Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

O teatro da revogação: quando o Estado finge corrigir o próprio erro

    Alex Pipkin


A revogação da chamada “taxa das blusinhas” será lembrada menos pelo impacto econômico e muito mais pelo simbolismo político que carrega.

Em poucos meses, ela resumiu com perfeição a lógica do populismo brasileiro contemporâneo. O Estado cria o sufocamento e depois se apresenta como salvador ao aliviar parte da própria asfixia que produziu.

Não houve convicção econômica na criação da taxa; tampouco há coerência econômica em sua retirada. O óbvio “lulante”. Há apenas o frio cálculo político de sobrevivência.

O governo descobriu uma verdade inconveniente. Taxar diretamente o consumo popular produz revolta imediata. Já destruir silenciosamente o ambiente de negócios raramente mobiliza multidões. O primeiro gera indignação instantânea nas redes sociais; o segundo produz uma decadência gradual, silenciosa e quase invisível ao debate público. No Brasil, a ruína em doses homeopáticas raramente se converte em manchete.

Revoga-se o sintoma. A doença, contudo, permanece intacta. O empreendedor brasileiro continua esmagado por um manicômio regulatório, pela insegurança jurídica, pelo excesso tributário e por um Estado que interfere em tudo. Interfere no investimento, na contratação e na inovação, transformando a autonomia econômica em uma concessão precária. O Brasil tornou-se um país onde produzir exige algo próximo do heroísmo e investir se transformou em um exercício de resiliência psicológica.

Enquanto isso, o governo tenta vender a dependência como se fosse uma benfeitoria cívica. Confisca prosperidade pela via tributária, devolve fragmentos dela sob a forma de benefícios oficiais e ainda espera a veneração pública por uma generosidade financiada pelo sangue e suor do próprio contribuinte.

É a versão tropical da política do incêndio. O Estado ateia fogo ao edifício econômico e depois distribui baldes d’água em cadeia nacional, exigindo nobre reconhecimento pelo esforço.

Governos populistas raramente eliminam a pobreza estrutural; preferem administrá-la eleitoralmente. A miséria resolvida emancipa o indivíduo; a dependência recorrente fideliza o eleitor.

Por isso, essa taxa é apenas um detalhe pitoresco de um problema muito maior e mais grave. O verdadeiro imposto que sufoca o Brasil não está numa compra internacional de baixo valor.

Está no peso de um Estado que perdeu a noção dos próprios limites; um Leviatã que já não deseja apenas arrecadar riqueza, mas condicionar comportamentos e transformar a liberdade em uma benesse revogável do poder político.
























publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/o-teatro-da-revogacao-quando-o-estado-finge-corrigir-o-proprio-erro/

Trincheira no carrinho de compras

  Alex Pipkin


Houve um tempo em que as marcas funcionavam como bússolas de status. O relógio, o carro e o rótulo do vinho serviam como sinais silenciosos de repertório cultural, posição econômica e aspiração social. Consumíamos para ascender; consumíamos para sermos vistos; consumíamos para sinalizar. Esse mundo não desapareceu por completo; foi absorvido por algo mais agressivo e mais tribal.

No Brasil de hoje, as marcas operam como totens ideológicos. O supermercado, a cerveja e até o detergente deixaram de ser escolhas de conveniência para se tornarem códigos emocionais de alinhamento. O consumo já não é apenas uma tentativa de distinção social, mas um ritual de pertencimento tribal.

O carrinho de compras transformou-se numa urna ambulante, e o corredor do mercado numa zona de conflito. É por isso que determinadas polêmicas empresariais já não são analisadas sob o rigor técnico, jurídico ou sanitário. O debate escapa rapidamente da esfera objetiva e mergulha na lógica do veredito prévio. Antes mesmo de qualquer investigação aprofundada, a opinião pública já não pergunta apenas “o que aconteceu?”, mas “quem está sendo atingido?” e, sobretudo, “a serviço de quê?”.

