Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

-

CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A ferramenta retórica da esquerda trabalhista: China (parte 2)

  Adriano Dorta 


Na primeira parte, discutimos rapidamente sobre o que era o trabalhismo, o contexto em que ele surgiu e o seu papel na construção da história do Brasil. Também citamos alguns militantes e suas ideias para o país.

Como foi dito na primeira parte, existem muitas diferenças entre as estruturas institucionais da China e dos países nórdicos. Essas estruturas não são complementares porque vivemos em um mundo com recursos escassos.

Enquanto os países nórdicos estão concentrando seus gastos em bem-estar social, a China foca seus gastos em investimento e infraestrutura. Caso o argumento dos trabalhistas fosse “juntar o melhor dos dois mundos”, o Estado teria um gasto em torno de 85% do PIB.

A China não tem a mesma rede de proteção social que os países nórdicos possuem. Além disso, como mostramos na primeira parte, as regras de relações do trabalho são criadas e discutidas entre o mercado (empresas, empregadores, sindicatos e trabalhadores), não pelo Estado.

A título de comparação, o Brasil gasta 12% do PIB com previdência, enquanto a China gasta 2% do PIB.

Ao contrário, na China, além de não existir essa rede de proteção social, o Estado não só intervém, mas dita as regras que mais beneficiam a economia e não os trabalhadores.

Segundo a China Labor Watch[1], por meio de um relatório, as empresas ocidentais praticam ações diferentes dos seus próprios compromissos declarados com padrões éticos de trabalho.¹

Podem acusar essa prova de ser uma evidência anedótica, mas o site promove um trabalho extenso mostrando a dura realidade que os trabalhadores chineses enfrentam. Além disso, a jornada média anual da China é maior que a de quase todos os países capitalistas – e não é pouco.

Enquanto a média anual de horas trabalhadas por trabalhador nos países nórdicos é de 1.434 horas, na China, a média é de 2.328 horas. São 894 horas, em média, trabalhadas a mais.

Um outro caso que confirma a falta de proteção e direitos da classe trabalhadora na China foi o escândalo que ocorreu na Bahia com a empresa chinesa BYD. Em junho de 2025, a empresa chinesa de carros elétricos BYD (Build Your Dreams – que, em português, significa “Construa Seus Sonhos”), foi autuada pela fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (SRTE/BA) por condições análogas à escravidão.

Segundo o próprio Ministério do Trabalho e Emprego, “foram identificados 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.”²

Os auditores detalharam “um conjunto de irregularidades que, em sua totalidade, configuram a submissão dos trabalhadores a condições degradantes e coercitivas, caracterizando a violação dos direitos fundamentais previstos na legislação brasileira.” Os relatos mostram que alguns trabalhadores estavam em jornadas de trabalho superiores a 10 horas. Um trabalhador machucado relatou que estaria trabalhando “há 25 dias sem descanso.”

A mesma prática usada nos sindicatos é usada nas empresas. Essa dinâmica é muito parecida com o que o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães usava na Alemanha pós-1933. O Reichswirtschaftsministerium (Ministério da Economia do Império) direcionava um Betriebsführer (“gerente” de negócios) que fazia parte do partido com a missão de garantir a conformidade ideológica dentro das empresas. Já o Arbeits-Vertrauensmänner era responsável por coordenar e supervisionar os trabalhadores. Além disso, também resolvia disputas em prol dos planos do Reich. Esse sistema sustentava a subordinação dos direitos dos trabalhadores a serviço do Estado.

Na China, sindicatos de trabalhadores têm membros do Partido Comunista Chinês controlando e coordenando essas instituições conforme o plano do governo. Caso greves ou tentativas de pressão sejam vistas como prejudiciais para empresas, o governo não vê problema algum em reprimir tais ações.

工会 — gōnghuì (sindicato) integra a estrutura da All-China Federation of Trade Unions (ACFTU), que funciona dentro da ordem do Partido-Estado. A ACFTU segue a liderança do Partido Comunista Chinês, opera seguindo o centralismo democrático.

