Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

sábado, 30 de maio de 2026

“O Ocaso do Império” e a missão dos brasileiros de hoje

   Lucas Berlanza


O fluminense Oliveira Viana, embora um autor clássico, não era, certamente, um liberal – ter servido de inspiração para o regime ditatorial de Getúlio Vargas e ensejar ao chamado “autoritarismo instrumental” como única forma de superar a falta de idealismo e sentimento de pertença cidadã dos brasileiros demonstram isso. Também ficou conhecido pela sua adesão às teses racistas então ainda muito em voga, em um tom oposto acerca do tema ao que seria adotado, por exemplo, por Gilberto Freyre e sua ênfase à miscigenação.

Nada disso, naturalmente, merece de nossa parte qualquer simpatia, ainda mais hoje quando, em um país com um aumento exorbitante no número de habitantes e muito mais urbanizado, nos esforçamos tanto por produzir valorosas iniciativas na sociedade civil para sanear o ambiente do nosso pensar político. Contudo, no pequeno volume O Ocaso do Império, de 1925, encontramos algumas avaliações bastante interessantes do cenário que antecedeu a derrubada do regime monárquico brasileiro. Não há, é verdade, tantos elementos que fujam ao que corriqueiramente se comenta; entre as influências está, por exemplo, a abolição da escravatura, que muito se aponta ainda hoje como causa da derrubada da Família Imperial.

Viana oferece uma descrição do movimento abolicionista, que “acentuou o sentimento de irritação” contra as instituições monárquicas ao conquistar o sucesso pretendido sem ofertar indenizações aos proprietários de escravos. “Esse ideal teve (…) um ambiente de dramaticidade vibrante, o mais próprio para fazer palpitar e comover um povo tão exuberantemente sensível e imaginativo como é o nosso”, de modo que, segundo o autor, “nenhum” dos grandes ideais que circularam no Brasil no Segundo Reinado “foi mais difuso, mais geral, mais popular do que este”. De tal modo, acreditava Viana, que em dado momento, pouco se acreditava que seria possível evitar o seu triunfo. Ele narra inclusive um episódio muito interessante, em que, no dia do advento da Lei Áurea, a Princesa Isabel se movia apressada para o Paço e Paulino, o Visconde de Uruguai, que “podia embaraçar o projeto”, desistiu “com fina elegância, em expressões que são um modelo de polidez, aticismo e ironia, declarando que, tendo cumprido o seu dever de cidadão, ia agora cumprir o seu dever de cavalheiro, ‘não fazendo esperar uma dama de tão alta jerarquia”.

O sociólogo elencou também o descrédito em que, aos olhos de muitos, as instituições monárquicas caíram, por diversificadas razões. Uma delas, a de que, diante da velhice e doença de D. Pedro II, antipáticos ao Conde D`Eu, marido da princesa, ou céticos quanto aos príncipes então jovens, os brasileiros da elite política e intelectual – que, lembremos, para Viana, estão sempre muito separados da “massa”, porque esta, (mal) educada em séculos de regime arquetipicamente “feudal” e patrimonialista, não teria construído qualquer senso de espírito público e cidadania capaz de sustentar plenamente uma democracia liberal – não enxergavam a monarquia subsistindo para um Terceiro Reinado.

A segunda seria o fato de que as lideranças dos grandes partidos – os liberais e conservadores, luzias e saquaremas, em cujos programas Viana também enxerga poucas diferenças práticas, a ponto de se servirem de retóricas e instrumentos, no governo, que combatiam e identificavam com o partido adversário, na oposição – começavam a se mostrar incomodadas demais com as intervenções do monarca. D. Pedro, é sabido, podia dissolver os Gabinetes ministeriais, ou poderiam ser convocadas eleições para o Parlamento, a fim de que ambos, Executivo e Legislativo, se harmonizassem; o Parlamentarismo sem opinião pública efetiva tornava “todos os atos políticos e administrativos” dependentes do Gabinete, que então montava “a ‘máquina’ do seu partido – pelos mesmos processos usados atualmente”, isto é, na República Velha, em que Viana vivia, “pelos oligarcas estaduais”.

