Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

-

CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Intervenção do Estado na economia e Brasil

   Luan Sperandio 


A história do Brasil é marcada pela colonização, independência e desenvolvimento econômico a partir da presença marcante e constante do Estado como agente intervencionista na economia. Desde os primórdios, o Estado brasileiro exerceu influência significativa sobre o desenvolvimento econômico, moldando indústrias, empresas e políticas de mercado.

Desde sua fundação sob o domínio da Coroa Portuguesa, o Brasil viu o Estado exercer um papel preponderante na definição de sua estrutura econômica. A relação entre a sociedade e o Estado, muitas vezes, assemelhou-se a um modelo subalterno, em que o Estado se configurava como um agente centralizador do desenvolvimento. Após a independência e ao longo do século XX, esse papel se consolidou ainda mais, com intervenções em setores-chave da economia.

Segundo Paulo Jose Krischke, no auge dos militares no poder, em 1974, estimava-se que as empresas e bancos estatais controlavam 46% de toda a economia. O Estado controlava 68,5% das ações na mineração, 72% na siderúrgica, 96,4% na produção de petróleo e 38,8% na química e petroquímica. O Estado brasileiro monopolizava, ainda, o transporte ferroviário, o serviço de telecomunicações, a geração e distribuição de energia elétrica e nuclear e outros serviços públicos.

Foram implementadas diversas reformas com o objetivo de reduzir a participação do Estado na economia, especialmente a partir dos governos de Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. No entanto, a visão dos brasileiros em geral é de que essa presença é desejável. Em 2007, a opinião predominante entre os brasileiros era favorável à intervenção estatal na economia. Uma pesquisa mencionada no livro A Cabeça do Brasileiro, escrito por Alberto Carlos Almeida, revelou que, quando questionados sobre a regulação estatal dos preços de todos os produtos vendidos no Brasil, 54% dos entrevistados concordaram integralmente, enquanto 16% manifestaram um nível menor de concordância com essa proposição.

Essa presença estatal é mais que uma narrativa histórica; é uma realidade que persiste até os dias atuais. Bancos estatais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, desempenham papeis importantes na concessão de crédito e no financiamento de projetos de infraestrutura. Grandes empresas brasileiras como Petrobras, Vale e Eletrobras, pilares da economia, têm suas origens e trajetórias intimamente ligadas ao Estado, que muitas vezes atuou como um agente de influência na formação dessas corporações.

Segundo o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, em 2026, o país encontra-se na 134ª posição, com um escore de 52,4 em uma escala que vai até 100. Esse índice reflete não apenas a persistência da intervenção estatal na economia, mas também seus efeitos na liberdade econômica e no ambiente de negócios.

A intervenção econômica direta do Estado trouxe benefícios e desafios ao longo da história do Brasil. Por um lado, contribuiu para a formação de setores-chave da economia, acelerando o desenvolvimento industrial e a infraestrutura. No entanto, também gerou dependência econômica, burocracia excessiva e, em muitos casos, ineficiência. Esse cenário, especialmente quando diante de crises econômicas, como a que o país atravessou em 2014-2016, trouxe ao debate público e político a percepção de necessidade de reformas para promover maior liberdade econômica e desburocratização.

Esse processo originou urgência na classe política, a ponto de haver a aprovação de medidas, como a Regra do Teto de Gastos, as mudanças na TJLP do BNDES, a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência. Contudo, o ciclo político de diminuição da intervenção do Estado parece ter perdido ritmo a partir da pandemia da Covid-19, uma agenda que precisa ser resgatada.















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/intervencao-do-estado-na-economia-brasil/

Soberania, prosa democrática ou poesia demoníaca?

