Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

A praxeologia da infraestrutura das Copas

 Adriano Paranaiba

“O gasto governamental nunca pode ser considerado um investimento produtivo, pois ele carece do teste do mercado: a escolha voluntária do consumidor.” — Murray N. Rothbard

A história recente das Copas do Mundo oferece uma lição prática e irrefutável sobre a destrutividade do intervencionismo estatal e a validade da teoria rothbardiana do capital. O percurso que vai do colapso logístico e financeiro da Copa de 2014 no Brasil até as sofisticadas exigências regulatórias atuais da Federação Internacional de Futebol (FIFA) revela a anatomia do planejamento central e a falha inerente das soluções burocráticas que tentam simular o mercado.

O emblemático caso de 2014: a anatomia do “legado” estatista

Para compreender como a intervenção governamental destrói capital e gera distorções socioeconômicas graves, nenhum laboratório recente é tão didático quanto as obras para a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Sob o pretexto de que o megaevento seria uma oportunidade de ouro para ofertar infraestrutura de longo prazo para a população, o governo federal mobilizou uma máquina bilionária de intervenção econômica, disponibilizando cerca de R$ 20 bilhões para intervenções estruturais.

O plano baseava-se na retórica do “legado urbano” coordenado centralizadamente:

  • Ao todo, 24 municípios foram alvo de investimentos em infraestrutura de mobilidade por meio do PAC 2 Mobilidade Grandes Cidades.
  • Entre esses, as 12 cidades-sede receberam aportes específicos divididos originalmente em 49 obras de mobilidade (posteriormente alteradas para 54 projetos), além da construção e reforma dos estádios.
  • Complementarmente, 78 municípios de médio porte foram selecionados no PAC 2 Mobilidade Médias Cidades.

A expectativa alimentada pela propaganda oficial era de que o Brasil consolidaria sua transição para o “primeiro mundo” graças a esse pacote de investimentos. Contudo, para Murray Rothbard, o desfecho desse projeto já estava traçado desde o primeiro centavo despendido. Os bilhões injetados nesses projetos não foram criados pelo estado; foram extraídos coercitivamente da sociedade civil por meio de tributação e endividamento público. A preferência demonstrada dos indivíduos foi violada: o pagador de impostos foi obrigado a financiar arenas de luxo em detrimento de suas próprias necessidades reais, voluntárias e urgentes.

O cronograma do caos e a falha de planejamento

Como o estado opera sem o farol dos preços livres e o teste de lucros e prejuízos, o planejamento centralizado tateia no escuro. A evolução dos cronogramas oficiais expôs essa realidade praxeológica:

  • Dezembro de 2012: Faltando menos de dois anos para o evento, 78% das obras de mobilidade estavam em andamento, mas 10% ainda aguardavam o início após a licitação, 6% estavam em fase de concorrência e 6% sobreviviam apenas como projetos em elaboração.
  • Novembro de 2013: O gargalo tornou-se crítico. Das obras monitoradas, oito sequer haviam começado ou ganharam novos prazos; 19 patinavam em andamento; cinco estavam abaixo de 70% de conclusão; e apenas uma única obra estava efetivamente concluída. Duas entregas já eram consideradas improváveis e outras cinco fatalmente não ficariam prontas a tempo do torneio.

Quando a bola rolou, em junho de 2014, a grande maioria das estruturas foi inaugurada de forma incompleta. O caso da Arena Corinthians, palco do jogo de abertura, tornou-se o símbolo dessa precariedade: o alvará do Corpo de Bombeiros foi emitido a apenas três dias da partida inaugural, impedindo a realização de testes de capacidade de segurança adequados. Ao apito final do torneio, 23 obras de mobilidade urbana permaneciam inacabadas.

A reação do cartel: as novas exigências da FIFA

O cenário de terra arrasada deixado pela Copa de 2014 no Brasil, somado ao desgaste de imagem decorrente dos legados ociosos e financeiramente insustentáveis da Copa de 2010 na África do Sul, acendeu um sinal de alerta global. Para coibir o desperdício bilionário e o abandono de arenas que ameaçavam a rentabilidade e a reputação da entidade, a FIFA passou por profundas reformulações regulatórias nos últimos anos.

