Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Tarifas: a armadilha que parece proteção

  Isaías Fonseca 


Quando proteger alguns significa cobrar de todos, poucas palavras na política econômica parecem tão reconfortantes quanto “proteção”. Proteger empregos, proteger a indústria nacional, proteger o produtor, proteger o país da concorrência estrangeira. À primeira vista, a proposta parece simples e até generosa. Se produtos estrangeiros competem com os nacionais, basta criar barreiras para dificultar sua entrada. Assim, imaginamos, a indústria local crescerá, os empregos serão preservados e a economia nacional se fortalecerá. Mas a economia raramente é tão simples quanto os slogans políticos. A pergunta que o pensamento liberal nos convida a fazer é outra: proteção para quem e paga por quem? Uma tarifa é, em sua essência, um imposto aplicado sobre produtos importados. Ao encarecer artificialmente aquilo que vem de fora, ela reduz a concorrência e oferece uma vantagem aos produtores protegidos. Mas esse benefício não surge do nada. O custo aparece nos preços, nas escolhas dos consumidores e nos custos de produção de outras empresas.

A Organização Mundial do Comércio observa que as tarifas elevam o preço doméstico dos produtos importados e podem produzir efeitos mais amplos sobre inflação, competitividade e comércio internacional. Além disso, medidas tarifárias podem provocar retaliações, transformando uma promessa de proteção em uma disputa que prejudica diferentes setores da economia. A tarifa, portanto, pode ser uma proteção para alguns, mas frequentemente se transforma em uma conta para todos. Poucos pensadores liberais compreenderam tão bem as armadilhas do protecionismo quanto o economista e escritor francês Frédéric Bastiat.

Bastiat tornou-se famoso por sua capacidade de revelar os efeitos invisíveis das políticas públicas. Para ele, uma boa análise econômica não deveria observar apenas aquilo que acontece imediatamente diante dos nossos olhos. Era preciso considerar também aquilo que deixa de acontecer. Essa é a essência de sua famosa distinção entre “o que se vê e o que não se vê”. Quando uma tarifa protege uma determinada indústria, aquilo que vemos é bastante claro. Vemos a empresa protegida, os empregos que permanecem, o discurso político celebrando a defesa da produção nacional. Mas o que não vemos? Não vemos o consumidor que paga mais caro, não vemos a pequena empresa que utiliza produtos importados como matéria-prima e passa a ter custos maiores, não vemos os investimentos que poderiam ter sido feitos com o dinheiro gasto em preços artificialmente elevados, não vemos os setores exportadores que podem sofrer quando outros países respondem com novas tarifas. A proteção é visível. O custo, disperso. E é justamente por isso que o protecionismo pode ser politicamente tão sedutor.

Existe uma ilusão comum segundo a qual uma tarifa é uma punição aplicada ao país estrangeiro. Mas a realidade econômica é mais complexa. Quando um governo impõe uma tarifa sobre um produto importado, o preço pago dentro do país tende a aumentar. Dependendo das circunstâncias, parte do custo pode ser absorvida por produtores estrangeiros, importadores ou outros participantes da cadeia. Mas estudos e análises econômicas mostram que as tarifas podem ser repassadas aos preços domésticos e afetar diretamente consumidores e empresas.

Uma família de baixa renda não deixa de ser prejudicada porque o imposto foi colocado sobre um produto que atravessou uma fronteira. Se ela precisa pagar mais por roupas, alimentos, equipamentos ou outros bens, seu orçamento diminui da mesma maneira. Nesse sentido, uma tarifa pode ser compreendida como um imposto que possui uma característica peculiar: muitas vezes é defendido como patriotismo aquilo que, na prática, encarece a vida do próprio cidadão.

Muito antes de Bastiat, Adam Smith já criticava as ideias mercantilistas que defendiam restrições ao comércio e privilégios concedidos a determinados produtores. Para Smith, a prosperidade não surgia do isolamento econômico, mas da capacidade de os indivíduos se especializarem, produzirem e trocarem livremente. Isso não significa que Smith imaginasse um mundo sem dificuldades ou que ignorasse circunstâncias excepcionais. Mas sua contribuição fundamental foi questionar a ideia de que uma nação se torna mais rica simplesmente impedindo seus cidadãos de comprar de quem produz melhor ou mais barato. Afinal, existe uma contradição curiosa no protecionismo. Dentro de um país, geralmente celebramos a concorrência. Queremos que empresas disputem clientes, queremos preços melhores, queremos inovação, mas, quando a concorrência atravessa uma fronteira, alguns passam a tratá-la como uma ameaça.

Por que uma empresa nacional deveria competir com outras empresas nacionais, mas ser protegida da concorrência internacional? A fronteira não transforma automaticamente um produto ruim em bom nem um preço alto em um preço justo. Para o consumidor, o que importa é a qualidade, o preço e a liberdade de escolha.

Essa é talvez a principal confusão presente no debate tarifário. Proteger uma empresa não é necessariamente proteger uma economia. Uma empresa pode ser protegida da concorrência e, ainda assim, tornar-se menos eficiente. Se ela sabe que seus concorrentes estrangeiros serão artificialmente encarecidos, pode enfrentar menos pressão para inovar, melhorar seus produtos ou reduzir custos.  A concorrência, embora desconfortável, possui uma função importante. Ela obriga empresas a se perguntarem constantemente: como podemos produzir melhor? Como podemos atender melhor nossos clientes? Como podemos inovar?

