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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

As eleições presidenciais em Portugal e o risco real de colapso do governo

  Bernardo Santoro


À primeira vista, as eleições presidenciais portuguesas podem parecer um evento periférico para quem olha o país a partir do Brasil. Afinal, trata-se de um regime semipresidencialista em que o chefe de governo é o primeiro-ministro e não o presidente. Essa leitura, porém, é enganosa. O resultado do segundo turno entre António José Seguro (Partido Socialista) e André Ventura (Chega) pode funcionar como gatilho de uma crise institucional profunda, com potencial de derrubar o atual governo e antecipar eleições legislativas.

O motivo é simples: Portugal vive hoje uma combinação delicada de governo minoritário, parlamento fragmentado e reposicionamento acelerado das forças políticas, algo que os brasileiros conhecem bem, ainda que em outro desenho institucional.

Um PS que se recompõe depois da maior derrota da sua história

O primeiro dado relevante é a recuperação do Partido Socialista. Menos de um ano depois de sofrer a maior derrota eleitoral de sua história, quando ficou em terceiro lugar nas eleições legislativas e perdeu a liderança da oposição para o Chega, o PS volta ao centro do jogo político ao colocar seu candidato no segundo turno presidencial em primeiro lugar.

Esse desempenho sinaliza que o PS recuperou densidade eleitoral, recompôs sua base e passou a enxergar novamente a possibilidade concreta de crescimento em uma eventual nova eleição legislativa. Em política, percepção de viabilidade é poder, e o PS voltou a ser percebido como viável.

Um governo minoritário protegido por um presidente “amigo”

O atual governo de Portugal, liderado por Luís Montenegro, da Aliança Democrática (PSD, CDS e PPM), é um governo de minoria. Não possui maioria parlamentar estável, apenas 90 dos 230 deputados federais, e depende de negociações permanentes para sobreviver.

Até aqui, esse governo contou com um fator decisivo de estabilidade: o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, militante histórico do PSD.

Embora atue como independente, seu perfil político sempre funcionou como um amortecedor institucional contra crises mais agudas, reduzindo o incentivo da oposição para provocar a queda do governo. As eleições presidenciais mudam radicalmente esse quadro.

O vexame histórico do PSD e o estímulo à crise

O dado mais explosivo do primeiro turno foi o desempenho desastroso do PSD. O candidato apoiado pelo partido terminou em quinto lugar, atrás do PS, do Chega, da Iniciativa Liberal (IL) e até de um candidato independente apoiado pelo partido monárquico.

Independentemente de quem vença o segundo turno, o recado político é devastador: o partido que tem o presidente em exercício e ocupa o cargo de primeiro-ministro perdeu o protagonismo do processo eleitoral.

 

Esse vexame cria um incentivo claro para PS e Chega, dois dos três grandes vencedores da eleição presidencial, avaliarem se a derrubada do governo e a convocação de novas eleições legislativas pode gerar ganhos relevantes para ambos, à custa da AD (PSD, CDS e PPM).

Basta que cheguem a essa conclusão simultaneamente que o PSD não terá votos para impedir a aprovação de uma moção de desconfiança no parlamento.

Se o PS vencer a presidência

Uma vitória de António José Seguro (PS) colocaria o PSD numa posição extremamente frágil. O governo perderia o respaldo institucional informal de um presidente oriundo do seu próprio campo político e passaria a conviver com um chefe de Estado socialista em um contexto de minoria parlamentar.

Não há, nesse cenário, espaço realista para uma “grande coalizão”. PS e PSD são rivais históricos, e um acordo formal seria politicamente tóxico para ambos, especialmente para um PSD já enfraquecido.

Com isso, o PS teria poucos motivos para sustentar o governo. Ao contrário: poderia racionalmente apoiar uma moção de censura ou a dissolução do Parlamento, apostando que novas eleições lhe devolveriam protagonismo e força.

Se o Chega vencer a presidência

Uma vitória de André Ventura (Ch) produziria um dilema ainda mais corrosivo para o PSD. Com um presidente alinhado ao Chega, o partido passaria a dispor de um instrumento institucional poderoso para pressionar pela instabilidade, seja estimulando a queda do governo, seja defendendo eleições antecipadas.

Diante disso, o primeiro-ministro Luís Montenegro ficaria encurralado e com as seguintes opções: (i) governa sob ameaça permanente, podendo cair a qualquer momento com respaldo da presidência; ou (ii) busca uma coalizão formal com o Chega para reduzir o incentivo do partido em provocar uma crise.

