Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

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POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

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quinta-feira, 26 de março de 2026

Se governantes fossem anjos, nenhuma Constituição seria necessária

  Lexum 


A tradição liberal clássica nasceu de uma convicção central do Iluminismo: a liberdade humana não é um favor concedido pelo poder, mas um direito que o poder deve respeitar. Essa ideia, que atravessa autores como John Locke, Montesquieu, Adam Smith e os Federalistas americanos, permanece atual justamente porque toca o ponto mais sensível da vida em sociedade: como organizar o Estado para que ele não se torne uma ameaça aos indivíduos.

No Brasil, a Constituição de 1988 foi um marco de reconstrução institucional e de afirmação democrática. Contudo, quase quatro décadas depois, é legítimo perguntar se ela tem conseguido cumprir aquilo que se espera de uma Constituição em sentido liberal: limitar o poder, garantir segurança jurídica e proteger a liberdade como regra – e a intervenção como exceção.

A Constituição como limite, não como manual de governo

 

As Constituições não foram concebidas para detalhar o cotidiano da administração pública, nem para prometer soluções para toda demanda social. Sua função essencial é mais austera – e por isso mesmo mais nobre: definir competências, assegurar direitos fundamentais e estruturar freios e contrapesos.

Quando uma Constituição se expande em demasia, ela corre um risco silencioso: deixa de ser um pacto de estabilidade e passa a funcionar como um grande catálogo de intenções políticas. E quanto mais conteúdo programático e minúcias normativas são “constitucionalizados”, mais se abre espaço para disputas permanentes sobre interpretação, alcance e aplicabilidade – transferindo decisões de natureza política para arenas que não foram desenhadas para isso.

É difícil ignorar que a Constituição brasileira se tornou longa, detalhista e frequentemente alterada. Muitos temas que poderiam ser regulados por leis infraconstitucionais, com maior flexibilidade e debate democrático ordinário, foram elevados ao nível constitucional. O resultado é um texto que, paradoxalmente, parece forte, mas se torna frágil, porque perde a característica que mais protege a liberdade: a previsibilidade.

Livre mercado exige Direito – e o Direito exige limites claros

 

Uma sociedade aberta não se sustenta apenas com boa vontade, mas com regras estáveis. O livre mercado, longe de ser “ausência de Estado”, depende de instituições confiáveis: propriedade privada, contratos executáveis, segurança jurídica e um Judiciário que aplique normas com coerência.

Adam Smith, tantas vezes reduzido a caricaturas, foi claro ao reconhecer que a prosperidade nasce quando o indivíduo pode trabalhar, trocar e empreender sem ser sufocado por incerteza e arbitrariedade. A economia de mercado é, antes de tudo, um sistema de cooperação voluntária – e isso só é possível quando o Direito funciona como um árbitro imparcial, não como um instrumento de intervenção constante.

Sem segurança jurídica, não há investimento sustentável. Sem estabilidade institucional, não há crescimento consistente. Sem liberdade econômica, a liberdade civil se torna incompleta – porque a autonomia material também é parte da dignidade do indivíduo.

O risco do constitucionalismo que promete tudo

 

O liberalismo clássico não rejeita direitos; ao contrário, nasce para protegê-los. Mas ele alerta para um problema recorrente: quando o Estado promete tudo, tende a entregar pouco – e a controlar muito.

O excesso de comandos constitucionais sobre políticas públicas, estruturas administrativas e objetivos programáticos pode criar uma ilusão de proteção, enquanto, na prática, amplia a margem para disputas institucionais e insegurança. O cidadão fica com a promessa no papel, mas sem garantia concreta na vida real.

E há um efeito colateral ainda mais grave: quanto mais a Constituição é usada para definir resultados, mais ela se torna um campo de batalha permanente. Em vez de ser a moldura do jogo democrático, vira parte do próprio jogo – e isso aumenta a instabilidade, tensiona instituições e enfraquece o próprio texto constitucional.

Separação de poderes: a liberdade depende dela

 

Se existe uma herança iluminista indispensável para qualquer sociedade livre, ela está na ideia de que o poder precisa ser dividido para não ser absoluto. Montesquieu formulou esse princípio com clareza: a separação de poderes não é um detalhe organizacional; é uma condição para a liberdade política.

Quando a tripartição funciona, nenhum poder governa sozinho. Quando ela falha, o Estado tende ao desequilíbrio: um poder passa a ocupar espaços do outro, as fronteiras se tornam confusas e o cidadão perde o referencial de limites.