O trabalhismo como ideologia política defende um Estado que crie e proteja direitos à classe trabalhadora. Isso é o que a China quase não faz. Isso não significa que é uma defesa das empresas, mas sim uma defesa dos planos do governo. Significa que uma paralisação em uma empresa-chave pode atrapalhar os planos do governo na condução da política econômica.

A mesma coisa acontece em empresas que começam a despontar e ganhar competitividade internacional. Para garantir que as empresas vão participar e seguir os planos do governo central, 党委书记 — dǎngwěi shūjì (Secretário do Comitê do Partido) é enviado para participar da gerência dessas empresas.

O “desaparecimento de CEOs” não é algo tão incomum na China. O jornal The Economist informou em uma matéria que, em 2023, 13 CEOs de empresas listadas na bolsa desapareceram. Inclusive, o governo nunca reconheceu publicamente a detenção de Xiao Jianhua, empresário que foi sequestrado por agentes chineses em Hong Kong em 2017 e preso em 2022, fato denunciado por autoridades canadenses. ³

Essa dinâmica na China mostra que há uma semelhança com as experiências corporativistas autoritárias do século XX como a Itália fascista e a Alemanha nazista. Portanto, os trabalhistas se colocam em uma posição difícil ao defender o modelo chinês. A China está longe do ideal que essa militância afirma defender: jornadas extensas, baixa proteção social, sindicatos subordinados ao Partido e mecanismos de representação que operam mais como instrumentos de controle político do que como expressão autônoma dos trabalhadores.

Se o critério é a democracia, a contradição é ainda maior: o modelo chinês concentra poder, restringe oposição, controla sindicatos e submete empresas, trabalhadores e lideranças econômicas aos objetivos do Partido. A China pode até servir como exemplo da capacidade estatal de planejar a economia, mas dificilmente pode ser apresentada como modelo trabalhista ou democrático. Nesse sentido, quando parte da esquerda trabalhista brasileira exalta a experiência chinesa, ela não está defendendo a emancipação da classe trabalhadora.

O único argumento que sobra é a tentativa utópica de selecionar a dedo as melhores práticas de cada país e achar que podem simplesmente implementá-las de cima para baixo, assim como foram o sindicalismo, a constituição e quase tudo que é feito no Brasil.

Referência

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. BYD é autuada por submeter trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão na Bahia. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 3 jun. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2025/junho/byd-e-autuada-por-submeter-trabalhadores-chineses-a-condicoes-analogas-a-escravidao-na-bahia. Acesso em: 4 jun. 2026.

CHINA LABOR WATCH. Brewing Concerns: Labor Practices and Compliance Gaps in Starbucks’ South China Operations. China Labor Watch, 14 out. 2025. Disponível em: https://chinalaborwatch.org/brewing-concerns-labor-practices-and-compliance-gaps-in-starbucks-south-china-operations/. Acesso em: 4 jun. 2026.

THE ECONOMIST. The case of China’s vanishing chairmen. The Economist, 7 dez. 2023. Disponível em: https://www.economist.com/business/2023/12/07/the-case-of-chinas-vanishing-chairmen. Acesso em: 4 jun. 2026.

[1] Fundada em 2000, a China Labor Watch é uma organização independente. Ao longo dos últimos 20 anos, a CLW tem se dedicado a monitorar e relatar práticas trabalhistas em fábricas, defender os direitos dos trabalhadores, criar comunidades, desenvolver capacidades de ação coletiva e compartilhar conhecimento com trabalhadores, comunidades, governos e outros parceiros.



















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/a-ferramenta-retorica-da-esquerda-trabalhista-china-parte-2/

O Banco Central quer ajudar Lula na eleição?

  Adriano Dorta 


O Banco Central (BC) divulgou nest terça-feira (23) um comunicado sobre a última reunião, no qual explica a decisão de reduzir a taxa Selic, que atualmente se encontra em 14,25% ao ano.

A decisão, isoladamente, já chama atenção. Mas o verdadeiro problema não está apenas no corte dos juros. Está na justificativa.

O problema está na projeção do Banco Central sobre a inflação futura. Desde que os cortes de juros começaram, em março de 2026, as próprias projeções do BC mostram uma inflação crescente.

