Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A esperança começou a vencer o medo dos togados

   Judiciário em Foco 


Após a chuva, vem o bom tempo. Adaptando o ditado ao noticiário brasileiro da última semana, pode-se dizer que, após o temporal promovido por nossa elite judiciária, o surgimento dos primeiros raios de sol começou a dissipar as nuvens carregadas de desalento. Acompanhamos o deboche de Flávio Dino, que, ferindo todos os ritos processuais, manipulou a imagem da santa padroeira do país e se disfarçou de defensor da liberdade de expressão no intuito manifesto de prejudicar a campanha de seu xará candidato. Fomos surpreendidos pelo cancelamento inédito do debate presidencial da Globo em decorrência direta de intervenções irregulares de Estela Aranha e Gilmar Mendes nas regras sobre o modo de exibição e as formas de participação na atração de uma emissora privada. Na véspera da eleição, fomos chacoalhados pela decisão abusivamente infundada de Floriano Marques de retirar do pleito o então postulante ao Senado Deltan Dallagnol, mais uma vez lançado à insegurança de uma guerra de liminares. No entanto, resistindo aos relâmpagos e aos trovões do universo judiciário, milhões de brasileiros foram às urnas e, de forma ordeira e institucional, manifestaram seu protesto diante do inaceitável.

Não à toa, o país deu uma guinada à direita. No Executivo, a liderança de Flávio Bolsonaro em primeiro turno evidenciou o total descrédito da população na narrativa criada pela cúpula togada em torno de um “golpismo” pretensamente capitaneado pela família do candidato. Já nas casas legislativas, a aposentadoria de caciques esquerdistas e a hegemonia de políticos alinhados às pautas direitistas trouxe ares renovados ao mofo da abulia dos últimos quatro anos, com a promessa de mudanças indispensáveis à retomada da normalidade institucional. Se fizer jus ao protagonismo esperado da câmara alta do poder de maior representatividade popular, um Senado ocupado por perfis mais afeitos ao Estado de Direito poderá recolocar em marcha os mecanismos de freios e contrapesos que tanta falta nos fizeram na última legislatura.

Embalados por uma onda reformista, novos perfis de senadores poderão dar andamento a pedidos de impeachment contra autocratas togados e contra o atual ocupante da PGR, assim como abrir comissões parlamentares para investigações contra possíveis envolvidos em escândalos de corrupção, incluindo-se aí juízes e procuradores. Esses mesmos mandatários poderão atuar como crivos na triagem mais cuidadosa dos próximos indicados à cúpula judiciária e derrubar, via decretos legislativos, quaisquer decisões que implicarem o exercício indevido da atividade legislativa por magistrados. Isso sem falar nas transformações sistêmicas tão necessárias à contenção e à prevenção dos arbítrios judiciais, como, por exemplo, a retirada da competência criminal dos tribunais superiores e a extinção do controle concentrado de constitucionalidade.

As possibilidades acima soam tão concretas que, segundo noticiado pela grande mídia, as figuras mais autoritárias do Supremo já se apressam em tentar negociações com uma ala supostamente mais “moderada” do Partido Liberal. Premidos pelo receio da perda da toga e quiçá da própria liberdade, figurões que, até pouquíssimo tempo atrás, falavam de cima para baixo com políticos eleitos e ditavam a estes o que fazer, agora parecem dispostos a acordos para a garantia da própria sobrevivência institucional. Acordos que, se forem levados a sério pelos recém-chegados ao Senado, redundarão em acordões para a blindagem de malfeitores e em traição a uma parcela expressiva do eleitorado.

Afinal, não foi em nome da construção de novas tramas de promiscuidade que tantos votantes enfrentaram longas filas em pleno domingo de descanso. Ao contrário, transmitiram uma mensagem de aversão aos apoiadores do regime alexandrino e de outorga de ampla maioria parlamentar ao grupo político que, pelo menos no discurso, vem se colocando como única via ao enfrentamento do autoritarismo judicial. Os milhões de brasileiros que, ao longo de tantos anos, permaneceram calados por medo ou inertes por desalento, voltaram a participar do debate público.

