Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

sábado, 6 de junho de 2026

Flávio, o STF e o impasse da direita brasileira

   Gabriel Wilhelms 


Após a eleição de 2022, pela qual o PT logrou retornar ao poder, publiquei um artigo neste espaço falando sobre a necessidade de a direita se organizar fora da esfera bolsonarista e, até mesmo, relegar o bolsonarismo ao ostracismo, posto que não faria sentido insistir no nome daquele que mais concorreu para reabilitar Lula e seu partido. Quase quatro anos depois, o diagnóstico pragmático é de que isso não ocorreu e que, embora muito mais enfraquecido, em todos os aspectos, Jair Bolsonaro ainda reúne um capital político que não pode ser ignorado. Ironicamente, a perseguição política da qual os bolsonaristas têm sido alvo preferencial (mas não exclusivo), a farsa do golpe e os julgamentos de exceção dos réus do 8 de janeiro, do próprio ex-presidente e de pessoas próximas a ele pode ter ajudado o bolsonarismo a ficar em evidência, dessa vez no polo passivo do desmando estatal: não foi o bolsonarismo, mas o STF, afinal, quem implementou um regime de exceção no país.

Ficou claro, durante este período, que a direita, nas eleições de 2026, tendo como objeto principal uma resposta à juristocracia que tomou conta do país, não poderia prescindir do apoio de Bolsonaro a uma candidatura verdadeiramente competitiva. No entanto, estando o próprio ex-presidente inelegível, isso não implicaria necessariamente a escolha de alguém de sua família; tanto melhor, na verdade, se fosse um nome que não carregasse a rejeição que vem a reboque com o sobrenome. Fato é que Tarcísio de Freitas havia se mostrado o nome mais competitivo, seja por um bom desempenho em pesquisas anteriores como, principalmente, por carregar uma rejeição inferior a outros nomes do círculo bolsonarista. Mas eis que Flávio Bolsonaro, com o beneplácito do seu pai, logrou se impor como o candidato. Quem conhece o histórico sabe que essa era uma escolha no mínimo questionável: ainda em 2019, o filho do presidente atuou no Senado contra a chamada CPI da Lava Toga que visava a investigar e endereçar abusos do Judiciário (imaginem como as coisas poderiam ser diferentes hoje se o Senado houvesse atuado ainda no princípio da coisa), já manifestou-se contrário ao impeachment de Moraes e, para completar, defendeu uma anistia ampla que beneficiasse o próprio Moraes. Mas essa escolha se impôs, sobretudo após o prazo de desincompatibilização que afastou de vez a possibilidade de Tarcísio ser o candidato.

Tendo uma rejeição superior à de Tarcísio, o posicionamento de Flávio nas pesquisas mais recentes havia começado a melhorar, com algumas apontando um possível triunfo sobre Lula em um eventual segundo turno. O cenário até ontem, portanto, era de um Flávio cada vez mais competitivo e de um governo e STF cada vez mais desgastados. A reputação da suprema corte nunca esteve tão combalida, sobretudo após as revelações do envolvimento de Toffoli e Moraes com Daniel Vorcaro, o que torna as eleições que se avizinham a grande chance de darmos um basta ao regime juristocrático. Mas eis que, nesta semana, o país todo escuta um aúdio no qual Flávio cobra dezenas de milhões de reais de Vorcaro para a produção de um filme sobre seu pai. Conforme a reportagem do Intercept, pelo menos R$ 61 milhões foram desembolsados por Vorcaro entre fevereiro e maio de 2025. A veracidade do áudio foi confirmada pelo próprio Flávio, que argumentou se tratar de um pedido “privado”.

Não há espaço para “passar pano” e eu entendo que, com isso, a candidatura de Flávio tornou-se insustentável. Ora, o grande trunfo da candidatura de direita que deve fazer frente aos desmandos do STF é justamente o caso Master, incluindo os tentáculos de Vorcaro sobre integrantes da corte. Como Flávio estaria em posição de fazer qualquer cobrança nesse sentido depois de figurar cobrando parcelas milionárias de Vorcaro? Pouco importa se, a priori, não há ilicitude no patrocínio ao filme: o resultado político é o mesmo. Se uma eventual vitória de Flávio já não é garantia de que, à frente do Executivo, ele faria frente ao arbítrio do Judiciário, se seu histórico nos permite considerar ao menos a possibilidade de que ele resolva compor com a ordem juristocrática em benefício próprio, a revelação de uma relação com Daniel Vorcaro só reforça essa possibilidade. Quem, diante de escândalos, demonstra ter “teto de vidro”, neste país, acaba se congregando até com os inimigos de ontem para se proteger: quem garante que Flávio, se vendo atingido pela conexão com Vorcaro, não fará um “acordão” com o STF, também acometido com as mesmas conexões? Há poucas semanas, Flávio ainda insistia na sua ideia de anistia “ampla e irrestrita” e falava em “zerar o jogo”. Os sinais, que já estavam muito claros desde ao menos 2019, chegam a ofuscar a vista tamanho o brilho após a revelação dessa conexão com Vorcaro.

O problema para a direita então é: quem colocar no lugar? Infelizmente, nenhum dos nomes alternativos parece reunir hoje a mesma competitividade que Tarcíciso e o próprio Flávio haviam alcançado até então. Tudo o mais constante, a insistência de Bolsonaro em colocar seu nome e sua família à frente de tudo, a despeito do slogan patético de seu governo, pode ter custado ao país mais um governo do PT e uma continuidade do regime juristocrático. Vemos o mesmo equívoco na eleição ao Senado, a eleição mais importante de todas neste ano. Em Santa Catarina, tradicional reduto eleitoral de Bolsonaro, há dois candidatos naturais e fortes ao Senado, a deputada federal Caroline de Toni e o senador Esperidião Amin. Em que pese o fato de que Amin é um político da velha guarda e está há muito tempo na política, fato é que ele demonstrou nos últimos anos uma postura intransigentemente contrária e crítica aos arroubos autoritários do STF, fazendo-se digno do voto da direita. Havendo duas vagas ao Senado e dois candidatos fortes, o que Bolsonaro fez? Impôs a candidatura de outro filho, Carlos, um sujeito que sequer vive em Santa Catarina..