A pergunta que fica é: se a inflação está piorando, por que o Banco Central está reduzindo os juros?

Para entendermos o tamanho do problema, primeiro precisamos entender: (1) o papel dos juros, (2) a inflação e (3) o papel do Banco Central nessa história.

De forma bem simples, os juros são a ferramenta que o BC usa para tentar controlar a inflação. A inflação é o aumento generalizado e sustentado no nível de preços de bens e serviços em uma economia. Com a inflação, a moeda perde poder de compra.

A inflação aumenta por causa de um desequilíbrio agregado, quando a quantidade de dinheiro circulando na economia cresce mais rápido do que a capacidade real de produção de bens e serviços.

Já o papel do BC é usar os juros como uma forma de reduzir ou aumentar os estímulos à economia, tentando levar a inflação para a meta. A decisão da meta de inflação cabe ao Conselho Monetário Nacional (CMN). O CMN é um colegiado composto pelo ministro da Fazenda, pelo ministro do Planejamento e Orçamento e pelo presidente do Banco Central.

Embora as metas de inflação sejam definidas pelos cargos hoje ocupados por Dario Durigan, Bruno Moretti e Gabriel Galípolo, o atual modelo contínuo foi decidido em 2023 e 2024 por seus antecessores Fernando Haddad, Simone Tebet e Roberto Campos Neto.

O CMN decidiu que a meta de inflação seria de 3%, com teto de 4,5% e piso de 1,5%. Isso quer dizer que, em teoria, o BC deveria usar os juros para fazer com que a inflação se aproxime cada vez mais de 3%.

Juros mais altos encarecem o preço do dinheiro. Quando os juros sobem, usar o cartão de crédito, comprar no carnê ou fazer um financiamento fica mais caro. Para empresas e empresários, também fica mais caro tomar empréstimos para comprar uma máquina nova ou contratar mais empregados.

Isso incentiva as pessoas a reduzirem o consumo. Ao mesmo tempo, fica mais atraente emprestar dinheiro ao governo. Essa dinâmica tira dinheiro de circulação e diminui a pressão sobre os preços.

Imagine uma cidade com 10 moradores e apenas uma padaria. Todos os dias, a padaria produz 10 pães, e cada morador compra 1 pão. O padeiro cobra R$ 1,00 por pão. Nesse momento, a economia está em equilíbrio.

Em um belo dia, o prefeito dessa cidade anuncia que vai distribuir R$ 1,00 todos os dias para cada morador comprar pão. Agora, cada morador terá R$ 2,00 no bolso.

Logo pela manhã, no primeiro dia com R$ 2,00 para comprar pão, os moradores correm para a padaria. Cada pessoa pede dois pães em vez de um.

Em um cenário de juros altos, o dono da padaria não consegue comprar mais um forno nem contratar mais funcionários para aumentar a produção, mas, como ele vê que as pessoas estão demandando mais pães, ele aumenta o preço.

Agora, a padaria passa a vender cada pão a R$ 2,00. Os moradores passam a comprar menos pães com a mesma quantidade de dinheiro.

Esse pequeno exemplo serve para demonstrar o cenário econômico do Brasil neste exato momento.

O governo federal usou a expansão dos gastos públicos para aumentar a demanda, fazendo com que as pessoas tivessem mais dinheiro para consumir. As empresas, por outro lado, não conseguem produzir na mesma velocidade.

O papel do BC, segundo o próprio Banco Central, é:

No comunicado da última reunião, o Comitê afirmou que “tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.

Também é possível ler no comunicado que “a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”.

Além disso, os indicadores mostram que a inflação fica acima da meta de 3% — e acima do teto da meta de 4,5% — até o terceiro trimestre de 2027, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente.

O comunicado deixa claro que as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e por diferentes grupos de agentes — como economistas e instituições que acompanham a inflação —, permanecem acima da meta em todos os horizontes. Desde a reunião anterior, essas expectativas ficaram ainda mais desancoradas, principalmente para 2028.

