Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 5 de julho de 2026

Quem decide o que pode ser dito no Brasil?

 Daniela Araque Rodríguez


A liberdade de expressão não é apenas mais um direito civil. Ela constitui o limite fundamental que impede o poder de decidir quais ideias podem existir no espaço público. Sem esse limite, a distinção entre democracia e arbítrio começa a se desfazer.

No Brasil, esse princípio segue no centro do debate em pleno ano eleitoral de 2026. Decisões contínuas do Supremo Tribunal Federal (STF) têm determinado o bloqueio de contas e a remoção de conteúdos sob a justificativa de conter a desinformação e prevenir ameaças institucionais. O que inicialmente foi apresentado como uma medida de exceção para estabilizar o país consolidou-se rapidamente em uma jurisprudência permanente e opaca de controle do discurso digital.

Do ponto de vista institucional, o argumento é claro: proteger a democracia. Mas o problema liberal nunca esteve apenas nos fins, e sim nos meios e, sobretudo, nos precedentes que esses meios criam.

Quando o estado passa a intervir diretamente no conteúdo do discurso, o critério deixa de ser objetivo e passa a depender da interpretação de autoridades. É exatamente aí que reside o risco.

Para John Stuart Mill, em Sobre a Liberdade, a defesa do domínio íntimo da consciência exige a liberdade no seu sentido mais amplo, abrangendo a associação, o pensamento e a “absoluta liberdade de opinião e sentimento sobre todos os temas, práticos ou especulativos, científicos, morais ou teológicos” (Mill, 2018, p. 96)[1]. Silenciar uma opinião é privar a sociedade da possibilidade de confrontar ideias, uma vez que “deve existir plena liberdade para afirmar e discutir, como matéria de convicção ética, qualquer doutrina, por mais imoral que pudesse ser considerada” (Mill, 2018, p. 96). A exigência de proteger o debate público baseia-se muito mais em sua importância estrutural para a sociedade do que na veracidade prévia de qualquer premissa. A verdade não é decretada, ela emerge da abertura ao conflito entre posições divergentes.

A escola austríaca aprofunda esse argumento. Para Ludwig von Mises, a verdadeira liberdade consiste na capacidade do indivíduo de organizar a sua própria vida e escolher os seus objetivos. Sem ela, não há coordenação social baseada em escolhas individuais, mas adaptação forçada a diretrizes centrais. Mises alerta que, quando as autoridades assumem o controle e impõem as suas decisões através da coerção e da violência policial, essa liberdade é totalmente destruída e substituída pela opressão.

Já Murray Rothbard adverte que o estado procura sempre dominar os meios de comunicação e a educação para moldar as mentes dos cidadãos e garantir a sua obediência. Essa intervenção estrutural ignora que cada indivíduo possui um direito absoluto de propriedade sobre o seu próprio conhecimento, sendo ele o único que pode decidir livremente se deseja divulgar as suas ideias ou mantê-las em silêncio. Consequentemente, o poder de restringir discursos raramente permanece limitado: uma vez estabelecido, tende a se expandir, sempre em nome de novos objetivos considerados urgentes. O caso brasileiro reflete exatamente esse movimento.

Termos amplos como “desinformação” ou “atos antidemocráticos” permitem interpretações elásticas, ampliando a margem de discricionariedade e reduzindo a previsibilidade das regras. Na prática, o que era exceção pode se tornar rotina.

Há, evidentemente, um problema real. A circulação massiva de informações falsas e a mobilização digital em contextos de instabilidade institucional são desafios concretos. A arquitetura das redes sociais, impulsionada por algoritmos que privilegiam o engajamento, acelera a propagação de narrativas fabricadas e facilita a coordenação de grupos extremistas em uma velocidade inédita, tensionando os mecanismos de resposta das instituições democráticas. Ignorar o impacto prático dessa dinâmica na estabilidade política seria ingênuo. No entanto, reconhecer a gravidade do sintoma não transforma a coerção estatal na cura adequada. O argumento liberal alerta que conferir ao Judiciário ou a burocratas o poder de arbitrar a verdade transfere o risco do mercado de ideias para o topo da hierarquia estatal. Agentes do estado não são observadores neutros; eles possuem incentivos políticos próprios para proteger narrativas oficiais e classificar críticas inconvenientes como desinformação. Ao tentar higienizar o debate público por meio da força, o estado não elimina a falsidade, mas monopoliza a capacidade de defini-la. A questão central, portanto, não é se a mentira é nociva, mas o perigo de entregar a uma autoridade central o monopólio sobre o que é aceitável dizer.