Uma economia protegida em excesso pode criar empresas dependentes da proteção política. Essa é uma das maiores ameaças ao verdadeiro espírito do capitalismo. Uma empresa que vence porque oferece algo melhor ao consumidor está competindo. Uma empresa que vence porque conseguiu convencer o governo a dificultar a entrada de seus concorrentes está buscando um privilégio. O liberalismo não deveria confundir essas duas coisas. O mercado recompensa a preferência do consumidor. O protecionismo pode recompensar a proximidade com o poder.

Tarifas raramente surgem do nada. Elas normalmente são defendidas por grupos específicos que possuem interesse direto na proteção de determinado setor. Isso cria um problema político. Os benefícios da tarifa são concentrados, os custos são espalhados. Uma indústria organizada possui fortes incentivos para fazer lobby por uma proteção que pode aumentar seus lucros ou reduzir a concorrência. Já milhões de consumidores, cada um pagando um pouco mais, possuem menos incentivos para se organizar contra aquela medida. É nesse ponto que a economia encontra a política.

A tarifa pode deixar de ser uma ferramenta de interesse nacional e transformar-se em uma forma de transferência de riqueza dos consumidores para grupos economicamente organizados. A tradição liberal sempre desconfiou desse tipo de privilégio. Adam Smith não era um defensor ingênuo dos empresários. Ele também compreendia que grupos econômicos poderiam buscar vantagens políticas para proteger seus próprios interesses. Por isso, defender o livre mercado não significa defender qualquer empresário. Significa defender um sistema no qual empresas precisam conquistar consumidores e não conquistar privilégios.

Existe outra ironia pouco discutida: uma tarifa não prejudica apenas consumidores. Ela também pode prejudicar produtores nacionais. Muitas empresas dependem de produtos, máquinas, componentes e matérias-primas importadas. Quando esses itens se tornam mais caros, o custo de produção aumenta. Uma fábrica nacional que utiliza aço importado, por exemplo, pode ser prejudicada por uma tarifa criada para “proteger” a indústria siderúrgica. A indústria protegida comemora, mas as empresas que dependem daquele insumo pagam a conta.

A Organização Mundial do Comércio destaca justamente esse efeito: tarifas sobre bens intermediários podem elevar os custos de empresas localizadas em setores posteriores da cadeia produtiva, reduzindo sua competitividade, inclusive nos mercados internacionais. É a famosa armadilha da proteção. O governo tenta proteger uma parte da economia e, sem perceber, ou sem admitir, prejudica outras partes. A economia não é formada por compartimentos isolados, ela é uma rede. Quando uma peça se torna artificialmente mais cara, o efeito pode se espalhar por toda a cadeia produtiva.

Existe ainda um problema internacional. Se um país aumenta suas tarifas para proteger seus produtores, outros países podem responder fazendo exatamente o mesmo. Surge então a chamada guerra comercial: cada governo afirma estar defendendo seus cidadãos, mas, no final, todos enfrentam mercados mais fechados e produtos mais caros.

A história oferece exemplos importantes dos efeitos das escaladas protecionistas. Estudos reunidos pela Organização Mundial do Comércio apontam que barreiras comerciais podem desencadear retaliações e reduzir tanto o comércio quanto o bem-estar econômico. Em episódios históricos de escalada tarifária, as respostas de outros países agravaram as perdas e atingiram inclusive os setores exportadores. A lógica é semelhante a uma corrida armamentista econômica. Um país impõe uma barreira, o outro responde, o primeiro aumenta novamente, e , depois de algum tempo, todos percebem que gastaram mais energia tentando impedir a cooperação do que criando riqueza.

David Ricardo, com sua teoria das vantagens comparativas, ofereceu uma das respostas mais importantes a esse problema: mesmo quando uma nação é mais eficiente em várias atividades, ainda pode haver ganhos na especialização e na troca. O comércio não precisa ser um jogo em que um lado vence e o outro perde. Pode ser uma relação em que ambos ganham.

Um dos maiores erros do protecionismo é imaginar a economia apenas do ponto de vista do produtor, mas toda pessoa é, antes de tudo, consumidora. O empresário consome, o trabalhador consome, o agricultor consome, a família consome. Quando uma tarifa aumenta preços, o impacto não desaparece simplesmente porque determinados empregos foram protegidos. A pergunta que uma sociedade deveria fazer é: por que o consumidor deve ser obrigado a pagar mais para garantir que uma empresa específica enfrente menos concorrência? Essa questão se torna ainda mais importante quando lembramos que famílias de menor renda costuma ser mais sensíveis ao aumento dos preços. Pesquisas reunidas pela OMC indicam que barreiras comerciais sobre bens de consumo podem ter efeitos regressivos, impondo proporcionalmente maiores perdas de bem-estar às famílias mais pobres em determinados contextos.

O protecionismo, portanto, não é necessariamente uma política em favor do trabalhador ou do cidadão comum. Dependendo de sua estrutura, pode funcionar como um mecanismo que encarece justamente aquilo que as famílias precisam comprar.

