Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 19 de abril de 2026

O limite que o Brasil se recusa a aceitar

  Alex Pipkin, PhD


 Há uma verdade incômoda, atribuída a Margaret Thatcher, que funciona como epitáfio de nações desorganizadas; o dinheiro alheio acaba.

Não é provocação; é constatação. O colapso não nasce da falta de boas intenções, mas de um erro elementar sobre a origem da riqueza.

No debate público, insiste-se em apontar o imposto como causa. Não é; o imposto é consequência.

A distorção começa antes, no impulso contínuo de expandir o gasto público como se o recurso fosse impessoal, desvinculado do esforço, do risco e da decisão de quem produz.

O erro se aprofunda quando o Estado passa a tratar o capital privado como um estoque disponível para promessas políticas. Ao ampliar benefícios e distribuir subsídios sem critério de eficácia, desloca-se o eixo da responsabilidade de uma forma perversa.

Quem produz torna-se financiador involuntário de uma ineficiência que não escolheu.

Não se discute a necessidade de amparar quem precisa. O ponto de ruptura está no limite. O que deveria ser suporte transitório consolida-se como estrutura permanente. A exceção, no Brasil, foi elevada à regra. O instrumento de proteção social deixa de corrigir falhas e passa a organizar o sistema.

Dessa escolha emerge uma física econômica que não concede indulgência. O gasto excessivo exige mais arrecadação; a voracidade fiscal sufoca o investimento; a retração do capital drena a base de geração de riqueza e a escassez resultante alimenta novas demandas por gasto.

É um ciclo que consome o chassi para alimentar o motor.

Enquanto a economia real suporta o peso de tributos que alteram decisões e comprimem ambições, a resposta institucional repete o mesmo caminho, preservando privilégios e evitando enfrentar o núcleo do problema. Procrastinar é um dos esportes verde-amarelos favoritos.

Disciplina fiscal não é preferência de economistas; é condição de sobrevivência de qualquer sociedade que pretenda ser livre. Gastar além da capacidade não produz justiça social; corrói as bases que a tornariam possível.

O Brasil não enfrenta um problema de compreensão técnica. Enfrenta um problema de escolha deliberada, confortável e reiterada.

Impostos podem até ser inevitáveis, mas a recusa em aceitar limites é a conta que nunca perdoa.

Resta saber até quando o brasileiro aceitará o destino de Sísifo, aquele de carregar o peso de um Estado que consome o amanhã para custear os erros de ontem.




















publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/o-limite-que-o-brasil-se-recusa-a-aceitar__18650

Por que estou ensinando meu filho a desobedecer a lei

 J.D. Tuccille 


Em 1858, centenas de residentes de Oberlin e Wellington, Ohio – muitos deles estudantes e professores do Oberlin College – cercaram o Wadsworth’s Hotel, em Wellington, no qual policiais e caçadores de escravos mantinham preso um escravo fugitivo chamado John Price, sob a autoridade da Lei do Escravo Fugitivo. Após um breve impasse, a multidão armada invadiu o hotel e dominou os captores. Price foi libertado e transportado para um local seguro no Canadá.

Conheço esses detalhes porque meu filho recentemente pegou emprestado da biblioteca “O preço da liberdade”, um livro sobre o resgate de Oberlin-Wellington, como o incidente é chamado. Minha esposa e eu usamos isso como ponto de partida para dizer ao nosso filho de sete anos por que não esperamos que ele obedeça à lei – que as leis e os governos que as aprovam são muitas vezes maus. Esperamos que ele, em vez disso, defenda seus direitos e os dos outros, e faça o bem, mesmo que isso signifique infringir a lei.

Nossa insistência em colocar o direito antes da lei não é uma posição nova. Sempre gostei do sentimento de Ralph Waldo Emerson de que “Homens bons não devem obedecer muito bem às leis”. Essa é uma citação bem conhecida, mas vem de um ensaio mais longo no qual ele escreveu:

As repúblicas abundam em jovens civis, que acreditam que as leis fazem a cidade, que graves modificações da política e dos modos de vida e empregos da população, que o comércio, a educação e a religião podem ser votados; e que qualquer medida, embora seja absurda, pode ser imposta a um povo, se você conseguir vozes suficientes para torná-la uma lei. Mas os sábios sabem que a legislação tola é uma corda de areia, que perece na torção(…)”

A lei pode até ser uma corda de areia, mas pode estrangular pessoas azaradas muito antes de perecer. John Price poderia muito bem ter acabado não apenas com a lei, mas com uma corda de verdade, em volta do pescoço, só porque queria exercer a liberdade natural a que tinha direito por nascimento como um ser sapiente.

John Price terminou sua vida como um homem livre porque estava disposto a desafiar as leis que diziam que ele não era nada além de propriedade de outras pessoas, para ser descartado como desejassem. Ele teve uma boa ajuda para manter sua liberdade de outras pessoas que estavam dispostas não apenas a desafiar as leis que os obrigariam a colaborar na escravidão de Price, mas também a espancar os agentes do governo encarregados de fazer cumprir essas leis.