É provável que Flávio insista na sua candidatura e não se espantem se amanhã o 01 começar a trocar afagos com Toffoli e Moraes enquanto o povo segue espezinhado. O fato é que não há tempo a perder e a direita não pode permitir que o projeto personalista da família Bolsonaro fique no caminho da retomada da democracia no Brasil.

Fontes:

https://www.gazetadopovo.com.br/republica/flavio-bolsonaro-pt-alianca-contra-cpi-lava-toga/

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2024/04/09/flavio-bolsonaro-diz-ser-contra-impeachment-de-moraes-nao-vai-resolver.htm

https://www.intercept.com.br/2026/05/13/audio-flavio-negociou-vorcaro-milhoes/

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2024/11/27/flavio-bolsonaro-defende-anistia-ampla-e-diz-que-alexandre-de-moraes-vai-sofrer-consequencias-por-abusos.ghtml

https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/flavio-defende-anistia-zerar-o-jogo-e-subir-a-rampa-com-bolsonaro/

PROFISSÕES EM EXTINÇÃO

 gilbertosimõespires/pontocritico


AVANÇO DA TECNOLOGIA

Com o avanço cada dia mais evidente e precisa da TECNOLOGIA a serviço das mais variadas ATIVIDADES ESPORTIVAS, produzindo resultados importantes, tanto no que diz respeito ao DESENVOLVIMENTO TÉCNICO E FÍSICO DOS ATLETAS quanto ao CUMPRIMENTO DAS REGRAS estabelecidas para o bom e correto DESEMPENHO DAS EQUIPES, tudo leva a crer que dentre pouco tempo DUAS PROFISSÕES SIMPLESMENTE DEIXARÃO DE EXISTIR.

ARBITRAGENS

No que diz respeito ao FUTEBOL, por exemplo, a considerar o que a FIFA definiu para ser colocado em prática já nesta tão esperada COPA DO MUNDO, em termos de TECNOLOGIA, há que se levar em boa conta que as ARBITRAGENS DE CAMPO, da forma como atuam os profissionais do APITO, favorecem a sua definitiva extinção.

NARRADORES

Da mesma forma, os NARRADORES DE JOGOS PELA TELEVISÃO ESTÃO COM OS DIAS CONTADOS. Até porque TODOS OS TELESPECTADORES QUE NÃO SÃO CEGOS têm PLENA E TOTAL CAPACIDADE DE COMPREENDER, SABER E ENTENDER o que realmente acontece no decorrer das partidas e, não raro, com a mesma visão, também fora dele.

DE FATO

Ou seja, para manter o interesse em qualquer tipo ou modalidade esportiva é preciso saber -de fato- sem a participação de quem quer que seja, o que realmente acontece no campo de jogo.












publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/profissoes-em-extincao


'Macumbeiro vigarista'

  Indignado com Trump, Lula enforca delator de Tiradentes Augusto Nunes


J á aborrecido com o tarifaço de 25% imposto a produtos brasileiros pelos Estados Unidos, Lula perdeu de vez a paciência ao saber que o governo Trump incluíra na categoria de movimento terrorista o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho. Solidário com as duas maiores organizações criminosas do país, atribuiu aos filhos de Jair Bolsonaro essa afronta à soberania nacional, acusou-os de “traidores da pátria” e, no esforço para provar que gente assim merece a pena de morte, engordou seu vasto acervo de assassinatos da História. 

A vítima da semana foi a Inconfidência Mineira. “Por menos que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado”, desandou o único presidente da República que nunca deu as caras num grupo escolar. Só acertou parte do nome de Joaquim Silvério dos Reis Montenegro Leiria Grutes. Nascido na cidade portuguesa de Monte Real, era dono de minas de ouro e coronel do Regimento de Cavalaria quando decidiu trair o movimento que fingia apoiar e revelou a autoridades portuguesas que a conspiração tinha como líder Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. 

O enforcamento de Silvério dos Reis só aconteceu na cabeça baldia de Lula. Como sabe até o último da classe da mais bisonha escola do país, Tiradentes é que foi enforcado e esquartejado. (E não em Ouro Preto, como Lula se refere à antiga Vila Rica, mas no Rio de Janeiro. As partes do corpo foram expostas ao longo do caminho que levava à então capital da capitania de Minas Gerais.) Protagonista da primeira delação premiada ocorrida no Brasil, Silvério foi contemplado pela Fazenda Real com o perdão da enorme dívida que havia contraído, além de outros favores. Descansou algum tempo em Lisboa, voltou ao Brasil, enriqueceu de novo e ocupou cargos públicos até morrer em São Luís do Maranhão em 1819. O presidente da República deveria saber que delatores não são punidos no país que de algum tempo para cá deixou de castigar também os criminosos delatados.

Lula teve tempo de sobra para aprender a ler e escrever, para assimilar informações básicas sobre história e geografia — para tornar-se, enfim, menos ignorante. Aos 80 anos, não tem emprego regular desde 1977, quando abandonou o ofício de torneiro mecânico para viver de discurseira. Se sobrou tempo, faltou vontade. “Ler é pior que exercício em esteira”, confessou quando já estava a caminho da Presidência da República. “Nunca estudei por preguiça”, admitiu no vídeo que registra um trecho da conversa com o diretor de teatro Flávio Rangel. A formação cultural indigente, portanto, não pode ser debitada na conta da infância pobre. É coisa de preguiçoso. 

