Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Dom Quixote: a liberdade como bem básico do cidadão

  Ricardo Vélez-Rodríguez 


Dom Quixote: a liberdade como bem básico do cidadão   

Dom Quixote, herói libertário. Nesta assertiva centrarei a minha exposição, que visa a destacar os aspectos culturais, sociais e antropológicos que Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616) desenvolve na sua magnífica obra. Concluirei ressaltando a feição moderna da heroicidade quixotesca.

I – DOM QUIXOTE, HERÓI LIBERTÁRIO.

Cervantes encarnou o liberalismo telúrico ibérico, que aflora em outras figuras dessa cultura. Após os estudos de Alexandre Herculano (1810-1877), Américo Castro (1885-1971), Francisco Martínez Marina (1754-1833), José María Ots Capdequí (1893-1975), Fidelino de Figueiredo (1889-1967), Sampaio Bruno (1857-1915), Francisco Clementino de San Tiago Dantas (1911-1964), etc., ficou claro que a tradição liberal é, na Península Ibérica, mais antiga que a vertente patrimonialista, que veio a se inserir na história dos povos espanhol e português como realidade adventícia, posterior a essa inicial aspiração a um individualismo estoico e libertário.

A tradição contratualista visigótica deu expressão a essa velha tendência independentista, belamente expressa nos Fueros Aragoneses, [1] e foi o ponto central das dores de cabeça de conquistadores alienígenas, como Napoleão Bonaparte (1769-1821). O Imperador dos Franceses começou o seu rápido declínio quando decidiu invadir os confins da Ilha europeia, a Península Ibérica e a Rússia. Defrontou-se com a tremenda capacidade de sobrevivência e o patriotismo do povo russo e com a particular heroicidade da sociedade espanhola, capaz de lutar até o último homem em prol da defesa da sua independência e da liberdade. O quadro de Francisco de Goya (1746-1828) que retrata os fuzilamentos de 1812 dá prova dessa capacidade de luta heroica dos ibéricos contra o invasor estrangeiro.

Destaquemos, aqui, um traço originalíssimo da gesta libertária portuguesa, em face do bonapartismo que invadia países e destronava reis. Dom João VI encarnou, na decisão de abandonar a Metrópole e transferir a capital do Reino para uma das Colónias, a figura libertadora do Monarca em face do invasor alienígena. Uma heroicidade encarnada na gesta do Rei português, que não duvidou em enfrentar o bravo Oceano, transferindo a capital do Reino para uma das Colônias, o Brasil. Heroicidade prática que, evitando o confronto armado, driblou o inimigo numa original e repentina retirada, pondo em prática uma saída estratégica já prevista, desde séculos anteriores, pela elite portuguesa.

Se há um traço que marca a personalidade de Dom Quixote, é o da defesa incondicional que o herói cervantino faz da liberdade. O ponto essencial do seu programa cavalheiresco é a ética da honra [2], que se centra na defesa da liberdade individual. Liberdade de ir e vir, liberdade de não ser importunado pelos burocratas do rei, liberdade de amar e de folgar com os amigos, liberdade para os cativos, liberdade das amarras contrarreformistas expressas no direito filipino e nos preconceitos inquisitoriais.

A defesa incondicional da liberdade, tal é o leitmotiv do belo discurso que Cervantes põe em boca de Dom Quixote, no Capítulo 58 da Segunda Parte da obra. Eis as palavras do herói cervantino quando deixa o palácio dos Duques, após ser tratado por estes com todas as delicadezas e afagos da alta nobreza: “A liberdade, Sancho, é um dos dons mais preciosos, que aos homens deram os céus; não se lhe podem igualar os tesouros que há na terra, nem os que o mar encobre; pela liberdade, da mesma forma que pela honra, se deve arriscar a vida, e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode acudir aos homens. Digo isto, Sancho, porque bem viste os regalos e a abundância que tivemos neste castelo, que deixamos; pois no meio daqueles banquetes saborosos (…) parecia-me que estava metido entre as estreitezas da fome; porque os não gozava com a liberdade com que os gozaria, se fossem meus (…)”.