Ambas as opções são ruins para o partido governista. A coalizão desgastaria o PSD junto à sua base moderada; já a recusa manteria o governo refém de um partido que cresce justamente com o enfraquecimento do sistema, já este ocupando a liderança da oposição e a Presidência da República.

Qual a força da IL em uma nova eleição?

Há ainda um elemento frequentemente subestimado no debate brasileiro sobre Portugal: o papel da IL, terceiro grande vencedor do primeiro turno presidencial português.

Nesta eleição presidencial, o campo da centro-direita liberal-conservadora, que historicamente pertencia ao PSD, foi ocupado com sucesso por João Cotrim de Figueiredo, candidato da IL. Seu desempenho revelou existir um eleitorado urbano, reformista e liberal na economia que já não se sente representado pelo PSD.

Em uma eventual nova eleição legislativa, um crescimento da IL dentro desse nicho pode reduzir ainda mais o desempenho do PSD, fragmentando o eleitorado de centro-direita e tornando mais difícil qualquer recuperação do partido.

É verdade que o sistema eleitoral português, de listas fechadas regionais, favorece partidos grandes, como o PSD, por meio do tradicional discurso do “voto útil”. Esse desenho institucional tende a penalizar partidos médios em distritos menores. Ainda assim, a simples perda de hegemonia simbólica do PSD nesse campo ideológico já representa um dano estrutural relevante.

A IL não precisa ultrapassar o PSD para enfraquecê-lo, bastando crescer o suficiente para retirar-lhe votos decisivos.

Um sistema político em teste

O ponto central é que não existe um cenário confortável para o PSD depois dessas eleições presidenciais. O partido governa em minoria, foi humilhado eleitoralmente, perdeu o discurso da centro-direita para a IL, o discurso da direita para o Chega e enfrenta dois adversários gigantes, o mesmo Chega e o PS, que podem, por razões distintas, convergir para a derrubada do governo.

As eleições presidenciais, portanto, não decidirão apenas quem ocupa o Palácio de Belém. Elas podem inaugurar uma nova fase de instabilidade, com eleições antecipadas e um rearranjo profundo do desenho político português.

Para o observador brasileiro, tão acostumado com um sistema partidário fragmentado, ver um país que funcionou quase como um bipartidarismo estável pleno em toda a sua nova República, como é o caso de Portugal, sofrer das mesmas agruras que nós, com a instabilidade típica que o pluripartidarismo oferece, faz parecer que os laços históricos e culturais com a nossa pátria-mãe agora se estreitam mais em um campo onde nós é que deveríamos estar aprendendo com eles, e não o contrário.

Que nossos patrícios portugueses tomem a decisão mais sábia possível nesse segundo turno presidencial.

*Artigo publicado originalmente na Revista Oeste.


















PUBLICADAEMhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/as-eleicoes-presidenciais-em-portugal-e-o-risco-real-de-colapso-do-governo/

'Imprensa velha adormecida',

 por Elizário Goulart Rocha  Os "veículos tradicionais" só se interessaram pela caminhada liderada por Nikolas Ferreira quando um fenômeno da natureza abriu as portas para notícias negativas


E nquanto o deputado federal Nikolas Ferreira liderava uma marcha de 250 quilômetros, os chamados “veículos tradicionais” fingiam não ver a mobilização dos brasileiros cansados do atual cenário nacional. A Caminhada pela Liberdade, que saiu do município de Paracatu, em Minas Gerais, com destino a Brasília, não despertou o devido interesse de quem costuma nada enxergar onde tudo há para ver. Milhares de vozes ecoando o bordão “Acorda, Brasil!”, ao longo de uma semana, por vezes sob sol inclemente ou chuva torrencial, não bastaram. 


O assunto só chamou a atenção da imprensa velha adormecida quando um fenômeno natural ofereceu a oportunidade de abordá-lo de forma negativa. No domingo, 25, o programa Fantástico, da TV Globo, acabara de exibir uma reportagem sobre a queda de um raio na Praça do Cruzeiro, em Brasília, que atingiu dezenas de participantes da caminhada, muitos dos quais tiveram de receber atenção hospitalar. 


Na sequência, entrou no ar a imagem das apresentadoras Maju Coutinho e Poliana Abritta, que anunciaram matéria sobre os 60 anos de carreira do ator Antônio Fagundes. 


