Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

-

CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 17 de maio de 2026

O esquartejamento da linguagem jurídica

 rogeriotorres


Pós-verdade

deixo aqui registrado:

daquilo que te disse

nada aconteceu

mas não fiques

assim tão zangado:

não pode ser meu

esse passado

que ninguém viveu?

Iacyr Anderson Freitas

(Os campos calcinados, 2022)

Ao se apoiar na linguística como única ferramenta de análise e conduta, o estruturalismo realizou irreversível atomização da linguagem, levando Roland Barthes (1915-1980) a afirmar que, ao reduzir o texto (principalmente o romance, digo eu) a um sistema de signos e regras, a linguística retirou o verdadeiro significado e função da obra literária, roubando a vitalidade do escritor. A literatura, segundo ele, perdeu potência criativa, transformando-se em mera sobreposição de esquemas desumanizados – para não dizer essencialmente panfletários.

A linguística fez prevalecer a forma sobre o conteúdo, a estrutura sobre a experiência, impondo um repugnante reducionismo estético e espiritual. O texto, insosso, foi transfigurado em máquina de ressignificação (espécie de speakwrite orweliano), passando de núcleo da invenção humana a ignominiosa ferramenta de manipulação.

Tal obsessão pela estrutura, porta aberta para a desconstrução, carregava um perigo tenebroso [identificado por Barthes, também por Italo Calvino (1923-1985), Northrop Frye (1912-1991) e outros tantos], fatualmente conversível em dano: a palavra chocha de sentido, entorpecida e sobre ruínas seria utilizada, como nunca, para o mal.

Rosário Fusco (1910-1977), em Introdução à experiência estética (1952), anotou que as relações entre criação e criador são infinitamente mais complexas. Todos podem ter a experiência das sensações estéticas utilizadas ou fixadas pelo artista, experiência esta que se constitui no fato elementar e constitutivo da invenção. O leitor poderá até não compreender inteiramente a experiência estética do autor, porque a extensão do entendimento depende da educação dos sentidos de cada um (e aqui a conclusão de Fusco é seminal), mas jamais poderá subverter o sentido do texto. “O conhecimento estético é um conhecimento de valor, um conhecimento que não se expressa por juízos particulares: a noção de valor é sempre experimental – intuicionista, sim, apriorista, não. O valor está ligado à vida, a conhecimentos anteriores (do autor)”. O pensamento de Fusco, no ponto, converge com o de Frye: “é função da literatura não fugir do concreto e sim ver a dimensão do possível no concreto” (O grande código, 2021, p. 91).

O problema inato do estruturalismo era o enorme risco de se descambar de um sistema rígido e binário para o próprio avesso: uma lógica absolutamente desestruturada (contraditio in terminis). Isso se confirmou, com requintes de crueldade, no âmbito do Judiciário, onde narrativas têm sido justificadas por cláusulas vazias para construir fatos, valores e normas, inclusive de natureza penal.

Na política, os discursos assustadoramente polarizados se multiplicam. O cálculo se tornou insolúvel. Cada grupo dispõe da própria versão da realidade, múltiplos idiomas destroncaram as línguas e não há possibilidade de consenso.

O esquartejamento da linguagem jurídica inunda o mundo com arbitrariedades e o submundo com manipulações. Esse lodo chamado Novo Constitucionalismo, uma espécie de virada discursiva no direito, surgiu na sequência do pós-estruturalismo e, no Brasil, aussi à cause du relativismo foucaultiano espalhado pela microfísica do poder (coleção de artigos publicados na década de 1970) nos DAs uspianos e puquianos.

Mas o novo constitucionalismo também é global. Ran Hirschl (Rumo à juristocracia, 2020) explica que o fenômeno vai do leste da Europa ao Canadá, da África ao Cone Sul e do Reino Unido a Israel, “testemunhando uma transição impressionantemente rápida para o que pode ser chamado de juristocracia (p, 29)”, um método sofisticado de perseguir objetivos políticos e administrar negócios públicos pela problematização forçada de controvérsias morais ou políticas, utilizando a instrumentalização da revisão judicial para manter “o status quo social e político, bloqueando tentativas de desafiá-lo seriamente através da política democrática” (p. 355).

O livro de Hirschl (editado no Brasil por Edson Piovezan, da combativa Editora E. D. A., de Londrina), longe de ser um escrito conservador, muito por isso, torna-se extremamente significativo neste momento, sendo um corte fundo na carne de quem se ocupa da subversão da originalidade da lei para dela fazer tábula rasa.