Sem ter folheado uma única biografia, sem pedir informações a súditos menos iletrados, o único deus da seita petista ama compararse a estadistas que desconhece ou apresentar-se como a reencarnação de figuras históricas de que mal ouviu falar. O macumbeiro vigarista nem precisa de terreiro para incorporar mortos ilustres. Bastam-lhe um palanque, um microfone, a plateia amestrada e, ultimamente, um chapéu panamá. Na lista dos preferidos aparecem Nelson Mandela, Mahatma Gandhi, Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas e Jesus Cristo. Além de Tiradentes, que desde o primeiro mandato presidencial anima as apresentações do pai de santo que gerou um Lulinha sem chances de canonização.

Perseguidos e castigados pelos portugueses que governavam a colônia, descendentes do Herói da Inconfidência mereciam sossego. Mas têm de suportar, em pleno século 21, as comparações destrambelhadas que Lula recita. Começaram em 2005, quando o presidente foi acuado pelo escândalo do Mensalão. Sem álibis convincentes a apresentar, Lula jurou que soube da roubalheira tarde demais. Fora traído por alguém ainda não identificado. “Isso faz parte da história da Humanidade”, começou o palavrório amalucado, reproduzido sem correções: “A gente poderia pegar a reunião dos Inconfidentes. Um traiu Tiradentes. Nem por isso Tiradentes deixou de ver acontecer a Independência pela qual ele foi esquartejado, sua carne salgada, pendurada nos postes”. 

Em 2017, surpreendido pelos avanços da Operação Lava Jato, Lula voltou a 1792 para buscar consolo em Minas Gerais: “O herói não foi o cara que enforcou o Tiradentes. O enforcado é que virou o herói”. Em 2022, resgatado da prisão e devolvido ao Palácio do Planalto pelos companheiros do Supremo Tribunal Federal, declarou no meio de outra discurseira que Tiradentes foi crucificado. Luiz Inácio Lula da Silva não permite que Joaquim José da Silva Xavier descanse em paz. 

Tiradentes amava a liberdade e a democracia, não parou de trabalhar com vinte e poucos anos de idade, jamais foi acusado de corrupto e nunca foi beberrão. Capturado pelos algozes, enfrentou o calvário com altivez. Corajosamente, reiterou o que pensava, responsabilizou-se pelo que fizera, não tentou salvar-se com acusações aos parceiros de conspiração. Foi condenado à morte por lutar pela independência do Brasil colonial. O chefão do PT foi condenado à prisão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O obsceno código dos colonizadores instalou Tiradentes no cadafalso. Lula virou presidiário por ter atropelado o Código Penal. A única semelhança entre os dois é o Silva do sobrenome.


Augusto Nunes - Revista Oeste  


















publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/06/augusto-nunes-e-o-macumbeiro-vigarista.html

GAFE DIPLOMÁTICA: Lula busca trégua com Trump, mas INSULTA Marco Rubio / ALEXANDRE GARCIA

  ALEXANDRE GARCIA/gazetadopovo

GAFE DIPLOMÁTICA: Lula busca trégua com Trump, mas INSULTA Marco Rubio /                                        
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Vorcaro Pagou R$ 22 MILHÕES Para Parente de FIGURÃO da República!

 deltandallagnol/youtube


Vorcaro Pagou R$ 22 MILHÕES Para Parente de FIGURÃO da República!


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https://www.youtube.com/watch?v=6LDHDqyQKS0

A picanha sumiu, a cerveja ficou mais cara

 ESTUDIO5ELEMENTO


A picanha sumiu, a cerveja ficou mais cara e o imposto apareceu até nas blusinhas. Enquanto isso, os bancos seguem sorrindo à toa! Do “não compra” ao recorde de taxações, o Painho virou o verdadeiro Santo Padroeiro da Faria Lima.



VOCÊ ENTENDEU O QUE ELES FIZERAM? DILMA NÃO FOI NADA PERTO DO QUE ESTÁ POR VIR

  @Bruno_Musa

PF de Lula Vai Prender Brasileiros nos EUA Após Decisão de Trump!

 andrémarsiglia/youtube


PF de Lula Vai Prender Brasileiros nos EUA Após Decisão de Trump!

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VOCÊ ENTENDEU o PERIGO dessa RESOLUÇÃO?

 rubinhonunes/youtube


VOCÊ ENTENDEU o PERIGO dessa RESOLUÇÃO?

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FGTS COMO ELE NASCEU

 DOUTOR EQUILIBRIO/FACEBOOK


FGTS COMO ELE NASCEU



sexta-feira, 5 de junho de 2026

Cuba enfrenta o crepúsculo de sua revolução socialista

   Rainer Zitelmann


Diante de um bloqueio de petróleo dos Estados Unidos cada vez mais rigoroso e das consequências de seus 67 anos de sufocante planejamento estatal, a economia de Cuba está entrando em colapso. A ilha está racionando combustível, adotando uma semana de trabalho de quatro dias, impondo apagões e suspendendo o reabastecimento de aeronaves de companhias aéreas internacionais.

A crise é “uma oportunidade e um desafio que, não temos dúvida, superaremos”, afirma o vice-primeiro-ministro da ilha, Oscar Pérez-Oliva Fraga, sobrinho-neto de Fidel Castro e Raul Castro. “Não vamos entrar em colapso.” De forma quase absurda, colegas de Fraga falam em acelerar a transição para fontes de energia renovável.