Seria normal que ambas exibissem um sorriso protocolar ao falar da homenagem a um colega. No entanto, Maju parecia tentar disfarçar um riso excessivo para quem acabara de assistir a uma notícia dramática e que poderia ter se convertido em tragédia.


Ainda que a risada não tivesse relação com o raio, qualquer pessoa com um mínimo de experiência em televisão — ou de bom senso — sabe que apresentadores devem se manter sérios antes, durante e depois de uma notícia negativa. E Maju tem quase 20 anos de Globo. Entre os que estão fartos do governo Lula, do atual STF e do Legislativo de sempre, pegou muito mal. Já os que acham que está tudo certo no Brasil, maravilha da propaganda oficial, nada viram de mais. Ao contrário, sentiram-se representados. Vibraram com o raio como se comemorassem um gol. O comportamento da imprensa velha atende às expectativas de quem, entre seres humanos e um raio, torce pelo raio.


A GloboNews também aproveitou para criticar os organizadores da caminhada. “As lideranças do evento, especialmente o deputado Nikolas Ferreira, deveriam ter suspendido o evento, para dar segurança aos liderados”, disse Gérson Camarotti, um dos principais comentaristas da emissora. Aproveitou para falar dos perigos de caminhar ao longo de uma rodovia, e até mesmo de uma eventual aproximação da área da Papudinha: “Tinha um grupo que achava que poderia chegar até lá”, afirmou, condenando algo que não aconteceu.




GloboNews - As lideranças do evento, especialmente o deputado Nikolas Ferreira, deveriam ter suspendido o evento, para dar segurança aos liderados”, diz @gcamarotti. Raio deixou 34 manifestantes feridos, sendo oito em estado em grave. Assista na #GloboNews: glo.bo/39WjXAu Assista no X 6:26 PM · 25 de jan de 2026 2,8 mil Responder Copiar link para o post Ler 2,2 mil respostas 30/01/2026, 11:56 




Depois de visitar os feridos no hospital, Nikolas foi cercado por repórteres das mais variadas origens. A cena deveria ter sido comum ao longo da caminhada e poderia ser celebrada como um bom sinal, ainda que tardio, caso a pauta dos jornalistas ali presentes fosse dar eco ao grito por liberdade dos milhares de manifestantes. Só que não. Na grande maioria, estavam ali pelo raio. “Eu não vi muitos de vocês na caminhada, durante sete dias, e agora, quando acontece um incidente natural, aí vocês aparecem”, disse o deputado. “É muito previsível o que essa parte da mídia faz, porque no fim das contas é querer destruir a imagem de um movimento que foi muito sério, muito bonito.” 


Oeste, conforme tem feito desde sua criação, viu o que tinha de ser visto e realizou ampla cobertura da caminhada, desde os preparativos até o encerramento, bem como segue acompanhando as repercussões. Além de abordar o tema em todos os seus espaços, durante cinco dias, o repórter Gabriel de Souza e o cinegrafista Gabriel Nery Reis marcharam lado a lado com os manifestantes, o que rendeu inúmeras entradas ao vivo na programação do canal no YouTube, matérias no site e postagens nas redes sociais da revista.




Gabriel de Souza - Está na chuva, é para se molhar Um pouco da minha cobertura na Revista Oeste sobre a caminhada do Nikolas Ferreira pela liberdade




Além de Oeste, poucos veículos cumpriram seu papel de mostrar as coisas como as coisas são. O site Metrópoles acompanhou a caminhada de perto, o SBT se fez presente, Gazeta do Povo e Jovem Pan também deram cobertura. Uns poucos passaram a noticiar apenas quando a marcha se aproximava da capital federal, ou quando o ministro do STF Alexandre de Moraes proibiu manifestações e acampamentos próximos à Papudinha, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso. O restante, de modo geral, ignorou o movimento ou o relegou a pequenas notas sem destaque até a natureza abrir as portas para manchetes supostamente negativas para a caminhada e seus organizadores.


Se a “grande” mídia ignora ou minimiza eventos que não interessam à sua agenda, veículos de variados portes espalhados pelo país, bem como influenciadores por meio de seus canais no YouTube e nas redes sociais, ajudam a dar voz a grande número de brasileiros. Também colaboram para desnudar este círculo de omissão. “O silêncio da mídia tradicional revela um tratamento desigual e levanta questionamentos sobre pluralidade e liberdade editorial”, questionou, por exemplo, a Rádio Liberdade de Água Boa, Mato Grosso.







