Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Dosimetria, cavalo de Troia armado pelo tirano da toga

   Judiciário em Foco


What a difference a day makes”. Se, na famosa canção dos anos 50, foi um dia que fez a diferença para trazer encanto à vida da artista, em nossa distopia, foi a última semana que fez toda a diferença para quebrar expectativas legítimas. Entre a derrubada do veto ao PL da Dosimetria e a mais recente canetada alexandrina, a opinião pública alinhada às liberdades foi do céu ao inferno, da soberba da pretensa vitória parlamentar à indisfarçável derrota frente a togado não eleito e da promessa ilusória de soltura de perseguidos políticos à crueza da manutenção das prisões. Narrativas foram desmentidas pelos fatos, ídolos de barro trocaram a cantoria dos festejos por postagens de indignação, e a sociedade teve a certeza de que tudo havia mudado para que tudo permanecesse na mesma.

Tão logo promulgada, a Lei da Dosimetria foi alvo de ações de inconstitucionalidade (ADIs) por parte de siglas e entidades esquerdistas. Em seguida, as medidas foram encaminhadas, por “sorteio”, à relatoria de Alexandre de Moraes, o mesmo autoproclamado relator de todos os inquéritos e processos politiqueiros em sua corte e condutor da execução de suas próprias condenações nos casos do “golpe” inexistente. Enquanto descansávamos em pleno sábado, Moraes proferiu mais um de seus despachos teratológicos e, na prática, negou vigência à dosimetria. Em prol da clareza, enumero abaixo os principais vícios dessa nova ramificação de desmandos:

1 – Impedimento de Moraes nas ADIs: como demonstrado pela exposição de motivos do relator Paulinho da Força, a Lei da Dosimetria buscava “corrigir excessos”, ou seja, abrandar penas estratosféricas impostas por Moraes. Portanto, tendo se debruçado sobre o assunto das punições a “golpistas” em outro grau de jurisdição (art. 144, II do CPC), Moraes é impedido de apreciar a constitucionalidade de norma passível de mitigar os efeitos de seus julgados.

A par do fato notório acima, o senador Flávio Bolsonaro se pronunciou após a canetada alexandrina e declarou ter sido Moraes o próprio autor da lei em questão. O silêncio do togado frente a afirmação tão grave levou à presunção de fidedignidade da acusação, expondo a participação direta de Moraes no assunto e seu impedimento óbvio para apreciá-lo (art. 144, IV do CPC). Ora, que país kafkiano é esse onde togado, além de “redator” de norma legal, ainda se dá ao luxo de aferir a constitucionalidade desta?

2 – Impossibilidade de alusão a “fato novo” sem oitiva das partes: para surpresa de qualquer estudante medíocre de curso jurídico, a canetada de Moraes não foi proferida nos autos das ADIs e sim de execuções penais por ele conduzidas (sem competência para tanto), nas quais indivíduos condenados pelo “golpe” pleiteavam benefícios à luz da dosimetria. Sem provocação do ministério público, Moraes alegou que a propositura das ADIs teria configurado “fato novo” passível de influenciar os pedidos das defesas. Ainda que assim fosse, o togado teria de ter ouvido as partes antes de decidir, como determinado pelo art. 493, parágrafo único do CPC, dispositivo talhado para evitar arroubos inquisitoriais dos julgadores. Porém, não há lei capaz de tolher inquisidor que não encontra freios sistêmicos em seus desmandos!

3 – Não-exercício do controle concentrado de constitucionalidade: a decisão de Moraes não espelhou qualquer forma de exercício do controle concentrado de constitucionalidade de uma lei, função essa que teria cabido ao tribunal. Não, longe disso. Nas execuções penais em cujos autos Moraes canetou, não estava em jogo avaliar se a Lei da Dosimetria era ou não constitucional; a controvérsia entre as partes (condenados e ministério público) dizia respeito ao cabimento dos benefícios pleiteados à luz da nova norma. Assim, Moraes extrapolou os limites dos pedidos e da própria natureza da ação (de execução da pena) para determinar uma providência anômala, pois carente de previsão legal e de contornos definidos.