O Brasil tem vivido, com frequência crescente, um ambiente em que as fronteiras institucionais parecem elásticas demais. E aqui cabe uma crítica moderada, mas necessária: a Constituição, que deveria ser a grande proteção contra esse tipo de deslocamento, tem se mostrado insuficiente para impedir tensões recorrentes entre competências, protagonismos e sobreposições.

Isso não significa negar a importância de cada instituição ou deslegitimar seu papel. Significa reconhecer que a democracia liberal depende de autocontenção, respeito aos limites e previsibilidade institucional – valores que não podem ser substituídos por urgência política ou pela crença de que “bons fins” justificam atalhos.

Como advertia James Madison, um dos autores centrais dos Federalist Papers, “se os homens fossem anjos, nenhum governo seria necessário”. A frase não é cínica; é realista. E o realismo liberal clássico nos lembra que o desenho institucional existe para lidar com falhas humanas, não para depender de virtudes pessoais.

Reformas possíveis, sem ruptura e sem radicalismo

 

É possível defender uma visão liberal clássica no Brasil sem cair em polarização. O caminho não está em negar a Constituição, mas em recuperar seu sentido original: ser um documento de limites, garantias e competências, e não um repositório de soluções para todos os dilemas nacionais.

Uma agenda responsável poderia passar pela desconstitucionalização de temas excessivamente detalhados, devolvendo-os ao debate legislativo ordinário, ao mesmo tempo em que se fortalece a segurança jurídica por meio da redução de incertezas interpretativas e da promoção de maior estabilidade normativa. Também seria essencial reforçar os freios e contrapesos, com mais clareza sobre competências e mecanismos de contenção recíproca entre os Poderes, além de promover a liberdade econômica com responsabilidade institucional, reconhecendo que prosperidade e Estado de Direito caminham juntos.

Esse tipo de agenda não é radical – é institucional. E talvez seja exatamente disso que o Brasil precise: menos improviso, menos hiperconstitucionalização do cotidiano e mais compromisso com o que realmente sustenta uma sociedade livre.

Conclusão: uma Constituição enxuta protege mais do que uma Constituição extensa

 

O liberalismo clássico não pede um Estado ausente. Ele pede um Estado limitado. Não pede ausência de regras; pede regras claras. Não pede privilégio; pede igualdade perante a lei.

Uma Constituição que tenta abarcar tudo corre o risco de não proteger aquilo que mais importa: a liberdade individual, a segurança jurídica e o equilíbrio entre os poderes. A defesa do Estado de Direito, no Brasil, passa menos por multiplicar dispositivos e mais por recuperar o espírito iluminista que fundou a modernidade política: o poder deve ser controlado, porque a liberdade depende disso.

Em um país que precisa crescer, reduzir desigualdades reais e garantir dignidade, a solução não está em prometer mais no topo do ordenamento, mas em construir instituições que funcionem com estabilidade, limites e responsabilidade. E isso começa por uma Constituição que seja, acima de tudo, um freio – não um motor.

*​Lorena Mendes — Graduanda em Direito com atuação no movimento liberal desde 2022. Estagiária na 3C Law e membro da Lexum, possui experiência prática em diversas áreas do Direito e produção regular em veículos de comunicação e revistas acadêmicas nacionais e internacionais.












PUBLICADAEMhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/se-governantes-fossem-anjos-nenhuma-constituicao-seria-necessaria/

FARTA INDISCIPLINA FISCAL

 gilbertosimõespires/ponotocritico


ATA DO COPOM

Mais do que sabido, a -ATA DO COPOM- é um importante documento publicado pelo Banco Central, que detalha os MOTIVOS E AS JUSTIFICATIVAS que levam ao -AUMENTO, CORTE ou MANUTENÇÃO da TAXA BÁSICA DE JUROS -SELIC-. Como o Comitê de Política Monetária, na semana passada, achou por bem reduzir a TAXA SELIC em 0,25 pp, esta decisão gerou uma grande expectativa quanto ao conteúdo da -ATA DO COPOM-, divulgada na manhã de hoje, 24. 


