Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Governo e mercado: onde termina a liberdade individual?

 ogleme


2. A ordem liberal e o processo político da democracia

Democracia é uma coisa. Ordem liberal, outra. O filósofo espanhol Ortega y Gasset, em seu elegante e expressivo estilo, nos ensinava que os liberais estão preocupados especialmente em conter a jurisdição do Estado dentro de rigorosas e estreitas fronteiras. E isso ocorre porque os liberais têm por missão a defesa da liberdade individual, vítima frágil da concentração dos poderes estatais. Conter o Estado é irrigar a liberdade pessoal. Diferentemente dos liberais, mas não necessariamente em oposição direta a eles, os democratas têm o exercício dos poderes públicos como seu principal objeto: quem deve ocupá-los? E respondem: o poder público é do povo e por ele deve ser exercido.

O liberalismo se preocupa especialmente com a maximização e a preservação do processo não político de decisões individuais, decisões essas tomadas no dia a dia do cidadão, no seio da família, na profissão, no clube, na rua, no mercado. O processo decisório individual, contrapartida da autonomia pessoal, começa no café da manhã e termina no leitinho morno da noite, numa cadeia incessante de opções, escolhas e renúncias pelas quais o responsável é o agente individual. O liberalismo se interessa particularmente pela existência de instituições que tornem esse processo eficaz, preservando a liberdade individual e legitimando os direitos de propriedade. Os liberais não querem ser conduzidos pelos ocupantes dos poderes públicos; esperam que estes se limitem a criar o espaço no qual a iniciativa particular possa ser livremente exercida.

Os democratas não estão especificamente preocupados com o processo de decisões individuais. Coerentes com o seu compromisso para com a representação popular no governo, eles estão em sintonia com o processo político de decisões coletivas.  Nessas decisões coletivas, políticas, os cidadãos decidem como se fossem uma unidade; supostamente, o que decidirem valerá para todos. O exemplo mais expressivo desse tipo de decisão é o funcionamento de uma assembleia constituinte. Diferentemente das decisões individuais, essas decisões políticas são difusas quanto à responsabilidade da decisão tomada. Não seria exagerado dizer que as decisões políticas carecem do sentido contundente da responsabilidade explícita das decisões individuais.

Na realidade, o processo político de decisões coletivas é não apenas “irresponsável”, como é ineficaz e com irresistível vocação para a corrupção. De todos os processos sociais, o processo político é de longe o mais precário, e esta é a avaliação que dele se faz universalmente. E por esse mesmo motivo é surpreendente que nas eleições frequentemente os eleitores deleguem à política decisões que podem ser tomadas de maneira mais eficiente pelos particulares no seio do mercado. Todas as vezes em que isso se dá, politiza-se desnecessariamente o problema. Isto é, torna-se mais precária a sua solução. Resumindo: o liberalismo se refere principalmente ao mercado, enquanto a democracia diz respeito à política.

Isso tudo sugere que o liberalismo e a democracia podem estar em conflito, numa relação antitética. E de fato sempre estão assim. Sugiro aos leitores a leitura do livro de Norberto Bobbio, Liberalismo e Democracia, Editora Nova Fronteira, bem como os trabalhos de James Buchanan e seus colegas da assim chamada “Escola da Escolha Pública”.

Muito antes de Bobbio e Buchanan, Simón Bolivar, Alex de Tocqueville e os Founding Fathers tiveram aguda percepção de que a prática da democracia – dada a precariedade do processo político – poderia comprometer a ordem liberal. Há mais de dois séculos se procura algum meio de impedir que tal ameaça se concretize. Essa é a razão de ser do constitucionalismo e da sugestão de Hayek da criação da Demarquia. (Ver, do autor, Os Fundamentos da Liberdade, Ed. Visão).

