Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

-

CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

“Misantropia”: um risco para o país de togas?

    Judiciário em Foco


O falso comunicado da defesa civil sobre um alerta de “misantropia”, disparado poucas horas após uma vitória da seleção brasileira na Copa, despertou a atenção de alegres torcedores para uma palavra pouco coloquial e revelou a profunda vulnerabilidade dos nossos sistemas emergenciais. Além de nova evidência da nossa frágil cultura de prevenção de sinistros, a mensagem soou como ironia por parte de um hacker que pareceu ter colocado em confronto o ufanismo inerente aos eventos esportivos e um súbito perigo de ódio à humanidade. Foi como se o meliante tivesse nos alertado para uma eventual maré de pessimismo daqueles que vivem para criticar e derramar sua bile sobre tudo e todos, comprometendo até mesmo a euforia coletiva pelos desempenhos individuais em campo. Contudo, a “misantropia” pode ser proveitosa para uma população tradicionalmente alegre e crédula.

Na comédia intitulada O Misantropo, o escritor Molière narra as desventuras de Alceste, personagem-título, na França absolutista do Rei-Sol. Adepto da integridade e da sinceridade incondicionais, Alceste é retratado como um tipo entre o exaltado e o neurastênico, soberbo no alardeamento das próprias virtudes, intolerante com os vícios alheios e inflexível na coerência de suas posturas. Pela pluma de Molière, Alceste oscila entre o exagero de rotular como “escandaloso” o cumprimento efusivo a estranhos e a retidão de enfrentar o risco de uma condenação judicial injusta pela simples recusa a fazer acertamentos auriculares com seus julgadores. Diz nutrir aversão a todos os homens, tanto aos malvados quanto aos complacentes com estes, e justifica seu humor bilioso pela constatação de que toda a dinâmica social ao seu redor não passa de bajulação, injustiça, interesse e traição. No ápice do quixotismo em duelar contra os “moinhos-de-vento” dos salões parisienses de seu tempo, Alceste ainda ousa dizer a um postulante a poeta que seu soneto é ruim, angariando contra si um novo processo, dessa vez por suposta ofensa à honra do autor dos versos.

Sem adotar qualquer rebeldia vã ou incorrer em práticas antissociais e nocivas a outrem, Alceste demonstra conhecer com perfeição os códigos não-escritos do convívio de seu entorno, escancarando-os com a crueza de quem repudia atalhos e prestigia a clareza nas comunicações, inclusive com agentes públicos. Descontada a hipérbole própria à comédia, o protagonista, a despeito do narcisismo de quem se enxerga como um poço de virtudes, pode e deve ser admirado na retidão, na precisão no diagnóstico dos vícios e, sobretudo, na coragem em arcar com todos os prejuízos decorrentes de sua condição de oponente declarado da corrupção ornada sob o manto do preciosismo. Em linguagem bem atual, Alceste é a figura antissistema por excelência.

O hackeamento do sistema da defesa civil me conduziu de volta a Molière e me fez divagar sobre as eventuais peripécias de um Alceste ressurgido na corte do Luís XIV tupiniquim. Imaginei o protagonista sendo levado às barras de algum tribunal por um indivíduo de torpeza notória, mas que, ainda assim, fosse acolhido por todos com honrarias imerecidas. Seguro das suas alegações amparadas pela razão, pelo bom direito e pela equidade, Alceste certamente aguardaria o curso regular de seu processo e rechaçaria o conselho de seu único amigo de “visitar” um togado para tratar do assunto nas sombras. Ora, indagaria Alceste, “minha causa é injusta ou duvidosa?”, ao que o amigo chamaria sua atenção para o fato de que “a parte adversa é forte e pode, mediante sua cabala, levar a melhor”. Ainda assim, o misantropo reencarnado pagaria para ver se, “no litígio, os homens teriam o descaramento suficiente e seriam malvados, celerados e perversos a ponto de lhe fazerem injustiça aos olhos do universo.”

Em outro episódio, Alceste reencarnado, diante de algum internauta presunçoso que lhe solicitasse uma opinião sobre um texto, não hesitaria em postar nas redes sua crítica incisivamente negativa, defendendo com unhas e dentes sua liberdade de expressão e seu direito à divergência. Sentindo-se agravado em sua vaidade e em seu prestígio social e digital, o autor medíocre, se investido em posição de mando, se apressaria em notificar a plataforma de mídia em questão para dela exigir a imediata retirada do comentário de Alceste, rotulando-o como antidemocrático e potencialmente atentatório ao estado de direito.