4 – Criação de “presunção de inconstitucionalidade”: em redação bastante ambígua, Moraes sequer afirmou que a Lei da Dosimetria fosse inconstitucional, no todo ou em parte. Antes, pretextou exercer um poder geral de cautela para determinar liminarmente a suspensão de uma lei, embora esta goze de presunção de constitucionalidade até deliberação em contrário por parte do tribunal constitucional. Afinal, se a norma já passou pelo crivo de comissões de constituição e justiça das casas legislativas de onde emanaram, é inadmissível supor, sem qualquer fundamentação, uma incompatibilidade entre seu texto e os princípios constitucionais. Até porque a suspensão liminar de vigência de uma lei pressuporia a observância a ritos que Moraes menosprezou por completo.

5 – Monocratismo: ainda que se vislumbrasse uma fumaça de inconstitucionalidade na lei, ainda assim, tal vislumbre só poderia gerar efeitos práticos nos autos da medida adequada e sempre respeitado o princípio da colegialidade. Não à toa a Lei das ADIs (Lei 9868/99) prevê a possibilidade de declaração liminar de inconstitucionalidade, mas tão somente no âmbito de uma medida cautelar em ADI e desde que mediante deliberação do tribunal (art. 10, parágrafo 3). Nenhuma dessas condições foi atendida por Moraes, pois o togado, nos autos de execução penal, atuou sozinho ao desconsiderar a Lei da Dosimetria sem antes ouvir seus pares, o ministério público e as casas legislativas. Tudo fora dos ritos, mas plenamente conforme aos caprichos do “plenipotenciário” da nossa republiqueta.

Como discutido à exaustão neste espaço, a dosimetria não passou de farsa midiática que, longe de garantir liberdade aos injustiçados, apenas devolveu ao abusador o poder de deliberar sobre as consequências de suas próprias violações. A germinação de semente contaminada não poderia mesmo ter redundado em plantas saudáveis. Não estamos colhendo nada além dos frutos da omissão covarde e/ou conivente de um congresso que, traindo suas promessas de anistia, se ajoelhou diante de um projeto legislativo capenga, concebido por togados e seus caciques do centrão.

A canção mencionada no introito se encerra com o verso “and the difference is you”, em referência à diferença feita na vida da artista pelo encontro com o ser amado. Se o parlamento não fizer a diferença, lançando mão de seu poder para abolir os artigos 359-L e 359-M do Código Penal para conceder anistia ampla, geral e irrestrita a todos os perseguidos políticos e para defenestrar e prender todos os togados violadores, seguiremos à mercê do autoritarismo. Independentemente de eventuais novos nomes consagrados pela “Pilili”, tudo seguirá na mesma toada de irreverência institucional.

















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/dosimetria-cavalo-de-troia-armado-pelo-tirano-da-toga/

O Brasil e o espectro de Roma

  Dagoberto Lima Godoy

 Há comparações históricas que, tomadas literalmente, mais confundem do que esclarecem, mas há outras que funcionam como advertência. A analogia entre a degenerescência político-moral do Brasil e a queda do Império Romano pertence a essa segunda categoria. Não porque o Brasil esteja destinado a repetir Roma, nem porque os estados da federação sejam equivalentes às antigas províncias imperiais, mas há um ponto de contato inquietante: quando a autoridade central perde legitimidade moral, capacidade administrativa e força simbólica, a unidade política pode continuar existindo formalmente enquanto, por dentro, se enfraquece.

É aqui que a comparação com o Brasil ganha sentido. O risco brasileiro talvez não seja uma queda espetacular, uma ruptura súbita, uma dissolução imediata da federação. O risco mais plausível é mais insidioso: uma degradação por acomodação. O país não se desmancha porque todos querem destruí-lo, mas porque muitos aprenderam a sobreviver — e até a prosperar — dentro de sua disfunção. Todos criticam os privilégios, desde que não sejam os seus. Todos condenam a corrupção, mas muitos toleram a pequena vantagem, a proteção corporativa, a exceção conveniente, o favor político, a esperteza administrativa. O resultado é uma decadência sem dramaticidade: uma lenta perda de energia moral.

