Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Corrupção: um dado do problema

   Og Leme


O noticiário sobre corrupção passou a fazer parte do nosso dia a dia. Já nem deveria causar surpresa ou disputar os custosos espaços dos jornais ou das televisões. Mas ainda desperta interesse, talvez mais pelos nomes das pessoas envolvidas do que necessariamente pela própria corrupção.

O surpreendente não deveria ser a corrupção, e sim a surpresa popular diante dela. Corrupção e hipertrofia do setor público são a cara e a coroa de uma mesma moeda; a concentração de poder tende a gerar coerção e concessão de privilégios. A correlação é universal; não há qualquer coisa de errado com o caráter do brasileiro (se é que tal coisa existe) que possa responsabilizá-lo pela onda de bandalheiras que estamos presenciando, e talvez nem essa onda esteja aumentando, mas simplesmente sendo mais divulgada. Não que nós brasileiros sejamos santos, mas tampouco somos demônios. Na realidade, somos uma interessante combinação das duas coisas, como o são também todos os povos do mundo. Que se saiba, nenhum povo já fez o suficiente para merecer o céu, e todos têm créditos no purgatório.

Aparentemente, um dos atributos da condição humana é essa sua simultânea vocação para o bem e para o mal. Se isso é verdade, deve ser tomado como “dado do problema”, isto é, algo que inelutavelmente existe, algo com que temos que viver aqui, no Japão, na Inglaterra, na Holanda, em qualquer país. Não se pode – e nem se deve, pois seria imoral – mudar o caráter das pessoas. Mas pode-se levá-las a mudar de comportamento: as pessoas se comportam de forma diferente de acordo com o sistema ou a ordem social em que estejam inseridas. Um brasileiro em Zurich se comporta – ou procura comportar-se – de acordo com aquilo que ele julga ser a “expectativa de comportamento” local, e que é bem diferente da existente no Brasil.

O surpreendente não deveria ser a corrupção, e sim a surpresa popular diante dela. Corrupção e hipertrofia do setor público são a cara e a coroa de uma mesma moeda

Não podemos e nem devemos mudar o caráter dos brasileiros, mas podemos alterar o seu comportamento. Como? Com a redução do tamanho do setor público; com a atribuição a cada cidadão brasileiro da responsabilidade pelos seus atos, simultaneamente com a liberdade para realizá-los; com a eficácia da justiça. Redução do tamanho do setor público significa, na prática, atribuir ao governo apenas a solução de problemas que os indivíduos, no exercício de seus direitos fundamentais, não possam adequadamente solucionar. E eficácia da justiça significa que as pessoas suspeitas de alguma ilicitude devem ser processadas e, se julgadas culpadas, devem ser punidas.

Isso significa, na prática, a institucionalização do Estado de Direito e da economia de mercado. Significa, na prática, colocar o governo no seu devido lugar, deixando com ele apenas os problemas que os agentes particulares, em suas interações livres e responsáveis, não sejam capazes de solucionar satisfatoriamente. É o que a extinta União Soviética e o Leste Europeu estão tentando agora fazer. É o que fizeram com êxito vários países da franja asiática, o que o Chile fez a partir de 1973 e o que o México fez sob a liderança do Presidente Salinas. Reduzir poderes e tarefas do governo, privatizar, desregulamentar, abrir o setor externo, liberar preços, acabar com privilégios, cartórios e subsídios, reequilibrar as contas públicas, via redução de gastos e não aumento de impostos, disciplinar a oferta monetária, devolver aos cidadãos a sua autonomia individual.












PUBLICADAEMhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/corrupcao-e-um-dado-problema/

Eleitor, lembre-se de que Lula é o STF e o STF é Lula

 Gabriel Wilhelms 


Nas últimas semanas, o circo no qual se converteu o STF tem se tornado um ônus para Lula, com reflexos em pesquisas recentes que têm apontado uma possível vitória de Flávio Bolsonaro. Como não duvido de que nas próximas semanas o petismo inicie um movimento de descolamento da suprema corte e de Moraes, faz-se mister recordar que eles são uma e só coisa.

Antes de tudo, Lula só se tornou presidente pois a corte decidiu reabilitá-lo eleitoralmente. Chegando à presidência pela terceira vez, Lula não dispunha de governabilidade e, se governou nos últimos quatro anos, foi escorado no tribunal, o qual detém o poder no Brasil hoje. Não se trata de opinião desse réles articulista, mas de fato confesso pelo próprio Lula em julho do ano passado ao dizer que não conseguiria governar sem recorrer ao STF.

