Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 1 de novembro de 2026

O que resta quando a confiança se rompe?

  Lucas Berlanza


O que direi agora fica de registro. Aliás, pretendo salvar tudo que publiquei nas redes sociais, já que, a depender da “regulação” alardeada pelo presidente Lula novamente logo em seu discurso de vitória, não sabemos, como já não sabíamos, o que poderá ficar no ar.

Uma contestação do resultado eleitoral, como pretende fazer Flávio Bolsonaro, virtualmente não tem chances de prosperar. Simplesmente não há a quem recorrer. Quem aprovaria isso? O TSE? O STF? Não tenho nenhum motivo para acreditar nisso. Lula será empossado em janeiro.

Por outro lado, se teremos que “engolir” as coisas tal como estão, também não tenho nenhum motivo para respeitar um pleito manchado pela intervenção judicial.

Acredito, sem dúvida, na força de Lula; acredito na eficácia de seu procedimento populista de colonização de mentes. Este é o país que levou Vargas ao poder novamente depois de 15 anos de despotismo. E o país em que o próprio petista voltou da cadeia para o Planalto depois de mensalão, petrolão e tudo o mais.

Não duvido da reação expressiva dele junto ao eleitorado com abuso da máquina para compra descarada de votos nem dos limites e fragilidades da candidatura Bolsonaro.

Porém, da forma por que tudo se deu, com os números de que dispomos, com a decisão de Zanin logo após as 17h impondo um limbo jurídico mundialmente vergonhoso quanto a onde as urnas estiveram abertas ou fechadas, eu não me sinto obrigado a respeitar e crer no resultado desta eleição. Na consciência, ninguém mandará.

Carlos Lacerda dizia que, por vezes, na América Latina, não era o golpe típico, mas a aceitação tácita de resultados eleitorais, à revelia dos procedimentos adotados no percurso, o que provava que uma democracia estava letárgica – ou morta. Ele tinha razão. O país que conviva com o fato de que milhões não acreditam nem na Justiça nem na lisura da eleição. Sinto muito.












https://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/o-que-resta-quando-a-confianca-se-rompe/

Constitucionalismo abusivo? Revisão Judicial Abusiva?

  Lexum 


Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado uma crise institucional crescente — não provocada apenas pelos ocupantes do Poder Executivo, mas também pela centralização de poder nas mãos do Judiciário, particularmente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Embora a confiança pública no Poder Judiciário tenha aumentado com esforços anticorrupção, como a Operação Lava Jato, o atual ativismo judicial foi muito além dos limites constitucionais.

Em vez de atuar como guardião neutro da lei, o Judiciário se posicionou como ator político. O STF tem intervido em nomeações do Executivo, aberto inquéritos criminais sem base legal clara (como o inquérito das fake news) e censurado vozes dissidentes, incluindo jornalistas e autoridades eleitas. O TSE, sob o pretexto de proteger a democracia, tem restringido cada vez mais a liberdade de expressão eleitoral, desqualificado candidatos e imposto sanções com base em padrões vagos.

Uma decisão monocrática de um Ministro do STF reescreveu a Lei de Impeachment [Lei de Crimes de Responsabilidade]. Limitou os pedidos de impeachment judicial ao PGR e alterou o quórum legalmente fixado, de maioria simples para maioria de 2/3, para o recebimento da denúncia. Alegou o Ministro Gilmar Mendes que estaria combatendo um constitucionalismo abusivo. É sempre bom visitar conceitos sociológicos, com extrema cautela. Digo sociológicos pois, como conceito revolucionário, ainda que parta de juristas, como David Landau, ou mesmo de sua parceria com Roselind Dixon, veremos a influência muito mais da sociologia do que do Direito propriamente dito.

