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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Gramsci, Paulo Freire e a batalha da linguagem: nosso declínio começou com a deturpação das palavras

 Ubiratan Jorge Iorio 


O artigo a seguir, do professor Ubiratan Jorge Iorio, foi publicado inicialmente em novembro de 2016. Mais de 10 anos depois, o tema da corrupção da linguagem continua atual para todos aqueles que desejam defender a liberdade.


O famoso escritor francês Victor Hugo (1802-1885) observou: “resistimos à invasão dos exércitos; não resistimos à invasão das ideias”.

Uma das frases mais repetidas por Mises — e atribuída por alguns ao pintor americano William McGregor Paxton (1869 – 1941) — é que as ideias são mais poderosas do que os exércitos. Acredito não apenas que todos estavam cobertos de razão, mas também que, nessas poucas palavras, conseguiram transmitir uma lição formidável de otimismo e, mais do que isso, um convite para que todos acreditemos na inexorabilidade do longo prazo, no tempo bergsoniano como fonte permanente de descobertas e aperfeiçoamento.

Como escreveu Lew Rockwell,

“As ideias ignoram as fronteiras.  Elas não são inibidas por meras questões espaciais. Elas são perfeitamente capazes de atravessar os limites do tempo. Elas crescem e se difundem por meio de ações e decisões individuais sobre as quais absolutamente ninguém possui controle algum.  No final, o fato é que os governos são incapazes de gerir e impor as ideias.  Muitos são, inclusive, emasculados por elas”.

Ora, assim como os armamentos usados pelos exércitos são transportados em caminhões, aviões, helicópteros ou mesmo pelas tropas de infantaria, as ideias são expressas — e isso é uma simples tautologia — por meio da linguagem, que é o meio sistemático de comunicá-las por meio de sinais convencionais sonoros e escritos (linguagem verbal) e gestuais, corporais, geométricos e mímicos (linguagem não verbal).

É a linguagem, portanto, o elemento mediante o qual expressamos nossos pensamentos, ideias, opiniões, expectativas e sentimentos. É o elemento comunicador por excelência: onde há comunicação, há necessariamente linguagem. A linguagem é o sistema de sinais que utilizamos para efeito de nos comunicarmos e a linguística é o estudo dos fenômenos segundo os quais as línguas evolvem.

Você pode ter uma ideia excelente, até mesmo genial, mas, se não souber comunicá-la, essa ideia não se espalhará e você perderá a batalha. Nunca é demais relembrar o velho José Abelardo Barbosa de Medeiros, mais conhecido como Chacrinha (1917 — 1988), um comunicador popular fantástico, que tinha como um de seus famosos motes “quem não se comunica se trumbica”. Pura sabedoria popular, sem qualquer pretensão de erudição, mas que, para determinados fins, vale mais do que certos tratados de Filosofia da Linguagem [1].

Pois
bem, o ponto a que desejo chegar é que, fora do âmbito teórico, os liberais, no
Brasil e no mundo, vêm se trumbicando há muitos anos, simplesmente porque,
embora suas ideias sejam as melhores, não têm sabido comunicá-las devidamente
para a sociedade. Ou seja, até o presente momento nós simplesmente ainda estamos
perdendo a batalha da linguagem. E de goleada.

O que devemos, então, fazer, já que, neste bendito ano da graça de 2016, a esquerda — ao que parece — está perdendo rapidamente espaço em todo o mundo e sabendo que, se nada fizermos, ou se adotarmos alguma postura ineficaz, essa esquerda — que é bastante organizada — irá recuperar o terreno, com todas as consequências que isso trará em termos de obstáculos à geração de riqueza e da melhoria do padrão de vida em todo o planeta?

A paródia da “linguagem das doninhas”

Weasel word é uma gíria inglesa para designar palavras evasivas ou ocas. Em português usamos a expressão linguagem das doninhas, essa mesma ouvida incessantemente na TV, em bares e reuniões de intelectuais, na internet e nos jornais, e que cria em suas vítimas o hábito de não pensar, substituindo a lógica pelos chavões e palavras de ordem.

Ai de quem, sabendo pensar por conta própria, recusa-se a falar esse dialeto maldito. É logo tachado de ”elitista”, ”conservador”, “misógino”, “racista”, “machista”, “homofóbico”, “nazista”, “coxinha” e — ignomínia das ignomínias! — ”politicamente incorreto”, além de outros adjetivos “xingativos”.