Por isso, Viana acreditava que D. Pedro, usando do Poder Moderador, incumbia de “organizar o novo gabinete um prócer do partido oposto”, de tempos em tempos, a fim de “tanto quanto possível corrigir estes processos, impedir a montagem dessas ‘máquinas’”, e foi isso que teria garantido a estabilidade do regime por tantas décadas. A mesma prática, porém, – sobretudo, diz o autor, a partir da intervenção no gabinete Zacarias de Góes e Vasconcelos para substituí-lo, contra a maioria do Parlamento, pelo gabinete conservador de Itaboraí, em 1868 -, acabou levando à indisposição política de setores barulhentos contra o seu papel institucional. Seria, ele supunha, tal como alguns conservadores monárquicos supuseram ao defender o Poder Moderador que o Brasil apresentava na prática, a única maneira, à época, de conter o mandonismo e a ausência de legalidade nas províncias e regiões.

Porém, nem isso, nem a própria ideologia republicana em si, que Viana demonstra, com dados numéricos, inclusive revelando a quantidade diminuta de periódicos em sua defesa, não ter sido tão penetrante, seriam os fatores mais interessantes apontados pelo autor na obra. O fator prioritário seria a agitação militar; sem isso, o golpe de 1889 não se daria e, mesmo que a monarquia viesse a cair, teria sido possível que isso ocorresse apenas após a morte de D. Pedro.

Viana descreve a dimensão comportamental e psicológica dos militares como algo diferenciado da psicologia política e partidária; os militares teriam um forte espírito coorporativo, e, por obra da instigação dos próprios civis, sua inserção passional e exacerbada nas discussões e contendas políticas teria criado o monstro que devoraria o próprio regime. Teria havido um “grande programa de exploração sistemática das Forças Armadas, desenvolvido” no Brasil “desde 1870, com inegável habilidade, pela classe dos políticos civis”, visando “preparar um conjunto de circunstâncias, um ambiente apto a constituir como que um campo de atritos entre as suscetibilidades conhecidas da classe militar e as atitudes políticas dos gabinetes ou de uma dada situação partidária”. Foi isso que acabou sepultando o Império; o movimento de 1889 era lido, de início, como uma desarticulação do gabinete do Visconde de Ouro Preto, contra o qual se indispunham certas alas militares, mas acabou desembocando no desmantelamento de todo o sistema e o triste exílio imposto ao monarca.

A insatisfação com a realidade, que hoje inclusive também nos domina, pode levar ao cultivo de ideias revolucionárias, ao ímpeto de destruir o edifício do passado e implantar a absoluta novidade pela força. Nosso golpe republicano, a partir do qual destratamos de maneira tão vexatória um dos nossos governantes mais admiráveis, é um demonstrativo disso. Parece-nos que a própria evolução do regime ao longo do tempo, desde 1824 até então, evolução da qual participa até o figurino “parlamentarista” que veio a assumir, indica que tínhamos alternativa a simplesmente destruir tudo. Inclusive, no seio do monarquismo, reformas já eram discutidas e propostas. No entanto, a paciência e a prudência raramente prevalecem por aqui; tendo isso em mente, vejamos o que dizia, em carta confidencial de 1887 transcrita por Oliveira Viana, portanto alguns anos antes da República, o famigerado marechal e presidente Floriano Peixoto:

“Vi a solução da questão da classe, excedeu sem dúvida a expectativa de todos. Fato único, que prova exuberantemente a podridão que vai por este pobre país e, portanto, a necessidade da ditadura militar para expurgá-la. Como liberal que sou, não posso querer para meu país o governo da espada; mas não há quem desconheça, e aí estão os exemplos, de que é ele o que sabe purificar o sangue do corpo social, que, como o nosso, está corrompido”.

O próprio Oliveira Viana acreditou na força violenta de Vargas para equacionar os dramas nacionais. Contudo, qualquer que seja o valor de suas apreciações e de suas atitudes, apenas o levantamento desse pequeno documento já vale a leitura do livro. Floriano expressa muito da nossa falta de senso de orientação cíclica, que nos deixa prontos a querer resolver tudo com um absoluto revolver de todas as instituições e de toda a conexão com um passado histórico e uma continuidade, em busca de uma unidade armada que possa solucionar a nossa cultura cidadã invertebrada.

