Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

-

CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 4 de outubro de 2026

'O tiro saiu pela toga',

 escreve Pedro Henrique Alves  Ao interferir no debate da Globo, Judiciário pode ter dado a Flávio o argumento que faltava para reta final


Quinta-feira foi um dia ímpar para a política no Brasil. Após Gilmar Mendes mudar as diretrizes da Globo para encaixar Renan Santos no debate, e Estela Aranha, juíza do TSE, proibir que Lula fosse questionado e que a emissora carioca deixasse o seu púlpito vazio no estúdio, os céticos e moralmente míopes que até então diziam que as interferências judiciais nas eleições para favorecer Lula não passavam de uma conspiração, finalmente puderam constatar o óbvio por meio do maior canal televisivo do país. E o melhor, com os seus próprio olhos. 

Gilmar é um dos conhecidos portos seguros das ações judiciais que afetam Lula no STF. Há tempos que nem mesmo o mais aguerrido jornalista esquerdista consegue negar isso. Estela, por sua vez, desde antes de receber o cargo no TSE, se assumia publicamente como lulista ‒ temos até vídeo a esse respeito, segura a censura, Moraes. Não entrarei na obviedade que Estela e Gilmar envergam até na alma aquilo que todos os juízes jamais deveriam ser: parciais. E nem choverei no molhado ao dizer que a democracia acaba quando tribunais superiores favorecem candidatos determinados. Respeito demais a inteligência de quem está lendo.

Fato é que o negócio foi tão escrachado, desesperado e imprudente que até mesmo os jornalistas de esquerda ficaram espantados. Algo como: “Orra… mas nem disfarçaram desta vez”. Pois é, não disfarçaram. As decisões de Mendes e Aranha foram claras demais para que a já batida “defesa da democracia” fosse o suficiente para convencer meia dúzia de desavisados. E por isso mesmo julgo que o grande revés da esquerda, pós quinta-feira, está na derrocada da narrativa principal. Está mais do que claro que não é “pela democracia”, e sim por Lula. 


Tribunais jogam para Lula

Isso porque falar de imparcialidade eleitoral dos ministros virou papo de maluco; hoje TSE e STF estão para a imparcialidade tal como os bordéis estão para a castidade. Temo que a grande mídia não conseguirá mais embalar o argumento de que eles estão aí para garantirem a democracia e a lisura eleitoral. Não cola mais. A reboque, o Judiciário conseguiu dar razão a pelo menos três das principais teses da campanha de Flávio Bolsonaro: 1. Estamos sob uma ditadura do Judiciário; 2. O Judiciário trabalha em prol de Lula; 3. Logo, a ação seguinte de uma população minimamente sensata é se unir contra a esquerda e o sistema. 

Além disso, Flávio Bolsonaro sofria para se vender como o candidato que defenderia a liberdade de expressão em suas múltiplas subdivisões, mas foi justamente a imagem do “Flávio defensor de liberdades” que STF e TSE, sem querer, ajudaram a desenhar no imaginário popular depois de quinta-feira. Era Flávio ‒ ainda na quinta ‒ quem defendia a liberdade de imprensa da Globo, enquanto a esquerda, entre calados e “veja como isso é bom”, brigava para enfeitar o cocô de Gilmar e Estela. Talvez, ao final, o tiro tenha saído pela toga.


A ditadura do Judiciário 

Afinal, antropologicamente, o sentimento popular tende a se envergar para apoiar os injustiçados. Ao protegerem Lula, os juízes deixaram a sensação imediata de que o sistema ‒ o mesmo sistema que ninou Vorcaro em peitos fofos ‒ quer que Lula se mantenha no poder a todo custo. Para os ainda lúcidos, o Judiciário tornou a escolha de domingo mais fácil. Se até há poucos dias uma resistência moral, política e até mesmo ideológica se interpunha entre parte da população e Flávio, acredito que Gilmar e Estela arranjaram um porquê de vencê-la. 

Muitos colegas de redação vêm apurando um movimento que eu mesmo confirmo por minhas vias: eleitores de Caiado, Zema, Cury e até alguns de Renan, vêm dizendo que depois da pataquada na Globo eles iriam apoiar Flávio já no primeiro turno. 