Emerson provavelmente teria aprovado. Seu filho relatou anos depois que, ao saber que seus filhos estavam escrevendo composições escolares sobre a construção de casas, ele disse: “vocês devem ter certeza de dizer que nenhuma casa hoje em dia é perfeita sem ter um recanto onde um escravo fugitivo possa ser escondido com segurança”.

Muito influenciado por Emerson, mas mais pé no chão, Henry David Thoreau foi para a prisão (ainda que brevemente) por se recusar a pagar impostos para apoiar a Guerra do México. Em um ensaio agora conhecido como “Desobediência Civil”, ele escreveu:

O cidadão deve por um momento, ou no menor grau, renunciar sua consciência ao legislador? Por que todo homem tem uma consciência então? Acho que devemos ser homens primeiro e súditos depois. Não é desejável cultivar o respeito pela lei, tanto quanto pelo direito. A única obrigação que tenho o direito de assumir é fazer a qualquer momento o que acho certo“.

Este é o mesmo ensaio em que Thoreau afirmou a famosa frase: “o melhor governo é aquele que não governa nada”. O governo não era uma instituição que ele tinha em alta conta. Ele se preocupou com o fato de soldados, policiais e outros funcionários “servirem ao estado assim, não principalmente como homens, mas como máquinas” e que “na maioria dos casos não há livre exercício do julgamento ou do senso moral; mas eles se colocam no mesmo nível da madeira, da terra e das pedras.”

Sendo a nossa era mais acadêmica e menos poética, os sentimentos de Thoreau provavelmente serão capturados hoje em dia como incorporando a divisão entre os estágios de desenvolvimento moral de Lawrence Kohlberg. Especificamente, eles marcam a diferença entre pensadores convencionais que acreditam que a lei é devida obediência porque de alguma forma define a moralidade, e pensadores pós-convencionais que acreditam que princípios mais elevados têm precedência sobre a lei.

Sim, eu prefiro Emerson e Thoreau também. Pessoalmente, eu diria que amo a liberdade mais do que qualquer outro valor, e não dou a mínima se meus vizinhos ou o estado discordarem. Serei livre e estou disposto a ajudar os outros a serem livres, se quiserem minha ajuda. Danem-se todas as leis em contrário. Não acho que o psicólogo social Jonathan Haidt ficaria surpreso com minha atitude. De acordo com ele, é isso que faz os libertários funcionarem. E é isso que minha esposa e eu estamos tentando passar para nosso filho.

A escravidão e a Guerra do México são, felizmente, questões mortas neste país, mas isso não significa que haja escassez de restrições e mandatos questionáveis impostos a nós por lei e pelo governo. Impostos, restrições do estado-babá, regulamentos comerciais, leis de drogas… todos imploram por desafio. A Lei do Escravo Fugitivo pode não mais ordenar que os americanos façam o mal, mas as regras de “segurança” fariam com que médicos e profissionais de saúde mental delatassem seus pacientes. E sempre há outra aventura militar, em algum lugar, na qual os políticos querem gastar o sangue e o dinheiro de outras pessoas.

Espero sinceramente que meu filho nunca tenha que correr por sua liberdade desafiando leis malignas, como John Price. Também espero, pelo menos um pouco, que ele nunca tenha que bater em policiais, como fizeram os moradores de Oberlin e Wellington, para defender a liberdade de outro. Mas, se o fizer, quero que o faça sem reservas.

Se tudo o que meu filho fizer é viver sua vida um pouco mais livre do que a lei permite, então fizemos algo de bom. Alguns regulamentos ignorados e alguma papelada jogada no lixo podem tornar o mundo um lugar muito mais fácil para se viver. Melhor ainda, se ele se sentar em um ou dois júris e teimosamente se recusar a encontrar qualquer razão pela qual ele deva condenar algum pobre que foi arrastado por possuir uma arma de fogo proibida ou por ingerir os produtos químicos errados. A anulação do júri não é ilegal (ainda), mas ajuda outras pessoas a escapar da punição por fazer coisas que o são, mas não deveriam ser. “Se não há dano, não há problema” é uma boa regra para um jurado, não importa o que os legisladores digam.

E, se ele quiser ir além disso e ajudar ativamente as pessoas a desafiar as proibições e ultrajes autoritários dos próximos anos, ele será aplaudido por mim, sua mãe e talvez até (dependendo de suas opiniões sobre o assunto) um público de aprovação de ancestrais espectrais. Nossa família tem uma longa experiência em zombar da lei. Fornecer o proibido ou transportar o perseguido são ocupações honrosas, sejam elas feitas com fins lucrativos ou por compromisso pessoal.

Como acho que nosso filho já aprecia, tornar o mundo mais livre é sempre certo, especialmente quando a lei está errada.