A degenerescência brasileira manifesta-se na substituição do interesse público por pactos de sobrevivência, na captura do orçamento por grupos organizados, na transformação do adversário em inimigo moral, na judicialização excessiva da política e na percepção de que a lei é rigorosa para alguns, negociável para outros e irrelevante para os mais poderosos. Essa situação não equivale ainda ao colapso. Mas produz algo talvez mais perigoso: a normalização do anormal.

Ainda assim, nenhuma comparação histórica deve servir apenas ao pessimismo. Roma é advertência, não sentença. A reforma do prédio ainda é possível se as rachaduras da estrutura ainda não chegam à falência. O Brasil não está condenado, embora já não possa se permitir a ilusão de que suas fissuras são superficiais.

A reabilitação nacional exigirá recomposição moral e institucional: restauração da responsabilidade, recuperação do sentido republicano, reforma do federalismo, reconstrução da educação como projeto civilizacional, enfrentamento da ilegalidade organizada e da ilegalidade tolerada, além de uma linguagem pública capaz de distinguir adversário de inimigo.

A pergunta, portanto, não é se repetiremos Roma. É se teremos lucidez suficiente para reconhecer os sinais de exaustão antes que eles se convertam em normalidade definitiva.  Um país não se salva apenas por indignação contra sua decadência. Salva-se quando transforma a indignação em responsabilidade, a crítica em reforma e a esperança em ações eficazes.

*          O autor, Dagoberto Lima Godoy, é engenheiro civil















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'Cadê as marcas?' Pabllo Vittar culpa 'onda conservadora' por fuga de patrocinadores

 revistaoeste/youtube


'Cadê as marcas?' Pabllo Vittar culpa 'onda conservadora' por fuga de patrocinadores


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PGR Dá Sinal Suspeito Sobre Delação de Vorcaro!

ANDRÉMARSIGLIA/YOUTUBE


PGR Dá Sinal Suspeito Sobre Delação de Vorcaro!


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A Hipocrisia da Esquerda: Atacam Capitalismo Mas Vivem do Dinheiro das Marcas

 RUBINHONUNES/YOUTUBE


A Hipocrisia da Esquerda: Atacam Capitalismo Mas Vivem do Dinheiro das Marcas


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A MÍDIA ESCONDEU A TROCA NA PF

 FATOS&NUMEROS/INSTA


A MÍDIA ESCONDEU A TROCA NA PF



Itália, Espanha, Argentina, EUA: o cerco está se fechando contra Moraes.

 caiocoppolla/youtube


Itália, Espanha, Argentina, EUA: o cerco está se fechando contra Moraes.


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Tic Tac: Moraes Vira Réu e Tem 21 Dias Para se Defender!

 DELTANDALLAGNOL/YOUTUBE


Tic Tac: Moraes Vira Réu e Tem 21 Dias Para se Defender!


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"O PAI TÁ ESTOURADO": Bancada expõe elo de Deolane com Lula e PCC após prisão

  CAFÉ COM A GAZETA/GAZETADOPOVO

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Na trilha da próxima eleição

  Ricardo Vélez-Rodríguez 


Que estamos vivendo tempos autoritários, sob o tacão de ferro da ditadura da Juristocracia, não há dúvida; mas, mesmo assim, podemos comemorar algumas vitórias. Como a da rejeição, pelo Senado, do nome do pupilo de Lula, o Messias, da Advocacia-Geral da União, indicado para integrar o STF. O Senado da República cumpriu a contento com a sua missão e rejeitou o nome proposto por Lula. Dizem os historiadores que é um fato inédito nos últimos 134 anos de vida republicana. O certo é que o eleitorado, cansado do autocratismo lulista, decidiu pressionar o Congresso. E a pressão deu certo! É uma vitória significativa. E a porta está aberta para outras conquistas. Valeu pressionar os senadores conhecidos. Valeu cutucar com vara curta aquele senador em quem votamos. A pressão deu resultado!