No que concerne ao autoritarismo, o governo Lula tem sido um sócio fiel da suprema corte, formando com ela um consórcio autoritário totalmente em linha com as ditaduras historicamente defendidas pelo Partido dos Trabalhadores. O governo atual tem atuado energicamente pela censura nas redes sociais, vem perseguindo críticos e usado a Polícia Federal como uma verdadeira Gestapo para intimidar cidadãos que se manifestam contra Lula.

Do lado da corte, para além do que já mencionei, trago exemplos colhidos apenas nos últimos dias (o leitor pode extrapolá-los para o resto do período precedente).

Um jantar na casa de Moraes, que reuniu Lula e Alcolumbre, teria tido como objeto a discussão sobre formas de fragilizar Mendonça, relator tanto do caso Master quanto do INSS. Essa articulação ocorreu antes de Mendonça pedir que Moraes fosse investigado. Fragilizar Mendonça é de especial interesse de Lula, já que ele é responsável pelos inquéritos que investigam as relações de seu filho com o careca do INSS e a lobista Roberta Luchsinger.

Em conversa com Lula, Gilmar Mendes culpou o governo pela atual crise. Ora, se a corte se mostrou tão prestativa para com o atual mandatário nos últimos anos, só podemos concluir que o decano reclamava de uma possível falta de reciprocidade no promíscuo escambo.

Já nesta semana, o governo articulou uma bela “passada de perna” em Fachin, em conluio com ministros da corte. Enquanto Fachin debatia com o governo uma “solução” para o afastamento de Andrei Rodrigues da PF, conforme determinado por André Mendonça e pela segunda turma, o governo articulou por suas costas o movimento que assistimos na quarta: Dino anulando o afastamento referendado pela segunda turma e passando por cima do presidente da corte.

Isso só nas últimas semanas, meus caros. Lembremos ainda que a turma de Moraes tem protagonizado o esvaziamento do TSE (cujo poder de polícia foi turbinado enquanto ele o presidia) com o fim de deslocar para o STF o poder de decidir sobre questões eleitorais. Moraes já ameaçou, por exemplo, a possibilidade de inegibilidade de Flávio Bolsonaro. Ministros do STF atuando nos bastidores em prol da reeleição de Lula teriam até mesmo chantageado um cacique do centrão para que ele negasse apoio a Flávio, conforme noticiou William Waack. A “neutralidade” de diversas legendas do Centrão no pleito atual, legendas usualmente ávidas por alianças, não pode ser outra coisa senão produto de chantagem e temor de perseguições.

O sistema, como disse em meu último artigo, está podre, e esse sistema possui, atualmente, uma relação simbiótica com Lula. Não existe derrotar um sem derrotar o outro. Lembre-se, eleitor, de que Lula é o STF e o STF é Lula.

Fonte:

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/lula-diz-que-nao-governa-se-nao-for-ao-stf-cada-macaco-no-seu-galho/

https://oglobo.globo.com/blogs/bela-megale/post/2026/09/em-conversa-com-lula-gilmar-mendes-aponta-culpa-do-governo-na-crise-do-stf.ghtml

https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/08/jantar-na-casa-de-moraes-com-lula-e-alcolumbre-teria-tratado-de-como-fragilizar-mendonca.ghtml

https://www.poder360.com.br/poder-justica/planalto-engana-fachin-e-articula-volta-de-andrei-com-dino/

https://www.estadao.com.br/politica/william-waack/eleicoes-acirram-disputas-internas-de-grande-relevancia-no-stf/












PUBLICADAEMhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/eleitor-lembre-se-de-que-lula-e-o-stf-e-o-stf-e-lula/

Análise de Augusto Nunes: 'Lula e ministros do STF acabaram com o Judiciário no Brasil'

 revistaoeste/



Análise de Augusto Nunes: 'Lula e ministros do STF acabaram com o Judiciário no Brasil'


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https://www.youtube.com/watch?v=W4oINf2dKPs

A PONTE FANTASMA DE 11 BILHÕES DE REAIS

 AFONSOFERREIRA/FACEBOOK


A PONTE FANTASMA DE 11 BILHÕES DE REAIS



O BRASIL TEM CURA? ESSE STF NÃO TEM. O RESTO QUEM VAI DECIDIR É O ELEITOR.

 fernãolaramesquita/youtube


O BRASIL TEM CURA? ESSE STF NÃO TEM. O RESTO QUEM VAI DECIDIR É O ELEITOR.