Defensores das tarifas frequentemente apresentam o argumento da indústria nascente. A ideia parece razoável: uma empresa ou setor novo precisa de proteção temporária até conseguir competir com empresas estrangeiras mais estabelecidas. O problema está na palavra “temporária”. Na política, uma proteção temporária possui uma extraordinária capacidade de se tornar permanente. Depois de alguns anos, a indústria pede mais tempo, depois, argumenta que ainda enfrenta dificuldades, depois, afirma que retirar a proteção colocaria empregos em risco. Aquilo que deveria ser uma medida excepcional transforma-se em uma estrutura permanente de privilégios. A pergunta necessária é simples: Se uma indústria precisa ser protegida para sempre, quando ela se tornará realmente competitiva? A proteção pode resolver um problema de curto prazo, mas também pode impedir que o setor encontre os incentivos necessários para se adaptar. Uma criança precisa de proteção para aprender a caminhar, mas uma proteção que nunca permite que ela caminhe sozinha deixa de ser proteção e transforma-se em dependência.

Para o Brasil, esse debate possui uma importância especial. Um país continental, com enorme potencial agrícola, industrial e tecnológico, não deveria enxergar o mundo apenas como uma ameaça. Deveria enxergá-lo também como um mercado de oportunidades. O Brasil possui empresas capazes de competir internacionalmente. Possui produtores eficientes. Possui criatividade, recursos naturais e uma população empreendedora, mas, para que uma economia cresça, seus cidadãos precisam ter acesso não apenas a mercados para vender, mas também a tecnologias, equipamentos, insumos e ideias produzidas em outros lugares. O isolamento econômico pode parecer segurança, mas, muitas vezes, é apenas isolamento. O mundo moderno é construído sobre redes globais de conhecimento e produção. Fechar portas não torna automaticamente uma economia mais forte. Em alguns casos, apenas torna seus produtos mais caros e suas empresas menos conectadas à inovação internacional.

Talvez seja hora de recuperar uma ideia esquecida: comprar, vender e cooperar com o mundo não é uma traição à própria nação. Pelo contrário, uma economia aberta pode ser uma economia mais capaz de aprender, competir e inovar. O verdadeiro patriotismo econômico não deveria consistir em obrigar os cidadãos a pagar mais caro apenas para provar sua lealdade nacional. Deveria consistir em criar condições para que os brasileiros possam produzir, empreender e competir livremente.

Bastiat compreendeu com grande clareza o absurdo de imaginar que devemos criar obstáculos a nós mesmos porque outros países também possuem obstáculos. Uma tradição liberal posterior resumiu essa lógica com uma comparação provocativa: não faria sentido bloquear nossos próprios portos simplesmente porque outros países possuem costas difíceis. Não precisamos tornar nossa economia mais difícil para provar que somos fortes. Precisamos torná-la mais livre para que possa se tornar mais competitiva.

As tarifas possuem uma enorme força política porque oferecem uma promessa simples para problemas complexos. “Vamos proteger”, mas a pergunta que nunca deve ser esquecida é: quem será protegido e quem pagará pela proteção? Uma tarifa pode preservar empregos em um setor e ameaçar empregos em outro. Pode beneficiar uma indústria e prejudicar milhares de empresas que dependem de seus produtos. Pode oferecer ganhos imediatos a um grupo organizado e distribuir custos invisíveis entre milhões de consumidores. A economia precisa olhar não apenas para aquilo que vemos. Precisa olhar também para aquilo que deixamos de ver.

Adam Smith nos ensinou a desconfiar dos privilégios e a compreender a importância da liberdade de troca. David Ricardo mostrou que a especialização pode criar benefícios mútuos. Bastiat revelou a diferença entre os efeitos visíveis e invisíveis das políticas públicas. Todos eles, cada um à sua maneira, fizeram uma advertência semelhante: quando o governo promete proteger a economia impedindo a concorrência, é preciso perguntar se está realmente protegendo a sociedade ou apenas protegendo determinados interesses da sociedade. A verdadeira prosperidade não nasce de muros cada vez mais altos. Nasce da capacidade de produzir, inovar, trocar e competir, porque, no fim, uma economia não se torna forte quando seus cidadãos são impedidos de escolher. Ela se torna forte quando seus cidadãos têm liberdade para criar, e talvez essa seja a maior armadilha das tarifas: elas parecem proteção porque o benefício possui um rosto, mas o custo, espalhado entre milhões de pessoas, quase sempre permanece invisível.



















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/tarifas-a-armadilha-que-parece-protecao-2/




Já vimos esse filme, e o final piora

 Caio Gottlieb

Boletim meteorológico costuma ser lido com algum ceticismo, mas certas previsões dispensam o guarda-chuva e recomendam logo o abrigo.


É o caso do diagnóstico traçado pelo economista Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia de Jair Bolsonaro, ex-secretário de Política Econômica e um dos principais nomes da equipe econômica da gestão anterior.

Em análise publicada na rede X e repercutida pelo jornalista Vandré Kramer na Gazeta do Povo, Sachsida descreve o que um quarto mandato de Lula reservaria ao país: uma crise fiscal profunda, com consequências “econômicas, sociais e institucionais difíceis de reverter”.

