Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

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NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

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POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

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sábado, 4 de abril de 2026

A “aposentadoria compulsória” da autonomia parlamentar

   Judiciário em Foco


A efetividade na punição a malfeitos e a austeridade fiscal deveriam ser inegociáveis em uma república que resguardasse as liberdades individuais contra abusos estatais e zelasse pela regularidade dos serviços essenciais prestados por seus funcionários. Contudo, no país de práticas e linguagem já tão corrompidas, até mesmo valores nobres servem de pretexto fajuto à concentração cada vez maior de poderes nas mãos de uma elite togada.

Em mais uma de suas canetadas monocráticas, Flávio Dino extinguiu a aposentadoria compulsória como sanção disciplinar a togados administrativamente responsabilizados por faltas graves – e o fez sob a alegação de que essa forma de penalidade máxima a magistrados teria deixado de existir a partir da Emenda Constitucional 103/2019, por incompatibilidade com a aludida reforma previdenciária. Contudo, não obstante a indiscutível imoralidade pública subjacente à imposição de uma aposentadoria com vencimentos integrais a título de “pena”, sua extinção por um togado foi mais uma vez demolidora de princípios basilares e do próprio texto da Constituição.

O processo em questão consistia em recurso de magistrado carioca contra decisão do próprio Dino, na qual o supremo comunista havia encerrado monocraticamente uma ação do togado local, e mantido sua aposentadoria compulsória determinada pelo CNJ. Decorrido quase um ano desde a primeira decisão, Dino, dessa vez em grau de recurso, extrapolou o escopo do pedido recursal e, ao determinar a reanálise do caso pelo CNJ, inseriu no leque de possibilidades decisórias a serem manejadas pelo conselho uma “inovação” despida de previsão expressa na Constituição ou na lei.

Nas exatas palavras de Dino, se o CNJ mantiver seu entendimento sobre a gravidade das infrações incorridas pelo magistrado, caberá ao conselho o dever de remeter o assunto à AGU para que esta venha a propor, junto ao STF, a ação destinada à perda do cargo. Não se assuste, caro leitor, diante de tantos atropelos em um único julgado, pois eles serão resumidos, abaixo, em três principais linhas de “bizarrices” jurídicas:

1 – Possibilidade de piora na situação do recorrente: tendo sido o magistrado carioca a única parte recorrente no litígio, Dino só poderia ter adotado uma das duas providências a seguir: (i) ou bem acolhia o inconformismo do carioca e modificava sua própria decisão para anular os julgamentos do CNJ que haviam redundado na imposição da aposentadoria; ou (ii) rejeitava as razões do magistrado, mantendo de pé seu julgado anterior assim como os do CNJ. Porém, em mais uma de suas “heterodoxias”, Dino pavimentou a rota de uma possível perda da toga para um recorrente que, no pior dos cenários, só poderia ter esperado a permanência em sua condição de aposentado. Como a eventual remoção da magistratura é medida mais gravosa que a concessão de aposentadoria, Dino incorreu na chamada reforma para pior, e tornou a abandonar sua inércia funcional para a imposição de providência jamais cogitada no recurso.

2 – Violação à separação de poderes: contrariamente ao alegado por Dino, a emenda sobre a recente reforma da previdência não eliminou do nosso ordenamento a figura da aposentadoria compulsória como “penalidade” para magistrados. A vedação genérica à adoção de critérios diferenciados para benefícios previdenciários (artigo 40 da CF) não poderia ter sido lida como revogação do instituto, sob pena de extrapolação descabida do texto da norma.

Da mesma forma, a simples ausência da palavra “aposentadoria” da atual redação dos artigos 93 e 103-B da CF não indicou uma vedação à medida que, se revogada, deveria tê-lo sido expressamente. A fragilidade do raciocínio de Dino transparece da literalidade dos dispositivos por ele mesmo citados, pois o artigo 93 da CF remete a disciplina do ofício judicante à lei complementar aplicável – ou seja, à Lei Orgânica da Magistratura (Loman), em pleno vigor – enquanto o artigo 103-B da CF contempla as hipóteses, em processos disciplinares, de remoção, disponibilidade ou outras sanções administrativas a togados, dentre as quais a aposentadoria.

Portanto, Dino tornou a legislar sem representatividade popular, tanto para eliminar uma forma de aposentadoria ainda presente na Loman quanto para redigir seu próprio rito em processos contra togados.

