Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

-

CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 30 de agosto de 2026

Por que votarei, sempre, contra o candidato petista

    Percival Puggina


Ao contrário do que o título deste artigo pode sugerir, não faço restrição a tudo que não seja de direita. Numa democracia, havendo esquerda, é natural que exista direita e vice-versa. Minha severa restrição se volta à esquerda representada pelo grupo político governante no Brasil, polarizado pelo PT e aos seus reflexos na conduta tantas vezes casuísta e imoderada da cúpula do Poder Judiciário.

Tenho escrito e reiterado em programas de rádio e TV que essa esquerda, ruinosamente, ataca preciosos bens não materiais, espirituais e os conceitos mais relevantes que integram patrimônio intangível de ampla maioria da sociedade brasileira. Mesmo assim, parcela minoritária, mas expressiva, ainda não percebe ou considera irrelevante a destruição provocada por tais ideias e práticas no convívio social, político e econômico.

Em tal contexto, o “politicamente correto” é, simplesmente, um artifício que usa os meios culturais para implementar, sob pressão, as pautas do partido. Este texto pretende fazer uma síntese dos alvos políticos, econômicos, espirituais e culturais na mira da supostamente revolucionária esquerda nacional. A saber:

Deus. Sim, Deus se tornou alvo. A esquerda brasileira não aceita um Deus divergente do partido e uma lei moral que reprove condutas do Estado.

Pátria. Sim, também o amor à Pátria, porque o patriotismo é uma expressão visível do bem comum que é material, de contorno geográfico, mas não exclui o ensino e a experiência dos que vieram antes; por isso, inclui a tradição, a História e a sabedoria herdada – a “democracia dos mortos”, nas belas palavras de Chesterton.

Família. Sim, a instituição familiar é alvo dessa esquerda porque sintetiza a transmissão de princípios e valores que ela combate nas salas de aula e nos demais meios culturais. A família é considerada um agente patriarcal, contrarrevolucionário.

Liberdade. Esse precioso atributo da natureza humana raramente é mencionado pela militância esquerdista, que faz incidir contra ela todo poder que controla, quando tal lhe convém. Por isso a vimos, ano após ano, contida pelo Congresso Nacional, empenhada em controlar a mídia e regular os meios de comunicação; por isso a vimos mudar de alvo, conquistando apoio da mesma mídia quando surgiram as redes sociais.

Vida. O desapreço esquerdista ao valor da vida se manifesta de modo mais nítido quando o alvo é a vida intrauterina em qualquer de suas formas, mesmo na hora do parto. O combate a tão grave direito natural, se reflete nos conceitos sobre o valor do ser humano e no respeito à dignidade alheia.

Dignidade da pessoa humana. Sim, a esquerda não dá resposta satisfatória ao fundamento dessa dignidade. Fora das estreitas fronteiras delimitadas pelos conceitos de “companheiro” e “camarada”, ela simplesmente não sabe o que é isso.

Propriedade. A relação da esquerda com o direito de propriedade envolve duas situações. Numa, seus adeptos privilegiam os bens próprios e cuidam e ampliá-los; noutra, têm por alvo os bens alheios, estimulando invasões, severas tributações e restrições ao uso.

Bondade, beleza, justiça e verdade. Sob controle da esquerda, construções exitosas de uma civilização, com reflexo na cultura e tradição, precisam ser destruídas para parto de uma nova sociedade que, onde ensaiada, fracassou em todas as suas dimensões. Aprenda sobre isso observando o que acontece nas universidades.

Para essa esquerda, nenhum poder ou influência pode sobreviver fora do Estado ou do partido. Estou plenamente convicto da posição que aqui defendo.





Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

publicadaemhttps://www.puggina.org/artigo/por-que-votarei,-sempre,-contra-o-candidato-petista__18217

Violação ao sigilo da fonte: a gota d’água para novas sanções estrangeiras?

 Judiciário em Foc


A violência injusta contra os atos de pensar e manifestar, contra o livre ir e vir e até contra vidas humanas tem marcado o terror estatal oficialmente implantado entre nós desde a instauração do inconstitucional e ilegal inquérito das fake news. Contudo, como a sordidez do fazer mal a outrem escala em proporção direta à da passividade dos indivíduos sob sujeição, não é de se estranhar que tiranos sem freios concebam e ponham em prática técnicas cada vez mais eficazes de intimidação da sociedade sob seu domínio ou, pelo menos, dos indivíduos que ainda não tenham aniquilado suas consciências.