A desancoragem das expectativas, em termos simples, significa que as pessoas acreditam cada vez menos que o BC conseguirá trazer a inflação para dentro da meta. Isso faz com que empresas comecem a reajustar preços, trabalhadores passem a pedir salários maiores e investidores exijam juros mais altos.

O BC reconheceu que a demanda elevada está pressionando a inflação e que isso requer uma política monetária contracionista. Também reconheceu que a última leitura do IPCA, índice que mede a inflação, já está acima do limite superior da meta.

O argumento apresentado foi que, para trazer a inflação de volta à meta de forma mais rápida, seria necessário elevar os juros ou mantê-los altos por um período maior. Essa ação, segundo o BC, poderia criar efeitos contraproducentes para a própria inflação, porque o Banco Central vinha reduzindo juros. Mudar essa direção poderia gerar volatilidade.

O Comitê achou por bem reduzir os juros com base na fé de que um possível cessar-fogo na guerra do Oriente Médio e os efeitos do El Niño possam ajudar a diminuir a pressão sobre os preços e, consequentemente, ajudar a inflação a voltar para a meta.

A verdade é que o BC precisa torcer para que fatores que ele não controla possam ajudá-lo. Nada disso seria necessário se o governo federal não fosse populista e irresponsável com os gastos públicos.

O governo federal faz populismo por meio da redistribuição de renda, usando programas sociais e crédito do BNDES para manter a taxa de desemprego artificialmente baixa.

Isso cria um cabo de guerra entre o BC e o governo federal. O governo federal usa os gastos públicos para manter o desemprego baixo e garantir que a população mais carente continue consumindo. Do outro lado, o BC mantém os juros elevados para que o consumo diminua.

Um aumento dos juros também pode gerar desemprego. O problema é que este é um ano de eleição. E desemprego significa uma população com raiva do governo.

Se os dados mostram que a inflação não vai voltar para a meta, se o BC tem o dever de manter a inflação dentro da meta e de defender o poder de compra da moeda, assegurado pela Constituição, por que o Banco Central reduziu os juros?

Não é objetivo do Instituto Liberal divulgar teorias da conspiração. Porém, em se tratando de PT, Lula, do contexto atual e do passado recente, fica muito difícil não pensar em interferência política.

O cenário atual é muito parecido com o cenário de 2014, durante o governo Dilma II. A economia crescia, mas desacelerava; o desemprego estava baixo; a inflação estava acima da meta; e o Banco Central, sob Alexandre Tombini, reduzia juros.

A economia desabou repentinamente depois que Dilma venceu a eleição. Tudo mudou porque existia a expectativa de que Aécio Neves poderia ganhar.

Não sabemos se a história se repetirá exatamente da mesma forma, mas Lula está liderando as pesquisas de intenções de voto e não demonstra nenhum sinal de que pretende fazer um ajuste fiscal.

Não dá para tomar atitudes semelhantes e esperar resultados diferentes. Como disse Eduardo Cunha: que Deus tenha misericórdia desta nação.








publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/economia/o-banco-central-quer-ajudar-lula-na-eleicao/

NINE REELEITO SERÁ O FIM DO BRASIL

 VISÕES PELO MUNDO/FACEBOOK


NINE REELEITO SERÁ O FIM DO BRASIL 




SEM IMPOSTO SERIA UM DOS MAIS BARATOS DO MUNDO

 WMOTORSBR/FACEBOOK


SEM IMPOSTO SERIA UM DOS MAIS BARATOS DO MUNDO



Lula RECEBEU VORCARO no Planalto — e Agora Faz de INOCENTE?

 rubinhonunes/youtube


Lula RECEBEU VORCARO no Planalto — e Agora Faz de INOCENTE?


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=af5ICJJK_is

BILHÕES DE REAIS PARA SER HUMILHADO

 SOBERANIAVIVA/FACEBOOK


BILHÕES DE REAIS PARA SER HUMILHADO



E FALAM QUE SÃO OS EMPRESÁRIOS QUE LUCRAM

 LILOHENRIQUE/THREADS


E FALAM QUE SÃO OS EMPRESÁRIOS QUE LUCRAM



A Arma Secreta de Vorcaro Contra Mendonça: Veja!

 andremarsiglia/youtube


A Arma Secreta de Vorcaro Contra Mendonça: Veja!


