Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 11 de março de 2026

O socialismo que não diz seu nome

  André Burger 


Há várias formas de se chegar ao socialismo, mas todas passam, em maior ou menor grau, pela destruição da iniciativa privada. Isso pode ocorrer de maneira abrupta, como na China de Mao Tsé-Tung ou em Cuba sob Fidel Castro, ou de forma gradual e silenciosa, como na Venezuela de Chavéz. É exatamente esse caminho que o Brasil vem trilhando sob os governos do PT.

Não se trata de proibir formalmente a existência de empresas privadas. Seria óbvio demais. O método é mais sutil e, por isso mesmo, mais perverso: cria-se a ilusão da liberdade de empreender enquanto se inviabiliza, na prática, qualquer atividade produtiva por meio de exigências regulatórias excessivas, insegurança jurídica crônica e uma carga tributária sufocante. O direito de empreender existe apenas no papel; a possibilidade real de fazê-lo, não.

É importante fazer aqui uma distinção conceitual. O que se observa no Brasil não é o socialismo clássico, de estatização aberta dos meios de produção, mas algo funcionalmente equivalente e, em certos aspectos, ainda pior: um estatismo regulatório combinado com capitalismo de compadrio. Como alertava Friedrich Hayek, quando o estado passa a controlar os meios indiretos da atividade econômica — regras, licenças, autorizações, subsídios e exceções —, ele controla, de fato, os resultados. A propriedade permanece formalmente privada, mas seu uso passa a ser determinado politicamente.

Estamos avançando rapidamente rumo à inviabilidade empresarial. Em 2016, sob o governo Dilma Rousseff, o Brasil atingiu o então recorde de 1.863 falências. Durante os governos Temer e Bolsonaro, esse número caiu de forma consistente. Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, foram registradas 833 falências. A partir daí, a curva se inverte de maneira alarmante: 1.405 falências em 2023, 2.273 em 2024 e impressionantes 5.280 em 2025.

Esses números não são um acidente estatístico nem resultado de algum azar conjuntural. Eles refletem escolhas políticas. E atenção: esse colapso ocorre antes mesmo da plena vigência das novas regras fiscais, que penalizam de forma desproporcional o setor de serviços — responsável por cerca de 70% do PIB brasileiro e pela maior parte da geração de emprego e renda. Ou seja, o setor que sustenta a economia será o mais onerado. É o equivalente econômico a matar a galinha dos ovos de ouro espremendo-a até a exaustão.

Além da carga tributária explícita, há um imposto invisível ainda mais corrosivo: a insegurança jurídica. Mudanças constantes de regras, interpretações administrativas erráticas, decisões judiciais imprevisíveis e retroatividade tributária tornam impossível qualquer planejamento de longo prazo. Ludwig von Mises advertira que o investimento depende de expectativas estáveis. Quando o empresário não sabe quais regras valerão amanhã, não há formação de capital, ou pior, ele foge.

As principais vítimas desse ambiente não são as grandes corporações, que dispõem de departamentos jurídicos robustos e acesso direto ao poder. São as pequenas e médias empresas. O excesso regulatório funciona como uma barreira de entrada que concentra mercado, reduz concorrência e encarece produtos. No fim, o discurso antimonopólio produz exatamente o contrário do que promete: menos competição e mais concentração.

A mesma mentalidade orienta a política em relação ao agronegócio. O segmento que mais exporta, gera superávit comercial e produz a moeda forte que permite ao Brasil importar o que não produz internamente é sistematicamente tratado como vilão. Ao longo destes três anos de governo Lula, o agro foi acusado de destruir a natureza e envenenar a população, apesar de ser responsável por alimentar não apenas os brasileiros, mas milhões ao redor do mundo. A hostilidade ideológica substitui a análise econômica e ignora incentivos, produtividade e ganhos de escala.