Impressiona-me muito a vontade de ferro da jovem geração liberal-conservadora que passou a integrar, progressivamente, o Congresso brasileiro. Conheço alguns, como o corajoso Marcel van Hattem, que não tem papas na língua e que virou a assombração temida pelos parlamentares do PT. Corajoso, o jovem deputado gaúcho aspira a ser eleito senador pelo Rio Grande do Sul. Sem firulas. Não deixa passar sem dar o troco as safadezas quase cotidianas das velhas raposas petistas e da esquerda em geral. Olhando para o exemplo dele e de outros jovens parlamentares, chego à conclusão de que vale a pena comprar brigas para fortalecer a nossa representação.

Adorei o teatrinho de bonecos montado pelo jovem empresário e candidato à Presidência, o ex-governador de Minas Romeu Zema, que atrapalhou o grotesco rebolado do ministro Gilmar Mendes, tão pouco acostumado à fina ironia mineira. Peço ao jovem candidato que não guarde os seus bonequinhos e que faça bastante uso deles para tirar o sono das suas excelências, com a linguagem coloquial que o povo adora e que os juristocratas temem.

Otimismo com a próxima eleição

Como não ficar mobilizado diante da atitude corajosa de deputados e senadores que revidam as safadezas governistas e lutam pela defesa dos interesses daqueles que são perseguidos pela atual ditadura, especialmente as pessoas comuns que amargam penas desproporcionais, pelo fato de terem sido presas, desprevenidas, na Praça dos Três Poderes naquela fatídica tarde do 8 de janeiro de 2022? Detalhe: ao escutarem os seus eleitores e cumprirem com o que eles esperam como seus representantes, os nossos congressistas põem, também, a cabeça a prêmio. Vários já têm sido ameaçados com a perda do mandato. Vivemos, afinal de contas, numa ditadura tão nojenta como a que se instalou nos anos 1960 do século passado, ao ensejo do AI-5, porque o deputado ou o senador que contrariar os interesses da casta dominante fica em risco de ver o seu mandato cassado pela suprema Juristocracia, como já aconteceu com o deputado Daniel Silveira.

Lembro-me daquela jovem cabeleireira, Débora, que protestou contra os juízes corruptos escrevendo com batom na estátua da Justiça da Praça dos Três Poderes, a frase dita por um dos magnatas do STF quando cobrado por um brasileiro nas ruas de Nova York? “Perdeu, mané” significou, para Débora do Batom, a absurda condenação a 14 anos de prisão! A imagem da Justiça cega e equânime que vemos nos livros de educação moral e cívica já não é a mesma. É uma juíza ativista vestida de vermelho e inimiga de todo aquele que cobre dos donos do poder um pouco de decência e de justiça.

A batalha que se desenha no horizonte e da qual já começamos a participar é pelo resgate da Justiça no seio do Estado brasileiro. Concretamente, para o expurgo dos magistrados corruptos que fizeram dos seus cargos espaço para perseguir os cidadãos que ousarem reclamar. Nem falar dos excessos de enriquecimento ilícito com os bilhões desviados para contas particulares e para o exercício da Juristocracia!

Faço aqui a minha homenagem de cidadão aos jovens amigos liberais e conservadores que participam de grupos de reflexão e de formação política e que não deixam passar em brancas nuvens os atentados dos juristocratas contra os cidadãos deste país.

Publicado originalmente na Revista Oeste. 









publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/na-trilha-da-proxima-eleicao/

Em 4 de Outubro de 2026 o Brasil será julgado por si mesmo

 Jober Rocha


Há momentos em que uma eleição deixa de ser apenas uma disputa entre candidatos e se transforma num exame moral de uma nação inteira. O Brasil chegará a esse momento em 4 de outubro de 2026. 


Naquele domingo, não será apenas um governo que estará em julgamento. Será o próprio povo brasileiro.


Depois de décadas de corrupção sistêmica, aparelhamento institucional, crescimento do crime organizado, decadência educacional, esmagamento tributário da classe produtiva e destruição progressiva da confiança nacional, ninguém mais poderá alegar ignorância. O brasileiro conhece o país em que vive. Conhece os hospitais abandonados, as escolas fracassadas, as estradas destruídas, a violência cotidiana, o custo sufocante para trabalhar, empreender e produzir. Conhece também o espetáculo obsceno de escândalos públicos que se sucedem sem vergonha e sem consequências reais.


