Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Republiqueta do Estado-Babá

   Alex Pipkin 


Durante décadas, empurrou-se ao Brasil a fantasia de que programas assistencialistas eternos seriam a forma mais “nobre” de servir à sagrada causa da justiça social.

O Estado surge como pai zeloso, o verdadeiro Estado-babá; o governante encena o papel de benfeitor iluminado; o benefício passa a funcionar como selo moral do progressismo oficial. Tudo muito comovente, e extraordinariamente conveniente.

Ainda assim, há uma pergunta incômoda, dessas que jamais atravessam palanques ou discursos oficiais: o que aconteceria com esses governos se a pobreza um dia realmente acabasse? Não ficaria melhor? Ou perigosamente pior para eles?

Esse pano de fundo, quase macabro, ficou escancarado quando um ministro de Estado, vejam só, afirmou com naturalidade desconcertante que o brasileiro poderia simplesmente jogar fora a carteira de trabalho e viver de benefício estatal. Depois vieram as explicações, as notas técnicas, os contorcionismos semânticos, a habitual orgia mental inútil. Mas certas frases não escapam por acidente. Escapam porque revelam. Ali não havia apenas um deslize retórico, mas um modo de ser lulopetista, uma abdicação civilizatória fantasiada de compaixão.

Programas de transferência de renda podem ser instrumentos legítimos quando concebidos como pontes, jamais como residências permanentes. Em países pobres ou de renda média, fazem sentido como políticas transitórias, com critérios claros de entrada e, sobretudo, prazo definido de saída.

O problema brasileiro não está no auxílio em si, mas na sua eternização. Aqui, o provisório se cristaliza, o emergencial se transforma em estrutura, e o social se degrada em infraestrutura eleitoral.

Nesse modelo, a pobreza deixa de ser um mal a ser superado e passa a ser um ativo político a ser administrado. Não por conspiração explícita, mas por incentivos perversos, para ser econômico.

Um governo que depende eleitoralmente de cidadãos vinculados diretamente ao Estado cria, consciente ou inconscientemente, obstáculos à emancipação plena dessas mesmas pessoas. Resolver o problema significaria desmontar a narrativa que sustenta o poder vermelho, o poder que vive da “dependência organizada”.

A literatura acadêmica debate isso há décadas. Há estudos que apontam riscos claros de clientelismo, dependência e captura política em programas sociais mal desenhados. Outros tentam salvar a tese emancipatória com inúmeras ressalvas. O ponto que permanece é que não há dignidade duradoura onde não há autonomia econômica.

O que eleva renda, reduz pobreza e restitui dignidade é outra coisa, bem distinta. Constitui-se de investimento, crescimento, trabalho produtivo, educação de verdade e a redução da carga tributária asfixiante que transforma quem cria riqueza em alvo moral permanente.

Uma sociedade que supera a pobreza de fato amplia sua classe média, torna-se mais crítica, menos domesticável. Essa forma indivíduos que não votam por medo de perder um benefício, mas por expectativa de futuro. Isso é profundamente inconveniente para projetos políticos baseados na infantilização permanente da sociedade. Ou seja, a tatuagem lulopetista.

Ao cabo, a escolha é moral e política. Administrar pobres indefinidamente ou transformá-los em cidadãos livres.

A Republiqueta do Estado-Babá, absurdamente, prefere a dependência. Uma nação adulta escolhe a liberdade. Talvez por isso essa pergunta quase nunca seja feita.

Na verdade, nunca. Porque respondê-la com honestidade desmonta não apenas um programa social, mas todo um modelo de poder, vermelho e destrutivo.













publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/a-republiqueta-do-estado-baba/












A pedagogia da vaidade  

   Dartagnan da Silva Zanela


 A professora Inger Enkvist, em seus livros e palestras, frequentemente chama a atenção para uma obviedade ululante que, para a infelicidade geral das futuras gerações, é desdenhada por praticamente todos nós. Ela afirma, de forma clara e categórica, que uma nação minimamente séria deve cultivar uma atenção especial para com a educação das tenras gerações; porque, se isso não for feito, estaremos literalmente colocando em risco a existência futura de toda a nossa sociedade. Por essa razão, e por inúmeras outras, não poderia haver espaço para levianas aventuras experimentais nesta seara.


Aliás, quando tomamos a palavra educação e meditamos sobre o seu significado, compreendemos claramente o tamanho do enrosco em que estamos nos metendo, devido à forma como atualmente as autoridades (políticas e intelectuais) vêm tratando a questão. Como todos nós sabemos, educação vem do latim ex-ducere, que quer dizer, simplesmente, "guiar para fora". Deste modo, o ato de educar consiste em levar o infante a sair de seu universo pueril, das suas cercanias subjetivas, para iniciar uma longa jornada por um mundo que vai muito além da sua imaginação. Tal empreitada não é fácil, tendo em vista que muitas e muitas vezes o indivíduo prefere ficar encastelado no conforto do seu mundinho caprichoso do que ser contrariado pelo conhecimento da verdade.