A maioria da mídia tratou com frieza, ou relegou ao mínimo espaço possível, a Caminhada pela Liberdade, deixando evidente, mais uma vez, a discrepância entre a mobilização registrada nas ruas e o que ganha destaque nos noticiários. Em tempos já difíceis para veículos de comunicação tradicionais devido às facilidades oferecidas pela internet, onde cada um pode ter e ser seu próprio canal, os avanços das redes sociais, a inteligência artificial e tudo o mais que vem por aí, ignorar milhões de vozes será cada vez mais um péssimo negócio. 


A recusa em enxergar a manifestação como fato político relevante não é descuido jornalístico, mas escolha editorial, e revela, mais uma vez, que a imprensa velha não dorme por cansaço, mas por conveniência. Mas o menosprezo não muda os fatos. O Brasil real segue caminhando enquanto parte da mídia insiste em dormir. 




Elizário Goulart Rocha - Revista Oeste














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TÉCNICOS REJEITAM MANIPULAR DADOS NO IBGE

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ÉCNICOS REJEITAM MANIPULAR DADOS NO IBGE



Canetada, arquivamento e bilhões: Caso de Ibaneis expõe uso político do 8 de janeiro

 | SEM RODEIOS/gazetadopovo


Canetada, arquivamento e bilhões: Caso de Ibaneis expõe uso político do 8 de janeiro 


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AMERICA FIRST na PRÁTICA: o PLANO de TRUMP para BLINDAR os ESTADOS UNIDOS

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A imprensa e o mundo real,

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A TEIA SÓ ESTÁ CRESCENDO

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COMO O BANCO FUNCIONA

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E SE O PIOR ACONTECER?

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PACIENCIA É O SEU MELHOR DESCONTO

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PACIENCIA É O SEU MELHOR DESCONTO



Sinal vermelho e Constituição — ou por que quase todos somos originalistas

   Lexum


Há uma observação do Justice Clarence Thomas que soa como um gracejo casual, desses que passam incólumes numa conversa informal, mas que concentra mais teoria constitucional do que muitos votos solenes. Ele diz, em essência, que se você para o carro diante de um sinal vermelho, você é um originalista.

A força da frase está na sua obviedade. Ninguém desacelera para refletir se, à luz das transformações culturais ou da sua própria urgência, o vermelho deveria ser reinterpretado como um laranja prudente, dialogal e contemporâneo. Você para porque vermelho significa parar. E significa parar porque esse sentido foi previamente fixado, não porque seja mais bonito, moderno ou moralmente satisfatório. Quando alguém atravessa o sinal vermelho, não o faz por confusão semântica. Sabe perfeitamente que está errado. O que ocorre ali não é interpretação, mas cálculo. Como ensinou Gary Becker em Crime and Punishment, trata-se de uma avaliação racional de custo e benefício: a probabilidade de sanção, o tamanho da pena, o ganho esperado da infração. O motorista não “releu” o sinal; decidiu violá-lo. A ilicitude é consciente e deliberada.

O trânsito só funciona porque os sinais não estão à disposição do intérprete. Se cada motorista pudesse atualizar o sentido do vermelho conforme sua sensibilidade pessoal, sua pressa ou sua visão particular de justiça viária, o resultado não seria liberdade, mas colisão. Não se trataria de autonomia, mas de licença interpretativa — a dissolução da regra comum em favor da vontade individual. E isso não é libertarianismo. Como explica Randy Barnett em The Structure of Liberty, liberdade pressupõe regras gerais, estáveis e previsíveis, capazes de coordenar expectativas e permitir cooperação entre desconhecidos. Onde tudo pode ser reinterpretado, nada pode ser planejado. Onde nada pode ser planejado, a liberdade se dissolve.

É exatamente isso que Clarence Thomas captura ao falar de originalismo. Linguagem não é um convite à criatividade moral do intérprete. Palavras, símbolos e normas são instrumentos de coordenação social. Elas existem para vincular comportamentos, não para servir de pretexto à imaginação de quem detém o poder de aplicá-las.