No entanto, para que a escolha popular comece a render frutos, é preciso que a opinião pública esteja atenta e vigilante aos riscos oferecidos por autocratas acuados, e exija a posse de todos os quadros eleitos. Uma vez empossados, os novos mandatários deverão ser pressionados pela implementação das medidas necessárias ao afastamento dos principais abusadores de sua judicatura. Autoridades que chegaram ao poder sem um único voto foram derrotadas por milhões de votos de brasileiros descrentes da elite de todo um sistema judiciário. Se o povo for ouvido, teremos razões de sobra para esperançar que os raios tímidos nos tragam o brilho e o calor do sol. Caso contrário, estaremos diante de uma simples mudança cosmética de nomes, sem alterações em essência. Insisto em torcer pela primeira hipótese.









publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/a-esperanca-comecou-a-vencer-o-medo-dos-togados/


Na Argentina é fracasso, no Brasil é estatística

   André Burger


A redução de 32 mil empresas empregadoras na Argentina desde a posse de Javier Milei, em dezembro de 2023, tem sido utilizada por eleitores de Lula como demonstração do fracasso da política econômica argentina. O passo seguinte foi transportar o argumento para a eleição presidencial brasileira: uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acompanhada da adoção de políticas semelhantes às de Milei, provocaria aqui a mesma destruição de empresas e empregos.

O número é real. Segundo os registros da Superintendência de Riscos do Trabalho da Argentina, o país tinha quase 520 mil empregadores registrados em novembro de 2023, antes da posse de Milei. Em julho de 2026, eram cerca de 480 mil,uma redução de 6,3%. O que não se esclarece é que esses 32 mil representam a redução líquida do estoque de empregadores e não o número total de empresas fechadas. Durante esse período, empresas encerraram suas atividades,outras foram criadas e algumas podem simplesmente ter deixado de manter empregados registrados.

Contudo, a questão principal é outra. O fechamento de empresas é necessariamente uma demonstração de fracasso econômico? E, se for, por que o mesmo critério não é aplicado ao Brasil?

A Argentina que Milei herdou era uma economia submetida a décadas de intervencionismo, controles cambiais, restrições às importações, impostos sobre exportações, subsídios e gastos públicos muito acima da sua capacidade de financiamento. Muitas empresas desenvolveram suas atividades nesse ambiente fechado, sem enfrentar a concorrência internacional que as obrigasse a buscar maior eficiência e produtividade.

Quando essas barreiras começam a desaparecer, parte das empresas deixa de ser economicamente viável. Algumas se adaptam, outras encerram as atividades. É uma consequência possível de qualquer processo de liberalização econômica. A proteção estatal preserva empresas e empregos por algum tempo, mas não elimina o custo de manter empresas não competitivas. O efeito é apenas a transferência desse custo para consumidores e pagadores de impostos, que enfrentam preços mais elevados e sustentam estruturas produtivas menos eficientes.

Isso não significa que todas as empresas fechadas na Argentina fossem improdutivas ou sobrevivessem graças à proteção do Estado. A contração da demanda, as dificuldades de financiamento e os custos do próprio ajuste também contribuíram para os fechamentos. Entretanto, ignorar que uma economia submetida por décadas a controles e protecionismo precisa passar por uma reorganização produtiva é desconhecer como o mercado funciona.

Lembremos que a Argentina tinha fortes restrições ao comércio exterior. Em 2023, a soma de suas exportações e importações representava apenas 26,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2025, esse percentual subiu para 30,4%,ainda abaixo dos 35,3% registrados pelo Brasil. Milei eliminou licenças de importação, reduziu tarifas, flexibilizou controles cambiais e diminuiu impostos. O país começou a enfrentar uma concorrência externa de que boa parte de suas empresas esteve protegida por décadas.

Porém, se o fechamento de empresas é prova de fracasso econômico, convém examinar o que acontece no Brasil.

Segundo os dados da Receita Federal, compilados pelo CNPJ Aberto, entre 2023 e 2025, foram abertas aproximadamente 13,6 milhões de empresas e encerradas 7,8 milhões, resultando em um saldo positivo de cerca de 5,8 milhões de CNPJs,incluindo microempreendedores individuais. Somente em 2025, foram registrados 5,06 milhões de novos CNPJs, contra 2,80 milhões de baixas, com saldo positivo de 2,26 milhões. Os números mostram que a dinâmica empresarial brasileira não pode ser reduzida à contagem dos negócios encerrados.