INDISCIPLINA FISCAL

Para quem ainda não sabe, os FATORES QUE MAIS PESARAM NA ÍNFIMA REDUÇÃO DA TAXA SELIC, expostos pelo colegiado nesta ATA DO COMPOM são, sem a menor surpresa: AS INCERTEZAS QUANTO -A ESTABILIZAÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA, O ESMORECIMENTO NO ESFORÇO (??) DE REFORMAS ESTRUTURAIS e, obviamente, a INDISCIPLINA FISCAL. Detalhe importante e pra lá de sabido: tanto o presidente LULA quanto seu POSTE, o ex-ministro TAXXADD, da Fazenda, SÃO OS GRANDES RESPONSÁVEIS, desde o primeiro dia da PROMETIDA E EXECUTADA GOVERNANÇA PERDULÁRIA PETISTA.


CRESCIMENTO DE FLÁVIO BOLSONARO

Pois, em meio a tamanha PRODUÇÃO DE DESGRAÇA, ao menos já se vê, através de pesquisas de intenção de voto para presidente do nosso empobrecido Brasil, é um CRESCIMENTO IMPORTANTE E CONTÍNUO da preferência dos eleitores pelo candidato FLÁVIO BOLSONARO. Tudo leva a crer que o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas se deve, como já manifestei em editoriais anteriores, ao seu COMPORTAMENTO MAIS ASSERTIVO E POUCO AGRESSIVO. 


ASSERTIVIDADE

Na real, ASSERTIVOS e AGRESSIVOS quando dotados de BOAS, JUSTAS E CORRETAS CAUSAS- pensam da mesma forma, mas agem de forma diferente. FLÁVIO BOLSONARO, diferente de seu pai, JAIR BOLSONARO, se mostra como ASSERTIVO COM FIRMEZA, o que vem agradando sistematicamente os eleitores.   





















publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/farta-indisciplina-fiscal

LEI QUE DEVERIA PROTEGER TEM EFEITO REVERSO

 BARBARAHANNEROLE/FACEBOOK


LEI QUE DEVERIA PROTEGER TEM EFEITO REVERSO



Cunhado de Vorcaro também fará delação: veja o que ele vai revelar!

 andrémarsiglia/youtube


Cunhado de Vorcaro também fará delação: veja o que ele vai revelar!


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=Vj94FtXl3ws

O ator que criticou o partido comunista chinês e foi banido do Oscar

 brasilparalelo/youtube


O ator que criticou o partido comunista chinês e foi banido do Oscar


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https://www.youtube.com/watch?v=OmCcbYNdE_E

Estratégia de Flávio Bolsonaro pode isolar adversários

SEM RODEIOS/gazetadopovo/youtube


SABOTAGEM: Lula veta punição para quem financia facções criminosas!

 rubinhonunes/youtube


SABOTAGEM: Lula veta punição para quem financia facções criminosas!


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https://www.youtube.com/watch?v=x6DgjZvuQmw

CAVALO DE TRÓIA DA ESQUERDA - PL DA MISOGINIA

 dep.prof.claudiobranchieri/youtube


CAVALO DE TRÓIA DA ESQUERDA - PL DA MISOGINIA


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=xeupgj_Tpjg

OS EUA VÃO FAZER NO BRASIL O QUE FIZERAM NA VENEZUELA?

 RAFAELCONSERVADOR/FACEBOOK

OS EUA VÃO FAZER NO BRASIL O QUE FIZERAM NA VENEZUELA?



PT É INIMIGO DA INOVAÇÃO

 PROF. CLÁUDIOBRANCHIERI/INSTA


PT É INIMIGO DA INOVAÇÃO 



Enganando o consumidor

 elisewilshow/x


Enganando o consumidor



quarta-feira, 25 de março de 2026

Brasília e a blindagem do poder

  João Loyola 


Poucos países materializaram de forma tão visível a distância entre povo e poder quanto o Brasil. Entre nós, essa distância não foi apenas produzida por leis, ritos, cargos e privilégios. Ela também foi desenhada em concreto. Brasília não é somente a sede administrativa da República. É a forma espacial de uma cultura política que se habituou a governar de longe, a decidir de cima e a transformar a vida nacional em objeto de administração por um centro que se vê cada vez mais separado da realidade que pretende conduzir.

É preciso fazer a ressalva correta desde o início. Brasília não criou sozinha o divórcio entre governantes e governados. O Brasil já possuía longa tradição de centralização, patrimonialismo e hipertrofia estatal antes da inauguração da nova capital. Mas Brasília aprofundou esse processo, deu-lhe forma simbólica e o revestiu de monumentalidade. A cidade não inventou o vício do distanciamento. Ela o consolidou como cenário permanente da vida política nacional.