Como a própria professora Enkvist nos lembra — e o bom senso também —, aprender qualquer coisa exige de nós esforço, perseverança e ordem (disciplina); caso contrário, não conseguiríamos integrar uma nova dimensão do conhecimento em nossa personalidade e acabaríamos tolhendo a amplitude do nosso círculo de ação humana. Qualquer um que já estudou uma língua estrangeira, uma arte marcial ou aprendeu a tocar um instrumento musical sabe muitíssimo bem do que estamos falando.


Agora, a visão que norteia a educação em nosso país segue um riscado bem diferente. No lugar da devida valoração do esforço individual, do estímulo à perseverança e do cultivo de ações com propósitos claros, o que temos é o fomento da centralidade em aspectos subjetivos albergados caprichosamente por cada indivíduo em seu íntimo.


Não estou dizendo, de modo algum, que a subjetividade de cada pessoa não seja importante, mas apenas, e tão somente, que ela não deve ser o centro do processo educativo. Fazendo isso, ao invés de possibilitarmos aos indivíduos uma real ampliação da sua capacidade de ação através das ferramentas intelectuais adquiridas, estaremos agrilhoando-os em seus caprichos de momento e, de quebra, estimulando, sorrateiramente, atitudes narcísicas e comportamentos antissociais. E isso, venhamos e convenhamos, é o contrário da educação.


Não é à toa que o analfabetismo funcional impera nestas terras de desterrados, nem por acaso que o número de não leitores nestas plagas é maior que o de leitores.


*           O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "O SEPULCRO CAIADO", entre outros livros.









publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/a-pedagogia-da-vaidade__18611

O PT morrerá com Lula  

 Augusto Nunes - Seitas jamais sobrevivem à partida do seu único deus


Q uando Lula morrer, o que restará do Partido dos Trabalhadores? Nada. Ou zero vezes zero, diria J. R. Guzzo. O PT nunca foi um partido. É uma seita que agrupa os praticantes do lulopetismo. Não são militantes. São devotos de um palanque ambulante promovido a único deus. Condenado por ladroagem em três instâncias, ele seguiu baixando ordens que os lulopetistas engolem sem engasgos e executam sem resmungos. É assim desde 1980, quando foi rezada a missa negra inaugural. E assim será enquanto estiver viva a divindade de botequim. 

Da escolha do candidato a prefeito de Potirendaba ao novo ministro das Relações Exteriores, passando pelos tesoureiros das sucursais mais rentáveis do PT, tudo é decidido pelo primeiro presidente da República que fugia da escola com a velocidade de um Usain Bolt. “Não estudei por preguiça”, contou numa entrevista ao diretor de teatro Flávio Rangel. “Acho leitura pior que exercício em esteira”, confessou em outro vídeo. Como isto aqui é o Brasil, um Macunaíma que jamais leu um livro e não sabe escrever elegeu-se presidente da República. Três vezes.


Na cabeça baldia de Lula, nunca houve lugar para elaborações ideológicas, programas administrativos, projetos de país ou planos de governo. Há espaço de sobra para o mundaréu de ideias de jerico, vigarices eleitoreiras, alianças cafajestes e todas as formas de tapeação, concebidas para garantir o voto de milhões de brasileiros condenados à ignorância por um sistema de ensino mambembe e aprisionados pela dependência de adjutórios federais. Para a clientela do Bolsa Família, por exemplo, ser feliz é não morrer de fome — sem trabalhar. 

“É o maior programa oficial de compra de votos do mundo”, constatou há anos o ex-governador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos. Param por aí os sonhos dos desvalidos que ainda enxergam um Pai dos Pobres na mais gulosa Mãe dos Ricos (que, aos 80 anos, quer desfrutar por mais cinco dos palácios de Brasília). Os bolsistas do lulopetismo nem sabem que existe uma Nova York. Não sabem sequer para que serve um documento chamado passaporte. Não fazem ideia do que é zanzar entre nuvens nos jatinhos de amigos ricaços.


É improvável que saibam que o padrinho é o primeiro presidente brasileiro preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Tampouco sabem que deixaram de existir nos anos em que a seita esteve fora do poder. “Tirei 60 bilhões da pobreza em oito anos na Presidência”, jurou numa discurseira recente. (Como há cerca de 8,3 bilhões na Terra, decerto buscou o resto em outros planetas. Não revelou quais.) “Com o Bolsonaro no governo, os pobres voltaram”, foi em frente. “Tive de tirar 30 milhões outra vez”. E os bilhões que existiam na conta anterior? Ninguém sabe. 