Comentando o discurso de Dom Quixote, escreveu Mário Vargas Llosa: “Recordemos que o Quixote pronuncia esta louvação exaltada da liberdade ao partir dos domínios dos anônimos duques, onde foi tratado a corpo de rei por esse exuberante senhor do castelo, a encarnação mesma do poder. Mas, nos afagos e mimos de que foi objeto, o Engenhoso Fidalgo percebeu um invisível espartilho que ameaçava e rebaixava a sua liberdade, porque os não gozava com a liberdade com que os gozaria, se fossem seus. O pressuposto desta afirmação é que o fundamento da liberdade é a propriedade privada (…). Não pode ser mais claro: a liberdade é individual e exige um mínimo de prosperidade para ser real. Porque quem é pobre e depende da dádiva ou da caridade, nunca é totalmente livre” [3].

A liberdade apregoada e defendida por Dom Quixote é a que hodiernamente chamamos de liberdade negativa. Trata-se de uma liberdade não adjetivada, liberdade primária de ir e vir, essa liberdade que estimulou as revoltas espanholas, portuguesas e ibero-americanas, nas denominadas “conjurações”, seja dos comunheiros espanhóis do século XVI, seja dos nossos conjurados neogranadinos ou mineiros de fins do século XVIII. Ora, a liberdade primária defendida pelos conjurados latino-americanos é a de pensar e agir, a de não serem taxados os cidadãos sem prévia negociação com a Coroa.

Essa liberdade negativa é também defendida por Sancho Panza. Em face das complicadas tarefas de governador da Insula Barataria, o fiel escudeiro prefere a vida simples de quem se contenta com o trabalho manual e o alimento na hora certa; prefere essa vidinha aos luxos da corte e à complicada ritualística da governança, que lhe exige, entre outras coisas, entrar em combate com incômoda armadura que lhe impossibilita os movimentos, levar uma surra monumental dos inimigos fictícios e se submeter à famélica dieta prescrita pelos médicos, a fim de manter as aparências do palco da política.

Eis o discurso com o qual Sancho dispõe-se a justificar a sua saída do poder, para desfrutar a simples liberdade dos filhos de Deus: “Abri caminho, senhores meus, e deixai-me voltar à minha antiga liberdade; deixai-me ir buscar a vida passada, para que me ressuscite desta morte presente. Eu não nasci para ser governador, nem para defender ilhas nem cidades dos inimigos que as quiserem acometer. Entendo mais de lavrar, de cavar, de podar e de pôr bacelos nas vinhas do que de dar leis ou defender províncias nem reinos. Bem está São Pedro em Roma; quero dizer: bem está cada um, usando do ofício para que foi nascido. Melhor me fica a mim uma fouce na mão, do que um ceptro de governador; antes quero comer à farta feijões, do que estar sujeito à miséria de um médico impertinente, que me mate à fome; e antes quero recostar-me de Verão à sombra de um carvalho, e enroupar-me de Inverno com um capotão, na minha liberdade, do que deitar-me, com a sujeição do governo, entre lençóis de Holanda (…)”.

Dom Quixote, herói libertário. Mas, também, cavaleiro andante que luta em prol da justiça. Encontramos, na escala axiológica do herói cervantino, o culto insofismável a esses dois valores: liberdade, mas também justiça (que hoje denominaríamos de democracia, no sentido de igualdade perante a lei e ausência de privilégios). Dom Quixote, como fará Alexis de Tocqueville (1805-1859) três séculos mais tarde, bate-se por um liberalismo que concilia defesa da liberdade e defesa da justiça/igualdade [4]. O liberalismo telúrico quixotesco é, como o de Tocqueville, um liberalismo social.

O Cavaleiro da Triste Figura, embora reconheça a legitimidade dos poderes constituídos, desconfia dos seus excessos. Numa Espanha presidida pelo Estado patrimonial dos Áustrias, Dom Quixote fica com um pé atrás em face da autoridade. Esta, como nos subúrbios das grandes cidades brasileiras ou no nosso sertão, somente se fazia presente, na Espanha cervantina, para tornar mais difícil a vida do desprotegido cidadão. Quando os poderosos extrapolam os seus privilégios, utilizando uma legislação que, como a filipina, privilegiava quem tivesse recursos contra os que não tinham nada, o herói cervantino não duvida em favor de quem vai empunhar as suas armas: em defesa dos fracos.

Dom Quixote desconfia da autoridade, mas quer, ao mesmo tempo, o mundo em ordem. Ora, a paz social deveria ser obra dos indivíduos chamados por uma vocação especial – os cavaleiros andantes – a pôr ordem nas coisas humanas, sem que fosse necessário atribuir essa tarefa aos burocratas d’El-Rei, que certamente vão utilizar a parcela de poder que receberam para escravizar os seus semelhantes. Cervantes, como Tocqueville, apela para uma aristocracia da ordem, que se contraponha ao exercício da autoridade régia.