Sob o império das togas, uma certa dose da misantropia retratada por Molière poderia encorajar os indivíduos a uma rejeição à promiscuidade reinante, desde o microcosmo das pequenas vilanias toleradas em âmbito privado até o macrocosmo dos elos indecorosos entre julgadores, seus jurisdicionados, legisladores e políticos em geral. No país onde a hipocrisia deixou de ser uma homenagem que o vício rende à virtude para tornar-se porteira escancarada à permissividade imunda, o ceticismo seria ferramenta indispensável ao exercício da cidadania ativa e à colocação de freio aos arbítrios do estamento no comando.

Todavia, se lideranças e formadores de opinião não tiverem valentia suficiente para criticarem as velhas práticas arraigadas na republiqueta do compadrio, aqueles que tiverem resguardado sua lucidez poderão se ver premidos a “saírem de um abismo onde triunfam os vícios para buscarem, na terra, um lugar distante onde se tenha a liberdade de ser honrado.”

Judiciário em Foco

Katia Magalhães é advogada formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e MBA em Direito da Concorrência e do Consumidor pela FGV-RJ, atuante nas áreas de propriedade intelectual e seguros, autora da Atualização do Tomo XVII do “Tratado de Direito Privado” de Pontes de Miranda, e criadora e realizadora do Canal Katia Magalhães Chá com Debate no YouTube.








publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/misantropia-um-risco-para-o-pais-des-togas/

DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?

 EDUARDOPRADOCLIMA/FACEBOOK


DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?



Lula mira SC e transforma discurso em crise nacional -

  ÚLTIMA ANÁLISE/gazetadopovo

Tenente da ROTA e irmão de Eloá baleado: a covardia contra quem nos protege

 rubinhonunes/youtube


Tenente da ROTA e irmão de Eloá baleado: a covardia contra quem nos protege

clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=0Yap-8lYm0U

comprou briga feia

 paulolopes/facebook


comprou briga feia



PREPARA A PIPOCA...

 RONY GABRIEL


PREPARA A PIPOCA...





PCC e CV organizações terroristas

 soberaniaviva/instagram


Flávio Bolsonaro pede e Trump classifica PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras. PF estuda escolta 24h por risco de retaliação. Enquanto isso, o silêncio de Lula é ensurdecedor. 



20 ANOS DO PARTIDO DAS TREVAS EM 1 MINUTO

 PARAGUAIPLANOB/INSTAGRAM


20 ANOS DO PARTIDO DAS TREVAS EM 1 MINUTO



Penas proporcionais

 caiocoppolla/facebook


Penas proporcionais



Bolsonaro Dá Xeque-Mate em Moraes na Prisão Domiciliar: Veja!

 andrémrasiglia/youtube


Bolsonaro Dá Xeque-Mate em Moraes na Prisão Domiciliar: Veja!


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=OT2o0d-ZdH4

A Polícia Inocentou Bolsonaro e Encurralou o Moraes!

 deltandallagnol/youtube


A Polícia Inocentou Bolsonaro e Encurralou o Moraes!

clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=LRs4XuvRD48

TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO

 FATOSENUMEROS/FACEBOOK

TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO



quarta-feira, 1 de julho de 2026

A ferramenta retórica da esquerda trabalhista: China (parte 2)

  Adriano Dorta 


Na primeira parte, discutimos rapidamente sobre o que era o trabalhismo, o contexto em que ele surgiu e o seu papel na construção da história do Brasil. Também citamos alguns militantes e suas ideias para o país.

Como foi dito na primeira parte, existem muitas diferenças entre as estruturas institucionais da China e dos países nórdicos. Essas estruturas não são complementares porque vivemos em um mundo com recursos escassos.

Enquanto os países nórdicos estão concentrando seus gastos em bem-estar social, a China foca seus gastos em investimento e infraestrutura. Caso o argumento dos trabalhistas fosse “juntar o melhor dos dois mundos”, o Estado teria um gasto em torno de 85% do PIB.

A China não tem a mesma rede de proteção social que os países nórdicos possuem. Além disso, como mostramos na primeira parte, as regras de relações do trabalho são criadas e discutidas entre o mercado (empresas, empregadores, sindicatos e trabalhadores), não pelo Estado.

A título de comparação, o Brasil gasta 12% do PIB com previdência, enquanto a China gasta 2% do PIB.

Ao contrário, na China, além de não existir essa rede de proteção social, o Estado não só intervém, mas dita as regras que mais beneficiam a economia e não os trabalhadores.