Quem faz uma coisa dessas não poderia ficar fora do elenco que anda fazendo o diabo no épico caso Master. 


É o primeiro faroeste à brasileira com tempero pornopolítico. Junta banqueiros larápios, ministros do Supremo Tribunal Federal, mulheres, filhos, irmãos e cunhados de juízes do STF, advogados que cobram em dólares por segundo, garotas de programa, policiais federais que descobrem bandalheiras escondidas por um procuradorgeral que nada procura, jornalistas alugados, blogueiros que atiram nos inimigos do freguês e matam a gramática e a ortografia, surubas restritas à turma do grupo A e até um padre implorando por excomunhão. 


O ministro Dias Toffoli faz bonito no papel de esconderijo de provas. Os episódios históricos mais relevantes atestam que o país foi construído sem povo e sem partidos de verdade. Durante o longo reinado de D. Pedro II, as diferenças entre ministérios formados por liberais e conservadores eram tão pálidas que, caso os dois partidos se fundissem num só, nem o imperador notaria. E o povo contemplava a paisagem política de longe e em silêncio, como um figurante sem direito a falas. Foi assim quando a monarquia foi trocada pela república. “O povo assistiu aquilo bestializado, como se fosse uma parada militar”, resumiu Aristides Lobo, jornalista e integrante do então esquálido Partido Republicano.


Sempre à espera do Homem Providencial, capaz de resolver sozinho e em pouco tempo os problemas passados, presentes e futuros do país, o eleitorado frequentemente forma agrupamentos cuja denominação deriva do prenome do líder. Tivemos o janismo, o brizolismo, o getulismo e outros “ismos”. Só os partidários de Getúlio Vargas conseguiram que o presidente suicida sobrevivesse politicamente à morte física e continuasse a influenciar disputas eleitorais quando haviam chegado os anos 1960. Ciumento como todo populista, Lula impediu o surgimento de possíveis herdeiros. E não seguiu o exemplo de Getúlio, autor da carta-testamento que serviu de guia para devotos. inconformados. 


Como um bebê de colo, o octogenário Lula não sabe escrever.  




Augusto Nunes - Revista Oeste  










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URGENTE: Há indícios de lavagem de dinheiro no contrato da esposa de Moraes, diz relator de CPI!

 deltandallagnol/youtube


URGENTE: Há indícios de lavagem de dinheiro no contrato da esposa de Moraes, diz relator de CPI!

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O FIM do CICLO? FLÁVIO BOLSONARO dispara 5 PONTOS em UM MÊS

 rubinho nunes/youtube


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Proibido criticar o governo: PT quer calar a direita antes das eleições!

 andrémarsiglia/youtube


Proibido criticar o governo: PT quer calar a direita antes das eleições!


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QUALQUER SEMELHANÇA É MER_A COINCIDÊNCIA

 BRUNOFALCHETE/INSTAGRAM


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DICAS SUPER ÚTEIS

 DICAS/FACEBOOK


DICAS SUPER ÚTEIS



PREÇOS NA PANDEMIA X PREÇOS NO GOVERNO DO NINE

 PATRIOTAS/X


PREÇOS NA PANDEMIA X PREÇOS NO GOVERNO DO NINE



VOCÊ TOMA COCA-COLA?

 EMAGRECIMENTOOFICIAL/FACEBOOK


VOCÊ TOMA COCA-COLA?



A justiça da aparência: parentesco, lobby e a erosão da imparcialidade

    Bernardo Santoro 


Como você se sentiria se alguém te processasse e, no meio do processo, você descobrisse que o escritório que defende quem te processou tem um advogado que é parente do juiz que vai te julgar?

Mesmo que te digam que é “legal”. Mesmo que te expliquem que o parente “não assina a petição”. Mesmo que repitam que “não há prova de favorecimento”. Você ficaria tranquilo? Você acreditaria, de verdade, em um julgamento justo?

A maioria das pessoas não ficaria. Não acreditaria.
E é exatamente aí que mora o problema.

Justiça é confiança, aparência de imparcialidade e segurança institucional.

Quando o STF decidiu flexibilizar regras de impedimento e suspeição através da ADI 5953, permitindo que escritórios de parentes de juízes sigam atuando em causas a serem decididas por esses magistrados, ainda que o parente “não assine a petição ou não conste na procuração”, ele criou um problema sistêmico de uso de advogados laranjas cobertos por um verniz de legalidade.