A história fornece exemplos abundantes das consequências desse tipo de mentalidade. Da União Soviética e o Holodomor à Grande Fome na China maoísta, a supressão da livre iniciativa — a capacidade de criar, produzir e comerciar — levou à socialização da economia. Cabe então ao estado decidir o que produzir, quanto produzir e para quem produzir. O problema é elementar e foi descrito com precisão por Hayek: o conhecimento necessário para coordenar uma economia está disperso entre milhões de indivíduos e não pode ser centralizado. O resultado é sempre o mesmo: escassez, frustração, pobreza e fome.

Nesse contexto, os programas governamentais de promoção do empreendedorismo não passam de farsa. Na melhor das hipóteses, produzem empresários esquizofrênicos: estimulados a crescer, mas envergonhados por obter lucro; incentivados a investir, mas punidos quando têm sucesso. Como lembrava Milton Friedman, o lucro não é um desvio moral, mas o sinal de que recursos escassos estão sendo usados de forma eficiente para atender às necessidades da sociedade. Crescer sem lucro não é virtude; é contradição lógica.

No regime de alta regulação estatal que vigora no Brasil, prospera não o melhor empresário, mas o mais bem relacionado. O sucesso deixa de ser resultado de eficiência, inovação e atendimento ao consumidor e passa a depender do acesso ao estado. Seja por meio de financiamentos subsidiados em bancos públicos, seja pela venda de produtos e serviços ao próprio governo, frequentemente em ambientes pouco transparentes. James Buchanan descreveu esse fenômeno com precisão ao analisar como agentes racionais passam a competir por favores políticos em vez de competir no mercado. Isso não é capitalismo, mas oportunismo institucionalizado.

O verdadeiro empresário, aquele que prospera apesar dos entraves legais e burocráticos, passa a ser retratado como vilão social. Torna-se personagem caricato, explorador, alvo de desprezo moral. Esse ataque cultural ao lucro e ao sucesso econômico corrói o tecido produtivo antes mesmo que qualquer lei seja aprovada. Adam Smith já havia explicado que não é da benevolência do padeiro que esperamos o pão, mas de seu legítimo interesse próprio. Demonizar esse interesse é atacar a própria base da prosperidade.

No capitalismo genuíno, ocorre o oposto: o empresário bem-sucedido é aquele que melhor serviu à sociedade, oferecendo bens e serviços que as pessoas livremente escolheram comprar. Sua riqueza é consequência direta desse serviço prestado. Já o falso empresário — dependente do estado, protegido por regulações sob medida e contratos públicos — enriquece não por servir ao mercado, mas por capturá-lo. Bruno Leoni alertava que, quando a lei deixa de ser geral e abstrata para se tornar instrumento de favorecimento, a liberdade econômica se dissolve.

Comparações internacionais ajudam a iluminar o problema. Países que reduziram carga regulatória, simplificaram sistemas tributários e fortaleceram a previsibilidade institucional viram aumento de formalização, produtividade e arrecadação. Não apesar disso, mas justamente por causa disso. Aqui insistimos no caminho inverso e nos surpreendemos com resultados piores. No Brasil, a justiça tampouco é cega. Antecipadamente escolhe quem será punido e quem será poupado. O resultado é um ambiente hostil ao empreendedorismo real e generoso com o parasitismo institucionalizado. Não abolimos formalmente a iniciativa privada. Fizemos algo mais eficiente: a tornamos economicamente inviável.




















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/o-socialismo-que-nao-diz-seu-nome/

STF é a instituição mais associada ao escândalo do Master

 Levantamento Meio/Ideia revela que 35% dos brasileiros relacionam a Corte às fraudes financeiras

Erich Mafra - Revista Oeste


Uma pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, 11, revela que o Supremo Tribunal Federal (STF) é a instituição que os brasileiros mais associam ao escândalo do Banco Master. Entre os cidadãos que afirmam conhecer o caso, 35% citam a Suprema Corte como o principal órgão relacionado às irregularidades, superando o governo federal (21%), o Congresso (18%) e a percepção de que todos os Poderes estão envolvidos (26%). 