Organizações internacionais já mapearam essa assimetria. A Human Rights Watch, em análise específica sobre o Brasil, alertou de forma contundente para os riscos das decisões do Supremo Tribunal Federal, apontando para uma ameaça direta à independência judicial e à liberdade de expressão no país, ao permitir bloqueios opacos e excessivamente abrangentes. Esse cenário se agravou, como aponta o Informe Mundial 2026 da mesma organização, que adverte que as recentes decisões sobre o regime de responsabilidade das plataformas criam incentivos perigosos para “censurar discursos legítimos para evitar possíveis multas” (Human Rights Watch, 2026). O alerta contínuo da entidade confirma a tese de que regular sem sufocar e proteger sem concentrar poder constitui um equilíbrio estruturalmente negligenciado em favor de soluções de força.

Além disso, há um efeito menos visível, mas igualmente relevante. Quando plataformas passam a cumprir ordens amplas de remoção, o impacto não se limita ao conteúdo diretamente atingido. Ele altera o comportamento de todos os usuários, criando incentivos à autocensura.

Como observou Friedrich A. Hayek, “a característica que mais claramente distingue um país livre de um país submetido a um governo arbitrário é a observância, no primeiro, dos grandes princípios conhecidos como o Estado de Direito”, o qual exige que “todas as ações do governo são regidas por normas previamente estabelecidas e divulgadas” (Hayek, 1990, p. 86)[2]. O crescimento da coerção administrativa arbitrária leva à progressiva destruição deste fundamento. Hayek alerta que, quando o controle efetivo da opinião se limita apenas ao que é aprovado pela autoridade oficial, o poder do estado torna-se “muito maior do que o exercido por qualquer governo absolutista dos séculos XVII e XVIII” (Hayek, 1990, p. 106). E liberdade efetiva não é o direito abstrato de falar, é a possibilidade concreta de fazê-lo sem o medo difuso de punição arbitrária.

O perigo dessa dinâmica não se restringe à esfera digital, pois ele afeta o próprio equilíbrio da República. Quando o Judiciário assume o papel de árbitro proativo da verdade, ele ultrapassa a sua função contramajoritária e converte-se em um agente político com poder de veto sobre o debate público. Essa concentração de prerrogativas fragiliza o sistema de freios e contrapesos, subordinando a liberdade civil à discricionariedade de um único poder. A história do pensamento liberal demonstra que a segurança das instituições não se garante através do silenciamento das vozes dissonantes, mas sim pela descentralização da autoridade.

O debate brasileiro, portanto, não é apenas jurídico, é estrutural. Trata-se de definir se a ordem política será baseada na confiança nos indivíduos ou na autoridade de quem decide os limites do discurso.

Quando o combate à desinformação passa a justificar limites amplos e mal definidos, o problema deixa de ser circunstancial e se torna um precedente. E precedentes, uma vez estabelecidos, raramente recuam. No fim, a questão não é apenas o que está sendo silenciado hoje, mas quem terá o poder de decidir o que poderá ser dito amanhã.


[1] Mill, J. S. (2018). Sobre a liberdade (X. L. Barreiro Rivas, Trad.). Universidade de Santiago de Compostela; Fundación BBVA. (Obra original publicada em 1859).

[2] Hayek, F. A. (1990). O caminho da servidão (A. M. Capovilla, J. Í. Stelle e L. de Morais Ribeiro, Trads.; 5.ª ed.). Instituto Liberal. (Obra original publicada em 1944).








publicadaemhttps://mises.org.br/artigos/20041/quem-decide-o-que-pode-ser-dito-no-brasil/

A Inteligência Artificial é o último prego no caixão de Karl Marx

 Andy Fischer


Karl Marx acreditava que as máquinas acabariam transformando os trabalhadores em algo descartável. Em O Manifesto Comunista, Marx e Engels escreveram que o trabalho industrial já havia reduzido o trabalhador a “um mero apêndice da máquina”. Em O Capital, Marx argumentou que o maquinário criaria um permanente “exército industrial de reserva” de trabalhadores desempregados. À medida que a automação avançasse, os trabalhadores perderiam poder de barganha enquanto o capital consolidaria seu controle. O proletariado se tornaria mais pobre e mais desesperado.

A partir dessa condição, Marx acreditava que a revolução inevitavelmente aconteceria. Essa previsão ocupa o centro de toda a sua estrutura teórica. Mas a história seguiu na direção oposta.