Se tivesse um jogo do bicho para presidentes ‒ já que Lula recém descobriu que as bets são do capeta ‒, apostaria com força num maciço crescimento de Flávio na votação de domingo. E se é minimamente verdade que o povo não é trouxa, então agora ele sabe quem é o candidato do sistema, o que tal sistema faz para proteger os seus, e por que ele apoia Lula.

Pedro Henrique Alves - Revista Oeste













publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/10/o-tiro-saiu-pela-toga-escreve-pedro.html


A lei pervertida e os custos que não se veem

 gabrielsivierodalponte


Em 1850, pouco antes de morrer, o economista e jornalista francês Frédéric Bastiat publicou dois textos curtos que, passados mais de 170 anos, parecem ter sido escritos com os olhos voltados para Brasília: A Lei e O que se vê e o que não se vê.

No primeiro, Bastiat denuncia a perversão da lei. No segundo, a miopia de quem só enxerga os efeitos imediatos das decisões públicas. Lidos em conjunto, oferecem um diagnóstico incômodo e preciso dos problemas institucionais brasileiros.

A premissa de Bastiat é simples. Vida, liberdade e propriedade são anteriores e superiores a qualquer legislação humana, pois “foi pelo fato de a vida, a liberdade e a propriedade existirem antes que os homens foram levados a fazer as leis”. A lei, assim, nada mais é do que a organização coletiva do direito individual de legítima defesa, e sua missão deve se restringir a “garantir as pessoas, as liberdades, as propriedades; manter o direito de cada um; e fazer reinar entre todos a justiça”.

O problema surge quando a lei se desvia desse propósito, o que Bastiat atribui à “ambição estúpida” e à “falsa filantropia”. A primeira é a tendência humana de viver à custa dos outros, pois, “sempre que a espoliação se apresentar como mais fácil que o trabalho, ela prevalece”. A segunda é a pretensão de que a lei, além de justa, espalhe bem-estar e moralidade. Essa “fraternidade forçada” esbarra num limite lógico, o de que a lei não pode dar nada a ninguém sem antes ter tirado de alguém.

No Brasil, a lei deixou de ser um limite ao poder e passou a ser o seu principal instrumento. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, desde 1988 até setembro de 2025 foram editadas mais de 8,2 milhões de normas no país. Uma lei que muda todos os dias não garante coisa alguma e se torna fonte permanente de insegurança.

Trazendo a lição de O que se vê e o que não se vê em seu exemplo mais célebre, o da janela quebrada, um menino quebra a vidraça de uma loja e logo alguém observa que o episódio foi bom para a economia, pois deu trabalho ao vidraceiro. O que não se vê é que o lojista, ao pagar o conserto, deixou de gastar aquele dinheiro com algo novo. A comunidade não ganhou nada, apenas repôs uma perda.

O emaranhado normativo brasileiro é uma gigantesca fábrica de janelas quebradas. O que se vê é o legislador “fazendo alguma coisa”, sempre com boas intenções anunciadas. O que não se vê são as horas que empresas gastam apenas para entender e cumprir as regras, os litígios que se arrastam por décadas e os investimentos que deixam de vir. O vidraceiro está sempre ocupado repondo as vidraças, mas o país não enriquece.

Poucos episódios ilustram tão bem o que Bastiat chamava de espoliação legal, quando a lei tira de uns para favorecer outros, quanto a chamada “taxa das blusinhas”. Em 2024, durante a tramitação do Programa Mover, voltado à indústria automotiva, um “jabuti” incluiu no texto a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 sob a justificativa de proteger o comércio nacional.

O que se viu foi a arrecadação, que saltou de R$ 2,88 bilhões em 2024 para R$ 5 bilhões em 2025. O que não se viu foi o consumidor, que passou a pagar mais caro ou simplesmente deixou de comprar. As encomendas caíram de 187,1 milhões para 165,7 milhões no mesmo período.

