Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

“O Ocaso do Império” e a missão dos brasileiros de hoje

    Lucas Berlanza


O fluminense Oliveira Viana, embora um autor clássico, não era, certamente, um liberal – ter servido de inspiração para o regime ditatorial de Getúlio Vargas e ensejar ao chamado “autoritarismo instrumental” como única forma de superar a falta de idealismo e sentimento de pertença cidadã dos brasileiros demonstram isso. Também ficou conhecido pela sua adesão às teses racistas então ainda muito em voga, em um tom oposto acerca do tema ao que seria adotado, por exemplo, por Gilberto Freyre e sua ênfase à miscigenação.

Nada disso, naturalmente, merece de nossa parte qualquer simpatia, ainda mais hoje quando, em um país com um aumento exorbitante no número de habitantes e muito mais urbanizado, nos esforçamos tanto por produzir valorosas iniciativas na sociedade civil para sanear o ambiente do nosso pensar político. Contudo, no pequeno volume O Ocaso do Império, de 1925, encontramos algumas avaliações bastante interessantes do cenário que antecedeu a derrubada do regime monárquico brasileiro. Não há, é verdade, tantos elementos que fujam ao que corriqueiramente se comenta; entre as influências está, por exemplo, a abolição da escravatura, que muito se aponta ainda hoje como causa da derrubada da Família Imperial.

Viana oferece uma descrição do movimento abolicionista, que “acentuou o sentimento de irritação” contra as instituições monárquicas ao conquistar o sucesso pretendido sem ofertar indenizações aos proprietários de escravos. “Esse ideal teve (…) um ambiente de dramaticidade vibrante, o mais próprio para fazer palpitar e comover um povo tão exuberantemente sensível e imaginativo como é o nosso”, de modo que, segundo o autor, “nenhum” dos grandes ideais que circularam no Brasil no Segundo Reinado “foi mais difuso, mais geral, mais popular do que este”. De tal modo, acreditava Viana, que em dado momento, pouco se acreditava que seria possível evitar o seu triunfo. Ele narra inclusive um episódio muito interessante, em que, no dia do advento da Lei Áurea, a Princesa Isabel se movia apressada para o Paço e Paulino, o Visconde de Uruguai, que “podia embaraçar o projeto”, desistiu “com fina elegância, em expressões que são um modelo de polidez, aticismo e ironia, declarando que, tendo cumprido o seu dever de cidadão, ia agora cumprir o seu dever de cavalheiro, ‘não fazendo esperar uma dama de tão alta jerarquia”.

O sociólogo elencou também o descrédito em que, aos olhos de muitos, as instituições monárquicas caíram, por diversificadas razões. Uma delas, a de que, diante da velhice e doença de D. Pedro II, antipáticos ao Conde D`Eu, marido da princesa, ou céticos quanto aos príncipes então jovens, os brasileiros da elite política e intelectual – que, lembremos, para Viana, estão sempre muito separados da “massa”, porque esta, (mal) educada em séculos de regime arquetipicamente “feudal” e patrimonialista, não teria construído qualquer senso de espírito público e cidadania capaz de sustentar plenamente uma democracia liberal – não enxergavam a monarquia subsistindo para um Terceiro Reinado.

A segunda seria o fato de que as lideranças dos grandes partidos – os liberais e conservadores, luzias e saquaremas, em cujos programas Viana também enxerga poucas diferenças práticas, a ponto de se servirem de retóricas e instrumentos, no governo, que combatiam e identificavam com o partido adversário, na oposição – começavam a se mostrar incomodadas demais com as intervenções do monarca. D. Pedro, é sabido, podia dissolver os Gabinetes ministeriais, ou poderiam ser convocadas eleições para o Parlamento, a fim de que ambos, Executivo e Legislativo, se harmonizassem; o Parlamentarismo sem opinião pública efetiva tornava “todos os atos políticos e administrativos” dependentes do Gabinete, que então montava “a ‘máquina’ do seu partido – pelos mesmos processos usados atualmente”, isto é, na República Velha, em que Viana vivia, “pelos oligarcas estaduais”.