Se até na literatura a variedade de interpretações é questionada, quanto mais no direito as críticas devem ser mesmo contundentes. A palavra não pode ser dissolvida em interpretações ilimitadas, o direito não pode ser convertido em encadeamentos de palpites (sem lastro na lei), com cada novo intérprete querendo parecer mais “Hércules” que o anterior. O desafio é não deixar a linguagem se tornar instrumento de desinformação, insegurança e perseguição.

  1. L. A. Hart (1907-1992) indicou as fronteiras da interpretação em O conceito do direito (1961), especialmente quando adverte que “não apenas no terreno das normas, mas em todos os campos da existência, há um limite, inerente à natureza da linguagem, para a orientação que a linguagem geral pode nos oferecer”.

Temos de aceitar nossa relativa ignorância dos fatos e a relativa imprecisão de nossos objetivos. Sendo os legisladores humanos, será impossível para eles terem pleno conhecimento dos fatos e circunstâncias ou a capacidade de antevisão completa dos infortúnios. A deficiência normativa não autoriza ou justifica o preenchimento discricionário de lacunas por juízes idealistas para além de interferências intersticiais. Juízes devem encontrar o direito e não criá-lo. O intérprete, diz Eros Grau, não é um criador ex nihilo: dentro da norma de decisão está a própria norma “em estado de potência involucrada no texto e o intérprete a desnuda” (Ensaio e discurso sobre a interpretação/aplicação do direito, p. 22).

Meu indisfarçável receio não condiz com a ingenuidade de achar que autoridades judiciais não possam decidir de acordo com suas convicções, ou como dizia Gadamer, conforme suas tradições. Mas lá se vai uma enorme distância entre tradição e holismo, entre contenção e distensão, entre paraíso e inferno.

*Rogério Torres é advogado e membro da Lexum.














publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/o-esquartejamento-da-linguagem-juridica/

'Cara de paisagem',

 por Augusto Nunes e Cristyan Costa  Moraes acha que o Brasil vai esquecer os R$ 129 milhões


A té a virada do século, a cerimônia de posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, sempre realizada em Brasília, não era mais atraente que uma festa de batizado. Dois ou três juízes amigos do anfitrião compunham a mesa reservada a autoridades. A plateia, formada pela mulher e pelos filhos, costumava ser engrossada por meia dúzia de jovens parentes, todos rezando para que a coisa terminasse antes do jogo de futebol na TV. Jornais e revistas não desperdiçavam espaço com um evento enfadonho e tão previsível quanto a mudança das estações. A cada dois anos, um ministro togado acumula as funções de chefe do TSE. 

O que os dois tribunais andaram fazendo nos últimos seis anos transformou o que era um monumento ao tédio num acontecimento histórico, soube neste 12 de maio o país real. Na Ilha da Fantasia, promovida a capital federal, tambores e clarins que saudaram a ascensão de Nunes Marques anunciaram que o dia da troca de guarda no TSE agora figura entre as datas mais relevantes do calendário do poder. Os ministros togados, fortalecidos pelo consórcio com o PT, fizeram do antigo puxadinho do Supremo seu musculoso braço eleitoreiro.

Enquanto o país endividado trabalhava, a Ilha da Fantasia saboreava o feriado que só existiu por lá. Feriado ou “ponto facultativo”, essa brasileiríssima invencionice. Não é obrigatório ficar distante do emprego. Quem quiser suar a camisa pode dirigir-se ao local de trabalho sem risco de punição. O problema é que topará com o portão fechado por alguém que concordou com a escolha feita por todos os outros funcionários: melhor descansar. Também mandaram o serviço às favas o presidente da República, o presidente do Senado, o presidente da Câmara, ministros do Supremo ou do governo e outros integrantes da alta sociedade de Brasília. 

Essa nobreza de botequim percorreu o caminho balizado por duas alas de Dragões da Independência, tropa de elite criada em 1808 por D. João VI para ornamentar solenidades especiais. Como num quadro pintado por Pedro Américo de ressaca, o colorido uniforme dos Dragões emoldurou a passagem dos grandes do reino. Lula chegou com Janja à sua esquerda e a mão direita entrelaçada com a esquerda de Cármen Lúcia. Gilmar Mendes desfilou em companhia de Morgana de Almeida, a nova namorada do decano. Ele, de terno escuro-brasília, ela trajando um vestido longo de nova-rica. Também percorreram a trilha o ministro Alexandre de Moraes e a advogada Viviane Barci. 