Uma das coisas que podem ser feitas é a conscientização das pessoas a respeito de que o exercício da democracia pode ameaçar a liberdade individual. Lamentavelmente, há sinais de um crescimento indesejável de pseudoideais democráticos (democratismo) que, em seu afã de privilegiar a democracia (isto é, o processo político), podem acabar enterrando o ideal liberal da liberdade. Isso ocorre, por exemplo, quando se pretende ingênua e erradamente “democratizar” a organização de instituições baseadas em decisões individuais como são, por exemplo, as empresas e as famílias. A prática do “assembleísmo” nessas instituições do tipo taxis, que dependem essencialmente da responsabilidade individual de proprietários, empresários e chefes de família, ignora que o sistema decisório por meio de votos foi concebido para outro tipo de instituição, as sociedades abertas liberal-democráticas conhecidas como kosmos (ver Hayek, Os Fundamentos da Liberdade e Direito, Legislação e Liberdade, Universidade de Brasília). Pode-se conceber uma empresa ou uma família com “estilo democrático” de organização e funcionamento, mas transformá-las realmente em “democracias” é condená-las à inoperância, à disfunção e à perda de eficácia. O leitor amante de futebol certamente se lembrará da tentativa patética de se organizar um clube paulista de futebol profissional nos moldes de uma democracia, a “democracia corintiana”. Não se pode duvidar das boas intenções dos líderes daquele movimento,  como não se pode igualmente atribuir-lhes o mínimo de conhecimento em matéria de organização social. Felizmente para o clube, a ideia não se concretizou.

Por algum bom motivo, o processo político de decisões públicas ou coletivas da democracia passou a ser associado à prosperidade. O resultado desse culto indevido da democracia tem sido a glorificação da política em detrimento do mercado, a expansão dos poderes públicos à custa da liberdade pessoal, o debilitamento das forças geradoras da riqueza e do bem-estar social. As pessoas geralmente têm dificuldades para entender que é a redução dos poderes coercitivos do Estado que fortalece a autonomia pessoal e a prosperidade, e não necessariamente a democracia. Elas têm dificuldade para entender que é a liberdade econômica típica dos mercados abertos e suas instituições que propicia o desenvolvimento, não a democracia. Enquanto essas diferenças fundamentais entre processo político e ordem liberal não forem entendidas pela maioria das pessoas, continuaremos com a liberdade e a prosperidade ameaçadas. A seara da democracia é a política com suas decisões grupais; a da ordem liberal são decisões pessoais livres e responsáveis. A primeira é uma atividade pública, a segunda é individual.

Sei que estou correndo o risco de ser taxado de “inimigo da democracia”. Não o sou; sou amigo do liberalismo. Não conheço processo político melhor do que o democrático, como não conheço sequer um processo político que pelas suas limitações constitutivas não ameace a integridade dos direitos individuais.

(conclui na próxima parte)












publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/governo-e-mercado-onde-termina-a-liberdade-individual-parte-4/

O QUE É OUVIR NÃO DO ELEITOR... TCHAU QUERIDAS...

 SOBERANIAVIVA/THREADS


O QUE É OUVIR NÃO DO ELEITOR... KKKKK



‘Cala a boca, Janja’, diz mãe de Nikolas, ‘mexeu com o piá errado’ de 3,1 milhões de votos

 A mãe do deputado Npuxa o coro de “cala a boca, Janja”, após o filho se tornar o deputado federal mais votado da história

No comitê de campanha de Nikolas Ferreira (PL-MG), em Belo Horizonte, a mãe do deputado, Maria Ruth Ferreira de Oliveira, respondeu neste domingo (4) às ofensas da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, com a frase que circulou nas redes: “Cala a boca, Janja”, que completou: “mexeu com o piá errado”.

Ruth levantou o coro de “cala a boca, Janja” entre apoiadores que acompanhavam a apuração e, apontando para o telão com os números do Tribunal Superior Eleitoral, ironizou: “Olha aqui o piá de bosta”. No mesmo painel, uma montagem exibia a expressão “piá de ouro”, em contraste com o xingamento usado pela primeira-dama. O público repetiu gritos contra Janja. Nikolas conquistou 3,1 milhões de votos, maior votação de um deputado federal na História do Brasil.