Na semana passada, Alexandre de Moraes retomou suas “investidas” contra o jornalista maranhense Luís Pablo e, não satisfeito em ter invadido indevidamente a privacidade do rapaz – chegando a privá-lo de seus instrumentos de trabalho! -, direcionou sua nova canetada contra a fonte do periodista, o ex-secretário de segurança Raimundo Cutrim. Na origem da fúria do togado, a mera divulgação do uso, por Flávio Dino, de veículo da frota do Tribunal de Justiça do Maranhão. A saudável e necessária atividade jornalística de reportar à coletividade os intestinos do poder foi transformada em imaginário indício da prática de perseguição, tipificada como crime na forma do artigo 147-A do Código Penal. Tudo ao sabor dos caprichos de Moraes e Dino e em escrachadas violações a pilares da nossa Constituição.

Em primeiríssimo lugar, Moraes tornou a afrontar o princípio do juiz natural e proferiu despachos nulos ao ter apreciado, em grau originário, condutas de pessoas fora de sua jurisdição. Quanto às determinações de busca e apreensão, tratou-se de medidas abusivas, pois as investigações policiais não apontaram qualquer possibilidade concreta de existência, em poder de Pablo e/ou de Cutrim, de objetos obtidos por meios criminosos, necessários à prova da pretensa infração, ou de armas e munições destinadas a fins delitivos.

Da mesma forma, a polícia foi incapaz de indicar qualquer fumaça de conluio dos vistoriados com sicários ou de envio de mensagens e ligações anônimas de cunho ameaçador contra Flávio Dino. Aliás, a própria suspeita de perseguição já soou como escárnio, diante do vazio de evidências de que o jornalista e/ou sua fonte tivessem acarretado riscos concretos à integridade física e psicológica de Dino, seja restringindo-lhe a capacidade de locomoção, seja invadindo sua esfera de privacidade. Nada nesse caso ultrapassou as fronteiras do legítimo exercício da profissão de informar a sociedade sobre fatos protagonizados por uma autoridade em seu espaço de atuação pública!

Porém, autocratas do naipe de Moraes, avessos ao jornalismo que fuja às conversas de comadres previamente “roteirizadas” pelos próprios poderosos, intimidam periodistas e suas fontes, embora o sigilo da identidade destas figure no rol das garantias fundamentais da nossa Constituição. O anonimato da fonte jornalística não encontra amparo em razões fúteis, mas sim em decorrência da necessidade de resguardar todo aquele que, ciente de malfeitos de poderosos, se disponha a abastecer a mídia com tais informações de interesse público. Portanto, além de violação a preceito constitucional expresso no art. 5, XIV, a relativização da confidencialidade da fonte cria um impedimento intransponível à obtenção de dados sensíveis, reduzindo a mídia à dependência de relatos de uns poucos loucos ou heróis de plantão.

Tampouco se admite a mitigação da garantia mediante o argumento alexandrino de que a proteção à fonte não possa servir como “escudo” para o cometimento de delitos. Ora, se a única relevância jurídica da fonte reside na possibilidade de fornecimento de informações delicadas à mídia e se, no texto da Constituição, a garantia ao sigilo é atrelada à necessidade do exercício da profissão de jornalista, a qual “delito” teria se referido Moraes? À atividade pura e simples de informar? Afinal, o único crime relacionado a uma matéria jornalística só poderia ter consistido em suposta ofensa à imagem de Dino, caso em que teria cabido a este a iniciativa de uma eventual ação perante um juízo comum, sem necessidade de outras provas que não a reportagem em si. Contudo, vivemos em uma republiqueta cuja cúpula togada sequer é capaz de distinguir um crime contra a liberdade individual (perseguição) dos delitos contra a honra, criando uma pseudo-competência para conduzir investigações e processos contra qualquer indivíduo que “ouse” questionar e/ou criticar algum dos nossos supremos.

Diante de um universo togado permeado pelas intimidações ao infinito, congressistas se omitem na adoção de medidas práticas, associações de imprensa se aviltam entre notinhas tímidas e protocolares e os arautos da “democracia” nacional entoam a desarmonia patética do autoritarismo. Enquanto isso, o governo americano já parece cogitar a retomada das sanções Magnitsky contra Moraes em possível resposta à violação específica contra a fonte jornalística. Ilusões à parte, uma eventual providência nesse sentido refletirá o repúdio dos EUA ao ambiente de censura criado entre nós e, em particular, a recusa das empresas de tecnologia à exposição permanente ao risco de prejuízos milionários ao sabor de despachos e resoluções de Moraes, Dino, Kássio e pares.