Este artigo foi publicado originalmente pela Reason


















publicadaemhttps://mises.org.br/artigos/18445/por-que-estou-ensinando-meu-filho-a-desobedecer-a-lei/

A RESPOSTA DO GOVERNO AO FMI

 gilbertosimõespires/pontocritico


MONITOR FISCAL

Nesta semana, para quem ainda não sabe, o Fundo Monetário Internacional (FMI) ao divulgar o relatório -MONITOR FISCAL, ou FISCAL MONITOR-documento que semestralmente analisa, projeta e publica o comportamento das FINANÇAS PÚBLICAS GLOBAIS, apontou que a -DÍVIDA BRUTA DO BRASIL- atingirá 100% do PIB em 2027.  Como tal sugere uma urgente necessidade de fortalecer o -ARCABOUÇO FISCAL- um conjunto pífio de regras e parâmetros ilusórios que Lula e o PT criaram com claro propósito de IGNORAR ou MATAR NO NASCEDOURO. 

RESPOSTA IMEDIATA

Pois, para deixar ainda mais claro ao FMI E TODAS AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS DO PLANETA, que a GRANDE PAIXÃO do DESCONTROLADO PRESIDENTE LULA e dos PETISTAS EM GERAL é AUMENTAR -SEM PARAR- IMPOSTOS, GASTOS PÚBLICOS, ENDIVIDAMENTO E DÉFICIT PÚBLICO, a RESPOSTA ao FMI foi dada pelo novo ministro José Guimarães, da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), ao sugerir, escandalosamente, a -POSSIBILIDADE DE UM AUMENTO DO ENDIVIDAMENTO NACIONAL PARA PRESERVAR A ECONOMIA POPULAR DOS IMPACTOS DA GUERRA-. Que tal? 

SUGESTÃO TÍPICA

Dotado de enorme e sabida irresponsabilidade, José Guimarães, o tipo que ganhou notoriedade internacional por conta do -ESCÂNDALO DOS DÓLARES NA CUECA-, justificou a sua estúpida sugestão dizendo que -não podemos transferir para a população os prejuízos da guerra-. Ora, como o ENDIVIDAMENTO PÚBLICO, por óbvio, vai para a conta do povo brasileiro, todo e qualquer aumento da JÁ ELEVADÍSSIMA DÍVIDA PÚBLICA, ao invés de SALVAR A ECONOMIA, como enfatizou, vai, inevitavelmente, causar prejuízos ainda maiores para a economia do país e, por consequência lógica, para a população em geral, que ele diz que pretende proteger. Pode?  



















publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/a-resposta-do-governo-ao-fmi


A narcocultura como empoderamento feminino: a imaginação perversa dos teledramaturgos da Globo,

 escreve Flávio Gordon  Para a mentalidade dos produtores globais, a traficante empoderada é, talvez, o ápice da ocupação de espaço por parte das mulheres'


A imaginação “progressista” brasileira acaba de atingir mais um de seus pequenos cumes de delírio. Depois de convencer gerações de jovens mulheres a aceitar o mito feminista — a tese filomarxista segundo a qual a história de todas as sociedades é a história da luta de sexos, estando as mulheres na posição de oprimido e os homens, na de opressor —, a TV Globo resolveu complementar a lavagem cerebral com uma sugestão fascinante: a invenção da traficante feminista. 

Sim, é real. Por meio da personagem Lucélia, da novela do horário nobre, a teledramaturgia da Globo decidiu dar mais esse passo lógico revolucionário, veiculando para milhões de meninas e jovens mulheres a mensagem de que comandar uma boca de fumo pode ser, quem diria, um gesto de emancipação.

A tese de fundo é conhecida e já suficientemente gasta, sendo uma adaptação doméstica do velho esquema marxista, agora aplicada ao sexo em vez da classe. Onde antes havia proletários e burgueses, temos agora mulheres estruturalmente subjugadas e homens estruturalmente opressores. Pouco importa a realidade concreta, a diversidade de experiências ou os fatos elementares da vida social: o que vale é o esquema. E como todo esquema ideológico, ele exige ilustrações dramáticas — mesmo que fabricadas à revelia do mundo real. 

Para a mentalidade dos produtores globais, a traficante empoderada é, talvez, o ápice da ocupação de espaço por parte das mulheres — uma nova onda de sufragismo. É que, ao lado do feminismo, a Globo exalta também a narcocultura — a estética e a simbólica do tráfico como expressão gráfica de “resistência” dos pobres e negros contra as elites ricas e brancas.


A narcocultura na Globo 

Entre closes lacrimosos e trilhas cuidadosamente melancólicas, a Globo cumpre seu apostolado sentimental, envolvendo a estética do narcotráfico numa aura quase redentora. O fuzil vira adereço cênico, a granada é um detalhe inconveniente, e o drone lança-bombas jamais aparece. Em compensação, a “juventude interrompida” ganha minutos generosos de tela, enquanto a palavra “chacina” — sempre aplicada aos criminosos abatidos (que a Globo trata por “o povo pobre e negro”) — é distribuída com a mesma prodigalidade com que se omite o contexto. 

O resultado é uma operação de maquiagem moral: o criminoso armado até os dentes torna-se personagem trágico; a organização que domina territórios pela força é reembalada como espaço de pertencimento; e a mulher que ingressa nesse universo é promovida à condição de heroína de si mesma. Trata-se de um caso quase didático de hibristofilia — o fascínio patológico (e frequentemente erotizado) por figuras violentas e criminosas, reinterpretadas como heroicas contra o poder opressor. Os idealizadores da Globo são quase todos filhos de Hélio Oiticica e de seu lema “Seja marginal, seja herói” — concebido em apoio ao bandido “Cara de Cavalo”, um assaltante, extorsor e matador de policiais nos anos 1960. 