No artigo Abusive Judicial Review: Courts Against Democracy — Revisão judicial abusiva: tribunais contra a democracia — os autores descrevem como os tribunais também podem operar como elementos de erosão da democracia. Mas, mesmo quando os autores alertam para a revisão judicial abusiva, fazem-no com muita cautela e nunca atribuem ao próprio Judiciário a responsabilidade primária pelas violações à democracia e aos seus valores. Alertam — vejamos a cautela dos autores — que em todo o mundo, os tribunais são geralmente concebidos como a última linha de defesa da ordem constitucional democrática liberal. Uma verdadeira pré-concepção de purismo por parte dos julgadores. Em seguida, seguem com a advertência de que não é incomum que juízes emitam decisões que atacam intencionalmente o cerne da democracia eleitoral, mas o fazem, por exemplo, legitimando leis e práticas antidemocráticas, proibindo partidos de oposição para restringir a esfera eleitoral, eliminando limites de mandato presidencial e reprimindo legislaturas controladas pela oposição. A isso chamaram de revisão judicial abusiva.

Ocorre que isso ocorreria, pois os “potenciais autoritários” [would-be authoritarians] buscam “capturar os tribunais e utilizá-los de forma abusiva como parte de um projeto mais amplo de erosão democrática, porque os tribunais frequentemente desfrutam de vantagens de legitimidade que tornam suas ações antidemocráticas mais difíceis de detectar e combater, tanto nacional quanto internacionalmente” (Landau, Dixon. 2019).

Falando ainda em Laudau/Dixon, é preciso lembrar que seus estudos, quando tangenciam aquilo que denominaram “revisão judicial abusiva” (abusive judicial review), o fazem sem reconhecer a proeminência da jurisdição na erosão democrática. Parece que os autores identificam o judiciário como “capturado”, e não como um agente autônomo a erodir a democracia.

Por isso, opto por alterar a nomenclatura agora. Não mais falar em revisão judicial abusiva, posto que vinculada à ideia de captura da jurisdição por outro poder, que, este sim, seria o “potencial autoritário” [would-be authoritarian]. Passo a investigar outra hipótese, especialmente perigosa nos países como o Brasil, onde o ingresso na magistratura ocorre sem um processo de seleção que envolva voto popular, que não possui procedimentos de retenção de cargo e está encastelado em tantas prerrogativas que os demais poderes sequer conseguem deflagrar processo legislativo sobre os temas da carreira.

Em tais casos, não é apenas uma revisão judicial abusiva que devemos investigar. É preciso investigar se já não é o Judiciário apenas legitimando abusos do Poder Executivo ou do Poder Legislativo, pretensamente autocratas — mas seria o próprio Judiciário tornando-se o agente central de práticas assemelhadas às autoritárias.

Durante muitos anos a linguagem foi capturada. Particularmente no Brasil com o ingresso fortíssimo das teorias identitárias. Mas, como já advertia Austin: com as palavras podemos fazer coisas, não todas as coisas, mas tão somente as que, em seu limite, aquelas palavras devem permitir. O resto é malabarismo semântico. A respeito da interpretação, advertia Umberto Eco: ainda que as interpretações sejam livres, nem todas são necessariamente boas; algumas são até mesmo “paranoicas”. Por isso, cautela quando alguém disser que os tribunais brasileiros são baluartes de uma democracia militante.

O que Karl Loewenstein chamou de democracia militante está agora sendo usado para justificar exatamente a erosão das liberdades democráticas que deveria proteger. Esse padrão, antes excepcional, tornou-se frequente e normalizado. Agora qualquer dissidência é equiparada ao extremismo; a crítica é tratada como uma ameaça à democracia; uma piada é crime. Ao final e ao cabo, a democracia militante, o sonho Loewensteiniano era algo messiânico. Confiando demais nas boas intenções de alguém, aqui descobrimos até a validação de uma “censura temporária” para calar “milhões de pequenos tiranos”.

No caso do Brasil, deslocando a confiança de pessoas eleitas para profissionais não eleitos. Sempre bom lembrar: um agente eleito — nós, o povo — podemos retirar ou “demitir” a cada 4 anos, por meio de novas eleições. Os agentes não eleitos tornam-se facilmente tiranetes diante de seu maior grau de perpetuidade. Para isso, o impeachment! A única arma contra o comportamento “monárquico”, centralizador de poder, em mãos dos que se autoconcedem benefícios e competências é o impedimento.

O impeachment, o grande instrumento de uma República, demandaria um Congresso com dignidade e atuação. Nos anos recentes vimos um congresso dormente. Tanto assim que um de seus ex-presidentes acabou sendo incluído na lista de sanções do governo americano.