Nesse contexto, poderemos enxergar uma Magnitsky 2 como redentora de um país lançado ao fosso institucional? Talvez só crianças nutram tamanha ingenuidade. Se vier a produzir efeitos no congelamento de ativos de Moraes – o que não se verificou por ocasião da primeira sanção -, a medida poderá desempenhar um papel nada desprezível, tanto como dissuasão aos violadores quanto como brisa suave em nosso moral ressecado pelos anos autoritários. Mas caberá a nós e tão somente a nós a tarefa árdua de reconstrução gradual da nossa institucionalidade erodida. Nesse ínterim, que possamos ao menos nos refrescar com a brisa.












publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/violacao-ao-sigilo-da-fonte-a-gota-dagua-para-novas-sancoes-estrangeiras/

In memoriam da Lava Jato

    Percival Puggina


 “Todo poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Lord Acton

                     Quando o Ocidente, por bons ou maus modos, pôs fim ao absolutismo monárquico, destacaram-se dois modelos de limitação do poder político: o britânico, construído a partir da Revolução Gloriosa de 1688, e o estadunidense, instituído com a independência de 1776. Os artífices desta última conheciam bem o modelo institucional vigente na Inglaterra. Com bom proveito, haviam estudado O Espírito das Leis, que Montesquieu publicara poucos anos antes. Tempos brutos na América, mas quem sabia ler, lia.

Ali estava, também, a tripartição do poder, pondo a funcionar o sistema de freios e contrapesos, para evitar que qualquer deles saísse de controle. Seria a esse modelo que o Brasil aderiria nas suas constituições democráticas, adotando, com igual intuito (o de fracionar o poder político), o federalismo vigente nos Estados Unidos. Só que não. Em momento algum foram providas, no Brasil, as precondições necessárias para a efetiva autonomia dos entes federados. A experiência republicana associou a palavra “federal” à ideia de governo central, do qual dependem, em proporções variáveis, estados e municípios. No encadeamento dessa tradição, foram ganhando força crescente as expressões “federal”, “nacional”, “central”, “geral”, “único”, entre outras. Tal fenômeno reflete a permanência de práticas que concentram o poder político na capital da República – um hábito intoxicante.

Na correspondência que trocou em 1887 com o bispo anglicano Mandell Creighton sobre a responsabilidade moral de líderes históricos, Lord Acton nos proporcionou a famosa afirmação transcrita como introdução a este artigo. Ele não aceitava que a importância de um cargo – de qualquer cargo – sublimasse a condição humana de seu ocupante e alertava contra a tolerância ante os abusos de poder. De suas páginas, parece gritar ao Brasil de hoje: “Parem de abraçar a servidão! Não normalizem aberrações institucionais!”

A literatura de ficção científica produziu obras interessantes sobre revolta das máquinas. Autores providos de gênio criativo conceberam a possibilidade de as máquinas ganharem autonomia e construírem razões autônomas ou aspirarem e lutarem por domínio (como acaba de acontecer de modo autônomo com duas IAs). Ora, se nem o poder das máquinas escapa à sentença de Lord Acton, como poderia fazê-lo o imenso aparelho do poder político brasileiro?

A nação, vertente de onde emana o poder, quis a Lava Jato, amou a Lava Jato, aplaudiu-a com empolgação, e a viu ser objeto de uma campanha de descrédito. Assistiu-a ser destroçada pela máquina do poder. Ainda assim, pesquisa de Genial/Quaest de março de 2024 mostrou que apenas 28% dos entrevistados consideravam que ela “fez mais mal do que bem”...

A corrupção colossal que estamos vendo em Brasília é expressão política e apocalíptica de uma brutal concentração de poder. É sintoma visível da servidão a que fica relegada a nação quando artifícios são montados para perenizar autoridades, posições e acesso a meios abundantes, agindo de modo autônomo e... fora de controle. Só que isso não é ficção científica (nem política), é dura realidade sobre a qual não adianta falar. Tudo foi consumido, consumado e a continuidade da Lava Jato teria evitado.

Brasília, nosso mostruário de excessos, é referência sensível da concentração de autoridades gerando autoritarismo, de poder gerando abuso e de arrogância gerando narcisismo.

