A troca de ataques vinha da reta final da campanha. Em 29 de setembro, em ato de Lula (PT) em Salvador, Janja chamou Nikolas de “piá de bosta”. Ela explicou que a expressão é usada no Paraná — “piá” significa menino — para quem “faz alguma coisa errada” e afirmou que o deputado deveria “lavar a boca” antes de falar do presidente e ainda precisaria “comer muito arroz com feijão” para se comparar a ele. Lula, no mesmo palanque, referiu-se ao parlamentar como “canalha”.

Janja repetiu o termo nos dias seguintes. Em Belo Horizonte, na sexta-feira (2), disse “um salve para todo mundo de Minas Gerais, menos para o piá de bosta” e que “Minas é muito maior que esse piá de bosta”. No Rio de Janeiro, voltou a usar a expressão. Nikolas respondeu em comício e nas redes que o ataque seria “um elogio” e perguntou por que “um jovem de 30 anos, que nasceu na favela”, teria feito a primeira-dama “perder a linha”.

O estopim foi um vídeo em que Nikolas criticou uma fala de Lula sobre mulheres serem “tocadas” desde cedo, atribuindo conotação sexual ao trecho. A campanha do presidente sustentou que a declaração foi retirada de contexto — ligada, segundo o Planalto, a exames preventivos e à resistência masculina aos cuidados de saúde — e acionou o TSE pedindo a retirada das publicações.

Nas urnas, a resposta veio em votos. Com a apuração praticamente encerrada em Minas Gerais, Nikolas foi reeleito com cerca de 3,119 milhão de votos, segundo registros da noite de domingo, e se tornou o deputado federal mais votado da história do Brasil. Superou a própria marca de 2022, quando recebeu cerca de 1,49 milhão de votos e já havia sido o mais votado do país naquele pleito, e ultrapassou o recorde anterior de Eduardo Bolsonaro, de cerca de 1,84 milhão em 2018. O segundo colocado na disputa histórica desta eleição foi Lucas Pavanato (PL-SP), com cerca de 3,038 milhão de votos.

A cena no comitê — a mãe do deputado devolvendo em público o xingamento da primeira-dama diante do placar da apuração — sintetizou o tom da reta final em Minas: ofensa pessoal de um lado, recorde de votação do outro.






publicadaemdiáriodopoder


SENADO CONSERVADOR: bancada projeta mudanças na relação com o STF

 revistgaoeste/youtube


SENADO CONSERVADOR: bancada projeta mudanças na relação com o STF


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https://www.youtube.com/watch?v=aEcIkrwjH7E

A falácia do voto nulo - por Caio Coppolla

 caiocoppolla/youtube


A falácia do voto nulo - por Caio Coppolla


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RESULTADO DO PRIMEIRO TURNO FAZ BOLSA DISPARAR

 PABLOSPYER/THREADS


RESULTADO DO PRIMEIRO TURNO FAZ BOLSA DISPARAR



enxergar a realidade sem maquiagem...

 marcilenem.mr/threads


enxergar a realidade sem maquiagem...



Moraes Volta a Falar Com Vorcaro Por Canais Discretos!

 andremarsiglia/youtube


Moraes Volta a Falar Com Vorcaro Por Canais Discretos!

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Maioria de governadores eleitos fará campanha por Flávio - Alexandre Garcia

 alexandregarcia/youtube


Maioria de governadores eleitos fará campanha por Flávio - Alexandre Garcia


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O que Fachin está reafirmando — e por que essa declaração foi questionada

 praetorium/fernaolaramesquita/youtube


O que Fachin está reafirmando — e por que essa declaração foi questionada

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A VIDA É TEMPORÁRIA

 REDCODE/FACE


A VIDA É TEMPORÁRIA



O BRASIL ACORDOU!