Assistir aos já idosos líderes de Cuba (aos 94 anos, Raul Castro ainda exerce poder de veto sobre as políticas) recusarem-se a alterar um modelo revolucionário de socialismo já desacreditado é doloroso. É como ver alguém afirmar que, por ter assistido a Grey’s Anatomy, sabe como operar um paciente.

Michael Bustamante, presidente do Departamento de Estudos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami, afirma que Havana “perdeu todas as oportunidades” de melhorar a economia e aliviar o sofrimento de seus 10 milhões de habitantes. A ordem pública está se desintegrando. Ruaridh Nicoll, um romancista que vive em Havana, escreveu na semana passada no jornal britânico de esquerda The Guardian: “Crianças que antes teriam de prestar contas à polícia se fossem vistas nas ruas durante o horário escolar agora usam esse tempo para pedir esmola.”

Não precisa ser desse jeito.

Existem dois modelos de transição do socialismo para uma economia de mercado. O primeiro é representado pela Polônia, onde, em 1989 e 1990, o sistema político e econômico socialista entrou em colapso e foi substituído por uma sociedade democrática baseada no mercado. Desde então, a Polônia tornou-se a campeã de crescimento da Europa, superando países como a Alemanha, a França e a Grã-Bretanha.

Esse modelo é atualmente inconcebível para os ditadores de Cuba. Mas existe outro mais realista.

O Vietnã, uma nação de 100 milhões de habitantes, iniciou reformas orientadas para o mercado no fim dos anos 1980, enquanto o comunismo entrava em colapso na Europa. O sistema político de partido único, porém, permaneceu em vigor.

Quando o Vietnã adotou suas políticas de “Doi Moi” (“Renovação”), era o país mais pobre do mundo, com um PIB per capita de 98 dólares, inferior até mesmo ao da Somália. Assim como Cuba hoje, o país estava economicamente no ponto zero. Durante a Guerra do Vietnã, que terminou em 1975, o Vietnã foi atingido por até 15 milhões de toneladas de bombas — dez vezes a quantidade lançada sobre a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial — e ainda precisava alimentar milhões de órfãos e inválidos de guerra.

Ainda em 1993, 80% dos vietnamitas viviam na pobreza. Em 2006, essa taxa havia caído para 51%. Hoje, é de apenas 3%.

O Vietnã é hoje um dos países mais dinâmicos do mundo, com uma economia vibrante que cria grandes oportunidades para trabalhadores esforçados e empreendedores. Antes do início das reformas de mercado, o país não conseguia produzir arroz suficiente para alimentar sua própria população. Hoje, tornou-se um dos maiores exportadores de arroz do mundo — e também um importante exportador de produtos eletrônicos, à medida que empresas transferem sua produção para fora da China.

Se analisarmos o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, o Vietnã foi o país de porte comparável que mais ganhou pontos. Em comparação, enquanto o Vietnã conseguiu aumentar sua pontuação em 24 pontos entre 1995 e 2024, os Estados Unidos perderam 6 pontos no mesmo período. O Vietnã oficialmente se define como socialista, mas sua atual pontuação de 65 em liberdade econômica está acima das médias asiática e mundial.

Ninguém sugere que o Vietnã seja um país livre. A mídia é controlada pelo Estado, e não há eleições livres. Empresas estatais respondem por cerca de 20% do PIB e operam em condições altamente privilegiadas.

Mas não há tentativa de impor uma mentalidade socialista. Até mesmo acadêmicos ligados ao governo justificam a desigualdade e explicam que ela não é a mesma coisa que injustiça. As pessoas aceitam a desigualdade porque tiveram suas próprias experiências negativas vivendo em uma sociedade que proclamava que todos eram iguais.

Pesquisas de opinião pública confirmam isso. Entre 2021 e 2023, o instituto de pesquisa Ipsos MORI realizou um levantamento em 35 países para descobrir o que as pessoas pensam sobre o capitalismo. Na maioria dos países, predominavam atitudes negativas em relação ao capitalismo. No Vietnã, porém, as pessoas associavam o “capitalismo” a características positivas, como “progresso” (81%), “inovação” (80%), “ampla variedade de produtos” (77%), “prosperidade” (74%) e “liberdade” (71%).

Apesar do sucesso econômico do Vietnã, os líderes geriátricos de Cuba claramente suspeitam que não seriam capazes de reproduzir o êxito dos vietnamitas em manter um Estado socialista de partido único. Falta-lhes, evidentemente, confiança em suas próprias capacidades ou disposição para assumir riscos.

O problema é que o secretário de Estado Marco Rubio, filho de exilados cubanos em Miami, deixou claro que Cuba precisa conceder mais liberdade econômica e política se quiser obter alívio diante da pressão cada vez maior exercida por Washington.

Ele afirmou à Bloomberg News, na Conferência de Segurança de Munique da semana passada, que os líderes cubanos “não sabem como melhorar a vida cotidiana de seu povo sem abrir mão do controle sobre os setores que dominam”. Ele acrescentou que a série de medidas tímidas que Cuba ocasionalmente adota para incentivar reformas “nunca acaba funcionando”. Isso ocorre porque “o regime cubano não tem uma compreensão fundamental de como funcionam os negócios e a indústria, e o povo sofre como resultado disso”.

Por enquanto, portanto, há um impasse. Os Estados Unidos e seus aliados enviarão apenas ajuda humanitária suficiente para evitar a fome e uma saída caótica de pessoas do país. Espera-se que a escassez de combustível force Cuba a realizar reformas reais.