Segundo a China Labor Watch[1], por meio de um relatório, as empresas ocidentais praticam ações diferentes dos seus próprios compromissos declarados com padrões éticos de trabalho.¹

Podem acusar essa prova de ser uma evidência anedótica, mas o site promove um trabalho extenso mostrando a dura realidade que os trabalhadores chineses enfrentam. Além disso, a jornada média anual da China é maior que a de quase todos os países capitalistas – e não é pouco.

Enquanto a média anual de horas trabalhadas por trabalhador nos países nórdicos é de 1.434 horas, na China, a média é de 2.328 horas. São 894 horas, em média, trabalhadas a mais.

Um outro caso que confirma a falta de proteção e direitos da classe trabalhadora na China foi o escândalo que ocorreu na Bahia com a empresa chinesa BYD. Em junho de 2025, a empresa chinesa de carros elétricos BYD (Build Your Dreams – que, em português, significa “Construa Seus Sonhos”), foi autuada pela fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (SRTE/BA) por condições análogas à escravidão.

Segundo o próprio Ministério do Trabalho e Emprego, “foram identificados 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.”²

Os auditores detalharam “um conjunto de irregularidades que, em sua totalidade, configuram a submissão dos trabalhadores a condições degradantes e coercitivas, caracterizando a violação dos direitos fundamentais previstos na legislação brasileira.” Os relatos mostram que alguns trabalhadores estavam em jornadas de trabalho superiores a 10 horas. Um trabalhador machucado relatou que estaria trabalhando “há 25 dias sem descanso.”

A mesma prática usada nos sindicatos é usada nas empresas. Essa dinâmica é muito parecida com o que o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães usava na Alemanha pós-1933. O Reichswirtschaftsministerium (Ministério da Economia do Império) direcionava um Betriebsführer (“gerente” de negócios) que fazia parte do partido com a missão de garantir a conformidade ideológica dentro das empresas. Já o Arbeits-Vertrauensmänner era responsável por coordenar e supervisionar os trabalhadores. Além disso, também resolvia disputas em prol dos planos do Reich. Esse sistema sustentava a subordinação dos direitos dos trabalhadores a serviço do Estado.

Na China, sindicatos de trabalhadores têm membros do Partido Comunista Chinês controlando e coordenando essas instituições conforme o plano do governo. Caso greves ou tentativas de pressão sejam vistas como prejudiciais para empresas, o governo não vê problema algum em reprimir tais ações.

工会 — gōnghuì (sindicato) integra a estrutura da All-China Federation of Trade Unions (ACFTU), que funciona dentro da ordem do Partido-Estado. A ACFTU segue a liderança do Partido Comunista Chinês, opera seguindo o centralismo democrático.

O trabalhismo como ideologia política defende um Estado que crie e proteja direitos à classe trabalhadora. Isso é o que a China quase não faz. Isso não significa que é uma defesa das empresas, mas sim uma defesa dos planos do governo. Significa que uma paralisação em uma empresa-chave pode atrapalhar os planos do governo na condução da política econômica.

A mesma coisa acontece em empresas que começam a despontar e ganhar competitividade internacional. Para garantir que as empresas vão participar e seguir os planos do governo central, 党委书记 — dǎngwěi shūjì (Secretário do Comitê do Partido) é enviado para participar da gerência dessas empresas.

O “desaparecimento de CEOs” não é algo tão incomum na China. O jornal The Economist informou em uma matéria que, em 2023, 13 CEOs de empresas listadas na bolsa desapareceram. Inclusive, o governo nunca reconheceu publicamente a detenção de Xiao Jianhua, empresário que foi sequestrado por agentes chineses em Hong Kong em 2017 e preso em 2022, fato denunciado por autoridades canadenses. ³

Essa dinâmica na China mostra que há uma semelhança com as experiências corporativistas autoritárias do século XX como a Itália fascista e a Alemanha nazista. Portanto, os trabalhistas se colocam em uma posição difícil ao defender o modelo chinês. A China está longe do ideal que essa militância afirma defender: jornadas extensas, baixa proteção social, sindicatos subordinados ao Partido e mecanismos de representação que operam mais como instrumentos de controle político do que como expressão autônoma dos trabalhadores.

Se o critério é a democracia, a contradição é ainda maior: o modelo chinês concentra poder, restringe oposição, controla sindicatos e submete empresas, trabalhadores e lideranças econômicas aos objetivos do Partido. A China pode até servir como exemplo da capacidade estatal de planejar a economia, mas dificilmente pode ser apresentada como modelo trabalhista ou democrático. Nesse sentido, quando parte da esquerda trabalhista brasileira exalta a experiência chinesa, ela não está defendendo a emancipação da classe trabalhadora.