Quero crer, contra Oliveira Viana, que, quando muito por vivermos hoje um outro momento, podemos fazer melhor do que isso. Podemos fazer algo diferente do que fizeram os republicanos golpistas, ao escorraçar indignamente do Brasil um dos seus maiores homens de bem, ou do que fizeram os próceres do Estado Novo varguista, como o próprio Viana, após a Revolução de 1930. Quero crer que é possível semear as boas ideias e construir um espírito de autonomia e cidadania a partir de nossa sociedade civil. É a missão que movimentos, think tanks e intelectuais liberais e conservadores precisam trabalhar para cumprir hoje e construir um melhor amanhã.




















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/o-ocaso-do-imperio-e-a-missao-dos-brasileiros-de-hoje/

O surpreendente caso da Lei Áurea fascista

  Lucas Berlanza 


13 de maio deveria ser feriado no Brasil.

“Já temos feriados demais”, gritariam alguns. Há controvérsias, de acordo com alguns estudos que compararam a quantidade de feriados em diferentes países, mas, sem dúvida, se um feriado é estabelecido com o fim de representar uma data histórica com peso significativo na constituição dos caminhos de uma nação ou comunidade política, no que esses caminhos tiveram de mais nobre, o 13 de maio merecia ser priorizado em detrimento de vários feriados hoje em vigor.

Depois de um esforço genuíno de diferentes setores da sociedade, que englobavam, sim, parte da elite política e intelectual e integrantes da própria Família Real – personagens muito mais associados ao feito do que antigos escravos rebeldes sobre quem não há base alguma para afirmar que tivessem, por princípio e causa, o amor a qualquer liberdade que não apenas a sua própria -, a escravidão era legalmente abolida no Brasil. Sob o gabinete conservador (saquarema) de João Alfredo, mas fazendo jus a uma bandeira suprapartidária, a última de uma série progressiva de leis que foram eliminando a prática foi enfim sancionada.

Como diria Joaquim Nabuco, a despeito das marcas profundas que esse costume longevo e deplorável deixou em nossa sociedade, não há erro em dizer que, no Brasil, a partir de então, todos os seres humanos eram oficialmente cidadãos. Da construção de um Estado conduzida de cima por uma elite política, ainda que por vezes inspirada no que havia de melhor no material filosófico e nas inspirações institucionais disponíveis à época, o Império brasileiro daria um passo importante para que seu povo constituísse uma nação completa, sem que nenhum dos filhos deste chão pudesse ser considerado uma “coisa”, uma propriedade a ser comprada ou vendida.

Infelizmente, sob o pretexto de enaltecer figuras menos conhecidas, à revelia de quais sejam seus méritos reais, os amantes da “desconstrução” da História oficial, especialmente nas esquerdas e dentro do chamado “movimento negro”, assumiram como sua missão destruir as reputações e méritos de personalidades que prestaram contribuição indiscutível à resolução do problema. Pessoas como João Alfredo, Joaquim Nabuco e Isabel, naquele tempo reconhecidas por negros como o jornalista republicano José do Patrocínio como autênticas chaves para a condução e o desfecho da luta, passam a ser retratadas como “brancos e elitistas insensíveis, que apenas fizeram o que fizeram por força das circunstâncias”. Apenas os negros e os pobres podem ser valorizados, bradam eles.

É difícil crer que essas pessoas leram sequer uma linha, por exemplo, do emocionante Minha Formação, em que Nabuco delineia toda a sua profunda comoção pela causa da liberdade dos escravos. Não podem tê-lo lido a extravasar toda a sua dor pela condição deles, a prantear suas sacrificantes existências, a declamar que nenhum propósito poderia dar melhor significado à sua vida que o de lutar por trazer ao menos um pouco de luz às vidas sombrias dos cativos! Não podem, a menos que seus corações se tenham petrificado. São os mesmos que devem aplaudir a representação do comunista e terrorista Marighella como um herói negro no filme de Wagner Moura!

Eis que no dia 13 de maio de 2019, o deputado Luiz Philippe de Orleans realizou sessão solene na Câmara em homenagem aos 131 anos do “Sublime Pergaminho” – alcunha por que a lei foi tratada no belíssimo samba-enredo da Unidos de Lucas em 1968 -, feras de encéfalo derretido invadiram o plenário com bandeiras de Marielle Franco bradando imbecilidades repugnantes. Gritaram “matam vidas negras” (quem, os deputados presentes que homenageiam a Lei Áurea?), “parem de nos matar” e “fascistas não passarão” (?).