A lógica de mercado do cartel mudou drasticamente no discurso: o foco deixou de ser “construir para impressionar” e passou a ser “adaptar o evento à realidade urbana preexistente”. As diretrizes técnicas, econômicas e de sustentabilidade que passaram a ditar a escolha e a execução da Copa do Mundo operam sob pilares bem definidos, consolidados no seu Green Building Guidelines e nos cadernos de encargos recentes:

  • Arquitetura Modular e Princípios de Economia Circular;
  • Certificações Ambientais Obrigatórias (LEED e BREEAM);
  • Modelo de Compartilhamento de Custo (Multissedes).
A perspectiva econômica: o limite do planejamento e o caso da Arábia Saudita 2034

Sob a ótica rothbardiana, a imposição de regras como “certificações verdes obrigatórias” continua sendo uma forma de planejamento centralizado que ignora o sistema de preços livres. Ao tabelarem que um projeto precisa atingir a classificação LEED Platinum para ser viável, os burocratas impõem critérios arbitrários que desconsideram a escassez relativa de recursos locais.

A prova definitiva de que as regulações burocráticas não substituem o mercado — e de que o cartel da FIFA continua parasitando e se beneficiando do poder que vem do dinheiro estatal — manifesta-se na concessão da Copa de 2034 à Arábia Saudita. Esse evento testa os limites das próprias regras de sustentabilidade da federação, uma vez que o plano do país envolve investimentos massivos em novas construções urbanas e arenas construídas inteiramente do zero, reabrindo o debate sobre o peso real dos critérios ecológicos frente ao poder de financiamento concentrado.

Aqui, o estado atua como uma agência de coerção que consome capital para benefício político. Regimes centralizadores utilizam a receita de monopólios estatais para inflar projetos de orgulho nacional (sportswashing), operando em total descolamento do cálculo econômico e da preferência dos consumidores. Onde há financiamento estatal concentrado e ausência de propriedade privada pura, as regras ambientais e econômicas das federações esportivas tornam-se meras peças de retórica política.

A única forma real de eliminar o desperdício bilionário e garantir a harmonia urbana seria a privatização e desregulamentação absoluta do setor. Se a Copa do Mundo fosse organizada, financiada e sediada exclusivamente por consórcios privados em propriedades estritamente privadas, o cálculo econômico de mercado garantiria de forma espontânea que apenas estruturas economicamente viáveis fossem utilizadas, alinhando a oferta de entretenimento à real demanda dos indivíduos — sem o sacrifício compulsório e a violência fiscal contra o pagador de impostos.

Perdão a Monique é prova do delírio ao qual a ideologia woke e o ativismo judicial podem chegar

  Gabriel Wilhelms


Cinco anos após o brutal assassinato do menino Henry Borel, o padrasto da criança, ex-vereador conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a quase 44 anos de prisão pelo crime. Qual a surpresa, ou melhor, indignação, de todos quando a mãe, Monique Medeiros, considerada culpada por homicídio culposo pelo júri e, portanto, carecendo de uma pena, ainda que inferior à de Jairinho, teve um perdão judicial concedido pela juíza! Antes de me debruçar sobre o show de horrores que é a sentença da excelentíssima, um lembrete sobre o papel da mãe de Henry no crime.

O Ministério Público do Rio de Janeiro apontou Monique como responsável por omissão e participação indireta no crime por não ter impedido as agressões ao filho. Conforme mensagens encontradas pela polícia em seu celular, uma babá teria lhe comunicado sobre as agressões do padrasto pelo menos um mês antes da morte do menino, de modo, como sustenta o inquérito, que ela não fez nada para proteger o filho.

No dia fatídico, ambos levaram o menino desacordado para o hospital, chegando já sem vida. Lá, contaram a lorota de que a criança teria “caído da cama”. O laudo do IML prontamente desmentiu essa versão ao identificar 23 lesões no corpo do menino, hemorragia interna e ruptura do fígado, o que não é compatível com uma queda acidental, mas sim com ação violenta. Segundo o MP, Monique não apenas se omitiu, mas atuou para encobrir o crime, prestando informações inverídicas à equipe médica com fins de ocultar as agressões e proteger o companheiro.

Por fim, apenas neste mês, mais especificamente no dia 2, durante seu julgamento, Monique culpou Jairinho pela morte do filho pela primeira vez em todos estes anos. Durante este interím, omitiu-se, só culpando o ex-companheiro como provável estratégia para escapar da condenação que, em tese, era iminente.

Pois bem, temos que, não obstante tal histórico e a decisão do júri, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial a Monique, extinguindo a pena. O instituto do perdão judicial no homicídio culposo existe para casos nos quais se considera que as consequências do crime já causaram tamanho sofrimento ao agente que a sanção penal é desnecessária.