II – CONCLUSÃO: DOM QUIXOTE, MODELO DE HERÓI MODERNO.

Dom Quixote é o modelo do herói moderno. Cervantes é o precursor da heroicidade na literatura moderna, assim como Descartes (1596-1650) foi o precursor da filosofia moderna com o seu Discurso do Método. A essência da modernidade pode, certamente, ser condensada na seguinte ideia: o homem descobre a perspectiva antropocêntrica e faz, de si próprio, o centro do cosmo. Ora, nesse antropocentrismo prometeico e iconoclasta, o homem ousa representar Deus à sua imagem e semelhança.

Pois bem: Cervantes apropria-se dessa perspectiva antropocêntrica e ergue um ideal ético para o homem moderno: o da pessoa-amor, que ama incondicionalmente e que, ao redor desse amor-doação constrói o seu mundo, ou melhor, faz evanescer o mundo real na névoa da metáfora continuada da loucura quixotesca.

A fonte (neoplatônica e judaica) que inspira a esta perspectiva heroica é indubitável, e é o próprio autor quem a identifica no prólogo do Quixote, onde Cervantes escreve: “Se vos meterdes em negócios de amores, com uma casca de alhos que saibais da língua toscana topareis em Leão Hebreu, que vos encherá as medidas” [5]. O filósofo judeu espanhol, falecido na Itália em 1535, foi, com a sua clássica obra Diálogos de Amor, a voz inspiradora da loucura amorosa de Dom Quixote. Um pouco mais adiante, o mesmo pensador inspiraria a outro gênio do século XVII, o filósofo luso holandês Baruch Espinosa (1632-1677).

Intuiu com propriedade o genial Miguel de Unamuno (1864-1936) essa reviravolta ontológica, quando, na sua Vida de Don Quijote y Sancho, escreveu: “Dom Quixote amou a Dulcineia com amor acabado e perfeito, com amor que não corre atrás do deleite egoísta e próprio; entregou-se a ela sem pretender que ela se entregasse a ele. Lançou-se ao mundo a conquistar glória e louros, para ir logo depositá-los aos pés da sua amada” [6].

Em boa hora a editora Martin Claret entregou ao público brasileiro, em 2016, uma edição completa da imortal obra de Cervantes. Porque é justamente a lição de desprendimento heroico e de idealismo do bravo manchego, o exemplo de que mais precisamos, nós brasileiros, após terem sido submergidas as nossas instituições nas baixas e putrefatas águas da corrupção generalizada e do clientelismo rasteiro, nesta hodierna etapa da cultura patrimonialista, que tudo coloca a serviço de interesses clânicos e mesquinhos. Hoje, como ontem, O Quixote representa – repitamos aqui as palavras de Ivan Tourgueneff (1818-1883) – “ante todo a fé; a fé em algo eterno, imutável, na verdade, naquela verdade que reside fora do eu, que se não entrega facilmente, que quer ser cortejada e à qual nos sacrificamos, mas que acaba por se render à constância do serviço e à energia do sacrifício” [7].

Notas

[1] No ato de coroação do Rei, segundo os Fueros Aragoneses, o Justiça-mor recitava a seguinte fórmula: “Nós, que valemos tanto quanto vós e que, juntos, valemos mais do que vós, vos coroamos Rei para que zeleis pela nossa vida, liberdade e posses. Ou se não, não”. (Cf. da minha autoria: Liberalismo y Conservatismo en América Latina. Bogotá: Tercer Mundo / Universidades de Medellín, Libre de Pereira y Simón Bolívar, 1978).

[2] A “ética da honra” ou “da convicção” foi caracterizada por Max Weber como aquela norma de comportamento que se reporta unicamente à consciência moral, sem levar em consideração os resultados da ação. É a ética do “sim, sim, não, não” da pregação evangélica. Cf. Weber, Max. Ciência e política, duas vocações. (Prefácio de Manoel T. Berlinck; tradução de Leônidas Hegenberg e Octany Silveira da Mota). São Paulo: Cultrix, 1972.