Em Dilbert and the way of the weaselA Guide to Outwitting Your Boss, Your Coworkers, and the Other Pants-Wearing Ferrets in Your Life, um livro satírico de bastante sucesso, o economista e cartunista americano Scott Adams (1957) estabelece a proposição de que muitas pessoas — mais exatamente, as que se deixam dominar pela ditadura do ”politicamente correto” — agem como as doninhas ou mustelas, aqueles mamíferos capazes de sugar todo o conteúdo de um ovo, por um minúsculo furo que conseguem fazer, deixando-o aparentemente intacto. A humanidade, segundo essa sátira, não seria formada por pessoas boas ou más, mas sim por doninhas.

Assim, o autor introduz sarcasticamente a Zona da Doninha, uma gigantesca área cinzenta entre o bom comportamento moral e a criminalidade aberta, que é de onde nos ”exploram” sem parar: chefes, empresários, fazendeiros, executivos, países e pessoas ricos, banqueiros, Donald Trump, Angela Merkel, enfim, todos os que são bem sucedidos na vida. Em 27 hilariantes capítulos, Adams revela os segredos desses seres escorregadios, como reconhecê-los e como agem, denominando de weaseleze a língua oficial das doninhas, útil para ninguém entender racionalmente o que é dito e confundir os inimigos, como parte da estratégia gramsciana de implantar o socialismo sem recorrer às armas convencionais.

Passando da sátira ao mundo real, esse comportamento de bois ao som do berrante que domina a sociedade atual é certamente uma das etapas derradeiras do processo de degradação cultural, em que a linguagem se desconecta da experiência inteligente e emite apenas tênues sinais de vida social. Aquilo que quase todos se põem a dizer já se mostra inteiramente desconectado dos acontecimentos, fatos e ações racionais do mundo real, para refletir apenas opiniões conduzidas e sem qualquer embasamento, segundo a clivagem binária rudimentar entre nós e eles.

Imagine uma explanação qualquer feita por um professor e que atenda aos requisitos da lógica e suponha que o raciocínio desse docente o conduza a, por exemplo, defender as privatizações. O homem que é guiado pela linguagem politicamente correta, então, dirá simplesmente que discorda, sem qualquer preocupação quanto a explicar por que discorda. Muito provavelmente, se lhe perguntarem o motivo, ficará em maus lençóis.

Isso acontece porque aquilo de que ele discorda nada tem a ver com a sua vivência dos fatos reais, mas sim com o comando que lhe foi exarado — como que do além –, de que “privatizar é dilapidar o patrimônio público”. Logo, ele instantaneamente colocará o professor do lado deles e, portanto, contra o nós que lhe foi impregnado desde o ensino básico como o time dos bonzinhos.

Para usarmos a nomenclatura do filósofo alemão Eric Voegelin (1901-1985), essas pessoas vivem em umasegunda realidade, aquela que povoa seu imaginário e que é absolutamente alheia ao mundo real, formado pela primeira realidade, aquela que é factual, que de fato existe.

Temos, então, uma grave situação, em que os sons emitidos pelo professor são reconhecidos como característicos de uma linguagem racional, mas compreendidos — e passados adiante — como o de uma comunicação irracional, como a dos animais.

O veneno de Bakhtin, Gramsci, Piaget e Freire

A degradação da linguagem se dá quando essa anomalia se estende aos jornais, à TV, à internet, ao rádio, aos discursos dos políticos e — como é triste escrever isso! — aos intelectuais e professores universitários.

Argumentar para quê?, se esses teleguiados já dispõem dos chavões, das palavras de ordem e de todas as doninhas do mundo para protegê-los. Mostrar racionalmente por que se discorda dessa ou daquela afirmativa para quê?, se é suficiente buscar-se a leniência do grupo nós. Buscar convencer o outro lado para quê?, se é mais fácil intimidá-lo com a demonstração de que esse mesmo grupo é mais barulhento do que o grupo deles

Em suma, não há qualquer necessidade de demonstrar-se que se está com a razão, porque o que importa é amealhar o maior número possível de autômatos que compõem o nós e segregar os demais — mesmos que estes sejam a maioria — no curral utilizado para isolar a influência nociva de todos os mal-intencionados, ou seja, eles.

Mas é evidente que essa verdadeira ditadura das doninhas conhecida como linguagem politicamente correta não está acontecendo por acaso. Tudo isso foi pensado, planejado e executado pacientemente, durante décadas, como um incessante trabalho de formigas, pela esquerda em todo o mundo. Para não retrocedermos em demasia no tempo, vamos nos referir apenas ao filósofo russo Mikhail Bakhtin (1895-1975) e ao também filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937), bem como aos educadores Jean Piaget (1896-1980), e Paulo Freire (1921-1997), todos comunistas.