Ainda, diante da impopularidade da cobrança, e em pleno ano eleitoral, o mesmo governo que a havia apoiado editou, em maio de 2026, uma medida provisória zerando a alíquota, aprovada pelo Congresso em setembro. Não se trata de conversão dos setores da esquerda ao livre comércio, mas da lei funcionando exatamente como Bastiat descreveu: a serviço do grupo mais capaz de pressionar o legislador em cada momento.

Mais grave ainda é quando as instituições encarregadas de conter o poder passam a ampliá-lo. Em maio de 2025, o Executivo elevou por decreto as alíquotas do IOF com o objetivo declarado de reforçar a arrecadação. O Congresso sustou o decreto em junho, e em julho o Supremo Tribunal Federal restabeleceu quase integralmente o aumento, inclusive com efeitos retroativos. O princípio de que nenhum tributo pode ser cobrado sem o consentimento dos representantes do povo, conquista histórica do liberalismo, torna-se frágil quando a vontade arrecadatória encontra sempre um caminho alternativo.

Por trás disso há uma corrente que ganha espaço de forma vertiginosa na doutrina e nos tribunais: o solidarismo fiscal. Sob a bandeira da solidariedade, o dever de pagar tributos passa a justificar a relativização da legalidade e da segurança jurídica. Mas toda permissão para tributar é, em última análise, uma autorização para o Estado invadir a propriedade do indivíduo, e por isso deveria ser interpretada de forma restritiva. É a “fraternidade forçada” de Bastiat transportada para o direito e, pior ainda, transformada em princípio.

A lição de Bastiat, portanto, não é a de que o Brasil precisa de legisladores mais bem-intencionados, afinal, como diz o jargão popular, de boas intenções o inferno está cheio. A lição é que a lei precisa voltar a ter um propósito limitado. Proteger a vida, a liberdade e a propriedade, e nada além disso. Enquanto ela for vista como ferramenta para moldar a sociedade ou como prêmio disputado pelos grupos mais organizados, continuaremos enxergando apenas os benefícios anunciados e pagando, sem perceber, a conta daquilo que não se vê.

*Gabriel Siviero Dal Ponte é advogado tributarista e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)













publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/a-lei-pervertida-e-os-custos-que-nao-se-veem/

A pedregosa estrada da cidadania

     Dartagnan da Silva Zanela


   É curioso quando começamos a refletir sobre o tempo e, ao fazê-lo, as primeiras palavras que nos vêm à cabeça são aquelas presentes nas páginas do livro Confissões, de Santo Agostinho, onde o bispo de Hipona pergunta: o que é o tempo? E, na sequência, responde-nos: se ninguém me pergunta, eu sei; mas, se quero explicá-lo a quem me pergunta, já não sei.

E é curioso refletirmos sobre isso porque, quando paramos para prestar a devida atenção na forma como experienciamos o tempo em nossas venturas e desventuras pra lá de humanas, notamos, num piscar de olhos, que suas três dimensões estão sempre presentes — juntas, fundidas e misturadas — em nosso horizonte de percepção.

Como bem nos ensinam Gilberto Freyre e Peter Berger, todos nós guardamos em nossa consciência os fragmentos do passado, de tudo aquilo que foi vivido e testemunhado por nós. Por isso mesmo, esse passado em cacos sempre pode sofrer uma ressignificação, uma nova interpretação à luz daquilo que está sendo vivido por nós no presente. Reinterpretação essa que pode ser mais profunda e esclarecedora, ou mais tosca e superficial; tudo depende da forma como triangulamos nosso eu — mais ou menos consciente — com o que estamos vislumbrando hoje e com os fragmentos desconexos de tudo aquilo que, de certa forma, compõe a nossa história pessoal e sua articulação com a memória coletiva de nossa sociedade.

Da mesma forma, quando voltamos nossas vistas para os dias que estão por vir, para o nosso futuro, invariavelmente edificamos em nossa imaginação um retrato hipotético do amanhã ou, se preferirmos, acabamos por escrever na mente uma biografia imaginária futura, articulada com uma história possível do amanhã. E essas imagens sempre são elaboradas a partir daquilo que estamos vivendo no momento presente, à luz do modo como ressignificamos o nosso passado.