Por mais de dois séculos, a automação não destruiu o valor do trabalho; ela o multiplicou. As máquinas permitiram que um único trabalhador produzisse muito mais do que trabalhadores de épocas anteriores. Em vez de se tornarem obsoletos, os trabalhadores se tornaram dramaticamente mais produtivos.

O resultado foi uma das maiores expansões de prosperidade que o mundo já viu. O padrão de vida aumentou, a produtividade disparou, e os trabalhadores não se tornaram apêndices impotentes das máquinas; eles se tornaram operadores de ferramentas cada vez mais poderosas. Em outras palavras, a previsão de Marx de que a automação degradaria o trabalho já fracassou. Curiosamente, outro economista antecipou algo muito diferente.

Quase um século antes de Marx escrever O Capital, Adam Smith descreveu como ferramentas e máquinas ampliam o poder produtivo do trabalho. Em A Riqueza das Nações, Smith explicou que melhorias no maquinário permitem que um único trabalhador realize um trabalho que antes exigia muitos. Seu exemplo mais famoso foi o da fábrica de alfinetes. Um pequeno grupo de trabalhadores usando ferramentas especializadas podia produzir milhares de alfinetes por dia. Sem essas ferramentas, um trabalhador talvez tivesse dificuldade para produzir algumas dezenas. A máquina não substituiu o trabalhador. Ela multiplicou sua produção.

A história seguiu muito mais o modelo de Smith do que o de Marx. O maquinário industrial, a eletricidade, os computadores e a internet não criaram uma classe trabalhadora permanentemente desempregada. Eles criaram uma classe trabalhadora muito mais produtiva. Cada onda tecnológica ampliou aquilo que os indivíduos eram capazes de produzir.

Mas a inteligência artificial introduz algo ainda mais devastador para a teoria de Marx. Ela rompe a sequência da qual todo o seu argumento depende. Marx acreditava que a automação atingiria primeiro a classe trabalhadora. As máquinas substituiriam trabalhadores braçais e operários industriais. À medida que esses trabalhadores perdessem seu valor econômico, uma grande massa de mão de obra deslocada formaria a força revolucionária que acabaria desafiando o capitalismo. Essa ordem dos acontecimentos importa; na verdade, ela é fundamental.

A teoria de Marx depende de o proletariado ser o primeiro grupo deixado de lado pelas máquinas. A inteligência artificial está se desenvolvendo na direção oposta. A IA não está substituindo principalmente o trabalho braçal, nem está substituindo principalmente trabalhadores de nível mais baixo que executam tarefas rotineiras. As primeiras rupturas estão surgindo nos níveis mais altos da hierarquia.

Os sistemas de IA estão se tornando cada vez mais capazes de executar trabalhos que antes pertenciam a executivos, estrategistas, consultores e lideranças organizacionais. Trata-se de funções estruturadas em torno da síntese de informações, formulação de estratégias, elaboração de planos, coordenação de equipes e tomada de decisões de alto nível — o trabalho da classe gerencial e estratégica.

Isso já não é mais hipotético. Pesquisadores já começaram a testar essa ideia. Em um experimento recente descrito na Harvard Business Review, pesquisadores simularam um ambiente corporativo competitivo e pediram que participantes humanos e um sistema de IA administrassem uma empresa virtual. A IA tomou decisões estratégicas sobre preços, design de produtos e posicionamento de mercado usando as mesmas informações disponíveis para os participantes humanos. Em muitos casos, a IA superou os humanos em lucratividade e otimização estratégica.

Enquanto isso, grandes empresas de tecnologia estão desenvolvendo ativamente agentes autônomos de IA projetados para planejar, agir e executar tarefas empresariais complexas com supervisão mínima. Na conferência AWS re de 2025, a Amazon apresentou uma nova classe de “agentes de fronteira” capazes de conduzir projetos complexos por horas ou até dias sem intervenção humana.

Esses sistemas fazem parte de uma mudança mais ampla em direção ao que os pesquisadores chamam de “IA com agência” — sistemas autônomos de software capazes de perceber ambientes, raciocinar sobre objetivos e tomar ações em nome dos seres humanos.