PUBLICADAEMhttps://www.puggina.org/artigo/in-memoriam-da-lava-jato__18218

FICOU DESCARADO E NÃO ESCONDEM MAIS

 PAULOALCEU/FACEBOOK


FICOU DESCARADO E NÃO ESCONDEM MAIS




"Nunca vi essa moça": A MENTIRA DE LULA desmontada foto por foto

 OUÇA ESSA/gazetadopovo


"Nunca vi essa moça": A MENTIRA DE LULA desmontada foto por foto

clique no link abaixo e assista

O FIM DO FORO PRIVILEGIADO NO BRASIL |

LUIZ PHILIPPE DE ORLEANS E BRAGANÇA


O FIM DO FORO PRIVILEGIADO NO BRASIL 


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=qxQhh-lmrGA

QUAQUÁ ERÁ SÓ UM APELIDO?

 CLAUDIOBRANCHIERI/INSTAGRAM


QUAQUÁ ERÁ SÓ UM APELIDO?



Mendonça Diz Não à Trégua Com a PF e Coloca Fachin em Alerta!

 andremarsiglia/youtube


Mendonça Diz Não à Trégua Com a PF e Coloca Fachin em Alerta!


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=d-GBE7BstC4

Moraes Mandou Prender Diarista Por Golpe de Estado!

 deltandallagnol/youtube


Moraes Mandou Prender Diarista Por Golpe de Estado!


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=QvcJD3JyawQ

Recuperação judicial NÃO é falência: o que ninguém te explicou sobre o Habib's

 rubinhonunes/youtube


Recuperação judicial NÃO é falência: o que ninguém te explicou sobre o Habib's

clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=NwzJ2xrPDcg

SO ACREDITA QUEM É OTÁRIO

 LUIZERNESTOLACOMBE/FACEBOOK


SO ACREDITA QUEM É OTÁRIO



BRASILEIRO ESTÁ ORANDO E APOSTANDO PELO MESMO MOTIVO

 CAFÉCOMFERRI/FACEBOOK


BRASILEIRO ESTÁ ORANDO E APOSTANDO PELO MESMO MOTIVO



DUAS RENDAS COMPRAM A SOBREVIVÊNCIA...

 ANSELMOMOCHI/FACEBOOK


O PASSADO E O PRESENTE. QUANTA DIFERENÇA



sábado, 29 de agosto de 2026

O SOCIALISMO NÃO FRACASSOU

 Por Roberto Rachewsky


Existe uma frase repetida há décadas: “O socialismo fracassou. ”Eu discordo. Dizer que comunismo e fascismo são ideologias erradas ainda lhes concede uma inocência que não merecem. Elas não são simplesmente erradas. São desumanas, malévolas e irracionais.

 

Comunismo e fascismo são COLETIVISTAS e, nesse sentido fundamental, são MODELOS DE SOCIALISMO. Mudam os símbolos, os inimigos escolhidos e a abstração em nome da qual o indivíduo deve ser sacrificado. No comunismo, a classe. No fascismo, a nação e o Estado.

 

Karl Marx forneceu ao comunismo a racionalização intelectual da luta de classes. Giovanni Gentile, principal filósofo do fascismo italiano, forneceu ao fascismo a racionalização filosófica da absorção do indivíduo pelo Estado. Mas há um equívoco ainda mais profundo quando se diz que essas ideologias estão simplesmente “erradas”. Erradas em relação a quê? Se o critério for a liberdade individual, são monstruosas.Se o critério for a prosperidade de indivíduos livres, são destrutivas.

Se o critério for o respeito à propriedade, são incompatíveis com ele. Mas estamos partindo da premissa de que liberdade, prosperidade, propriedade e autonomia individual eram os objetivos desses sistemas. E é justamente essa premissa que precisa ser questionada. Porque aquilo que normalmente é apresentado como o fracasso dessas ideologias pode ser precisamente aquilo que permite que elas funcionem.

 

COMUNISMO E FASCISMO encontram combustível em algumas das manifestações mais destrutivas da psicologia humana: a inveja, o ressentimento e a impotência cognitiva. A inveja não deseja simplesmente possuir aquilo que o outro possui. Em sua forma mais destrutiva, deseja que o outro deixe de possuir. O ressentimento transforma a realização alheia em acusação. O sucesso do outro deixa de ser inspiração e passa a ser afronta. E a impotência cognitiva leva aquele que não consegue ou não quer compreender as causas da produção, da riqueza e do sucesso a substituí-las por uma explicação emocionalmente conveniente: se alguém possui mais, deve ter tirado de alguém. É nesse terreno que o coletivismo prospera. O produtor deixa de ser aquele que criou alguma coisa e passa a ser apresentado como alguém que deve explicações. O sucesso torna-se suspeito. A riqueza torna-se evidência de culpa. A desigualdade de resultados transforma-se em injustiça. A propriedade passa a ser tratada como concessão social. E aquele que nada criou recebe uma reivindicação moral sobre aquilo que foi criado pelos outros. A partir daí surge a figura indispensável a qualquer sistema parasitário: o intermediário político. Alguém precisa decidir quem tem demais. Alguém precisa decidir quem tem de menos. Alguém precisa determinar quanto será retirado de um e entregue a outro. Alguém precisa administrar a distribuição. Alguém precisa estabelecer prioridades. Alguém precisa decidir quem merece.