Se hoje o Vorcaro, dono do Master, pode se livrar de problemas porque tem sociedade com um irmão do Toffoli em um resort e tem como advogado um amigo íntimo do Ministro-relator, ou porque tem na folha de pagamento o escritório da mulher do Ministro Alexandre de Moraes, amanhã esse tráfico de influência pode estar acontecendo e sendo legitimado na comarca mais próxima de você no juiz singular mais humilde, para questões simples como um divórcio ou uma lesão consumerista.

A Justiça deixou de ser sobre quem tem razão e passou a ser sobre quem contrata o advogado-lobista mais eficiente na corte em que seu caso será decidido. A Justiça do lobby do mais forte é uma injustiça.

E sem justiça não há democracia, como diria a sempre leniente, covarde e passapanista OAB.














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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

“É preciso estancar a sangria!”  

    Percival Puggina


Imagine uma bolha cósmica que se tivesse formado no momento na Criação. O Universo e sua bolha. Nele, a energia, a luz, a vida; nela, na bolha, as trevas ainda encobrindo a superfície de seus abismos. De repente, algo lhe perfura o invólucro e ela, forasteira na realidade exterior, passa a ver e sentir o que todos viam e sentiam.


O leitor destas linhas, que é esperto, já entendeu que estou falando da bolha em que, desde 2019, a Rede Globo e suas parceiras no Consórcio Goebbels de Comunicação haviam fixado residência. Passado o primeiro impacto ante a novidade e gravidade de coisas mais do que sabidas, há um corre-corre, um lufa-lufa nas redações. É preciso atualizar o entendimento, reconhecer fatos, interpelar atores. Há uma nova ordem global a estabelecer! Avante companheiros!


É inevitável que alguém tenha feito a pergunta essencial: “Que diabos está acontecendo?”. A resposta então balbuciada numa continuidade que não se dispersa ainda pode ser ouvida: “É preciso estancar a sangria! É preciso estancar a sangria! É preciso estancar a sangria!”. Faz muito sentido, porque se a sangria não cessar, o poder, exangue, não se sustenta.


Essa frase entrou para a história quando a corrupção da Nova República já atingira níveis letais. A palavra sangria, na frase de Romero Jucá em conversa gravada pelo diretor da Transpetro, Sérgio Machado, em 2016, significava “vazamentos que adviriam com a continuidade das delações premiadas na Lava Jato”.


É uma adesão importante, a do Consórcio Goebbels, que já causou desequilíbrio emocional em gente de equilíbrio frouxo. As maltratadas redes sociais e mídias alternativas fazem o que podem, mas nada substitui as grandes máquinas jornalísticas quando algo as obriga a furar a bolha onde se tenham abrigado.


Tudo estaria muito bem se essa ruptura cósmica não correspondesse a uma estratégia de sobrevivência. Afinal, em nosso país, tudo é feito para autenticar este disparate entranhado em mentes paranoides: é dever das instituições de Estado impedir o crescimento da direita política. Não se trata de salvar a esquerda de sua paranoia, mas de salvar a paranoia da esquerda.


Na semana anterior, acompanhei pela TV, dia-a-dia, a caminhada do deputado Nikolas Ferreira rumo à Capital Federal. No domingo dia 25, enquanto assistia aquela multidão chegando à Praça do Cruzeiro, sob e sobre as águas da chuva, tomei emprestado os versos de Paulinho da Viola. Aquilo “foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar”! E lavar.


Por isso, quero submeter uma conduta ao juízo de meus leitores: não aceitemos que se estanque a sangria com algum torniquete enjambrado ou com desajeitado malabarismo jurídico. Nem que nos sirvam algum bode expiatório. A nação quer justiça e nada menos do que Justiça.







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'A grande ideia de Nikolas',

 por Edilson Salgueiro A caminhada improvisada de 250 quilômetros até Brasília colocou na estrada milhares de brasileiros que saíram da apatia e perderam o medo de lutar pela liberdade


C omo levar novamente o povo para as ruas? A ideia de organizar uma ampla manifestação popular surgiu pela primeira vez em julho do ano passado, quando o deputado federal Nikolas Ferreira refletia sobre a escalada do autoritarismo judiciário no país. Naquele momento, dois anos e meio depois dos protestos de 8 de janeiro de 2023, o debate público parecia travado, as mobilizações de rua haviam perdido eficácia e os brasileiros davam sinais de apatia e esgotamento político. 


Mas foi só poucos dias atrás que a proposta de uma marcha até Brasília ganhou forma. Não haveria palanque, caminhão de som nem aparato profissional de mobilização. Tampouco haveria custos, verbas partidárias ou negociações com autoridades para viabilizar o evento. Nikolas decidiu simplesmente ir. E, em 19 de janeiro, ele foi.