A tendência é clara. Os sistemas de IA estão indo além da simples automação e avançando para funções que envolvem planejamento, análise e tomada de decisões dentro das organizações. Em outras palavras, a máquina está começando a comprimir justamente a camada da sociedade que tradicionalmente se encontra acima do trabalhador. Enquanto isso, o eletricista continua instalando fiação, o encanador continua consertando tubulações, o mecânico continua reparando motores. Habilidades físicas em ambientes complexos continuam sendo difíceis de automatizar. Isso é o oposto do que Marx esperava.

Marx acreditava que as máquinas começariam substituindo a força física. O que estamos vendo, em vez disso, são máquinas começando a substituir o pensamento estruturado nos níveis intermediários das organizações. Essa diferença importa.

A estrutura teórica de Marx pressupõe que o proletariado se torne a primeira vítima do progresso tecnológico. Seu deslocamento cria a pressão econômica compartilhada que alimenta o conflito de classes. O trabalhador se torna o centro da narrativa política porque é o primeiro a ser deixado de lado. Mas, se a automação começa comprimindo a classe gerencial e estratégica, essa dinâmica entra em colapso. A primeira ruptura não está acontecendo na base da hierarquia. Ela está ocorrendo entre os níveis intermediários e superiores.

E esse problema não termina em Marx. Muitos pensadores posteriores construíram preocupações semelhantes sobre o capitalismo com base na suposição de que a automação deslocaria principalmente o trabalho e gradualmente concentraria o poder para longe dos trabalhadores. John Kenneth Galbraith argumentava que os sistemas industriais modernos concentrariam poder em grandes estruturas corporativas administradas por elites tecnocráticas. Mas a inteligência artificial está começando a automatizar justamente as funções gerenciais que Galbraith acreditava que dominariam a economia.

Herbert Marcuse ofereceu um alerta diferente. Em One-Dimensional Man [O Homem Unidimensional], ele argumentou que a sociedade tecnológica aprisionaria os indivíduos dentro de enormes sistemas de controle industrial.

Mais recentemente, economistas como Paul Krugman levantaram preocupações semelhantes sobre os efeitos de longo prazo da tecnologia sobre o trabalho. Krugman argumentou que a mudança tecnológica pode enfraquecer o poder de barganha dos trabalhadores e contribuir para o aumento da desigualdade, alertando que a automação pode substituir cada vez mais o trabalho humano em grandes parcelas da economia. A inteligência artificial pode empurrar essa dinâmica na direção oposta.

Ao reduzir drasticamente o custo de análise, coordenação e produção, a IA permite que indivíduos realizem trabalhos que antes exigiam organizações inteiras. Um único empreendedor — equipado com ferramentas poderosas de IA — pode cada vez mais projetar produtos, analisar mercados, escrever softwares e administrar negócios com muito pouca infraestrutura institucional. Em vez de aprisionar indivíduos dentro de grandes sistemas, a IA pode permitir que muito mais pessoas construam os seus próprios negócios.

Ao longo desses diferentes pensadores, uma suposição permaneceu notavelmente consistente. A automação deveria ameaçar primeiro os trabalhadores. A inteligência artificial complica essa crença.

A primeira ruptura significativa não está surgindo onde Marx e muitos de seus descendentes intelectuais esperavam. Ela está aparecendo justamente nas camadas de análise, coordenação e estratégia que antes pareciam imunes à mecanização.

A máquina deveria começar substituindo o trabalhador. A inteligência artificial está começando substituindo as pessoas que ocupam os níveis intermediários e superiores das organizações, decidindo o que os trabalhadores devem fazer. Essa inversão não é apenas uma modificação da previsão de Marx. Ela é o golpe final em seu sistema de pensamento.

Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute



























publkicadaemhttps://mises.org.br/artigos/20148/a-inteligencia-artificial-e-o-ultimo-prego-no-caixao-de-karl-marx/


Nós, o povo. Mas que povo?

     Lexum 


O jurista Leonardo Corrêa, presidente da Lexum, publicou recentemente neste Substack o artigo “Soberania Sequestrada”. O texto provoca importante reflexão acerca da reação brasileira à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Em meio às críticas de setores políticos, acadêmicos e institucionais que enxergaram na medida uma suposta afronta à soberania nacional, o autor sustentou argumento diverso: a verdadeira soberania, numa concepção republicana fundada nos direitos naturais, pertence primariamente à pessoa humana, e não ao aparato estatal abstratamente considerado.