O movimento negro, contaminado pelo mais baixo ressentimento esquerdista, transformou-se em uma horda de rancorosos injustos, brasileiros ingratos que desdenham das batalhas e do suor daqueles que construíram as perspectivas de liberdade de que ora conseguem desfrutar. Demonstraram neste dia, feliz e triste ao mesmo tempo, que carecem do mínimo de sensibilidade, incapazes de respeitar, no ambiente do Poder Legislativo, uma cerimônia em tributo à oficialização do ingresso – com todos os atropelos e mazelas que persistiram, mesmo assim sempre digno de comemoração – dos seus e nossos antepassados ao reconhecimento oficial como compatriotas.

Sim, seus e nossos. Nós, os “brancos”, os caucasianos contra quem vomitam seu horror, também temos genética africana e ameríndia. Ninguém promove uma separação mais absurda e anacrônica com base na cor da pele nos dias que correm do que os estrupícios eivados de selvageria do movimento negro.

13 de maio foi o dia em que a liberdade fez um jornalista negro republicano beijar a mão, de joelhos, da princesa do Brasil. Vocês são e eternamente serão menos que notas de rodapé da História perto disso.







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Quando o Estado decide o que você pode dizer

  Claudio Apolinario


No Brasil, existe modo. E ele não começou agora.

Toda censura começa com uma justificativa razoável. Combater mentiras. Proteger a democracia. Garantir a ordem. Defender os mais vulneráveis. São argumentos que ninguém consegue ser contra — e é exatamente por isso que são usados. Não para convencer. Para silenciar sem parecer que está silenciando.

O Brasil está vivendo isso. E não começou agora.

Em 2020, decisões judiciais passaram a ordenar a remoção de conteúdos e o bloqueio de contas nas redes sociais, na maioria das vezes sem explicação pública sobre o critério usado. Em 2022, um documentário foi proibido de ser exibido antes mesmo de ser lançado — censura prévia, que a Constituição proíbe expressamente.

Em 2023, um aplicativo de mensagens usado por dezenas de milhões de brasileiros foi suspenso duas vezes por não obedecer a ordens de retirada de conteúdo. Em 2024, uma plataforma inteira foi bloqueada no Brasil por meses — a primeira vez que isso aconteceu num país que se apresenta como democracia plena.

E em maio de 2026, dois decretos do governo federal mudaram as regras do jogo de forma definitiva: as plataformas digitais passaram a ser obrigadas a retirar conteúdos sem precisar de ordem judicial. Basta uma notificação do governo.

Isso não é uma série de casos isolados. É um método. É um caminho de censura que se consolida passo a passo.

O método funciona em etapas. Primeiro, cria-se o argumento de que certas opiniões são perigosas — não erradas, não discutíveis, mas perigosas. Depois, transfere-se para o Estado o poder de decidir quais opiniões se enquadram nessa categoria. Por último, pune-se quem discorda da classificação.

Em cada etapa, a justificativa parece razoável. É só na soma das etapas que o resultado aparece: quem discorda do poder aprende que discordar tem um preço alto.

E aqui está o problema central que qualquer eleitor de centro e de direita deveria ver com clareza: isso não é sobre proteger a democracia. É sobre quem controla a narrativa num ano eleitoral.

Quando um governo decide o que pode ser dito sobre ele, não existe debate livre. Existe debate permitido. E debate permitido não é democracia — é performance de democracia.

A liberdade de expressão não é o direito de dizer apenas o que o poder aprova. É exatamente o oposto: é o direito de dizer o que o poder não quer ouvir. Retirar esse direito em nome de combater mentiras é o truque mais antigo do autoritarismo. Porque quem define o que é mentira nesse arranjo é sempre quem já está no poder.

Outros países encontraram formas de combater a desinformação real sem abrir mão da liberdade de expressão. O caminho passa por educação, por transparência, por jornalismo independente e por debate aberto — não por decretos que colocam nas mãos do governo a chave do que pode circular.

O que cada um pode fazer é simples: não aceitar a ideia de que calar é proteger. Perguntar sempre quem decide o que é perigoso. Cobrar do candidato posição clara sobre liberdade de expressão antes de votar. E lembrar que toda ditadura da história começou dizendo que restringia apenas o que era prejudicial.