Vestindo camiseta branca, calça jeans clara e tênis preto, Nikolas pisou na BR-040 junto com o nascer do sol. Aquele foi o primeiro passo da jornada de 250 quilômetros que o levou da cidade de Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, até a Praça do Cruzeiro, mirante de onde se avistam o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF).


Começou quase sozinho, ao lado de poucos assessores e sem grandes preparativos. Aos poucos, moradores das cidades cortadas pela rodovia passaram a se juntar ao cortejo. Depois, vieram caravanas improvisadas e gente sozinha. Políticos de partidos de oposição também decidiram aderir ao grupo — alguns logo no início, outros apenas nos quilômetros finais. 


Em 25 de janeiro, um domingo, quando chegou ao destino, Nikolas estava acompanhado de cerca de 50 mil pessoas de todas as partes do Brasil. O foco do protesto, que acabou se consolidando como uma das maiores mobilizações populares da história recente do país, foi o pedido de liberdade para o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso e condenado pela suposta tentativa de golpe nas eleições de 2022.

O percurso revelou desafios pouco captados nos registros editados das redes sociais. Nos primeiros dias, o desgaste físico se impôs rapidamente. Vestidos com roupas comuns, inadequadas para longas caminhadas, muitos participantes ajustaram o passo à medida que o corpo dava sinais de exaustão. Com o avanço da marcha, surgiram dificuldades de organização. Crianças e idosos tentavam acompanhar o grupo; apoiadores buscavam aproximação constante. Em alguns trechos, foi necessário interromper a caminhada para improvisar cordões humanos e evitar acidentes na rodovia. Houve dias de chuva, frio e cansaço acumulado. Oeste acompanhou a manifestação in loco (clique neste link para saber os detalhes). 


Ao longo da caminhada, Nikolas passou a receber manifestações públicas de apoio das principais lideranças conservadoras. A exprimeira-dama Michelle Bolsonaro, por exemplo, divulgou vídeos para elogiar a iniciativa e Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, destacou o simbolismo do ato. Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema endossou publicamente a marcha até Brasília. Já o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, gravou vídeos para parabenizar a mobilização, enquanto o ex-vereador Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, participou da marcha. A caminhada cessou ao menos temporariamente as rusgas entre os representantes da direita e os uniu em torno de um objetivo comum. 


Essa capacidade de mobilização se traduz em cenas recorrentes no cotidiano do Congresso. O gabinete de Nikolas, no sétimo andar do Anexo IV da Câmara, é ponto de passagem para candidatos de diferentes regiões do país. Há relatos de filas que ultrapassam quatro horas apenas para a gravação de um vídeo curto ou para uma fotografia ao lado do parlamentar. Quando a agenda de votações o mantém no plenário, os interessados o acompanham pelos corredores. O roteiro é sempre o mesmo: Nikolas olha para a câmera do celular, menciona o nome do candidato, pede voto e segue para o próximo. Em eventos públicos, a dinâmica se repete em escala ampliada. Em uma única passagem por Belo Horizonte, o parlamentar gravou mais de 200 vídeos de apoio em um mesmo dia. Mas não são só apoiadores anônimos que se beneficiam dessa popularidade: deputados como Luciano Zucco e Filipe Barros, ambos com trajetória consolidada na política, relatam ter usado a influência de Nikolas para gravar dezenas de mensagens de apoio. O parlamentar virou ativo de campanha dentro do Partido Liberal (PL).



Em nome do pai 


Nascido em Belo Horizonte, em 1996, Nikolas cresceu na região da Cabana do Pai Tomaz, uma das maiores favelas da capital mineira. O bairro, marcado pela forte presença de igrejas evangélicas, funciona como espaço de convivência comunitária, onde atividades religiosas e familiares estruturam a vida social. Nesse contexto, o pai de Nikolas, pastor Edésio de Oliveira, teve papel central na formação religiosa e moral do filho. A rotina era marcada por cultos e leituras bíblicas. Hoje, Nikolas costuma dizer que a formação familiar o forjou para a vida real. Sob orientação do pai, aprendeu a falar em público, a sustentar argumentos e a confrontar ideias distintas. 


Antes de se dedicar integralmente à vida religiosa, Edésio, que vem de uma família de 12 irmãos, construiu trajetória no setor industrial. Começou a carreira como of ice-boy em empresas ligadas ao grupo Fiat e, posteriormente, passou a atuar na New Holland, fabricante de tratores. Ao longo dos anos, ascendeu a funções técnicas e de gestão. Chegou a começar a graduação em engenharia mecânica e, mais tarde, prestou vestibular para psicologia, ao mesmo tempo em que mantinha atuação como obreiro na Assembleia de Deus. Em 2008, Edésio assumiu um setor da New Holland com escritório instalado na França. 