Para isentar a ré de pena, a magistrada produziu uma série de afirmações que fazem parecer que a vítima do caso é Monique e não Henry. Segundo a excelentíssima, Monique teria sofrido um “massacre nas redes sociais”, considerando também que houve uma “reação desproporcional da sociedade”. Mas, claro, somos mesmo uns incivilizados: como podemos fazer caso do assassinato de uma criança? Que bárbaros que somos, criticando a progenitora omissa e cúmplice nas redes sociais (vai ver é por isso que querem tanto controlá-las)!

Claro que a carta do “gênero” não ficaria de fora: ““Fosse o pai e não a mãe na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado, como é regra nos processos de igual natureza.” E ainda completa: “É que o papel culturalmente reservado à mulher nos moldes patriarcais não só dela exige ser mãe, mas, muito além, a mãe perfeita. Mãe suficiente não basta.” Ora, talvez seja meu lado “incivilizado” falando, mas penso que uma coisa é não ser uma mãe perfeita (e quem é perfeito?), outra é deixar o companheiro agredir o filho e mentir para acobertar seu assassinato, protegendo o assassino. Mas convém refletir sobre a sabedoria da magistrada: será que essa sociedade patriarcal não coloca um peso muito grande nos ombros das mulheres ao demandar que elas concorram para proteger os filhos que, afinal, colocaram no mundo?

Eis o extremo ao qual chega tanto a ideologia woke quanto o ativismo judicial, que, nesse caso, se fundem. De um lado, a naturalidade com a qual a juíza desfila tal repertório de bobagens; de outro, a indignação geral da sociedade. De um lado, a arrogância identitarista em sua forma togada; de outro, a mesma sociedade que, diante de crimes bárbaros contra os elementos mais frágeis dessa mesma sociedade, teriam uma “reação desproporcional”. Contemplem a incompatibilidade entre uma coisa e outra. Uma justiça deslocada da realidade, da decência, da lógica e, sobretudo, da igualdade formal não nos serve de nada. Tal justiça não se faz digna de crédito, mas é a mesma que depois reclama censura contra o cidadão ao não tolerar críticas.

A magistratura, sobretudo no âmbito de uma decisão judicial, não pode ser palco para a militância travestida de técnica. Mas não pensem que se trata de algo isolado. O caso em questão, como bem lembra uma matéria da Gazeta do Povo, vem na esteira da criação de um negócio chamado Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, pelo Conselho Nacional de Justiça. Conforme o CNJ, o documento, criado em 2021, “oferece fundamentos teóricos e um guia metodológico passo a passo para decisões judiciais e administrativas que considerem as desigualdades estruturais que afetam mulheres, em toda a sua diversidade e nas múltiplas interseccionalidades de raça, classe, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, deficiência e outras condições de vulnerabilidade”. Por esse prisma, convém inquirir se, além de mulher, Monique fosse negra, a nobre magistrada não teria determinado que o Estado a indenizasse para além do perdão judicial.

Pergunto-me se neste país ainda existe alguma dose da igualdade formal estabelecida no artigo 5º de nossa Constituição (todos são iguais perante a lei). Pelo andar da carruagem, malgrado as intermináveis “reparações históricas” (e como irão terminar se a cada dia inventam uma nova minoria?), esses privilégios distintitvos que chamam de “justiça social”, pretende-se que grupos ditos “minoritários” (sim, as mulheres, que correspondem a basicamente metade da população, são “minoria”) possam também delinquir impunemente.

Concluo com uma sugestão pública e aberta à juíza Elizabeth Machado Louro: questione-se e converse com o maior número possível de mães do mundo real sobre se elas, como mulheres, receberam sua decisão com simpatia, em face ao reconhecimento deste dito “patriarcado” e de seus efeitos sobre as mulheres, ou se elas restam indignadas com a impunidade para quem teve um papel da morte do próprio filho. Questione as mães, em sua maioria esmagadora amorosas e dispostas a tudo pelos filhos, se suas simpatias estão com Monique ou com Henry Borel.

Fontes:

https://www.cnnbrasil.com.br/noticias/caso-henry-borel-saiba-quem-e-monique-medeiros-acusada-de-matar-o-filho/

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/06/04/sentenca-monique-perdao-judicial-absolvicao-entenda-caso-henry.ghtml

https://www.conjur.com.br/2026-jun-05/juri-condena-jairinho-a-43-anos-de-prisao-e-monique-medeiros-recebe-perdao-judicial/

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/06/02/pela-primeira-vez-monique-culpa-jairinho-pela-morte-de-henry-borel-creio-que-foi-ele.htm?forcedFormat=NORMAL&uol_app=

https://www.jusbrasil.com.br/artigos/hipoteses-que-admitem-o-perdao-judicial/1613331277

https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/estudos-desmentem-tese-machismo-estrutural-judiciario/

https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/protocolo-para-julgamento-com-perspectiva-de-genero/















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/perdao-a-monique-e-prova-do-delirio-ao-qual-a-ideologia-woke-e-o-ativismo-judicial-podem-chegar/

Jaques Wagner: Entenda as conexões políticas por trás do caso Banco Master

 BRASILPARALELO/YOUTUBE


Jaques Wagner: Entenda as conexões políticas por trás do caso Banco Master


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Bombas Contra Jaques Wagner Acumulam e Lula Entra em DESESPERO!