Detalhe importante: tanto a forma como reinterpretamos o nosso passado quanto o modo como projetamos as nossas expectativas com relação ao futuro acabam impactando a maneira como vivemos o nosso tempo presente. Ou seja: passado e futuro não são dimensões temporais distantes do agora — nada disso. Elas estão fundidas com o presente no âmago do coração humano que, queiramos ou não admitir, está sempre diante da eternidade.

Nesse sentido, é mais do que natural que, em momentos como um pleito eleitoral, sintamos uma certa vertigem, como se o mundo estivesse prestes a terminar. Afinal, nossas vivências nos atiram em um turbilhão de emoções desequilibradas pela volúpia midiática, de afetos desordenados pelas ideologias que se eriçam e de sentimentos que se desencadeiam frente às possibilidades que vão sendo desenhadas por nossa imaginação — a qual não mede esforços para nos cobrir de razão e justificar nossas escolhas e ações.

Porém, esse momento passa; os plúmbeos ares eleitoreiros também se vão e, gradativamente, uma nova brisa sopra. Com esses novos ares de outro presente, iremos refletir, a partir de nossas expectativas, sobre tudo o que vivenciamos nestes loucos dias. E assim, entre trancos e barrancos, temos a oportunidade de aprender e amadurecer com os dias vividos — ou continuar do mesmo jeito, cometendo os mesmos erros em um próximo momento.

Resumindo o entrevero: a cidadania não pode ser restrita ao sufrágio de um voto, muito menos reduzida à militância apaixonada. Viver na pólis e pela pólis significa compreender que nossas diferenças políticas devem servir para, através delas e das nossas contradições, nos elevar como pessoas que aprendem a viver e conviver com suas limitações — e não para, ao final, nos apartarmos em guetos mentais que nos segregam, esgarçando o tecido social e tudo aquilo que nos permite reconhecer como filhos do mesmo chão.

*     O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "NAS ENTRANHAS DO LEVIATÃ", entre outros livros.










publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/a-pedregosa-estrada-da-cidadania__18744

Eu ainda tenho um sonho

 Francisco Carneiro Júnior


Carta a um réu chamado Brasil

               Não escrevo aqui mais um discurso... Há muitos por aí, com palavras inflamadas e promessas vazias. No próximo domingo, dia 4, o povo decidirá se ainda tem vergonha na cara. Todos vão encarar as filas de votação com a mesma verdade escancarada e silenciada no coração: esse Brasil não aguenta mais.

Um dia, um velho parlamentar ergueu um livro e disse ao país que ali estava a sua carta de alforria. Chamou-a de Constituição Cidadã. O texto prometia que a palavra seria livre, que ninguém seria julgado por tribunal de exceção, que o juiz natural seria sagrado, que a casa seria asilo inviolável, que o fruto do trabalho pertenceria a quem trabalha, que a segurança, a saúde e a educação seriam direito de todos e dever do Estado.

Trinta e oito anos depois, o brasileiro ainda não é livre.

Trinta e oito anos depois, o brasileiro ainda vive acorrentado a um Estado que arrecada um terço de tudo o que o país produz e devolve hospitais com corredores lotados e sem remédio, escolas que não ensinam e estradas que matam.

Trinta e oito anos depois, o brasileiro vive numa ilha de miséria cercada por um oceano de riqueza. Mora sobre o pré-sal e paga caro pela gasolina. Pisa na terra que alimenta o planeta e conta moedas para comprar comida. Bebe da maior reserva de água doce do mundo e quase metade do país ainda não tem esgoto na porta de casa.

Trinta e oito anos depois, o brasileiro é exilado dentro da própria pátria. Exilado da própria rua, que pertence ao criminoso da facção. Exilado da própria opinião, que pode custar uma conta bloqueada, uma rede silenciada, um processo. Exilado do próprio futuro.

Aquela Constituição foi uma nota promissória assinada pela República em nome de cada brasileiro. Pois bem: fomos ao caixa. E a República nos devolveu um cheque sem fundo, carimbado com a frase: "fundos insuficientes". Vamos às urnas agora cobrar uma dívida. Vamos sacar. E o vencimento é 4 de outubro.