A promessa original da mudança da capital era grandiosa. Tratava-se de integrar o território, interiorizar o desenvolvimento, projetar modernidade e construir um novo marco da nacionalidade. Havia, nesse projeto, ambição histórica legítima. Brasília foi concebida como símbolo de um Brasil que deixava de olhar apenas para o litoral e passava a se imaginar como potência continental. O problema é que, junto com essa promessa modernizadora, a nova capital também cristalizou uma arquitetura do poder excessivamente coerente com a velha tentação brasileira de concentrar decisões em um núcleo distante da vida concreta do país.

A capital foi desenhada para o Estado. Essa é uma chave interpretativa decisiva. Seu eixo monumental, a separação funcional dos espaços, a amplitude dos vazios urbanos, a grandiosidade dos edifícios públicos e a organização racionalizada do centro político fizeram de Brasília não apenas uma cidade administrativa, mas uma cidade que encena institucionalmente a superioridade do centro decisório. A paisagem comunica autoridade, ordem e escala. Mas comunica também distância. O espaço diz, silenciosamente, que o poder não está misturado à sociedade. Está acima dela, adiante dela, protegido dela.

A geografia do poder nunca é neutra. O ambiente em que o poder vive influencia a forma como o poder se percebe. Governantes instalados em palácios, esplanadas, anexos, tribunais monumentais e ministérios alinhados por eixos grandiosos tendem a naturalizar uma visão abstrata da sociedade. O cidadão deixa de aparecer como pessoa concreta, inserida em território, comunidade, vocação econômica e contexto local, e passa a surgir como categoria administrativa, como estatística, como contribuinte genérico, como destinatário uniforme de decisões centralizadas. Em vez da nação viva, plural e contraditória, passa a prevalecer a visão do país como desenho regulável.

Esse é o ponto em que Brasília ultrapassa a condição de capital e se torna metáfora. Ela representa a crença de que o Brasil pode ser conduzido adequadamente a partir de um centro político monumental, como se a inteligência institucional concentrada em poucos quilômetros quadrados fosse capaz de compreender melhor a realidade nacional do que os próprios brasileiros espalhados por municípios, regiões e economias diversas. Sob essa lógica, a federação se enfraquece, a experiência local perde valor e a sociedade passa a ser administrada como objeto da vontade central.

O problema não é apenas simbólico. Ele se manifesta na prática todos os dias. Em Brasília, decidem-se tributos que pesam sobre quem produz muito longe dali. Em Brasília, formulam-se regulações que recaem com a mesma rigidez sobre cidades, regiões e setores completamente distintos. Em Brasília, julgam-se controvérsias que redefinem a vida política, econômica e social do país sem que os decisores sintam diretamente o custo humano, produtivo e comunitário do que produzem. Em Brasília, multiplicam-se exigências, obrigações, interpretações e políticas públicas para um país cuja diversidade real torna quase sempre ilusória a pretensão de uniformidade.

O pequeno empreendedor do interior, o produtor rural, o comerciante da cidade média, o prefeito que tenta equilibrar as contas, a família que enfrenta a precariedade dos serviços públicos, todos eles vivem em um Brasil muito diferente daquele que a burocracia federal imagina quando legisla, regula, tributa e interpreta a partir do centro. A distância, nesse caso, não é apenas física. É cognitiva. É moral. É institucional. Quem decide de longe tende a compreender menos a realidade sobre a qual decide e, não raro, sente menos o impacto do próprio erro.

É exatamente aqui que a crítica liberal ganha sua dimensão mais forte. Friedrich Hayek ensinou que o conhecimento relevante para a organização da vida social é disperso. Ele está espalhado entre milhões de indivíduos, circunstâncias, experiências e informações locais que nenhum planejador central pode captar plenamente. Essa crítica normalmente é aplicada à economia, e com razão. Mas ela vale com a mesma força para a política. O Brasil continua operando, em larga medida, sob a ilusão de que um centro administrativo concentrado é capaz de conhecer suficientemente o país para governá-lo em detalhes. Brasília é, sob esse aspecto, a expressão arquitetônica da pretensão de conhecimento concentrado.

A capital não apenas abriga o centralismo brasileiro. Ela o simboliza com rara precisão. Em sua forma urbana, há algo da mesma arrogância institucional que marca o excesso de regulação, a hipertrofia normativa e a permanente ampliação da autoridade central sobre a vida dos estados, municípios e cidadãos. Quanto mais se transfere para Brasília a responsabilidade por resolver tudo, mais se esvaziam as energias locais, mais se enfraquecem as autonomias regionais e mais se amplia a irresponsabilidade difusa. Afinal, quando todos aguardam a solução do centro, poucos se sentem realmente responsáveis por construir respostas no lugar onde a vida acontece.