Há quem trate isso como mera irracionalidade coletiva. Seria por demais confortável. Essa erosão sistêmica é também consequência de um ambiente político em que governos, autoridades e estruturas de Estado abandonaram a liturgia da imparcialidade para assumir, reiteradamente, tons de antagonismo moral e disputa ideológica.

Quando o poder deixa de soar como árbitro e passa a soar como militante, até decisões potencialmente legítimas passam a carregar a sombra do descrédito. Então algo profundamente corrosivo acontece.

A autoridade simbólica não se deteriora primeiro pela ausência de legalidade, mas pela erosão da credibilidade. Porque confiança institucional não depende apenas de normas formais; depende da percepção coletiva de neutralidade. Depende da sensação de que a régua não muda conforme o alvo da vez.

Uma vez que essa confiança se rompe, o espaço público deixa de funcionar como arena racional, convertendo-se em um campo emocional de confirmação de grupo. Tudo se politiza; tudo transforma-se em narrativa; tudo passa a ser interpretado pela lente da facção.

Será este o retrato mais perturbador do Brasil contemporâneo? Uma sociedade em que até o corredor dos produtos de limpeza passou a carregar ressentimento político, identidade coletiva e ceticismo institucional.

O problema nunca foi apenas o produto comprometido. É uma sociedade que já não consegue enxergar fatos sem antes procurar bandeiras.









publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/trincheira-no-carrinho-de-compras/

CEGUEIRA FUNCIONAL

 GILBERTOSIMÕESPIRES/PONTOCRITICO



ANALFABETISMO FUNCIONAL

Mais do que sabido e comprovado, é assustador o número de brasileiros que sofrem de -ANALFABETISMO FUNCIONAL-. Estudos recentes dão conta de que 40 milhões de brasileiros -SABEM LER E ESCREVER PALAVRAS OU FRASES CURTAS, MAS SÃO INCAPAZES DE COMPREENDER TEXTOS MAIS LONGOS, INTERPRETAR INFORMAÇÕES OU REALIZAR OPERAÇÕES MATEMÁTICAS BÁSICAS-.


CEGUEIRA FUNCIONAL

O que pouca gente sabe é que também é crescente o universo de brasileiros que sofrem de -CEGUEIRA FUNCIONAL-, doença que se caracteriza pela VISÃO DETURPADA DOS FATOS, influenciada por ingestão de DOSES HOMEOPÁTICAS DE POPULISMO. Esse grupo de brasileiros -doentes-são capazes de ENXERGAR AS PROMESSAS E AÇÕES POPULISTAS COMO INSTRUMENTOS DE CURA DOS PROBLEMAS SOCIAIS E ECONÔMICOS DO NOSSO EMPOPBRECIDO BRASIL . 


ILUSÕES ÓTICAS

Esta VICIANTE CARGA DE POPULISMO que vem sendo injetada -NA VEIA- de grande número de brasileiros é a CAUSA do crescimento indiscriminado da preocupante CEGUEIRA FUNCIONAL. Na real é algo que provoca ILUSÕES ÓTICAS do tipo que ENGANAM O SISTEMA VISUAL, fazendo com que os capturados ENXERGUEM ALGO IRREAL, ou seja, QUE NÃO PERMITE O DESENVOLVIMENTO DO RACIOCÍNIO LÓGICO. Mais: AS INFORMAÇÕES POPULISTAS RECEBIDAS PELOS OLHOS produzem substâncias que levam a terrível CEGUEIRA FUNCIONAL.  

























PUBLICADAEMhttps://www.pontocritico.com/artigo/cegueira-funcional

O GOLPE DA ESCALA 6X1: Como o trabalhador vai pagar a conta

 | CAFÉ COM A GAZETA


O GOLPE DA ESCALA 6X1: Como o trabalhador vai pagar a conta 


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https://www.youtube.com/watch?v=glSrwpJJq0Y

Falemos, então, de escândalos

 puggina/youtube


Falemos, então, de escândalos


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Governo DESTRUIU o próprio discurso enquanto 84% dos BRASILEIROS se afundam em dívidas

 rubinhonunes/youtube


Governo DESTRUIU o próprio discurso enquanto 84% dos BRASILEIROS se afundam em dívidas