De um lado, a promessa de que o trabalho seria protegido. Do outro, a realidade de um país onde empreender virou ato de resistência e produzir virou infração. O pequeno comerciante enfrenta um cipoal de dezenas de tributos, milhares de normas e uma burocracia que o trata como suspeito antes de tratá-lo como cidadão. A dívida pública caminha para 80% do PIB. Quando o governo quis aumentar o IOF por decreto, o Congresso, eleito pelo povo, derrubou. E o Supremo ressuscitou a cobrança. O princípio mais antigo das democracias diz que não há tributo sem representação. No Brasil, passamos a ter tributo por liminar.

De um lado, a promessa de que o Estado ampararia os mais frágeis. Do outro, aposentados e pensionistas do INSS, homens e mulheres que já deram tudo o que tinham a este país, tendo o benefício sangrado mês após mês por descontos associativos que nunca autorizaram, num assalto bilionário feito com carimbo oficial. Um país que deixa roubar o remédio do avô no contracheque do avô não tem um problema de gestão. Tem um problema de caráter.

A Constituição prometeu segurança. O Brasil entregou territórios inteiros onde a lei não entra, onde facções decidem quem vive e quem morre, quem abre comércio e quem fecha, quem pode subir a ladeira e quem precisa pedir licença. O crime organizado brasileiro já não se contenta apenas com fuzil, granada e ponto 50. Veste terno, abre fintech, compra posto de combustível, lava dezenas de bilhões pelo sistema financeiro formal e contrata os melhores escritórios de advocacia do país. E, enquanto o crime se sofisticava, decisões judiciais passaram a restringir operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro. E, quando não há combate, o inimigo se fortalece.

A Constituição prometeu que não haveria juízo nem tribunal de exceção. Prometeu o juiz natural, o devido processo legal, a imunidade do parlamentar por suas opiniões, a livre manifestação do pensamento. E, em março de 2019, o país entregou um inquérito aberto de ofício pela própria Suprema Corte, com relator escolhido sem sorteio, para apurar ofensas contra a própria Suprema Corte. Uma instituição que é, ao mesmo tempo, vítima, investigadora, acusadora e juíza. Aquele inquérito, que deveria ter sido exceção, virou método. Sob a sua sombra, políticos são presos. Redes sociais são arrancadas do ar. Pessoas comuns são condenadas a catorze anos de prisão. Um ex-presidente da República recebeu vinte e sete anos e três meses de pena de uma turma de cinco ministros, e não do plenário. E foram as mesmas mãos que, em 2021, anularam as condenações de quem hoje governa (e quer se reeleger!), não por declará-lo inocente, mas por discutir o endereço da vara que o havia julgado. Isso não se chama democracia. Chama-se juristocracia. E a vergonha já atravessou fronteiras. Já é global.

Essa mesma Constituição falava em prevalência dos direitos humanos nas relações internacionais. O Brasil entregou um governo que estendeu tapete vermelho a um ditador venezuelano e chamou de "narrativa" as denúncias contra um regime que expulsou quase oito milhões dos seus próprios cidadãos. Um governo que foi à Praça Vermelha aplaudir desfile militar enquanto a Ucrânia enterrava seus filhos. Um governo que reserva às democracias liberais a hostilidade que jamais ousa dirigir às ditaduras amigas. Isso não é diplomacia pragmática. É alinhamento com o fracasso.

Mas o socialismo nunca chegou a lugar algum anunciando correntes. Chegou sempre prometendo cuidado. Primeiro estende a mão, depois coloca a coleira e, por fim, batiza a coleira de direito social. A assistência que deveria ser ponte vira curral. O pobre que deveria ser libertado pelo emprego é mantido dependente pelo cadastro, porque um povo que depende não questiona, e um povo que não questiona vota por gratidão, nunca por convicção. Caracas não começou com fome. Começou com um líder carismático, um Judiciário domesticado, uma imprensa vendida e anestesiada e um povo que jurava que aquilo jamais aconteceria com ele.