Por isso, Viana acreditava que D. Pedro, usando do Poder Moderador, incumbia de “organizar o novo gabinete um prócer do partido oposto”, de tempos em tempos, a fim de “tanto quanto possível corrigir estes processos, impedir a montagem dessas ‘máquinas’”, e foi isso que teria garantido a estabilidade do regime por tantas décadas. A mesma prática, porém, – sobretudo, diz o autor, a partir da intervenção no gabinete Zacarias de Góes e Vasconcelos para substituí-lo, contra a maioria do Parlamento, pelo gabinete conservador de Itaboraí, em 1868 -, acabou levando à indisposição política de setores barulhentos contra o seu papel institucional. Seria, ele supunha, tal como alguns conservadores monárquicos supuseram ao defender o Poder Moderador que o Brasil apresentava na prática, a única maneira, à época, de conter o mandonismo e a ausência de legalidade nas províncias e regiões.

Porém, nem isso, nem a própria ideologia republicana em si, que Viana demonstra, com dados numéricos, inclusive revelando a quantidade diminuta de periódicos em sua defesa, não ter sido tão penetrante, seriam os fatores mais interessantes apontados pelo autor na obra. O fator prioritário seria a agitação militar; sem isso, o golpe de 1889 não se daria e, mesmo que a monarquia viesse a cair, teria sido possível que isso ocorresse apenas após a morte de D. Pedro.

Viana descreve a dimensão comportamental e psicológica dos militares como algo diferenciado da psicologia política e partidária; os militares teriam um forte espírito coorporativo, e, por obra da instigação dos próprios civis, sua inserção passional e exacerbada nas discussões e contendas políticas teria criado o monstro que devoraria o próprio regime. Teria havido um “grande programa de exploração sistemática das Forças Armadas, desenvolvido” no Brasil “desde 1870, com inegável habilidade, pela classe dos políticos civis”, visando “preparar um conjunto de circunstâncias, um ambiente apto a constituir como que um campo de atritos entre as suscetibilidades conhecidas da classe militar e as atitudes políticas dos gabinetes ou de uma dada situação partidária”. Foi isso que acabou sepultando o Império; o movimento de 1889 era lido, de início, como uma desarticulação do gabinete do Visconde de Ouro Preto, contra o qual se indispunham certas alas militares, mas acabou desembocando no desmantelamento de todo o sistema e o triste exílio imposto ao monarca.

A insatisfação com a realidade, que hoje inclusive também nos domina, pode levar ao cultivo de ideias revolucionárias, ao ímpeto de destruir o edifício do passado e implantar a absoluta novidade pela força. Nosso golpe republicano, a partir do qual destratamos de maneira tão vexatória um dos nossos governantes mais admiráveis, é um demonstrativo disso. Parece-nos que a própria evolução do regime ao longo do tempo, desde 1824 até então, evolução da qual participa até o figurino “parlamentarista” que veio a assumir, indica que tínhamos alternativa a simplesmente destruir tudo. Inclusive, no seio do monarquismo, reformas já eram discutidas e propostas. No entanto, a paciência e a prudência raramente prevalecem por aqui; tendo isso em mente, vejamos o que dizia, em carta confidencial de 1887 transcrita por Oliveira Viana, portanto alguns anos antes da República, o famigerado marechal e presidente Floriano Peixoto:

“Vi a solução da questão da classe, excedeu sem dúvida a expectativa de todos. Fato único, que prova exuberantemente a podridão que vai por este pobre país e, portanto, a necessidade da ditadura militar para expurgá-la. Como liberal que sou, não posso querer para meu país o governo da espada; mas não há quem desconheça, e aí estão os exemplos, de que é ele o que sabe purificar o sangue do corpo social, que, como o nosso, está corrompido”.

O próprio Oliveira Viana acreditou na força violenta de Vargas para equacionar os dramas nacionais. Contudo, qualquer que seja o valor de suas apreciações e de suas atitudes, apenas o levantamento desse pequeno documento já vale a leitura do livro. Floriano expressa muito da nossa falta de senso de orientação cíclica, que nos deixa prontos a querer resolver tudo com um absoluto revolver de todas as instituições e de toda a conexão com um passado histórico e uma continuidade, em busca de uma unidade armada que possa solucionar a nossa cultura cidadã invertebrada.

Quero crer, contra Oliveira Viana, que, quando muito por vivermos hoje um outro momento, podemos fazer melhor do que isso. Podemos fazer algo diferente do que fizeram os republicanos golpistas, ao escorraçar indignamente do Brasil um dos seus maiores homens de bem, ou do que fizeram os próceres do Estado Novo varguista, como o próprio Viana, após a Revolução de 1930. Quero crer que é possível semear as boas ideias e construir um espírito de autonomia e cidadania a partir de nossa sociedade civil. É a missão que movimentos, think tanks e intelectuais liberais e conservadores precisam trabalhar para cumprir hoje e construir um melhor amanhã.