O artigo de Corrêa recoloca o debate sobre soberania em seu eixo civilizacional correto: a centralidade da pessoa diante do poder político. Em tempos de hipertrofia institucional e crescente abstração do discurso jurídico, recordar que o Estado existe para servir à sociedade, e não para converter-se em sujeito autônomo de prerrogativas metafísicas, representa contribuição intelectual relevante ao debate público. A crítica à inversão conceitual corrente, pela qual a soberania deixa de pertencer concretamente ao povo e passa a ser tratada como patrimônio do aparato estatal, é pertinente e merece reflexão.

Todavia, o debate talvez comporte uma nuance adicional. Há um elemento contemporâneo ainda a ser estudado com profundidade nas democracias ocidentais, especialmente no Brasil: a transformação gradual da sociedade em razão da expansão contínua do assistencialismo estatal como programa permanente. O governo federal informa que cerca de 18 milhões de famílias recebem auxílios federais[1]. Somando-se os benefícios estaduais e municipais, o número de beneficiados pode chegar próximo de 100 milhões de pessoas.

Não se trata aqui de negar a legitimidade de políticas públicas voltadas à proteção dos vulneráveis, nem de ignorar a existência real da pobreza no Brasil. A questão institucional é outra. O problema surge quando mecanismos emergenciais de proteção social se convertem em modelo político duradouro de dependência econômica, desestímulo à autonomia produtiva e mediação permanente entre indivíduo e Estado. Nesse cenário, forma-se uma cidadania progressivamente desvinculada da responsabilidade econômica, da autonomia privada e da própria capacidade de participação política independente.

Com efeito, há o risco aqui de uma alteração qualitativa silenciosa no próprio conceito de povo. Em vez de uma sociedade composta majoritariamente por cidadãos economicamente ativos, integrados às estruturas produtivas e relativamente autônomos em relação ao poder político, passa gradualmente a existir uma massa de pessoas dependentes da administração estatal para sua subsistência material imediata. O vínculo político deixa então de se fundar prioritariamente na cidadania e passa a organizar-se em torno da dependência econômica da burocracia estatal.

Essa transformação possui implicações institucionais relevantes. Populações excessivamente dependentes do Estado tendem a apresentar maior suscetibilidade à manipulação política, menor capacidade de resistência cívica e reduzida autonomia crítica diante do poder. O cidadão deixa de perceber o Estado como instrumento limitado pela ordem constitucional e passa a concebê-lo como fonte primária de proteção existencial. O resultado é uma erosão gradual das mediações naturais da vida social: família, associações comunitárias, iniciativa privada, religião, trabalho autônomo e vínculos orgânicos de solidariedade.

Regimes livres dependem da existência de cidadãos capazes de exercer responsabilidades, assumir riscos, produzir riqueza, formar juízo independente e resistir à captura integral da vida social pela política. Uma sociedade composta predominantemente por indivíduos materialmente subordinados ao Estado tende inevitavelmente à concentração de poder administrativo e à redução prática das liberdades civis, ainda que formalmente preservadas no texto constitucional.

Sob esse aspecto, o artigo de Leonardo Corrêa toca num ponto decisivo ao recordar que as verdadeiras ameaças à soberania concreta das pessoas frequentemente não vêm de declarações diplomáticas estrangeiras, mas da incapacidade interna de preservar as condições reais de liberdade civil. E entre essas condições está precisamente a existência de uma sociedade forte o suficiente para não depender integralmente do Estado para sobreviver.

Quando o poder público passa a administrar também a subsistência econômica e social do povo, cria-se um ambiente propício à infantilização política da sociedade. O cidadão transforma-se em administrado e a própria soberania popular corre o risco de tornar-se mera fórmula retórica legitimadora de estruturas de poder com pretensões totalitárias.

No fundo, talvez a questão não seja apenas quem exerce formalmente a soberania, mas que tipo de povo ainda possui condições morais, sociais e econômicas de exercê-la efetivamente.

*Fernando Borges de Moraes – Advogado formado pela UFPR, especialista em Direito do Trabalho pela UNISC/ENA, pós-graduando em Filosofia Tomista pela Universidade Católica de Santa Catarina, sócio de Moraes & Freitas Sociedade de Advogados, membro da Lexum.

*Artigo publicado originalmente no site da Lexum.


[1]https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/em-2025-227-das-familias-receberam-algum-auxilio-do-governo























publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/nos-o-povo-mas-que-povo/

Moraes Tentou Prender o Bolsonaro de Novo e Fracassou!

deltandallagnol/youtube


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Lula Perdeu a Arma Mais Poderosa do PT Contra Flávio!

 andrémarsiglia/youtube


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COMO FICAR CALADO EM MEIO À ISSO?