Entretanto, o aumento do número de CNPJs não significa, necessariamente, que o ambiente econômico seja favorável à atividade empresarial. Boa parte das novas inscrições corresponde a microempreendedores individuais, frequentemente sem empregados. Além disso, a criação de novos registros não revela as dificuldades enfrentadas pelas empresas existentes, especialmente aquelas que precisam financiar capital de giro, investir, contratar empregados e enfrentar a concorrência.

Há outro indicador que merece atenção: a quantidade de empresas que recorrem à recuperação judicial. Segundo a série histórica da Serasa Experian, os pedidos passaram de 833 em 2022, último ano do governo Bolsonaro, para 1.405 em 2023 e 2.273 em 2024, os dois primeiros anos do terceiro governo Lula — um crescimento de aproximadamente 173% em apenas dois anos. Em 2025, já sob uma metodologia revisada, foram registrados 977 processos de recuperação judicial, envolvendo 2.466 CNPJs. Os critérios de contagem foram alterados, de modo que não é correto comparar diretamente os 977 processos com os números anteriores. Mas os dados mostram que o crescimento do estoque de CNPJs convive com dificuldades financeiras relevantes entre as empresas em atividade.

É justamente essa a questão. Uma economia pode registrar milhões de novas empresas e, simultaneamente, enfrentar problemas de endividamento empresarial, juros elevados, dificuldades de financiamento e aumento da tributação — assim como pode passar por uma redução do número de empregadores durante um processo de ajuste econômico e reorganização produtiva. Nenhum desses indicadores, isoladamente, permite decretar o sucesso ou o fracasso de uma política econômica.

Se os números brasileiros precisam ser interpretados considerando a abertura de novos negócios, a transformação da economia e as dificuldades das empresas existentes, por que os argentinos são apresentados isoladamente como demonstração de fracasso?

A redução de 6,3% no estoque de empregadores argentinos é relevante e merece investigação sobre suas causas e consequências, mas, isoladamente, não demonstra que a liberalização econômica fracassou. Para isso, seria necessário examinar também a evolução da produção, da produtividade, dos investimentos, dos salários reais e do emprego.Empresas podem desaparecer enquanto outras surgem, atividades produtivas podem perder espaço para setores mais eficientes e empregos podem ser substituídos por outros de maior produtividade. É assim que as economias se transformam. A questão é saber se o resultado desse processo aumenta ou diminui a riqueza produzida pela sociedade.

Há outra diferença importante entre as políticas econômicas adotadas pelos dois governos.

Milei assumiu o compromisso de reduzir o desequilíbrio fiscal argentino, cortando despesas, subsídios e estruturas do setor público. O objetivo era interromper o financiamento dos déficits pela emissão monetária, a principal fonte da inflação crônica do país. O ajuste trouxe custos econômicos e sociais, mas foi acompanhado de uma queda expressiva da inflação em relação aos níveis encontrados no início de seu governo e de uma redução significativa da pobreza em relação a governos anteriores.

No terceiro governo Lula, o caminho foi outro. A dívida bruta do governo, que correspondia a 72% do PIB ao final de 2022, chegou a 83% em agosto de 2026 — um aumento de 11 pontos percentuais do PIB em menos de quatro anos. Ao mesmo tempo, o governo adotou sucessivas medidas para aumentar a arrecadação, incluindo reonerações, elevação de alíquotas, tributação de rendimentos anteriormente favorecidos e restrições a benefícios fiscais. Levantamentos identificam até 37 dessas iniciativas desde 2023, conforme o critério adotado. O resultado é uma economia que convive com juros elevados, carga tributária crescente e desequilíbrios nas contas públicas. Enquanto Milei busca reduzir o peso do Estado sobre a economia e, consequentemente, sobre o cidadão, Lula segue aumentando a necessidade de financiamento do Estado brasileiro.

