Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

A penalização da vida social (parte 1)

  Gabriel Wilhelms 


O artigo 283 do Código de Processo Penal brasileiro, reforçando o que se estabelece no inciso LXI do artigo 5º da Constituição, diz que: “Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de prisão cautelar ou em virtude de condenação criminal transitada em julgado.” O texto constitucional, por sua vez, diz: “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei.” Note, caro leitor, que não se estabelece “Será preso quem fizer a ou b”, mas sim “Ninguém será preso senão (…).” Ledo engano pensar que ambas as formas comunicam a mesma coisa; o que alguns podem ver como mera “sutileza” encerra o que de há de mais importante no estado de Direito: a liberdade é a regra e a sua restrição a exceção, devendo esta exceção estar muito bem fundamentada e obedecer aos critérios estabelecidos. “Ninguém poderá ser preso” esclarece que os cidadãos vivem em estado de liberdade, não podendo ser presos ao sabor do arbítrio. “Senão”, estabelece as circunstâncias nas quais alguém poderá ser preso. Concilia-se assim a liberdade individual como estado natural reconhecido pelo Estado legal, com a necessidade de se prescreverem situações nas quais criminosos de fato possam perder, ao menos temporariamente, sua liberdade.

Podemos considerar, portanto, que a perda da liberdade não é coisa trivial e, como tal, não deve ser reservada para questões triviais. A gravidade inscrita na prisão faz com que a falta cometida seja de gravidade da mesma monta. Se, sob uma ótica contratualista, a existência do Estado se justifica pela necessidade de um código de leis comum a todos que sirva para garantir, sobretudo, a integridade de nossas vidas, propriedades e liberdades, a legitimidade estatal só é mantida na medida em que as leis sirvam a tal propósito. A legislação penal, portanto, deve ser reservada a danos claros, concretos e incontroversos à vida, propriedade e liberdade. No entanto, o que estamos vendo nos últimos anos é uma banalização da legislação penal, não apenas por obra de burocratas, mas no seio da sociedade, manifestando-se, sobretudo, na contrariedade a falas, ideias, opiniões etc. Quão triste é que já seja comum ouvir “isso é crime”, “isso deveria ser crime”, “você deveria ir para a cadeia”, diante de algo tão singelo quanto uma opinião ligeiramente mais ácida ou provocativa, ao invés de um sensato e maduro “eu discordo”, acompanhado das razões da divergência? Exemplos dessa banalização têm-se avolumado nos últimos tempos.

No momento em que escrevo este artigo, está em análise da Câmara dos Deputados o “PL da misoginia”, já aprovado no Senado. Como comentei em artigo sobre o tema, a aprovação da coisa nos moldes atuais implicaria, ridiculamente, na criminalização de algo como fazer uma piada com TPM, interromper ou duvidar de uma mulher e por aí vai. Questões naturalmente pertencentes ao convívio social e sanáveis, se for o caso, por meio deste mesmo convívio podem se converter em matéria criminal.

Outro exemplo que não posso me furtar de citar é o que temos chamado de Lei Antipiadas, que, vocalizando aquela conversa fiada de “limite do humor”, incutiu no rol de crimes mais uma dessas teses identitárias, como a do “racismo recreativo” de Adilson Moreira. Humoristas sendo condenados a anos de cadeia por fazerem nada mais nada menos do que seu trabalho já são uma realidade no Brasil de hoje, e, se nem mesmo um profissional do humor, uma persona, muitas vezes caracterizada, se apresentando em um teatro para um público pagante, está à salvo de ser condenado por um tal “discurso de ódio”, estejamos certos de que ninguém está livre de se ver às voltas com a justiça, não por roubar, matar, estuprar ou quejandos, mas pelo simples exercício do humor.

Produto tanto do ativismo judicial quanto da nova ordem identitária, a equiparação das chamadas homofobia e transfobia ao crime de racismo pelo STF viabilizou um estado de coisas no qual pessoas estão sendo perseguidas e ameaçadas de prisão por manifestar simples verdades biológicas. Nem mesmo padres e pastores, no pleno exercício de suas atividades sacerdotais, estão imunes a tal perseguição.