O levantamento, registrado no TSE sob o protocolo BR-00386/2026, mostra ainda que 69,9% dos entrevistados acreditam que a credibilidade do tribunal sofreu um forte abalo com as investigações. Esse desgaste institucional é reflexo de uma sequência de revelações sobre a proximidade entre magistrados e o dono do banco, Daniel Vorcaro. Dados recuperados pela Polícia Federal revelam que o banqueiro financiou eventos luxuosos para autoridades em Londres, incluindo uma degustação de uísque para os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Além disso, perícias técnicas revelaram mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro no dia da primeira prisão do empresário, em novembro de 2025, nas quais o banqueiro questionava o ministro sobre um pedido de “bloqueio” e estratégias para “entrar no circuito do processo” diante de vazamentos na imprensa. 


Ligações diretas entre o STF e o Master

 A percepção negativa da opinião pública sobre o STF também é justificada por ligações financeiras diretas. Em fevereiro, o gabinete do ministro Dias Toffoli confirmou a participação do magistrado em uma empresa que vendeu cotas de um resort no Paraná para fundos vinculados ao Banco Master. O episódio forçou Toffoli a abandonar a relatoria do inquérito que apura fraudes na tentativa de venda da instituição de Vorcaro ao banco estatal BRB, operação que acabou barrada pelo Banco Central por falta de lastro. 

A situação agravou-se na segunda-feira 9, com a divulgação de uma nota oficial do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. O escritório confirmou ter sido contratado pelo próprio Daniel Vorcaro para prestar serviços de consultoria jurídica. Ela recebeu a soma de R$ 129 milhões em um contrato com o banco.














publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/03/stf-e-instituicao-mais-associada-ao.html

DESONESTIDADE INTELECTUAL

 gilbertosimõespires/youtube


DESONESTIDADE INTELECTUAL

Para quem não sabe, o péssimo ministro-poste da Fazenda, Fernando Taxxad, que está prestes a deixar o cargo para concorrer a governador do Estado de São Paulo, achou que deveria sair atirando. Para tanto tirou de sua doentia CACHOLA a MENTIROSA IDEIA de que seus críticos sofrem de -DESONESTIDADE INTELECTUAL-. Mais: para provar que ele é o único e verdadeiro -HONESTO INTELECTUAL DO PAÍS, quiçá do mundo, TAXXAD se declarou pronto para um DEBATE SOBRE CONTAS PÚBLICAS. Que tal? 

DEBATE

Pois, antes de tudo, a considerar que 1- INTELECTUAL é aquele que ESTUDOU MUITO e como tal assume a sua MATRIZ DE PENSAMENTO; e, 2- HONESTIDADE envolve NÃO -MENTIR, DISTORCER A REALIDADE e/ou CRIAR HISTÓRIAS MIRABOLANTES, só por aí já se tem uma clara ideia de como seria o DEBATE SOBRE CONTAS PÚBLICAS sugerido pelo -MENTIROSO TAXXAD-. 

DECLARAÇÕES MENTIROSAS

Como bem reporta a jornalista Rose Amentéa, da Gazeta do Povo de hoje, as DECLARAÇÕES DO -MENTIROSO TAXXAD-, CONTRASTAM COM OS NÚMEROS OFICIAIS, que traduzem o principal componente de seu legado: A TRAJETÓRIA EXPLOSIVA DA DÍVIDA PÚBLICA NOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS, FRUTO DA FALTA DE CONTROLE DOS GASTOS PÚBLICOS.  Eis: 

1- em, 2023, quando TAXXAD assumiu o MINISTÉRIO DA FAZENDA, o Banco Central apontava a DÍVIDA BRUTA DO GOVERNO EM 71,7% do PIB.

2- em 2024, a DÍVIDA PULOU PARA 74,3%; 

3- dados de novembro de 2025 revelaram que a DÍVIDA atingiu 79% DO PIB;

4- as PROJEÇÕES DO TESOURO NACIONAL PARA 2026 APONTAM PARA O TERRÍVEL PATAMAR DE 81,7% do PIB;

5- as expectativas de mercado são ainda mais alarmantes, projetando até 84,9% do PIB, segundo dados do Prisma Fiscal.