[3] Vargas Llosa, Mario. “Una novela para el siglo XXI”, in: Cervantes, Miguel de, Don Quijote de la Mancha. (Edição do IV Centenário. Estudos introdutórios de Mario Vargas Llosa, Francisco Ayala e outros). Madrid: Alfaguara / Real Academia Española / Asociación de Academias de la Lengua Española, 2004, p. XIX.

[4] Tocqueville, Alexis de. A democracia na América. (Tradução, introdução e notas de Neil Ribeiro da Silva). Belo Horizonte: Itatiaia / São Paulo: Edusp, 1977, p. 329.

[5] Os Diálogos de Amor de Leão Hebreu, inicialmente publicados na Itália, eram bem conhecidos na época de Cervantes.

[6] Unamuno, Miguel de. Vida de Don Quijote y Sancho. Madrid: Alianza Editorial, 2004, p. 94.

[7] Tourgueneff, apud Luis Astrada Marín, “Cervantes y El Quijote”, in: Cervantes, Miguel de. El ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha. (Edição do IV Centenário, com gravuras de Gustavo Doré, comentário de Diego Clemencín. estudo crítico de Luis Astrana Marín e síntese acerca dos comentadores do Quixote, a cargo de Justo García Morales). Madrid: Editorial Castilla, s/d, (1947), p. LXXVII.













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Penduricalhos e o populismo judicial

    Lexum 


Combater penduricalhos ilegais no serviço público não é apenas correto. É necessário. A burla ao teto constitucional por meio de rubricas travestidas de “indenização” é uma das expressões mais desmoralizantes do nosso patrimonialismo: um país em que o Estado, em vez de servir, é capturado; e em que o privilégio, em vez de ser assumido, é disfarçado com linguagem técnica.

É precisamente por isso que a decisão recente do ministro Flávio Dino, determinando a revisão e suspensão de “penduricalhos ilegais”, produz um efeito ambivalente: ela mira um problema real, mas o faz por um caminho institucionalmente perigoso. E é aqui que mora o ponto central. Porque república não é só resultado. É limite. É método. É contenção.

A decisão acena para a moral — e, nesse gesto, busca se blindar. Quem ousaria criticar uma ordem que promete cortar supersalários? Quem teria coragem de questionar o combate à ilegalidade sem ser acusado, por reflexo, de defender a imoralidade? Eis a engrenagem perfeita do populismo judicial: escolher um alvo moralmente indefensável e, com isso, transformar qualquer crítica ao meio em suspeita sobre o fim.

Mas a Constituição não foi escrita para funcionar apenas quando é confortável. Ela existe, justamente, para os momentos em que é tentador demais ignorá-la.

O problema não está em dizer que penduricalhos ilegais devem cessar. Eles devem. O problema está em aceitar que um ministro do STF, por decisão monocrática, possa expedir uma ordem de alcance nacional aos Três Poderes, em todos os níveis federativos, como se a Suprema Corte fosse um órgão de governança administrativa do Estado brasileiro. O mérito da causa não apaga o vício do instrumento. Pelo contrário: é o mérito da causa que torna o instrumento mais perigoso, porque o disfarça sob aplausos.

E há um agravante técnico que deveria preocupar qualquer republicano: essa ordem nasce dentro de uma reclamação constitucional, um instrumento com objeto específico, voltado a preservar competência e autoridade de precedentes. A partir de um pedido delimitado, inaugura-se, por decisão individual, algo que se aproxima de um “processo estrutural” sem rito previsto em lei, sem limites objetivos claros, sem limites subjetivos definidos — e com uma característica típica de todo poder sem freio: tem começo, mas não tem fim.

Isso não é preciosismo. É devido processo. E devido processo, numa República, não é enfeite: é o mecanismo que impede o poder de se declarar virtuoso para, então, tornar-se ilimitado.

Há algo profundamente revelador nisso: a nossa cultura institucional parece incapaz de sustentar a legalidade sem recorrer a expedientes excepcionais. A lei não basta; o processo legislativo não basta; os órgãos de controle não bastam; a política não decide; e então a toga decide por todos. O Brasil se acostumou a terceirizar para o Judiciário a responsabilidade de governar. E o Judiciário se acostumou a aceitar esse papel. É assim que a exceção vira regra. E a ruptura vira método.

O efeito colateral é previsível. No curto prazo, corta-se um abuso. No longo prazo, fortalece-se a lógica de que a legitimidade decorre do fim moral pretendido — e não da competência constitucional. Se a causa é “boa”, o meio se torna invisível. E quando o meio se torna invisível, ele se torna replicável.