A inflação também merece atenção. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2023 em 4,6%,2024 em 4,8% e 2025 em 4,3%, sempre acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Em setembro de 2026, a inflação acumulada em 12 meses estava em 4,6%. A inflação não é apenas um indicador estatístico. É a medida da perda continuada do poder de compra da moeda, especialmente prejudicial àqueles que não conseguem reajustar seus rendimentos na mesma proporção dos preços.

Economias são sistemas complexos, sujeitos a múltiplas influências. Contudo, neste ano em que celebramos os 250 anos da publicação de A riqueza das nações, de Adam Smith, já conhecemos muito sobre os efeitos das diferentes políticas econômicas, o que funciona e o que não funciona em economia. Ignorar as consequências das políticas fiscais, monetárias e comerciais sobre o funcionamento das empresas e a capacidade de crescimento dos países é desprezar dois séculos e meio de evolução da ciência econômica.

O curioso é que essa complexidade parece desaparecer quando o assunto é Milei e suas políticas liberalizantes. Nesse caso, basta apresentar a redução do número de empresas para decretar o fracasso da política econômica. Quando o assunto é Lula, entretanto, os milhões de fechamentos de empresas brasileiras exigem explicações, contextualizações e ressalvas metodológicas. E, nesse segundo caso, corretamente.

Não há nada de errado em criticar os custos do ajuste argentino. Eles existem e devem ser examinados. O problema é transformar um indicador isolado em sentença econômica e, a partir dele, construir previsões sobre outro governo.

Os números não mudam de significado conforme a nacionalidade do presidente ou a conveniência de quem os divulga. Uma empresa que fecha na Argentina não é necessariamente prova do fracasso de Milei, assim como uma empresa que abre no Brasil não é automaticamente prova do sucesso de Lula.

Para os economistas que utilizam tais estatísticas como argumento eleitoral, restam duas hipóteses: ou desconhecem economia ou são intelectualmente desonestos.Ou ambos.

*Artigo publicado originalmente na Revista Oeste.









publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/na-argentina-e-fracasso-no-brasil-e-estatistica/

O BRASILEIRO HONESTO ESTÁ DE LUTO

 jeffersonseverino


Não, o Brasil não está dividido. Para quem sabe que houve uma traição à vontade popular, o sentimento é outro: o Brasil está indignado, revoltado e se sente roubado!

Contrariando pesquisas, manifestações e expectativas, o resultado deixou milhões de brasileiros perplexos. E quando a confiança nas instituições desaba, não adianta exigir silêncio, muito menos aplausos.

As denúncias, as suspeitas e os questionamentos precisam ser esclarecidos com fatos, transparência e provas. Democracia não pode ser uma palavra bonita usada apenas quando convém. O voto é sagrado, e a confiança do eleitor não pode ser tratada como um detalhe descartável.

O brasileiro honesto está de luto porque acredita que sua voz foi sufocada. Está de luto porque vê suas esperanças políticas naufragarem e teme pelo futuro de um país castigado por impostos, inflação, insegurança e desconfiança.

E agora, o ébrio terá de governar sob o peso do próprio legado, enfrentando um Congresso que poderá impor limites aos seus projetos e uma população que não lhe concederá carta branca.

A conta já preocupa. O mercado reage às incertezas, o custo de vida continua pesando e quem trabalha para sobreviver não tem tempo para discursos triunfalistas.

A festa é dos políticos. A conta é do povo. E a ressaca, como sempre, sobra para o brasileiro!

Não nos peçam para comemorar. Não nos peçam para esquecer. E, sobretudo, não confundam indignação com conformismo.

Houve irregularidade, que seja investigada. As regras foram desrespeitadas, que os responsáveis respondam. A vontade popular foi contrariada ilegalmente, que os fatos venham à luz.

Porque democracia sem transparência vira desconfiança. Justiça sem credibilidade perde a confiança do cidadão. E um país sem esperança começa a enterrar o próprio futuro.

HOJE, O BRASILEIRO HONESTO ESTÁ DE LUTO. AMANHÃ, CONTINUARÁ DE OLHOS ABERTOS.