O roteiro do temporal tem três frentes já bem conhecidas: um novo governo petista tenderia a gastar mais, hostilizar o mercado e contar com a blindagem do Supremo Tribunal Federal.

A corte, adverte o economista, continuaria invadindo matérias fora de sua competência e recorrendo a “inquéritos e procedimentos controversos contra quem ousasse questioná-lo”. Toga como para-raios, gastança como chuva de granizo.


Os números confirmam que o céu já está carregado. Em junho, segundo o Banco Central, a dívida pública alcançou 81,9% do PIB, o maior nível desde abril de 2021, quando o país ainda operava sob as medidas emergenciais da Covid. São 10,3 pontos percentuais acima do patamar herdado por Lula em janeiro de 2023.

O Boletim Focus estima que o endividamento chegue a 100% do PIB em 2034, e a Instituição Fiscal Independente, do Senado, antecipa a marca para 2031. Até a projeção mais otimista do mercado, a do BTG Pactual, aponta 86,4% ao fim de 2027, enquanto a XP prevê crescimento na casa de 1%, o mais fraco desde a crise sanitária.

Com dívida em trajetória explosiva, juros nas alturas e expectativas em deterioração contínua, Sachsida vê o Brasil desembarcando em 2028 no olho do furacão. É nessa hora, alerta ele, que brotam as soluções heterodoxas: “intervenção crescente na economia, tentativas de controlar o câmbio, restrições ao fluxo de capitais”.


O receituário clássico de quem combate incêndio com gasolina e depois culpa o vento.

Como se o prognóstico já não fosse sombrio o bastante, a análise foi escrita antes do primeiro turno, e as urnas se encarregaram de engrossar as nuvens.

O novo Congresso sai significativamente mais à direita, tanto na Câmara quanto no Senado. Lula atravessou o terceiro mandato em minoria, sobrevivendo de alianças esporádicas, costuradas votação a votação, emenda a emenda. Diante do novo desenho do Legislativo, governar deixaria de ser tarefa árdua para virar impossibilidade aritmética.

E presidente sem votos no plenário costuma buscar atalhos no Judiciário, o que leva a conversa de volta ao guarda-costas de toga.


Se o futuro preocupa, o passado recente tampouco recomenda. O jornalista Fabio Calsavara, também na Gazeta do Povo, catalogou dez compromissos de campanha que Lula deixou pelo caminho.

O primeiro, acabar com o sigilo de cem anos, virou peça de humor involuntário: o candidato que demonizava a prática do antecessor não hesitou em aplicá-la, já em 2023, à agenda da primeira-dama Janja.

A rede nacional e universal de atendimento a mulheres vítimas de violência não saiu do papel, e milhares de municípios permanecem sem esse amparo especializado.

A universalização do saneamento esbarra em 33 milhões de brasileiros sem água potável e 90 milhões sem coleta de esgoto, segundo o Instituto Trata Brasil.


O Ministério da Segurança Pública, vendido como prioridade no combate ao crime organizado, foi engavetado ainda na transição, e a PEC que deveria ressuscitá-lo dorme no Parlamento, aguardando despacho.

O fim do orçamento secreto ficou no palanque: só em 2025, lideranças de sete partidos assumiram a autoria de R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão, escondendo quem de fato decidiu o destino do dinheiro.


A regulamentação do trabalho por aplicativo terminou sem consenso, desagradando empresas e entregadores ao mesmo tempo, façanha rara. As filas do SUS represadas nos anos de emergência sanitária continuam lá, tão extensas que nem o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde consegue medi-las.

E há, claro, a picanha com cervejinha, o símbolo maior da campanha de 2022. Depois de um recuo inicial, a carne subiu ano após ano, com a picanha encarecendo 8,74% em 2024, e a cerveja ficou perto de 6% mais cara em 2025.

O brasileiro contempla o balcão do açougue como quem visita museu. Para fechar a coleção, a garantia mais solene de todas: “um mandato só”. Bastou uma entrevista na Indonésia para que o juramento evaporasse e o candidato do mandato único se apresentasse, sem cerimônia, para o quarto.

Nem tudo, contudo, é desolação nesse catálogo de bravatas. Há um compromisso descumprido que merece aplauso de pé, talvez o único gesto de responsabilidade econômica do mandato, ainda que involuntário.


Ao ser cobrado sobre ele, o Planalto preferiu exibir os 4,9 milhões de empregos formais criados desde 2023 e o desemprego mais baixo em 13 anos.

Só esqueceu de mencionar que todas essas vagas nasceram sob as mesmas regras que o petista jurou desfigurar, para devolver o país à legislação anacrônica que engessava empregadores e afugentava investimentos.

Nenhuma proposta chegou ao Congresso, e o tema saiu de fininho da agenda.

Bendita seja, portanto, a promessa mais bem descumprida do terceiro mandato, aquela que no dialeto petista atendia pelo singelo nome de “revisão” da reforma trabalhista.


Com Lula, o Brasil só sai ganhando quando a palavra dele não vale nada.