Bakhtin enxergava a linguagem como um processo permanente de interação por meio do diálogo e não apenas como um sistema autônomo. Assim, a língua só existe mediante o uso que locutores ou escritores e ouvintes ou leitores fazem dela, em situações concretas de comunicação. Definiu noções de análise da linguagem com base em discursos e crônicas artísticos, filosóficos, científicos e políticos. Segundo ele, o ensino, o aprendizado e a linguagem deveriam subordinar-se ao sujeito, aquele agente dos acontecimentos responsável pela criação dos discursos e ideias. E — os negritos são meus — os enunciados sempre são trabalhados pelo sujeito tendo em vista os objetivos ideológicos, sociais, históricos e culturais.

Isso lembra a você alguns dos partidos de esquerda? Pois é.

As relações entre linguagem, ideologia e hegemonia de Gramsci e Bakhtin são bastante semelhantes. Analisando os conceitos bakhtinianos de heteroglossia (a diversidade social de tipos de linguagens) e dialogismo (o processo de interação entre textos, em que estes não são considerados isoladamente, mas concatenados com outras proposições similares) e a definição gramsciana de hegemonia (as relações de domínio de uma classe social sobre o conjunto da sociedade), conclui-se que as visões de linguagem e subjetividade de ambos são convergentes e que, a partir de uma discussão sobre os conceitos de poder, discurso e ideologia, consideram a linguagem e o sujeito como processos capazes de refutar e criticar os poderes e discursos prevalecentes.

O sardo de Ales, Antonio Gramsci, certamente é mais conhecido no Brasil do que Bakhtin como uma das maiores referências do pensamento esquerdista no século XX. Il Gobbo (o corcunda), assim apelidado por conta de um defeito físico, alinhava-se com o projeto político que visa à revolução proletária, mas se distinguia porque acreditava — e, novamente, os negritos são meus — que a chegada ao poder deveria ser antecedida por mudanças de mentalidade e que os agentes dessas mudanças deveriam ser os intelectuais e a ferramenta essencial deveria ser a escola.

Enquanto a maioria dos pensadores marxistas enfatizava as relações entre economia e política, Il Gobbo deu maior importância à ação ideológica nos campos da educação, da cultura e da intelligentsia no processo histórico de transformação. Muitos de seus conceitos permanecem atuais e — o que é pior — são postos em prática por governos e políticos esquerdistas em todo o mundo. Por exemplo, é dele o de cidadania, pois foi Gramsci que levou à pedagogia a “conquista da cidadania” como um dos objetivos das escolas. Estas deveriam ser manipuladas para o que denominou de “elevação cultural das massas”, alegoria que, segundo ele, representaria a libertação das populações da visão de mundo baseada em “preconceitos” e “tabus” (a religião seria um deles), bem como dos usos e costumes tradicionais que impediriam a crítica das “classes dominantes”.

A maior parte da obra de Gramsci foi escrita na prisão, por ordem de Mussolini e só veio a ser divulgada depois da sua morte. Desse período, há duas obras: as Cartas do cárcere, com mensagens a parentes ou amigos e os famosos 32 Cadernos do cárcere, que não eram originalmente destinados à publicação. Para esconder-se da censura fascista, adotou uma linguagem cifrada, repleta de conceitos originais, como bloco histórico, intelectualidade orgânica, sociedade civil e hegemonia, e de expressões novas, como ‘filosofia da práxis’ como sinônimo de marxismo. Sua escrita, a exemplo da de Nietzsche, é fundamentalmente fragmentada, com inúmeras passagens que se limitam a sugerir reflexões.  

Segundo Gramsci, “toda relação de hegemonia é necessariamente uma relação pedagógica”, isto é, de aprendizado. E obtém-se a hegemonia mediante uma luta de direções contrastantes, primeiramente no campo da ética e depois no da política. Para Il Gobbo, era necessário primeiro conquistar as mentes e só depois o poder. 

No campo da educação, duas influências consentâneas com essas ideias influenciaram a educação de maneira muito forte. A primeira foi a do francês Jean William Fritz Piaget, para quem as crianças só podiam aprender o que estavam preparadas a assimilar. Aos professores  caberia tão somente a tarefa de aperfeiçoar o processo de descoberta dos alunos. Piaget criticou acidamente a modalidade de ensino onde “o professor dita e o aluno copia e repete”.