QUESTÃO INEQUÍVOCA

Como se percebe -a olhos vistos-, a DETERIORAÇÃO FISCAL DAS CONTAS DO GOVERNO NOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS, como bem afirma o economista Alexandre Manoel, sócio da Global Intelligence and Analytics, é uma QUESTÃO INEQUÍVOCA, não de HONESTIDADE OU DESONESTIDADE. Entretanto, a considerar O AUMENTO ESPETACULAR DE ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS, que marcou a passagem do NADA JUSTO ministro TAXXAD no MINISTÉRIO DA FAZENDA. Isto por si só esclarece REAL E ABSOLUTAMENTE quem é verdadeiro DESONESTO INTELECTUAL. 


























publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/desonestidade-intelectual

MAIS UMA HISTÓRIA PARA EXPLICAR..

 EDUARDOOINEGUE/FACEBOOK


MAIS UMA HISTÓRIA PARA EXPLICAR..



JORNAL FAZ U ÉLLI

 JORNALFAZUELI/FACEBOOK


JORNAL FAZ U ÉLLI



BREVE HISTÓRIA DA LEI INTERNACIONAL QUE NUNCA VIGOROU

 fernãolaramesquita/youtube


BREVE HISTÓRIA DA LEI INTERNACIONAL QUE NUNCA VIGOROU


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As mensagens de “Voucaro” sobre Lula e Bolsonaro – quanta diferença!

 CAIOCOPPOLLA/YOUTUBE


As mensagens de “Voucaro” sobre Lula e Bolsonaro – quanta diferença!


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https://www.youtube.com/watch?v=nM0Gzgf3i-s

Degustação de R$ 3 milhões: Festinha de Vorcaro expõe a promiscuidade em Brasília

 ALEXANDREGARCIA/REVISTAOESTE/YOUTUBE


Degustação de R$ 3 milhões: Festinha de Vorcaro expõe a promiscuidade em Brasília


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Mendonça tem carta na manga para delação de Vorcaro! Veja qual é!

 andrémarsiglia/youtube




EU EXPLICO: Por que a esquerda prefere o esgoto à urbanização em SP?

 rubinhonunes/youtube


EU EXPLICO: Por que a esquerda prefere o esgoto à urbanização em SP?


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A FARSA DA TERCEIRA VIA: SER NEUTRO HOJE É SER CÚMPLICE

 dep.prof.cláudiobranchieri/youtube


A FARSA DA TERCEIRA VIA: SER NEUTRO HOJE É SER CÚMPLICE


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AS FIGURAS DO PODER ESTÃO CONFUSAS

 PROFESSORCHRISTIAN/FACEBOOK


AS FIGURAS DO PODER ESTÃO CONFUSAS



terça-feira, 10 de março de 2026

O pacto da miséria: de Teerã ao Planalto

   Alex Pipkin 


A prosperidade é o maior pesadelo de um tirano. O falecido Khamenei, o arquiteto do atraso persa, confessou sem pudor o que todo autocrata sussurra nas sombras: temia que a mesa farta fizesse o povo abandonar o dogma.

No Brasil do lulopetismo ideológico, a mística é a mesma, trocando apenas o turbante pelo assistencialismo de cabresto. O projeto nunca foi erradicar a pobreza; é cultivá-la como gado eleitoral.

O paralelo é uma simetria de horror. No Irã, o delírio de poder e o isolamento torraram o futuro de gerações, com o preço do pão multiplicando por nove enquanto o regime financiava o terror regional.

Por aqui, a negligência fiscal é elevada ao status de virtude. Gastar o suor do contribuinte para sustentar a “desleite” e manter o povo na fila da esmola estatal não é erro de cálculo, é estratégia genuína. É a engenharia da servidão, garantindo que o cidadão nunca tenha força para andar sem as muletas do Estado.

A expropriação é o DNA que une o sectarismo religioso ao conluio entre o lulopetismo e o ativismo judicial. Ambos odeiam quem produz, quem inova e quem prospera fora da bolha. Para essa casta, a economia é um banquete privado onde o povo entra apenas para lavar os pratos.