O único argumento que sobra é a tentativa utópica de selecionar a dedo as melhores práticas de cada país e achar que podem simplesmente implementá-las de cima para baixo, assim como foram o sindicalismo, a constituição e quase tudo que é feito no Brasil.

Referência

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. BYD é autuada por submeter trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão na Bahia. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 3 jun. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2025/junho/byd-e-autuada-por-submeter-trabalhadores-chineses-a-condicoes-analogas-a-escravidao-na-bahia. Acesso em: 4 jun. 2026.

CHINA LABOR WATCH. Brewing Concerns: Labor Practices and Compliance Gaps in Starbucks’ South China Operations. China Labor Watch, 14 out. 2025. Disponível em: https://chinalaborwatch.org/brewing-concerns-labor-practices-and-compliance-gaps-in-starbucks-south-china-operations/. Acesso em: 4 jun. 2026.

THE ECONOMIST. The case of China’s vanishing chairmen. The Economist, 7 dez. 2023. Disponível em: https://www.economist.com/business/2023/12/07/the-case-of-chinas-vanishing-chairmen. Acesso em: 4 jun. 2026.

[1] Fundada em 2000, a China Labor Watch é uma organização independente. Ao longo dos últimos 20 anos, a CLW tem se dedicado a monitorar e relatar práticas trabalhistas em fábricas, defender os direitos dos trabalhadores, criar comunidades, desenvolver capacidades de ação coletiva e compartilhar conhecimento com trabalhadores, comunidades, governos e outros parceiros.



















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/a-ferramenta-retorica-da-esquerda-trabalhista-china-parte-2/

O Banco Central quer ajudar Lula na eleição?

  Adriano Dorta 


O Banco Central (BC) divulgou nest terça-feira (23) um comunicado sobre a última reunião, no qual explica a decisão de reduzir a taxa Selic, que atualmente se encontra em 14,25% ao ano.

A decisão, isoladamente, já chama atenção. Mas o verdadeiro problema não está apenas no corte dos juros. Está na justificativa.

O problema está na projeção do Banco Central sobre a inflação futura. Desde que os cortes de juros começaram, em março de 2026, as próprias projeções do BC mostram uma inflação crescente.

A pergunta que fica é: se a inflação está piorando, por que o Banco Central está reduzindo os juros?

Para entendermos o tamanho do problema, primeiro precisamos entender: (1) o papel dos juros, (2) a inflação e (3) o papel do Banco Central nessa história.

De forma bem simples, os juros são a ferramenta que o BC usa para tentar controlar a inflação. A inflação é o aumento generalizado e sustentado no nível de preços de bens e serviços em uma economia. Com a inflação, a moeda perde poder de compra.

A inflação aumenta por causa de um desequilíbrio agregado, quando a quantidade de dinheiro circulando na economia cresce mais rápido do que a capacidade real de produção de bens e serviços.

Já o papel do BC é usar os juros como uma forma de reduzir ou aumentar os estímulos à economia, tentando levar a inflação para a meta. A decisão da meta de inflação cabe ao Conselho Monetário Nacional (CMN). O CMN é um colegiado composto pelo ministro da Fazenda, pelo ministro do Planejamento e Orçamento e pelo presidente do Banco Central.

Embora as metas de inflação sejam definidas pelos cargos hoje ocupados por Dario Durigan, Bruno Moretti e Gabriel Galípolo, o atual modelo contínuo foi decidido em 2023 e 2024 por seus antecessores Fernando Haddad, Simone Tebet e Roberto Campos Neto.

O CMN decidiu que a meta de inflação seria de 3%, com teto de 4,5% e piso de 1,5%. Isso quer dizer que, em teoria, o BC deveria usar os juros para fazer com que a inflação se aproxime cada vez mais de 3%.

Juros mais altos encarecem o preço do dinheiro. Quando os juros sobem, usar o cartão de crédito, comprar no carnê ou fazer um financiamento fica mais caro. Para empresas e empresários, também fica mais caro tomar empréstimos para comprar uma máquina nova ou contratar mais empregados.

Isso incentiva as pessoas a reduzirem o consumo. Ao mesmo tempo, fica mais atraente emprestar dinheiro ao governo. Essa dinâmica tira dinheiro de circulação e diminui a pressão sobre os preços.

Imagine uma cidade com 10 moradores e apenas uma padaria. Todos os dias, a padaria produz 10 pães, e cada morador compra 1 pão. O padeiro cobra R$ 1,00 por pão. Nesse momento, a economia está em equilíbrio.

Em um belo dia, o prefeito dessa cidade anuncia que vai distribuir R$ 1,00 todos os dias para cada morador comprar pão. Agora, cada morador terá R$ 2,00 no bolso.