   Judiciário em Foco 


Nos últimos quatro anos, parcela expressiva da nossa população viveu e sofreu o bastante para constatar que não se tratou de restauração democrática, muito menos de implementação de um utópico igualitarismo de padrões de renda ou oportunidades. Em meio ao apagão de liberdades e à quebradeira econômica, caíram as máscaras dos figurões do consórcio executivo-judiciário e se esvaneceram todas as promessas alardeadas por Lula desde o fatídico janeiro de 23. Privado das muletas construídas sobre os conceitos de democracia e/ou de bem-estar social, o regime foi forçado a concentrar todas as suas artimanhas retóricas em torno da soberania, por tratar-se do único atributo inerente a todas as nações, independentemente do modelo político e/ou econômico destas – e nossos potentados não têm perdido oportunidades de distorcer o conceito em prol da satisfação de interesses próprios.

Na última semana, os EUA incluíram as gangues brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) em sua lista de grupos terroristas. Assim procederam como nação soberana, investida do poder de emitir normas vigentes em seu território, inclusive para, a seu critério exclusivo, classificar organizações criminosas e definir formas de punição em solo americano. No entanto, a exemplo do que se observou por ocasião da decretação das sanções Magnitsky contra Alexandre de Moraes, políticos situacionistas e grande mídia bravatearam críticas ao governo americano por supostas ofensas à nossa soberania. Tanto no ano passado quanto nos últimos dias, rechearam os meios de comunicação de falas antiamericanistas desprovidas de fundamento ou sentido, pois em nenhum momento os poderosos da terra do Tio Sam tentaram revogar nosso arcabouço normativo ou suspender o funcionamento de qualquer dos braços estatais. Assim, em que medida o decreto da dupla Trump/Rubio teria causado tanto incômodo em nosso círculo de poder e até no nosso mercado financeiro?

A pergunta acima é e seguirá sendo especulativa, pelo menos por longo tempo. Afinal, sem acesso aos arquivos ultrassecretos do planalto, da cúpula judiciária, do legislativo, da polícia federal e até da Casa Branca, somos incapazes de identificar os atores dos âmbitos público e privado passíveis de serem afetados pela aposição do rótulo de “terrorista” aos clãs de meliantes. A partir de informações bem conhecidas, o que podemos afirmar é que os responsáveis diretos pela deterioração da nossa soberania não se encontram alhures, mas entre nós e enquistados em posições de mando.

Nos estados de direito, indivíduos elegem mandatários para a solução das controvérsias no espaço público mediante o respeito a uma ordem constitucional que sirva à preservação das liberdades de cada um no interior de uma certa unidade geográfica. Sob o guarda-chuva do império da lei, todos são livres para fazerem o que desejarem desde que não prejudiquem outrem, e a previsibilidade de consequências permeia todos os atos da vida civil. Contudo, não é nada disso que se verifica em vastas extensões do nosso território.

Pela força de armas pesadas obtidas na ilegalidade, grupos de meliantes controlam inúmeras áreas onde impõem seus desejos como se “leis” fossem, promovem “julgamentos” alheios às jurisdições estatal e privada (arbitragem), e onde o ingresso de agentes públicos é vedado. Portam-se como autênticos donos de “estados” dentro do estado nacional e assim agem há décadas, sob os olhares no mínimo complacentes dos titulares do poder constituído. Afinal, com raras exceções, não se costuma ver representantes dos executivos nas diversas esferas empreendendo ações destinadas à repressão eficaz das gangues, ou parlamentares unidos em torno de projetos legislativos necessários à prevenção e à punição da criminalidade grossa, tais como a redução da maioridade penal e a eliminação da progressão de regimes no cumprimento de penas.