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Gilmar Me Destruiu em Nova Decisão: Acabou Pra Mim

 deltandallagnol/youtube


Gilmar Me Destruiu em Nova Decisão: Acabou Pra Mim

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O PT NÃO GOVERNA EM GOIANIA

REVISTAOESTE/FACEBOOK


 O PT NÃO GOVERNA EM GOIANIA 



As 9 digitais no caso Master

caiocoppolla/youtube


  As 9 digitais no caso Master




Messias é TRAÍRA e MENTIROSO: Veja o Que Ele Fez

 andremarsiglia/youtube


Messias é TRAÍRA e MENTIROSO: Veja o Que Ele Fez


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terça-feira, 19 de maio de 2026

Por que o PT é o queridinho dos ricos?

 Adriano Dorta 


A Atlas/Bloomberg divulgou nesta semana uma pesquisa de avaliação do governo em abril de 2026. Os dados acerca da renda dos eleitores afastam a narrativa de que a rejeição ao PT vem principalmente dos ricos. A maior rejeição aparece nas faixas intermediárias, enquanto as faixas superiores apresentam saldo mais favorável ao governo. Noventa por cento dos brasileiros ganham menos de R$ 3,5 mil, sendo que a maior rejeição ao governo (-33,4% saldo da aprovação) vem das faixas de renda familiar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil.

Já nas faixas superiores, o quadro se inverte: entre quem ganha de R$ 5 mil a R$ 10 mil, a aprovação supera a rejeição, e, entre os que ganham acima de R$10 mil, o governo registra o melhor saldo positivo, com 48,5% de “ótimo/bom” contra 42,1% de “ruim/péssimo”. Além disso, quem ganha R$ 10 mil está entre os 5% mais ricos do Brasil.

Isso mostra que é falsa a narrativa de que a rejeição do PT é entre os ricos. Na eleição para a Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (Psol), candidato apoiado pelo PT, teve desempenho relevante em áreas de maior renda. No segundo turno, por exemplo, venceu em apenas três das 57 zonas eleitorais da cidade, e sua maior votação porcentual foi no Bela Vista (um bairro de alto padrão), onde obteve 55,24% contra 44,76% de Ricardo Nunes (MDB).

Por que ricos podem ter uma visão positiva de governos que os menos abastados não têm? A aparente contradição de ricos apoiarem a esquerda desaparece quando abandonamos a ideia ingênua de que a política é movida apenas por altruísmo ou por conflito simples entre ricos e pobres.

Muitas pautas associadas à esquerda — protecionismo, política industrial, expansão estatal, regulação, estatais, controle das redes e redistribuição — não prejudicam igualmente todos os ricos. Pelo contrário, frequentemente beneficiam elites conectadas, setores protegidos, burocracias, grandes empresas reguladas e profissionais de alta renda que sabem operar dentro do Estado. Isso significa que, para o rico, votar na esquerda tem um custo baixo na sua vida. Quer dizer, votar na esquerda por ideologia, ou por pertencimento de grupo (pertencer ao grupo que realmente se diz preocupado com os mais pobres), por sinalização de virtude ou por convicção não vai afetá-lo tanto.

Quando o governo amplia suas atividades no fornecimento de serviços, isso não afeta diretamente o rico. Os indivíduos menos abastados precisam utilizar serviços estatais por necessidade. Já o rico usa por opção.

Se a qualidade da escola estatal for ruim, o rico consegue pagar uma mensalidade em uma escola privada. Se você gasta horas em filas de hospitais estatais, o rico pode pagar uma consulta em um hospital particular.

Ricos podem defender a desmilitarização da Polícia Militar: moram em bairros seguros e com bastante policiamento ou muitas vezes em condomínios com muros altos, seguranças privados e câmeras vinte e quatro horas. O pobre depende exclusivamente da segurança pública.

O aumento da inflação não pesa a mesma coisa para todos. Se a inflação faz o valor da compra do mês no mercado subir de R$ 800 para R$ 900, esses R$ 100 reais de aumento significam 6,7% da renda de uma pessoa que recebe R$ 1.500 reais — enquanto, para a pessoa que recebe R$ 10 mil, o aumento é de 1%. A inflação machuca muito mais o pobre.