Ouço daqui os conselheiros da prudência. Dizem que é preciso calma. Que a mudança vem devagar. Que é melhor esperar a próxima eleição, a próxima reforma, a próxima geração. Eu lhes respondo: este não é o momento de repousar na sombra fresca da acomodação, nem de engolir o calmante do gradualismo. Uma geração inteira já foi sacrificada no altar de Baal e Moloque. O tempo é agora. Agora é a hora de sair do pântano da impunidade para o chão firme da lei igual para todos. Agora é a hora de erguer esta nação da areia movediça do conformismo para a rocha da dignidade. Seria fatal fingir que este momento pode ser adiado. Este inverno de descontentamento do povo que trabalha não terminará enquanto não chegar uma primavera de liberdade e ordem. 2026 não é o fim de uma luta. É o começo de uma reconstrução. E quem imagina que o brasileiro, depois de tudo, vai voltar para casa resignado e deixar tudo como está terá um amargo despertar na noite da apuração.

Na luta para recuperar o que é nosso, não nos tornaremos aquilo que combatemos. Não mataremos a nossa sede de liberdade bebendo do copo do rancor. Quem denuncia o abuso não pode praticá-lo. Quem exige a lei não pode rasgá-la. A nossa força está no voto. Não está no grito. Está na perseverança. Conduziremos esta luta no mais alto nível de disciplina e decência, porque é exatamente isso que nos separa daqueles que nos querem calados. Cada vez que formos tentados a descer, subiremos: juntaremos a força do número à força da alma. E não trataremos como inimigos todos os que votaram no atual governo. Muitos deles acreditaram de boa-fé e hoje estão apertando o cinto, sentindo na pele a mesma asfixia que sentimos. O destino de vocês está amarrado ao nosso. A liberdade de vocês está costurada à nossa. Ninguém se liberta sozinho. Ou marchamos juntos, ou afundamos juntos.

E, enquanto marchamos, juramos não recuar. Há quem nos pergunte, com ironia, de cima dos seus gabinetes: "Afinal, o que vocês querem? Quando vão ficar satisfeitos?"

Não ficaremos satisfeitos enquanto um policial brasileiro for enterrado... e o assassino dele sair pela porta da frente numa audiência de custódia.

Não ficaremos satisfeitos enquanto uma mãe tiver de deitar os filhos no chão da sala quando começa o tiroteio, e o chefe da facção dormir tranquilo com a certeza de que o processo vai prescrever. Não ficaremos satisfeitos enquanto um brasileiro precisar pensar duas vezes antes de escrever o que pensa, com medo de que um despacho apague sua voz, seu perfil e sua conta bancária.

Não ficaremos satisfeitos enquanto o aposentado for roubado pelo próprio Estado e o trabalhador pagar mais imposto do que recebe em serviço.

Não ficaremos satisfeitos enquanto o jovem acreditar que a única saída do Brasil é o aeroporto.

Não, não estamos satisfeitos, e não ficaremos satisfeitos até que a justiça corra neste país como o São Francisco em tempo de cheia, e a honestidade desça pelas serras como as águas do Iguaçu.

Sei que muitos de vocês carregam cicatrizes. Alguns perderam o emprego, o contrato, o espaço, só por terem dito em voz alta aquilo que milhões pensam. Alguns enterraram um filho morto na violência cotidiana. Alguns fecharam a loja que o pai abriu e o avô sustentou. Vocês são os veteranos de uma guerra que ninguém declarou, mas que todos sentem. Não desistam. Votem sabendo que isto pode mudar e vai mudar. Não se deixem cair no poço do desalento.

Porque o maior crime cometido contra o Brasil nas últimas décadas não foi um desvio, não foi uma propina, não foi um contrato superfaturado. Foi a normalização da decadência. Fomos treinados, pouco a pouco, a achar o absurdo natural. Aprendemos a rir da corrupção porque perdemos a esperança de puni-la. Aprendemos a sobreviver em vez de exigir grandeza. Aprendemos a chamar mediocridade de pragmatismo e cinismo de esperteza. O brasileiro se acostumou ao escândalo como o afogado se acostuma à água: parando de respirar. E um povo que já não se escandaliza começa a morrer por dentro, ainda que continue pagando boleto, batendo ponto e torcendo no domingo.