A seu turno, o judiciário protagoniza um capítulo singular. Entre julgados teratológicos e proferidos em usurpação às atribuições dos demais poderes (como o julgamento da maconha e a ADPF das Favelas), é possível ver membro do CNJ – que viria a ser alçado à atual presidência do TST! – recepcionando a chamada Dama do Tráfico, esposa de uma liderança do CV. Da mesma forma como deparamos com a decisão monocrática e irrazoável de soltura de Oruam pelo ministro Ilan Paciornik, em um dos episódios recentes mais lamentáveis de uma série pornográfica de habeas corpus concedidos a traficantes perigosos e aos “soldados” do narcotráfico. Logo após o decreto de Trump, fomos expostos ao vexame público da entrevista concedida pela desembargadora Ivana David, membro de uma das câmaras criminais do TJ/SP, na qual a togada apontava a elevação do preço da droga como tendo sido o “pior” aspecto da deliberação norte-americana. Com magistrados desse naipe, quais as nossas perspectivas concretas de avanços na segurança pública e de devolução das liberdades a milhares de indivíduos sob o jugo de um poder paralelo? Se é que se pode falar de um mando “em paralelo” e não de simples infiltração da marginalidade nas instituições. Não sei, mas espero que o caso Master, se e quando solucionado, venha a ser o fio da meada para a compreensão de eventuais elos entre os poderosos de colarinho engomado e aqueles de sandália e armas.

O título deste texto é paráfrase de título de um artigo de Raymond Aron[1], no qual o sociólogo francês, um dos principais comentaristas da Guerra Fria, se debruçava sobre as diferenças entre os modelos sociais norte-americano e soviético. Como escrito por Aron, “as sociedades ocidentais parecem caracterizadas pela dispersão da força, se comparadas às sociedades soviéticas. Essas últimas inspiram o terror devido à totalização aparente da força concentrada na minoria no poder. Os mesmos homens dirigem a política externa e a planificação econômica, interpretam a verdade do dogma e determinam a repartição das receitas.” Infelizmente, o Brasil da concentração de poderes por togados não-eleitos, dos decretos censores de Lula e do domínio territorial exercido por facções se mostra bem mais alinhado ao extinto modelo soviético que ao ocidental; entre nós, prevalece o terror e mingua a legalidade, tanto sob a caneta de Moraes quanto sob os fuzis de Marcola ou Marcinho VP.

Em seu ceticismo característico, Aron conclui seu texto formulando uma primeira indagação sobre a possível nostalgia de massas humanas em relação ao poder personalizado daqueles que “são obedecidos porque possuem a vocação de reinar, e não porque tenham sido investidos (no poder) de acordo com um procedimento legal.” A partir da fórmula clássica de Hayek, segundo o qual, na sociedade livre, são as leis, e não os homens, que reinam sobre os homens, Aron encerra sua digressão com uma pergunta ácida: “se é essa a definição de liberdade, será que os homens aspiram à liberdade?

Parafraseando o mestre, indago se nós, brasileiros, guardamos algum apego sentimental aos nossos atuais soberanos, apesar do menosprezo destes à legalidade estrita e da sua forma de comandar por “vocação” e ao sabor de seus próprios caprichos. Ouso perguntar se realmente desejamos retomar a ordem constitucional, ainda que às custas do “desmame” do assistencialismo e das benesses estatais de todo gênero. Afinal, só seremos soberanos no dia em que pagarmos o preço pelas nossas liberdades e em que formos “nós, o povo” os verdadeiros tomadores das decisões relevantes para o país.

[1]Macht, power, puissance – Prose démocratique ou poésie démoniaque?” in Archives européennes de sociologie, 1964, V, I.


Judiciário em Foco

Katia Magalhães é advogada formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e MBA em Direito da Concorrência e do Consumidor pela FGV-RJ, atuante nas áreas de propriedade intelectual e seguros, autora da Atualização do Tomo XVII do “Tratado de Direito Privado” de Pontes de Miranda, e criadora e realizadora do Canal Katia Magalhães Chá com Debate no




























publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/soberania-prosa-democratica-ou-poesia-demoniaca/

SE ESTE É O PREÇO DA PAZ, TRUMP ESTÁ À BEIRA DE UM DESASTRE

 fernaolaramesquita/youtube


SE ESTE É O PREÇO DA PAZ, TRUMP ESTÁ À BEIRA DE UM DESASTRE

clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=5NEvYCV4mt8

Ministros do STF Estão com Medo de ir à Copa do Mundo!

 deltandallagnol/youtube


Ministros do STF Estão com Medo de ir à Copa do Mundo!