O casal exibia o meio sorriso do novo multimilionário, impedido de escancarar a felicidade decorrente da fortuna cuja origem Moraes e Viviane acham melhor esconder. Como se o contrato de R$ 129 milhões continuasse guardado em sigilo. Como se milhões de brasileiros inconformados com o tsunami de bandalheiras logo esquecerão que a mulher advogada ficou rica porque o marido ministro foi alugado, comprado ou arrendado para proteger Daniel Vorcaro. No esforço para fingir que sabe ser delicado, Moraes cumprimentou com um beijo no rosto uma Michelle Bolsonaro visivelmente constrangida — como se ninguém soubesse que o Primeiro Carcereiro sonha com a morte dos seus perseguidos favoritos. Jair Bolsonaro, por exemplo. Ou Filipe Martins.

Folha de São Paulo - A festa em comemoração à posse de Kassio Nunes Marques na presidência do TSE teve show de mestres do samba, com direito a palinha do magistrado, adaptações nas letras de clássicos do estilo musical e poucos ministros do STF presentes. Além de Kassio e do ministro André Mendonça, que tomou posse como vice-presidente do TSE, só estava presente o decano da corte, ministro Gilmar Mendes. #politica #videosdafolha 📲Leia mais na #Folha: folha.com/poder 📝Ana Pompeu e Luísa Martin


“Ele não tem equilíbrio para ser juiz”, disse em entrevista à Oeste o exministro do Trabalho Almir Pazzianotto. “Não pode exercer as funções de magistrado alguém que se sente feliz com o sofrimento das pessoas que condena. É um homem mau, perverso.” Durante a festa que se seguiu à cerimônia de posse e esticou a noitada, Moraes cumprimentou meio mundo com a naturalidade de quem só não tem 1 milhão de amigos porque o excesso de trabalho encurta o tempo que preferiria reservar à vida social.

“Brasília piora as coisas”, disse Pazzianotto. “Lá não existe povo. Se o Rio ainda fosse a capital do país, essa espécie de ministro saberia o que os brasileiros acham das coisas que fez.”

Fez e continua fazendo, constata a reportagem de capa desta edição. Há mais de seis anos, Moraes trata a Constituição a socos e pontapés, viola normas do regimento interno, prolonga inquéritos já grisalhos, estupra com entusiasmo patológico os códigos legais, garante a prosperidade dos fabricantes de tornozeleiras eletrônicas, prende septuagenários inocentes e inofensivos, impõe multas de assustar um Daniel Vorcaro — faz o diabo, enfim, para eternizar a insegurança jurídica e deixar claro que a lei é ele. Não é pouca coisa. Mas o ministro sempre tenta superar-se: Moraes resolveu ignorar que o PL da Dosimetria foi aprovado pelo Congresso, promulgado pelo presidente do Senado e, depois disso, entrou imediatamente em vigor. 

Vai fazer o que pode e o que não pode para que a lei seja declarada inconstitucional. Quem age assim é um fora da lei que se considera a própria lei. Impeachment é pouco. O ministro sem juízo tornou-se um caso de polícia. Antes que a instituição seja destruída pelo comportamento dos próprios integrantes, o STF precisa livrar-se de togas afetadas pela demência. 

Nos anos 1960, Nelson Rodrigues avisou que os idiotas haviam perdido o pudor e estavam por toda parte. Nesta terceira década do século 21, sobram evidências de que a epidemia contaminou os governos e ganhou dimensões perturbadoras quando figuras que babam na gravata se tornaram larápios compulsivos. Neste momento, o Brasil é assolado pela ladroagem pandêmica. Os corruptos perderam a vergonha de vez e aparecem por toda parte. Pelo menos dois deles estão homiziados no Supremo.


Augusto Nunes e Cristyan Costa - Revista Oeste














publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/05/cara-de-paisagem-por-augusto-nunes-e.html

Nayib Bukele ou desespero por segurança,

  por Andrés Ureña Rodríguez


Em junho de 2019, Nayib Bukele, então prefeito de San Salvador, capital de El Salvador, tornou-se presidente da nação centro-americana com apenas 38 anos. Bukele venceu aquelas eleições com a promessa de acabar com a insegurança e a corrupção, ambos fenômenos desenfreados no país. Ele conseguiu vencer impondo-se sobre os partidos tradicionais Aliança Republicana Nacionalista (ARENA) e Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), que governavam o país desde o fim de uma sangrenta guerra civil no contexto da Guerra Fria.