O que estará diante das urnas em 2026 não será uma simples escolha administrativa. Será uma pergunta brutal: O Brasil ainda deseja sobreviver como uma nação séria ou aceitou definitivamente sua condição de república saqueada?


Porque há algo profundamente degradante em um povo que aprende a conviver com o escândalo permanente sem reagir. Há algo de moralmente corrosivo numa sociedade que transforma corrupção em folclore, desperdício em rotina e cinismo em inteligência política.


Os defensores do atual projeto de poder continuarão dizendo que tudo não passa de “narrativa da oposição”, que as críticas são exageradas ou que qualquer alternativa representaria ameaça à democracia. Mas o cidadão comum já sente no corpo aquilo que os discursos tentam maquiar: perda de poder de compra, medo nas ruas, desesperança econômica e a percepção crescente de que o Estado brasileiro serve mais aos grupos organizados que vivem dele do que ao povo que o sustenta. 


Enquanto isso, o país assiste a uma expansão contínua da máquina pública, à multiplicação de privilégios políticos e à asfixia de quem trabalha honestamente. Empreender tornou-se um ato de resistência. Produzir virou punição. Sustentar a própria família exige enfrentar impostos sufocantes, burocracia humilhante e insegurança permanente.


Ao mesmo tempo, cresce a sensação de que o Brasil perdeu soberania moral. Parte da elite política demonstra complacência com regimes autoritários estrangeiros, relativiza violações de direitos humanos quando ideologicamente convenientes e trata democracias liberais com mais hostilidade do que ditaduras alinhadas politicamente.


Mas talvez o mais grave seja outra coisa: a normalização da decadência.


O brasileiro foi lentamente treinado para aceitar o absurdo como inevitável. Aprendeu a rir da corrupção porque perdeu a esperança de combatê-la. Aprendeu a sobreviver em vez de exigir grandeza. Aprendeu a chamar a mediocridade de pragmatismo. 


É isso que fará da eleição de 2026 um divisor histórico.


Se, conhecendo tudo o que viu, tudo o que sofreu e tudo o que lhe foi revelado, a maioria optar novamente pela continuidade do mesmo projeto político, estará fazendo mais do que uma escolha eleitoral. Estará assinando um pacto consciente com o modelo de país que existe hoje. Não poderá depois alegar surpresa diante da estagnação, da violência, do descrédito institucional ou da fuga de talentos e investimentos 


Povos também colhem aquilo que decidem tolerar.


Nenhuma nação se destrói apenas por causa de maus governantes. Nações se destroem quando seus cidadãos passam a considerar a degradação algo normal.


Mas existe outro caminho.


Se o Brasil escolher uma ruptura real com o ciclo atual, elegendo lideranças comprometidas com responsabilidade fiscal, liberdade econômica, combate duro ao crime organizado, valorização do mérito, redução do peso do Estado e defesa firme das liberdades individuais, talvez ainda seja possível recuperar algo que o país vem perdendo há muito tempo: dignidade nacional.


Porque um povo só volta a ter orgulho da própria terra quando sente que o esforço honesto vale mais do que o privilégio político. Quando percebe que a lei protege o cidadão em vez de sufocá-lo. Quando trabalhar deixa de ser castigo. Quando empreender deixa de ser heroísmo. Quando a verdade volta a valer mais do que propaganda.


O dia 4 de outubro de 2026 talvez não resolva todos os problemas do Brasil, mas revelará algo decisivo: se os brasileiros ainda desejam construir uma nação livre, próspera e respeitável ou se já desistiram silenciosamente dela.



