O 4 de outubro não será uma eleição comum. Será um julgamento. E o réu seremos nós. Se o Brasil, depois de tudo o que viu, de tudo o que sofreu e de tudo o que lhe foi revelado, decidir entregar mais quatro anos ao mesmo projeto, não estará apenas escolhendo um governo. Estará assinando um pacto consciente com o mal, com o país que existe hoje. E não poderá, depois, fingir espanto diante da estagnação, da violência, das instituições desmoralizadas, dos cérebros que emigram e dos investimentos que fogem. Povos colhem o que decidem tolerar. Nenhuma nação se destrói apenas por ter maus governantes. Nações se destroem no dia em que seus cidadãos passam a considerar a degradação uma coisa normal.

Existe um caminho. E ele tem rumo e tem estandarte. Responsabilidade fiscal no lugar da gastança. Liberdade econômica no lugar do cartório. Combate implacável ao crime organizado no lugar da tolerância travestida de virtude. Mérito no lugar do apadrinhamento. Um Estado mais enxuto, mais barato e mais eficiente no lugar do Leviatã obeso. Defesa intransigente das liberdades individuais, da liberdade de expressão à liberdade de culto. E, acima de tudo, a restauração do equilíbrio entre os Poderes, para que o juiz esqueça a política e volte a julgar, o legislador volte a legislar e o povo volte a mandar por meio de quem elege.

Por isso lhes digo hoje, meus amigos: apesar das dificuldades de hoje e das que virão amanhã, eu ainda acredito. Acredito num Brasil que ainda não nasceu, mas que já pulsa no peito de cada um de vocês.

Chegará o dia em que esta nação se levantará e viverá, de verdade, aquilo que escreveu na sua Carta: que todo poder emana do povo, e não da caneta de quem nunca recebeu um voto.

Chegará o dia em que os filhos pobres ou ricos desta terra se sentarão à mesma mesa, porque todos terão tido a mesma chance de vencer pelo próprio esforço.

Chegará o dia em que o Brasil será transformado numa terra onde a criança brinca na rua e a mãe dorme em paz.

Chegará o dia em que os filhos deste país serão julgados pelo que fazem e pelo que constroem, e não pelo lado político em que seus pais votaram, nem pela conta que seguem numa rede social.

Chegará o dia em que o cidadão comum poderá entrar numa repartição pública de cabeça erguida, sabendo que ali ele é patrão, e não súdito.

Chegará o dia em que todo vale de miséria será aterrado, toda montanha de privilégio será aplainada, todo caminho tortuoso da burocracia será endireitado, e o Brasil verá, enfim, a si mesmo como nunca se permitiu ver: grande.

Esta é a nossa esperança. É com esta fé que cada um de vocês voltará para casa depois de votar. Com esta fé, arrancaremos da montanha do desânimo uma pedra de esperança. Com esta fé, transformaremos o ruído da nossa divisão numa sinfonia de reconstrução nacional. Com esta fé, trabalharemos juntos, rezaremos juntos, votaremos juntos, fiscalizaremos juntos, defenderemos a liberdade juntos, sabendo que um dia seremos um povo livre. E, nesse dia, cada brasileiro poderá cantar, com um sentido que nunca teve, os versos que aprendemos na escola sem entender:

"Mas, se ergues da justiça a clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte."

E, se o Brasil é mesmo uma grande nação, isso precisa deixar de ser verso e virar verdade*.

Então, que o grito da liberdade ecoe nas montanhas... Que ecoe dos paredões e chapadões... Que ecoe nos pampas e nas coxilhas... Que ecoe nas comunidades, no sertão, nas margens dos rios... Que ecoe nos nossos mares... Que ecoe de cada serra, de cada várzea, de cada vila, de cada seção eleitoral deste país.

E, quando isso acontecer, quando deixarmos a liberdade ecoar em cada casa e em cada povoado, em cada estado e em cada cidade, apressaremos o dia em que todos os filhos desta terra, do Oiapoque ao Chuí, brancos, negros, pardos e indígenas, católicos, evangélicos, espíritas, judeus e os que não têm fé alguma, poderão dar as mãos e dizer, com a voz embargada de quem esperou tempo demais:

De pé, enfim. De pé, enfim. Graças a Deus, o Brasil está de pé, enfim.