A mudança levou a família a viver nos arredores de Paris por cerca de um ano. Nesse período, Nikolas e a irmã mais velha estudaram em colégio bilíngue, com ensino em francês e inglês. A experiência no exterior terminou quando Edésio decidiu retornar ao Brasil para atender ao que descreve como um chamado pessoal: dedicar-se integralmente à Comunidade Evangélica Graça e Paz, igreja que havia fundado anos antes. A família retornou para a mesma casa onde morava em Cabana do Pai Tomaz.

A educação formal de Nikolas ocorreu em escolas particulares, com bolsas de estudo. Mais tarde, cursou Direito na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Ali, a vida mudou. O episódio que o projetou nacionalmente ocorreu em 2013, quando tinha 17 anos. Incomodado com uma prova de sociologia que abordava identidade de gênero, o então universitário escreveu um texto crítico no Facebook. Encerrou a publicação com uma frase do escritor Nelson Rodrigues: “Sou reacionário, sim. Reajo contra tudo que não presta”. 


O texto viralizou, foi reproduzido por sites conservadores e chamou atenção do movimento Escola Sem Partido e de integrantes da família Bolsonaro. Ainda na PUC-MG, Nikolas participou ativamente de eventos acadêmicos e debates públicos. Em uma dessas ocasiões, pediu a palavra em um encontro universitário que contava com a presença do teólogo comunista Leonardo Boff, criticou os participantes e acabou retirado do local.


Sob influência do filósofo Olavo de Carvalho, Nikolas decidiu ampliar o repertório intelectual e passou a ler autores associados à esquerda, como Karl Marx e Antonio Gramsci. A ideia era compreender o que interpretava como a presença de um projeto ideológico na educação, na cultura e na produção artística. Esse percurso intelectual contribuiu para o desenvolvimento de uma visão crítica sobre a atuação da mídia, do entretenimento e das instituições educacionais. 


Durante a passagem pela universidade, Nikolas era descrito por colegas e professores como um aluno participativo, que questionava conteúdos em sala de aula sem recorrer a confrontos pessoais. Em debates sobre temas científicos e filosóficos, como a teoria da evolução, expunha discordâncias a partir de convicções religiosas. Fora da sala de aula, mantinha rotina discreta. Frequentava encontros com amigos, mas evitava consumo de álcool e dizia ter o desejo de se casar antes de iniciar a vida sexual, posicionamento que apresentava como coerente com a educação recebida em casa.



A ascensão política 


Nos anos seguintes, Nikolas aproximou-se de movimentos conservadores em Minas Gerais e ajudou a organizar encontros com jovens lideranças políticas. O coletivo Direita Minas, do qual era integrante, participou das manifestações pelo impeachment da expresidente Dilma Rousseff, em 2016. Antes de disputar cargos eletivos, Nikolas atuou como assessor parlamentar do deputado federal Junio Amaral, que havia conhecido nos anos de militância política. 


A experiência durou dois anos, de 2018 a 2020. Depois, seguiu voo solo e elegeu-se vereador em Belo Horizonte. No mandato, obteve visibilidade por meio de discursos incisivos, confrontos em plenário e projetos ligados a pautas culturais. Mais tarde, em 2022, tornou-se deputado federal com votação recorde, a maior do país naquele pleito. Em Brasília, manteve a estratégia que o havia projetado: comunicação direta, temas de forte apelo popular e presença constante nas redes sociais.

Nikolas consolidou-se como um dos políticos com maior alcance digital. Seus perfis somam milhões de seguidores e alto engajamento, principalmente entre jovens e evangélicos: Instagram (20 milhões), TikTok (8,5 milhões), X (5,5 milhões), Facebook (3,3 milhões) e YouTube (2,5 milhões). A leitura estratégica das redes acompanha sua atuação institucional. São vídeos curtos, com linguagem simples e timing ajustado ao noticiário. 


Em janeiro de 2025, por exemplo, diante da iminência do monitoramento do Pix pelo governo Lula, o deputado divulgou um vídeo em todas as plataformas para denunciar a nova cruzada petista contra os pobres. Foram 200 milhões de visualizações em 24 horas — audiência superior à verificada em publicações do marqueteiro Sidônio Palmeira, chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom); de todos os telejornais do Grupo Globo somados, incluindo as transmissões da TV fechada e do streaming; e até mesmo as postagens da cantora Anitta. 


A caminhada até Brasília também se encaixa nesse método. Nikolas apostou em uma manifestação contínua, capaz de gerar narrativa diária e manter atenção constante dentro e fora do ambiente virtual. Não por acaso, a manifestação uniu diferentes segmentos da direita em torno de um mesmo propósito, ainda que temporariamente. Influenciadores, parlamentares e líderes religiosos compartilharam imagens da marcha. 