EDUCAÇÃO FINANCEIRA BÁSICA

BRUNOFALCHETE/FACE


EDUCAÇÃO FINANCEIRA BÁSICA 



Waack: Incapaz de decidir, Supremo amplia a crise | WW

 cnn/youtube


Waack: Incapaz de decidir, Supremo amplia a crise |


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https://www.youtube.com/watch?v=WQuasvMJwBY


E OS PETISTAS AINDA O AGRADECEM....

 BRUNOFALCHETE


E OS PETISTAS AINDA O AGRADECEM....




NIKOLAS FERREIRA DETONA SESSÃO DO STF E EXIGE PRISÃO DE ENVOLVIDOS: "MINHA PACIÊNCIA ACABOU"

 itatiaia/youtube


NIKOLAS FERREIRA DETONA SESSÃO DO STF E EXIGE PRISÃO DE ENVOLVIDOS: "MINHA PACIÊNCIA ACABOU"


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https://www.youtube.com/watch?v=_WYHAkSbyZk

"O STF Virou Terapia de Grupo Televisionada" — Rubinho Nunes Analisa o Bate-Boca Moraes x Mendonça

 rubinhonunes/youtube


"O STF Virou Terapia de Grupo Televisionada" — Rubinho Nunes Analisa o Bate-Boca Moraes x Mendonça

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https://www.youtube.com/watch?v=9OanMBLzlsk

mais uma gigante que deixa o país

 pablospyer/facebook


mais uma gigante que deixa o país



98% é dinheiro público

 apavoradores


98% é dinheiro público 



POVO BRASILEIRO ESTÁ EXTREMAMENTE ENGANADO

 RONY GABRIEL


POVO BRASILEIRO ESTÁ EXTREMAMENTE ENGANADO



terça-feira, 15 de setembro de 2026

Crise no STF: a exceção chegou ao espelho

 Alex Pipkin 


Durante anos, o “O Grande Supremo” nos pediu uma concessão moral. O Brasil vivia tempos excepcionais, a democracia corria perigo, e, portanto, seus guardiões precisavam fazer coisas excepcionais para salvá-la. Inquéritos incomuns, poderes elásticos, interpretações criativas. Tudo provisório, evidentemente. A democracia seria devolvida ao dono assim que terminasse o incêndio.

Claro que o incêndio nunca terminou. Brasília descobriu que, com algum juridiquês, uma filigrana constitucional e o inimigo adequado, é perfeitamente possível manter o extintor funcionando a gasolina. Alexandre de Moraes tornou-se a expressão máxima dessa doutrina. Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e companhia ajudaram a lhe dar verniz moral. Não estavam simplesmente exercendo poder, mas salvando a democracia.

Sim. Quem salva a democracia, aprendemos, pode permitir-se certas extravagâncias com o Estado de Direito. Até que a exceção chegou ao espelho. A doutrina do “vale-tudo” só funciona enquanto a mira aponta para fora. Quando o canhão gira para dentro do tribunal, aquilo que ontem se chamava excepcionalidade revela seu destino mais antigo; verdadeiramente o arbítrio.

André Mendonça cometeu uma inconveniência quase subversiva para os padrões “democráticos” de Brasília. Diante de fatos graves, resolveu tratá-los como fatos graves. Não como deselegâncias entre colegas, acidentes de WhatsApp ou assuntos a serem resolvidos na chapelaria do tribunal. Fez aquilo que se espera de um juiz, ou seja, mandou apurar.

Então, claro, começou o espetáculo. Paulo Gonet pediu a nulidade da apuração. Moraes voltou sua artilharia contra Mendonça. De repente, o grande problema parece não ser o que apareceu, mas o sujeito que teve a audácia de levantar o tapete supremo imundo. Conhecemos o truque. Foi pela porta processual que o Supremo anulou as condenações de Lula, declarando incompetente a Vara de Curitiba e mandando para o lixo anos de Lava Jato. O CEP derrotou os autos. Agora oferecem novamente ao brasileiro a velha mágica nacional. Que se discuta furiosamente o embrulho até que todos esqueçam o que havia dentro.

Isso não é preciosismo jurídico. É uma inversão moral. A Torá resolveu o assunto antes que Brasília aprendesse latim: “Justiça, justiça perseguirás”. A repetição não é pleonasmo. Ensina que os meios para buscar a justiça devem ser tão limpos quanto o fim desejado. Vale para o amigo, para o inimigo e, sobretudo, para quem julga.