O problema é que, como sempre, a realidade insiste em não colaborar com o roteiro global. Nos morros efetivamente dominados pelo narcotráfico, mulheres associadas ao crime raramente encontram empoderamento. O que elas encontram, isso sim, é humilhação, coerção e, não raro, a morte. A romantização desse universo, portanto, não é apenas intelectualmente desonesta — é moralmente perversa, sobretudo quando apresentada como modelo implícito a meninas e jovens mulheres. 

Mas a ignomínia, por óbvio, não está na ficção em si mesma, mas na persistência dessa pedagogia sentimental que insiste em confundir barbárie com libertação. Ao transformar a boca de fumo em alegoria de emancipação feminina, a Globo não apenas distorce a realidade: ela contribui para anestesiar a consciência moral de um público já suficientemente exposto às taras ideológicas de uma intelligentsia alienada e irresponsável. Como tem acontecido há pelo menos duas décadas, as novelas globais deixaram de ser entretenimento para se converterem em instrumento de pedagogia política a serviço de um projeto niilista de engenharia social, cujas consequências danosas não param de se fazer sentir. 


Flávio Gordon - Revista Oeste
















publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/04/a-narcocultura-como-empoderamento.html

o ódio do PT a quem quer prosperar pelo trabalho

 Endividada e sem perspectiva, a classe média está sendo empurrada à pobreza Adalberto Piotto e


Em que lugar do mundo uma família de quatro pessoas com renda mensal de pouco mais de R$ 2,5 mil pode ser chamada de classe média? Pergunte a quem está dentro dessa casa se essas pessoas se sentem classe média. A resposta negativa será definitiva, sem que sejam necessárias demonstrações de estudos econômicos ou comparações acadêmicas. Economia é, ao contrário do que dizem, algo muito simples. Para famílias, trata-se de uma mistura bem equilibrada de sensação de conforto com estabilidade financeira, adicionada de boas doses de perspectiva de futuro. Quem conseguiria ter tudo isso com pouco mais de R$ 2,5 mil de renda familiar? 

Ninguém em nenhum lugar do país. Mesmo que o valor seja majorado para R$ 3,5 mil — como sugerem pesquisas mais recentes sobre a base para ser considerado classe média no Brasil — ou mesmo com o dobro, não dá. Mas acredite que essa é classificação brasileira para o patamar inicial de renda do que se chama de “nova classe média”, essa narrativa petista que ousou um dia convencer a todos de que estava promovendo ascensão social. Não estava. A maioria já voltou a ser pobre. 

A propaganda petista é uma afronta à inteligência do brasileiro que sabe, de um jeito ou de outro, que, quando se está todo mês com o orçamento apertado e vendo as dívidas aumentarem, é da escala da pobreza que se trata. E a prioridade é sempre a sobrevivência, jamais planos futuros. Olhando para o Brasil real, é o que a maioria absoluta das famílias nessa faixa de renda está fazendo: sobrevivendo. Entre os ricos, o objetivo está na outra ponta: aumento exponencial de capital. No meio, está a atual classe média brasileira, achatada pelas políticas dos governos de Lula. Sozinha, abandonada e diminuída em seu poder de compra, perdeu o direito de sonhar. 

Quando Marilena Chauí, uma das ideólogas do PT, disse que odiava a classe média, ninguém imaginou que seria com tamanho afinco. Na cabeça atormentada da marxista que odeia o modelo darwiniano de evolução pessoal com aumento progressivo da autonomia física e intelectual das pessoas, “a classe média é um atraso de vida. A classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. […] A classe média é uma abominação política, porque é fascista; é uma abominação ética, porque é violenta; e é uma abominação cognitiva, porque é ignorante.” No discurso, feito em 2013 num daqueles convescotes que só vão os petistas, Chauí foi ovacionada pela claque. Lula presente nunca se opôs ao discurso. Sorriu e aplaudiu. A tese seria repetida por ela numa entrevista à Folha de S.Paulo, em 2025.

Uma pergunta que Marilena Chauí, os abobados que a aplaudiram e o próprio Lula deveriam responder é que mal há em estudar, formar-se bem profissionalmente e trabalhar, subir na carreira, aumentar a renda e ganhar autonomia, inclusive política? A própria fez questão de explicar o motivo de seu ódio visceral. Ao dizer que se recusava a aceitar que trabalhadores, após anos de luta, tivessem se tornado “classe média”, reforçou que o ódio vinha de suas convicções teóricas e políticas da visão marxista clássica, na qual a “classe média seria o cimento ideológico” que sustenta o capitalismo. Imagina o quanto cada trabalhador que levanta todo dia cedo para trabalhar está preocupado com a bile da filósofa, uma funcionária de universidade pública, sempre com os salários em dia e de valores muito acima da média. 