Em resposta, autoridades cubanas afirmam estar abertas a um diálogo para melhorar as relações, mas qualquer discussão sobre mudar seu sistema comunista de partido único está fora de questão. Ainda assim, mesmo estudiosos que já escreveram com admiração sobre a sobrevivência da revolução cubana ao embargo dos EUA imposto pelo presidente John F. Kennedy em 1962 estão convencidos, em privado, de que a crise atual é diferente.

Em 1989, o líder da Alemanha Oriental Erich Honecker disse ao líder soviético em visita Mikhail Gorbachev que seu regime resistiria às reformas. Mais tarde, Gorbachev recordou: “Fiquei horrorizado. Conversei com ele por três horas… e ele continuava tentando me convencer sobre as maravilhosas conquistas da [Alemanha Oriental].” Em seguida, Gorbachev falou ao Politburo de Honecker e os advertiu: “Se ficarmos para trás, a vida nos punirá imediatamente.”

A Queda do Muro de Berlim ocorreu no mês seguinte.

Este artigo foi publicado originalmente na NATIONAL REVIEW https://www.nationalreview.com/2026/02/cuba-faces-a-sunset-of-its-socialist-revolution/

John Fund é repórter de assuntos nacionais da NRO. Rainer Zitelmann é um historiador alemão e autor de How Nations Escape Poverty (Encounter Books, 2024). Zitelmann também produziu este filme sobre o Vietnã: https://www.youtube.com/watch?v=GB7qaRNaIr8&t=1326s

 










publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/cuba-enfrenta-o-crepusculo-de-sua-revolucao-socialista/

A redução da jornada de trabalho no Brasil e seus impactos econômicos

  Luiz Guedes, Adv.


Uma análise crítica da PEC 221/19

16 minutos de leitura

 

1. INTRODUÇÃO

Nos últimos meses, o debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou contornos definitivos no cenário legislativo brasileiro. A Câmara dos Deputados aprovou, em maio de 2026, a Proposta de Emenda à Constituição n. 221/19, que reduz a jornada semanal máxima das atuais 44 para 40 horas, extingue a escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a denominada escala 6×1, e assegura dois dias de folga semanais sem redução salarial. O texto, aprovado em segundo turno por 461 votos favoráveis e apenas 19 contrários, aguarda agora a apreciação do Senado Federal.

A proposta em comento inseriu-se numa agenda de ampla aprovação popular — pesquisa do instituto Datafolha, realizada em março de 2026, indicou que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, o que imprimiu ao debate uma dimensão política que frequentemente obscurece a análise técnica dos seus reais efeitos sobre a economia e o mercado de trabalho. Não obstante a legitimidade das demandas sociais que inspiram a medida, mister que o jurista e o pesquisador a examinem com o rigor que a complexidade do tema exige, apartando a simpatia popular da demonstração empírica das consequências da mudança.

Diante desse cenário, surge o problema de pesquisa a seguir: a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem correspondente redução salarial, é uma medida capaz de gerar os benefícios econômicos prometidos pelos seus defensores, em especial a criação de novos postos de trabalho e o aumento da produtividade, considerando as características estruturais da economia brasileira?

Como proposta de resposta ao problema de pesquisa acima mencionado, eis a hipótese apresentada: a redução da jornada de trabalho, na forma como aprovada pela Câmara dos Deputados, gerará aumento relevante dos custos trabalhistas para o setor produtivo, não produzirá novas contratações em escala suficiente para compensar esse custo, mormente nas micro, pequenas e médias empresas , e não será acompanhada pelos ganhos de produtividade necessários para neutralizar o encarecimento do trabalho, haja vista o problema estrutural e histórico de estagnação da produtividade total da economia brasileira.

A metodologia adotada será a descritiva e analítica, com base em revisão de estudos econométricos e notas técnicas produzidas por instituições de pesquisa de reconhecida reputação, a saber: a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), o Centro de Liderança Pública (CLP), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), bem como de dados históricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O presente artigo tem como objetivo geral demonstrar que a aprovação da PEC 221/19 produzirá efeitos econômicos adversos sobre o setor produtivo brasileiro, com impacto desproporcional sobre as micro, pequenas e médias empresas, sem que a prometida melhoria de produtividade apresente fundamento empírico suficiente para neutralizar tais efeitos.

Os objetivos específicos constituem os seguintes: a) analisar o impacto da redução da jornada sobre os custos trabalhistas das empresas; b) examinar a capacidade, ou incapacidade, das micro, pequenas e médias empresas de absorverem o choque de custos sem recorrerem a demissões ou à informalização da mão de obra; c) verificar o histórico de produtividade do trabalho no Brasil nos últimos vinte anos, avaliando a consistência da tese de que a redução da jornada gerará, por si mesma, ganhos compensatórios de eficiência; d) apresentar contrapontos às projeções otimistas que fundamentam a defesa da medida.

Trata-se, portanto, de tema atual e urgente, com consequências práticas e diretas sobre a dinâmica do mercado de trabalho formal, sobre o nível de preços ao consumidor e sobre o potencial de crescimento da economia brasileira. Por essa razão, justifica-se a análise crítica da proposta em comento, especialmente diante da constatação de que a aprovação legislativa se deu sem que tenha sido conduzida qualquer avaliação de impacto regulatório séria e publicamente disponível.

2. O CUSTO TRABALHISTA COMO VARIÁVEL CENTRAL: O QUE DIZEM OS ESTUDOS

A redução da jornada de trabalho sem correspondente redução salarial produz, por uma operação matemática elementar, um encarecimento do custo do trabalho por hora. Se um trabalhador que labora 44 horas semanais passa a trabalhar 40 horas pelo mesmo salário, o empregador está pagando, proporcionalmente, mais por cada hora de trabalho contratada. Essa constatação não é ideológica, é aritmética, e a controvérsia reside não na sua existência, mas na sua magnitude e nas possibilidades de compensação.