 NIKOLASFERREIRA


AGORA VAMOS PARA A MISSÃO FINAL 



Vídeos: Ex-presidiário Lula ignora lei e pede voto na boca de urna, e ainda joga no chão a bandeira do Brasil

  Descondenado esteve acompanhado de Alckmin, Haddad, Tebet, Marina e Padilha... Tuti buoma gente


O presidente e candidato à reeleição Lula (PT) votou neste domingo (4), em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e parecia tão à vontade que até mesmo chegou a pedir votos a jornalistas.

O detalhe é que, no dia da eleição, pedidos de voto são proibidos e podem caracterizar crime de boca de urna, conforme o artigo 39, § 5º, II, da Lei nº 9.504/1997.

Antes disso, o atual presidente da República posou para fotos segurando a bandeira do Brasil no local de votação, ao lado do seu vice, Geraldo Alckmin, e nesse momento fez um gesto transmitido pela TV registrado em imagens que viralizaram: ele amassa a bandeira e depois a descarta, usando a mãos esquerda. As imagens não mostram a bandeira no chão, mas nada indica que tenha acontecido algo diferente disso. Até mesmo seu prestimoso fotógrafo pessoal não conseguiu evitar o gesto porque apareceu apenas na sequência.

Lula chegou ao local de votação por volta das 9h05, acompanhado de Alckmin, do candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), das candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), além do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Após votar, o petista falou sobre a importância da escolha dos eleitores:

“As pessoas têm que votar pensando no Brasil, nos filhos, nos netos, no futuro que vão deixar”, afirmou.






publicadaemdiariodopoder

Satisfação que não cabe no meu peito!

 silvana.verona/threads


Satisfação que não cabe no meu peito!



domingo, 4 de outubro de 2026

'O tiro saiu pela toga',

 escreve Pedro Henrique Alves  Ao interferir no debate da Globo, Judiciário pode ter dado a Flávio o argumento que faltava para reta final


Quinta-feira foi um dia ímpar para a política no Brasil. Após Gilmar Mendes mudar as diretrizes da Globo para encaixar Renan Santos no debate, e Estela Aranha, juíza do TSE, proibir que Lula fosse questionado e que a emissora carioca deixasse o seu púlpito vazio no estúdio, os céticos e moralmente míopes que até então diziam que as interferências judiciais nas eleições para favorecer Lula não passavam de uma conspiração, finalmente puderam constatar o óbvio por meio do maior canal televisivo do país. E o melhor, com os seus próprio olhos. 

Gilmar é um dos conhecidos portos seguros das ações judiciais que afetam Lula no STF. Há tempos que nem mesmo o mais aguerrido jornalista esquerdista consegue negar isso. Estela, por sua vez, desde antes de receber o cargo no TSE, se assumia publicamente como lulista ‒ temos até vídeo a esse respeito, segura a censura, Moraes. Não entrarei na obviedade que Estela e Gilmar envergam até na alma aquilo que todos os juízes jamais deveriam ser: parciais. E nem choverei no molhado ao dizer que a democracia acaba quando tribunais superiores favorecem candidatos determinados. Respeito demais a inteligência de quem está lendo.

Fato é que o negócio foi tão escrachado, desesperado e imprudente que até mesmo os jornalistas de esquerda ficaram espantados. Algo como: “Orra… mas nem disfarçaram desta vez”. Pois é, não disfarçaram. As decisões de Mendes e Aranha foram claras demais para que a já batida “defesa da democracia” fosse o suficiente para convencer meia dúzia de desavisados. E por isso mesmo julgo que o grande revés da esquerda, pós quinta-feira, está na derrocada da narrativa principal. Está mais do que claro que não é “pela democracia”, e sim por Lula. 


Tribunais jogam para Lula

Isso porque falar de imparcialidade eleitoral dos ministros virou papo de maluco; hoje TSE e STF estão para a imparcialidade tal como os bordéis estão para a castidade. Temo que a grande mídia não conseguirá mais embalar o argumento de que eles estão aí para garantirem a democracia e a lisura eleitoral. Não cola mais. A reboque, o Judiciário conseguiu dar razão a pelo menos três das principais teses da campanha de Flávio Bolsonaro: 1. Estamos sob uma ditadura do Judiciário; 2. O Judiciário trabalha em prol de Lula; 3. Logo, a ação seguinte de uma população minimamente sensata é se unir contra a esquerda e o sistema. 