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=9A4MnR5-CZI

OS PROGRAMAS SOCIAIS NÃO SÃO DELE

 PARTIDOLIBERAL/INSTA


OS PROGRAMAS SOCIAIS NÃO SÃO DELE



"DOUTORA EM ECONOMIA POR 300 MIL"

 SOBERANIAVIVA/THREADS


"DOUTORA EM ECONOMIA POR 300 MIL"



Lula GASTA MEIO BILHÃO em Propaganda Antes das Eleições!

 deltandallagnol/youtube


Lula GASTA MEIO BILHÃO em Propaganda Antes das Eleições!


clique no link abaixo e assista


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=344igCKWt8I

terça-feira, 30 de junho de 2026

A ferramenta retórica da esquerda trabalhista: países nórdicos (parte 1)

 Adriano Dorta


Há algum tempo, venho acompanhando os trabalhistas e suas discussões. Posso mencionar alguns militantes dessa ideologia como Tamir Felipe, Frederico Krepe e Charlie Barkley.

Para os amantes da URSS, socialismo pode ser qualquer coisa entre Dinamarca, Cuba ou China. Apenas depende de qual é o argumento que eles querem usar.

Quando o assunto é alta carga tributária e alto gasto social, os países nórdicos são usados como argumento de que impostos altos não são um problema. Quando o assunto é produzir, a China entra em campo como argumento de modelo socialista de produção.

Cuba, bom… Cuba é a prova de que o capitalismo não pode viver de livre comércio. Os embargos fazem com que Cuba fique impossibilitado de ter livre comércio com o resto do mundo.

No caso dos trabalhistas, os países nórdicos são exemplos de países que adotam políticas sociais e econômicas que focam na classe trabalhadora. Enquanto a China é uma prova de que o Estado como indutor do crescimento econômico é a prova de que a MMT (teoria monetária moderna), pós-keynesianos e desenvolvimentistas estavam certos.

Neste texto, vamos focar em discutir os países nórdicos e o trabalhismo. Na segunda parte, discutiremos o modelo econômico chinês e as contradições que os trabalhistas enfrentam ao defender esse modelo.

Não usei o termo socialismo em vão ao citar os trabalhistas. Visto que existe uma zona cinzenta entre socialismo, trabalhismo, sindicalismo e social-democracia, é uma perda de tempo – aqui nesse texto – tentar estabelecer fronteiras rígidas e permanentes sobre onde, por exemplo, termina a social-democracia e onde começa o trabalhismo.

A primeira lição que precisamos tomar é que o trabalhismo às vezes não difere dessas outras categorias, ao mesmo tempo que não podemos generalizar a expressão trabalhista sendo sempre socialista.

A segunda lição é não confundir socialismo com Karl Marx. Socialismo não é um monopólio de Marx, que funda uma vertente da tradição socialista. Assim como o socialismo pode ou não ser marxista, o trabalhismo também não precisa ser.

A terceira lição é entender que, dentro da mesma estrutura que vamos chamar de trabalhismo, existem divisões internas e não um bloco homogêneo de pensamento. O trabalhismo brasileiro – ao contrário do trabalhismo inglês – não começa de baixo para cima, mas de cima para baixo. Não é um movimento espontâneo. Isso acontece por conta da origem positivista de Júlio de Castilhos e, impulsionados por Getúlio Vargas, os sindicatos foram formados através da legalização estatal. Os sindicatos eram controlados financeiramente pelo Ministério do Trabalho.

Influenciado pelas ideias de justiça social e direitos dos trabalhadores, a consolidação desse movimento político veio através da fundação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em 1945. Isso significa que o trabalhismo brasileiro apareceu em um cenário de industrialização guiada por um Estado autoritário sob o comando de Vargas. Trabalhismo, nacional desenvolvimentismo e forte controle estatal caminham juntos. Então, o trabalhismo brasileiro é uma ideologia política que se baseia na justiça social e defende que o Estado regule as relações de trabalho, protegendo e criando direitos para a classe trabalhadora, além de liderar o crescimento econômico.