Além do que, a USP, de onde Chauí é professora-emérita, é financiada pelo ICMS, arrecadado justamente pela circulação de mercadorias e serviços. Em São Paulo, as universidades estaduais recebem um percentual fixo da arrecadação desse imposto. Dizer a ela que quanto mais a economia funciona, mais o trabalhador ascende e melhora de vida consumindo mais, isso tudo aumenta o repasse às universidades, seria pedir que fizesse uma conta simples de proporcionalidade. Talvez isso seja muito complicado para quem fala em “cimento ideológico” e não sabe o que é encher uma laje, seja de um grande edifício comercial ou da própria casa do trabalhador na periferia, que quer viver e morar melhor.

Tentar explicar essa gororoba pretensamente intelectual a um casal que trabalha duro para permitir que os filhos possam estudar e se inserirem no competitivo e próspero mercado de trabalho moderno, guiado por inteligência artificial e inovação de alto nível, é ainda mais difícil, provavelmente impossível. Porque o mofo ideológico não pensa. As ideias mofadas da esquerda brasileira só crescem em ambientes úmidos, escuros e com pouca ventilação de novas ideias e digerem tudo o que está ao redor. Veja qualquer país que saiu de governos de esquerda. Sobra só terra arrasada. Quem quer progredir, quer a luz do sol, quer oportunidades e menos Estado e partidos políticos dizendo-lhe o que fazer. Na promulgação da Constituição de 1988, que o PT de Lula não assinou, o célebre e histórico deputado Ulysses Guimarães disse que tinha “ódio e nojo à ditadura”. Como os brasileiros de hoje. 

Os petistas, associados à ditadura do STF de hoje, preferem odiar a classe média.  

Mas voltemos aos números que assolam a classe média brasileira. O tripé sensação de conforto sustentável, estabilidade financeira e perspectiva depende de escola, trabalho e renda. O que os teóricos chamam de “mobilidade social via educação”, o motor da classe média em qualquer lugar civilizado do planeta, foi destruído pela escolha do atual governo, em todas as suas gestões, de priorizar o que ele chama de redistribuição de riqueza via transferência de renda. Seria um equívoco de política econômica, não fosse aparentemente intencional como política de partido. Numa das pontas, os governos Lula acabaram com a obrigatoriedade de manter as crianças nas escolas para que as famílias recebessem o Bolsa Família, desfigurando o programa e eliminando sua principal porta de saída. O que era para ser transformação, acabou em mero assistencialismo. 

De outro, os muito ricos, como o próprio Lula já fez questão de enfatizar, nunca ganharam tanto dinheiro como durante a sua gestão. Entre afagar os mais pobres com programas sociais que os mantêm na pobreza e reclamar da falta de carinho das elites financeiras com o petismo, Lula esfolou a classe média, que deveria ser aumentada. Mas não pela narrativa política e a precarização da média da renda para inserir mais famílias. Como R$ 3 mil de renda familiar não é nova classe média coisa nenhuma, deveria ter-se concentrado em ações que aumentassem a real classe média. Fez o contrário.

Para ficarmos só na gestão atual, o governo mirou no aumento de impostos para bancar uma máquina pública anabolizada pelo inchaço de contratação de “companheiros” e em gastos sem eficácia. A ineficiência cobrou a fatura: as estatais voltaram a registrar prejuízos bilionários e o governo coleciona três anos de rombos fiscais. Até agora, porque 2026 ainda não terminou. A combinação explosiva de carga tributária elevada para sustentar a irresponsabilidade fiscal e incompetência administrativa, marcas do petismo, gerou inflação e aumento de juros com consequente encarecimento do crédito às famílias e empresas. 

Quem trabalha, produz e paga impostos que sustentam o governo — essa gente “odiosa” da classe média — foi sendo cada vez mais asfixiada. O ódio realmente não é um bom conselheiro, tampouco inteligente. Fato é que o aumento do IOF, lá em 2023, uma das primeiras medidas para tungar o cidadão, fez aumentar até o custo dos empréstimos no banco. Na sua sanha de aumentar impostos, queria taxar fundos que financiam a construção civil e o agro, dois dos setores que ou geram muito emprego ou garantem o crescimento da economia. Pressionado, o governo recuou, mas o que era para ser um imposto regulatório tornou-se arrecadatório. Assim como praticamente todo o conjunto de medidas anunciadas nos três primeiros anos do terceiro mandato de Lula. 

Em quase trinta vezes, novos impostos foram criados ou se elevaram alíquotas já existentes. Resultado: carga tributária nas alturas e recorde de 32,3% do PIB. Quando isso é somado à insegurança jurídica do consórcio de Lula com o STF e à volta dos escândalos políticos e de corrupção, como o roubo dos aposentados e o caso do Banco Master, com digitais petistas visíveis que colocam o governo no modo desespero para se salvar — mesmo que exploda o país — o brasileiro médio, mais pobre ou que investe, tira o pé para se proteger do déficit fiscal, cognitivo e de moralidade. E fica esperando a hora de meter o pé neste governo e recomeçar uma vida nova após a eleição de outubro. 