Fora da internet, Nikolas é um brasileiro comum. Torcedor declarado do Cruzeiro Esporte Clube, acompanha futebol com entusiasmo. Na música, tem preferência pelos astros norte-americanos Michael Jackson e Whitney Houston. Casado com a modelo Lívia Bergamim Orletti, Nikolas é pai de duas meninas. Apesar da intensa atividade no universo digital, evita expor a vida privada. 


Paralelamente à atuação política, Nikolas investiu na produção editorial. É autor de O cristão e a política: descubra como vencer a guerra cultural, obra em que defende a participação ativa de cristãos na vida pública e sustenta que disputas políticas contemporâneas passam sobretudo por valores morais e culturais. Mais recentemente, lançou Criando filhos para o amanhã, escrito em parceria com os pais, Edésio de Oliveira e Ruth Ferreira, no qual aborda temas ligados à educação familiar, à formação moral e à transmissão de princípios religiosos às novas gerações. Nikolas também investiu na produção editorial destinada às famílias e às crianças. 


Em parceria com a deputada estadual catarinense Ana Campagnolo, lançou os livros infantis Ele é Ele e Ela é Ela, publicados pela Editora Vida. As obras foram concebidas como material de apoio para pais e educadores interessados em abordar temas ligados à identidade e à formação moral a partir de valores cristãos. 


Aos 29 anos, Nikolas deve se reeleger como deputado federal nas eleições de outubro. Em razão da idade, está impedido de disputar uma vaga no Senado. A escalada será possível apenas em 2034, quando terá mais de 35 anos. Se depender das lideranças do PL, contudo, o voo será ainda mais alto. O partido quer elegê-lo presidente da República.


NINE ENRIQUECE BANCOS E QUEBRA O PAÍS

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INSS ou Banco Master: de qual investigação Lula tem mais medo? Veja!

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Reforma do LULA pode ESMAGAR a RECICLAGEM

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Toffoli orientou perguntas para prejudicar Banco Central e ajudar Vorcaro!

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ATÉ QUE TENTARAM DETURPAR OS FATOS... MAS ESTÁ É A REALIDADE

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

As eleições presidenciais em Portugal e o risco real de colapso do governo

  Bernardo Santoro


À primeira vista, as eleições presidenciais portuguesas podem parecer um evento periférico para quem olha o país a partir do Brasil. Afinal, trata-se de um regime semipresidencialista em que o chefe de governo é o primeiro-ministro e não o presidente. Essa leitura, porém, é enganosa. O resultado do segundo turno entre António José Seguro (Partido Socialista) e André Ventura (Chega) pode funcionar como gatilho de uma crise institucional profunda, com potencial de derrubar o atual governo e antecipar eleições legislativas.

O motivo é simples: Portugal vive hoje uma combinação delicada de governo minoritário, parlamento fragmentado e reposicionamento acelerado das forças políticas, algo que os brasileiros conhecem bem, ainda que em outro desenho institucional.

Um PS que se recompõe depois da maior derrota da sua história

O primeiro dado relevante é a recuperação do Partido Socialista. Menos de um ano depois de sofrer a maior derrota eleitoral de sua história, quando ficou em terceiro lugar nas eleições legislativas e perdeu a liderança da oposição para o Chega, o PS volta ao centro do jogo político ao colocar seu candidato no segundo turno presidencial em primeiro lugar.

Esse desempenho sinaliza que o PS recuperou densidade eleitoral, recompôs sua base e passou a enxergar novamente a possibilidade concreta de crescimento em uma eventual nova eleição legislativa. Em política, percepção de viabilidade é poder, e o PS voltou a ser percebido como viável.

Um governo minoritário protegido por um presidente “amigo”

O atual governo de Portugal, liderado por Luís Montenegro, da Aliança Democrática (PSD, CDS e PPM), é um governo de minoria. Não possui maioria parlamentar estável, apenas 90 dos 230 deputados federais, e depende de negociações permanentes para sobreviver.

Até aqui, esse governo contou com um fator decisivo de estabilidade: o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, militante histórico do PSD.

Embora atue como independente, seu perfil político sempre funcionou como um amortecedor institucional contra crises mais agudas, reduzindo o incentivo da oposição para provocar a queda do governo. As eleições presidenciais mudam radicalmente esse quadro.

O vexame histórico do PSD e o estímulo à crise

O dado mais explosivo do primeiro turno foi o desempenho desastroso do PSD. O candidato apoiado pelo partido terminou em quinto lugar, atrás do PS, do Chega, da Iniciativa Liberal (IL) e até de um candidato independente apoiado pelo partido monárquico.

Independentemente de quem vença o segundo turno, o recado político é devastador: o partido que tem o presidente em exercício e ocupa o cargo de primeiro-ministro perdeu o protagonismo do processo eleitoral.