E, sobretudo, alguém precisa controlar tudo isso.

 

É nesse momento que a inveja e o ressentimento deixam de ser apenas sentimentos privados e se transformam em instrumentos políticos. O ressentido oferece legitimidade. O governante oferece coerção. Um fornece a justificativa moral. O outro fornece a força. E ambos precisam do produtor para financiar essa relação. Por isso é enganoso dizer que o socialismo fracassa quando destrói riqueza. A destruição da riqueza independente reduz a independência do indivíduo. É enganoso dizer que fracassa quando destrói a propriedade. Sem propriedade, o indivíduo se torna mais dependente daqueles que controlam os recursos. É enganoso dizer que fracassa quando destrói a autonomia. Sem autonomia, aumenta o poder de quem governa. É enganoso dizer que fracassa quando empobrece a sociedade. Uma população dependente é politicamente muito mais fácil de controlar do que uma população economicamente independente.

 

Portanto, aquilo que costuma ser apresentado como consequência indesejada pode funcionar como instrumento de preservação do próprio sistema. O objetivo não precisa aparecer escrito num manifesto. Nenhum parasita precisa declarar que pretende enfraquecer o hospedeiro. Basta observar a lógica da relação. Quanto menos o indivíduo consegue viver sem o Estado, maior é o poder daqueles que controlam o Estado. Quanto menos propriedade possui, mais precisa pedir. Quanto menos pode produzir livremente, mais precisa de autorização. Quanto menos pode escolher, mais precisa obedecer.

 

 Quanto mais depende de benefícios, subsídios, licenças, reservas de mercado, privilégios, empregos públicos ou favores políticos, maior é o preço de desafiar aqueles que controlam sua sobrevivência. A dependência deixa então de ser uma deficiência do sistema. Ela é o sistema. E existe uma razão ainda mais profunda para isso. O indivíduo independente representa uma ameaça permanente a qualquer estrutura parasitária.

O indivíduo independente não precisa do planejador. O indivíduo proprietário não precisa do distribuidor. O indivíduo produtivo não precisa daquele que promete distribuir a produção alheia. O indivíduo que pensa por conta própria não precisa do ideólogo. O indivíduo que produz e troca voluntariamente não precisa de um burocrata decidindo com quem pode negociar, quanto pode cobrar, quanto pode ganhar ou quanto deve entregar. E o indivíduo que não precisa deles é precisamente aquilo que uma estrutura parasitária de poder não tem interesse em multiplicar.

 

Por isso, quando essas ideologias confiscam propriedade, sufocam a iniciativa privada, destroem poupança, controlam preços, criam dependências, censuram dissidentes e concentram poder, não estamos necessariamente diante de acidentes inexplicáveis ocorridos durante uma tentativa frustrada de construir uma sociedade livre e próspera. Uma sociedade de indivíduos livres e independentes seria a negação do próprio sistema. Seria seu verdadeiro fracasso.

 

 

Imagine um regime coletivista que produzisse indivíduos cada vez mais ricos, independentes, proprietários, autônomos e capazes de viver sem pedir autorização ou recursos ao governo. Para que precisariam dos planejadores? Para que precisariam dos distribuidores? Para que precisariam dos salvadores? Para que precisariam daqueles que reivindicam o direito de organizar suas vidas? O sucesso do indivíduo independente destruiria a justificativa moral e prática da elite que vive de administrá-lo. É por isso que a escassez possui uma utilidade política extraordinária. Onde existe abundância produzida livremente, o poder político perde importância. Onde existe escassez administrada, aquele que controla a distribuição se torna poderoso. Quem controla a comida numa sociedade faminta controla pessoas. Quem controla empregos numa sociedade sem iniciativa privada controla pessoas. Quem controla crédito controla pessoas. Quem controla moradia controla pessoas. Quem controla saúde controla pessoas. Quem controla educação controla pessoas. Quem controla aquilo de que os indivíduos foram impedidos de prover por conta própria controla suas vidas. O sistema cria a dependência e depois apresenta aquele que administra a dependência como benfeitor. Primeiro reduz a autonomia. Depois oferece assistência.