O modelo de achatar a classe média real é insensato porque beira a estupidez. Vai contra tudo o que deu certo no mundo. Os dois modelos mais sofisticados de melhora de qualidade de vida de bem-estar social vêm da Europa ou dos Estados Unidos. São diferentes, mas têm conseguido produzir classe média, e sustentável, na maioria da população. Na Europa, decidiu-se por uma economia regulada e com carga tributária elevada que faz do Estado o provedor de serviços públicos de excelência, como educação, saúde e transporte, sem avançar sobre garantias e direitos individuais, garantindo liberdade e autonomia de escolha do cidadão.

No capitalismo mais direto dos americanos, o modelo privilegia a redução do Estado na vida pública, liberdade econômica para empreender e um ambiente de negócios que oferta crédito barato e acessível que impulsiona a economia. Em ambos os modelos, o welfare state (“Estado de bem-estar social”) é muito superior à média mundial. Cada modelo foi levado a sério e com baixo nível de corrupção. O resultado está na qualidade de vida das pessoas e na imigração crescente de todos os lugares do mundo para a Europa e os EUA. O instinto de sobrevivência da espécie não fez ninguém se lançar ao mar rumo a Cuba ou tentar pular o muro para a Alemanha Oriental. Nem ir hoje à Rússia, à Coreia do Norte ou aos países africanos empobrecidos por ditaduras de modelo marxista. O movimento é o oposto. 

No Brasil, historicamente tentamos ter o melhor dos dois modelos. Não conseguimos nem um nem outro em sua plenitude. Um lampejo do híbrido nacional tropicalizado, que começava a se mostrar uma terceira via viável, foi experimentado no governo de Jair Bolsonaro. Sob a lógica econômica do ministro Paulo Guedes, houve redução da máquina pública e do seu custo, mas com poder público presente, como na ajuda a empresas e pessoas durante a pandemia. A promoção da liberdade econômica e a garantia da liberdade de expressão se juntaram para criar um ambiente favorável aos negócios e à histórica prosperidade do capitalismo ocidental. Sem abandonar a assistência social, criou oportunidades e abriu o mercado. O Brasil cresceu 2,9% em 2022, apesar da pandemia e da guerra na Ucrânia, sendo exemplo de recuperação econômica no mundo. 

Com a volta de Lula, em 2023, tudo se perdeu. Estavam de volta a concentração estatal, a ineficiência governamental, o assistencialismo sem porta de saída e um governo caro que gasta mais do que arrecada. O retrocesso econômico e institucional foi brutal. O consórcio de poder com o Supremo Tribunal Federal, de quem Lula admite não poder prescindir para conseguir governar, é uma afronta à Constituição e à separação dos poderes. A mando de ministros do STF e com os presidentes do Congresso no cabresto de ameaças do judiciário ou comprados com emendas e cargos, Lula 3 afasta definitivamente o Brasil de qualquer saída institucionalmente aceita.

 Por fim, na propaganda oficial, o governo dirá que a classe média aumentou (61% da população), que a geração de emprego cresceu com a menor taxa de desemprego de anos, que mais jovens se formaram na universidade, que mais pessoas estão assistidas por programas sociais e que o país está crescendo.


Em termos práticos e realistas, a história é bem diferente. Quase dois terços da população serem chamados de classe média com renda de R$ 3 mil mensais não fecha a conta. O endividamento familiar batendo recordes é prova inconteste disso. Oito em cada dez famílias estão com dívidas, segundo a Confederação Nacional do Comércio (leia reportagem nesta edição). Destas, 30% confessaram estar inadimplentes com comprometimento da renda acima do equilíbrio entre renda e despesa.

Na parte de baixo, uma multidão é mantida sem expectativa de sair de lá. Mais de 18 milhões de famílias ainda dependem do Bolsa Família, o principal programa social do governo, o que representa em torno de 50 milhões de pessoas que dependem de um cheque do governo não para viver e prosperar, mas apenas para sobreviver. Formação e crescimento consistente de classe média não combinam com aumento de distribuição de benefícios sociais. No cenário econômico, o nome disso é manutenção da pobreza. Politicamente, é cabresto eleitoral por dependência direta do governo de plantão. No Brasil, a esquerda do PT. É um nó. Porque, de outro lado, empresas reclamam de falta de mão de obra formal porque beneficiários não querem perder o benefício do governo e se negam a ter a carteira assinada. Não se qualificam, ficam obsoletos e a informalidade cresce. 

As escolas não entregam alunos preparados, entregam formados sem preparo para o mercado. Neste caso, maior nível de escolarização não significa nada de produtivo. A economia patina, a renda não cresce e a produtividade brasileira empaca em US$ 21 por hora trabalhada. Nos Estados Unidos, é de quase US$ 81. No Japão, US$ 52. Mesmo em comparação com países vizinhos, nossa produtividade é menor. Uruguai, US$ 38; Chile e Argentina registram US$ 34 por hora trabalhada. A matemática não tem cor nenhuma, só expõe a realidade. Nua e crua. 