Além disso, Flávio Bolsonaro sofria para se vender como o candidato que defenderia a liberdade de expressão em suas múltiplas subdivisões, mas foi justamente a imagem do “Flávio defensor de liberdades” que STF e TSE, sem querer, ajudaram a desenhar no imaginário popular depois de quinta-feira. Era Flávio ‒ ainda na quinta ‒ quem defendia a liberdade de imprensa da Globo, enquanto a esquerda, entre calados e “veja como isso é bom”, brigava para enfeitar o cocô de Gilmar e Estela. Talvez, ao final, o tiro tenha saído pela toga.


A ditadura do Judiciário 

Afinal, antropologicamente, o sentimento popular tende a se envergar para apoiar os injustiçados. Ao protegerem Lula, os juízes deixaram a sensação imediata de que o sistema ‒ o mesmo sistema que ninou Vorcaro em peitos fofos ‒ quer que Lula se mantenha no poder a todo custo. Para os ainda lúcidos, o Judiciário tornou a escolha de domingo mais fácil. Se até há poucos dias uma resistência moral, política e até mesmo ideológica se interpunha entre parte da população e Flávio, acredito que Gilmar e Estela arranjaram um porquê de vencê-la. 

Muitos colegas de redação vêm apurando um movimento que eu mesmo confirmo por minhas vias: eleitores de Caiado, Zema, Cury e até alguns de Renan, vêm dizendo que depois da pataquada na Globo eles iriam apoiar Flávio já no primeiro turno. 

Se tivesse um jogo do bicho para presidentes ‒ já que Lula recém descobriu que as bets são do capeta ‒, apostaria com força num maciço crescimento de Flávio na votação de domingo. E se é minimamente verdade que o povo não é trouxa, então agora ele sabe quem é o candidato do sistema, o que tal sistema faz para proteger os seus, e por que ele apoia Lula.

Pedro Henrique Alves - Revista Oeste













publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/10/o-tiro-saiu-pela-toga-escreve-pedro.html


A lei pervertida e os custos que não se veem

 gabrielsivierodalponte


Em 1850, pouco antes de morrer, o economista e jornalista francês Frédéric Bastiat publicou dois textos curtos que, passados mais de 170 anos, parecem ter sido escritos com os olhos voltados para Brasília: A Lei e O que se vê e o que não se vê.

No primeiro, Bastiat denuncia a perversão da lei. No segundo, a miopia de quem só enxerga os efeitos imediatos das decisões públicas. Lidos em conjunto, oferecem um diagnóstico incômodo e preciso dos problemas institucionais brasileiros.

A premissa de Bastiat é simples. Vida, liberdade e propriedade são anteriores e superiores a qualquer legislação humana, pois “foi pelo fato de a vida, a liberdade e a propriedade existirem antes que os homens foram levados a fazer as leis”. A lei, assim, nada mais é do que a organização coletiva do direito individual de legítima defesa, e sua missão deve se restringir a “garantir as pessoas, as liberdades, as propriedades; manter o direito de cada um; e fazer reinar entre todos a justiça”.

O problema surge quando a lei se desvia desse propósito, o que Bastiat atribui à “ambição estúpida” e à “falsa filantropia”. A primeira é a tendência humana de viver à custa dos outros, pois, “sempre que a espoliação se apresentar como mais fácil que o trabalho, ela prevalece”. A segunda é a pretensão de que a lei, além de justa, espalhe bem-estar e moralidade. Essa “fraternidade forçada” esbarra num limite lógico, o de que a lei não pode dar nada a ninguém sem antes ter tirado de alguém.