Originalismo, na feliz formulação de Barnett, significa algo simples e exigente: o sentido da Constituição permanece o mesmo até que ela seja alterada por emenda. Não se trata de congelar a sociedade no tempo, mas de respeitar a distinção elementar entre interpretar e mudar. A mudança é possível, prevista e legítima, mas exige o procedimento adequado. O que não é legítimo é a mutação informal do significado pela vontade do intérprete. Por corolário lógico, o sentido do sinal vermelho permanece o mesmo até que seja alterado por lei. Enquanto isso não ocorre, vermelho continua significando parar — não porque seja a melhor política pública disponível, nem porque agrade à sensibilidade contemporânea, mas porque esse foi o significado atribuído por autoridade competente. Quando a regra muda, o comportamento muda. Antes disso, o dever não é inovar, mas obedecer ao sentido vigente.

Quando um juiz afirma que o texto constitucional “evoluiu”, ele faz algo que ninguém aceitaria no trânsito: trata um sinal normativo como se fosse uma obra aberta, uma metáfora disponível à sua própria visão de mundo. Curiosamente, esse mesmo juiz para no sinal vermelho sem acusar o semáforo de autoritarismo, sem exigir que seu significado seja atualizado à luz das novas demandas da mobilidade urbana ou da moral do momento.

No fundo, o debate nunca foi apenas sobre teoria constitucional. É sobre poder — e, mais precisamente, sobre como contê-lo. Em The Structure of Liberty, Barnett lembra que a função central de uma ordem jurídica legítima não é maximizar a discricionariedade de quem decide, mas reduzir o espaço para o exercício arbitrário do poder. Regras com significado estável não existem para facilitar a vida do intérprete, mas para proteger os indivíduos contra ele.

Nesse sentido, o originalismo é, sim, uma corrente do pensamento jurídico, com seus métodos, disputas internas e sofisticação teórica. Mas ele também expressa algo anterior e mais elementar: uma atitude moral de autocontenção diante do poder. Aceitar que a autoridade da norma não nasce da vontade de quem a interpreta, mas do significado que lhe foi legitimamente atribuído, é uma escolha sobre como exercer poder sobre os outros. Quando esse significado pode ser alterado informalmente, o poder deixa de ser governado por regras e passa a ser exercido por pessoas.

Quem para no vermelho já entendeu isso. O resto é retórica — e, não raro, uma tentativa elegante de transformar licença em virtude.

*Leonardo Corrêa – sócio de 3C LAW | Corrêa & Conforti Advogados, com LL.M pela University of Pennsylvania, Co-Fundador e Presidente da Lexum e autor do livro A República e o Intérprete — Notas para um Constitucionalismo Republicano em Tempos de Juízes Legisladores.














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domingo, 1 de fevereiro de 2026

'Acabou o recreio'  

 Adalberto Piotto -Os brasileiros perderam o medo, não aguentam mais o que está aí e exigem o Brasil de volta


U m deputado federal decide fazer uma caminhada pelos sertões do Brasil, anda mais de 250 quilômetros por sete dias consecutivos debaixo de sol escaldante e chuvas torrenciais, arregimenta milhares ao longo do caminho e chega a Brasília para dizer “Acorda, Brasil!”, o lema do seu movimento. Um detalhe precioso: faz isso em pleno recesso parlamentar de janeiro, sem puxadinhos de sindicatos e “organizações sociais”. A adesão das pessoas é voluntária, na base do “eu vim de graça”, como nas manifestações da direita na Avenida Paulista e nas praças pelo Brasil, em que se reclamava da pressão ou se pedia pela anistia. 


Uma contraposição assertiva à manipulação que a esquerda faz com distribuição de sanduíches a pessoas que carregam bandeiras vermelhas sem saber o motivo ou porque estão presas à promessa de que um dia receberão algo, como os explorados dos acampamentos do MST. Se o PT já teve de fato a hegemonia das ruas — o que pessoalmente sempre coloquei em dúvida — perdeu de vez. O deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, mostrou pelas estradas e ruas de cidades do interiorzão do Brasil profundo o que já fazia com maestria nas redes sociais: os brasileiros perderam o medo, não aguentam mais o que está aí e exigem o Brasil de volta.