Crítica endossada pela segunda das influências, o pernambucano Paulo Freire, o pedagogo endeusado pela esquerda de nosso país e autor de A pedagogia do oprimido. Com seu método dialético de alfabetização, Freire denominou jocosamente a então maneira tradicional de educar de “educação bancária”. Freire é — e não posso me furtar de aduzir — infelizmente, o patrono da educação brasileira. O que, certamente, explica as péssimas colocações do Brasil em todos os rankings internacionais divulgados anualmente. Mas trata-se, dizem seus adoradores, de pedagogia crítica, o que para mim não passa de uma antecipação do dialeto weaselese para designar o grande equívoco que é o marxismo.

Sempre que ouço ou vejo o nome de Paulo Freire, lembro-me de Roberto Campos, que não se cansava de se referir a ele como o educador que jamais educara uma criança sequer. Mas vale a pena verificarmos até que ponto suas divagações alucinatórias iam. À educação “bancária” ele contrapunha a educação “libertadora”.

A primeira seria uma relação “vertical” entre educador e educando. Um deteria o conhecimento e a capacidade de pensar, e o outro seria o objeto que recebe o conhecimento e segue o mestre. O educador “bancário”, então, “depositaria” conhecimentos nos alunos e estes passivamente os receberiam. Tal concepção de educação teria como objetivo intencional formar indivíduos acomodados, não-questionadores e que se submeteriam à estrutura de poder vigente, sem objetivos de crescerem na vida, e teria sido idealizada para acobertar os interesses dos “dominadores”.

Trata-se de uma trama muito bem urdida por Freire: ao mesmo tempo em que alerta que educar para pensar é algo perigoso para eles e que mudanças devem ser feitas, ele também propõe uma solução que, ao fim e ao cabo, bestializa os alunos, destruindo sua inteligência e sua própria capacidade de pensar como indivíduos autônomos. E, ao mesmo tempo em que critica a educação “vertical” ou “bancária”, sugere outra verticalidade de viés totalitário, a do estado sobre os indivíduos, transferindo a autoridade de pais e professores para seu exército de ideólogos ocupando as salas de aula.

Segundo sua nomenclatura, uma “educação libertadora ou problematizadora” seria aquela que não separasse professor e aluno, em que ambos seriam concomitantemente educadores e educandos. Em suas palavras:

“Desta maneira, o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa. A educação libertadora abre espaço para o diálogo, a comunicação, o levantamento de problemas, o questionamento e reflexão sobre o estado atual de coisas e, acima de tudo, busca a transformação”.

Repare no recorrente estratagema dialético que consiste em dividir tudo o que existe no mundo na suposta dicotomia entre nós eles, sem a qual o socialismo-comunismo não pode existir: nós, os bonzinhos, os socialistas-comunistas de caráter ilibado e ótimas intenções e eles, os malvados defensores do capitalismo, da propriedade privada e da economia de mercado, de péssima índole e intenções escusas.

Bakhtin, Gramsci, Piaget e Freire, os dois primeiros em plano mais filosófico e os dois últimos invadindo (ou ocupando, segundo o dialeto weaselese) as salas de aula, podem ser responsabilizados pelo predomínio — dito cultural — que a esquerda vem exercendo há décadas em todo o mundo. A linguagem das doninhas é fruto, como escrevi no início, de um trabalho árduo, paciente e de longo prazo da esquerda mundial. Mas, como tudo o que é errado não pode funcionar bem durante todo o tempo, as coisas estão começando a mudar.

Alguns exemplos de weaselese

Eis alguns exemplos de palavras e expressões dessa novilíngua tão bem retratada por George Orwell (1903-1950) e que bem ilustram a importância dessa batalha, ao mesmo tempo em que nos exortam a eliminar esse lixo que vem contaminando seguidas gerações, destruindo sua capacidade de pensar, manipulando o idioma e cometendo enormes fraudes semânticas:

Homofobia, machismo, empoderamento, aquecimento global (ou mudanças climáticas), patriarcado, ressignificação da família, misoginia, o uso do em lugar dos artigos ou a, afrodescendente, opressão, luta de classes, golpista, democracia, estado democrático de direito, extrema-direita, mídia golpista, neoliberalismo, capitalismo selvagem, identidade de gênero, justiça social, dívida histórica, xenofobia, ocupação (no lugar de invasão), eurocentrismo, islamofobia, heteronormativismo, elite, classista, burguês, pobre de direita, negro de direita, direito social, distribuição de renda, cultura do estupro, apreensão (no lugar de prisão) de menores, função social da terra, desconstrução, poliamor, homoafetivo, medidas sócio-educativas, transexualidade, problematização, opressão do homem branco, medieval (aplicado à Igreja Católica), transfobia, consciência social, função social, desmatamento, ações afirmativas, minorias, elitista, preconceituoso, “pública, gratuita e de qualidade”, polícia cidadã, relativização, cidadãos críticos, neo (aqui basta acrescentar qualquer palavra), globalização (no lugar de globalismo), excluídos, presidenta, dieta balanceada, manifestantes, inclusão, interrupção voluntária da gravidez, espírito republicano, autonomia do corpo, direito da mulher ao próprio corpo, católicas pelo direito de decidir, sociedade justa e igualitária, saúde reprodutiva, questão de gênero, orientação sexual, autoritarismo (como sinônimo de hierarquia), cadeirante, indivíduos em situação de risco social (criminosos), demandas do nosso tempo, bom dia a todos e todas, pessoa em transição entre empregos (desempregado), sustentabilidade, hipossuficiência e muitas, muitas e muitas outras.

Poderia continuar (existem até dicionários com essas palavras), mas creio que isso já seja suficiente.

Combatendo o bom combate da linguagem

Todo esse discurso contaminado ideologicamente tem uma característica indisfarçável, que é a negação da verdade, o que se explica pela orientação marcantemente relativista do socialismo-comunismo e, no plano prático, pelos conhecidos conselhos do nacional-socialista Goebbels, de que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade, bem como pelo ensinamento de Lenin de acusar os adversários do que você faz e chamá-los do que você é.

Mas parece que uma nesga de esperança começa a se descortinar neste final de 2016, em que a esquerda brasileira foi batida e humilhada nas eleições municipais, a presidente petista foi destituída, a Inglaterra escolheu o Brexit, Hillary Clinton perdeu para Donald Trump, Hollande está com sérios problemas na França, a bandeira da responsabilidade fiscal está mais visível e as pessoas estão acreditando cada vez menos nas ditas soluções políticas.

A batalha das ideias aí está e o que devemos fazer para vencê-la, aproveitando-nos dessa aparente derrocada do esquerdismo?

Aqui vou apenas dar algumas sugestões genéricas, ao mesmo tempo em que indicarei um curso — Guerra Semântica — criado por Dante Mantovani, especialista em linguística, para estudar metodicamente o tema e mostrar como restabelecer a verdade semântica em dez lições, com abordagem aprofundada e fundamentação sólida.

A primeira coisa que devemos fazer para ganharmos a batalha da linguagem é nos insurgir contra a mentira. E, para combatermos a mentira, temos necessariamente de reconhecer que existe a verdade. Isso não quer dizer, em absoluto, que pretendamos ser seus donos; apenas que devemos mostrar todo o arsenal de embustes que se esconde atrás dessa linguagem politicamente correta da esquerda. A mentira não pode prevalecer durante muito tempo e, em se tratando das ideias socialistas, seu tempo já é mais do que passado.

Assim, reaja sem medo, tão logo você ouvir alguma dessas palavras ou expressões envenenadas, mostrando que você tem cérebro e que ele funciona, mesmo se você foi treinado na escola por professores do método Freire. Mostre que o socialismo-comunismo jamais funcionou em país algum, não funciona e nunca vai funcionar.

Para isso, é preciso que você faça um pequeno esforço, começando pela supressão dos jornais e documentários de TV e dos jornais impressos, que estão impregnados de doninhas. Busque outras fontes de informação. A internet aí está para isso. A lei da demanda funciona sempre e, portanto, caindo a demanda por esse verdadeiro lixo, os proprietários de TVs e de jornais terão que se livrar dos maus jornalistas, que são na verdade militantes. Se não agirem assim, vão quebrar. Mercado neles!

Se você tem filhos na escola, acompanhe tudo o que os professores estão fazendo com eles, porque a responsabilidade é toda sua. Se perceber a existência de professores militantes — e certamente isso vai acontecer — vá à escola e diga que seu filho não está ali para ser doutrinado por ideias de esquerda ou de direita, mas para aprender. Se a coordenação ou direção da escola não se mostrar receptiva, ameace trocar de escola. E se nem assim funcionar, troque. Aqui o mercado também funcionará.