No Irã, o dissidente encara o pelotão de fuzilamento e as mulheres são tratadas como subalternas. No Brasil, o punho de ferro é mais cínico, travestido, ironicamente, de defesa das instituições. Quem ousa denunciar o acordo entre o Planalto e a toga é silenciado pela censura, perseguido por canetadas e asfixiado por punições exemplares.

Lá, a morte do velho e doentio líder pela ação conjunta de Trump e Netanyahu abre uma fresta de luz, a chance de que o mérito vença o fanatismo. E aqui? Continuaremos entorpecidos pelo ilusionismo da “filosofia do fracasso”?

A pergunta que fica, ardendo na garganta, é: até quando o brasileiro aceitará ser alimentado com as migalhas de um banquete que ele próprio financia? O Irã é o nosso espelho retrovisor. Se não rejeitarmos essa simbiose entre o partido e o tribunal, o futuro será apenas um deserto de oportunidades, governado por deuses de papel que enriquecem sobre as cinzas da nossa liberdade.

A única salvação real vem do crescimento econômico agressivo, aquele que transborda para quem trabalha e inova por meio de políticas e incentivos corretos, e não do enriquecimento ilícito de sectários religiosos ou ideológicos.

A verdadeira liberdade nasce quando a prosperidade de um povo esvazia o poder de chantagem do Estado, implodindo o mercado de miséria que sustenta os tiranos de papel e seus tribunais de estimação.










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A mão invisível da burocracia

   Adriano Dorta 


Muitos brasileiros usam a palavra “burocracia” para se referir a uma atividade cercada de regras rígidas, procedimentos formais e cumprimento de normas e regulamentos. Não é esse o significado que abordaremos neste texto.

Aqui, burocracia é parte do processo político, mas recebe pouca atenção da sociedade civil. Ela é composta por agentes públicos que trabalham em ministérios, agências, órgãos públicos e governos locais. Esses agentes são necessários na configuração do Estado contemporâneo. São eles que transformam as decisões dos políticos em ação concreta, implementando, executando e interpretando as leis, regras e políticas públicas.

A burocracia opera dentro de regras e normas legais. Isso significa que a estrutura institucional de cada país limita seus poderes. Ainda assim, deveríamos confiar que esses agentes tomarão decisões sempre de forma imparcial?

Seria ingênuo acreditar que todas as pessoas têm ambições pessoais e que, por algum poder sobrenatural, a burocracia estaria imune a isso, guiada apenas pelo “interesse público”, perseguindo imparcialmente a vontade da sociedade representada pelo político eleito. A questão não é maldade ou bondade. É entender quais incentivos e quais controles moldam as escolhas dos agentes públicos.

Na burocracia, o “produto” do trabalho dos servidores é difícil de definir e, consequentemente, difícil de medir. No setor privado, ao contrário, resultados tendem a ser mais observáveis. Uma empresa pode ser avaliada por lucro ou prejuízo, por participação de mercado, por produtividade e por satisfação do consumidor.

No setor produtivo, existem mecanismos relativamente rápidos para responsabilizar a gestão. Se um acionista acha que a empresa está sendo mal conduzida, ele pode vender suas ações. Também pode se organizar com outros acionistas para pressionar por mudanças, trocar o conselho e substituir a direção, por exemplo. Ou como consumidores, podem simplesmente escolher outro produtor.

Já o eleitor, quando está insatisfeito, precisa esperar quatro anos para tentar trocar o governo. E há um problema adicional: muitos servidores dentro da burocracia têm estabilidade e, na prática, não podem ser demitidos com facilidade, mesmo quando o desempenho é ruim.

A burocracia exerce um poder invisível porque detém informação. Na política, informação não é só conhecimento técnico. É poder. Quem possui informação tem vantagem institucional.