Moraes deve declarar-se impedido. Inquestionável até para seus “companheiros”. Gonet não deveria ajudar a fechar a porta atrás da qual aparece seu próprio nome. Não é condenação, é higiene institucional. Durante anos, disseram que precisávamos da exceção para proteger a democracia dos seus inimigos. Funcionou tão bem que agora precisamos proteger a democracia dos donos da exceção.

Nunca fui dado a saudosismos. Quem dirige olhando pelo retrovisor costuma acabar no poste. Mas, diante do Supremo de hoje, permito-me uma exceção. Sinto uma falta danada de uma velha instituição brasileira que parece ter sido julgada inconstitucional em Brasília. A vergonha na cara.









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Por que o paternalismo trabalhista é péssimo para o Brasil?

  Og Leme


Nossas leis trabalhistas estão reunidas na chamada CLT. Foram inspiradas na Carta del Lavoro do fascismo italiano e surgiram em nosso país na ditadura de Vargas, da mesma maneira que surgiram na Argentina na ditadura peronista. A nossa Constituição de 1988 sanciono06u as leis laborais de Vargas; nos dois casos impera a visão paternalista do legislador, provavelmente cheia de boas intenções, mas de consequências ruinosas para os trabalhadores e toda a sociedade brasileira.

As leis trabalhistas brasileiras mais do que duplicam o valor das folhas de pagamentos, comprometendo a competitividade dos produtos brasileiros no exterior e estimulando a substituição do fator relativamente menos escasso (o trabalho) pelo mais escasso (o capital na forma de máquinas e tecnologia). Na realidade, elas conspiram contra o nível de emprego e a eficiência média da economia nacional, mantendo o padrão de vida dos brasileiros abaixo do que poderia ser na ausência daquelas leis.

O salário mínimo tem por finalidade “assegurar” um mínimo de renda de subsistência para o trabalhador menos qualificado. É exatamente esse trabalhador que tende a ser despedido nos momentos de dificuldade de qualquer empresa (ou não ser contratado). O salário mínimo prejudica especialmente os mais pobres, que são os menos qualificados.

A legislação relativa à mulher empregada tem a nobre finalidade de proteger o sexo “frágil”, mas acaba discriminando-o. Ao encarecer enormemente a  remuneração devida às trabalhadoras, as leis trabalhistas levam os empregadores a contratar homens no lugar de mulheres.

Deformações como essas, que dramatizam as diferenças entre boas intenções e más consequências, são típicas da nossa legislação trabalhista, que engessa, entorpece e entorta o mercado laboral.

Não há espaço aqui para ir além dos poucos exemplos. Mas o espaço restante comporta ainda algumas críticas adicionais. O paternalismo das leis trabalhistas brasileiras é tal que chegou a inspirar-se nas leis penais que privilegiam o réu: in dubio, pro reu, ou seja, havendo dúvida, é o trabalhador que deve ser privilegiado, em detrimento do empregador. É o mesmo tipo e orientação que os partidários da Justiça Alternativa adotam.

Mais ainda, o empregado não pode abrir mão de seus “direitos”, o que torna ainda mais engessado o mercado de trabalho que, no caso brasileiro, não é a rigor um mercado, e cada vez vê mais reduzida a sua capacidade de empregar. Esse impedimento gera, entre outras coisas, desemprego, economia informal e crimes.

Muito no espírito fascista das nossas leis trabalhistas, consta que o novo governo pretende reduzir a jornada de trabalho semanal para 40 horas. Novamente a boa intenção resultará em péssimo resultado: baixa de produtividade e do nível de emprego.

É preciso que se compreenda que o mercado de trabalho, para ser mercado e gerar eficiência, deve propiciar a livre pactuação de contratos eficazes e assegurar a liberdade de entrada de novos trabalhadores no mercado, o que implica a inexistência de reservas de mercado, criadas pela regulamentação de profissões. O sindicalismo deve ser voluntário, e o imposto sindical deve ser abolido.

Países europeus estão passando por dificuldades atuais em seus mercados de trabalho devido às suas leis paternalistas que geram desemprego. Por que motivo o resultado seria diferente entre nós?














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STF e caso Master: distração sem fim ou fundamento negligenciado?

   Lucas Berlanza 


É corriqueiro que o noticiário político brasileiro se assemelhe a uma sucessão de capítulos emocionantes de uma série ou novela. Thriller de gângsteres, comédia, drama, pitadas de cada gênero se misturam para formar um espetáculo de entretenimento enquanto o país afunda em suas fragilidades e contradições.