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Deputado Sanderson aciona TCU para investigar gastos de 'autoridades' no 'Gilmarpalooza'

 Parlamentar pede levantamento de despesas com viagens, hospedagens e diárias custeadas pelo poder público

Isabela Jordão - Revista Oeste


O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) protocolou uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) para apurar os gastos públicos relacionados à participação de autoridades brasileiras no Fórum de Lisboa 2026, mais conhecido como “Gilmarpalooza”, realizado em Portugal. 

O evento, promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, reúne integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de empresários, advogados e representantes de diferentes segmentos econômicos. 

Na petição encaminhada ao TCU, Sanderson solicita a verificação da regularidade das despesas custeadas por órgãos públicos, incluindo passagens aéreas, hospedagens, diárias e outros gastos vinculados às viagens internacionais dos participantes.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, ao menos 135 autoridades e servidores públicos receberam autorização para comparecer ao encontro. Somente os custos autorizados por parte dos órgãos envolvidos já somariam centenas de milhares de reais, sem considerar passagens e demais despesas associadas.


Ofício 275/2026

Assunto: Representação por possível desvio de finalidade e violação dos princípios da Administração Pública no custeio de viagens internacionais de agentes públicos destinadas à participação no denominado Fórum de Lisboa 2026. Senhor Ministro, Cumprimentando-o cordialmente, sirvo-me do presente para encaminhar a Vossa Excelência representação sejam apurados fatos relacionados ao custeio de viagens internacionais de agentes públicos destinadas à participação no denominado Fórum de Lisboa 2026, bem como para que sejam avaliadas medidas normativas e de controle voltadas à ampliação da transparência, da moralidade administrativa e da prevenção de conflitos de interesses em eventos semelhantes realizados no exterior, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. 

A presente representação decorre de informações amplamente divulgadas pela imprensa nacional 1 indicando que ao menos 135 autoridades e servidores públicos vinculados aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário receberam autorização para participar do Fórum de Lisboa, evento realizado em Portugal e tradicionalmente associado ao Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Ferreira Mendes. As reportagens apontam que parcela significativa dos custos relacionados às viagens, hospedagens e diárias está sendo suportada por recursos 1 Acesso em 31 de maio de 2026. Acesso em 31 de maio de 2026. Brasília – DF | Câmara dos Deputados, Anexo I

Segundo os dados divulgados, apenas o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí e o Tribunal de Contas da União teriam autorizado despesas que, somadas, alcançariam aproximadamente R$ 692.000,00 em diárias, sem considerar passagens aéreas e demais custos correlatos. 

Há ainda registros de autorizações concedidas por diversos outros órgãos públicos, sem que exista, até o momento, divulgação consolidada dos gastos totais, dos critérios utilizados para seleção dos participantes, dos objetivos institucionais específicos de cada deslocamento ou dos resultados concretos obtidos em favor da administração pública. 

Embora não se questione, em tese, a legitimidade da participação de agentes públicos em congressos, seminários e fóruns acadêmicos nacionais ou internacionais, é indispensável observar que toda despesa pública deve atender aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal. 

O dispêndio de recursos públicos para custear deslocamentos internacionais somente se justifica quando demonstrada, de forma objetiva e documental, a existência de interesse público direto, específico e mensurável, capaz de justificar a utilização de verbas oriundas dos contribuintes. 

No caso em análise, chama atenção a expressiva quantidade de autoridades públicas participantes, oriundas de instituições que exercem funções de julgamento, fiscalização, regulação, controle, persecução, advocacia pública e elaboração legislativa. 

A reunião simultânea de membros dos três Poderes da República em ambiente que também congrega empresários, advogados, representantes de setores regulados e agentes econômicos com interesses submetidos à atuação estatal exige especial atenção dos órgãos de controle, não necessariamente em razão da ocorrência de irregularidades concretas já comprovadas, mas em razão da necessidade de preservação da confiança pública, da imparcialidade institucional e da integridade das funções exercidas pelos participantes.