Consoante estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução da jornada das atuais 44 para 40 horas semanais pode provocar uma perda de R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto brasileiro, o que equivale a uma retração de 0,7% do PIB. No caso específico da indústria, o impacto seria ainda mais severo, com queda de 1,2%. Nas palavras do presidente da CNI, Ricardo Alban, “nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações.”

Vale frisar que a CNI não se encontra sozinha nesse diagnóstico. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), utilizando modelo setorial que simula três cenários distintos de compensação de produtividade, projetou que mesmo no cenário mais otimista, aquele que assume um aumento de produtividade de 2% por hora trabalhada, o PIB ainda recuaria 4,2%, diante de uma eventual redução para 36 horas. Setores com jornadas historicamente longas, como transportes e comércio, sofreriam perdas superiores a 12%.

Outrossim, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) calculou que a manutenção dos salários frente à redução da jornada encarecerá o custo do trabalho em 22%. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta elevação de até 15% nos custos com mão de obra no setor. E a Frente Parlamentar da Agropecuária projeta que o custo da mão de obra no campo aumentaria no mesmo patamar de 22%.

Não se olvida que o Ipea, em nota técnica, sustenta que o impacto médio sobre o custo operacional seria de apenas 1%, o que, mesmo em caso de repasse integral ao consumidor, teria efeito limitado sobre os preços. Porém, é de se notar que essa projeção parte de premissas distintas das adotadas pelos estudos do setor produtivo, em especial a premissa de que parte relevante das empresas opera com capacidade ociosa suficiente para absorver o choque sem necessidade de repasse. Essa premissa, como será visto adiante, não encontra sustentação na realidade das micro, pequenas e médias empresas, que compõem a espinha dorsal do mercado de trabalho formal brasileiro.

É, aliás, a economista Marilane Teixeira, pesquisadora da Unicamp e uma das maiores defensoras da medida, quem reconhece que a divergência entre os estudos não é puramente técnica, mas também política: “do ponto de vista dos empregadores, é claro que qualquer mudança é vista a partir do seu negócio.” A observação é pertinente e revela que ambos os lados operam com modelos que incorporam premissas carregadas de escolhas normativas. A diferença, porém, é que as projeções pessimistas partem de pressupostos com maior respaldo na estrutura real da economia brasileira, mormente no que tange ao comportamento das pequenas e médias empresas, e é sobre esse ponto que o argumento do presente artigo se sustenta.

3. O PROBLEMA ESPECÍFICO DAS MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

Ao contrário do que ocorre com grandes corporações, que dispõem de margens para absorver o aumento de custos mediante reorganização interna, automação e ganhos de escala, as micro, pequenas e médias empresas operam em patamares de lucratividade muito mais estreitos, o que as torna especialmente vulneráveis a choques exógenos de custo.

Segundo o Centro de Liderança Pública (CLP), caso a jornada seja reduzida para 40 horas sem redução salarial, o custo do trabalho por hora sobe automaticamente, e as grandes empresas poderiam absorver o aumento por reorganização interna e mudanças tecnológicas, mas pequenas e médias enfrentariam compressão de margens, repasse a preços ou redução de escala, com risco de corte de até 640 mil postos de trabalho formais. João Gabriel Pio, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), sintetiza o problema com precisão: “grandes corporações têm margem para absorver o aumento de custos, mas as menores operam com margens apertadas. Muitas não sobreviveriam.”

Importa mencionar que o próprio Ipea reconhece, em sua análise, que as empresas com até nove funcionários, responsáveis por cerca de 25% do emprego formal, podem sofrer impactos mais intensos. Esse dado é de suma relevância, pois revela que o argumento de que os custos serão facilmente absorvidos pela livre competição e pela capacidade ociosa das empresas é válido, no melhor dos casos, para um segmento específico do tecido empresarial brasileiro, aquele composto pelas grandes empresas, e não para o universo mais amplo e representativo das micro e pequenas unidades produtivas.

Diante disso, a consequência mais provável, no âmbito das empresas de menor porte, não será a contratação de novos trabalhadores para cobrir as horas reduzidas, como supõe o modelo otimista da Unicamp, mas sim uma de três saídas, a saber: a) o repasse do aumento de custo ao preço final ao consumidor; b) a demissão de trabalhadores para adequar a folha de pagamento à nova realidade de custo; ou c) a informalização dos vínculos de trabalho, com a contratação de trabalhadores sem carteira assinada ou por intermédio de pessoas jurídicas.

Vale ressaltar que a terceira hipótese é particularmente preocupante, pois representaria uma regressão nos avanços de formalização do mercado de trabalho brasileiro observados nos últimos anos. Dados do IBGE indicam que 38,1% dos trabalhadores brasileiros já se encontram fora do regime celetista, o que corresponde a cerca de 40 milhões de pessoas. Um aumento da informalidade decorrente da elevação dos custos de contratação formal agravaria esse quadro, afetando, paradoxalmente, os trabalhadores mais vulneráveis, justamente aqueles a quem a proposta em comento pretende beneficiar.

O exemplo recente do Chile reforça essa preocupação. Segundo Daniel Duque, pesquisador do FGV IBRE e do CLP, a redução de jornada realizada naquele país em 2024 implicou aumento de informalidade, desemprego e inflação, além de queda entre 1% e 3% no PIB. A experiência chilena, por envolver uma economia com características estruturais mais próximas da brasileira do que os casos europeus frequentemente invocados pelos defensores da medida, merece atenção especial no debate.