Além disso, os ricos podem comprar títulos públicos que são baseados na inflação, podem mandar seu dinheiro para outros países ou investir em empresas que os retornos são maiores que a inflação. Já o pobre só tem o trabalho. Se ele não pode se mudar de país, ele fica preso e indefeso contra a inflação.

Funcionários públicos também estão inclinados a votar em candidatos que têm simpatia ou prometem manter ou expandir o setor público. Isso significa que seus empregos estão assegurados. No Brasil, é muito mais atraente trabalhar no setor público. Pessoas com mesma escolaridade e funções semelhantes, recebem 72% a mais que um trabalhador do setor privado. Os salários também crescem muito mais no setor público.

Para os megaempresários, isso também é benéfico, visto que a esquerda os protege da concorrência nacional e internacional. Já para o pobre, proteger empresas significa que ele vai ter acesso a menos produtos e produtos mais caros.

Proteger significa menor concorrência, menor concorrência significa maiores lucros para essas empresas em setores protegidos. Os empresários empregam muitas pessoas, e uma falência pode custar muitos votos dos trabalhadores revoltados com seus empregos perdidos.

Não à toa, um dos maiores oligarcas do Brasil, Rubens Ometto, tentou aproximação com o presidente Lula depois de sua vitória em 2022. Uma garrafa de vinho de R$ 5 mil reais junto com um cartão escrito à mão: “Caro Presidente, conforme prometido, espero que goste!!! Abraços”.

Ometto é dono de uma fortuna estimada em R$ 45 bilhões e é um dos maiores oligarcas do Brasil. Diferentemente de mim, de você, eleitor, e de uma pessoa que recebe R$ 2 mil, Ometto depende muito mais da aproximação política. A concorrência é muito danosa para os seus grandes lucros. Quanto maior o poder do Estado de regular, tributar, subsidiar, proteger, contratar e punir, maior o incentivo para grupos tentarem capturar esse poder. Isso significa que o Estado se torna uma arena em que quem tem mais recursos tende a jogar melhor o jogo.

O apoio de parte dos mais ricos à esquerda não é uma contradição. Ele pode ser explicado pelo fato de que elites econômicas, culturais e burocráticas conseguem capturar benefícios do Estado ou se proteger dos custos das políticas que defendem. Já os mais pobres e a classe média baixa vivem diretamente os efeitos de inflação, serviços públicos ruins, insegurança e baixa mobilidade socioeconômica.

*Artigo publicado originalmente na Revista Oeste.

















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/por-que-o-pt-e-o-queridinho-dos-ricos/

Jorge Messias e a Dosimetria: quando o Congresso é vilão

    Carlos Junior


O fato político mais relevante foi a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Por 42 votos contrários a 32 favoráveis, o advogado-geral da União viu o seu nome barrado para a mais alta instância do Judiciário brasileiro – fato que não ocorre desde 1894. A surpresa foi enorme: além de o fato ser incomum, ainda se vendia – com muita gente disposta a comprar – a imagem do presidente Lula como articulador infalível. De nada adiantou.

Mal se tinha o resultado e já havia quem apontasse o pai da criança. Muitos apontam para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP); outros falam no ministro do STF, Alexandre de Moraes. Seja lá quem for, o que me parece algo patente é que o governo sofreu um abalo com potencial de virar terremoto. Ter um nome rejeitado para o Supremo é sinal inequívoco de fraqueza, e, com uma eleição batendo à porta, não haveria momento pior.

A derrota de Messias não estava no radar, ao contrário da derrubada do veto ao PL da Dosimetria. Pedra cantada pelo meio político, a reação do Congresso ao Planalto foi entendida pelas esquerdas como uma traição imperdoável, pois a nossa pujante democracia precisa colocar idosas com Bíblia na mão na cadeia por quase – ou mais de – duas décadas. Essas mesmas pessoas que gritam “Sem Anistia” pertencem a uma corrente política que foi generosamente beneficiada pela Anistia de 1979 – sem falar que o Brasil é um país com tradição pacífica por já ter concedido 48 anistias em sua história.