A Constituição Federal impõe à Administração Pública não apenas o dever de agir dentro dos limites formais da legalidade, mas também a obrigação de observar padrões elevados de moralidade administrativa. A jurisprudência consolidada dos tribunais superiores reconhece que o princípio da moralidade possui conteúdo jurídico próprio e exige comportamento compatível com os valores éticos que devem nortear o exercício da função pública. 

Nesse contexto, a utilização de recursos públicos para participação em eventos cuja programação combine atividades acadêmicas, institucionais, sociais e de relacionamento demanda mecanismos rigorosos de controle e transparência. A ausência de divulgação prévia e padronizada dos custos totais envolvidos, dos critérios de escolha dos participantes, das agendas oficiais cumpridas, dos encontros institucionais realizados e dos resultados efetivamente alcançados dificulta o controle social e compromete a plena observância do princípio da publicidade. 

Em uma República fundada na prestação de contas e na transparência administrativa, não basta que a despesa seja formalmente autorizada; é necessário que a sociedade possa compreender, fiscalizar e avaliar sua efetiva utilidade pública. 

Também merece especial atenção a circunstância de que eventos dessa natureza frequentemente reúnem autoridades responsáveis pela tomada de decisões relevantes para setores econômicos específicos, incluindo instituições financeiras, empresas reguladas, grupos empresariais e organizações com interesses perante o Poder Público. 

Ainda que não exista qualquer prova de conduta ilícita, o simples risco de surgimento de situações potencialmente caracterizadoras de conflito de interesses, influência indevida, captação de prestígio institucional ou comprometimento da aparência de imparcialidade recomenda atuação preventiva dos órgãos de controle. 

Nesse sentido, ganham relevância informações públicas que associam edições anteriores do evento à presença de representantes do Banco Master e de seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro. É de conhecimento público que a referida instituição financeira tem figurado em debates relevantes envolvendo o sistema financeiro nacional, operações empresariais e temas sujeitos à atuação de órgãos reguladores, fiscalizadores e jurisdicionais. 

Embora a mera participação de empresários em eventos acadêmicos não configure qualquer irregularidade, a coexistência de agentes privados com interesses potencialmente submetidos à apreciação estatal e de autoridades públicas investidas de funções decisórias exige elevados padrões de transparência, governança e prestação de contas. 

Por essa razão, mostra-se legítimo e necessário que o Tribunal de Contas da União avalie se os órgãos participantes adotaram mecanismos adequados para prevenção de conflitos de interesses, controle de agendas institucionais, registro de reuniões, prestação de contas das atividades realizadas e demonstração dos benefícios concretos decorrentes da participação de seus agentes no evento. 

Mais do que a apuração dos fatos específicos relacionados ao Fórum de Lisboa 2026, a presente representação busca provocar reflexão institucional acerca da necessidade de aperfeiçoamento dos mecanismos de governança aplicáveis à participação de agentes públicos em eventos realizados no exterior. 

Atualmente, observa-se significativa heterogeneidade nos critérios adotados pelos diversos órgãos da Administração Pública para autorizar viagens internacionais, custear despesas e divulgar informações relacionadas às missões oficiais. Tal cenário recomenda a atuação do Tribunal de Contas da União, no âmbito de suas competências constitucionais, para avaliar a conveniência de expedir orientações, recomendações ou determinações voltadas à uniformização de procedimentos mínimos de transparência e controle. 

Entre tais medidas, poderiam ser consideradas a obrigatoriedade de divulgação prévia dos participantes e dos custos estimados; a publicação integral das agendas institucionais; a identificação das fontes de financiamento; a apresentação obrigatória de relatórios circunstanciados de resultados; a divulgação de reuniões realizadas com agentes privados; e a demonstração objetiva dos benefícios institucionais obtidos com cada participação.

A adoção dessas medidas não possui caráter restritivo nem busca impedir a participação de agentes públicos em eventos acadêmicos ou institucionais relevantes. Ao contrário, objetiva fortalecer a legitimidade dessas participações, assegurar a correta aplicação dos recursos públicos e preservar a credibilidade das instituições perante a sociedade. A crescente preocupação social com os gastos públicos, especialmente em deslocamentos internacionais de autoridades, torna imprescindível que os órgãos de controle promovam mecanismos que ampliem a transparência e permitam avaliação objetiva da relação custo-benefício dessas atividades. A transparência não deve ser vista como obstáculo à atuação institucional, mas como instrumento de fortalecimento da confiança pública e de proteção dos próprios agentes públicos contra questionamentos futuros. 