Quem tem razão não tem medo do debate. Tem medo do debate quem sabe que não consegue vencer no campo das ideias.

*            O autor,  Claudio Apolinario,  articulista e analista político.











publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/quando-o-estado-decide-o-que-voce-pode-dizer__18674

Brasileiro trabalhamos de janeiro até hoje, 30 de maio, só para pagar impostos ao governo corrupto do ex-presidiário Lula

 diariodopoder


Terminou neste sábado (30) os 150 dias de trabalho que o esfolado brasileiro tem que trabalhar exclusivamente para pagar tributos. Os números são do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). A última vez que o percentual de dias trabalhados no ano ficou abaixo de 40% foi em 2006. Desde que Lula assumiu e Fernando Haddad, que até ficou conhecido como “Taxxad”, controlava a Fazenda, a quantidade de dias trabalhados para bancar o obeso estado brasileiro só aumentou.

Só subindo

Em 2023, o brasileiro passava 40,27% do ano ralando para bancar impostos. Passou para 40,71% (2024), 40,82%, aos atuais 41,10%.

Tudo em vão

O presidente do IBPT, João Eloi Olenike, diz que a carga é alta, mas a população não percebe um retorno proporcional em serviços públicos.

Labuta dobrada

Em 1986, início da série histórica, eram 82 dias trabalhados, número que chegou a cair para 74 (1987) e até 73 (1988). Hoje, são 150 dias.

Herança de Haddad

O instituto destaca alguns dos vilões que turbinaram a arrecadação, como aumento de tributação sobre fintechs e a taxa das blusinhas.


Diário do Poder

Trump faz o que Lula evitou fazer

  SEM RODEIOS/gazetadopovo

Trump faz o que Lula evitou fazer 
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Ladrões de celular: PT poderia devolver 2.5 milhões de aparelhos roubados

 caiocoppolla/youtube


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Esquerda SURTA Com Anúncio de Trump e Defende o Crime! Veja!

 deltandallagnol/youtube


Esquerda SURTA Com Anúncio de Trump e Defende o Crime! Veja!


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Lula Chama Criminosos de "Nossos": O Cinismo Desmascarado

 rubinhonunes/youtube


Lula Chama Criminosos de "Nossos": O Cinismo Desmascarado

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https://www.youtube.com/watch?v=fVfLtyg--p0

FOMOS CENSURADOS!

 dinheirofalante/instagram


FOMOS CENSURADOS!



Vamos Perder o Pix Por Causa de Flávio Bolsonaro?!

 andrémarsiglia/youtube


Vamos Perder o Pix Por Causa de Flávio Bolsonaro?!


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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Patrimonialismo, bandido estacionário e a perpetuação da pobreza no Brasil

  Adriano Dorta 



Raymundo Faoro (1925-2003), em Os Donos do Poder, desenvolve uma interpretação fundamental sobre o patrimonialismo e a formação do Estado português. Para Faoro, Portugal não se formou a partir de uma sociedade feudal descentralizada que, posteriormente, deu origem a um Estado nacional. Ao contrário, o Estado monárquico se fortaleceu precocemente e passou a organizar a sociedade de cima para baixo.

Essa centralização teve origem na própria formação do reino. Portugal foi se constituindo por meio da guerra, da Reconquista e da expansão territorial. Muitas das terras conquistadas passaram diretamente ao domínio da Coroa. Essas terras reais, chamadas de reguengos, regalengos ou requengos, formaram um vasto patrimônio rural do rei. Como a riqueza da época derivava sobretudo da terra, o monarca concentrou não apenas poder político, mas também poder econômico.

Dessa forma, tornou-se difícil distinguir o que era patrimônio público e o que era patrimônio privado do rei. O patrimônio do Estado e o patrimônio da Coroa se confundiam. Essa confusão está na base do patrimonialismo descrito por Faoro: o Estado aparece como extensão do poder pessoal do soberano e não como uma instituição impessoal separada dos interesses de quem governa.

Como o rei controlava a principal fonte de riqueza da época, a nobreza tornou-se dependente das mercês régias. Em vez de uma nobreza feudal autônoma, capaz de rivalizar com o monarca, formou-se uma elite que se afirmava por meio do Estado. Cargos, terras, privilégios e honrarias vinham de cima, distribuídos pela Coroa.