3 – Criação de nova etapa em medidas disciplinares e violação à autonomia da AGU: não contente em ter “reescrito” a Loman, Dino desenhou uma etapa adicional às medidas disciplinares envolvendo a conduta funcional de juízes. Por força do desejo de um único supremo, e não mais do consenso de legisladores eleitos, o CNJ, diante da configuração de infrações ditas “graves”, terá de instar a AGU a dirigir-se ao Supremo e lá pleitear a perda do cargo pelo suposto infrator – nova deliberação suprema desprovida de fundamentação constitucional ou legal e apta a gerar mais alguns maremotos de insegurança jurídica.

De agora em diante, o que será entendido por “infração grave”? No silêncio da Loman sobre critérios objetivos para a mensuração da “gravidade” de um malfeito togado, serão tidas como “graves” as condutas que os membros do CNJ classificarem como tais. Ora, sendo o conselho presidido pelo mesmo togado à frente do STF, não seria fantasioso conceber uma possível influência da cúpula judiciária sobre o órgão disciplinar no delineamento das tais infrações.

Outros aspectos “curiosos” da canetada residiram na desconsideração da autonomia funcional da AGU e na transformação necessária de processos administrativos disciplinares em judiciais em todos os casos “graves”. A partir do conceito relativamente indeterminado de “infração grave” (criado por Dino, não pela Loman), poderá ser acionada uma engrenagem CNJ-AGU-STF-condenação à perda do cargo, cujos elementos, longe de se moverem no âmbito de uma discricionariedade enquadrada por parâmetros normativos, poderão ser movidos ao sabor de caprichos. Aliás, a referida engrenagem jamais afetará interesses de togados supremos, que, em mais uma anomalia institucional brasileira, se acham “acima” da esfera fiscalizadora do CNJ.

Em décadas de nova república, nosso congresso foi incapaz de promover uma reforma profunda na Loman, inclusive para a abolição da indecente aposentadoria compulsória decretada como “pena”. Contudo, a inércia parlamentar nem de longe pode servir de justificativa à canetada de Dino, que, além de ter criado normas, ensejou um horizonte de incertezas sobre as perspectivas de remoção de juízes. No país onde políticos renunciaram à própria autonomia legislativa e onde todas as deliberações relevantes passaram a ser tomadas única e exclusivamente por togados, o terreno já foi mais que adubado para toda a espécie de arbítrios. Até o advento de mudanças efetivas nessa estrutura, só nos restará colhê-los.






Judiciário em Foco

Katia Magalhães é advogada formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e MBA em Direito da Concorrência e do Consumidor pela FGV-RJ, atuante nas áreas de propriedade intelectual e seguros, autora da Atualização do Tomo XVII do “Tratado de Direito Privado” de Pontes de Miranda, e criadora e realizadora do Canal Katia Magalhães Chá com Debate no YouTube.











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Dupla medonha Moraes-Toffoli já soma 12 novos pedidos de impeachment depois do caso Master

   No total, o Senado concentra 102 pedidos de impedimento contra ministros da Corte

Letícias Alves - Revista Oeste


Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), receberam 12 novos pedidos de impeachment depois dos desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master. Cada um foi alvo de seis representações. No total, o Senado acumula 102 ações desse tipo em tramitação. O levantamento é do site Poder360 e considera pedidos desde 4 de janeiro de 2021. 

Naquela data, o então presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), arquivou todos os processos contra ministros da Corte. Do total acumulado no período, Moraes registra 50 pedidos. Gilmar Mendes aparece com 13. O decano é seguido por Dias Toffoli (12) e Flávio Dino (8).


Relação de Moraes com o Master 

A relação de Moraes com o caso Master envolve o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci. A banca firmou contrato com o banco de Daniel Vorcaro com honorários mensais de R$ 3,6 milhões. O serviço, previsto para durar 36 meses, totaliza R$ 129 milhões, um valor considerado alto em comparação com outros escritórios de advocacia.

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados divulgou nota em 9 de março sobre os serviços ao Master. O texto cita 94 reuniões e 36 pareceres jurídicos e alega que não atuou perante o STF.

No caso de Toffoli, a ligação ocorre pela venda de ativos da empresa Maridt Participações para fundos vinculados ao banco de Vorcaro. A Maridt possuiu cotas do Grupo Tayaya Ribeirão Claro, no interior do Paraná, até fevereiro de 2025.

A participação foi vendida em 2021 ao Fundo Arlen, que tinha Fabiano Zettel como cotista. Zettel é cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Em fevereiro, a empresa de Toffoli vendeu o restante da posição para a PHD Holding. 

No entanto, o ministro afirma que nunca recebeu valores do exbanqueiro ou de Zettel. Toffoli também declarou que não era administrador da companhia, apenas integrava o quadro societário e recebia dividendos. 