Se você é universitário e está cansado dessa xaropada doutrinadora, desse lerolero esquerdista que domina os cursos de ciências humanas, especialmente nas universidades públicas, comece a contestar respeitosamente seus professores. Use argumentos e não se impressione nem com a idade, nem com a barba e a sandália do seu professor petista ou psolista ou com aquele vestido sempre comprido e os cabelos desalinhados da professora marxista, pois a maioria deles não tem argumentos. Os que eventualmente apresentarem alguns argumentos muito provavelmente irão respeitar também os seus. Se eles não respeitarem você, ficarão mal perante a turma.

E se você, tal como eu, é professor universitário, tenha sempre em mente uma famosa frase de Mises, a de que basta haver um solitário professor que tenha as ideias certas — e que saiba transmitir sua lógica — em um departamento, para que um grande número de alunos se interesse e busque aprofundar-se nelas. A esse respeito posso, por experiência própria, assegurar que o “bom velhinho” estava coberto de razão.

E, para incentivar seus alunos a não abandonarem seus intentos diante das enormes dificuldades representadas pela cultura predominantemente de esquerda, diga para eles que, se eles têm convicção de que suas ideias são corretas, então sigam a máxima: o sentido é mais importante do que a velocidade.













publicadaemhttps://mises.org.br/artigos/2355/gramscipaulofreireeabatalhadalinguagemnossodecliniocomecoucomadeturpacaodaspalavras/

ESTADO DE TORPOR

 GILBERTOSIMÕESPIRES/PONTOCRITICO



ESTADO DE TORPOR

PEITO ABERTO

Em vários lugares do mundo, onde TIRANOS CORRUPTOS resolveram MANDAR, DEMANDAR e ACONTECER de acordo com seus próprios interesses e/ou de seus parentes e amigos, a história escancara que até os cidadãos menos corajosos resolveram ENCARAR DE PEITO ABERTO A SITUAÇÃO, pouco se importando com os riscos que certamente viriam a enfrentar. 


CACHORRO QUE LATE NÃO MORDE

No nosso empobrecido país, muito por conta da ÍNDOLE DO POVO BRASILEIRO, que se caracteriza pela -CORDIALIDADE, RESILIÊNCIA EXCESSIVA, ELEVADO SENSO DE HUMOR E, PRINCIPALMENTE, PELA CRENÇA DE QUE TUDO SE FARÁ DE ACORDO COM A VONTADE DE DEUS, os TIRANOS E OS CORRUPTOS PINTAM E BORDAM CONVENCIDOS DE QUE O BRASILEIRO EM GERAL AGE E REAGE DE ACORDO COM O DITADO POPULAR -CACHORRO QUE LATE NÃO MORDE-. Ou seja, É CAPAZ DE FAZER AMEAÇAS, MAS NÃO TOMA ATITUDES PRÁTICAS. 


POVO MANSO

Pois, mesmo sabendo que o POVO BRASILEIRO É MANSO e como tal NÃO OFERECE O MENOR RISCO DE VIR A PRATICAR ATOS DE INSURREIÇÃO, o presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça, Edson Fachin, anunciou, na sessão solene de abertura do Ano Judiciário de 2026, na semana passada, que a ministra Cármen Lúcia será a relatora da proposta de um CÓDIGO DE ÉTICA DO TRIBUNAL. Que tal?  


PADRÕES DE CONDUTA

Ora, sem a menor sombra de dúvida, quando se faz necessário a proposição de um CÓDIGO DE ÉTICA NO STF há que se admitir que o STF escancara aos QUATRO CANTOS DO MUNDO QUE A MAIORIA DOS MINISTROS DA SUPREMA CORTE TOMA DECISÕES ONDE OS PADRÕES DE CONDUTA NÃO TÊM COMPROMISSO ALGUM COM A ÉTICA. Ou seja, tudo leva a crer que o CÓDIGO PROPOSTO POR FACHIN NÃO CONTEMPLA O QUE SE ENTENDE POR ÉTICA. 





















PUBLICADAEMhttps://www.pontocritico.com/artigo/estado-de-torpor

Careca do INSS é encurralado e só tem 2 meses para delatar! Entenda a pressa!

 ANDRÉMARSIGLIA/YOUTUBE


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URGENTE: O PT vai MANDAR nas redes sociais! Votação URGENTE!