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Lula comemora o crescimento ecônômico.... do Paraguai!

  FRASES DA SEMANA/gazetadopovo


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dois grupos controlam partes da selva há décadas

 logicamacaquista/instagram


Na Macacolândia, dois grupos controlam partes da selva há décadas. Agora, uma autoridade americana resolveu classificá-los como terroristas. Parece só uma mudança de nome. Mas não é.



BRASIL UM DOS MAIORES FORNECEDORES DE SUBSTÂNCIAS QUIMICAS

SOBERANIAVIVA/FACEBOOK


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QUASE TODO TRABALHO INTELECTUAL ESTÁ SE TORNANDO IRRELEVANTE

MARCELOTOLEDO/FACEBOOK


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ATÉ QUANDO O NORDESTE VAI SER FEITO DE TROUXA PELO PT?

 rubinhonunes/youtube


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sábado, 4 de julho de 2026

O que exatamente é “racismo”?

  Lew Rockwell


Gostaria de analisar duas palavras que o estado e seus apoiadores têm empregado com muito sucesso para justificar o aumento do poder governamental. Uma delas é racismo. A outra é igualdade.

O que exatamente é “racismo”? Quase nunca ouvimos uma definição. Duvido que alguém saiba realmente o que é. Se você estiver inclinado a contestar isso, pergunte-se por que, se o racismo é realmente algo claro e determinado, existe uma discordância tão incessante sobre quais pensamentos e comportamentos são “racistas” e quais não são?

Se colocada na saia justa, a pessoa comum provavelmente definiria o racismo nos moldes de como Murray N. Rothbard definiu o antissemitismo, envolvendo ódio e/ou a intenção de praticar violência, seja dirigida pelo estado ou não, contra o grupo desprezado:

Parece-me que existem apenas duas definições sustentáveis e defensáveis de antissemitismo: uma, centrada no estado mental subjetivo da pessoa, e a outra, “objetivamente”, nas ações que ela realiza ou nas políticas que defende. Para a primeira, a melhor definição de antissemitismo é simples e conclusiva: uma pessoa que odeia todos os judeus…

Como, a menos que sejamos amigos íntimos de alguém ou psiquiatras, podemos saber o que se passa no coração de uma pessoa? Talvez, então, o foco deva ser, não no estado do coração ou da mente do sujeito, mas em uma proposição que possa ser verificada por observadores que não conhecem a pessoa pessoalmente. Nesse caso, devemos nos concentrar no objetivo em vez do subjetivo, ou seja, nas ações ou defesas da pessoa. Bem, nesse caso, a única definição racional de um anti-semita é aquele que defende que sejam impostas restrições políticas, legais, econômicas ou sociais aos judeus (ou, é claro, que tenha participado de sua imposição).

Isso, então, parece razoável: (1) alguém é racista se odeia um determinado grupo racial, mas (2) como não podemos ler a mente das pessoas, e como acusar alguém de odiar um grupo inteiro de pessoas é uma acusação bastante grave, em vez de tentar em vão ler a mente do suspeito, devemos verificar se ele defende restrições especiais contra o grupo em questão.

De volta a Rothbard:

Mas será que não estou redefinindo o antissemitismo a ponto de fazê-lo desaparecer? Certamente que não. Quanto à definição subjetiva, pela própria natureza da situação, não conheço ninguém assim, e duvido que o Smear Bund conheça também. Na definição objetiva, onde pessoas de fora podem ter maior conhecimento, e deixando de lado os anti-semitas declarados do passado, existem na América moderna autênticos anti-semitas: grupos como o movimento Christian Identity, ou a Aryan Resistance, ou o autor do romance Turner’s Diaries. Mas esses são grupos marginais, diz você, sem importância e que não valem a pena se preocupar? Sim, amigo, e esse é precisamente o ponto.

Por outro lado, talvez um “racista” seja alguém que acredita que diferentes grupos tendem a ter características comuns, mesmo reconhecendo o ponto axiomático de que cada pessoa é única. Mas seja a estrutura familiar, uma propensão ao alcoolismo, uma reputação de trabalho árduo ou muitas outras qualidades, Thomas Sowell reuniu uma vasta obra mostrando que essas características não estão nem perto de ser distribuídas igualmente entre as populações.