É verdade que essa ordem identitária foi possibilitada pela penetração institucional e corporativa, fruto de muito lobby e sinalização de virtude, estando à revelia da vontade da maioria da população. No entanto, quero aqui ir além da típica crítica à autoridade, no sentido das imposições de cima para baixo, e analisar os impactos dessa banalização da legislação penal no seio da sociedade. Infelizmente, ainda que a sensatez, quero crer, seja majoritária, há um assustador crescente de pessoas que naturalizam o “isso deveria ser crime” ou “isso deveria ser proibido” não diante de inquestionáveis agressões, mas por mera frustração diante de uma ideia contrária. Não tenho prazer nenhum em escrever que a sociedade brasileira tende a ser presa relativamente fácil dessa banalização. Elenco algumas razões que podem explicar o fenômeno.

O brasileiro, como nenhum outro cidadão sobre a face da terra, penso eu, tem de longa data uma predileção por, de forma muitas vezes açodada e da boca para fora, querer processar todo mundo. As coisas mais banais viram aqui razão para ações civis, e, mesmo em ações onde há algo de fato a ser reclamado, temos uma cultura dos “danos morais”, mesmo quando o dano experimentado é puramente material. É certo que essa pretensão de processar Deus e o mundo nem sempre prospera, mas é a pretensão justamente o que interessa. Ora, se ações civis já são tratadas como não suficientes ou mesmo adequadas para endereçar “ofensas” ou coisa que o valha, não é de se surpreender que muitos brasileiros tenham trocado o “vou te processar” para “vou te denunciar” e agora se deleitem mais com uma potencial punição na esfera penal do que com a indenização financeira de outrora.

Outro fator é uma franca vocação autoritária, se não do país, ao menos de parte da população. Temos um longo histórico de rompantes autoritários, e a precariedade da nossa dita “democracia” atual não me deixa mentir. A juristocracia que vivemos atualmente só é possível pela passividade de grande parte da população que ou se despolitizou completamente ou comprou a narrativa dos donos do poder. Quem crê, por exemplo, que é justificável que a suprema corte se tenha convertido em um tribunal de exceção para “salvar a democracia” ou que o Estado deveria punir quem dissemina dita “desinformação” muito provavelmente aquiescerá com todos os outros exageros punitivistas e censórios.

Por fim, afeitos ao que chamei de política do interesse, em que o benefício pessoal sempre toma precedência,  somos um povo muito cioso dos nossos “direitos”, ao entender por direitos mormente o que nos beneficia diretamente. Dessa forma, somos capazes da defesa mais aguerrida dos “direitos” mais comezinhos, geralmente relacionados ao consumo, mas assistimos do sofá enquanto nossos direitos e garantias fundamentais são trucidados diuturnamente pelas engrenagens patrimonialistas.

As consequências políticas do triunfo dessa lógica de constante penalização são conhecidas e a elas temos aludido nos últimos anos. Burocratas de todas as vertentes (não só os togados) podem se acastelar e erguer barreiras censórias contra as críticas e até mesmo o “excesso de ironia”, como diria a 3ª  do STJ, tratando como “ataque às instituições” qualquer manifestação verbal que lhes desagrade, enquanto milhões de cidadãos, seduzidos por uma retórica salvacionista fraudulenta ou amedrontados com narrativas baixas que vendem a censura como a única forma de “proteger as crianças” e coisas do tipo aplaudem freneticamente, sem perceberem que perdem a passos largos os mecanismos de participação popular e vigilância do poder.