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=rOLdoZPwdDo

O 8 de janeiro foi uma tentativa de golpe de Estado?

 brasilparalelo/youtube


O 8 de janeiro foi uma tentativa de golpe de Estado? | Aldo Rebelo


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=9RSpExzO5Yk

DOUTRINAÇÃO NAS ESCOLAS? O CONFRONTO QUE DEIXOU TODOS EM SILÊNCIO

 rubinhonunes/youtube


DOUTRINAÇÃO NAS ESCOLAS? O CONFRONTO QUE DEIXOU TODOS EM SILÊNCIO


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=GiXJLuaT1Fs

O Áudio Secreto do Líder do Lula Sobre o Banco Master!

 deltandallagnol/youtube


O Áudio Secreto do Líder do Lula Sobre o Banco Master!


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=yIB2XItmQZ8

Trump Dá Banho de Realidade em Lula: Veja!

 andrémarsiglia/youtube


Trump Dá Banho de Realidade em Lula: Veja!


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=VVNw0h8nEPE

A NOVA PICANHA de Lula: Como o 6x1 virou PROMESSA que NUNCA será CUMPRIDA

 rubinhonunes/youtube


A NOVA PICANHA de Lula: Como o 6x1 virou PROMESSA que NUNCA será CUMPRIDA

clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=FyNI1C5-zd4

Jaques Wagner Pode Arrastar Lula Para o Buraco: Veja!

 andrémarsiglia/youtube


Jaques Wagner Pode Arrastar Lula Para o Buraco: Veja!

clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=sDo2izZRptI

Regime tirano, nação pelo cano

 percivalpuggina


Regime tirano, nação pelo cano


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=IZib5pnpNxg

É TARDE DEMAIS...

 CAIOCOPPOLLA/FACEBOOK


É TARDE DEMAIS...



O ESTADÃO PUBLICOU UM GRANDE MILAGRE ...

 PAULOLOPES/FACEBOOK


O ESTADÃO PUBLICOU UM GRANDE MILAGRE ...



BATE-BOCA NO STF: André Mendonça coloca advogado do pai de Vorcaro contra a parede

 gazetadopovo/youtube


BATE-BOCA NO STF: André Mendonça coloca advogado do pai de Vorcaro contra a parede


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=9L_9OII-y0s

domingo, 21 de junho de 2026

O mito do inevitável domínio chinês

 Aléxis Melo Nepomuceno


A China, desde a sua reabertura econômica em meados de 1980, se consolidou como a segunda maior economia do planeta e passou a ser apresentada por analistas e investidores como a sucessora natural dos Estados Unidos na liderança do comércio global. Tarifas, guerras comerciais, disputas tecnológicas e o avanço do yuan como alternativa ao dólar compõem o cenário de uma rivalidade que, para muitos, já está definida. Uma das vozes mais influentes dessa narrativa é o macro investidor Ray Dalio, que previu o declínio americano e sua substituição pela China com base em ciclos históricos de transição hegemônica. Este texto examina essa tese e questiona sua premissa central: a de que a ascensão chinesa é inevitável — argumentando que instituições, liberdade econômica e capacidade de inovação importam mais do que tamanho ou planejamento estatal.

O macro investidor Ray Dalio, em sua obra Princípios para a ordem mundial em transformação: Porque as nações prosperam e fracassam, previu o declínio do império norte-americano e sua substituição pela China, da mesma forma que “os holandeses perderam seu poder para os britânicos, que criaram um império maior e mais poderoso”, e os ingleses, posteriormente, perderam espaço para os americanos. “Esses grandes ciclos produziram mudanças na ordem mundial, em que novas potências substituíram antigas potências”, afirma o autor. Para Dalio, seria inevitável que a China substituísse os Estados Unidos no futuro próximo. O investidor relaciona os principais fatores que levaram os americanos a superar os ingleses após a Segunda Guerra Mundial; entre eles, destaca-se o fato de que “a libra esterlina foi substituída pelo dólar americano como principal moeda de reserva mundial”, em razão da confiabilidade institucional e da segurança jurídica existentes nos Estados Unidos.