Esse processo todo, uma simbiose de agigantamento do judiciário e de outros agentes públicos não eleitos, aliado à letargia do Legislativo, vem sempre revestido de linguagem constitucional. Sempre tem uma desculpa formal. Aliás, o que é próprio ao Brasil, onde o regime de exceção pós-1964, especialmente pós-1967, sempre gozou de “fundamentação jurídica”. De toda forma, seguem minados a separação de poderes, o devido processo legal e o pluralismo político. Até o pobre federalismo nacional já foi para as cucuias.

O Brasil não está sozinho. Em todo o mundo, vemos uma tendência preocupante de instituições não eleitas reivindicarem autoridade moral e jurídica sem controle, sob a bandeira da democracia. Mas, como a história nos adverte — a benevolência dos “bons” também pode levar a fins iliberais ou autoritários. Parece apenas que o Brasil é o maior tubo de ensaio dos teóricos de um sociologês terrível.

Para Mary L. Volcansek, pesquisadora do Poder Judiciário, o que distingue os judiciários em democracias dos que atuam em regimes autoritários é o grau de responsabilização. Sem mecanismos efetivos de controle — desde a nomeação até a remoção — mesmo tribunais bem-intencionados podem se tornar obstáculos à governança democrática. No Brasil, o CNJ mostrou-se inócuo nesse sentido.

O governo do ex-Presidente que hoje sofre condenações, teve quatro anos e foi fragorosamente omisso quanto ao tema da legitimidade democrática das autoridades não eleitas para tanto poder. Minou tudo o que se esperava: PEC da bengala; CPI da Lava Toga; talvez até recriação de uma Secretaria de Reforma do Judiciário. A omissão não justifica o que ocorre hoje. Mas ele paga o preço.

Talvez seja, para o Brasil, aquilo que ocorreu com Trump: engoliu a empáfia do primeiro mandato e retornou ouvindo os think tanks conservadores e rodeando-se da academia. Bajuladores são péssimos conselheiros. Parlapatões são um alçapão para a derrocada. Um ex-Ministro de Bolsonaro foi ao Twitter há alguns meses para reclamar: “Onde estão os juristas e a academia que não se manifestam?” Estão onde sempre estiveram e onde foram fragorosamente desprezados pelo governo que ele compunha. Talvez agora, procurem a academia num próximo governo. Ou, quando voluntários aparecerem para enviar sugestões, sejam melhor recebidos.

Já não se trata de Lula ou Bolsonaro, de esquerda ou de direita. Trata-se de preservar os valores centrais de uma República: o Estado de Direito, a legitimidade eleitoral e a primazia da vontade popular. Categoricamente nada do que vemos – não só hoje, mas, há vários anos – se justifica no Brasil. O Brasil é uma república: e não se tem uma república com tamanhos poderes nas mãos de agentes não eleitos.

Devemos nos perguntar: estamos mantendo uma república — ou construindo uma monarquia judicial?

*Luiz Henrique Antunes Alochio – Advogado. Doutor em Direito (Uerj). Mestre em Direito Tributário (Ucam/RJ). Visiting Scholar – Florida State University (2022/2023). Ex-Conselheiro Federal da OAB (2019/2022). Sócio da Alochio Advocacia. Filiado à Lexum.

Referências:

AUSTIN, J. L. How to do things with words. Oxford: Clarendon Press, 1962.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 1.259/DF (ADPF 1.259/DF). Relator: Min. Gilmar Mendes. Decisão monocrática, medida cautelar, 3 dez. 2025.

ECO, Umberto. Os limites da interpretação. Tradução de Pérola de Carvalho. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 2004.

LANDAU, David; DIXON, Rosalind. Abusive judicial review: courts against democracy. UC Davis Law Review, Davis, v. 53, p. 1313-1387, 2020. FSU College of Law, Public Law Research Paper n. 907. Disponível em: SSRN — Abusive Judicial Review: Courts Against Democracy.

LOEWENSTEIN, Karl. Militant democracy and fundamental rights, I. American Political Science Review, v. 31, n. 3, p. 417-432, jun. 1937. DOI: 10.2307/1948164.

LOEWENSTEIN, Karl. Militant democracy and fundamental rights, II. American Political Science Review, v. 31, n. 4, p. 638-658, ago. 1937. DOI: 10.2307/1948103.