Com isso, a relação entre Estado e sociedade assumiu uma forma vertical. O rei não admitia “aliados e sócios”: abaixo dele estavam delegados, funcionários, súditos e subordinados. A sociedade não construía o Estado de baixo para cima; era o Estado que organizava a sociedade de cima para baixo. Essa é a chave para compreender a herança portuguesa no Brasil.

Ao contrário da experiência norte-americana, frequentemente associada a comunidades locais, autogoverno e formação institucional mais descentralizada, o Brasil nasceu sob uma estrutura estatal anterior à própria sociedade civil.

A colonização portuguesa não criou primeiro uma sociedade autônoma que depois organizaria seu Estado. Criou-se, antes, uma estrutura administrativa, jurídica e patrimonial comandada de cima, na qual terras, cargos, autorizações e oportunidades dependiam da proximidade com o poder político. Essa estrutura foi exportada para o Brasil Colônia.

Isso é importante não apenas para entendermos por que a sociedade era centralizada, mas também para mostrar que essa centralização produziu uma forma específica de sociedade que era dependente do Estado.

No Brasil, essa matriz se aprofundou. A riqueza, a propriedade e as oportunidades passaram a depender menos da autonomia da sociedade civil e mais da capacidade de obter favores, concessões, privilégios e extrair riqueza através do setor público.

Se Faoro explica a origem histórica dessa estrutura, Mancur Olson ajuda a entender seus incentivos econômicos. Depois de mostrar que o Estado português-brasileiro organizou a sociedade de cima para baixo, é possível recorrer à teoria de Mancur Olson para compreender os incentivos econômicos criados por essa estrutura. Em Power and Prosperity, Olson distingue o bandido errante do bandido estacionário.

O bandido errante saqueia uma sociedade e vai embora; por isso, não tem incentivo para preservar a produção local. Já o bandido estacionário permanece sobre um território e monopoliza a coerção. Como pretende extrair renda continuamente daquela população, ele tem algum incentivo para garantir ordem, proteger minimamente a propriedade e permitir que a sociedade produza.

Na teoria de Olson, o poder predatório pode assumir formas diferentes conforme o tipo de interesse envolvido. Um agente com interesse abrangente captura uma parcela significativa da renda total da sociedade e, por isso, tende a se preocupar com a manutenção da produção. Se a sociedade empobrece demais, ele próprio perde capacidade de extração.

Já um agente com interesse estreito captura benefícios concentrados, mas espalha os custos de sua ação sobre o restante da sociedade. Nesse caso, ele não leva em conta o prejuízo geral que causa, pois seu ganho privado é maior do que a pequena fração do custo social que recai sobre ele.

Essa distinção é essencial para entender o patrimonialismo brasileiro. À primeira vista, o Estado centralizado descrito por Faoro poderia parecer um “bandido estacionário”: ele monopoliza a coerção, organiza o território e tem interesse em manter alguma produção para continuar arrecadando.

Para Olson, o maior sinal de que o “bandido estacionário” está perdendo o controle do monopólio da coerção é quando aparecem surtos de roubo e violência.

No Brasil, o patrimonialismo impede que o Estado opere como um agente de interesse abrangente. Como o público e o privado se confundem, diferentes grupos conseguem se apropriar de parcelas do aparelho estatal e explorá-las segundo interesses estreitos.

Cada grupo captura benefícios privados, enquanto os custos de sua ação são distribuídos por toda a sociedade. O resultado é uma forma fragmentada de predação institucionalizada.

Assim, o Estado patrimonial não opera como uma única máfia monopolista que preserva a sociedade para extrair mais no longo prazo. Ele se transforma em uma arena ocupada por diversos “bandidos individuais” ou pequenos grupos organizados, cada um explorando uma parte da máquina pública.

Para cada grupo, o benefício da apropriação é direto e concentrado; já o custo social é difuso, sendo pago pela população por meio de impostos mais altos, serviços públicos piores, inflação, menor produtividade, menor competição e menor crescimento econômico.

Essas teorias ajudam a explicar por que o Estado brasileiro é grande e pesado, mas ainda assim não se preocupa com a manutenção do monopólio e com a manutenção da produção para que possa maximizar a extração.


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