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A névoa da presunção

 Dartagnan da Silva Zanela


   Há muito, Manuel Castells declarou que a época em que vivemos poderia ser chamada de "A Era da Informação". Na verdade, ele não foi o único a apontar nessa direção, mas, até onde sei, é o único que escreveu uma volumosa trilogia para explicar esses tempos tão fascinantes quanto obscuros nos quais vivemos.

É uma era fascinante pelo fácil acesso que temos às informações — de toda e qualquer ordem — quanto aos meios para produzir e disseminar tudo o que nos der na telha; e isso, venhamos e convenhamos, é algo realmente fascinante.

Por isso, neste quesito, discordo tanto de Umberto Eco quanto de Jacques Le Goff quando estes afirmaram que a internet acabou apenas dando voz e vez aos idiotas de todo o mundo. Não que não tenhamos boleiras de tontos que dizem tonterias para uma multidão ávida por idiotices; claro que há. O problema é que a forma como eles afirmaram isso dá a impressão de que, na era anterior ao advento da internet, não havia disparates que eram disseminados a torto e a direito pelas televisões, pelas rádios e pelas páginas impressas.

Tendo isso em conta, sou franco em dizer que prefiro uma sociedade onde todos possam ter acesso livre aos meios de comunicação, pois acredito que seja mil vezes melhor viver em um mundo onde todo e qualquer idiota tenha direito a expressar-se, e galgar o seu lugarzinho ao sol, a ter de existir num universo onde meia dúzia de estultos, pretensamente iluminados, arroguem para si o direito de dizer quais tansos poderão comunicar-se com as multidões. Digo isso porque, conforme canta a inflamação de minha costela anarquista, são sempre preferíveis os riscos da liberdade aos perigos da tirania mal disfarçada de soberania. Ponto.

Agora, saindo da dimensão fascinante e migrando para o lado obscuro da força, vemos que o acesso maior à informação acabou coincidindo com um aumento crescente de toda ordem de incompreensão e, sejamos francos: a culpa não é dos obtusos, nem da internet. Ao menos não toda.

Muito dessa atmosfera plúmbea que pesa sobre a "Era da Comunicação" deve-se a vários fatores, mas, de todos eles, penso que podemos destacar dois. O primeiro refere-se ao nosso desejo atávico de nos informar não para conhecer, mas sim para confirmar as nossas convicções; tal atitude está a léguas de distância daquilo que poderíamos chamar de um processo ativo de construção do conhecimento. Na verdade, é com base nessa inclinação torta que se forma aquela névoa de ignorância presunçosa que paira sobre as "bolhas digitais".

Juntamente com essa vontade de dar aquele ar de superioridade para as nossas opiniões rasas, temos também a nossa incapacidade de realizar distinções — incapacidade essa que é devidamente alimentada pela ansiedade inconfessada que, por sua vez, é instilada em nossos corações pela velocidade maquinal das mídias digitais, consumidas de forma desregrada por nós.

Neste ponto, estou com Umberto Eco que, em seu livro "A Passo de Caranguejo: Guerras Quentes e Populismo de Mídia", nos lembra que há uma distinção muito sutil entre explicar um fato, procurar compreendê-lo, justificá-lo e concordar com ele. Mas, como no mundo em que vivemos tais sutilezas são varridas para a lata de lixo da história, toda e qualquer distinção, que permitiria um diálogo civilizado, acaba tornando-se praticamente uma quimera.

Dito de outra forma, quando ouvimos alguém afirmar algo e somos incapazes de ponderar o que foi ouvido por nós com base nestas quatro possibilidades, é sinal de que algo em nosso entendimento embruteceu. E a culpa não é da internet, nem dos idiotas, porque a responsabilidade realmente é nossa.

*           O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS", entre outros livros.











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Jornal revela interesse de Janja em imóvel de alto padrão no Rio de Janeiro

 revistaoeste/youtube


Jornal revela interesse de Janja em imóvel de alto padrão no Rio de Janeiro

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https://www.youtube.com/watch?v=ymbmWfeJYxc

Imprensa descobre o que Moraes fez após usar jatinho de Vorcaro: veja!

 andrémarsiglia/youtube





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De ‘Bessias’ da Lava Jato a Messias do STF?

 caiocoppollo/youtube


De ‘Bessias’ da Lava Jato a Messias do STF?


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ÓDIO NO BRASIL: Denúncias de antissemitismo batem recorde histórico!

 rubinhonunes/youtube


ÓDIO NO BRASIL: Denúncias de antissemitismo batem recorde histórico!


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As 6 mentiras descaradas de Fachin para defender Moraes de relatório dos EUA!

 andrémarsiglia/youtube


As 6 mentiras descaradas de Fachin para defender Moraes de relatório dos EUA!