Coerência não é – e nunca foi – o ponto forte das esquerdas. Espinafrar o Congresso Nacional exemplifica mais uma das suas várias contradições.

Recordo que as manifestações no começo do Governo Bolsonaro pediam a aprovação das reformas – previdência, administrativa e pacote anticrime – e criticavam duramente o Congresso na figura do então presidente da Câmara Rodrigo Maia. O que fez a esquerda? Saiu em defesa de Maia e do resto da classe política, tratando crítica como ataque e semeando as bases da narrativa que desaguou nos supremos inquéritos intermináveis. Unida ao establishment quase de forma siamesa, seus acólitos trataram o único movimento político antissistema – ao menos até então – como golpista e antidemocrático por desempenhar o mesmo papel dos militantes petistas da década de 1990 na famigerada campanha ‘’Ética na Política’’ – ela não passava de um engodo desmascarado por Olavo de Carvalho em O Jardim das Aflições, enquanto a primeira é a variante brasileira de um fenômeno mundial: a revolta do homem comum contra as elites do Deep State.

Utilizada pelo bolsonarismo, a antipatia ao estamento burocrático era malquista por quem tanto a estimulou. Empreendida pelo adversário, foi demonizada. Os mesmos políticos do Centrão que foram tachados de golpistas por votarem pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff viraram fiadores da democracia. Ou alguém esqueceu o simbólico apoio petista à candidatura do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara? Um parlamentar do partido algoz em 2016 virou sinônimo de defesa da democracia e das instituições em menos de cinco anos, numa metamorfose no mínimo curiosa.

Nessa época, uma das pautas dominantes do debate público era a questão do voto impresso. A ideia consistia em dar mais transparência ao processo de votação ao ser emitido um comprovante após a votação, garantindo de forma inconteste a lisura do sistema eleitoral ao permitir possíveis recontagens nos moldes de qualquer democracia liberal típica do Ocidente. Pois bem, após suprema pressão, a iniciativa foi derrubada na Câmara – mesmo com apelo popular da base bolsonarista. Não vi ninguém das esquerdas espinafrar o trabalho dos deputados, falar em ‘’Congresso inimigo do povo’’ e gritar palavras de ordem contra parlamentares. Quando interessa, o Parlamento é bom. Eis a síndrome de Haddad.

A verdade é que a esquerda nunca conviveu harmonicamente com a democracia. Enquanto clandestina e aceitando alguma participação eleitoral no antigo PTB, tentou tomar o poder através das guerrilhas – quem disser que elas foram uma resposta ao golpe militar está mentindo, pois os documentos apresentados no livro 1964: o Elo Perdido comprovam a existência de braços armados do PCB antes do golpe empreendido pelos militares. Uma vez estabelecida a Nova República, aplicou ipsis litteris a estratégia gramsciana de ocupação de espaços e reinou sozinha até o primeiro grande tombo: o impeachment da ex-presidente Dilma, quando o povo tomou as ruas e expressou de forma inequívoca a sua rejeição ao esquerdismo hegemônico.

Antes disso, houve o Mensalão, esse sim um golpe mortal ao regime democrático. Petistas de primeiro escalão negociaram a compra de apoio parlamentar para a aprovação de projetos do interesse do governo, colocando o Congresso de joelhos. Veja só: através da barganha financeira, corromperam um dos três poderes da República – mesmo expediente utilizado no Petrolão. E agora querem posar de defensores da democracia. Tenha dó.

A revolta da esquerda que se quer vender como moralista contra o Congresso não é contra práticas execráveis, mas pelos recentes resultados. É a mesma lógica observada na ladainha contra as emendas de relator: eram ruins no Governo Bolsonaro e agora, quando o Congresso vota contra o presidente Lula, mas não se dá um pio contra elas na hora das vitórias parlamentares da atual administração. Fosse outra a sorte de Jorge Messias, nem lembrariam dos R$ 12 bilhões liberados antes da votação.












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