A verdade é que não existe classe média sem boa educação. Assim como não existe aumento da produtividade e renda sem uma classe média bem formada. E sem classe média, só há os extremos da pobreza e dos muitos ricos. Os dois grupos com quem Lula e o PT parecem gostar de gastar o dinheiro que a classe média gera, a que eles odeiam e que corre o sério risco de desaparecer. Não existe futuro em um país sem classe média. 

Adalberto Piotto - Revista Oeste





















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MP volta atrás e pede CONDENAÇÃO de Monark!

 andrémarsiglia/youtube


MP volta atrás e pede CONDENAÇÃO de Monark!


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https://www.youtube.com/watch?v=HTSgHTMytYM

A FARSA CAIU: LULA tenta APAGAR a TAXA das BLUSINHAS!

 rubinhonunes/youtube




A FARSA CAIU: LULA tenta APAGAR a TAXA das BLUSINHAS!

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https://www.youtube.com/watch?v=fgwP_dtI2BY

Coppolla comenta reação conservadora na Europa e consequências da imigração em massa

 caiocoppolla/youtube


Coppolla comenta reação conservadora na Europa e consequências da imigração em massa


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https://www.youtube.com/watch?v=bIFaa0ZoRtM

PT QUER CRIAR UM PAIS DE VAGABUNDOS

 GUSTAVOVICTORINO/FACEBOOK


PT QUER CRIAR UM PAIS DE VAGABUNDOS



moeda foi DESTRUÍDA pela inflação

 HISTORIADORFINANCEIRO/INSTAGRAM


Seu avô comprava uma casa com o que hoje mal paga um carro. Na década de 1960, um trabalhador comum conseguia a casa própria com 3 a 5 anos de salário. Hoje? São 15 a 20 anos. Sem gastar com MAIS NADA. Cada troca significava a mesma coisa: a moeda anterior foi DESTRUÍDA pela inflação.



sábado, 18 de abril de 2026

Lei Injusta Não É Lei

  Ryan McMaken 


Nota da edição:

Completaram-se seis anos da declaração de pandemia pela OMS — e das desculpas que ela forneceu para governos ao redor do mundo agirem de forma despótica. Pensando nisso, republicamos este artigo de 2022 de mensagem claramente perene: moralidade e legalidade são coisas completamente distintas.


Tornou-se quase um hábito, tanto na mídia americana quanto na canadense, insistir que o protesto dos caminhoneiros canadenses contra a obrigatoriedade da vacina é um “protesto ilegal”. Trata-se de “protestos ilegais na fronteira”, proclama uma emissora de notícias americana. O jornal canadense National Post, obedientemente, refere-se aos protestos em suas manchetes como atos ilegais. O termo “ilegal” tem sido usado inúmeras vezes por políticos do Partido Liberal na Câmara dos Comuns. O primeiro-ministro de Ontário — um dos políticos mais histéricos do Canadá — não apenas retrata os protestos como ilegais, mas como um “cerco”. Outros oponentes dos protestos se referem a eles como uma “ocupação” e como uma “insurreição”.

“Infrator” como insulto político

Então, por que essa obsessão em rotular os protestos como ilegais? A ideia, é claro, é lançar suspeitas sobre eles e retratá-los como prejudiciais e moralmente ilegítimos. Podemos comparar a retórica em torno do protesto dos caminhoneiros com a dos protestos do Black Lives Matter. No caso dos protestos do BLM, os atos ilegais foram minimizados e ignorados, com um tumulto óbvio rotulado como um protesto “em grande parte pacífico”. Quando se trata de protestos e outros atos que o regime aprova, a legalidade nunca é um problema.

Os regimes do mundo, é claro, gostam de usar a legalidade como padrão para julgar o comportamento humano porque são eles que fazem as leis. Se as leis realmente têm ou não algo a ver com direitos humanos, propriedade privada ou apenas bom senso básico é outra questão totalmente diferente. Assim, a história está repleta de leis sem sentido, imorais e destrutivas. A escravidão foi legal durante grande parte da história da humanidade. A escravidão temporária — conhecida como alistamento militar — ainda é empregada por muitos regimes. Nos EUA, a prisão de cidadãos americanos pacíficos de ascendência japonesa era perfeitamente legal sob o regime americano durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, os empregadores podem enfrentar sanções devastadoras por contratar um trabalhador que não possua a documentação adequada. Em todo o mundo, as pessoas podem ser presas em muitas jurisdições por anos pelo “crime” de possuir uma planta ilegal.

Durante a pandemia de covid, a realidade da lei arbitrária ficou bem evidente quando burocratas da saúde não eleitos e executivos começaram a governar por decreto. Eles fecharam empresas, mantiveram as pessoas confinadas em suas casas e impuseram a obrigatoriedade da vacina e do uso de máscara. Aqueles que se recusam a cumprir essas regras — e as empresas que se recusam a aplicá-las — são condenados como infratores da lei e sujeitos a punições.