Para além dessa óbvia consequência política, essa vulgar penalização pode trazer consequências ainda mais deletérias para a vida social. Enquanto trabalhava neste artigo, tive o desprazer de ver a manifestação de uma dessas “especialistas” em um programa da Globo News defendendo a ordem juristocrática censória com o argumento de manutenção da “civilidade”, de arremate, ainda acusando os liberais de quererem acabar com o Estado e baboseiras do tipo. Segundo esses ditos “progressistas”, que vivem de nariz empinado e destilando desprezo pelo povo, o Estado precisa estabelecer uma constante limitação do discurso, de modo que ninguém “ofenda” ninguém. Pensam eles que o país deve funcionar como um continental pátio de escola, no qual as crianças sempre podem reclamar para a “tia Alexandra” que o coleguinha falou o que não devia e agora precisa passar um tempo cheirando a parede. Isso, repetem esses mentecaptos, garantiria as “regras de civilidade” na sociedade. Bem se vê que, para além de serem, invariavelmente, medíocres em todo trato intelectual a que se dispõem, não entendem nada de gente ou de sociedade. Como poderiam já que desprezam essa mesma sociedade que querem controlar e se julgam parte de uma elite intelectualizada a quem o controle do discurso deve caber?

A primeira consequência da penalização da vida social é uma constante autocensura, não apenas na manifestação de preconceitos reais, mas de opiniões que podem vir a ser consideradas preconceituosas sem que o sejam. Já ouvi, muito mais do que gostaria, que ser contra as cotas raciais, por exemplo, é racismo. Já ouvi que nunca devemos duvidar da palavra da “vítima” e que não existem falsas comunicações de estupro (sim, há uma porção de feministas por aí que repetem essa sandice). Já ouvi e já li que a tal “apropriação cultural” deveria ser crime. Já ouvi que defender a separação de banheiros ou modalidade esportiva por sexo biológico é transfobia. A lista é longa, mas deu para transmitir a ideia. Em cada um desses casos, as pessoas poderiam se furtar de debater questões que não só podem, mas devem ser debatidas. Em um período em que qualquer coisa é racismo, machismo, transfobia, homofobia e quejandos, as pessoas, por mais progressistas e inclusivas que sejam, podem temer consequências jurídicas e se abster de manifestar o que pensam, sofrendo não só o silêncio, mas as consequências sociais de que essas questões não sejam debatidas. Uma mulher entra em um banheiro, se depara com um indivíduo barbado (lembrem que se fala em não-binários, agêneros, gênero flúido, etc) e não pode dar um pio, pois o ônus recairia todo sobre ela.

E o que essa autocensura faria pelas ditas “minorias”? Exterminaria o preconceito onde de fato existe? Não, apenas o deslocaria para uma esfera extremamente privada. Na verdade, o temor de “dizer a coisa errada” e se implicar com a inquisição woke faria com que as pessoas simplesmente optassem por não falar sobre temas como racismo, machismo etc. Ora, não se admite que a superação de toda forma de preconceito passa, para além de consequências criminais como no caso do racismo, por “conscientização”? Não se fala que o combate aos preconceitos também deve se dar no plano cultural? Mas como alcançar esse objetivo se as pessoas passarem a evitar o tema como o diabo foge da cruz? Alguém pode responder, com razão, que o objetivo dos identitários é justamente esse, que sua visão seja um monolítico, reinando sem contestação. Mas o que isso faz pelas “minorias”? Ter uma elite preocupada com quem está usando turbante, com quem está cantando samba, com quem está contando piadas sobre deficientes, com quem está se fantaseando de mulher ou de índio no carnaval, enquanto as questões realmente relevantes deixam de ser discutidas, não melhora uma migalha a vida dos grupos que eles dizem defender.