Diante do exposto, requer-se o recebimento da presente representação para que o Tribunal de Contas da União promova fiscalização, em virtude de possível desvio de finalidade, bem como de possíveis violações aos princípios da legalidade, legitimidade, economicidade, eficiência e finalidade das despesas públicas relacionadas à participação de agentes públicos brasileiros no Fórum de Lisboa 2026. 

Sendo recebida, requer-se, também, que esta Corte identifique os órgãos que custearam passagens, hospedagens, diárias e demais despesas; verifique a existência de justificativas formais, relatórios de missão e resultados institucionais; avalie eventuais riscos relacionados a conflitos de interesses e à observância dos princípios da moralidade e da impessoalidade administrativa; e examine a conveniência de estabelecer diretrizes gerais de transparência, governança e prestação de contas aplicáveis à participação de membros e servidores da Administração Pública em eventos realizados no exterior, especialmente aqueles que reúnam simultaneamente autoridades públicas, agentes políticos, representantes de órgãos de controle, empresários e demais particulares com interesses potencialmente submetidos à atuação estatal. 

Por fim, requer-se que, constatadas falhas, lacunas normativas ou insuficiência dos mecanismos atualmente existentes, sejam adotadas as providências cabíveis para aprimorar o controle e a transparência dessas despesas, em prestígio aos princípios republicanos, à moralidade administrativa, à publicidade dos atos estatais e ao dever constitucional de proteção do patrimônio público. 

Deputado Ubiratan Sanderson


No documento, o deputado argumenta que a aplicação de recursos públicos deve observar os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade e eficiência. Segundo ele, deslocamentos internacionais financiados pelo Estado exigem comprovação objetiva de interesse público, transparência na divulgação dos custos e prestação de contas sobre os resultados alcançados. 














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De 123 países analisados, 111 cresceram mais que o Brasil nos últimos 14 anos.

 GILBERTO NASCIMENTO/FACEBOOK


De 123 países analisados, 111 cresceram mais que o Brasil nos últimos 14 anos.Índia +140%, Vietnã +200%, China +230%... enquanto o Brasil acumulou queda de 9% na renda per capita. Dívida pública chegando a 100% do PIB, 92% do orçamento travado e eleições chegando. A pergunta é: você vai deixar esse dado passar em branco?






Vaza Nova Farra de Vorcaro com Políticos: Noite das Astronautas!

 deltandallagnol/youtube


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A CENSURA e a CORRUPÇÃO estão COBRANDO o PREÇO

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Fraude no INSS: o governo Lula tenta abafar o escândalo da família?

 revistaoeste/youtube


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Flávio Contra-Ataca Lula com Jogada Genial!

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UMA VIDA TODA PARA CONQUISTAR O BÁSICO

 FOMOSCENSURADOS/FACEBOOK


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VOCÊ TRABALHA PARA PAGAR A MÁQUINA PUBLICA

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GILMARPALOOZA': Mídia portuguesa denuncia 'maior festival de lobby jurídico do planeta'

 revistaoeste/youtube


GILMARPALOOZA': Mídia portuguesa denuncia 'maior festival de lobby jurídico do planeta'


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terça-feira, 2 de junho de 2026

O Brasil e a ética do necrotério

  Alex Pipkin


O Brasil parece não ser mais uma República; em inúmeros contextos, lembra um estádio de quinta categoria, com o gramado em lama e as arquibancadas tomadas por uma turba bêbada de pertencimento.

No campo da política, parece que não existem cidadãos; mas fanáticos morais que, entre um urro e outro contra o adversário, já não percebem que o país apodrece sob os próprios pés.

A tragédia nacional não é a falta de caráter dos nossos homens públicos; isso já virou paisagem. A tragédia é a metástase da conveniência no cérebro de muitos homens comuns.

Quando surge um novo escândalo, como esse balé milionário envolvendo herdeiros políticos e banqueiros de ocasião, a pergunta nunca é sobre a verdade dos fatos. A única questão capaz de fazer o córtex de muitos brasileiros vibrar é: “atinge quem?”.

Se o alvo é o inimigo, celebra-se com o êxtase de um gol nos acréscimos. Se o alvo é o aliado, entram em cena os acrobatas da relativização, os especialistas em “contexto” e os sacerdotes da cegueira seletiva.