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o governo quer regular o tamanho do seu morango

 fatonacional/instagram


Portaria 886: o governo quer regular o tamanho do seu morango O Ministério da Agricultura criou regras que obrigam produtores a separar morangos por milímetro. Morango torto é proibido, cálice escuro é descartado, e o importado do Egito chega mais barato.



Impostômetro bate 1 trilhão: onde está seu dinheiro?

 fatonacional/insta


Impostômetro bate 1 trilhão: onde está seu dinheiro? O governo arrecadou 1 trilhão de reais em menos de 90 dias, mas gasta 1.29 trilhão. Saúde com fila, escola caindo e rua sem segurança. O Brasil cobra imposto de país rico e entrega serviço de país miserável. 



 soberania.viva/inata


O BRASIL É INIMIGO DAS EMPRESAS! 5.680 recuperações judiciais em 2025 (+24%), Raízen pede socorro de 65 BI e Pão de Açúcar de 4,5 BI 💥 Selic a 15% sufoca o setor produtivo – o governo esmaga quem gera riqueza e os brasileiros vão pagar caro!



sexta-feira, 3 de abril de 2026

O nome da barbárie: o silêncio cúmplice diante do extremismo

  Alex Pipkin 


Quem ainda preserva um neurônio funcional sente o ar rarefeito. Nós estamos vivendo o auge de um teatro do absurdo, onde a mídia dita “progressista” — do atraso — e sectários de umbigo próprio sequestraram o dicionário.

Para essa turma, qualquer dissidência é carimbada como “extrema direita”, enquanto a própria barbárie que eles alimentam é vendida como virtude sob um véu sujo de sangue.

O espetáculo é vil. O grito de ordem “Morte a Israel” deixou de ser um crime de ódio para virar “contexto” em universidades e redações. Não é metáfora; é o desejo explícito de extermínio percorrendo as ruas com a tranquilidade de quem carrega um selo invisível de legitimidade.

É o antissemitismo saindo do armário com uma fúria global que faz ecoar os capítulos mais sombrios da história, talvez pior pelo escopo, agora blindado pelo aplauso de quem se diz “humanista”.

Como podem, em nome do progresso, abraçar a teocracia iraniana? Um regime que oprime mulheres e financiou o massacre de 7 de outubro. Onde está a empatia pelos mais de 35 mil cidadãos iranianos assassinados pelo próprio Estado? A resposta é amarga. Para os fiéis do “ódio do bem”, essas vidas não cabem na narrativa. O iraniano que busca liberdade e prosperidade é rechaçado por esse “clube do mal” porque comete o crime de querer dignidade em vez de ideologia.

Criou-se uma blindagem semântica onde o óbvio tornou-se controverso. Essa versão degenerada da política troca a realidade por utopias impossíveis, escolhendo quais cadáveres merecem luto e quais merecem o descarte. Enquanto bradam contra o fascismo, esses “ativistas de barro” beijam as mãos de quem aniquila direitos fundamentais.

O Irã é um país maravilhoso sequestrado por instituições corroídas, assim como o debate público foi sequestrado pelo cinismo de intelectuais de araque. A pergunta não é mais se esse movimento é extremista; isso já está escancarado.

A pergunta que queima a garganta e exige honestidade é por quanto tempo o mundo vai fingir que essa força destruidora não tem nome?

É hora de arrancar as máscaras e batizar o monstro. Isso factualmente é a mais legítima, pura e cruel extrema-esquerda.

Quando eles serão classificados como merecem?











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Pensamento de soma zero e crenças políticas

   Rainer Zitelmann


Nos últimos anos, pesquisadores têm dedicado cada vez mais atenção ao chamado pensamento de soma zero, ou seja, a crença bastante difundida de que ganhos econômicos, sociais ou políticos de um grupo só podem ocorrer às custas de outros grupos. Entre os estudiosos que investigaram a relação entre esse tipo de pensamento e as ideologias políticas, estão Shai Davidai e Martino Ongis, da Universidade Columbia, em Nova York. Os dois pesquisadores realizaram seis estudos com a participação de 3.223 pessoas para verificar se — e em quais temas políticos — conservadores ou pessoas de esquerda têm maior tendência a adotar uma mentalidade de soma zero. A conclusão deles foi a seguinte:

Os pesquisadores destacam que os conservadores demonstraram uma inclinação significativamente menor que os esquerdistas para o pensamento de soma zero no tema da redistribuição, enquanto se mostraram mais propensos a esse tipo de pensamento em relação à ação afirmativa. Ação afirmativa refere-se a medidas governamentais ou institucionais voltadas a promover determinados grupos, como mulheres ou pessoas negras, por meio de tratamento preferencial em contratações ou na admissão em universidades.