Para além de não ajudar esses grupos, a penalização da vida social, como uma consequência natural de toda uma visão teórica tribalista, pode produzir uma segregação tácita e informal dentro da sociedade. O medo de dizer a “coisa errada”, para além de autocensura, poderia provocar um resultado ainda mais dramático. Ora, se nem um físico pode estar a salvo de uma potencial represália criminal por falar buraco negro, se a banalização do preconceito atinge tal extremo que até mesmo a conversa mais singela seja objeto de ansiedade, temendo-se sempre o escorregão fatal, faz sentido pensar que, para além de evitar certos assuntos, as pessoas também evitariam grupos que pudessem maximizar a chance de um “equívoco” em uma determinada interação. Contemplemos uma pessoa branca, genuinamente não racista, mas que, em um cenário de penalização da vida social, opta, conscientemente ou não, por evitar o trato social com pessoas negras, já que a chance de ter uma simples expressão interpretada como um caso de polícia seria vista como maior no contato com pessoas desse grupo “racial”. O mesmo poderia ocorrer para outros grupos: indivíduos evitando o contato de pessoas gays, trans etc. O mais cruel nesse potencial cenário é que, a maior parte dos integrantes de grupos ditos minoritários não se sentem, de fato, representados e não aquiescem com os devaneios de militantes extremados que pretendem falar em seu nome, mas, não obstante, sofreriam as consequências dessa segregação tácita. Muito diferente da civilidade e integração prometida, podemos ter o inverso: segregação e estigmatização de “minorias”, vistas como “grupo de risco” em se tratando de interações sociais.

Nem mesmo a interação humana mais básica estaria a salvo, já que até a vida amorosa pode sofrer um forte revés. Se conceitos como o da misoginia forem vulgarizados, o resultado será, por um lado, a estigmatização de homens (não exclusivamente eles, claro) como indivíduos que odeiam o sexo oposto pelas coisas mais banais e ridículas e, por outro, o temor exarcebado de mulheres, convictas de que a sociedade está repleta de misóginos e “estupradores em potencial” andando por aí, de interagir emocional e sexualmente com homens. A banalização de um enquadramento penal concorre para inflar os números da ocorrência daquele crime, fazendo com que a realidade pareça muito pior do que realmente é. Convencidas de que o ódio contra as mulheres está disseminado na sociedade, muitas mulheres hétero se absteriam de se conectar em um contexto romântico, ao passo que muitos homens se tornariam desconfiados e, crentes de que qualquer “deslize verbal” poderia conferir-lhes a pecha de “misóginos” a talvez uma temporada no xilindró, também optariam por ficar sós.

A desconfiança é um produto inevitável dessa rota de penalização da vida social que estamos trilhando. O mesmo vale para a chantagem. Assim como muitos encontram no “vou te processar” uma forma de exercer algum tipo de poder coercitivo sobre o outro, a possibilidade de mandar alguém para a cadeia com base em conceitos subjetivos como a ofensa facilitaria essa lógica e criaria um desequilíbrio em favor de alguns grupos sobre outros — não tenho dúvidas de que chamariam isso de “reparação histórica”. Não é difícil imaginar como isso poderia operar no contexto de relacionamentos, mas também do mercado de trabalho. Ameaçar denunciar por algum desses intermináveis “ismos” e imensuráveis “fobias” pode ser o meio perfeito para conseguir uma promoção, um aumento, evitar uma merecida demissão etc.

Aí temos a tal “civilidade”. Uma sociedade silenciada é uma sociedade sem diálogo, e com o diálogo se vai a porta para a sociabilidade. Uma sociedade segregada em guetos identitários é uma sociedade onde o outro é por demais “diferente”, “exótico”, talvez até mesmo um “rival”. Uma sociedade que não debate questões relevantes e que aceita que narrativas unilaterais interpretem a realidade compartilhada é uma sociedade que não tratará das questões ignoradas de forma adequada e que, portanto, não superará o preconceito de fato. Uma sociedade na qual até mesmo o amor torna-se arriscado, onde as interações mais micro e essenciais são negligenciadas, é uma sociedade onde o afeto a nível mais macro torna-se impossível. O resultado, ignorado por muitos de nossos intelectuais pseudoprogressitas misantropos inveterados, é uma sociedade onde impera a desconfiança mútua, onde o contato com o outro está envenenado. Essa dita “civilidade” da qual falam é uma farsa. A penalização de nossos cotidianos enfraquecerá ao invés de fortalecer os laços sociais. Não nos voltaremos mais para uma pretensa comunidade ou irmandade, mas mais para nós mesmos, mais para nosso próprio grupo a nível cada vez mais privado, mais isolado. E ainda acusam os liberais de desejarem uma sociedade atomista? Pois o que propõem nos relegará a um inevitável isolamento, muito distante dessa tal “alteridade” da qual tanto falam, transformando a vida social em um verdadeiro inferno social.