 DELTANDALLAGNOL/YOUTUBE


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STF barra dados, sistema financeiro reage e CPMI fala em proteção descabida | SEM RODEIOS

  SEM RODEIOS/GAZETADOPOVO

STF barra dados, sistema financeiro reage e CPMI fala em proteção descabida 

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PL 4675/25: O projeto que vai APAGAR a oposição da internet!

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NIPAH, RISCO MÁXIMO E ALTAMENTE LETAL

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ROUBO LEGALIZADO...

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ONDE ESTÃO OS BURROS, ESTÚPIDOS QUE VOTARAM NO NINE?

 FRANZNOVAK/FACEBOOK


ONDE ESTÃO OS BURROS, ESTÚPIDOS QUE VOTARAM NO NINE?



terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Quem protege o trabalhador?

  Adriano Dorta


No Brasil, existe um mito de que as coisas só podem ser modificadas, melhoradas ou feitas por meio da aprovação de uma lei. Como consequência, a Constituição virou uma colcha de retalhos. Tudo que está errado precisa ser “consertado” com uma emenda, uma nova norma ou uma canetada.

O problema é que, quando a nova regra cria distorções ou efeitos colaterais, o Congresso ou o Executivo (quando não o Judiciário) corre para produzir outra regra que supostamente resolve o estrago anterior – e assim o país vai empilhando remendos. Isso acontece, inclusive, nas relações de trabalho.

Um exemplo atual é a discussão sobre a escala 6×1. A proposta da PEC 8/2025, idealizada pela esquerda¹, busca reduzir a jornada de trabalho no Brasil. É óbvio que todo mundo deseja trabalhar menos e ter mais tempo para lazer. Porém, diminuir a jornada de trabalho apenas remendando os reais problemas é o que apontamos como colcha de retalhos.

A jornada exaustiva está ligada a variáveis que os políticos preferem não encarar porque não rende voto. Nosso sistema tributário é um manicômio. A legislação trabalhista ainda carrega a lógica da Era Vargas. O sucesso econômico, em muitos setores, depende mais de proximidade com o poder político do que de produtividade e inovação. A liberdade econômica é igual a Wi-Fi de shopping. Até aparece que tem, mas não funciona quando você precisa.

Parte da classe política acredita que o uso da lei como forma de justiça social é o método mais eficiente para trazer melhorias para a sociedade. Podemos destacar, por exemplo, a defesa de que o governo e os sindicatos foram os verdadeiros responsáveis pela diminuição da carga horária dos trabalhadores.

Eli Vieira e o professor Cláudio Shikida mostram uma leitura mais realista. Os grandes motores dessa mudança foram inovação, produtividade, concorrência e crescimento econômico, não benevolência estatal.²

Isso deveria ser intuitivo. A inovação aumenta produtividade. Se um trabalho que exigia uma enxada passa a ser feito com trator, o mesmo resultado vem com menos esforço e menos horas.

O mesmo acontece com o salário. Governo e sindicatos são responsáveis pelo aumento do salário?  De certa forma, sim. Mas é só parte da verdade.

O trabalho é negociado em um mercado e, como qualquer mercado, responde a preços e incentivos. O trabalhador oferta o trabalho, e o empregador demanda o trabalho.

Quando o preço do trabalho aumenta, a quantidade demandada de mão de obra tende a cair. Em termos simples, se contratar fica mais caro, as empresas buscam contratar menos.


No gráfico, o ponto A mostra que: com um salário no valor de R$ 3.000,00, a quantidade de empregados contratados seria de 50. No ponto B: com um salário no valor de R$ 4.000,00, a quantidade de empregados contratados seria de 40. No ponto C: com um salário no valor de R$ 5.000,00, a quantidade de empregados contratados seria de 30.

Quando um sindicato consegue elevar salários no seu setor por meio de acordos ou pressão política, o efeito mais comum é o aumento do desemprego justamente naquele setor. Parte dos trabalhadores que antes estavam empregados deixa de ser contratada, e parte acaba sendo dispensada. Esses trabalhadores não desaparecem. Eles migram para outros setores da economia em busca de emprego.

A curva de oferta se desloca para a direita. Um aumento de 50 para 60 trabalhadores faz com que o salário diminua de R$ 3.000,00 para R$ 2.000,00.

O resultado é que o setor “vizinho” passa a receber uma oferta maior de mão de obra. Com mais gente procurando trabalho no mesmo setor, o salário tende a cair. Se antes havia 50 trabalhadores disputando vagas e agora há 60, a curva de oferta de trabalho se desloca para a direita, pressionando a remuneração para baixo. Na prática, o sindicato eleva o salário de um grupo específico, ao custo de mais desemprego naquele grupo e de salários menores em outros setores.