Caio Gottlieb













RECEBIVIA WHATSAPP

A Sabotagem do PT Paga com o Seu Dinheiro

 Francisco Carneiro Júnior


O Pacote eleitoreiro de bondades é pura sabotagem do PT ao próximo governo Flavio ...(e nem estamos falando ainda da escala 6X1)

Todo mundo já ouviu falar de inquilinos que, ao receberem a ordem de despejo, não arrumam as malas…. Eles roubam as torneiras, arrancam a fiação, assinam carnês em nome do próximo morador e entregam a chave sorrindo. O Brasil assiste a essa cena desde março com o governo e Lula .Em oito meses, o governo lançou 23 medidas de gasto, crédito, subsídio e renúncia de receita, que somam R$ 252,8 bilhões. No dia 4 de outubro, Flávio Bolsonaro teve 56.104.503 votos e Lula, 53.879.538. A diferença foi de 2,2 milhões. O segundo turno está marcado para o dia 25 e ainda não tem dono, mas o inquilino já leu o resultado e começou a desmontar a casa.

Antes do pacote, convém derrubar uma ilusão. O que Flávio precisa fazer para tirar o PT? Olavo de Carvalho repetia, anos atrás, uma frase que parecia exagero e hoje parece diagnóstico: no Brasil não existe direita. Existe o sistema e existe quem finge se opor a ele. A pergunta supõe que os males do país acabam com a saída do PT. Seria ótimo, mas é falso. O estrago petista é real. O partido executou com método a ocupação gramsciana das instituições: universidades, redações, sindicatos, agências reguladoras, conselhos, tribunais de contas, carreiras de Estado. Junto com isso veio a subversão moral, que fez do bandido uma vítima social, do policial um suspeito e do pagador de impostos um privilegiado. Só que o PT é uma das cabeças da hidra. Quem corta apenas a cabeça que vê acorda no dia seguinte com as outras inteiras.

Alexandre de Moraes, o homem que comanda a repressão política no país, nunca foi do PT. O currículo dele é tucano. Foi secretário na prefeitura de Gilberto Kassab. Foi secretário de Segurança Pública de São Paulo no governo de Geraldo Alckmin, de janeiro de 2015 ao início de 2016. Passou pelo PMDB e pelo DEM. Advogou para Eduardo Cunha. Era filiado ao PSDB quando foi indicado ao Supremo. Antes disso, foi ministro da Justiça de Michel Temer, que o nomeou para a Corte em fevereiro de 2017. O ministro que manda prender jornalistas, bloqueia perfis, censura parlamentares e conduz inquéritos sem fim foi formado, promovido e nomeado dentro do campo que se apresentava ao eleitor como a alternativa ao PT. O padrinho dele é Geraldo Alckmin, o tucano comedido que a imprensa vendia como antídoto contra o lulismo e que em 2018 dizia que Lula queria voltar “à cena do crime”. Hoje é vice-presidente do descondenado. A mão que levou Moraes ao Supremo está agora ao lado de Lula no Planalto. Ninguém traiu ninguém. O sistema apenas funcionou.

O PT ocupa o Executivo, mas divide o poder com o Centrão, que controla o Congresso, distribui emendas e circula à vontade pelos gabinetes do Supremo. São partidos sem programa, que vendem estabilidade a qualquer governo e cobram em cargos, fundos e orçamento. Fazem isso há décadas. O Estado brasileiro está nas mãos de uma oligarquia política que se reveza no poder desde a redemocratização, troca de sigla quando convém e nunca troca de método. O PT não derrubou essa oligarquia. Entrou nela, recebeu crachá e aprendeu as senhas. O PT não conquistou o Brasil. Foi admitido no clube que já mandava nele. Mudar o país, portanto, exige mais que trocar o ocupante do Planalto. Exige refundação: tirar do poder essa elite corrompida que trata o Estado como patrimônio próprio e o cidadão como contribuinte cativo.

Chegou a mim uma tabela com 23 medidas adotadas desde março deste ano. Ela deve ser lida em ordem cronológica. De março a junho, foram R$ 152,7 bilhões. O governo começou com o pacote de combustíveis (R$ 16 bi), o Crédito do Trabalhador no consignado privado (R$ 22,9 bi) e o saque complementar do FGTS (R$ 8,4 bi). Em abril vieram o novo modelo de crédito imobiliário (R$ 22,3 bi), o Reforma Casa Brasil (R$ 12,9 bi) e a faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (R$ 7,7 bi). Em maio, o Desenrola 2.0 (R$ 12,2 bi), o Gás do Povo (R$ 5,1 bi) e o Luz do Povo (R$ 4,3 bi). Em junho, o MOVE Brasil para caminhões e ônibus (R$ 21,2 bi), o MOVE Motoristas para taxistas e aplicativos (R$ 30 bi) e o fim da “taxa das blusinhas” (R$ 1,9 bi).

De julho a outubro, mais R$ 100,1 bilhões. Brasil Soberano 2.0 para exportadores (R$ 15 bi), Crédito Indústria 2.0 (R$ 10 bi), Moviagrícola (R$ 10 bi), crédito rural tecnológico (R$ 9 bi), renegociação de dívidas rurais (R$ 2 bi). Em agosto, Desenrola Adimplentes (R$ 3 bi). Em setembro, a um mês da eleição, reajuste do Bolsa Família (R$ 5,8 bi), proibição das bets (R$ 1,5 bi), Desenrola 3.0 (R$ 15 bi) e crédito para motos de entregadores (R$ 4 bi). Em outubro, com o eleitor a caminho da urna, o Prospera MEI, com perdão de dívidas (R$ 12,6 bi).