4. A ESTAGNAÇÃO HISTÓRICA DA PRODUTIVIDADE BRASILEIRA E A FRAGILIDADE DO ARGUMENTO COMPENSATÓRIO

O argumento central dos defensores da redução da jornada, no plano econômico, é o de que trabalhadores mais descansados e satisfeitos serão mais produtivos, e que esse ganho de produtividade compensará o encarecimento do custo do trabalho por hora. Trata-se de argumento que tem respaldo em experiências internacionais pontuais e em fundamentos teóricos plausíveis. Porém, para que produza os efeitos esperados no Brasil, é necessário que a economia brasileira reúna as condições estruturais de produtividade que permitam a materialização dessa compensação. E é exatamente nesse ponto que o argumento encontra seu calcanhar de Aquiles.

O histórico de produtividade do trabalho no Brasil nos últimos vinte anos é, para dizer o mínimo, desolador. Segundo levantamento baseado em dados do FGV IBRE, nos últimos quarenta anos a produtividade brasileira avançou apenas 20%, enquanto a americana evoluiu 65%. Em termos comparativos ainda mais eloquentes: nos anos 1980, um trabalhador brasileiro produzia quase metade do que um americano (46% da sua produtividade); hoje, produz cerca de um quarto (25,6%). A distância, portanto, não apenas não diminuiu, ela aumentou.

Nos últimos vinte anos, cerca de 77% da evolução do PIB brasileiro decorreu do crescimento da população empregada, enquanto o incremento da produtividade contribuiu com apenas 22%. Em outras palavras, o Brasil cresceu mais por ter mais gente trabalhando do que por cada trabalhador produzir mais, um modelo de crescimento extensivo, baseado na expansão do fator trabalho, que se torna insustentável à medida que a transição demográfica reduz a oferta de novos trabalhadores.

O Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do FGV IBRE, oferece um diagnóstico setorial preciso da questão. O único setor que apresentou crescimento robusto de produtividade desde 1995 foi a agropecuária, com taxa média de 5,6% ao ano, crescimento fortemente associado ao uso intensivo de tecnologia e à adoção de práticas de gestão modernas. A indústria, em contraste, registrou queda de 0,2% ao ano no mesmo período, e o setor de serviços, que concentra mais de 70% das horas trabalhadas no país, apresentou variação de apenas 0,2% ao ano. A produtividade agregada da economia cresceu apenas 2,3% em 2023, após dois anos de queda pronunciada provocada pela pandemia, e recuou para o patamar irrisório de 0,1% em 2024.

Assim sendo, a tese de que a redução da jornada, por si mesma, desencadeará um processo de ganhos de produtividade capazes de compensar o encarecimento do trabalho não possui sustentação empírica no contexto brasileiro. A baixa produtividade brasileira é um fenômeno estrutural, cujas causas são amplamente conhecidas e que não serão removidas por uma alteração legislativa na duração da jornada. Essas causas, como lembrado por especialistas da Universidade de São Paulo e do FGV IBRE, envolvem: a) infraestrutura deficiente, especialmente no transporte, que torna o Brasil dependente do modal rodoviário, caro e ineficiente, enquanto economias desenvolvidas utilizam predominantemente ferrovias; b) carga tributária elevada e sistema burocrático complexo, que desviam recursos e energia das empresas para o cumprimento de obrigações acessórias improdutivas; c) baixa qualidade da educação básica; o Brasil figura na 55ª posição entre 58 países no ranking TIMSS de ensino fundamental, o que gera uma força de trabalho com qualificação insuficiente para operar em atividades de maior valor agregado; d) processo de desindustrialização acentuado, com a participação da indústria no PIB caindo de 48% em 1985 para 24,7% em 2024, segundo a CNI, o que empurra a economia para setores de serviços de baixo valor agregado e baixa produtividade.

Não se olvida que a experiência de países como a Islândia e o Reino Unido com a redução da jornada apresentou resultados positivos em produtividade e bem-estar. Porém, ao que parece, os defensores da medida realizam uma transposição acrítica de experiências europeias para o contexto brasileiro, ignorando diferenças estruturais decisivas. A Islândia, que realizou seu experimento com jornadas reduzidas entre 2015 e 2019, é um país com altíssimo nível educacional, infraestrutura consolidada, força de trabalho qualificada e uma base produtiva radicalmente distinta da brasileira. A produtividade islandesa não cresceu como consequência da redução da jornada em ambiente de estagnação estrutural — ela já era elevada, e a redução foi realizada num contexto de plena capacidade de geração de valor por hora trabalhada. Mutatis mutandis, reproduzir esse resultado numa economia que já registrou queda de produtividade industrial por décadas demanda mais do que uma simples mudança legislativa.

5. A PRESSÃO INFLACIONÁRIA E O EFEITO DISTRIBUTIVO REGRESSIVO

Além do custo direto para as empresas, a redução da jornada sem redução salarial tende a gerar pressão inflacionária, especialmente nos setores intensivos em mão de obra. Segundo a CNI, o impacto médio nos preços gerais ao consumidor seria de 6,2%, com efeito de 5,7% especificamente sobre alimentos e itens básicos. É de se notar que esse impacto recai de forma desproporcionalmente severa sobre as famílias de menor renda, que comprometem parcela muito maior de seu orçamento com itens de consumo básico do que as camadas mais abastadas.

Não obstante a contestação do Ipea, que projeta impacto inflacionário mais limitado com base na premissa de capacidade ociosa, o risco de pressão sobre os preços em setores essenciais (alimentação, saúde, transporte) é real e não pode ser descartado. Em um mercado de trabalho com desemprego historicamente baixo, como o brasileiro no momento da aprovação da medida, qualquer redução da oferta de horas trabalhadas sem compensação proporcional de produtividade pode criar desequilíbrios entre oferta e demanda, com consequências previsíveis sobre o nível geral de preços.