Logo pela manhã, no primeiro dia com R$ 2,00 para comprar pão, os moradores correm para a padaria. Cada pessoa pede dois pães em vez de um.

Em um cenário de juros altos, o dono da padaria não consegue comprar mais um forno nem contratar mais funcionários para aumentar a produção, mas, como ele vê que as pessoas estão demandando mais pães, ele aumenta o preço.

Agora, a padaria passa a vender cada pão a R$ 2,00. Os moradores passam a comprar menos pães com a mesma quantidade de dinheiro.

Esse pequeno exemplo serve para demonstrar o cenário econômico do Brasil neste exato momento.

O governo federal usou a expansão dos gastos públicos para aumentar a demanda, fazendo com que as pessoas tivessem mais dinheiro para consumir. As empresas, por outro lado, não conseguem produzir na mesma velocidade.

O papel do BC, segundo o próprio Banco Central, é:

No comunicado da última reunião, o Comitê afirmou que “tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.

Também é possível ler no comunicado que “a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”.

Além disso, os indicadores mostram que a inflação fica acima da meta de 3% — e acima do teto da meta de 4,5% — até o terceiro trimestre de 2027, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente.

O comunicado deixa claro que as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e por diferentes grupos de agentes — como economistas e instituições que acompanham a inflação —, permanecem acima da meta em todos os horizontes. Desde a reunião anterior, essas expectativas ficaram ainda mais desancoradas, principalmente para 2028.

A desancoragem das expectativas, em termos simples, significa que as pessoas acreditam cada vez menos que o BC conseguirá trazer a inflação para dentro da meta. Isso faz com que empresas comecem a reajustar preços, trabalhadores passem a pedir salários maiores e investidores exijam juros mais altos.

O BC reconheceu que a demanda elevada está pressionando a inflação e que isso requer uma política monetária contracionista. Também reconheceu que a última leitura do IPCA, índice que mede a inflação, já está acima do limite superior da meta.

O argumento apresentado foi que, para trazer a inflação de volta à meta de forma mais rápida, seria necessário elevar os juros ou mantê-los altos por um período maior. Essa ação, segundo o BC, poderia criar efeitos contraproducentes para a própria inflação, porque o Banco Central vinha reduzindo juros. Mudar essa direção poderia gerar volatilidade.

O Comitê achou por bem reduzir os juros com base na fé de que um possível cessar-fogo na guerra do Oriente Médio e os efeitos do El Niño possam ajudar a diminuir a pressão sobre os preços e, consequentemente, ajudar a inflação a voltar para a meta.

A verdade é que o BC precisa torcer para que fatores que ele não controla possam ajudá-lo. Nada disso seria necessário se o governo federal não fosse populista e irresponsável com os gastos públicos.

O governo federal faz populismo por meio da redistribuição de renda, usando programas sociais e crédito do BNDES para manter a taxa de desemprego artificialmente baixa.

Isso cria um cabo de guerra entre o BC e o governo federal. O governo federal usa os gastos públicos para manter o desemprego baixo e garantir que a população mais carente continue consumindo. Do outro lado, o BC mantém os juros elevados para que o consumo diminua.

Um aumento dos juros também pode gerar desemprego. O problema é que este é um ano de eleição. E desemprego significa uma população com raiva do governo.

Se os dados mostram que a inflação não vai voltar para a meta, se o BC tem o dever de manter a inflação dentro da meta e de defender o poder de compra da moeda, assegurado pela Constituição, por que o Banco Central reduziu os juros?

Não é objetivo do Instituto Liberal divulgar teorias da conspiração. Porém, em se tratando de PT, Lula, do contexto atual e do passado recente, fica muito difícil não pensar em interferência política.

O cenário atual é muito parecido com o cenário de 2014, durante o governo Dilma II. A economia crescia, mas desacelerava; o desemprego estava baixo; a inflação estava acima da meta; e o Banco Central, sob Alexandre Tombini, reduzia juros.

A economia desabou repentinamente depois que Dilma venceu a eleição. Tudo mudou porque existia a expectativa de que Aécio Neves poderia ganhar.

Não sabemos se a história se repetirá exatamente da mesma forma, mas Lula está liderando as pesquisas de intenções de voto e não demonstra nenhum sinal de que pretende fazer um ajuste fiscal.

Não dá para tomar atitudes semelhantes e esperar resultados diferentes. Como disse Eduardo Cunha: que Deus tenha misericórdia desta nação.








publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/economia/o-banco-central-quer-ajudar-lula-na-eleicao/

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More