Isso ajuda a explicar por que Brasília pode ser percebida como uma capital blindada. Não porque seus edifícios sejam apenas fisicamente protegidos, o que é natural em qualquer sede de governo, mas porque a própria estrutura de poder nela concentrada favorece um processo contínuo de isolamento. O governante blindado não é só o que vive cercado por segurança, assessores e protocolos. É também o que habita um universo político próprio, distante da rua, da produção, da escassez, do tempo do cidadão comum e da pressão direta da vida ordinária. A blindagem mais profunda não é a do vidro, da escolta ou do gabinete. É a da mentalidade.

No antigo Rio de Janeiro, apesar de todos os seus defeitos, o poder convivia mais de perto com uma cidade socialmente densa, economicamente pulsante e mais exposta à pressão popular. Não se trata de idealizar o passado, mas de perceber uma diferença importante. O poder federal estava inserido em um ambiente mais poroso, menos inteiramente moldado para a função estatal. Já Brasília nasceu precisamente para sediar o comando político-administrativo. O resultado é que a política brasileira passou a operar em um espaço que reforça sua autonomia em relação ao país real.

Essa autonomia cobra um preço alto. Quanto mais o centro político se distancia da experiência vivida da população, maior a tentação de tratar o Brasil como abstração gerenciável. Decisões se tornam mais fáceis no papel do que na vida. O aumento de tributos parece um ajuste técnico e não um golpe no caixa de quem trabalha. A multiplicação de exigências regulatórias parece aperfeiçoamento institucional e não obstáculo ao empreendedorismo. A centralização de competências parece coordenação republicana e não sufocamento da autonomia local. O excesso de judicialização parece sofisticação constitucional e não deslocamento de decisões essenciais para um plano cada vez mais distante do controle democrático imediato.

Por isso, o problema de Brasília não deve ser formulado como um problema meramente urbanístico. Ele é um problema político, federativo e civilizacional. O que está em discussão não é se a cidade é bela, relevante ou historicamente grandiosa. Tudo isso ela é. O que está em discussão é o tipo de República que se acostumou a existir a partir dela. Uma República em que o centro decide muito, concentra demais, se protege excessivamente e se responsabiliza de menos pelas consequências concretas de suas imposições sobre a sociedade.

A correção desse desvio não passa por fantasias destrutivas nem por nostalgia simplista. Ninguém precisa atacar Brasília enquanto cidade para criticar o modelo de poder que ela passou a representar. A saída está em reduzir a centralidade excessiva de Brasília sobre a vida nacional. Está em recuperar o valor político dos municípios, fortalecer estados, descentralizar competências, reequilibrar recursos e reconstruir um pacto federativo mais compatível com a complexidade brasileira. Um país continental, desigual, múltiplo e criativo não deveria depender tanto de um centro que se pretende ordenador de tudo.

Essa é a verdadeira resposta republicana ao problema. Quanto mais perto a decisão estiver de quem vive suas consequências, maior tende a ser a responsabilidade, a sensibilidade e a capacidade de correção. Quanto mais longe estiver, maior a chance de que o poder se converta em abstração, ritual e blindagem. O bom governo não nasce da imponência do centro. Nasce da proximidade entre decisão e realidade.

No fundo, Brasília revelou com nitidez uma tendência antiga do Brasil: a tentação de substituir a vitalidade da sociedade pela autoridade do centro. Essa tentação talvez nunca tenha encontrado forma mais eloquente do que ali, no coração monumental da República. O país construiu uma capital admirável para organizar o poder, mas ajudou também a consolidar uma cultura política em que governar de longe passou a parecer normal.

E eis o ponto decisivo. Quando o poder se afasta geograficamente do povo, ele tende também a se afastar de suas urgências, de suas limitações e de sua verdade. A distância não produz apenas silêncio. Produz ilusão. A ilusão de que é possível decidir por milhões sem viver entre eles. A ilusão de que a técnica substitui a experiência. A ilusão de que a autoridade central compreende o país melhor do que o próprio país compreende a si mesmo.

Brasília não inventou essa ilusão. Mas deu a ela palácios, eixos e monumentalidade.













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