Fontes:

https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10655791/artigo-283-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941

https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10728090/inciso-lxi-do-artigo-5-da-constituicao-federal-de-1988

https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/padre-e-denunciado-por-transfobia-apos-falas-em-missa-no-ceara/

https://www.conjur.com.br/2025-jun-10/gilmar-sera-indenizado-em-r-150-mil-por-reportagem-caluniosa/




















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/a-penalizacao-da-vida-social-parte-1/

Serviços essenciais sem concorrência

 Milena Moscon Speroto Siqueira


A paralisação nacional dos trabalhadores da limpeza urbana, em maio de 2026, reacendeu o debate sobre a valorização de profissões essenciais. A coleta de lixo é indispensável para o funcionamento das cidades e para a própria saúde pública. Ainda assim, a discussão quase sempre segue o mesmo caminho: reajustes salariais, pressão sindical e dificuldade dos municípios em absorver custos cada vez maiores. O ponto mais estrutural da questão, porém, raramente entra no debate: a limpeza urbana funciona, na prática, dentro de um modelo com pouca concorrência real.

Em mercados competitivos, eficiência não é definida politicamente. Ela surge do próprio processo concorrencial. Empresas mais produtivas reduzem custos, melhoram operação, investem em tecnologia e ganham espaço. Já empresas ineficientes perdem clientes e participação. Esse mecanismo é o que permite identificar quais modelos conseguem equilibrar qualidade, produtividade e sustentabilidade financeira.

Na limpeza urbana, os incentivos funcionam de outra forma. O cidadão não escolhe qual empresa contratar, não pode migrar para um operador mais eficiente e tampouco deixar de pagar pelo serviço. A taxa de lixo possui caráter compulsório, enquanto a prestação costuma ocorrer por meio de contratos exclusivos por região, protegidos da concorrência direta. No fim, cria-se um ambiente em que a população financia obrigatoriamente um modelo sobre o qual possui pouca capacidade real de escolha ou pressão.

Isso ajuda a explicar por que o debate frequentemente se resume à redistribuição de custos e não à transformação da estrutura operacional. Quando surgem reivindicações salariais, empresas alegam dificuldade para absorver novos custos, municípios afirmam não possuir margem orçamentária e trabalhadores continuam pressionando por melhores condições. Enquanto isso, a população segue pagando compulsoriamente por um serviço que muitas vezes ainda é alvo de críticas quanto à qualidade e eficiência.

O problema, portanto, não está apenas no custo da limpeza urbana, mas na dificuldade de o próprio modelo revelar quais operações são realmente mais eficientes. Sem concorrência contínua, inovação tende a acontecer mais lentamente e grande parte dos ajustes acaba dependendo mais de renegociação política e contratual do que de melhoria efetiva da operação.

A discussão sobre serviços essenciais costuma partir da ideia de que, por serem indispensáveis, devem permanecer centralizados e rigidamente regulados, mas indispensabilidade social não elimina restrições econômicas. Enquanto eficiência depender mais de estruturas políticas do que de competição real, serviços essenciais continuarão operando sob pressão permanente para trabalhadores, municípios e cidadãos.