Trata-se de um recado duro e claro a uma parte do país que ainda tem evitado o debate real sobre o país com receio da própria bolha desconectada da realidade ou por interesses escusos. Pretendendo-se democratas 4.0, evitam o necessário embate político e evitam as ruas que apontam os dedos a mais uma tragédia moral e de retrocesso socioeconômico do atual governo de Lula, cada vez mais emaranhado no escândalo da vez: o do Banco Master. Basta ver que Daniel Vorcaro, o banqueiro amigo de autoridades da República lulopetista, contratou a preço de ouro a assessoria jurídica de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes — um aliado de primeira hora de Lula no STF e fonte amiga de parte da imprensa inquisidora. 


O dono do Master ainda trouxe para sua linha de frente ex-ministros de Lula e Dilma — como Ricardo Lewandowski (um híbrido de ministro do STF e da Justiça) e Guido Mantega — indicados a Vorcaro por ninguém menos que o líder do PT no Senado, Jacques Wagner, o ex-governador da Bahia descrito nas rodas dos isentões como petista moderado. 


Os novos defensores do Master não decepcionaram. Quando ainda em ação pelo seu banco, Vorcaro teve encontro com o presidente Lula fora da agenda oficial, acesso ao Banco Central e intermediação de autoridades para seus anseios. Depois de preso pela Polícia Federal por um escândalo financeiro bilionário, teve a prisão relaxada pela Justiça — que o STF não revogou — e responde em liberdade. O escândalo também ganhou a alcunha de “Toffolão”, em referência ao ministro Dias Toffoli, um ex-advogado do PT, reprovado em dois exames para a magistratura e que chegou ao Supremo, a mais alta corte do país, pela indicação de Lula. 


Toffoli tem anulado acordos de leniência da Lava Jato em que empresários, assistidos por caros advogados, confessaram a malandragem em esquemas de corrução, desvio de dinheiro público e conluio de autoridades — a maioria ligada aos governos petistas de Lula e Dilma, como os irmãos Batista, da J&F. Não bastasse sua pregressa e errática atuação na Corte (o termo “errática” é um respiro de elegância diante do assombro), Toffoli ainda precisa explicar um resort, vídeos com banqueiros e lobistas e o sigilo absoluto que aplicou ao caso do Master. 


Ao avocar toda a investigação para seu gabinete, retirou o telefone de Vorcaro que estava com a CPMI do INSS, determinou medidas que inibiram a investigação policial e uma série de ações que condenaram a transparência de um caso que interessa ao país. Longe de proteger o processo, a atuação do ministro parece muito mais interessada em acobertar os nomes dos envolvidos dos três Poderes da República do consórcio Lula-STF.


E esse é o ponto. Numa democracia real, de verdade, séria, constitucional, jamais um caso como o do Banco Master teria surgido. Já tivemos bancos quebrando no Brasil antes. Já tivemos, na verdade, quebradeira sucessiva de bancos. Dado que o risco sistêmico do setor estava posto, o governo da época, liderado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, instituiu medidas mais duras de controle por parte do Banco Central e a criação do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos — uma medida para proteger os clientes e trazer novamente confiança no sistema bancário. Mas nada chega nem perto do escândalo atual. 


E por quê? Porque toda aquela balela maldita que impuseram ao Brasil de “estamos salvando a democracia” criou um Supremo Tribunal Federal acima de tudo e todos. Uma corte sem limites, acima da lei, da Constituição e, sobretudo, de quem ousasse questioná-la. Ao perseguir a oposição e seus críticos, atropelar a lei, os direitos individuais, praticamente extinguir a liberdade de expressão e anular o Congresso Nacional com o cabresto do foro por prerrogativa de função, o STF se tornou intocável e poderoso demais. Anabolizado em relação aos outros poderes, tornou-se imperial, um porto seguro para quem tivesse acesso privilegiado — e sabe-se lá mais o quê — aos ministros ativistas. 


Em agosto de 2023, o Supremo Tribunal Federal entendeu, por 7 votos a 4, que não havia mais a proibição de que ministros julgassem casos defendidos por escritórios de advocacia de cônjuges e outros parentes. O parente só não poderia estar diretamente na defesa. No reino dessa Nárnia tupiniquim, esses escritórios passariam a ter paredes estanques e os sócios e advogados jamais tratariam do caso entre si. Inimaginável também a possibilidade de existirem maridos ministros e esposas advogadas sonâmbulos, conscientes ou inconscientemente, ou que falam enquanto dormem, a dividirem a mesma cama e o mesmo teto. 