Essa ideologia – personificada no populismo varguista – capitaneou a modernização, burocratização e industrialização do Estado brasileiro. Após esse breve resumo do que é o trabalhismo e da sua história no Brasil, vamos falar de países nórdicos.

Para os trabalhistas – em especial o Frederico Krepe –, o modelo usado pelos países nórdicos deveria ser uma inspiração para o Brasil, principalmente quando o assunto é associação e participação dos sindicatos.


Os países nórdicos são defendidos – especialmente pela esquerda – por conta da rede de proteção que os economistas chamam de welfare state (Estado de bem-estar social). O apelo à massiva associação dos trabalhadores aos sindicatos é uma vitória para os trabalhistas. Do ponto de vista liberal, contanto que essa associação seja livre e espontânea, nada mais justo do que os trabalhadores escolherem pela filiação.

O problema desses dados é que eles contam apenas uma parte da história. Os dados omitem o que de fato acontece na relação entre trabalhadores e sindicatos.

Diferentemente do Brasil, assim como foi na Inglaterra, por exemplo, os sindicatos são formas espontâneas de filiação. Não foram o Estado sueco nem o norueguês que criaram os sindicatos e obrigaram por lei a sindicalização dos trabalhadores.

A Constituição Federal brasileira garante a unicidade sindical – palavras mais sofisticadas para dizer que os sindicatos têm o monopólio legal sobre a mesma categoria profissional ou econômica em certo território. No Brasil, até 2018, os trabalhadores faziam a contribuição obrigatória aos sindicatos com o pagamento sendo retido direto na fonte, ou seja, antes de o patrão pagar o trabalhador, o dinheiro já era descontado e enviado aos sindicatos.

A contribuição sindical obrigatória surgiu por decreto em 1940, antes mesmo da promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943. Consistia no pagamento de um dia de trabalho, descontado em folha de pagamento.

A CUT (Central Única dos Trabalhadores), por exemplo, em 2017, de janeiro a agosto, recebeu R$ 54 milhões vindos da contribuição sindical. Em 2018, nos mesmos oito meses, o valor despencou para R$ 2,5 milhões. Em consequência, 65 pessoas foram demitidas, ou 45% do quadro de pessoal.

O Estado frequentemente cria estruturas institucionais cuja sobrevivência depende menos da demanda real dos cidadãos e mais da proteção legal e do financiamento compulsório. Os sindicatos são um exemplo. No Brasil, há quase 18.000 sindicatos, enquanto nos países nórdicos, a Suécia é o país com maior número de sindicatos, com número inferior a 120.

Outra diferença que deveria ser óbvia, mas não foi pensada, é a representação real na barganha com as empresas que os sindicatos têm na formulação das regras, salários e benefícios. No Brasil, mais uma vez, o Estado é paternalista, exatamente como os trabalhistas gostariam que fosse, mas os nórdicos, não! Os sindicatos possuem uma força de barganha muito menor aqui no Brasil por um motivo simples: o poder das relações de trabalho está concentrado no Estado, não nas empresas e sindicatos.

Empresas ou sindicatos têm um impasse nas relações de trabalho, eles não procuram uns aos outros. Procuram o Estado. Como o Estado brasileiro é paternalista, quando os irmãozinhos brigam, é o papai Estado que encerra a briga.

Em janeiro deste ano, o Instituto Liberal noticiou e discutiu a regulação dos trabalhos de aplicativo aqui e aqui. Essa pauta é a evidência empírica do que estamos discutindo.

Os trabalhadores fizeram manifestações por todo o país contra a medida do governo. As únicas instituições que se pronunciaram favoráveis ao PL foram os sindicatos e o governo federal. Isso mostra um descompasso entre o interesse dos trabalhadores e o dos sindicatos. O sentimento de que o sindicato não representa o trabalhador vem da criação artificial de sindicatos monopolistas e a falta de poder de resolução dos problemas entre empresários e trabalhadores.

Nos países nórdicos, os sindicatos são funcionais porque a resolução de problemas dentro das relações de trabalho é equacionada entre empresários e trabalhadores. Sindicatos e empresas não procuram o governo para resolver os problemas. O poder de resolução fica dentro da sociedade civil.