Primeiro restringe. Depois concede. Primeiro retira. Depois distribui. E aquilo que anteriormente era propriedade passa a ser chamado de benefício quando uma pequena parcela retorna às mãos de quem depende do sistema. O parasitismo ganha então sua inversão moral completa. Quem produz passa a dever. Quem toma passa a conceder. Quem depende passa a reivindicar direitos sobre quem produz. E quem administra aquilo que foi retirado dos outros aparece como agente da solidariedade.

É uma extraordinária operação de inversão moral. E existe uma imagem que revela essa inversão com uma clareza extraordinária. Quando defensores do comunismo ou do fascismo chegam ao poder e passam a usufruir da riqueza que amealharam por meio do parasitismo, costuma-se acusá-los de hipocrisia. Eles se hospedam em hotéis de luxo. Usam relógios caríssimos. Circulam em automóveis inacessíveis à população. Vestem roupas que seus súditos jamais poderiam comprar.Usam os melhores aparelhos eletrônicos. Comem nos melhores restaurantes. Viajam com conforto. Desfrutam de uma abundância que o próprio sistema tornou impossível para milhões de pessoas. E então alguém diz: “Vejam a hipocrisia. Pregam igualdade e vivem como milionários.” Mas talvez não haja hipocrisia alguma. Talvez estejamos novamente acreditando no discurso e ignorando a natureza do sistema. Essas pessoas nunca precisaram desprezar a riqueza. Precisavam desprezar o princípio segundo o qual a riqueza deve ser produzida por quem deseja possuí-la. Podem desejar intensamente conforto, luxo, poder, prestígio e abundância. O que rejeitam é a exigência moral de criá-los, produzi-los ou obtê-los oferecendo valores em troca. Essa é a ganância verdadeiramente imoral. Ganância não é querer possuir muito. Querer prosperar não é imoral. Querer uma casa melhor, um automóvel melhor, viajar, desfrutar de conforto ou acumular patrimônio não constitui parasitismo. Se alguém produz valores e os troca voluntariamente pelos valores produzidos pelos outros, ninguém foi sacrificado. O empresário que cria um produto. O profissional que oferece seu trabalho. O inventor que desenvolve uma tecnologia. O comerciante que aproxima comprador e vendedor. O trabalhador que oferece sua capacidade produtiva. Todos oferecem alguma coisa para receber alguma coisa. Produzem para consumir. O parasita quer romper essa relação. Quer receber sem oferecer. Quer consumir sem produzir. Quer distribuir sem criar. Quer comandar sem construir. Quer desfrutar da riqueza sem reconhecer o direito daqueles que a produziram. E quando conquista o poder político encontra finalmente o instrumento capaz de transformar esse desejo em sistema: a coerção.

 

Por isso, o luxo da elite coletivista não precisa ser interpretado como uma traição ao sistema. Pode ser sua expressão mais reveladora. O discurso fala em igualdade.

A estrutura produz uma hierarquia brutal entre aqueles que obedecem e aqueles que controlam. O discurso condena privilégios. O sistema entrega o maior de todos os privilégios: viver daquilo que os outros são obrigados a produzir. O discurso condena a ganância, mas instala no poder uma forma muito mais perversa de ganância:

a ambição de possuir sem produzir, consumir sem trocar e prosperar pela coerção exercida sobre alguém. Não é apenas hipocrisia. É parasitismo convertido em filosofia política. É a inveja transformada em virtude. É o ressentimento transformado em justiça. É a impotência cognitiva transformada em doutrina. É a coerção transformada em método. E é a apropriação da riqueza alheia transformada em sistema de governo. Por isso, quando vemos os dirigentes desses regimes cercados pela riqueza que negaram aos demais, talvez a pergunta não deva ser: "Como podem ser tão hipócritas?” A pergunta mais reveladora é: “E se foi exatamente para chegar ali que construíram tudo isso?” Nesse caso, o luxo do governante diante da pobreza dos governados não seria uma aberração acidental do sistema. Seria sua fotografia mais perfeita. E isso nos leva de volta à frase inicial:“ O socialismo fracassou.” Fracassou segundo qual padrão? Se esperávamos que produzisse uma sociedade de indivíduos livres, proprietários, autônomos e prósperos, certamente não produz isso. Mas por que deveríamos imaginar que um sistema fundamentado na subordinação do indivíduo ao coletivo teria como finalidade produzir indivíduos independentes do coletivo? É uma contradição. A pergunta correta é outra: o sistema produziu submissão? Criou dependência? Concentrou poder? Destruiu centros independentes de riqueza? Transformou cidadãos em dependentes econômicos? Concedeu a uma elite política, burocrática e ideológica o poder de decidir sobre aquilo que os outros produziram? Permitiu que essa elite prosperasse materialmente, politicamente e socialmente administrando recursos que ela própria não criou? Se produziu tudo isso, talvez estejamos chamando de fracasso aquilo que, para aqueles que vivem do sistema, é sucesso. E aqui está o ponto essencial: o sofrimento do hospedeiro não demonstra o fracasso do parasita. Pode demonstrar exatamente o contrário. Um parasita não existe para tornar seu hospedeiro mais forte, mais livre ou mais independente. Ele precisa apenas preservar o hospedeiro o suficiente para continuar extraindo dele aquilo de que necessita. Essa é a lógica de todo sistema parasitário. Ele não pode eliminar completamente quem produz, porque morreria junto, mas também não deseja que o produtor seja plenamente independente, porque perderia o controle sobre ele. Precisa mantê-lo produzindo. E precisa manter o poder de tomar parte daquilo que ele produz. Por isso o socialismo não precisa abolir completamente a propriedade privada para manifestar sua lógica. Não precisa estatizar todas as empresas. Não precisa colocar todos os indivíduos numa repartição pública. Basta estabelecer o princípio de que aquilo que alguém produz não pertence integralmente a quem produziu.

Basta aceitar que o Estado tenha precedência sobre a propriedade. Basta estabelecer que necessidades alheias constituem reivindicações sobre a produção de terceiros.

 A partir desse princípio, resta apenas discutir percentuais. Quanto o produtor poderá conservar? Quanto deverá entregar? Quem receberá? Quem decidirá? E quem administrará? A resposta para a última pergunta é sempre a mais importante. Porque entre aquele que produz e aquele que reivindica aquilo que foi produzido surge uma classe cuja existência depende da permanência dessa relação: a classe daqueles que administram a coerção. Políticos. Burocratas. Ideólogos. Corporativistas. Grupos de interesse. Beneficiários organizados. Todos disputando posições diferentes dentro da mesma estrutura de transferência compulsória.

 

Por isso essas ideologias não estão simplesmente “erradas” para aqueles que desejam prosperar liderando sistemas parasitários. Podem ser extraordinariamente eficientes. Oferecem poder. Oferecem recursos. Oferecem prestígio. Oferecem riqueza. E, mais importante, oferecem uma justificativa moral para tudo isso.

O governante já não toma. Ele “redistribui”. Não controla. Ele “protege”. Não cria dependentes. Ele “garante direitos”. Não vive da produção alheia. Ele “serve à sociedade”. E assim a coerção deixa de parecer coerção. Transforma-se em virtude. É por isso que comunismo e fascismo não devem ser condenados simplesmente porque são economicamente equivocados. Isso é pouco. São desumanos porque subordinam seres humanos concretos a abstrações coletivas. São malévolos porque transformam o sacrifício de alguns em virtude moral. São irracionais porque negam a realidade de que riqueza precisa ser produzida antes que possa ser distribuída e de que é a mente individual que pensa, cria, inventa e produz. E são politicamente sedutores porque oferecem àqueles que desejam comandar os demais uma das mais poderosas ferramentas já concebidas: uma justificativa moral para exercer poder sobre a vida e a propriedade dos outros. O socialismo não é perverso porque tentou libertar o indivíduo e fracassou. Não é perverso porque tentou produzir prosperidade e errou a receita. Não é perverso porque boas intenções produziram consequências inesperadas. Essa interpretação é generosa demais. O problema está na própria premissa. O coletivismo exige que o indivíduo deixe de ser um fim em si mesmo. Exige que sua vida possa ser subordinada. Que sua propriedade possa ser reivindicada. Que sua liberdade possa ser limitada. Que sua produção possa ser apropriada. Tudo em nome de uma abstração representada, inevitavelmente, por homens concretos que exercem o poder.

 

Por isso, talvez a frase mais equivocada de todas seja: “O socialismo fracassou.” Não. Para o parasita que prospera controlando o hospedeiro, o empobrecimento, a dependência e a submissão do hospedeiro não são sinais de fracasso.