O sujeito que ontem desmaiava de indignação diante da corrupção alheia hoje explica, com a serenidade de um mestre zen, por que milhões suspeitos são apenas “relações institucionais”. Do outro lado, o humanista de fachada, que jura defender garantias democráticas, converte qualquer denúncia contra o rival em prova definitiva do apocalipse.

Parece que ninguém busca o fato; buscam o álibi. Os fatos tornaram-se adereços cênicos numa guerra tribal movida a ressentimento e fome de revanche.

Vivemos o triunfo da ética de torcida. Se o gatuno usa a nossa cor, absolve-se; se usa a cor oposta, exige-se a guilhotina. Não há princípios, apenas alinhamentos de alcateia?

Com tantos escândalos de corrupção, a honestidade no Brasil nos faz acreditar que transformou-se numa excentricidade decorativa, uma peça vintage esquecida numa vitrine empoeirada que ninguém mais sabe como operar.

A política no país afunda, mas a claque vibra porque o rival caiu primeiro no esgoto. O mais humilhante disso tudo é assistir a pessoas aparentemente racionais dedicando inteligência genuína à tarefa de defender o indefensável. O brasileiro médio já não pensa para compreender a realidade; pensa para absolver sua própria tribo. Funesto. Pouco importa quem embolsou o quê. O que resta é a constatação de que muitos já não desejam uma nação decente.

Querem apenas o prazer de vencer o outro lado, mesmo que a comemoração aconteça dentro de um necrotério vestido de verde e amarelo.

Dizem que sou pessimista. Pode ser. Mas necrotérios raramente inspiram otimismo.





















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PL e STF: inimigos, mas com alguma coisa em comum

   Bernardo Santoro


Esse é um artigo bem incômodo para todos nós que somos de direita.

Mas a verdade é que quanto mais alta a escala de poder, mais os interesses têm menos a ver com ideologia e mais a ver com dinheiro.

A produtora americana do filme nega ter recebido o dinheiro. O depósito foi numa empresa do Texas aonde o Eduardo Bolsonaro está. O dinheiro é alto demais para o custo do filme. O pedido do dinheiro é feito quando os escândalos já estava estourados há muito tempo. O valor é 13 vezes maior do que o dinheiro encontrado em caixa para ressarcir as fraudes públicas.

E, o pior, é a desculpa: “é dinheiro privado”.

Essa desculpa é EXATAMENTE A MESMA feita pelo escritório da mulher de Alexandre de Moraes para justificar os 129 milhões de reais em contrato jurídico.

“É uma empresa privada. Somos um escritório privado”.

Desculpe-me, mas essa desculpa parece com outra coisa que a gente encontra na privada.

O Banco Master é um escândalo que une bolsonarismo e STF. Vimos na semana retrasada que Alexandre de Moraes operou ativamente para derrubar Bessias do STF, e se juntou a Flávio e Alcolumbre contra Lula e o PT. Os interesses em Brasília se convergem e se afastam todo dia, dependendo do tema. O inimigo de hoje pode ser o aliado de amanhã, sempre quando a oportunidade e o parceiro certo surgem.

E nos próximos meses, o PT se vender como paladino da ética ao acelerar a CPI do Master. Se Lula tiver que sacrificar Moraes para vencer a eleição, ele o fará sem pena. Não há ética entre vagabundos no Brasil.

Não acredite em partidos. Acredite em pessoas e ideias. E troque as pessoas de vez em quando as pessoas não corresponderem mais às ideias.






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'O prefeito e a professora'

 Augusto Nunes: Uma viagem pelo país que existiu antes da abolição da vergonha


Casada com um homem que foi prefeito quatro vezes, Emilia Menon Nunes da Silva detestava ser chamada de primeiradama. “Quem gosta desses fricotes é gente metida a besta”, resumia a filha de um imigrante austríaco e de uma italiana do Vêneto. Ela preferia ser Biloca, apelido que surgiu na infância, atravessou a adolescência e foi atualizado com um “Dona” quando a jovem professora primária começou a lecionar no Grupo Escolar Domingues da Silva. No dia em que minha mãe morreu, foi de Dona Biloca que a cidade inteira se despediu. 

Com o tempo, ela ficou menos intolerante com os que insistiam em promovê-la a primeira-dama. Mas continuou achando ridícula a estrangeirice. “Mulher de prefeito não tem voto nem mandato. É muito esquisito ocupar um cargo público que não existe sem ter disputado nenhuma eleição. Ninguém vota ou deixa de votar em mim. Quem ganha ou perde é meu marido.”