Os esquerdistas, por exemplo, tinham maior probabilidade de concordar com a afirmação: “As pessoas só conseguem enriquecer às custas dos outros”. Já os conservadores tendiam mais a concordar com afirmações como: “Quanto mais fácil for para estudantes negros serem admitidos na universidade, mais difícil se torna para estudantes brancos conseguirem uma vaga”.

No entanto, esses resultados também podem levar a conclusões diferentes daquelas apresentadas por Davidai e Ongis. A diferença crucial está em saber se enxergar uma situação como soma zero realmente corresponde à realidade ou não. No campo da economia, o pensamento de soma zero é equivocado. A afirmação acima, de que os ricos só podem enriquecer às custas dos pobres, simplesmente não é verdadeira. Afinal, como explicar os acontecimentos das últimas décadas, que registraram uma redução enorme da pobreza global ao mesmo tempo em que o número de bilionários aumentou drasticamente?

A situação é diferente, no entanto, em relação à afirmação: “Quanto mais fácil for para estudantes negros serem admitidos na universidade, mais difícil se torna para estudantes brancos conseguirem uma vaga”. Se uma universidade aceita apenas 1.000 candidatos e reduz as barreiras para estudantes negros, introduzindo cotas ou diminuindo os requisitos dos exames de ingresso, de fato, menos estudantes brancos conseguirão ser admitidos nessa universidade. Enquanto o pensamento de soma zero não se aplica à economia, porque o crescimento econômico não segue uma lógica de soma zero, ele se aplica às admissões universitárias, porque, nesse caso, a situação é objetivamente de soma zero.

Outro estudo importante a respeito, Zero-Sum Thinking and the Roots of U.S. Political Differences [em português, Pensamento de Soma Zero e as Raízes das Diferenças Políticas nos EUA], foi publicado em agosto de 2025 por Sahil Chinoy, Nathan Nunn, Sandra Sequeira e Stefanie Stantcheva, da Universidade de Harvard, da Universidade da Colúmbia Britânica e da London School of Economics. O estudo se baseou em pesquisas com 20.400 cidadãos norte-americanos. Entre suas conclusões, os pesquisadores apontaram que o pensamento de soma zero está correlacionado tanto com o apoio à redistribuição quanto com políticas de imigração mais restritivas. Esse resultado também foi confirmado em outros países, sendo que a correlação estatística entre o pensamento de soma zero e o apoio à redistribuição é significativamente mais forte do que a correlação entre pensamento de soma zero e apoio a políticas de imigração restritivas.

Aqui, novamente aplica-se o seguinte: enquanto a afirmação “se um grupo se torna mais rico, geralmente isso ocorre às custas de outros grupos” é objetivamente falsa, a questão da migração é mais complexa. O estudo de Davidai e Ongis chegou a uma conclusão clara: “Quanto mais os participantes viam a imigração como uma situação de soma zero, maior era seu apoio a uma postura rígida em relação à imigração”.

No que diz respeito à imigração, a situação não é tão simples. A migração para sistemas de bem-estar social, que desempenha um papel importante em muitos países europeus e também existe nos Estados Unidos, deve ser avaliada de forma diferente, no que se refere à questão da soma zero, em comparação à migração para o mercado de trabalho. Faz diferença se alguém imigra de um país pobre e passa a depender do auxílio social ou se, por exemplo, uma empresa americana contrata um especialista altamente qualificado. No primeiro cenário, trata-se objetivamente de uma situação de soma zero se o imigrante não contribui de forma produtiva para a economia dos EUA, mas vive principalmente do auxílio social, já que a “torta econômica” não aumenta. No segundo cenário, entretanto, não se trata de um jogo de soma zero, porque o imigrante aumenta o valor agregado total da economia, fazendo a “torta” crescer.

O pensamento de soma zero, como uma percepção equivocada da realidade, pode ser encontrado em todo o espectro político, tanto à esquerda quanto à direita. Por exemplo, Donald Trump e Bernie Sanders compartilham a ideia de que o comércio é um jogo de soma zero, uma visão repetidamente refutada por economistas. No entanto, o pensamento de soma zero em relação à ação afirmativa, ao contrário da economia, não é uma percepção falsa da realidade, e, no que diz respeito à imigração, a aplicação do pensamento de soma zero depende do tipo de imigração envolvida. O pensamento de soma zero só é equivocado quando uma situação que não é de soma zero — como o comércio ou a relação entre pobreza e riqueza — é erroneamente percebida como tal.















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