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“Escola Woke”: um dossiê imprescindível

  Lucas Berlanza 


Lançado pelo Instituto Livre pra Escolher, com apoio do Instituto Liberal, o livro Escola Woke: como o método Paulo Freire foi retrofitado para os dias de hoje, de autoria da professora Anamaria Camargo, é uma denúncia poderosa da engenharia internacional por detrás da apropriação ideológica da educação. Trabalhando extensamente sobre documentos oficiais e casos concretos, a obra é uma das mais importantes dos últimos tempos, procurando demonstrar, conforme resume a PhD em Educação Nine Borges na quarta capa, que existe “uma aliança entre o Estado brasileiro e organizações nacionais e internacionais, a qual instrumentaliza a educação para fins políticos aliciando e recrutando ativistas desde a infância”.

Com prefácio de Arthur Pinheiro Machado, a obra de Anamaria tem o objetivo de orientar o leitor em geral, mas particularmente os genitores, a “entender como o wokismo, explícito nas políticas públicas para a Educação no Brasil, pode impactar o ensino nas escolas públicas e privadas, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio; identificar e reagir à insidiosa presença do wokismo nos contextos cotidianos em que a educação escolar dos seus filhos está incluída” e “incentivar mudanças que permitam escolhas realmente livres”. Camuflando-se pela distorção do significado de termos conhecidos, corrompidos sem que a maioria das pessoas se desse conta, aquilo que se chama de “wokismo” tem um poder de penetração maior nas escolas do que o Marxismo tradicional, tornando-se um problema mais pronunciado na contemporaneidade.

A premissa do livro, exposta já na introdução, dá conta de que o wokismo é “a seita baseada na crença de que todas as relações sociais e tudo o que a sociedade produz resultam da ação, consciente ou não, de grupos que desejam manter os sistemas de poder que os beneficiam, às custas de grupos oprimidos, marginalizados”. Entre tais sistemas de poder, incluir-se-iam o “racismo estrutural”, a homofobia ou a opressão feminina. Quanto mais aspectos descritivos de uma pessoa – sua etnia, seu gênero, sua orientação sexual, sua religião, seu peso – forem considerados oprimidos por um desses ditos sistemas de poder, mais essa pessoa será vista como vítima, cabendo àqueles que estão “despertos” para essa grande verdade da opressão generalizada a missão de “transformar a sociedade ocidental, fundada em valores judaico-cristãos, em uma sociedade fundada na justiça social”, emancipada dessas opressões. Isso justificaria, como bem ilustra Anamaria, intimidar e impor uma condição subalterna a alunos que estariam enquadrados nas categorias ditas “opressoras”, como que a constrangê-los à autodepreciação.

A definição do wokismo como uma seita, compartilhada por Anamaria com outros autores, é uma das ideias mais interessantes do trabalho. A autora lembra que essa linha de pensamento tem características religiosas, como o culto a gurus carismáticos e a promessa de estar apresentando uma grande verdade secreta que apenas os “iluminados” apreenderiam – nesse caso, não por meio de um líder espiritual ou uma fraternidade de seres místicos, mas por uma suposta “consciência crítica”. Também compara as táticas de recrutamento dos jovens para esses movimentos wokes ou identitários às táticas de seitas místicas propriamente ditas, incluindo a exortação ao isolamento do resto da sociedade, o acolhimento e os ritos de passagem, seguidos de ameaças de que talvez o recrutado não esteja à altura do grupo, para garantir sua fidelização.

No capítulo “Aprendizagem socioemocional – A teoria pedagógica da Escola Woke, Anamaria explica que o que se chama de “aprendizagem socioemocional” conquista aceitação como política educacional porque qualquer pai ou mãe desejará que seus filhos desenvolvam competências socioemocionais. Contudo, isso faz dos programas voltados a essa área um disfarce perfeito para a inoculação do vírus woke. Um dos principais responsáveis por isso, conforme demonstra Anamaria, tendo tomado de assalto as recomendações de documentos oficiais da burocracia educacional brasileira e mesmo as escolas norte-americanas, é o Casel, organização não-governamental fundada por líderes ligados à Teosofia – corrente esotérica desenvolvida pela russa Helena Blavatsky (1831-1891). Entre as lideranças mais recentes dessa instituição, conectadas diretamente à Organização das Nações Unidas, está Linda Darling-Hammond, muito influente nas políticas educacionais do governo Obama nos EUA, que expressamente utiliza o pensador marxista brasileiro Paulo Freire (1921-1997) como referência intelectual para o processo de Aprendizagem socioemocional. Essa genealogia das ideias exposta com riqueza de detalhes por Anamaria revela como as abordagens preconizadas pelo Casel visam a “preparar” os alunos para protagonizarem a transformação completa dos “sistemas de poder”, de maneira análoga àquela pela qual Freire queria, no fundo – ou nem tão fundo assim -, uma “pedagogia crítica” que projetasse os estudantes para desafiarem os limites do “sistema capitalista”. Sob as diretrizes do Casel, todos os planos de aula nas escolas devem contemplar a orientação das perspectivas críticas que fundamentam a teoria woke, como a Teoria Crítica da Raça, a Teoria de Gênero, a Teoria Queer, a Teoria pós-colonial ou os Estudos de Gordura, “capacitando” as crianças e jovens para destruir o mundo em que vivem e criar um mundo de “justiça social”.