O leitor pode perguntar: e a empresa que não pode demitir, como faz? Se ela não consegue automatizar e não tem como cortar custos, sobra uma alternativa clássica: repassar o aumento ao consumidor. Em outras palavras, o produto fica mais caro.

“Se a empresa não consegue pagar um salário digno, que feche”, muita gente dirá. É um pensamento honesto, mas isso cria uma consequência previsível. Empresas maiores, com mais acesso a crédito e mais poder de mercado, conseguem sobreviver ao aumento de custo com muito mais facilidade do que as menores. Por isso, não é raro ver grandes empresas cedendo e, em certos casos, até apoiando politicamente pautas sindicais. Salários mais altos impostos por lei podem funcionar como barreira contra concorrentes menores.

O efeito final é concentração. As pequenas quebram, as grandes ficam maiores e o mercado fica menos competitivo. Esse poder de mercado cria um filtro ainda mais duro contra trabalhadores menos produtivos, porque empresas podem se dar ao luxo de escolher sempre os “melhores”, deixando os demais desempregados. No fim, os menos produtivos acabam pagando o pato pela suposta vitória do sindicato.

Uma passagem de John L. Lewis: A Biography mostra como sindicatos, em certos contextos, atuavam em conjunto com grandes empresas para obter favores e eliminar concorrentes.³

Os sindicalistas garantiam que não haveria greves nessas empresas, prometiam evitar interferência governamental e buscavam eliminar minas não sindicalizadas sob o argumento de que a vida dos mineradores só melhoraria se a indústria prosperasse.4

Lewis chegou a dizer: “Nós encorajamos as principais empresas na indústria do carvão a recorrer à modernização para aumentar o padrão de vida e as condições de trabalho dos mineradores.”5

Ele entendeu que o aumento da produtividade elevaria a arrecadação do fundo de bem-estar e aposentadoria, pois ele era baseado em royalties por tonelada e não em um imposto sobre a folha de pagamento. Além disso, mesmo com menos mineradores empregados, o sindicato manteria controle sobre os empregos e a modernização não ameaçaria seu poder. O custo disso foi a exclusão de pequenos produtores e o descarte de trabalhadores fora do grupo privilegiado.

O sindicato não pensava nos não sindicalizados nem nos trabalhadores que seriam expulsos do mercado com o aumento do salário. Questionado sobre para onde iriam os desempregados, Lewis respondeu: “Do ponto de vista político, é irrelevante para nós se o sindicato tem um milhão ou meio milhão de membros.”6 Ele sabia que, para alguns prosperarem, outros teriam que sofrer.7

A melhor forma de proteger o trabalhador em uma economia de mercado não é criar cartel trabalhista e sim aumentar a quantidade de empregadores e aumentar a produtividade dos trabalhadores.

Em uma economia dinâmica, o empregador “poderoso” não consegue manter os salários abaixo do valor da produtividade marginal (incremental) dos trabalhadores por muito tempo. Outros empregadores são atraídos pela oportunidade de contratar mão de obra subvalorizada. Esses empregadores contratam os trabalhadores e, assim, pressionam os preços para cima. Mesmo que os empregadores tentem manter os salários deprimidos, isso faz com que a oferta de mão de obra diminua. À medida que os trabalhadores se deslocam, os preços passam a ser pressionados, obrigando as empresas a elevar os salários para atrair mão de obra.

A economia de mercado funciona como o melhor instrumento de correção de desequilíbrios e injustiças, desde que o Estado não impeça que a concorrência faça o seu papel.

Referências

1 BRASIL. Câmara dos Deputados. Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025. Disponível em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2485341. Acesso em: 26 jan. 2026.

2 VIEIRA, Eli; SHIKIDA, Cláudio. Não foram sindicatos que nos deram jornada de trabalho de 8 horas: foi desenvolvimento econômico. Gazeta do Povo.

3 – DUBOFSKY, Melvyn; VAN TINE, Warren R. John L. Lewis: A Biography. Urbana; Chicago: University of Illinois Press, 1986, p. 348–354.

4 – DUBOFSKY; VAN TINE, John L. Lewis, p. 355–356.

5 – DUBOFSKY; VAN TINE, John L. Lewis, p. 357.

6 – Ibid., p. 357.

7 – DUBOFSKY; VAN TINE, John L. Lewis, p. 358.












publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/quem-protege-o-trabalhador/

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