São as condições de sua existência. O verdadeiro fracasso de um sistema parasitário seria produzir exatamente aquilo que ele não pode controlar: indivíduos livres, proprietários, produtivos, racionalmente independentes e conscientes de que suas vidas pertencem a eles mesmos.
































publicadaemhttps://www.pontocritico.com/espaco-pensar-artigo/o-socialismo-nao-fracassou-240826

A armadura que nos falta

  Dartagnan da Silva Zanela


   Quando alguém, numa roda de conversa, resolve falar da importância da leitura, todos os presentes — e, talvez, até mesmo os ausentes — concordam que ela é realmente um trem indispensável para o bom desenvolvimento de uma pessoa. Até mesmo aqueles que têm alergia à leitura fazem pose, cara de gente séria, e concordam com o babado, porque é muito chique dizer que com livros e bons leitores se constrói uma grande nação.

Sim, isso é chique e é a mais pura verdade, porque a leitura nos faz parar e nos convida a seguir num passo mais lento e, por isso, mais atento. E essa é a chave para a boa formação de um indivíduo, principalmente no mundo em que vivemos, onde somos praticamente o tempo todo instados a seguir o fluxo acelerado e sem fim de uma sociedade que tem o seu ritmo maquinal regido pelo pulso contínuo de vídeos desconexos e imagens fragmentadas.

A leitura de uma obra literária exige a nossa entrega; ela não abre mão da nossa atenção para nos guiar pelas páginas codificadas de um livro. Lendo, somos obrigados a nos concentrar para não perder o fio da meada, conectando o que está sendo lido na página atual com o que já havia sido lido nas páginas anteriores e, de forma imaginativa, desenhando possíveis cenários que possam se descortinar nas páginas que estão por vir. E isso, meu amigo, é muito phoda.

Mas não somos uma sociedade de leitores e, por isso, é salutar lembrarmos que podemos avaliar o estado em que se encontra a consciência de uma sociedade pelo estado em que se encontra a linguagem utilizada pelos indivíduos, porque o estado da consciência humana reflete-se diretamente na linguagem por eles utilizada.

Ora, se voltarmos nossos olhos para o emaranhado de palavras que são utilizadas por nós em nosso dia a dia, constataremos que grande parte delas não passa de cacoetes mentais, jargões publicitários, trocadilhos oriundos de memes, termos vagos disseminados pela grande mídia, pelas redes sociais e demais traquitanas similares.

De mais a mais, uma sociedade que toma como referência apenas aquilo que as mídias apresentam é um mundo onde as pessoas se encontram presas em um círculo vicioso que, de tempos em tempos, se renova artificialmente, ao mesmo tempo que vai erodindo a nossa capacidade de discernir.

Um bom exemplo dessa erosão são as pessoas que, de um modo geral, dizem acreditar apenas na "ciência" e ponto final. Na real, essa gente acredita em qualquer bobagem que for apresentada pela televisão e confirmada pelo algoritmo de suas redes sociais — e nada mais.

Parece grosseria, mas não é. De um modo geral, todo aquele que diz que acredita apenas na "ciência" não tem uma ideia clara do que seja essa tal de ciência, do que é um objeto de estudo e do que são conceitos, definições, fenômenos e teorias; nunca teve contato com um estudo científico e, provavelmente, não tem o menor interesse em saber o que são procedimentos de pesquisa. Mesmo assim, afirma que crê nela, na ciência, porque essa palavra, em seu uso midiático — esvaziada do seu sentido original e convertida em um "lugar-comum" —, traz para ela uma ilusória e aconchegante sensação de segurança.

E o mesmo pode ser dito a respeito de inúmeros outros termos, como fascismo, comunismo, justiça social, iluminismo, libertário, liberdade, educação, família, amor, democracia — enfim, a lista é longa.

Todos esses termos — e muitos outros — encontram-se, no cenário atual, mutilados dos pés à cabeça. Por isso, te digo uma coisa: se não restaurarmos em nós a gravidade e o peso da linguagem, continuaremos presos neste "samsárico" círculo vicioso. E o caminho para isso — para defendermos a nossa alma do lixo midiático — é a grande literatura universal, pois, como bem nos lembra Saul Bellow, apenas ela pode nos libertar e nos proteger dos estereótipos. Ela não fala a linguagem de uma época ou de um grupo em particular; a grande literatura fala a linguagem da humanidade de todos os tempos para a humanidade de todas as épocas.

*            O autor, Dartagnan da  Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "NAS ENTRANHAS DO LEVIATÃ", entre outros livros.











PUBLICADAEMhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/a-armadura-que-nos-falta__18727

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More