Os chineses, por exemplo, ganharam reputação em países de todo o mundo por trabalharem intensamente, muitas vezes em condições particularmente difíceis. (Na verdade, essa é uma das razões pelas quais os sindicatos americanos desprezavam os trabalhadores chineses no século XIX.) Em meados do século XX, a minoria chinesa dominava os principais setores da economia da Malásia, embora fosse oficialmente discriminada pela Constituição do país, e ganhava o dobro da renda média dos malaios. Eles eram donos da grande maioria das usinas de arroz na Tailândia e nas Filipinas. Controlavam mais de 70% do comércio varejista na Tailândia, Indonésia, Camboja, Filipinas e Malásia.

Poderíamos contar uma história semelhante sobre os armênios em várias partes do mundo, bem como sobre judeus e indianos. Os nipo-americanos passaram de uma situação de discriminação tão grave que foram confinados em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial para atingir, em 1959, a mesma renda dos brancos e, dez anos mais tarde, registrar rendimentos um terço superiores.

O mesmo vale para os alemães, cuja reputação e realizações em artesanato, ciência e tecnologia têm sido evidentes não apenas na Alemanha, mas também entre os alemães nos EUA, no Brasil, na Austrália, na Tchecoslováquia e no Chile. Eles tinham fazendas mais prósperas do que os agricultores irlandeses na Irlanda do século XVIII, do que os agricultores brasileiros no Brasil, os agricultores russos na Rússia e os agricultores chilenos no Chile.

Os judeus têm renda mais alta do que os hispânicos nos EUA; isso, segundo nos dizem solenemente, é resultado de “discriminação”. Ah, é mesmo? Como Sowell aponta, como explicar, então, por que os judeus têm renda mais alta do que os hispânicos nos países hispânicos?

De acordo com as regras absurdas que regem a sociedade americana, Sowell, sendo ele próprio negro, tem permissão para discutir tais fenômenos, enquanto o resto de nós enfrenta demonização, carreiras destruídas e reputações arruinadas caso nos atrevamos a mencionar quaisquer desses fatos proibidos.

Para não ser suspeito de “racismo”, portanto, é preciso agir da forma mais cautelosa possível, pelo menos fingindo acreditar nas seguintes proposições:

  • as disparidades de renda entre os grupos são explicáveis inteiramente ou em grande parte pela “discriminação”;
  • se um grupo minoritário está “sub-representado” em uma determinada profissão, a causa deve ser o “racismo”;
  • se alunos de minorias são punidos de forma desproporcional na escola, a causa deve ser o “racismo”, mesmo quando os próprios professores envolvidos pertencem ao mesmo grupo minoritário;
  • se as notas das provas — tanto na escola quanto no setor privado — diferem por grupo racial, isso é evidência de que as provas têm viés cultural, mesmo que as questões que apresentam a maior disparidade tenham, por acaso, o menor conteúdo cultural.

Nenhuma dessas afirmações é defensável, nem é preciso dizer, mas todas elas devem ser acreditadas. Os céticos são, evidentemente, “racistas”.

Todas as opiniões ou proposições a seguir já foram declaradas “racistas” em algum momento, por alguma fonte:

  • a ação afirmativa é indesejável;
  • a legislação antidiscriminação constitui uma violação dos direitos de propriedade privada e da liberdade contratual;
  • o caso Brown v. Board of Education baseou-se em um raciocínio falho;
  • a extensão do racismo na sociedade americana é exagerada.

Há muitos fundamentos sobre os quais se poderia defender essas alegações. Mas, como, segundo sites populares de esquerda como o Daily Kos, o ThinkProgress e o Media Matters, é “racista” acreditar em qualquer um deles, não importa quais sejam seus argumentos. Você é um “racista”. Proteste o quanto quiser, mas quanto mais você tenta, mais os comissários o difamam e ridicularizam. Você pode fingir que tem razões logicamente sólidas e moralmente irrepreensíveis para suas opiniões, mas tudo isso não passa de uma cortina de fumaça para o “racismo”, na visão dos comissários. A única maneira de satisfazê-los agora é abandonando suas opiniões (e mesmo assim eles ainda questionarão sua sinceridade), mesmo que você não as defenda com base em argumentos questionáveis.

Assim, acusações de “racismo” quase sempre envolvem uma tentativa de ler mentes – por exemplo, aquela pessoa alega se opor à lei antidiscriminação por algum tipo de princípio, mas sabemos que é porque ela é racista.