No Brasil, a lei deixou de ser um limite ao poder e passou a ser o seu principal instrumento. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, desde 1988 até setembro de 2025 foram editadas mais de 8,2 milhões de normas no país. Uma lei que muda todos os dias não garante coisa alguma e se torna fonte permanente de insegurança.

Trazendo a lição de O que se vê e o que não se vê em seu exemplo mais célebre, o da janela quebrada, um menino quebra a vidraça de uma loja e logo alguém observa que o episódio foi bom para a economia, pois deu trabalho ao vidraceiro. O que não se vê é que o lojista, ao pagar o conserto, deixou de gastar aquele dinheiro com algo novo. A comunidade não ganhou nada, apenas repôs uma perda.

O emaranhado normativo brasileiro é uma gigantesca fábrica de janelas quebradas. O que se vê é o legislador “fazendo alguma coisa”, sempre com boas intenções anunciadas. O que não se vê são as horas que empresas gastam apenas para entender e cumprir as regras, os litígios que se arrastam por décadas e os investimentos que deixam de vir. O vidraceiro está sempre ocupado repondo as vidraças, mas o país não enriquece.

Poucos episódios ilustram tão bem o que Bastiat chamava de espoliação legal, quando a lei tira de uns para favorecer outros, quanto a chamada “taxa das blusinhas”. Em 2024, durante a tramitação do Programa Mover, voltado à indústria automotiva, um “jabuti” incluiu no texto a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 sob a justificativa de proteger o comércio nacional.

O que se viu foi a arrecadação, que saltou de R$ 2,88 bilhões em 2024 para R$ 5 bilhões em 2025. O que não se viu foi o consumidor, que passou a pagar mais caro ou simplesmente deixou de comprar. As encomendas caíram de 187,1 milhões para 165,7 milhões no mesmo período.

Ainda, diante da impopularidade da cobrança, e em pleno ano eleitoral, o mesmo governo que a havia apoiado editou, em maio de 2026, uma medida provisória zerando a alíquota, aprovada pelo Congresso em setembro. Não se trata de conversão dos setores da esquerda ao livre comércio, mas da lei funcionando exatamente como Bastiat descreveu: a serviço do grupo mais capaz de pressionar o legislador em cada momento.

Mais grave ainda é quando as instituições encarregadas de conter o poder passam a ampliá-lo. Em maio de 2025, o Executivo elevou por decreto as alíquotas do IOF com o objetivo declarado de reforçar a arrecadação. O Congresso sustou o decreto em junho, e em julho o Supremo Tribunal Federal restabeleceu quase integralmente o aumento, inclusive com efeitos retroativos. O princípio de que nenhum tributo pode ser cobrado sem o consentimento dos representantes do povo, conquista histórica do liberalismo, torna-se frágil quando a vontade arrecadatória encontra sempre um caminho alternativo.

Por trás disso há uma corrente que ganha espaço de forma vertiginosa na doutrina e nos tribunais: o solidarismo fiscal. Sob a bandeira da solidariedade, o dever de pagar tributos passa a justificar a relativização da legalidade e da segurança jurídica. Mas toda permissão para tributar é, em última análise, uma autorização para o Estado invadir a propriedade do indivíduo, e por isso deveria ser interpretada de forma restritiva. É a “fraternidade forçada” de Bastiat transportada para o direito e, pior ainda, transformada em princípio.

A lição de Bastiat, portanto, não é a de que o Brasil precisa de legisladores mais bem-intencionados, afinal, como diz o jargão popular, de boas intenções o inferno está cheio. A lição é que a lei precisa voltar a ter um propósito limitado. Proteger a vida, a liberdade e a propriedade, e nada além disso. Enquanto ela for vista como ferramenta para moldar a sociedade ou como prêmio disputado pelos grupos mais organizados, continuaremos enxergando apenas os benefícios anunciados e pagando, sem perceber, a conta daquilo que não se vê.