Já a China não possui instituições capazes de garantir segurança jurídica plena, uma vez que permanece como um Estado despótico, que impõe diversos limites às liberdades individuais. Há, inclusive, crescente preocupação, amplamente documentada por analistas e observadores internacionais, de que Xi Jinping esteja se tornando mais autocrático do que Mao Zedong. O mundo escolheu o dólar como principal moeda de reserva justamente pela confiança nas instituições americanas e, segundo o próprio Dalio, ainda não existe outra moeda capaz de competir de forma real com o dólar diante da clara superioridade institucional dos Estados Unidos.

Outras características decisivas foram a educação, a competitividade, a inovação tecnológica, a capacidade produtiva, a participação no comércio mundial, a força militar e a posição dos EUA como principal centro financeiro global. Esses elementos consolidaram os americanos como protagonistas do progresso econômico mundial. O desenvolvimento econômico foi o principal motivo para a liderança americana no pós-guerra, e esse desenvolvimento decorreu da formação de instituições econômicas inclusivas, “que possibilitam e estimulam a participação da grande massa da população em atividades econômicas que façam o melhor uso possível de seus talentos e habilidades e permitam aos indivíduos fazer as escolhas que bem entenderem”. São instituições que garantem os direitos de propriedade, incentivam o empreendedorismo e criam um ambiente propício à inovação.

Segundo o laureado economista Douglass North, as instituições são as “regras do jogo”, responsáveis por assegurar estabilidade e continuidade ao ambiente econômico. Ao fornecer segurança ao empreendedor para inovar, essas instituições mantêm espaço aberto para a destruição criativa — processo de substituição tecnológica que impulsiona o desenvolvimento. Na visão dos premiados autores Daron Acemoglu e James A. Robinson, o crescimento chinês ocorreu de forma acelerada nas últimas décadas, mas “sob instituições políticas claramente extrativistas”, o que inevitavelmente impõe limites ao desenvolvimento sustentável. “O Partido Comunista Chinês controla rigidamente toda a vida política na China e dificilmente permitiria a destruição criativa em larga escala”, impossibilitando o pleno cálculo econômico. O dirigismo chinês permitiu um crescimento impulsionado pela adoção de tecnologias existentes e pela exportação de produtos manufaturados, mas isso não significa, necessariamente, crescimento sustentado no longo prazo.

O economista Joseph Schumpeter introduziu o conceito de destruição criativa como um processo de substituição tecnológica que modifica a “estrutura econômica de dentro para fora, destruindo continuamente a antiga e criando continuamente uma nova”. Um Estado fortemente centralizador, como o chinês, tende a limitar esse processo, pois a destruição criativa ameaça os detentores do poder político ao criar vencedores e perdedores e redistribuindo renda e influência econômica.

Para Schumpeter, o desenvolvimento depende diretamente da inovação e da destruição criativa. Já para Israel Kirzner, a inovação depende da atividade empresarial livre, resultado do cálculo econômico realizado pelo empreendedor em um sistema de instituições sólidas, capazes de garantir os direitos de propriedade e a liberdade econômica. A economia chinesa serve prioritariamente aos interesses do Partido Comunista, e não aos interesses espontâneos de empresários e consumidores. Segundo Ludwig von Mises, “onde não há mercado livre, não há mecanismo de preços; e sem um mecanismo de preços, não há cálculo econômico”. Sem esse cálculo, a economia passa a funcionar “como tatear no escuro”, tornando o crescimento econômico disfuncional, marcado pela má alocação de capital e pela produção desconectada das reais demandas dos consumidores. Um exemplo recente foi o estouro da bolha imobiliária na China, em 2021, cujos efeitos persistem até hoje diante do descompasso entre uma oferta artificialmente sustentada por estímulos estatais e a demanda real dos consumidores.