Dona Biloca raramente acompanhava o prefeito em cerimônias oficiais, mantinha distância de comícios e subiu num palanque uma única vez (para garantir que o filho Tato Nunes, que também seria prefeito, sempre fora um bom menino). “Não gosto dessas brigalhadas de campanha eleitoral, acho uma bobagem ficar trocando ofensas”, repetia. “Tenho dezenas de alunos e cinco filhos. Não sobra tempo para essa confusão que termina quando acaba a campanha.”

Só no dia da apuração, Dona Biloca assumia o comando de uma operação altamente relevante: cabia-lhe impedir que a temperatura ambiente alcançasse altitudes siderais na sala atulhada de interessados na contagem dos votos. A cada meia hora, ela reaparecia na porta da sala de visitas, vinda do quarto no meio do corredor, com uma bandeja repleta de comprimidos que era esvaziada em poucos minutos. Doses cavalares de Lexotan impediam baixas na multidão que ouvia o noticiário do rádio com o coração na boca. 

Só dispensava tranquilizantes o marido, que confundiu a certidão de nascimento com um convite para alguma festa sem prazo para acabar. Adail Nunes da Silva atravessou a vida sorrindo, discursando, contando casos, dançando, cantarolando e comemorando triunfos nas urnas aos beijos e abraços com velhos parceiros ou eleitores anônimos. Quem se intrigava com os temperamentos contrastantes do casal ouvia a explicação de Dona Biloca: “Nunca fui de muita esfregação”. Perguntei à minha mãe, mais de uma vez, por que meu pai resolvera estrear na política já como candidato a prefeito, com apenas 30 anos e enfrentando os líderes dos dois grupos que duelavam desde o fim da República Velha. A resposta nunca mudou: “Ele sempre foi muito exibido”. 

Ela tinha 12 anos quando perdeu o pai, administrador de uma fazenda de café. O filho mais velho herdou o cargo, mas o salário foi reduzido à metade. A queda brusca na renda familiar seria uma cicatriz na alma de Dona Biloca. Ela não conseguia ocultar a inquietação quando o fim dos quatro anos de mandato do prefeito anunciava o começo de outro quadriênio sem contribuições financeiras do marido. 

Ele retomava o trabalho de advogado, mas um político visceral não cobra honorários de eleitores. O pagamento vem em forma de voto. Então, descobri que a mulher avessa a esfregações se derretia em demonstrações explícitas de ternura ao conviver com pequenos desvalidos. Enquanto ensinava, ela contemplava com cafunés que os filhos desconheciam alguma vítima da pobreza crônica. No meu primeiro dia como aluno, soube que nada levaria para comer na hora Só no dia da apuração, Dona Biloca assumia o comando de uma operação altamente relevante: cabia-lhe impedir que a temperatura ambiente alcançasse altitudes siderais na sala atulhada de interessados na contagem dos votos. 

A cada meia hora, ela reaparecia na porta da sala de visitas, vinda do quarto no meio do corredor, com uma bandeja repleta de comprimidos que era esvaziada em poucos minutos. Doses cavalares de Lexotan impediam baixas na multidão que ouvia o noticiário do rádio com o coração na boca. 

Só dispensava tranquilizantes o marido, que confundiu a certidão de nascimento com um convite para alguma festa sem prazo para acabar. Adail Nunes da Silva atravessou a vida sorrindo, discursando, contando casos, dançando, cantarolando e comemorando triunfos nas urnas aos beijos e abraços com velhos parceiros ou eleitores anônimos. Quem se intrigava com os temperamentos contrastantes do casal ouvia a explicação de Dona Biloca: “Nunca fui de muita esfregação”. 

Perguntei à minha mãe, mais de uma vez, por que meu pai resolvera estrear na política já como candidato a prefeito, com apenas 30 anos e enfrentando os líderes dos dois grupos que duelavam desde o fim da República Velha. A resposta nunca mudou: “Ele sempre foi muito exibido”. Ela tinha 12 anos quando perdeu o pai, administrador de uma fazenda de café. O filho mais velho herdou o cargo, mas o salário foi reduzido à metade. A queda brusca na renda familiar seria uma cicatriz na alma de Dona Biloca. 