*Gabriel Siviero Dal Ponte é advogado tributarista e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)













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A pedregosa estrada da cidadania

     Dartagnan da Silva Zanela


   É curioso quando começamos a refletir sobre o tempo e, ao fazê-lo, as primeiras palavras que nos vêm à cabeça são aquelas presentes nas páginas do livro Confissões, de Santo Agostinho, onde o bispo de Hipona pergunta: o que é o tempo? E, na sequência, responde-nos: se ninguém me pergunta, eu sei; mas, se quero explicá-lo a quem me pergunta, já não sei.

E é curioso refletirmos sobre isso porque, quando paramos para prestar a devida atenção na forma como experienciamos o tempo em nossas venturas e desventuras pra lá de humanas, notamos, num piscar de olhos, que suas três dimensões estão sempre presentes — juntas, fundidas e misturadas — em nosso horizonte de percepção.

Como bem nos ensinam Gilberto Freyre e Peter Berger, todos nós guardamos em nossa consciência os fragmentos do passado, de tudo aquilo que foi vivido e testemunhado por nós. Por isso mesmo, esse passado em cacos sempre pode sofrer uma ressignificação, uma nova interpretação à luz daquilo que está sendo vivido por nós no presente. Reinterpretação essa que pode ser mais profunda e esclarecedora, ou mais tosca e superficial; tudo depende da forma como triangulamos nosso eu — mais ou menos consciente — com o que estamos vislumbrando hoje e com os fragmentos desconexos de tudo aquilo que, de certa forma, compõe a nossa história pessoal e sua articulação com a memória coletiva de nossa sociedade.

Da mesma forma, quando voltamos nossas vistas para os dias que estão por vir, para o nosso futuro, invariavelmente edificamos em nossa imaginação um retrato hipotético do amanhã ou, se preferirmos, acabamos por escrever na mente uma biografia imaginária futura, articulada com uma história possível do amanhã. E essas imagens sempre são elaboradas a partir daquilo que estamos vivendo no momento presente, à luz do modo como ressignificamos o nosso passado.

Detalhe importante: tanto a forma como reinterpretamos o nosso passado quanto o modo como projetamos as nossas expectativas com relação ao futuro acabam impactando a maneira como vivemos o nosso tempo presente. Ou seja: passado e futuro não são dimensões temporais distantes do agora — nada disso. Elas estão fundidas com o presente no âmago do coração humano que, queiramos ou não admitir, está sempre diante da eternidade.

Nesse sentido, é mais do que natural que, em momentos como um pleito eleitoral, sintamos uma certa vertigem, como se o mundo estivesse prestes a terminar. Afinal, nossas vivências nos atiram em um turbilhão de emoções desequilibradas pela volúpia midiática, de afetos desordenados pelas ideologias que se eriçam e de sentimentos que se desencadeiam frente às possibilidades que vão sendo desenhadas por nossa imaginação — a qual não mede esforços para nos cobrir de razão e justificar nossas escolhas e ações.

Porém, esse momento passa; os plúmbeos ares eleitoreiros também se vão e, gradativamente, uma nova brisa sopra. Com esses novos ares de outro presente, iremos refletir, a partir de nossas expectativas, sobre tudo o que vivenciamos nestes loucos dias. E assim, entre trancos e barrancos, temos a oportunidade de aprender e amadurecer com os dias vividos — ou continuar do mesmo jeito, cometendo os mesmos erros em um próximo momento.

Resumindo o entrevero: a cidadania não pode ser restrita ao sufrágio de um voto, muito menos reduzida à militância apaixonada. Viver na pólis e pela pólis significa compreender que nossas diferenças políticas devem servir para, através delas e das nossas contradições, nos elevar como pessoas que aprendem a viver e conviver com suas limitações — e não para, ao final, nos apartarmos em guetos mentais que nos segregam, esgarçando o tecido social e tudo aquilo que nos permite reconhecer como filhos do mesmo chão.

*     O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "NAS ENTRANHAS DO LEVIATÃ", entre outros livros.










publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/a-pedregosa-estrada-da-cidadania__18744

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