VOLCANSEK, Mary L. Judicial impeachment: none called for justice. Urbana: University of Illinois Press, 1993.

VOLCANSEK, Mary L. Judicial misconduct: a cross-national comparison. Gainesville: University Press of Florida, 1996.

VOLCANSEK, Mary L. Judicial politics in Europe: an impact analysis. New York: Peter Lang, 1986.














publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/constitucionalismo-abusivo-revisao-judicial-abusiva/


AO VENCEDOR, A VINGANÇA POLÍTICA

 gilbertosimoespires/pontocritico



AO VENCEDOR, A VINGANÇA POLÍTICA

POSTURA BEM MAIS DECENTE

Enquanto grande parte da MÍDIA BRASILEIRA, que adora INVESTIGAR TUDO E TODOS, achou por bem ACEITAR, sem a menor RESTRIÇÃO, o SINISTRO E DISCUTIDÍSSIMO RESULTADO DA VOTAÇÃO PARA PRESIDENTE DO BRASIL, dois dos maiores e mais influentes jornais dos EUA -WALL STREET JOURNAL- e -WASHINGTON POST- preferiram ADOTAR UMA POSTURA BEM MAIS DECENTE. 

AO VENCEDOR, A VINGANÇA POLÍTICA

No EDITORIAL da 4ª feira, 28, por exemplo, o WSJ publicou um EDITORIAL intitulado -TO BRAZIL`S VICTOR GOES POLITICAL REVENGE-, ou -AO VENCEDOR DO BRASIL, A VINGANÇA POLÍTICA-, no qual ACUSA O GOVERNO LULA E O STF de promoverem -PERSEGUIÇÃO E VINGANÇA POLÍTICA CONTRA A OPOSIÇÃO-. O referido texto destaca a apreensão do passaporte do senador Flávio Bolsonaro e QUESTIONA, com razão de sobra -A IMPARCIALIDADE DAS DECISÕES DA CORTE EM PROCESSOS JUDICIAIS ENVOLVENDO FIGURAS DA DIREITA BRASILEIRA-. 

WALL STREET JOURNAL

O Editorial do WSJ, cumprindo o papel daquilo que se espera de um JORNAL DECENTE, diz que -PAÍSES QUE TRANSITAM DA -LIBERDADE PARA A AUTOCRACIA- seguem um caminho semelhante: UM DEMAGOGO VENCE AS URNAS, TOMA O CONTROLE DO JUDICIÁRIO E PRENDE SEUS INIMIGOS. Onde as INSTITUIÇÕES SÃO FORTES, O ESTADO DE DIREITO PODE SOBREVIVER. NÃO ESTÁ CLARO SE O BRASIL CONSEGUIRÁ...

WASHINGTON POST

Já no seu EDITORIAL, o WASHINGTON POST escreve:  -WHEN JUDGES BECOME PROSECUTORS, ou -QUANDO JUÍZES SE TORNAM PROMOTORES-. Mais: CRITICA A ATUAÇÃO DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES E AFIRMA QUE JUÍZES BRASILEIROS -FREQUENTEMENTE- ATUAM COMO INVESTIGADORES, PROMOTORES E JULGADORES. MORAES SE VALE DE INVESTIGAÇÕES SOBRE DESINFORMAÇÃO E POSSÍVEIS ATAQUES À DEMOCRACIA PARA EXERCER CONTROLE SOBRE CONTAS INDIVIDUAIS E PLATAFORMAS DIGITAIS.

LULA ESCOLHEU O HOMEM E PROMETEU ENCONTRAR O CRIME

No seu EDITORIAL, o WSJ, de maneira clara também lembra desta afirmação feita recentemente por LULA: - ASSIM QUE FLÁVIO BOLSONARO PERDER A IMUNIDADE PARLAMENTAR, ELE VAI ENFRENTAR TODO TIPO DE INVESTIGAÇÃO. Ou seja, LULA ESCOLHEU O HOMEM E PROMETEU ENCONTRAR O CRIME. “A responsabilidade de decidir se cabe processar criminalmente um político federal é do PROCURADOR-GERAL. Mas o ministro Moraes tem o hábito de expandir sua jurisdição quando isso lhe convém politicamente”. 
















publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/ao-vencedor,-a-vinganca-politica