O BRASIL NÃO É PROPRIEDADE DE POLÍTICOS. A VOZ DO POVO NÃO PODE SER CALADA!















https://www.instagram.com/p/De8GPNpG2eA/?xtok=cXdodXJ3dzN5dWN2


Em resumo: cada povo tem o governo que merece

  Caio Gottlieb


Um texto de autoria não confirmada, que circula nas redes, propõe uma reflexão que merece sobreviver ao encerramento da apuração: numa eleição, o julgamento também alcança quem escolhe os governantes.

Passada a votação, fica a pergunta que o calendário eleitoral não encerra: qual é a responsabilidade de uma sociedade pelo país que suas escolhas ajudam a construir?

É confortável atribuir todas as mazelas nacionais aos ocupantes do poder, como se tivessem chegado aos cargos por geração espontânea. Eles têm nome, partido, trajetória e um histórico que a propaganda tenta embelezar, mas não consegue apagar.

Depois de décadas de corrupção, aparelhamento da máquina pública e escândalos que se sucedem sob o abrigo da impunidade, a ignorância é um álibi cada vez menos convincente.

Quando esse passado é conhecido, o voto deixa de carregar apenas uma expectativa. Carrega também a responsabilidade pelo que se decidiu relevar.

A democracia assegura a cada cidadão o direito de escolher segundo suas convicções, seus interesses e suas esperanças. Esse direito, porém, vem acompanhado das consequências da escolha.

Quem aceita o abuso porque favorece seu lado enfraquece a própria autoridade para combatê-lo quando muda o beneficiário.

Quem encontra uma desculpa para cada escândalo ajuda a baixar a régua com que o próximo será medido. O espetáculo se torna obsceno quando a sucessão de denúncias já não constrange, a falta de punição já não surpreende e o compromisso com a decência depende da filiação partidária do acusado. Aos poucos, a indignação perde o caráter de princípio e vira conveniência de ocasião.

Talvez seja esse o desgaste mais profundo de um país: o momento em que o espanto cede lugar ao encolher de ombros. O cidadão conhece a espera por atendimento, a escola que não ensina, a estrada deteriorada e o medo que dita horários e trajetos.

Assiste ao avanço do crime organizado enquanto enfrenta uma máquina estatal voraz na cobrança e precária na entrega. Ainda assim, a corrupção passa a ser descontada na conta das supostas virtudes do governante; o privilégio ganha uma justificativa; o fracasso recebe mais um prazo.

Quem trabalha, empreende e produz segue pagando a conta, espremido entre impostos, burocracia e insegurança. A tolerância se acumula até virar licença.

Nenhum resultado eleitoral entrega um cheque em branco ao vencedor, assim como nenhuma derrota dispensa a oposição de fiscalizar com seriedade.

A cobrança precisa começar pelos próprios aliados e alcançar o condomínio de poder que se acomoda entre o governo, seus parceiros no Congresso e os setores da alta cúpula do Judiciário que deveriam guardar distância de conveniências políticas.

Quando a fiscalização cede à proteção recíproca, os contrapesos da República perdem sua função e o cidadão fica do lado de fora, sustentando o edifício.

Sem disposição para enfrentar esse arranjo, a alternância pode até trocar os nomes nas portas dos gabinetes, mas preservará os hábitos que tornam o poder tão confortável para quem o exerce e tão caro para quem o sustenta.

Essa é a lição que fica depois de domingo. O voto dura poucos segundos; suas consequências atravessam anos.

Quem renova a procuração de um poder cujo histórico conhece assume também o risco de prolongar seus vícios.

E a urna, tão eficiente para registrar uma preferência, não oferece ao eleitor a opção de cancelar a responsabilidade.










PUBLICADAEMhttps://caiogottlieb.jor.br/opiniao/em-resumo-cada-povo-tem-o-governo-que-merece/

CLIENTE PERFEITO DA ACADEMIA

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SEM ANISTIA PARA O AR CONDICIONADO...

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SEM ANISTIA PARA O AR CONDICIONADO...



ATÉ CARGA DO AEROPORTO SOME....

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UMA CARGA SIMPLESMENTE EVAPOROU NO AEROPORTO



VOCÊ ACREDITA EM MILAGRE?