A legitimidade e sentimento de representação existem por conta do que Hayek chamava de ordem espontânea – as instituições sociais e econômicas que surgem de forma orgânica e sem planejamento central. É por isso que os governos dos países nórdicos não precisam criar uma lei de salário mínimo. Empresas e trabalhadores entram em acordos para criar as estruturas econômicas necessárias. O poder está na sociedade civil, não no governo. É exatamente esse o motivo por que quase 91% da população da Islândia faz parte de sindicatos, enquanto no Brasil, a taxa de sindicalização não chega a 9%.

Outros pontos a serem apontados sobre o que os trabalhistas defendem e não existe nos países nórdicos é um Estado desenvolvimentista, um Estado que guia o crescimento econômico. Uma outra incoerência – e impossibilidade econômica que será mais bem discutida no segundo texto – é a defesa de um grande Estado de bem-estar social e um Estado desenvolvimentista.

Como é sabido, vivemos em um mundo com recursos escassos e desejos ilimitados. Isso significa que, apesar de termos muitos desejos, usar um recurso para algum fim pode significar não ter para outro desejo. No caso da idealização de um Estado de bem-estar social nórdico, significa que é impossível economicamente ter um Estado desenvolvimentista, ou seja, ao querer que o Brasil seja uma Dinamarca, impossibilita-se que o Brasil seja a China.

Na China, a taxa de investimento fica perto de 40% do PIB, mas a taxa de previdência social, por exemplo é de 2%. Já no Brasil, a taxa de gasto com previdência é de 12% do PIB. A taxa média de poupança na China é de 48%. Isso quer dizer que, de tudo que o chinês recebe, ele poupa quase metade. Os países nórdicos, em média, têm gasto social de 26% do PIB. Na China, 9% do PIB.

Na China, não existe SUS, previdência pública, ensino médio e superior são pagos, não tem CLT e toda a rede de proteção que o Brasil fornece. Muito menos o que os países nórdicos fornecem.

A defesa clássica dos trabalhistas e desenvolvimentistas é a clássica frase “gasto é vida”. Defendem que o endividamento do governo para ajudar no desenvolvimento da economia não é um problema.

O problema é que, nos países nórdicos, a dívida é muito baixa. A Dinamarca tem uma dívida pública de 31.5% do PIB, Suécia de 33% do PIB, Noruega de 42.7% do PIB, Islândia 59,4% do PIB e Finlândia de 82.1% do PIB. Enquanto isso, a China está com quase 100% e o Brasil com 80% do PIB.

A história dos países nórdicos – em especial o da Suécia – mostra que sim, a liberdade econômica é o caminho para a prosperidade. A falácia aí é usar a palavra “irrestrita”.

Um dos assuntos mais debatidos no mundo acadêmico é exatamente esse: a liberdade econômica é ou não responsável pela prosperidade. E esse é o assunto que mais tem evidência empírica sobre sua veracidade.

Na Suécia, o Partido Social-Democrata, que dominou a política do país desde 1960, elevou fortemente os impostos e os gastos, levando os gastos do governo a saírem de 24% e chegarem a 70% do PIB nos anos 1990.

O país sofreu uma crise no início dos anos 1990, a dívida pública sueca disparou, chegando a níveis próximos de 80% do PIB em meados da década, antes de cair após reformas fiscais, cortes de gastos e novas regras orçamentárias.

Após a crise, o governo começou as reformas econômicas. Leis que limitavam a dívida pública foram formuladas, privatização dos serviços públicos e eliminação de impostos sobre riqueza, doações e herança fizeram parte dessas reformas.

O que Krepe e seus colegas de movimento ideológico não conseguem compreender é que esse Estado só é possível – e impossível de se manter por um longo período de tempo – porque eles ficaram ricos. Eles não ficaram ricos com esse tipo de Estado. Primeiro eles enriqueceram e depois implementaram uma rede de proteção.

Ele argumenta que “A alta qualidade de vida das nações desta lista está intimamente ligada à construção de uma forte capacidade estatal, o que se traduz em um setor público que emprega grande parte da população para garantir serviços de excelência, o exato oposto do que tentam vender por aqui.”