RECUAR PARA CONTINUAR

 Por Dagoberto Lima Godoy


Há momentos em que a coragem exige permanecer; em outros, sobreviver para prosseguir na luta. 
Em 622, Maomé deixou Meca sob perseguição e estabeleceu em Medina a comunidade que sustentaria a expansão do Islã. Séculos depois, refugiado no castelo de Wartburg, Lutero traduziu o Novo Testamento para o alemão, ampliando o alcance da Reforma. Bolívar encontrou no Haiti apoio para retomar suas campanhas pela independência. Em 1940, de Gaulle partiu para Londres e organizou a França Livre. Oliver Tambo conduziu do exterior parte essencial da luta contra o apartheid. O Dalai Lama preserva no exílio a voz e as tradições de seu povo. 
São causas e trajetórias distintas, mas todas ajudam a compreender que uma retirada pode preservar a capacidade de resistência.
Rui Barbosa buscou no exílio proteção contra a perseguição política durante o governo de Floriano Peixoto. De Londres, continuou a defender as liberdades e a criticar os rumos da República nos textos reunidos em Cartas de Inglaterra. Fernando Henrique, ameaçado após 1964, encontrou no exílio condições para continuar seu trabalho intelectual. Ao regressar, participou da luta pela redemocratização e chegou à Presidência.
O refúgio, por si só, não demonstra coragem nem covardia. Seu significado se revela no que vem depois. Quando a retirada permite reconstruir a ação pública e manter o compromisso com o bem comum, ela se torna expressão de resiliência cívica: a capacidade de atravessar a adversidade sem abandonar a responsabilidade perante a comunidade.










publicadaemhttps://www.pontocritico.com/espaco-pensar-artigo/recuar-para-continuar-291026

RICOS E POBRES... DIFERENÇAS

 IMPERIOMENTAL


RICOS E POBRES... DIFERENÇAS



ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE A DEMOCRACIA AMERICANA E A SALADA BRASILEIRA

 fernaolaramesquita/youtube


ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE A DEMOCRACIA AMERICANA E A SALADA BRASILEIRA


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https://www.youtube.com/watch?v=-IXriFZ_tKg

Lula e Trump frente a frente: o que está em jogo nessa tensão?

  GAZETA AGORA


STF Se Une Contra Moraes Para Ajudar Bolsonaro?!

 deltandallgnol/youtube


STF Se Une Contra Moraes Para Ajudar Bolsonaro?!


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https://www.youtube.com/watch?v=kwjv9QCmIH0

Depois de Nikolas e Pavanato, o Sistema Quer Mudar a Eleição

 rubinhonunes/youtube





Depois de Nikolas e Pavanato, o Sistema Quer Mudar a Eleição


O QUE A CAFETERIA REALMENTE VENDE

 INVESTIGOU/INSTAGRAM


O QUE A CAFETERIA REALMENTE VENDE



Lula Manda Recado Assustador ao STF e Irrita Moraes!

 andremarsiglia/youtube


Lula Manda Recado Assustador ao STF e Irrita Moraes!


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https://www.youtube.com/watch?v=4Yc7G26HfIY

sábado, 31 de outubro de 2026

A legitimidade das eleições não elimina a necessidade de criticar o procedimento

 julianaantonelli/institutoliberal


As eleições brasileiras são válidas e legítimas. O resultado das urnas deve ser respeitado, e não há razão democrática para transformar divergências políticas em acusações genéricas de fraude ou para questionar a soberania do voto sem evidências concretas. A democracia exige que os cidadãos aceitem os resultados regularmente apurados, mesmo quando eles contrariam suas preferências.

Esse reconhecimento, porém, não impede  e até exige  uma análise crítica sobre a atuação das instituições durante o processo eleitoral. Defender a legitimidade das eleições não significa considerar impecável cada decisão tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral, pelo Supremo Tribunal Federal ou por qualquer outro órgão público. Em uma ordem constitucional livre, instituições fortes não são aquelas que estão acima da crítica, mas aquelas capazes de prestar contas, justificar seus atos e aceitar limites.