No capítulo “Método Paulo Freire Transformativo: a prática pedagógica da Escola Woke”, Anamaria se concentra na obra de Paulo Freire, mostrando como, apesar de ele não ter pretendido exatamente, em sua época, desfraldar a bandeira do wokismo, sua metodologia e suas ideias foram convenientemente apropriadas pelos defensores dessa agenda no Brasil e no exterior. Conforme procura demonstrar a autora, o Método Paulo Freire não é um método de alfabetização, mas “a organização em etapas de um processo de aliciamento e doutrinação que tem por objetivo a conscientização do estudante, de modo que ele passe a entender que o capitalismo e as instituições que reproduzem essa ideologia – a educação e a família, por exemplo – mantêm o poder dos opressores e impedem os oprimidos de se reconhecerem como criadores de si mesmos e da sociedade”.

O que wokes como os integrantes do Casel tiveram que fazer para consolidar seu projeto foi basicamente adaptar essa estrutura freiriana a questões não-exclusivamente econômicas. O capítulo explicita o problema com uma análise de documentos sobre Aprendizagem Socioemocional do próprio Ministério da Educação brasileiro, contemplando as teses preconizadas por esses grupos. Essa compilação se aprofunda no capítulo seguinte, “O manual do MEC para a efetivação da Escola Woke, em que Anamaria destaca trechos do Manual de implementação escolar – estratégia de desenvolvimento socioemocional divulgado pelo órgão, mostrando, sem margem para dúvida, sua complementaridade com os documentos do Casel e com o pensamento de Paulo Freire.

O capítulo “Formando professores para a Escola Woke documenta a presença do wokismo e da Aprendizagem Socioemocional nos textos orientadores da formação de pedagogos nos EUA e, principalmente, no Brasil. “A violência na Escola Woke, por sua vez, mostra como a ideologia woke contribui para “normalizar” a prática da indisciplina e até da violência nas escolas, compreendendo-as como resultados de reações aos sistemas de poder que se pretende demolir. “O globalismo e a Escola Woke destaca a influência do teórico crítico Herbert Marcuse (1898-1979) sobre a ideologia woke e oferece um oportuno arremate histórico, traçando uma síntese da trajetória de desenvolvimento do problema que o livro se propõe a diagnosticar. O último capítulo, “Entender para questionar a Escola Woke, elenca trechos de mais documentos do Ministério da Educação, argumentando, porém, através de perguntas, que atestam a vacuidade das citações e o quanto elas servem à pretensão de infiltrar agendas no ensino.

Cumprimento efusivamente a professora Anamaria Camargo por essa contribuição gigantesca que prestou ao país com a publicação de sua obra. É clichê dizer que as crianças encarnam o futuro de nossa sociedade, mas nem por isso menos verdadeiro. Em vez de libertá-las dos “sistemas de poder”, como querem aqueles denunciados pela autora, devemos libertá-las dos pregadores do ódio, do ressentimento, da inveja e da destruição. Escola Woke: como o método Paulo Freire foi retrofitado para os dias de hoje deverá constituir ferramenta imprescindível para esse objetivo.

















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/resenhas/escola-woke-um-dossie-imprescindivel/

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