 

Esse vexame cria um incentivo claro para PS e Chega, dois dos três grandes vencedores da eleição presidencial, avaliarem se a derrubada do governo e a convocação de novas eleições legislativas pode gerar ganhos relevantes para ambos, à custa da AD (PSD, CDS e PPM).

Basta que cheguem a essa conclusão simultaneamente que o PSD não terá votos para impedir a aprovação de uma moção de desconfiança no parlamento.

Se o PS vencer a presidência

Uma vitória de António José Seguro (PS) colocaria o PSD numa posição extremamente frágil. O governo perderia o respaldo institucional informal de um presidente oriundo do seu próprio campo político e passaria a conviver com um chefe de Estado socialista em um contexto de minoria parlamentar.

Não há, nesse cenário, espaço realista para uma “grande coalizão”. PS e PSD são rivais históricos, e um acordo formal seria politicamente tóxico para ambos, especialmente para um PSD já enfraquecido.

Com isso, o PS teria poucos motivos para sustentar o governo. Ao contrário: poderia racionalmente apoiar uma moção de censura ou a dissolução do Parlamento, apostando que novas eleições lhe devolveriam protagonismo e força.

Se o Chega vencer a presidência

Uma vitória de André Ventura (Ch) produziria um dilema ainda mais corrosivo para o PSD. Com um presidente alinhado ao Chega, o partido passaria a dispor de um instrumento institucional poderoso para pressionar pela instabilidade, seja estimulando a queda do governo, seja defendendo eleições antecipadas.

Diante disso, o primeiro-ministro Luís Montenegro ficaria encurralado e com as seguintes opções: (i) governa sob ameaça permanente, podendo cair a qualquer momento com respaldo da presidência; ou (ii) busca uma coalizão formal com o Chega para reduzir o incentivo do partido em provocar uma crise.

Ambas as opções são ruins para o partido governista. A coalizão desgastaria o PSD junto à sua base moderada; já a recusa manteria o governo refém de um partido que cresce justamente com o enfraquecimento do sistema, já este ocupando a liderança da oposição e a Presidência da República.

Qual a força da IL em uma nova eleição?

Há ainda um elemento frequentemente subestimado no debate brasileiro sobre Portugal: o papel da IL, terceiro grande vencedor do primeiro turno presidencial português.

Nesta eleição presidencial, o campo da centro-direita liberal-conservadora, que historicamente pertencia ao PSD, foi ocupado com sucesso por João Cotrim de Figueiredo, candidato da IL. Seu desempenho revelou existir um eleitorado urbano, reformista e liberal na economia que já não se sente representado pelo PSD.

Em uma eventual nova eleição legislativa, um crescimento da IL dentro desse nicho pode reduzir ainda mais o desempenho do PSD, fragmentando o eleitorado de centro-direita e tornando mais difícil qualquer recuperação do partido.

É verdade que o sistema eleitoral português, de listas fechadas regionais, favorece partidos grandes, como o PSD, por meio do tradicional discurso do “voto útil”. Esse desenho institucional tende a penalizar partidos médios em distritos menores. Ainda assim, a simples perda de hegemonia simbólica do PSD nesse campo ideológico já representa um dano estrutural relevante.

A IL não precisa ultrapassar o PSD para enfraquecê-lo, bastando crescer o suficiente para retirar-lhe votos decisivos.

Um sistema político em teste

O ponto central é que não existe um cenário confortável para o PSD depois dessas eleições presidenciais. O partido governa em minoria, foi humilhado eleitoralmente, perdeu o discurso da centro-direita para a IL, o discurso da direita para o Chega e enfrenta dois adversários gigantes, o mesmo Chega e o PS, que podem, por razões distintas, convergir para a derrubada do governo.

As eleições presidenciais, portanto, não decidirão apenas quem ocupa o Palácio de Belém. Elas podem inaugurar uma nova fase de instabilidade, com eleições antecipadas e um rearranjo profundo do desenho político português.

Para o observador brasileiro, tão acostumado com um sistema partidário fragmentado, ver um país que funcionou quase como um bipartidarismo estável pleno em toda a sua nova República, como é o caso de Portugal, sofrer das mesmas agruras que nós, com a instabilidade típica que o pluripartidarismo oferece, faz parecer que os laços históricos e culturais com a nossa pátria-mãe agora se estreitam mais em um campo onde nós é que deveríamos estar aprendendo com eles, e não o contrário.

Que nossos patrícios portugueses tomem a decisão mais sábia possível nesse segundo turno presidencial.

*Artigo publicado originalmente na Revista Oeste.


















PUBLICADAEMhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/as-eleicoes-presidenciais-em-portugal-e-o-risco-real-de-colapso-do-governo/

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