 ANDRÉMARSIGLIA/YOUTUBE


Bombas Contra Jaques Wagner Acumulam e Lula Entra em DESESPERO!


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PRECISOU O MENDONÇA FAZER O QUE A IMPRENSA JÁ DEVERIA TER FEITO

 FERNÃOLARAMESQUITA/YOUTUBE


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NINE FERROU O BRASIL AO DESAFIAR O TRUMP

 RONYGABRIEL/FACEBOOK


NINE FERROU O BRASIL AO DESAFIAR O TRUMP




“Moraes é uma anomalia”: advogado de Trump revela bomba nos EUA

  SEM RODEIOS


QUEM seria VOCÊ se não fosse SUA TIA?

 RUBINHONUNES/YOUTUBE


QUEM seria VOCÊ se não fosse SUA TIA?


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ÁUDIO: Hugo Motta Foi Pego Pedindo R$ 22 Milhões a Vorcaro

 DELTANDALLAGNOL/YOUTUBE


ÁUDIO: Hugo Motta Foi Pego Pedindo R$ 22 Milhões a Vorcaro


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https://www.youtube.com/watch?v=FBcysyZW2zk

PAGOS PARA ENGANAR O POVO

 ADONIRAMNOBILE/THREADS


Essa cambada de artista recebe Muito dinheiro do governo Lula pra enganar os ot@rios que deixam enganar por estes sugadores do dinheiro do povo. É por isso que odeiam o Bolsonaro, pq não recebiam grana sem trabalhar.



quinta-feira, 18 de junho de 2026

A caixa de Vorcaro

 Marlon Reguelin


Grécia antiga

Mesmo após milênios, os mitos da Grécia antiga continuam sendo excelentes ferramentas na exegese de nossos tempos. As inúmeras lendas criadas pelos primeiros helenistas retratam e explicam, em seu caráter carregado de simbologia divina, acontecimentos terrenos que impactam a vida humana mais comum.  Atena, Ulisses, Aquiles, Édipo Rei, Afrodite, Hércules, Teseu e o Minotauro… todas essas (entre muitas outras) histórias povoam, em alguma medida, o imaginário coletivo ocidental.

Hoje, quero evocar outro mito grego que tem sido uma infeliz e autentica metáfora da atual política brasileira: o mito da Caixa de Pandora. Após a ascensão do todo-poderoso Zeus ao Olimpo dos deuses, o titã Prometeu ousou desafiar sua autoridade ao entregar o controle do fogo (ali simbolizado como poder e autonomia), propriedade de Zeus e do panteão, aos mortais. Zeus, extremamente irado, resolve se vingar da humanidade através de Pandora, mulher cheia de dons concedidos pelos deuses e dotada de incomparável beleza. Como presente de casamento, Zeus lhe dá uma caixa (a melhor tradução seria “jarro”) com a recomendação de que jamais fosse aberta.

Pandora é moça formosa, mas também curiosa. Ao descumprir o conselho de Zeus, todas as desgraças – exceto uma – entram no mundo, para infortúnio dos homens. Pandora descobre da pior forma possível que a a caixa recebida era, na verdade, uma caixa de males.

2026

Brasilia tem estado em polvorosa. Desde que surgiram os primeiros indícios dos escândalos envolvendo o Banco Master e seu ex-CEO, Daniel Vorcaro, dizem que a sanidade mental dos figurões nunca mais foi a mesma. Pudera, a cada nova revelação, as cifras ficam mais absurdas, e o rol de envolvidos – à direita e à esquerda – mais vasto. Já estamos diante de um dos maiores escândalos de corrupção deste país, e o fim da história não parece estar próximo.

Dinheiro, facilidades, luxo e luxúria

Daniel Vorcaro é uma figura singular. Jovem, articulado, bilionário, figura carimbada nos altos círculos sociais (não apenas no Brasil) e com farto acesso ao panteão de Brasília. Políticos, banqueiros, magistrados, advogados, empresários e celebridades, entre tantas outras castas, parecem estar na lista de benesses do homem.