Você não tem uma alta qualidade de vida porque tem “forte capacidade estatal” (seja lá o que isso quer dizer). Essa alta qualidade de vida depende de um setor privado capaz de financiá-la.

Políticos, burocratas e servidores públicos só puderam participar da especialização do trabalho porque o setor produtivo aumentou sua produtividade e aumentou a capacidade de produzir e obter recursos para manter esse novo tipo de trabalho.

A própria Dinamarca já reconhece a pressão fiscal do envelhecimento populacional. Em 2025, o Parlamento aprovou o aumento da idade de aposentadoria para 70 anos. Ou seja, alguém precisa pagar a conta. Não existe almoço grátis.

O outro ponto importante de se mencionar sobre essa última imagem de um tuíte do Krepe é que ele usa o número total de pessoas que trabalham como funcionários públicos, quando ele deveria estar olhando quanto todos esses funcionários públicos custam para a sociedade.

Pegando Islândia por exemplo, a proporção do total de trabalhadores da Islândia é de 25 servidores públicos para cada 100 empregados. Esses 25% custam para a Islândia cerca de 13,6% do PIB, enquanto no Brasil, temos 13% de servidores públicos que custam 12.7% do PIB. Quase a metade de funcionários por quase o mesmo gasto.

Os trabalhistas não querem copiar a tributação sobre o lucro das empresas dos países nórdicos: Dinamarca 22%, Finlândia 20%, Islândia 20%, Noruega 22% e Suécia 20,6% – enquanto, no Brasil, o imposto sobre o lucro das empresas é de 34%.

Os trabalhistas não querem acabar com salário mínimo, assim como os países nórdicos fizeram. Eles preferem que o Estado regule inclusive quantos dias na semana o trabalhador tem que trabalhar.

Os trabalhistas não querem privatizar quase 2/3 das escolas – além de adotar o sistema universal de voucher –, privatizar a APS (Atenção Primária à Saúde) ou privatizar e individualizar a previdência como a Suécia fez.

Os países nórdicos são mais parecidos com Irlanda, Singapura, Luxemburgo ou Suíça do que com Brasil ou China. Os países nórdicos fazem parte das economias mais livres do mundo, com regras fiscais mais rígidas e maior disciplina sobre o gasto público.

Isso levou o então primeiro-ministro dinamarquês Lars Løkke Rasmussen a responder a alguns apoiadores do Bernie Sanders quando citado que a Dinamarca era um exemplo do tipo de “socialismo” que desejavam para os EUA: “Não tenho nenhuma intenção de interferir no debate presidencial americano, mas quero deixar algo claro: a Dinamarca está muito longe de ser uma economia socialista planejada. A Dinamarca é uma economia de mercado. O modelo nórdico é um Estado de bem-estar expandido, mas também uma economia de mercado bem-sucedida, com ampla liberdade para perseguir seus sonhos e viver como quiser.”

Se os trabalhistas preferem esse modelo nórdico, ótimo; eles têm esse direito. Apenas, por favor, não se chamem de trabalhistas desenvolvimentistas. Coloquem-se como liberais-sociais. É um termo que descreve melhor.

O modelo nórdico que eles elogiam não é um modelo de Estado desenvolvimentista ou que regula as relações de trabalho, criando justiça social.

Na segunda parte do texto, vamos tentar entender a contradição entre defender os países nórdicos como modelo de proteção social e, ao mesmo tempo, defender a China como modelo de Estado desenvolvimentista.

Vamos tentar entender como podem defender um Estado que não provê SUS, não tem CLT, não tem previdência pública ampla, não tem welfare state nórdico, não tem sindicalismo livre e não tem a rede de proteção que eles dizem defender para o Brasil.

É possível defender, ao mesmo tempo, a Dinamarca com seu modelo de proteção social e a China com seu modelo desenvolvimentista? Como os trabalhistas calculam os custos e renúncias?








publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/a-ferramenta-retorica-da-esquerda-trabalhista-paises-nordicos-parte-1/

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More