 PAULOLOPES


VOCÊ ACREDITA EM MILAGRE? 



Augusto Nunes pede anulação da eleição após prorrogação do horário de votação

 revistaoeste


Augusto Nunes pede anulação da eleição após prorrogação do horário de votação

clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=cQOeXgyst3g

TODA FACULDADE PARTICULAR NÃO TEM PRESSA PARA QUE VOCÊ SE FORME

 INVESTIGOU/INSTAGRAM


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O QUE VAI ACONTECER COM SEU BOLSO A PARTIR DE AGORA?

 FELIPEDANTAS/INSTAGRAM


O QUE VAI ACONTECER COM SEU BOLSO A PARTIR DE AGORA?



Marcel Van Hattem no Pânico nesta segunda-feira

 programapânicoJovemPan/youtube


Marcel Van Hattem no Pânico nesta segunda-feira




DE ONDE VEM O LUCRO REAL

 INVESTIGOU


DE ONDE VEM O LUCRO REAL



NÃO SE TRATAVA DE UMA SIMPLES TROCA DE GOVERNO

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ESTAVA EM JOGO MUITO MAIS QUE ISSO E ISSO O SISTEMA NÃO ACEITARIA



domingo, 25 de outubro de 2026

Se o Executivo tem limite, por que o Legislativo pode ser eterno?

   João Loyola 


Quando se discute a reeleição no Brasil, quase toda a atenção se volta para os cargos do Poder Executivo. Presidentes, governadores e prefeitos podem exercer dois mandatos consecutivos, mas precisam deixar o cargo ao final do segundo período. Vereadores, deputados e senadores, por outro lado, podem disputar sucessivas reeleições sem qualquer limite. Um parlamentar pode permanecer na mesma cadeira durante vinte, trinta ou quarenta anos, desde que continue vencendo eleições. Essa diferença costuma ser aceita como natural, embora raramente seja examinada com a mesma profundidade dedicada à reeleição dos chefes de governo.

A distinção entre os poderes possui uma justificativa razoável. Um presidente, governador ou prefeito controla diretamente a administração, nomeia secretários, executa o orçamento e possui ampla capacidade de influenciar a agenda pública. Um parlamentar, individualmente, não dispõe do mesmo poder. Ele integra uma instituição colegiada, depende de maiorias e divide suas atribuições com dezenas ou centenas de outros representantes. Isso justifica regras diferentes, mas não necessariamente a ausência completa de limites.

A questão ganhou ainda mais relevância com a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição nº 12, de 2022. O texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado pretende acabar com a reeleição consecutiva para presidente, governadores e prefeitos, ampliar os mandatos para cinco anos e unificar as eleições. Entretanto, mantém inalterada a possibilidade de reeleições sucessivas para deputados, senadores e vereadores. Em 23 de julho de 2026, a proposta continuava pronta para deliberação do Plenário do Senado, sem votação definitiva.

Se a alternância é apresentada como princípio republicano necessário ao Executivo, é legítimo perguntar por que ela não deveria alcançar, ainda que de maneira diferente, o Legislativo. Mandatos parlamentares também podem se transformar em posições praticamente permanentes, acompanhadas de influência partidária, reconhecimento eleitoral, redes políticas e acesso privilegiado às estruturas internas das Casas Legislativas. Quanto maior o tempo de permanência, mais difícil pode se tornar a entrada de novos concorrentes.

O principal argumento contra a limitação é a liberdade de escolha do eleitor. Se um vereador, deputado ou senador realiza um bom trabalho, por que proibir que a população vote novamente nele? Uma regra dessa natureza não afastaria apenas parlamentares ruins. Também impediria a continuidade de representantes competentes, experientes e reconhecidos por seus eleitores.

Esse argumento não deve ser desprezado. A eleição é um mecanismo de responsabilização. O parlamentar que pretende disputar um novo mandato possui razões para prestar contas, preservar sua reputação e atender às demandas de sua base. A possibilidade de reeleição também permite que o eleitor recompense um trabalho considerado positivo. Ao limitar candidaturas, o Estado restringe parcialmente as opções disponíveis ao cidadão.