*Milena Moscon Speroto Siqueira é associada do Instituto Líderes do Amanhã. 










publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/servicos-essenciais-sem-concorrencia/


O abismo está mais perto

 Gilberto Simões Pires


Na semana passada, o jornalista Felipe Vieira compartilhou uma ANÁLISE CONTUNDENTE, produzida pela RC CONSULTORES, comandada pelo economista e ex-presidente do IBGE e do BNDES Paulo Rabello de Castro, ALERTANDO sobre o cenário econômico brasileiro. Com o título -O ABISMO ESTÁ MAIS PERTO-, o relatório da RC CONSULTORES avalia que as expectativas para -INFLAÇÃO, JUROS E CRESCIMENTO- vêm se deteriorando rapidamente, aumentando os riscos para a economia nos próximos anos. Eis: 

INFLAÇÃO

No relatório, os economistas destacam a sequência de REVISÕES PARA AS PROJEÇÕES DE INFLAÇÃO E O IMPACTO DESSE MOVIMENTO SOBRE AS EXPECTATIVAS DE MERCADO. Segundo a avaliação, a inflação projetada para o fim de 2026 alcançou 5,35%, avanço significativo em relação aos 3,87% estimados em fevereiro deste ano.  De acordo com a consultoria, a mudança ocorreu em um período relativamente curto. Em apenas QUATRO MESES, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou quase um ponto e meio percentual, refletindo uma percepção crescente de dificuldade para o controle da inflação. A análise aponta que o efeito dessa deterioração também aparece nas projeções para a taxa básica de juros. Em março, o mercado trabalhava com a expectativa de que a Selic encerraria 2026 em torno de 12% ao ano. Agora, segundo o levantamento citado pela RC Consultores, a previsão já se aproxima de 14%.

JUROS REAIS

Outro ponto destacado é o comportamento dos JUROS REAIS, considerados um dos mais elevados do mundo. Segundo o relatório, o juro real implícito para 2026 ultrapassa 8,6% ao ano, patamar que, na avaliação da consultoria, dificulta investimentos de longo prazo, reduz a expansão do crédito e aumenta os custos para empresas e famílias.

Embora as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) tenham apresentado leve melhora, com expectativa próxima de 2% para 2026, a RC Consultores considera que esse desempenho é sustentado principalmente pela expansão dos gastos públicos. Na avaliação da empresa, esse impulso pode não ser suficiente para garantir crescimento sustentável nos anos seguintes.

POLÍTICA FISCAL

A preocupação maior, no entanto, está concentrada em 2027. O relatório observa que as projeções já apontam desaceleração da atividade econômica, com crescimento estimado em torno de 1,66%, cenário que refletiria os efeitos prolongados de juros elevados e de um ambiente econômico menos favorável para investimentos privados. Os economistas da consultoria atribuem parte desse quadro à POLÍTICA FISCAL do governo federal. Segundo a análise, o aumento das despesas públicas teria contribuído para elevar a percepção de risco dos investidores, pressionando as expectativas de inflação e reduzindo a eficácia da política monetária conduzida pelo Banco Central.

O documento conclui defendendo uma mudança de rumo na condução econômica do país. Para a RC Consultores, sem medidas capazes de recuperar a confiança fiscal e reduzir as incertezas sobre as contas públicas, o Brasil poderá enfrentar um período mais prolongado de crescimento baixo, juros elevados e inflação resistente. A avaliação da consultoria reforça um debate que vem ganhando espaço entre economistas, investidores e agentes do mercado financeiro: o desafio de equilibrar crescimento econômico, controle da inflação e sustentabilidade das contas públicas em um cenário marcado por incertezas internas e externas.








publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/o-abismo-esta-mais-perto__18691

O presidente que governa por décadas

     Claudio Apolinario

       No Brasil, quem vence a eleição presidencial não governa apenas por quatro anos.

Existe uma conta que raramente aparece no debate eleitoral. E é a mais importante de todas.

Está nas atribuições do presidente da República Federativa do Brasil indicar os ministros da Suprema Corte do País. As vagas se abrem pelas aposentadorias de cada magistrado — quando os ocupantes completam 75 anos, idade limite estabelecida pela Constituição.

