias sobre a renda

Os ricos estão ficando mais ricos e os pobres mais pobres? A classe média está encolhendo? A renda de altos executivos e CEOs é díspare com o retorno dos acionistas ou o salário médio de funcionários? São algumas das principais narrativas presentes sobre renda.

Muitos dos números que fundamentam essas informações são interpretados de forma ideológica e equivocada. Entre os exemplos, está o fato de afirmar que a renda familiar da última geração dos Estados Unidos está estagnada, contudo, omite-se que a quantidade de membros das famílias diminuiu. Outro exemplo comum citado pelo autor é negligenciar auxílios governamentais ao expor a renda dos mais pobres.

Falácias raciais

A principal razão da diferença atual dos rendimentos entre negros e brancos deriva de fatos históricos da escravidão e do racismo?

A narrativa progressista afirma que discriminação e racismo são correlacionados. Todavia, ao menos na amostragem dos Estados Unidos analisada por Sowell, usar exclusivamente a raça como um classificador pode esconder outras diferenças importantes entre os grupos, como a idade. No caso do país, a idade média dos afro-americanos é cinco anos mais jovem do que a da população em geral, o que contribui para a renda ser menor, pois indivíduos mais jovens tendem a ganhar menos por possuírem menos escolaridade e experiência.

O autor aponta que outros grupos raciais também são mais jovens do que a idade média dos EUA, como asiáticos, também tendendo a ter em média renda menor do que o restante da população do país.

Países em desenvolvimento

O nível de desenvolvimento de um país muitas vezes é atribuído a questões relacionadas à colonização, geografia, questões climáticas ou à falta de auxílio econômico de países mais ricos.

Todavia, o principal fator é institucional, relacionado à tradição de lei e ordem, responsável pelo maior peso do desenvolvimento econômico.

Considerações finais

Sowell defende que questões como gênero, raça, renda, desenvolvimento econômico, entre outras, não podem ser analisadas sob a luz de emoções, a despeito de quão sensíveis ou complexas elas sejam.

Mesmo que algo seja apresentado como um fato, é necessário ter uma postura cética — tendo o princípio da prudência, como apontado por Russell Kirk em A Mentalidade Conservadora —, algo próprio também do método científico.

Fatos e Falácias da Economia é um conjunto de Sowell recheado com centenas de pesquisas, papers e trabalhos acadêmicos empíricos que podem desafiar a sua opinião sobre alguns dos temas contemporâneos mais sensíveis.








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