Outrossim, o estudo do FGV IBRE revela um efeito distributivo que merece especial atenção: a medida tenderia a beneficiar desproporcionalmente os trabalhadores com maior escolaridade, cujas jornadas já são naturalmente menores, aumentando seus salários reais por hora em até 9%, ao passo que trabalhadores menos escolarizados ganhariam apenas 0,7%. Na prática, a proposta, embora bem-intencionada do ponto de vista das aspirações de bem-estar, poderia gerar um efeito regressivo na distribuição de renda, elevando o custo do trabalho justamente nos setores mais intensivos em mão de obra pouco qualificada, que são exatamente os setores onde se concentram os trabalhadores mais vulneráveis e de menor renda.

Diante dessa realidade, a narrativa de que o fim da escala 6×1 é uma medida redistributiva e de valorização do trabalhador de baixa renda merece ser examinada com cautela. O trabalhador que labora em regime 6×1 tipicamente o faz nos setores de comércio, serviços, saúde, construção e segurança — setores em que a elasticidade da demanda por trabalho é negativa, isto é, em que o encarecimento do trabalho tende a gerar redução da quantidade contratada. Assim sendo, ao menos para esse segmento de trabalhadores, o benefício de ter dois dias de folga semanal pode ser neutralizado pelo risco de perda do próprio emprego ou de migração para a informalidade.

5. A PRESSÃO INFLACIONÁRIA E O EFEITO DISTRIBUTIVO REGRESSIVO

Além do custo direto para as empresas, a redução da jornada sem redução salarial tende a gerar pressão inflacionária, especialmente nos setores intensivos em mão de obra. Segundo a CNI, o impacto médio nos preços gerais ao consumidor seria de 6,2%, com efeito de 5,7% especificamente sobre alimentos e itens básicos. É de se notar que esse impacto recai de forma desproporcionalmente severa sobre as famílias de menor renda, que comprometem parcela muito maior de seu orçamento com itens de consumo básico do que as camadas mais abastadas.

Não obstante a contestação do Ipea, que projeta impacto inflacionário mais limitado com base na premissa de capacidade ociosa, o risco de pressão sobre os preços em setores essenciais (alimentação, saúde, transporte) é real e não pode ser descartado. Em um mercado de trabalho com desemprego historicamente baixo, como o brasileiro no momento da aprovação da medida, qualquer redução da oferta de horas trabalhadas sem compensação proporcional de produtividade pode criar desequilíbrios entre oferta e demanda, com consequências previsíveis sobre o nível geral de preços.

Outrossim, o estudo do FGV IBRE revela um efeito distributivo que merece especial atenção: a medida tenderia a beneficiar desproporcionalmente os trabalhadores com maior escolaridade, cujas jornadas já são naturalmente menores, aumentando seus salários reais por hora em até 9%, ao passo que trabalhadores menos escolarizados ganhariam apenas 0,7%. Na prática, a proposta, embora bem-intencionada do ponto de vista das aspirações de bem-estar, poderia gerar um efeito regressivo na distribuição de renda, elevando o custo do trabalho justamente nos setores mais intensivos em mão de obra pouco qualificada, que são exatamente os setores onde se concentram os trabalhadores mais vulneráveis e de menor renda.

Diante dessa realidade, a narrativa de que o fim da escala 6×1 é uma medida redistributiva e de valorização do trabalhador de baixa renda merece ser examinada com cautela. O trabalhador que labora em regime 6×1 tipicamente o faz nos setores de comércio, serviços, saúde, construção e segurança — setores em que a elasticidade da demanda por trabalho é negativa, isto é, em que o encarecimento do trabalho tende a gerar redução da quantidade contratada. Assim sendo, ao menos para esse segmento de trabalhadores, o benefício de ter dois dias de folga semanal pode ser neutralizado pelo risco de perda do próprio emprego ou de migração para a informalidade.

REFERÊNCIAS

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI). Impactos da redução da jornada de trabalho no Brasil. Brasília: CNI, 2026.

CENTRO DE LIDERANÇA PÚBLICA (CLP). Estudo sobre impactos da redução da jornada. São Paulo: CLP, fev. 2026.

DUQUE, Daniel. Impactos da redução da jornada sobre o emprego formal. Rio de Janeiro: FGV IBRE / CLP, 2026.

FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO DO ESTADO DE SÃO PAULO (FecomercioSP). Nota técnica sobre custos da PEC 221/19. São Paulo: FecomercioSP, 2026.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Nota técnica: impactos da redução da jornada de trabalho. Brasília: Ipea, 2026.

INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV IBRE). Produtividade do trabalho no Brasil: uma análise dos resultados setoriais no período 1995–2024. Observatório da Produtividade Regis Bonelli. Rio de Janeiro: FGV IBRE, 2025.

INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV IBRE). Impactos setoriais da redução da jornada de trabalho. Blog do IBRE. Rio de Janeiro: FGV IBRE, 2025.

TEIXEIRA, Marilane et al. Dossiê 6×1: o Brasil está pronto para trabalhar menos. Campinas: Unicamp/Cesit, 2026.

CÂMARA DOS DEPUTADOS. PEC 221/19 — Texto aprovado em segundo turno. Brasília: Câmara dos Deputados, maio de 2026.

AGÊNCIA BRASIL. Fim da escala 6×1: estudos divergem sobre impactos no PIB e inflação. Brasília, 28 abr. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/fim-da-escala-6-1-estudos-divergem-sobre-impactos-no-pib-e-inflacao. Acesso em: 1 jun. 2026.

IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Rio de Janeiro: IBGE, 2025.





















publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/a-reducao-da-jornada-de-trabalho-no-brasil-e-seus-impactos-economicos__18676

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