Na prática, a burocracia costuma saber mais do que os políticos e muito mais do que a sociedade sobre o funcionamento real das instituições de que ela faz parte ou controla. Isso acontece por razões simples. Servidores e técnicos estão dentro da máquina pública todos os dias. Eles conhecem procedimentos, limitações, gargalos, regras internas, custos operacionais e detalhes jurídicos que quase nunca aparecem no debate público. Já os políticos, em grande parte, são generalistas. Eles precisam lidar com dezenas de temas ao mesmo tempo, têm incentivos de curto prazo (se reelegerem) e nem sempre possuem formação técnica nos assuntos discutidos.

A sociedade, por sua vez, enfrenta um problema ainda maior: acompanhar esse processo exige tempo, informação especializada e energia, e o benefício individual desse esforço costuma ser pequeno. Isso reduz o incentivo para monitorar. Essa assimetria cria um efeito onde o poder formal não é realmente exercido. Formalmente, quem decide é o político eleito, mas, na prática, muitas decisões dependem de como a burocracia interpreta, organiza e executa aquilo que foi aprovado.

Além disso, políticos que não dominam os assuntos discutidos podem se informar ou procurar a burocracia para entender melhor sobre como abordá-los. Essa troca de informação pode ser feita sob a ótica do interesse da burocracia. Essa dependência aparece de forma clara quando a burocracia “empacota” informações. Em vez de apresentar opções detalhadas e transparentes (“podemos cortar A, reduzir B, manter C”), ela pode apresentar um pacote fechado: “se houver corte, o serviço essencial será prejudicado”. Como o político não domina os detalhes e teme o custo político de errar, ele aceita o pacote.

Não é nenhuma teoria da conspiração. Só é preciso reconhecer que existe um ambiente em que um lado é mais bem informado e, por isso, tem vantagem de barganha. Em linguagem econômica, a assimetria de informação altera o equilíbrio de negociação.

Com a sociedade, a assimetria é ainda mais profunda. O cidadão geralmente enxerga o resultado final (fila, demora, falta de atendimento, excesso de exigências, custo alto), mas não consegue identificar com clareza onde está a causa.

Foi desenho ruim da lei? Falta de orçamento? Incentivos mal construídos? Interpretação burocrática? Interferência política? Captura por grupos de interesse? Essa opacidade dificulta a responsabilização. Quando não se sabe exatamente quem decide, também não se sabe quem punir ou premiar.

Esse ponto conversa diretamente com o problema de principal-agente. Em teoria, o povo (principal) elege políticos (agentes), que, por sua vez, comandam burocratas (subagentes) para executar políticas. Mas, na prática, cada elo dessa cadeia tem seus próprios incentivos e sua própria informação privada. O eleitor sabe pouco e monitora pouco; o político sabe mais que o eleitor, mas menos que o burocrata; e o burocrata sabe mais do que ambos.

Isso ajuda a explicar por que reformas do Estado são tão difíceis. Cortar ou reorganizar uma burocracia não é somente apertar um botão. Quem propõe a reforma depende justamente das informações fornecidas por quem será reformado. Se a burocracia tiver incentivos para resistir, ela pode atrasar ou desvirtuar essas reformas de modo que preserve seus interesses. Novamente, isso não exige que todos os agentes ajam de forma cínica; basta que ajam de acordo com seus interesses.

O caso de Thomas Sowell é um exemplo real que ajuda a ilustrar essa dinâmica. Na juventude, Sowell era um marxista e trabalhou no governo dos Estados Unidos.

Ele fez parte do Departamento do Trabalho dos EUA (U.S. Department of Labor), ligado a análises sobre emprego e salários (como relata em textos autobiográficos e entrevistas). Na época, ele tinha uma visão à esquerda e via o salário mínimo como algo obviamente bom.

O que teria mexido com ele foi observar, na prática, como certas políticas podiam gerar efeitos opostos ao que prometiam. Especialmente aquelas que prometiam cuidar dos trabalhadores mais pobres ou menos qualificados.

Ele relata que, ao analisar dados e discutir políticas públicas, começou a perceber que aumentos no salário mínimo poderiam reduzir contratação de trabalhadores menos produtivos, excluir jovens e iniciantes e atingir justamente os grupos que as políticas diziam ajudar.