Muito (MUITO!) dinheiro envolvido. Contrato de 129 milhões para um certo escritório de advocacia aqui… 60 milhões para um tal filme ali… outras centenas de milhares de reais em diárias num resort Tayayacolá… Mas, como nem só de dinheiro se vive, Vorcaro também era afeito às facilidades que só uma boa rede de contatos pode proporcionar. Afinal, qual banqueiro não gostaria de se reunir a portas fechadas (e fora da agenda oficial) com o próprio presidente da Republica, ministros de Estado e o futuro presidente do BACEN? É um nível de exclusividade que chega a nos deixar com uma pulga atrás da orelha pensando se não haveria outras razões mais (sabe lá Deus quais…) para um tratamento tão VIP, não concorda, caro leitor?

O que sabemos, isso sim, é que Vorcaro era um grande amigo dos amigos. Quando o assunto era festa, não tinha miséria! Quatro dias de rega-bofe na maravilhosa ilha da Sicília (terra de Don Vito Corleone e de outras figuras semelhantes não tão fictícias assim) com direito a hotel cinco estrelas, shows de Coldplay, Bocelli e vários outros artistas famosos. Festas de debutante e camarotes na Sapucaí custando dezenas de milhões de reais. Iates privados cruzando o Mediterrâneo. Jatinhos particulares cortando os céus do atlântico.

Em uma dessas viagens, a bordo da aeronave de um amigo, seguiu para Lima um seletíssimo grupo, incluindo um ministro do Supremo Tribunal Federal e o advogado de um dos investigados
no escândalo Master. O destino era a final da Libertadores de 2025. Afinal, futebol é a paixão nacional, e ambos estavam ali apenas como torcedores, de modo que, é claro, não trataram de
qualquer assunto que não fosse a peleja em si. O fato de que, poucos dias depois, esse mesmo ministro tenha proferido decisão favorável em um processo de interesse do tal advogado não passa, evidentemente, de uma feliz – ou infeliz, dependendo da perspectiva – coincidência. Sendo ambos palmeirenses, é até possível que a carga de trabalho tão logo após a viagem tenha servido para amenizar a dor do fracasso alviverde, sofrimento do qual este articulista também compartilha.

Corre à boca pequena que, além do luxo, a luxúria também corria solta. Segundo relatos divulgados pela imprensa, a Polícia Federal teria encaminhado ao ministro André Mendonça um relatório contendo referências a orgias e bacanais supostamente promovidos pelo banqueiro. Diz-se que Vorcaro recorria quase que exclusivamente a acompanhantes estrangeiras – sobretudo europeias – para esses encontros, não necessariamente por predileção estética pelo padrão germânico ou eslavo, e sim por uma razão bem mais pragmática: desconhecedoras do idioma de Machado e dos meandros da política nacional, essas mulheres dificilmente reconheceriam os figurões que circulavam com desenvoltura – e poucas roupas – pelo ambiente.

Se os relatos forem verdadeiros, o sexo aparecia menos como entretenimento e mais como instrumento. Menos celebração hedonista e mais moeda de troca. Um mecanismo adicional de aproximação, influência e construção de lealdades entre personagens que, em tese, deveriam manter relações estritamente institucionais. Celulares, ao que consta, eram proibidos. Oficialmente, para evitar registros. Extraoficialmente, porque certas memórias são ainda mais perigosas que fotografias. Ainda assim, o comentário que ecoa pelos corredores de Brasília é que nem todos os antigos comensais dormem tranquilos. Afinal, quem frequenta ambientes construídos sobre segredos costuma descobrir – geralmente tarde demais – que segredos têm o péssimo hábito de escapar.

A coisa toda é tão medonha que não temos a menor ideia do que ainda vem por aí. No mito grego, a curiosidade de Pandora faz com que um sem-fim de desgraças venha à tona, ainda que ela se apresse em fechar a caixa tão logo perceba o estrago. Por aqui, no entanto, não há qualquer garantia de que Vorcaro tenha fechado sua própria caixa de males; nem na época em que a usava para cooptar grande parte da República, nem agora, com a investigação em andamento e a possibilidade de fazer uma delação que periga comprometer todo o Olimpo dos poderosos.

Fato é: coisa boa não virá. Se o que escapou já foi suficiente para abalar as estruturas dos três poderes, quão temeroso deveria estar o pobre povo brasileiro – vítima última de toda essa podridão – diante do que ainda permanece oculto, à espera de vir à luz? Talvez a verdadeira caixa de Pandora – ou de Vorcaro – não seja a que foi aberta, mas a que ainda não terminou de se esvaziar!

*Marlon Reguelin é empreendedor.


























publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/a-caixa-de-vorcaro/

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