Hoje, o expediente é usado contra penduricalhos. Amanhã, será usado para impor políticas públicas, reorganizar prioridades orçamentárias, redesenhar competências administrativas ou “corrigir” omissões legislativas conforme o gosto do intérprete. O precedente está criado: a Suprema Corte não apenas diz o que a lei é; ela passa a dizer o que o Estado deve fazer. E o país, em nome de uma moral momentânea, vai aceitando — até que descobre, tarde demais, que entregou o volante.

E há ainda um segundo vício, mais silencioso: esse tipo de condução “estrutural” tende a tratar políticas públicas de forma fatiada, sem visão orçamentária e sem responsabilidade fiscal, porque o processo judicial não foi desenhado para escolher prioridades. O resultado é paradoxal: sob o pretexto de “corrigir” o Estado, desorganiza-se o Estado.

O ponto mais trágico é que a decisão nasce da falência dos próprios Poderes que deveriam enfrentar o problema. O Congresso deveria ter legislado com clareza sobre as verbas indenizatórias e seus limites. O Executivo deveria ter imposto racionalidade administrativa e transparência. Os órgãos de controle deveriam ter agido com mais consistência. Nada disso ocorreu com a firmeza necessária. E o STF entrou.

Mas esse “salvamento” não é neutro. Ele tem custo institucional. Ele enfraquece a política, reforça a dependência e amplia a ideia de que o Judiciário é um poder de tutela moral do país. O cidadão, que deveria ser protegido por regras, passa a ser governado por decisões. E a previsibilidade — que é o oxigênio de qualquer democracia republicana liberal — se dissolve.

No fim, o debate não é sobre defender penduricalhos. O debate é sobre defender o único antídoto real contra penduricalhos: instituições que funcionem sem precisar de heroísmo. Um país que depende de decisões monocráticas para fazer cumprir o óbvio não é um país moral. É um país frágil. E fragilidade institucional quase sempre termina do mesmo jeito: com mais poder concentrado em menos mãos.

O privilégio precisa acabar. Mas o método também importa. Porque, quando a moral vira pretexto para poderes infinitos, a República já começou a perder — ainda que, por alguns instantes, pareça estar vencendo.

*Leonardo Corrêa — sócio de 3C LAW | Corrêa & Conforti Advogados, com LL.M pela University of Pennsylvania, Cofundador e Presidente da Lexum e autor do livro A República e o Intérprete — Notas para um Constitucionalismo Republicano em Tempos de Juízes Legisladores.








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AS REDES FACILITAM DEMAIS O TOTALITARISMO PRA SEREM IGNORADAS PELOS LULAS DA VIDA

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LOUCO?! Moraes cria teoria da conspiração INSANA sobre vazamento da Receita!

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QG DA MENTIRA: O plano secreto do PT para melar a CPI do INSS!

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FIM DA LINHA? Relatório bomba da PF cita mais de dez encontros entre Toffoli e Vorcaro

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FRACASSO ÉPICO QUE A GLOBO NÃO CONSEGUE ESCONDER

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como o poder se comporta

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O desfile da Acadêmicos de Niterói mostrou algo muito maior do que um espetáculo de Carnaval: mostrou como o poder se comporta quando começa a acreditar que está acima das críticas.



BOLSONARO É UM PRESO POLÍTICO, VITIMA DO ALEXANDRE

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IMPOSTOS, IMPOSTOS E MAIS...IMPOSTOS

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PRÁ QUEM NÃO SABE, ESSE É O NOVO IBGE...

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

STF e o Banco Master: os heróis de fancaria acordaram?

  Carlos Junior


O escândalo do Banco Master domina a pauta política desde o seu advento. Não poderia ser diferente: Daniel Vorcaro, o encrencado dono da instituição liquidada, tinha relações muito próximas com políticos e juízes. Por tabela, ele teve o poder de encrencar gente poderosa de Brasília, o establishment quase inteiro. Com maior notoriedade, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes colocaram o Supremo Tribunal Federal na berlinda.

Ambos os ministros têm muito o que explicar. O primeiro possui uma série de conexões com parentes de Vorcaro e viajou com um advogado que defende um dos diretores do Banco Master para acompanhar a final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras. Já o segundo foi arrastado para o caso depois de ser revelado o valor do contrato do escritório de advocacia da sua mulher— R$ 129 milhões. Desde então, os magistrados são fortemente criticados.