O presidente que tomará posse em 2027, por exemplo, poderá indicar até quatro dos onze membros da corte mais poderosa do país — 3 vagas que se abrem pelas aposentadorias compulsórias previstas para 2028, 2029 e 2030 — somada a uma vaga já aberta antes da posse.

Quatro em onze. Mais de um terço do Supremo Tribunal Federal.

Mas o número que realmente importa não é esse. É o tempo que esses ministros ficam no cargo depois de indicados, somado à visão de mundo que o ministro indicado carrega para dentro da corte.

Um ministro indicado aos 55 anos permanece na corte por 20 anos. Um indicado aos 50 anos permanece por 25. O ministro empossado mais recentemente tem previsão de permanência até 2050. Isso significa que as escolhas feitas pelo próximo presidente vão moldar as decisões do Supremo até meados do século — décadas depois que esse presidente tiver deixado o cargo.

Na prática, o próximo presidente governa o Brasil por 20 anos. Especialmente num momento em que decisões judiciais têm definido o que pode ser dito, publicado e investigado no país.

Uma das formas mais questionadas de exercício desse poder são as chamadas decisões monocráticas — quando um único ministro, sozinho, sem votação dos demais, define algo que afeta todo o país. Não é um colegiado decidindo. É uma pessoa. Sem eleição, sem mandato fixo, sem aprovação popular. Uma pesquisa da Genial/Quaest mostrou que 66% dos brasileiros querem limites para esse tipo de decisão.

A insatisfação existe. O mecanismo para mudá-la também.

E aqui está o ponto que o debate eleitoral quase nunca toca: nenhum ser humano consegue separar completamente seus valores pessoais de suas decisões. Isso não é crítica — é natureza humana. Um presidente indica para o Supremo pessoas que compartilham sua visão de mundo, sua forma de entender o que a lei permite e o que o governo pode fazer. Não existe indicação neutra. Nunca existiu.

A história confirma esse padrão. Cada composição do Supremo reflete os governos que a construíram. Os valores de quem indica ficam na corte muito depois do mandato acabar.

Uma pesquisa Atlas realizada em março de 2026 mostrou que 60% dos brasileiros não confiam no STF — o maior índice de desconfiança desde que a série histórica começou a ser medida. O Brasil está insatisfeito com a corte que tem. E o próximo presidente vai moldá-la por décadas.

O voto para presidente não é apenas uma escolha sobre os próximos quatro anos de governo. É uma escolha sobre quem vai decidir questões fundamentais para o Brasil até 2045, 2050 e além. Liberdade de expressão. Propriedade. Limites do poder do Estado. Direitos individuais. Essas questões passam pelo Supremo — e o Supremo é composto por pessoas com visões de mundo definidas.

O eleitor informado vota com essa consciência — seu voto vai além do presidente. Decide também quem vai interpretar a Constituição pelas próximas décadas.

A pergunta que cada um deveria fazer antes das eleições não é apenas "quem vai gerir melhor a economia nos próximos quatro anos?" É também: "quais valores esse candidato vai instalar na Suprema Corte do nosso país para as próximas duas décadas?"

São perguntas diferentes. Com respostas que moldam gerações.

Quem entende esse mecanismo para de apenas criticar a Corte. Porque a Corte que temos é o resultado dos votos que demos para presidente. E a corte que teremos nas próximas décadas depende do voto que daremos.

Criticar sem votar com consciência é reclamar da chuva molhando a sala sem fechar a janela. A mudança está nas mãos de quem vota — não de quem apenas observa.

*             O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.












PUBLICADAEMhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/o-presidente-que-governa-por-decadas__18685


O fracasso do "Celular Seguro": Lula transfere a conta pro trabalhador

 rubinhonunes/youtube


O fracasso do "Celular Seguro": Lula transfere a conta pro trabalhador

clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=VgqsaBS9GeY

A Maior Derrota da Vida de Gilmar Mendes Aconteceu: Veja!

deltandallagnol/youtube


A Maior Derrota da Vida de Gilmar Mendes Aconteceu: Veja!


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=dZAznUDq764

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