Nem todo esse dinheiro é despesa primária direta. Há crédito, renúncia e subsídio escondido em juro abaixo do mercado. Quem soma tudo como se saísse do caixa no mesmo dia erra. Quem conclui que o pacote é inofensivo erra mais. Crédito subsidiado gera passivo contingente: equalização de juros paga pelo Tesouro durante anos, inadimplência que vira prejuízo de banco público e, depois, capitalização com dinheiro do contribuinte. A renúncia da taxa das blusinhas abre um buraco permanente na arrecadação. O reajuste do Bolsa Família entra na base da despesa obrigatória e não sai mais. O perdão de dívidas é receita que o Estado desiste de cobrar.

O desenho é coerente. O ganho eleitoral vem agora. A fatura vence a partir de janeiro de 2027, no colo de quem chegar.

A lei previu a manobra. A legislação eleitoral proíbe, no ano da eleição, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios, salvo programas autorizados em lei e já em execução orçamentária no ano anterior. A Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe o governante, nos dois últimos quadrimestres do mandato, de assumir obrigação que não possa pagar dentro dele ou que deixe parcelas para o exercício seguinte sem caixa. O governo achou as brechas: rebatizou programas antigos, empurrou o custo para fundos e bancos públicos e chamou tudo de política de crédito.

Exércitos em retirada conhecem a técnica. Minam as estradas, envenenam os poços e derrubam as pontes, para que o vencedor passe os primeiros meses removendo escombros em vez de avançar. É a terra arrasada. A pior mina, porém, é política. Cada medida cria uma clientela. Se o próximo governo mexer em qualquer uma, as manchetes estão prontas: “Flávio corta o gás do povo”, “Flávio tira a moto do entregador”, “Flávio cobra a dívida do MEI”. Quem sai planta as minas e depois acusa de crueldade quem pisar nelas. O plano é ganhar a eleição. Se não der, é fazer do governo seguinte uma ocupação de território hostil. É sabotagem do próximo governo, paga com o dinheiro de quem vai votar nele.

Uma pergunta simples ao governo Lula, antes de passar a outro assunto: o microempreendedor individual que pagou seus impostos em dia, o MEI que deixou de levar dinheiro para casa para honrar, com muita dificuldade, seus pesados compromissos, quando vai receber o dinheiro dele de volta? Sim, porque o MEI que errou e ficou devendo é perdoado. E quem fez tudo certo fica no prejuízo? O que vocês estão ensinando a essa nova geração? Que exemplo, ou melhor, que péssimo exemplo estão dando?

Entre 2014 e 2016, o Brasil esteve mais perto de desmontar essa oligarquia do que em qualquer momento desde 1985. Não foi pelo voto. Foram duas forças que correram em paralelo, sem que uma alimentasse a outra. A primeira foi a Lava Jato, com prova documental, colaboração premiada e cooperação internacional. Pela primeira vez sentaram no banco dos réus empreiteiros, diretores de estatal, tesoureiros de partido e um ex-presidente. A segunda foram as ruas. Milhões de pessoas que nunca tinham ido a um protesto encheram a Paulista, a Esplanada e a orla de Copacabana sem carro de som pago e sem ônibus de sindicato.

A reação veio de todos os lados do arranjo ao mesmo tempo, porque todos estavam sob ameaça ao mesmo tempo. As planilhas da Odebrecht tinham apelidos de tucanos, peemedebistas, petistas e caciques do Centrão. A oligarquia se viu inteira na mira e reagiu como um corpo só. Foi aí que ela descobriu sua melhor arma. O voto ela não controla por inteiro, e o Congresso é barulhento e exposto demais. A arma era o Supremo Tribunal Federal: onze ministros sem voto, vitalícios até os 75 anos, sem instância acima deles, com poder de soltar condenado, anular processo, redefinir competência e reescrever a lei por interpretação. Bastava ocupar essa fortaleza.

Em março de 2019, o próprio tribunal abriu de ofício o inquérito das fake news, sem pedido do Ministério Público. A Corte era ao mesmo tempo vítima, investigadora e julgadora, e o relator foi escolhido sem sorteio: Alexandre de Moraes. O inquérito não tem objeto definido nem prazo, e foi engolindo tudo o que veio depois. Desde 2019, o país não vê um governo perseguindo a oposição. Vê o Estado inteiro protegendo a si mesmo, com o Supremo na frente, a imprensa tradicional cuidando da propaganda e os partidos do arranjo dando apoio calado. A refundação começada em 2014 morreu ali. Os erros de quem deveria conduzi-la ajudaram a matá-la.

O erro central de Jair Bolsonaro foi buscar, desde o primeiro dia, acordo com o sistema em vez de refundar o país. Faltou a ele entender contra quem jogava. Dureza nunca faltou. Jair governou achando que o adversário era um partido, com estrela vermelha e número 13. Quando a pressão apertou, foi negociar com o Centrão para neutralizar o PT. Deu a Casa Civil a Ciro Nogueira, apoiou Arthur Lira na Câmara e entregou o orçamento às emendas de relator. Chegou a dizer que era do Centrão. Pensou que comprava proteção e estava negociando com o mesmo organismo que queria destruí-lo, só que por outra cabeça.