(Inspirada no discurso histórico de Martin Luther King Jr., "Eu tenho um sonho") ____________________________________________________________________

*         Essa verdade começa no domingo. Acorde cedo. Leve seu pai, sua mãe, seus filhos, seu vizinho. Vote e acompanhe a apuração. Ninguém fica em casa no dia em que o Brasil vai a julgamento.

**       Enviado pelo autor para publicação. Artigos de Francisco Carneiro Junior podem ser lidos diariamente no Substack. Sugiro que o faça.









publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/eu-ainda-tenho-um-sonho-__18743

O DISFARCE CANSOU DE DISFARÇAR

 Por Alex Pipkin


Uma sociedade livre não exige que todos concordem. Exige algo muito mais rasteiro: que a regra continue sendo regra mesmo quando produz o resultado que a gente odeia.
No Brasil, a gente sofisticou a conveniência e chamou de jurisprudência.
A Globo combinou as regras do debate com os partidos. O PT concordou. Candidato ausente teria o púlpito identificado e levaria pergunta sem resposta. Combinado antes do jogo, na frente de todo mundo.
Lula resolveu não ir. Aí aconteceu o “milagre jurídico”. Na véspera, a regra descobriu que estava errada.
A campanha petista recorreu. Horas antes do debate, a ministra do TSE Estela Aranha suspendeu justamente a parte que exporia a ausência do presidente. A emissora cancelou e falou em insegurança jurídica. Sim, até a Globo falou.
Até aqui já seria vexame suficiente. O Brasil, porém, faz questão do bis.
Circula vídeo, divulgado como sendo de 2022, em que a própria magistrada declara voto em Lula e conclama advogados a fazer o mesmo. Depois foi secretária de Flávio Dino, trabalhou na Presidência e acabou indicada pelo próprio Lula ao TSE. Agora, em plena eleição, decide pedido da coligação do presidente que a indicou. Qualquer semelhança, claro, é apenas coincidência.
A parcialidade nem se dá ao trabalho de usar véu.
Isolado, cada episódio sempre arruma um malabarismo jurídico para se sustentar. O que não existe é borracha para apagar o conjunto da obra.
Esse é o verdadeiro escárnio. Exige-se que o cidadão finja que é idiota. Que não enxergue quem decide, de onde veio, quem indicou e a favor de quem a caneta produz efeito.
Juiz tem preferência política, óbvio que tem. O inacreditável é achar normal o eleitor ver essa preferência estampada na camisa de quem apita a partida.
A conta chegou e veio rasgando. Segundo o Datafolha, 48% dos brasileiros não confiam no Supremo. Recorde histórico. O maior índice de desconfiança entre oito instituições pesquisadas.
Brasília pode chamar isso de “incompreensão popular”. É o velho truque do poder arrogante; quando o cidadão deixa de confiar, o problema passa a ser o cidadão.
Autoridade não vem de toga, de prédio monumental ou de voto de 80 páginas. Vem da crença quase ingênua de que a regra vem antes do estômago de quem a interpreta.
Quando essa crença rui, não sobra Justiça.
Sobra poder com toga e caneta.
O púlpito vazio foi proibido na marra.
O vazio de imparcialidade, não. Esse ficou escancarado em rede nacional.
Domingo saberemos o que o eleitor viu no debate que Brasília não deixou acontecer.
Tudo, evidentemente, em defesa da democracia.

















publicadaemhttps://www.pontocritico.com/espaco-pensar-artigo/o-disfarce-cansou-de-disfarcar-021026


CHIQUINI DETONA PUBLICAÇÃO DE FLÁVIO DINO E FALA POSSÍVEL "GOLPE DE ESTADO" DO STF

 itatiaia/youtube


CHIQUINI DETONA PUBLICAÇÃO DE FLÁVIO DINO E FALA POSSÍVEL "GOLPE DE ESTADO" DO STF


clique no link abaixo e assista


 

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More