A crítica liberal ao STF deve ser direcionada ao procedimento e não à validade do voto. O debate não precisa  nem deve  partir da premissa de que as eleições foram ilegítimas. A questão é saber se as instituições encarregadas de proteger o processo eleitoral agiram com suficiente transparência, previsibilidade, imparcialidade e respeito à separação de Poderes.

O Supremo Tribunal Federal possui uma função essencial na preservação da Constituição e dos direitos fundamentais. Sua independência é indispensável para impedir abusos da maioria e proteger as garantias individuais. Entretanto, independência não significa ausência de limites. Em uma democracia constitucional, todo poder precisa estar submetido a regras, controles e justificativas públicas.

Quando o Judiciário passa a formular regras de alcance geral, determinar condutas a agentes políticos, interpretar normas de maneira extensiva ou atuar em questões que poderiam ser resolvidas pelo Legislativo, surge uma preocupação legítima: a substituição do processo político por decisões judiciais. Ainda que determinadas medidas tenham como objetivo preservar a democracia, a forma de adotá-las pode gerar dúvidas sobre a distribuição constitucional de competências.

O princípio da separação de poderes não existe para dificultar o funcionamento do Estado. Ele existe para impedir que uma única instituição concentre funções demais. O Congresso pode ser imperfeito, lento e sujeito a conflitos políticos, mas é justamente o espaço institucional destinado ao debate público, à negociação e à responsabilização dos representantes eleitos. Quando decisões de grande impacto político são tomadas por tribunais, sem participação legislativa equivalente, a sociedade perde parte da capacidade de discutir e influenciar essas decisões.

Outro ponto central é a segurança jurídica. As regras eleitorais devem ser claras, estáveis e conhecidas antes da disputa. Candidatos, partidos e eleitores precisam saber previamente quais condutas são permitidas, quais são proibidas e quais serão as consequências de uma eventual infração.

A previsibilidade é especialmente importante em matéria eleitoral porque pequenas mudanças interpretativas podem afetar a competição política. A aplicação de critérios novos durante o processo, a ampliação de restrições por decisões judiciais ou a adoção de medidas sem parâmetros suficientemente objetivos podem criar uma sensação de insegurança. Mesmo quando a decisão é juridicamente defensável, o momento e o procedimento utilizados podem ser questionados.

Uma democracia liberal não deve depender apenas da boa intenção dos julgadores. Ela precisa de regras que limitem a discricionariedade e reduzam a possibilidade de decisões casuísticas. O cidadão não deve precisar adivinhar como uma norma será interpretada depois que a disputa já começou. A estabilidade das regras é uma condição básica para a igualdade entre os participantes.

Também merece atenção o respeito ao contraditório e à ampla defesa. O combate a abusos, ameaças e desinformação é legítimo, mas a proteção da democracia não pode ser usada como justificativa para dispensar garantias fundamentais. Em qualquer Estado de Direito, pessoas e instituições atingidas por uma decisão devem ter condições reais de conhecer as acusações, apresentar argumentos e contestar as provas.

Medidas excepcionais devem ser acompanhadas de fundamentação detalhada, prazos definidos e possibilidade efetiva de revisão. O cidadão precisa compreender por que determinada decisão foi tomada, quais fatos a justificaram e quais limites foram estabelecidos. A transparência não é um favor concedido pelo poder público; é uma exigência republicana.

Quanto mais intensa for a intervenção estatal sobre o debate político, maior deve ser o cuidado com a fundamentação e com os mecanismos de controle. O combate à desinformação, por exemplo, não pode se transformar em censura ampla ou em uma autorização genérica para definir quais opiniões podem circular. Há uma diferença importante entre retirar do alcance da lei uma fraude comprovada e silenciar críticas, interpretações políticas ou manifestações desagradáveis.

A democracia liberal precisa combater ameaças reais sem transformar a discordância em suspeita. O Estado deve punir condutas ilegais, como fraude, violência, corrupção ou coação, mas não pode tratar toda opinião equivocada como crime nem presumir que a crítica às instituições representa, por si só, um ataque ao regime democrático.

A concentração de funções em uma mesma instituição é outro motivo de preocupação. Quando um órgão participa da definição das regras, supervisiona o processo, investiga condutas, julga os casos e determina as consequências, pode surgir uma aparência de excesso de concentração decisória. Ainda que cada atribuição tenha fundamento legal ou constitucional, a soma dessas competências exige mecanismos reforçados de controle.