Os limites morais de “lei e ordem”

Todas essas disposições legais, leis e sanções representam uma afronta aos direitos naturais básicos, em vez de protegê-los. A noção de que as leis podem ser perversões da verdadeira justiça já é óbvia para muitos há muito tempo. Na verdade, a desconexão entre moralidade e legalidade é um aspecto fundamental da civilização ocidental. A noção básica é muito antiga, mas a perdurabilidade da ideia no Ocidente foi reforçada pelo fato de que o cristianismo começou como uma religião ilegal e os primeiros cristãos eram frequentemente considerados criminosos merecedores da pena de morte. Não deve ser surpresa, então, que Santo Agostinho tenha declarado que uma lei injusta não é lei alguma e comparado reis a piratas: os decretos dos piratas, é claro, não são dignos de obediência ou reverência. E se os reis são como piratas, os decretos reais têm a mesma respeitabilidade. Essa mesma tradição alimentou o apoio de São Tomás de Aquino ao regicídio (em certos casos). Desnecessário dizer que o regicídio sempre foi declarado ilegal, em todos os lugares, pelos que seriam seus alvos.

No entanto, infelizmente, declarar algo como “ilegal” continua sendo um insulto eficaz. Não faltam pessoas que se consideram orgulhosamente defensores cegos da “lei e da ordem” e que insistem que os “infratores da lei” estão, por definição, errados. Seu refrão simplista é “se você não gosta da lei, mude-a”, e muitas dessas pessoas acreditam ingenuamente que os atos dos legisladores e reguladores refletem, de alguma forma, “a vontade do povo” ou algum tipo de lei moral. Muitas vezes, a realidade é exatamente o oposto.

Felizmente, nos Estados Unidos, o valor da transgressão da lei está tão “enraizado” na narrativa histórica que é difícil ignorá-lo, mesmo nos dias de hoje. A Revolução Americana foi, em essência, uma série de atos ilegais. A Declaração da Independência foi pouco mais do que a proclamação de uma rebelião totalmente ilegal. Em resposta, o rei enviou homens às colônias para fazer valer a lei e a ordem. A resposta americana a essa tentativa de fazer cumprir a lei foi matar os agentes do governo. Atos menos violentos cometidos pelos rebeldes americanos foram igualmente criminosos, variando do Boston Tea Party a uma série de agressões contra coletores de impostos cometidas pelos Filhos da Liberdade de Samuel Adams.

Os defensores modernos do regime, sem surpresa, tentaram redefinir esse conflito como uma disputa pela democracia. “Aqueles revolucionários americanos lutaram pela democracia”, afirma-se. Assim, por definição deles, ninguém tem permissão para se rebelar em uma jurisdição que realiza eleições ocasionais. (A realidade é que a rebelião americana tratava da proteção dos direitos humanos. As eleições tiveram pouco a ver com isso.)

Felizmente, será preciso mais do que slogans baratos sobre democracia para desfazer o fato de que a história da origem americana trata do desprezo pelas leis dos próprios líderes políticos.

Em grande parte do mundo, no entanto, a rebelião contra leis injustas não é vista com o mesmo respeito. No Canadá, por exemplo, a história da formação do país gira em grande parte em torno do cumprimento das regras e do pedido educado de autonomia aos governantes. Isso inevitavelmente influencia a forma como se percebem os papéis da lei e da desobediência.

Muitas vezes, é prudente seguir leis injustas

Muitas vezes, é prudente seguir leis injustas

Isso não quer dizer que a rebelião aberta seja necessariamente sensata. Evitar atos ilegais é, muitas vezes — se não na maioria das vezes —, a atitude mais prudente a se tomar. Frequentemente, seguimos a lei simplesmente para não ir para a prisão e evitar chamar a atenção dos órgãos reguladores e das autoridades governamentais. Para aqueles que preferem passar tempo com suas famílias a passar tempo na prisão, isso faz todo o sentido. Além disso, desobedecer a leis injustas muitas vezes pode resultar em leis ainda mais injustas.

Uma coisa é seguir a lei por razões de prudência. Outra coisa totalmente diferente é presumir que a lei traz consigo algum tipo de imperativo moral. Poucas leis o fazem. Sim, existem leis contra o assassinato, mas o assassinato é apenas um caso em que a letra da lei por acaso costuma coincidir com o que é fundamentalmente moral e certo. Inúmeras leis carecem de tal fundamento sólido.

Quando ouvimos autoridades governamentais ou comentaristas da mídia se referirem a algo como “ilegal” ou ilícito, tudo o que isso realmente deveria fazer é nos levar a questionar se a defesa dessas leis é de fato prudente, moral ou necessária. Algumas leis têm fundamento sólido nas proteções básicas dos direitos de propriedade e de outros direitos humanos. Mas muitas leis nada mais são do que frutos de esquemas políticos para ajudar o regime a manter o poder ou para recompensar seus amigos às custas de outros.

Sempre podemos esperar que o regime e seus apoiadores tentem proibir aquilo de que não gostam. E, uma vez que tais coisas se tornem ilegais, ouviremos falar incessantemente dos males causados pelos “infratores” sempre que esses infratores ameaçarem o prestígio ou o poder do regime. (A violação da lei em benefício do regime, é claro, é sempre tolerada.) É um truque de grande sucesso que eles vêm usando há milhares de anos.

Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute. 

















publicadaemhttps://mises.org.br/artigos/18492/lei-injusta-nao-e-lei/

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