Ver libertários, que obviamente deveriam ter mais discernimento, aderindo à onda do controle do pensamento, ou fingindo que toda a questão se resume à liberdade de ser um idiota, é extremamente míope e muito lamentável. O estado usa o argumento do “racismo” como justificativa para ampliar ainda mais seu poder sobre a educação, o emprego, a redistribuição de riqueza e muitas outras áreas. Enquanto isso, silencia os críticos da violência estatal com sua palavra mágica e nunca definida, “racismo” — uma acusação que o crítico tem de passar o resto da vida tentando refutar, apenas para descobrir que os oportunistas raciais não vão retirar a maldição até que ele se humilhe completamente e repudie toda a sua filosofia.

Se ele tentar se defender alegando que tem amigos próximos que pertencem ao grupo que ele é acusado de odiar, será ridicularizado mais do que nunca. Eis Rothbard novamente:

Também gostaria de enfatizar um ponto: durante toda a minha vida, ouvi os anti-anti-semitas zombarem dos gentios que, ao se defenderem da acusação de anti-semitismo, protestam dizendo que “alguns dos meus melhores amigos são judeus”. Essa frase é sempre alvo de escárnio, como se o ridículo fácil fosse uma refutação do argumento. Mas me parece que o ridículo é habitualmente usado aqui, precisamente porque o argumento é conclusivo. Se alguns dos melhores amigos do Sr. X são de fato judeus, é absurdo e contraditório alegar que ele é antissemita. E isso deveria ser o suficiente.

É difícil contestar Rothbard nesse ponto. Se alguém fosse acusado de não gostar de carne moída, mas pudesse ser demonstrado que ele gostava muito de hambúrgueres e goulash, isso praticamente derrubaria a acusação, não é mesmo?

Não conheço ninguém que odeie grupos inteiros, e as pessoas que o fazem constituem uma minoria tão pequena que suas organizações são tanto lunáticas como informantes do FBI. Da mesma forma, não conheço ninguém que defenda o uso da violência oficial contra grupos específicos.

É claro que devemos querer tratar as pessoas com justiça e respeito. Qualquer pessoa decente pensa assim. Mas como e por que a “igualdade” entra em cena, exceto no sentido libertário trivial e óbvio de que todos devemos, igualmente, abster-nos de agredir uns aos outros?

O estado adora nada mais do que declarar guerra às drogas, ao terrorismo, à pobreza ou à “desigualdade”. O estado ama a “igualdade” como princípio organizador, porque ela nunca pode ser alcançada. Ao tentar alcançá-la, o estado adquire cada vez mais poder sobre cada vez mais práticas e instituições. Qualquer um que questione a premissa da igualdade é expulso da sociedade educada. É uma grande farsa, e certamente não é lugar para libertários.

Se é igualdade material que queremos, ela desapareceria no momento seguinte à sua conquista, assim que as pessoas retomassem seus padrões normais de consumo e os bens e serviços oferecidos por algumas pessoas fossem mais valorizados do que aqueles oferecidos por outras. Se for “igualdade de oportunidades”, então teríamos que abolir a família, como tantos esquemas socialistas já contemplaram seriamente, já que as condições no lar desempenham um papel tão importante no sucesso das crianças.

Sim, é claro que nos opomos à desigualdade resultante dos privilégios especiais concedidos pelo estado a certas pessoas e grupos. Mas a verdadeira questão aqui não é a desigualdade em si, e sim a justiça e a propriedade privada.

Até mesmo o velho ditado sobre a igualdade aos olhos de Deus não está totalmente correto. Erik von Kuehnelt-Leddihn, católico tradicional e liberal clássico, observou que Judas, que traiu Cristo, não era de forma alguma o “igual” do discípulo amado, e que as origens da “igualdade” residiam no desejo de Lúcifer de ser igual a Cristo. Ele acrescentou:

O igualitarismo, nas melhores circunstâncias, torna-se hipocrisia; se for sinceramente aceito e acreditado, sua ameaça é ainda maior. Então, todas as desigualdades reais parecem, sem exceção, injustas, imorais, intoleráveis. Ódio, infelicidade, tensão e um desajuste geral são o resultado. A situação é ainda pior quando se fazem esforços brutais para estabelecer a igualdade por meio de um processo de nivelamento artificial (“engenharia social”), que só pode ser feito pela força, restrições ou terror, e o resultado é uma perda completa da liberdade.

Se queremos ser livres, portanto, devemos evitar o estado, seus métodos e sua linguagem.

























publicadaemhttps://mises.org.br/artigos/20116/o-que-exatamente-e-racismo/

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