Ela não conseguia ocultar a inquietação quando o fim dos quatro anos de mandato do prefeito anunciava o começo de outro quadriênio sem contribuições financeiras do marido. Ele retomava o trabalho de advogado, mas um político visceral não cobra honorários de eleitores. O pagamento vem em forma de voto. Então, descobri que a mulher avessa a esfregações se derretia em demonstrações explícitas de ternura ao conviver com pequenos desvalidos. Enquanto ensinava, ela contemplava com cafunés que os filhos desconheciam alguma vítima da pobreza crônica. 

No meu primeiro dia como aluno, soube que nada levaria para comer na hora do recreio. “Você tomou café agora e vai almoçar quando voltar”, disse Dona Biloca. “Os meninos da roça só vão comer no almoço, isso se houver comida suficiente.” Naquele tempo, não existia merenda escolar. Ficou exultante com a invenção das sandálias havaianas. “Crianças pobres andam descalças porque não têm dinheiro para comprar sapatos”, disse. “Essa sandália vai impedir o contato humilhante da sola do pé com a terra.”

Confrontada com manobras políticas que a inquietavam, limitava-se a evocar velhas verdades. Uma de suas frases favoritas: quanto mais se agacha, mais se mostra o traseiro. Quando o marido contou que uma mudança na direção dos ventos o obrigaria a apoiar o adversário histórico, Dona Biloca retrucou com uma curta aula de sensatez. “Pense bem no que vai dizer a quem brigou com o vizinho por não querer conversa com alguém capaz de votar num candidato que diz coisas terríveis sobre você”, aconselhou. “Políticos brigam ou ficam amigos como se fosse a coisa mais normal do mundo. O povo não é assim.”

Viúva, continuou reincidindo na única ilegalidade que se permitia, inaugurada no primeiro mandato do marido. Aos sábados, sempre perto das 10 horas da noite, meu pai estava fora, fazendo campanha em algum ponto da cidade ou na sessão de cinema. Então, alguma mulher visivelmente pobre aparecia no portão de casa para contar a mesma história e apresentar a mesma reivindicação. O filho, que sempre foi um menino de ouro, dera ultimamente de andar em má companhia, beber além da conta e meter-se em pancadarias. Acabara de saber que, na tarde daquele sábado, o rapaz fora preso por arruaça. Seguia-se o pedido: “A senhora pode dar um jeito de soltar meu filho?”. 

Dona Biloca instalava a mãe aflita numa cadeira na varanda, cruzava a sala de visitas, estacionava no canto da sala de jantar, empunhava o telefone de parede e ligava para a delegacia. Um soldado atendia, ela pedia para falar com o delegado, que nunca estava lá. Minha mãe repetia ao soldado a história que acabara de ouvir e reivindicava a soltura do detento. 

O soldado ponderava que não podia fazer aquilo sem a autorização do chefe e ouvia a mentira piedosa: “Diga ao doutor que conheço o rapaz. Ele foi meu aluno”. Dez minutos depois, aparecia no portão um jovem mal vestido, mas exibindo a euforia de quem ganhou sozinho na Mega-Sena acumulada. Mãe e filho se enlaçavam demoradamente, e abraçados sumiam na noite dizendo “Deus lhe pague, Dona Biloca”, que entrava em casa sem pressa, ligava de novo para a delegacia, dizia ao soldado “Deus lhe pague, moço”, antes de voltar à sala para sentar-se na poltrona em que se acomodava quando a campainha soou. 

Consumado o pequeno abuso de poder, ela exibia o sorriso travesso de quem cometera o mais perdoável dos pecados. Por que escrever sobre essas figuras se tantos horrores presentes imploram por espaços no noticiário? Porque é preciso lembrar que há menos de 40 anos o país não perdera de todo a vergonha na cara. É possível recriar um país em que um prefeito comovia os filhos por legar-lhes apenas um cheque especial no vermelho. 

Naquele Brasil, uma professora casada com o prefeito via no título de primeira-dama a contrafação caipira de uma coroa feita sob medida para rainhas idiotas. Parece mentira, repito, mas conheci um país que revidaria com uma vaia de assustar o Maracanã a discurseira cretina do presidente analfabeto, e internaria num curso de reeducação de adultas imbecis a primeira-dama cujo séquito inclui faraonas, ploblemas e pírulas. 

Fora o resto.

Augusto Nunes - Revista Oeste















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