Diante desse STF permissivo, o que fizeram banqueiros e agentes do governo inescrupulosos? Associaram-se a ministros do STF em convescotes de luxo fora do país, patrocinaram eventos de pretenso debate jurídico e correram a contratar os “prestigiados” escritórios de esposas de ministros. Num passe de mágica e por maioria suprema, novas sumidades jurídicas apareceram de repente e foram contratadas. O sobrenome e o parentesco tornaram-se detalhes, não impedimentos éticos.


Desde 2019, uma parte do Brasil, movida a ódio político ou nojinho estético da vitória legítima da direita em 2018, abraçou o arbítrio, o abuso e a inconstitucionalidade como método. Valia tudo para impedir ou tumultuar o governo eleito. O inquérito 4.781 — apelidado de “Inquérito do Fim do Mundo” pelo ministro Marco Aurélio Mello — era irregular na forma e na origem e, por isso, ilegal. Aberto de ofício pelo então presidente do Supremo, Dias Toffoli, teve nomeado relator, sem sorteio, o noviço na Corte, Alexandre de Moraes. 


Em nome de combater supostas fake news — que só miraram posts e autores da direita conservadora do país — ganharam o apoio imediato — ou a omissão silenciosa — de parte imensa de empresários, associações de classe, universidades, pessoas comuns e imprensa tradicional. A partir dali, o ministro Alexandre de Moraes abriu uma era de medo e repressão num estado de exceção de inquéritos intermináveis sem nenhum limite jurídico. O sigilo das investigações era tamanho que aos advogados dos acusados não era permitido acesso aos autos para saber do que deveriam defender seus clientes. Com a máquina suprema na mão e apoio interno e externo, promoveu perseguições políticas que resultaram em prisões, cancelamentos públicos, asfixia financeira de empresas e pessoas físicas e o fim da liberdade como a conhecíamos e como era garantida na Constituição. 


As prisões sem o devido processo legal e o direito à ampla defesa de manifestantes dos atos do dia 8 de janeiro são um exemplo atroz desta era vil da história recente do país. O julgamento da alegada “trama golpista”, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e diversas autoridades de seu governo, não guarda um mínimo de lógica jurídica, como denunciou o ministro Luiz Fux em seu voto.


No Brasil de hoje, temos dois ministros do Supremo Tribunal Federal acusados de envolvimento até o pescoço no escândalo do banco Master. São os mesmos que protagonizaram a ilegalidade do inquérito de 2019. Nem o contido atual presidente do STF, Edson Fachin, consegue esconder o incômodo de ver seu mandato à frente da Corte sendo enlameado pela atuação de seus colegas. 


A sua proposta de código de conduta a homens de reputação ilibada — uma das duas exigências para indicados ao STF — é recibo irrecorrível de que as coisas estão muito mal. Como escândalo pouco é bobagem para o lulopetismo, criador do Mensalão — que comprava votos no Congresso — e da Lava Jato (Petrolão) — que desmoronou a gestão de Dilma e levou o próprio Lula à cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o atual escândalo do Banco Master, se despido do sigilo absoluto decretado pelo ministro Toffoli, tende a ser um terremoto nos três Podres Poderes da atual república. Já está sendo, porque até para aquela gente que se omitiu lá atrás, as coisas passaram dos seus limites elásticos sobre abusos e crimes contra o interesse público. 


Menos mal que essa parte sonolenta da imprensa, da sociedade, das universidades, do mercado financeiro e das entidades de classe e empresariais que dormia o sono profundo dos irresponsáveis desde 2019, tenha acordado. O monstro que saiu dessa omissão ou conveniência política tem endereço conhecido na praça mais famosa de Brasília. Que aprendam de uma vez por todas que nenhum arbítrio ou abuso legal vale a pena. Acabou o recreio. Que voltem da fantasia de “salvar a democracia” e se juntem à realidade da maioria dos brasileiros que quer a liberdade e o Brasil de volta, porque nunca deixou de fazê-lo.  




Adalberto Piotto - Revista Oeeste




















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ATAQUE À DEMOCRACIA??? É MESMO?

 EDUARDOOINEGUE


ATAQUE À DEMOCRACIA??? É MESMO?



“O BRASIL ESTÁ CORROMPIDO, COMEÇANDO PELO PRESIDENTE”,

 DIZ MELLO ARAÚJO gazetadopovo/youtube


“O BRASIL ESTÁ CORROMPIDO, COMEÇANDO PELO PRESIDENTE”, 


clique no link abaixo e assista

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