Até aí, nenhuma surpresa. Os fatos sozinhos já seriam fortes motivações para a opinião pública ficar com um pé atrás, e o STF é alvo de críticas desde a sua atuação na Lava Jato. A novidade trazida pelo caso Master é o endosso das objeções à atuação suprema por parte de quem defendia incondicionalmente os membros da corte. Sim, estou falando da grande mídia.

De repente, as questões levantadas acerca do comportamento de determinados ministros romperam a bolha direitista. Exigir transparência deixou de ser uma pauta radical — não é assim que se define qualquer crítica ao trabalho sacrossanto dos sumos sacerdotes da democracia e do Estado de Direito? Tipos como Malu Gaspar, Miriam Leitão, William Waack, Merval Pereira e tutti quanti passaram a contestar os iluminados de toga, ainda que de forma tímida e calculada. A própria Miriam, aliás, ressalta o papel de salvador da democracia cumprido pela Corte até então.

A imprensa, o STF e o caso Master

A senhora Miriam sabe bem que as coisas não são assim. Ela pode até considerar que os seus divergentes não têm memória, mas eu tenho. Toda essa parafernália persecutória começou com uma capa da revista Crusoé e sua subsequente censura por parte do ministro Alexandre de Moraes. Seu colega, Dias Toffoli, instaurou o famigerado e perpétuo Inquérito das Fake News para apurar ”ataques e notícias falsas” contra membros da Corte. A reação imediata foi a desaprovação de ambos os atos de gente de todos os campos políticos, com o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) sugerindo o impeachment de Moraes.

Lembro bem que a CPMI das Fake News forneceu a base da narrativa utilizada pelo ministro Moraes para empreender uma caçada aos integrantes da direita. Aliás, ela foi presidida pelo senador Angelo Coronel (sem partido-BA), que foi rifado pelo petismo e busca novos ares para manter seu mandato — a revolução descarta os seus colaboradores quando a utilidade acaba. Já em 2020, a Polícia Federal realizou uma operação contra vários influenciadores direitistas. Salvar a democracia calando a boca de uma opinião intelectual? Interessante.

Lembro também que Moraes removeu contas de redes sociais, impediu o funcionamento de plataformas e determinou a prisão de jornalistas embasado em relatórios da PF que mais pareciam o choro de Frederico Varandas a cada vitória e título do Porto — o mandatário sportinguista não prende ninguém, ao menos. Tudo isso passando por cima da Constituição, do Código de Processo Penal, das garantias fundamentais e dos direitos que qualquer cidadão possui ao ser acusado de algo. Essas sandices totalitárias estão todas bem documentadas e qualquer pessoa com memória e vontade de buscar informações dará razão a este humilde colunista.

E o impeachment de ministros?

Por todas essas coisas, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes seria mais do que merecido. Era — e continua — um imperativo para a restauração da verdadeira democracia, aquela com pressupostos como separação de Poderes, limitação das atribuições de agentes públicos e igualdade perante a lei. Sabemos bem o desenrolar dos fatos nestes últimos sete anos. Nada disso tem mais valor, o país virou uma grande selva institucional e a nossa República respira por aparelhos. Uma corrente política teve o seu líder condenado e preso pelo golpe que nunca aconteceu e continua amordaçada.

Quantos jornalistas da grande mídia endossaram as críticas aos arbítrios supremos? Alguns poucos, dá para contar com os dedos da mão — e não das mãos, pois não passariam de quatro ou cinco. Eles, que apoiaram a censura, o autoritarismo e a utilização do nosso Judiciário contra os seus adversários com o maior orgulho, querem nos convencer a acreditar numa candura moral inexistente. Na primeira oportunidade, os almofadinhas da imprensa defenderiam tudo novamente e mandariam para o gulag quem pensa diferente. Assumiriam o lugar de Vyshinsky nos Processos de Moscou sem pudor algum.

Parafraseando Carlos Lacerda, são heróis de fancaria. Pois bem, eu sei o que vocês fizeram no verão passado. Como cidadão comum, desejo o máximo de transparência em todos os poderes da República, coisa que os falsos humanistas negaram para inúmeras vítimas do supremo arbítrio. Um verdadeiro herói pode lutar pela pátria sozinho e desarmado, mas a quer livre. A sua desonra é a desfaçatez de quem jura lealdade para logo em seguida acertá-la com o punhal da mentira.

*Artigo publicado originalmente na Revista Oeste.















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