Não vejo como Flávio, eleito, retome sozinho a refundação. As condições para ela existiram entre 2016 e 2020: investigação em andamento, rua mobilizada, opinião pública acordada. Hoje não existem. A Lava Jato foi desmontada, as condenações caíram, procuradores foram punidos, juízes afastados ou intimidados, e as ruas foram criminalizadas depois de 8 de janeiro. Flávio pode ser a ponte para que essa retomada aconteça mais adiante. Se a ponte cair, a outra margem some por uma geração. A tarefa urgente é acabar com o estado de exceção e devolver ao país os direitos fundamentais mais básicos. Na prática:

  1. Encerrar os inquéritos sem objeto e sem prazo. Investigação perpétua com objeto elástico é incompatível com qualquer democracia.
  2. Devolver ao Ministério Público a titularidade da acusação. A Constituição de 1988 separou quem acusa de quem julga, e essa separação precisa voltar a valer.
  3. Restaurar o contraditório e a ampla defesa: acesso do advogado aos autos, acusação clara, prova produzida diante do juiz.
  4. Libertar quem está preso por opinião e anular as condenações dos perseguidos políticos. Isso inclui anistia para crimes de opinião, revisão das penas desproporcionais aplicadas aos manifestantes de 8 de janeiro e fim da censura prévia a perfis e veículos.
  5. Recompor o Supremo à medida que as vagas se abrirem. No próximo mandato, três ministros chegam à aposentadoria compulsória: Luiz Fux em 2028, Cármen Lúcia em 2029 e Gilmar Mendes em 2030. Cada indicação será a decisão mais importante do governo. Nada de nomes do arranjo nem de técnicos de consenso apadrinhados pelo Centrão.
  6. Se houver força política, afastar os ministros responsáveis pela perseguição, pelos meios que a Constituição prevê, com o Senado fazendo o trabalho do qual vem fugindo.
  7. O pacote de outubro acrescentou mais uma obrigação. Logo nos primeiros dias, o novo governo precisa publicar o inventário da terra arrasada: cada medida, quanto custa, quando vence, quem paga e com que fonte. Sem esse registro, cada ajuste será vendido como maldade do novo presidente. Com ele, o país saberá quem quebrou e quem está consertando. Se Flávio fizer só isso, acabar com o estado de exceção e mostrar a verdade das contas, terá feito um grande governo.

Quem acha que o problema é só o PT vai comemorar no dia 25 e descobrir em janeiro que quase nada mudou. O Congresso eleito no dia 4 é basicamente o de sempre, com os mesmos caciques e os mesmos balcões. O Supremo tem os mesmos onze nomes e o mesmo inquérito aberto. A máquina continua aparelhada. E os contratos, subsídios e renúncias dos R$ 252,8 bilhões vão vencer um a um. Tirar o PT do Executivo é necessário, mas não basta. Tratar uma coisa como a outra foi o erro dos últimos quatro anos. Foi o que fez da vitória de 2018 a derrota de 2022, e da esperança de milhões, exílio, cadeia e silêncio.

A conta do pacote também não chega só para quem votou em Flávio. Chega para o nordestino que votou em Lula, para o caminhoneiro que financiou o caminhão pelo MOVE, para o MEI que teve a dívida perdoada e vai pagar a inflação que esse perdão ajuda a produzir. O Estado que hoje persegue um lado vai cobrar os dois amanhã. Os 56 milhões e os 53 milhões pagam juntos. A fronteira que importa no Brasil não separa quem votou 22 de quem votou 13. Separa quem vive do Estado de quem sustenta o Estado, a oligarquia que se reveza no poder do povo que se reveza na fila do posto de saúde. Ela não aparece no mapa azul e vermelho do TSE.

Se Flávio governar com essa fronteira em vista, começa com metade do país e pode terminar com a outra metade. Se repetir o pai, será engolido como todos os outros. O inquilino que rouba as torneiras sabe que não está saindo do poder. Está só trocando de cadeira. Sai do Planalto e continua no Congresso, no Supremo, nas redações e nos bancos públicos que ele mesmo encheu de dívidas.

A oligarquia não tem sigla. Por isso sobrevive a todas as eleições.

Desta vez, não basta vencer uma.


















publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/a-sabotagem-do-pt-paga-com-o-seu-dinheiro__18750

EXTERMINANDO O FUTURO ECONÔMICO DO BRASIL

 A propósito, eis aí o irretocável texto do pensador e jurista Ives Gandra Martins:


Diante do descalabro da atual gestão de Lula no que diz respeito às finanças públicas, resolvi reforçar um alerta que vem sendo feito por economistas, jornalistas, professores, juristas e especialistas: o governo que assumir os destinos do Brasil em 2027 terá de aplicar um choque econômico dramático sobre o povo brasileiro.
O presidente Lula entregará o poder ao próximo presidente ou, se for reeleito, enfrentará uma gestão absolutamente descompassada do ponto de vista financeiro. A dívida do Brasil está crescendo cada vez mais, e a atividade econômica, caindo progressivamente. Os juros estão sempre altos, e não há condições de serem reduzidos.
O Brasil hoje deve o equivalente a 83% do PIB nacional, e isso terá de ser pago. Calcula-se que esse número deverá aumentar até 2029, se o país continuar nesse ritmo.
O governo anterior, do presidente Bolsonaro, deixou as contas com um superávit de R$ 54 bilhões, que o atual governo Lula fez desaparecer já no primeiro ano. Ao continuar gastando compulsivamente, o Executivo vem gerando déficits sucessivos. Isso mostra que esse descompasso, este desgoverno, este descalabro e essa desastrosa política financeira de gastar sem controle e sem receita correspondente vão gerar um imenso caos.
Se o Congresso Nacional e a sociedade civil não impuserem barreiras firmes à gastança desmedida e à erosão da responsabilidade fiscal, o Brasil continuará a ser o país do futuro que nunca chega – condenado a pagar eternamente a conta do populismo
Na Assembleia Nacional Constituinte, participei da comissão que tratou do setor financeiro e fui ouvido em diversos momentos, particularmente no que diz respeito ao Título VI da Carta Magna (da Ordem Financeira e Tributária). Nós, que integramos a comissão, especialmente o jurista Décio Miranda, dizíamos: “Agora não haverá mais déficit, porque a Constituição estabeleceu que nada pode ser feito sem os recursos devidos; é preciso ter as fontes necessárias”.
Entendíamos, pelo texto dos artigos 165 a 169 da Constituição Federal, que o endividamento seria uma exceção. Jamais imaginamos um endividamento de tal proporção quanto o que existe hoje, transformado em algo tão normal, natural e corriqueiro a ponto de crescer continuamente. Esse quadro se reflete na Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que atingiu 82% do PIB recentemente (82,9% do PIB, equivalente a R$ 11,1 trilhões, em agosto de 2026, segundo dados oficiais divulgados pelo Banco Central) e deve ultrapassar 83% até o fim do ano.
Cabe recordar aqui as palavras certeiras do embaixador e economista Roberto Campos, que sintetizou com precisão cirúrgica os perigos da hipertrofia estatal e da irresponsabilidade orçamentária: “O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar.” Quando os governantes se julgam acima dos limites aritméticos impostos pela realidade, o Estado deixa de ser o indutor do progresso para se tornar o grande devorador da riqueza nacional.
Essa marcha irresponsável rumo ao abismo fiscal demonstra o desapego com a matemática elementar e com o próprio bem-estar das gerações vindouras. A ilusão demagógica de que o Estado possui recursos infinitos para custear o voluntarismo político invariavelmente desemboca no confisco silencioso promovido pela inflação, na carestia do crédito e no empobrecimento generalizado da população mais vulnerável.

A restauração do equilíbrio fiscal não é apenas uma diretriz econômica fria ou uma exigência de mercados financeiros; é um dever moral e uma imposição pétrea do texto constitucional. Se o Congresso Nacional e a sociedade civil não impuserem barreiras firmes à gastança desmedida e à erosão da responsabilidade fiscal, o Brasil continuará a ser o país do futuro que nunca chega – condenado a pagar eternamente a conta do populismo de hoje com o sacrifício do amanhã.
Não é possível que o presidente Lula não tenha percebido – após ser alertado por todos os grandes economistas, juristas e editoriais dos principais jornais do país – que levou o Brasil para a beira do precipício.
É preciso considerar que, se ele for reeleito com essa mentalidade de gastar sem a devida cobertura orçamentária, a economia sofrerá uma desaceleração ainda maior, com queda do desenvolvimento, e mais empresas entrarão em recuperação judicial.
Ao optar por expandir o gasto público sem freios e priorizar soluções arrecadatórias em vez de cortar despesas, o governo Lula aposta em um modelo esgotado de crescimento via intervencionismo estatal. Essa escolha deliberada de ignorar a prudência fiscal e sufocar o setor produtivo com impostos corrói a confiança dos investidores, eleva os juros e transfere para as próximas gerações uma conta impagável. Trata-se de uma política econômica que sacrifica a estabilidade de longo prazo em nome do populismo imediato.
Estamos realmente vivendo um momento da nossa história que me lembra o título de um filme protagonizado por Arnold Schwarzenegger: O Exterminador do Futuro. O atual governo está EXTERMINANDO O FUTURO ECONÔMICO DO BRASIL.
















publicadaemhttps://www.pontocritico.com/espaco-pensar-artigo/exterminando-o-futuro-economico-do-brasil-191026

UM ALERTA AOS CATÓLICOS

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UM ALERTA AOS CATÓLICOS




SEGUNDO TURNO GANHA SOLDADO DE PESO

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SEGUNDO TURNO GANHA SOLDADO DE PESO



MENTIROSO CONTUMAZ

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MENTIROSO CONTUMAZ



RISCO SÉRIO DE DESGOVERNO

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BRASIL NÃO PODE COMETER O MESMO ERRO



Presidente da OAB e secretário de FHC contestam convenciones de Lula

  Alexandre Garcia


Presidente da OAB e secretário de FHC contestam convenciones de Lula 
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ALERTA AOS CRISTÃOS

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DOM ADAIR DETONA E FAZ ALERTA AOS CRISTÃOS QUE AINDA VOTAM NO NINE



Moraes Acabou de Quebrar a Cara: PGR o Traiu?!

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