Entretanto, a liberdade de escolha eleitoral não ocorre em um ambiente inteiramente neutro. Quem já ocupa o cargo possui maior reconhecimento público, experiência em campanhas, relacionamento com lideranças, presença institucional e conhecimento das regras partidárias. Também pode construir sua atuação parlamentar de modo a concentrar benefícios e visibilidade em determinadas bases eleitorais. Essas vantagens não representam necessariamente ilegalidade, mas tornam a competição entre ocupantes e novos candidatos menos equilibrada.

Com o passar dos mandatos, a atividade política pode deixar de ser compreendida como um serviço público temporário e se transformar em uma carreira cuja principal finalidade é a própria continuidade. Parte das decisões passa a ser orientada não apenas pelo interesse público ou pelas convicções do representante, mas pela necessidade permanente de preservar apoios, alianças e espaços partidários.

No âmbito municipal, esse fenômeno pode ser especialmente perceptível. Em cidades pequenas, um vereador com vários mandatos sucessivos acumula conhecimento, influência e relações com lideranças comunitárias, associações e grupos políticos. Sua permanência pode decorrer de um trabalho legítimo e bem avaliado, mas também pode dificultar o surgimento de novas lideranças, sobretudo quando os partidos são controlados por poucos grupos.

Nos níveis estadual e federal, a permanência prolongada permite acumular influência em comissões, bancadas, diretórios partidários e negociações orçamentárias. Alguns parlamentares deixam de apenas participar das disputas eleitorais e passam a influenciar a própria seleção dos candidatos, a distribuição de recursos partidários e a organização das alianças.

A limitação de mandatos consecutivos poderia reduzir esse processo de concentração e ampliar a quantidade de vagas efetivamente abertas à competição. O objetivo não seria presumir que políticos experientes são ruins, mas impedir que o mandato seja tratado como uma posição de ocupação indefinida.

Isso não significa que a renovação seja sempre positiva. Substituir parlamentares antigos por novos não garante melhoria da representação. Um recém-eleito pode ser menos preparado, menos independente ou mais suscetível à influência de grupos organizados. A troca de nomes também pode preservar as mesmas estruturas de poder, especialmente quando o parlamentar impedido de concorrer transfere sua base para um familiar, assessor ou aliado político.

Existe ainda um problema institucional mais profundo. O Legislativo precisa acumular conhecimento. Orçamento público, tributação, processo legislativo, regulação econômica e fiscalização governamental são matérias complexas. Um parlamentar experiente pode conhecer melhor os procedimentos internos, identificar manobras do Executivo e analisar projetos que um iniciante teria dificuldade de compreender.

As experiências internacionais demonstram que limites muito curtos podem produzir consequências indesejadas. Em legislativos estaduais norte-americanos, a aplicação de determinadas regras provocou a saída simultânea de líderes, presidentes de comissões e grande número de parlamentares experientes. Estudos também identificaram perda de conhecimento legislativo em instituições que não possuíam equipes técnicas suficientes para compensar a renovação acelerada.

Outro estudo sobre a Câmara de Representantes de Michigan concluiu que a limitação reduziu relações entre parlamentares de partidos diferentes e concentrou influência em lideranças partidárias, prejudicando a construção de consensos. Esses resultados não provam que todos os limites sejam ruins, mas demonstram que o desenho da regra é decisivo.

No Brasil, uma renovação excessivamente rápida poderia enfraquecer ainda mais o Parlamento diante do Executivo. Ministérios, secretarias, autarquias e órgãos técnicos possuem burocracias permanentes. Se os parlamentares fossem substituídos antes de acumular experiência suficiente, o conhecimento institucional ficaria concentrado nos servidores, consultores, lobistas e integrantes do governo que não estão sujeitos à mesma rotatividade.

Portanto, a escolha não deve ser entre reeleição ilimitada e renovação total. O melhor caminho é estabelecer um período suficientemente longo para que o parlamentar adquira experiência, produza resultados e seja avaliado pelos eleitores, mas curto o bastante para impedir a ocupação indefinida do mesmo cargo.