A imparcialidade não depende apenas da ausência de interesse pessoal dos julgadores. Ela também depende da aparência de neutralidade e da existência de procedimentos capazes de convencer a sociedade de que as decisões foram tomadas de forma equilibrada. Em assuntos tão sensíveis quanto eleições e liberdade de expressão, a confiança pública é parte do próprio funcionamento institucional.

Isso não significa afirmar que os ministros sejam pessoalmente parciais ou que as eleições tenham sido fraudadas. Significa reconhecer que o desenho institucional deve evitar situações em que um mesmo centro de poder acumule influência excessiva sobre todas as etapas do processo. A crítica é estrutural, não necessariamente pessoal.

Há um paradoxo que precisa ser enfrentado: instituições podem tentar proteger a democracia adotando métodos que, se utilizados sem limites, acabam enfraquecendo a própria democracia. Restringir direitos sem critérios claros, ampliar competências por interpretação, punir críticas de maneira desproporcional ou atuar sem transparência pode produzir desconfiança e alimentar a radicalização política.

A defesa da democracia deve ser feita por meios democráticos e constitucionais. Isso inclui devido processo legal, decisões fundamentadas, publicidade dos atos, direito de defesa, proporcionalidade das medidas e possibilidade de controle. A urgência pode justificar respostas rápidas em situações excepcionais, mas não deve eliminar a necessidade de revisão posterior ou de prestação de contas.

Uma democracia saudável não exige unanimidade em torno do STF. Ao contrário, ela precisa permitir que cidadãos, jornalistas, juristas, parlamentares e entidades da sociedade civil questionem decisões judiciais sem serem automaticamente classificados como inimigos das instituições. A crítica pública é um instrumento de controle, não uma ameaça em si mesma.

É perfeitamente possível sustentar, ao mesmo tempo, quatro posições: que as eleições foram legítimas; que o resultado deve ser respeitado; que não há fundamento para acusar genericamente o sistema eleitoral de fraude; e que a atuação do STF e do TSE pode ser criticada por razões procedimentais e institucionais.

Essas posições não são contraditórias. A legitimidade do resultado eleitoral não transforma toda decisão tomada durante o processo em decisão incontestável. Do mesmo modo, uma crítica ao comportamento institucional não invalida o voto popular nem autoriza a ruptura da ordem constitucional.

A maturidade democrática está justamente em distinguir essas questões. Contestação política não é o mesmo que denúncia de fraude. Crítica jurídica não é o mesmo que rejeição das eleições. Defesa da liberdade de expressão não significa tolerância com crimes. Respeito às instituições não significa submissão silenciosa a qualquer ato praticado por elas.

O cidadão liberal deve defender tanto a autoridade das urnas quanto os limites do poder. Deve rejeitar a tentação de invalidar eleições por frustração política, mas também resistir à ideia de que qualquer crítica ao Judiciário é antidemocrática. O voto popular é indispensável, porém não suficiente. A democracia também depende de instituições que respeitem regras estáveis, competências delimitadas e direitos individuais.

As eleições brasileiras são válidas e legítimas, e seus resultados devem ser reconhecidos. Essa afirmação precisa ser feita com clareza, especialmente em um ambiente de intensa polarização política. Mas o reconhecimento da legitimidade eleitoral não exige silêncio diante de decisões que possam comprometer a previsibilidade, a transparência e o equilíbrio entre os poderes.

A crítica ao STF deve ser responsável, baseada em princípios e concentrada nos procedimentos: excesso de competência, falta de transparência, decisões pouco previsíveis, restrições desproporcionais, insuficiência do contraditório e risco de concentração de poder. Não se trata de atacar a democracia, mas de recordar que a democracia também impõe limites a quem afirma protegê-la.

O Brasil não precisa escolher entre confiar nas urnas e fiscalizar o Judiciário. Pode e deve  fazer as duas coisas. Respeitar o resultado das eleições é respeitar a soberania popular. Exigir que as instituições ajam dentro de regras claras é respeitar o Estado de Direito. A democracia liberal só permanece forte quando o poder é exercido com responsabilidade, submetido à lei e aberto à crítica pública.

*Juliana Antonelli é diretora do Instituto Atlantos.




















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