Quando levou essas evidências aos burocratas, a reação não foi a esperada. Em seus relatos, Sowell descreve uma postura de hostilidade ou indiferença às evidências, porque aquilo contrariava a linha defendida pelo órgão.

Os agentes públicos do Departamento do Trabalho não estavam buscando a verdade, mas sim defendendo o programa e a instituição por um objetivo: manter seus cargos, salários e benefícios políticos.

Qual ação correta a se tomar nesse tipo de situação? A eliminação ou reforma da política pública. Não foi isso o que aconteceu. Sowell relata que enviou as informações aos seus superiores e, até hoje, com seus quase 96 anos, nunca recebeu respostas. Isso aconteceu porque, se, em algum momento, os políticos percebessem que aquele departamento não era mais útil, aquela burocracia poderia perder seus empregos.

É por isso que autores da Public Choice, como Niskanen e Tullock, insistem tanto em tratar a burocracia como ator político e não apenas como um grupo subordinado. A visão deles não é (ou não precisa ser) que todo burocrata age de má-fé, mas que esse grupo detém informação superior, tem incentivos próprios e enfrenta mecanismos de controle imperfeitos – ele passa a influenciar resultados em benefício próprio.

Essa lógica pode incluir maximização de orçamento, preservação de autonomia, expansão de competências, redução de supervisão externa, defesa da própria reputação, segurança no emprego, perspectivas de promoção, aumentos salariais e assim por diante. Nessa busca por benefícios, a burocracia é um ator político tão importante quanto qualquer outro grupo de interesse. Como é um grupo bem definido, seus membros conseguem internalizar os ganhos do lobby com mais facilidade e não enfrentam, da mesma forma, o problema de free-rider (carona).

Apesar de dependerem do apoio dos políticos para obter orçamento, burocratas conseguem maximizar seus benefícios dentro dessa restrição. Quando o orçamento é apertado, podem reduzir sua produção e garantir que os recursos permaneçam com a própria estrutura em vez de serem direcionados a projetos. Quando há folga orçamentária, podem criar novas funções e reivindicar mais recursos para lidar com o “aumento” da produção.

A burocracia não tem interesse pessoal em economizar orçamento. Pelo contrário, tem fortes incentivos para ampliá-lo. Isso dá à burocracia considerável poder de barganha diante do Legislativo. Dependendo do tamanho e da relevância da agência, a resistência pode vir por meio da ameaça de cortar serviços importantes. Tente reduzir ou congelar os salários da Receita Federal, por exemplo.

Mesmo sabendo desses problemas, os políticos ainda preferem criar essas agências ao invés de criar leis. Isso porque leis podem ser revogadas caso seus adversários cheguem ao poder. Já a burocracia tende a se autopreservar.

A burocracia também pode receber apoio de grupos de interesse que dependem de intervenções, programas ou normas que ela regula ou administra. Isso inclui sindicatos, empresas privadas e até entidades esportivas, quando dependem de recursos, benefícios ou decisões estatais.

O poder burocrático também pode crescer por meio do próprio tamanho da máquina pública. Se o governo emprega um número muito grande de servidores, como ocorre no Brasil, servidores públicos e seus dependentes passam a formar um bloco eleitoral relevante, com tendência a apoiar políticos que prometam preservar empregos, estruturas e orçamentos.

Por isso, uma discussão séria sobre burocracia não deveria perguntar apenas se os burocratas são bons ou maus. Essa pergunta está errada. A pergunta correta é: qual estrutura institucional diminuiu as falhas de governo na burocracia?

Leituras importantes para entender mais sobre burocracia na visão da Public Choice:

Mancur Olson — The Logic of Collective Action (1965)
Gordon Tullock — The Politics of Bureaucracy (1965)
William A. Niskanen — Bureaucracy and Representative Government (1971)
George Stigler — “The Theory of Economic Regulation” (1971)
Sam Peltzman — “Toward a More General Theory of Regulation” (1976)









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