Uma regra equilibrada poderia permitir três mandatos consecutivos para vereadores, deputados estaduais, deputados distritais e deputados federais. Pelo sistema atual, seriam até doze anos no mesmo cargo. Para senadores, cujo mandato é de oito anos, poderiam ser permitidos dois períodos consecutivos, totalizando dezesseis anos.

Depois de alcançar o limite, o parlamentar precisaria permanecer por um mandato completo fora daquele cargo antes de voltar a disputá-lo. Não haveria inelegibilidade permanente. O político poderia concorrer a outro posto, retornar à atividade privada ou voltar a disputar a mesma cadeira depois do intervalo.

Essa solução preservaria parte importante da liberdade do eleitor. Um representante poderia ser eleito, reeleito e novamente submetido à avaliação popular. Ao mesmo tempo, impediria que uma cadeira legislativa fosse ocupada pela mesma pessoa durante toda a sua vida pública.

A regra precisaria ser acompanhada de uma transição cuidadosa. A contagem deveria começar a partir de uma eleição futura, evitando alterações casuísticas contra os atuais ocupantes. O intervalo teria de corresponder a um mandato completo, pois afastamentos breves não poderiam reiniciar a contagem.

Também seria necessário impedir que a limitação se resumisse a uma troca de nomes dentro do mesmo grupo. Para isso, a reforma deveria ser acompanhada por maior transparência na distribuição dos recursos partidários, democracia interna nas legendas, divulgação acessível do desempenho parlamentar e fiscalização rigorosa do uso das estruturas públicas.

Uma medida complementar seria fortalecer as equipes técnicas das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e do Congresso Nacional. A renovação só será saudável se os novos representantes encontrarem instituições capazes de preservar conhecimento, oferecer assessoramento independente e reduzir a dependência do Executivo e dos grupos de interesse.

A limitação também deveria alcançar a ocupação prolongada dos principais cargos internos. Presidentes de Casas Legislativas, líderes e dirigentes de comissões acumulam poderes superiores aos dos parlamentares comuns. Ainda que a Constituição e os regimentos já estabeleçam algumas restrições para as mesas diretoras, a alternância dessas funções precisa ser protegida contra interpretações e manobras que permitam reconduções sucessivas.

É possível defender limites legislativos sem apresentar a renovação como solução milagrosa. A permanência ilimitada pode criar barreiras à entrada, concentrar poder e transformar a política em uma carreira vitalícia. A rotatividade excessiva, por sua vez, pode eliminar experiência, enfraquecer a fiscalização e transferir influência para burocratas e grupos organizados.

O princípio adequado é o equilíbrio. A democracia precisa permitir que um bom parlamentar continue por tempo suficiente para desenvolver seu trabalho, mas não precisa assegurar sua permanência indefinida. Experiência é importante, mas não pode ser confundida com propriedade sobre o mandato.

Também não é correto afirmar que limitar reeleições representa uma desconfiança absoluta em relação ao eleitor. Todas as democracias estabelecem condições de elegibilidade, duração de mandatos e regras de competição. A liberdade política não significa ausência de limites, mas existência de normas gerais capazes de preservar a abertura do sistema.

Nenhuma regra institucional eliminará sozinha as oligarquias, o personalismo ou o controle partidário. Ainda assim, a possibilidade de ocupar o mesmo cargo por tempo indeterminado contribui para consolidar essas estruturas. Limitar mandatos consecutivos pode não ser suficiente para renovar a política, mas pode tornar essa renovação mais possível.

Se o debate brasileiro pretende acabar com a reeleição no Executivo em nome da alternância e da igualdade na disputa, não faz sentido ignorar completamente o Legislativo. As regras não precisam ser idênticas, porque os poderes possuem funções distintas. Mas o princípio republicano deve alcançar ambos: nenhum cargo eletivo deve se transformar em patrimônio permanente de seu ocupante.

A política necessita de experiência, mas também de portas abertas. Precisa de continuidade, mas também de circulação. Precisa de representantes preparados, mas não de proprietários de mandatos.

O bom parlamentar deve ter tempo para apresentar resultados. O eleitor deve ter oportunidades para avaliá-lo e reconduzi-lo. Contudo, depois de um período razoável, a própria democracia deve permitir que novas lideranças disputem o espaço em condições menos desiguais.









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