Os primeiros dias deste mês de setembro compuseram uma temporada eletrizante. O abismo em que submergimos foi de tal monta que mesmo jornalistas de veículos de grande expressão se permitiram dizer que o Supremo Tribunal Federal (STF) como o conhecemos está em frangalhos, arruinado pelos seus próprios ocupantes, algo que pregávamos há anos pagando o preço de sermos tratados por “fascistas”, “extremistas” ou “golpistas”.

A atitude de André Mendonça de autorizar a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) revelando a proximidade entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, em diálogos por aplicativo de mensagens desnudados aos olhos de todos os brasileiros interessados, provocou um verdadeiro terremoto no tribunal supremo do país. Mobilizaram-se os ministros em duas frentes: aqueles que aceitam os fatos e aqueles que querem garantir que a população “desveja” o que viu.

No momento em que escrevo estas linhas, aqueles que desejam fazer com que nada tenha acontecido contam com o apoio de um sistema de blindagem englobando os presidentes das casas legislativas, o procurador-geral da República, o diretor-geral da PF e o próprio governo federal, cuja administração só existe porque os aliados no STF o deixam governar. Porém, encaram uma grande e inédita dor de cabeça, pois o desafio que lhes é apresentado não mais provém de protestos em rede social, manifestações pacíficas de cidadãos comuns, senhorinhas com Bíblias na mão, mães revoltadas que picham estátua com batom ou vândalos que quebraram peças em instalações quase vazias, mas de dentro da própria suprema corte, com eco na grande imprensa e em entidades expressivas da sociedade civil.

Diante desse pandemônio instaurado — e digo, antes tarde do que nunca —, levantam-se vozes, inclusive nessa própria imprensa, dizendo que tudo é uma grande distração, um vergonhoso “bate-boca” de elites, enquanto deveríamos estar discutindo a educação, a saúde, o orçamento e outros temas nacionais às vésperas de uma eleição. Lamenta-se que, em vez de propostas ou qual seria o melhor candidato a cada cargo, estejamos “antenados” em escândalos protagonizados pelo Judiciário.

STF, Moraes e Master

É claro que gostaria muito de estar em um país em que pudéssemos discutir temas tão importantes com mais profundidade, mas essas vozes estão atrasadas, só para variar um pouco. Se o que vemos agora é uma “distração”, que dirão dos pelo menos quatro anos de distração sem fim que tivemos, em que praticamente o tempo todo nada mais parecia importar do que o abstrato combate aos radicais da “extrema direita”, o desmantelamento do terrível “golpe de 8 de janeiro” e o louvor aos heroicos magistrados que “salvaram a democracia” ao lado de Lula?

Se atentar para o desvelamento da “podridão” togada é uma distração, o infindável “martelar” de um golpe que nunca existiu tentou nos “distrair” por todo esse tempo de um governo que também nunca teve nada a apresentar. Não estamos “distraídos” de fato, porque o que temos diante de nós, ao olhar para a parcialidade política que busca ser reconduzida ao Planalto, é um imenso vazio de ideias aproveitáveis e um amontoado de ações malfazejas. Em vez de distração, eu diria que a grande mídia está finalmente, embora ainda longe do ângulo correto, dando atenção ao que mais importa.

Digo “longe do ângulo correto” porque o maior problema de Alexandre de Moraes e do STF não está em ligações com o caso Master ou com Daniel Vorcaro. Está na censura da Crusoé em 2019. Também está na crescente partidarização ou politização dos ministros, à caça de influência e holofotes. Está na violação do princípio do juiz natural e de uma série de outros alicerces jurídicos e direitos fundamentais para condenar draconianamente pessoas como Débora Rodrigues ou o falecido Clezão. O maior problema está na intrusão dos ministros do STF em negociações políticas. Está na censura de filmes ou reportagens para tentar garantir um resultado eleitoral. O problema está na extrema tolerância à destruição do Estado de Direito.

Esse é um fundamento que tem sido negligenciado por tempo demais. Continua, lamentavelmente, não sendo o centro das atenções. As pessoas estão mais preocupadas com a corrupção do que com a essência autoritária, em si mesma, da hipertrofia do Poder Judiciário. Mesmo assim, os togados estarem no centro do escândalo é um apontamento na direção certa. A discussão das questões estruturais e sociais do país depende de que as correntes políticas possam se expressar e associar livremente em um cenário de respeito às regras do jogo. Preocupar-se com isso nunca será “distração”.

*Artigo publicado originalmente na Revista Oeste.













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