Outro problema da economia planejada, segundo Friedrich Hayek em seu discurso em memória de Alfred Nobel, em 1974, é que o conhecimento está disperso por toda a sociedade e “nunca existe de forma concentrada ou integrada, mas apenas como pedaços dispersos de conhecimento incompleto”, detidos por indivíduos separados. Como explica Jeffrey Tucker: “Nenhum planejador central, por mais inteligente que seja ou por mais potentes que sejam seus computadores, consegue processar a massa de informações locais e temporais que os indivíduos utilizam em suas decisões diárias”.

O planejamento chinês parte da pretensão de substituir a ordem espontânea do mercado por uma ordem projetada pelo Estado, conceito definido por Hayek como “arrogância fatal”. Para Tucker, ao explicar essa ideia, “o resultado não é a organização perfeita, mas o caos e o subdesenvolvimento”. Esses limites do planejamento central se tornam ainda mais evidentes quando observados na prática da política industrial chinesa. Enquanto a grande maioria das empresas americanas crescem de forma orgânica, conquistando mercado gradualmente, as montadoras chinesas são fortemente subsidiadas pelo governo. Desde 2009, Pequim já destinou cerca de US$ 231 bilhões diretamente ao setor. O subsídio estatal à indústria automobilística chinesa impacta toda a cadeia produtiva — considerada extensa pelo elevado número de materiais, peças e serviços especializados envolvidos — e cria um ambiente artificial de competitividade. Dessa forma, os veículos chegam ao consumidor por preços muito inferiores aos que teriam em um mercado sem a ingerência do Estado e sem a transferência indireta desses custos para toda a economia.

Para os autores Elias Jabbour e Alberto Gabriele, o Estado centralizado, sob “orientação socialista”, seria capaz de “acelerar o progresso das forças produtivas” e “controlar as instabilidades do mercado financeiro”. Já Ludwig von Mises e Friedrich Hayek refutam essa ideia ao argumentarem que nenhum órgão central possui conhecimento suficiente para coordenar racionalmente uma economia complexa. Para os austríacos, o planejamento estatal conduzido por “uma comissão de iluminados investida do poder de determinar tudo o que seria produzido e consumido” tende a gerar escassez generalizada, além de “fome e frustração em massa”, justamente porque substitui os sinais espontâneos do mercado por decisões burocráticas incapazes de refletir as reais necessidades da sociedade.

A teoria proposta por Jabbour e Gabriele sustenta que “um sistema socioeconômico nacional misto”, baseado em “planejamento e controle estatal direto”, seria “qualitativa e quantitativamente superior” ao modelo capitalista. A história, contudo, oferece resposta abundante a essa tese: existem inúmeros exemplos de países destruídos pela tentativa de substituir as decisões econômicas de indivíduos livres pela “sabedoria dos planejadores”. Até hoje não existem economias maduras e plenamente desenvolvidas organizadas sob esse sistema, sendo a China o principal — e talvez primeiro — grande experimento dessa proposta. Segundo a tradição austríaca, “quaisquer tentativas de se alocar eficientemente os recursos na ausência de propriedade privada dos meios de produção” e de preços formados livremente “irão necessariamente falhar”.

A economia americana, apesar dos inúmeros desafios e crises que enfrentou ao longo de sua história, continua sustentada por instituições que favorecem a inovação, a descentralização do conhecimento e a liberdade empreendedora. É justamente essa capacidade de adaptação contínua — baseada em segurança jurídica, proteção aos direitos de propriedade e destruição criativa — que diferencia os Estados Unidos de economias excessivamente centralizadas.

Por isso, o futuro da liderança econômica mundial talvez dependa menos do tamanho do Estado ou da capacidade de planejamento central e mais da liberdade que uma sociedade oferece para que indivíduos inovem, concorram e transformem espontaneamente a própria economia. Afinal, grandes potências não se sustentam apenas pela capacidade de produzir riqueza, mas pela liberdade institucional que permite continuar criando riqueza.

*Aléxis Melo Nepomuceno é diretor de projetos do Instituto Atlantos.












publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/o-mito-do-inevitavel-dominio-chines/

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More