O jovem político chegava prometendo o que já era um fenômeno cacofônico para o povo salvadorenho: pôr fim ao seu problema central, o da segurança. E, como é amplamente conhecido, El Salvador foi um dos principais expoentes de uma nação totalmente tomada por estruturas criminosas dedicadas ao tráfico de drogas, extorsão, prostituição e tudo o que fosse necessário para intimidar uma população com amplos níveis de pobreza e desigualdade. As popularmente conhecidas maras haviam penetrado todas as estruturas de poder e se convertido em um estado paralelo, no qual a segurança dos cidadãos estava à mercê de chefes de gangues e não de um corpo de segurança tradicional.

As origens da violência

Esse problema tem origem nos anos 1990, com uma enorme emigração de jovens salvadorenhos radicados nos Estados Unidos, especialmente na cidade de Los Angeles. Uma mistura de falta de recursos e uma política agressiva do governo Clinton para deportar esses jovens resultou no retorno de milhares de salvadorenhos ao seu país de origem — não sem antes terem passado pelas salas de aula das ruas criminosas de Los Angeles. De volta para casa e diante dos olhos de diferentes governos de ocasião, os membros das gangues foram se fortalecendo, dando senso de pertencimento e dinheiro a milhares de homens e mulheres que não sentiam que seu país, devastado pela guerra, fosse um lugar onde pudessem prosperar.

Delinquência e crime organizado tornaram-se o pão de cada dia dos salvadorenhos, e nenhuma promessa de repressão ou combate ao crime parecia funcionar.  Isso levou muitos a chamarem El Salvador, assim como o restante do triângulo norte centro-americano, de “estado falido”. Definição acertada se se leva em conta que a fundação dos estados modernos, remontando ao menos ao Tratado de Westfália, toma como pedra angular o fato de que um estado fornece segurança física e jurídica a seus cidadãos em troca de uma renúncia às liberdades totais por parte destes. Claramente, em El Salvador, os cidadãos sacrificavam liberdade, mas não recebiam segurança e, apenas replicando um contrato nada tácito com seus senhores das ruas, podiam viver com um pouco menos de medo, embora longe de qualquer conforto.

A marca da presidência de Nayib Bukele

Esse cenário foi radicalmente alterado pelo presidente Bukele por meio de agressivas políticas de prisão de membros de gangues (evitando longos processos judiciais), a construção de megaprisões capazes de abrigar milhares de detentos e uma constante depuração em diferentes comandos das forças de segurança (polícia e exército), para evitar o fenômeno sempiterno da compra de agentes pelo crime organizado. Os resultados são favoráveis: em 2023, o número de homicídios reduziu-se em 68,8%, alcançando uma taxa de homicídios de 2,4 por cada 100 mil habitantes, a menor do continente americano, excetuando-se o Canadá.

Em paralelo ao combate à delinquência, Bukele empreendeu uma campanha contra diferentes instituições do estado, destituindo a Suprema Corte de Justiça, cercando o Congresso com policiais armados e obtendo cada vez mais poder sob o comando presidencial. Essa realidade, junto com a diminuição das garantias do devido processo judicial para pessoas acusadas do crime de “membro de gangue”, fez com que o presidente salvadorenho se tornasse alvo constante de críticas que o acusam de ser “autoritário”, “ditador” e “violador de direitos humanos”. Isso, porém, parece estar muito distante da opinião do povo salvadorenho, que em 2024 lhe concedeu 85% de apoio.

Críticas ao presidente

As críticas, no entanto, não são injustificadas. Para alcançar as mudanças drásticas na segurança do país, Bukele recorreu a medidas que ninguém havia utilizado antes, como o uso permanente de um estado de exceção. Assim, o presidente conseguiu frear uma nova onda de violência desencadeada no início de seu governo. Essa medida implica a suspensão de garantias civis, detenções administrativas prolongadas e forte vigilância sobre o conteúdo que os cidadãos possam compartilhar nas redes sociais ou até mesmo dizer nas ruas. Ou seja, melhora-se a segurança, mas restringem-se todas as liberdades às quais um cidadão de uma democracia liberal pode estar acostumado, como dar uma opinião pessoal ou caminhar livremente pela rua. Ademais, ninguém está isento da possibilidade de prisões arbitrárias ou assassinatos sem explicação aparente.

Os salvadorenhos são pessoas estranhas que amam o autoritarismo? Não. Apesar de terem vivido grande parte de sua história sob essa realidade, o que acontece é que, quando um governo consegue devolver o direito mais básico aos seus cidadãos (isto é, segurança física), as pessoas agradecem. Mas essa realidade também deve servir de advertência àqueles países que desfrutam de maior segurança e estabilidade institucional.

Risco à liberdade

Dizem que a liberdade está sempre a uma geração de se perder, e o caso de El Salvador é um bom exemplo sobre o preço que às vezes é preciso pagar para recuperar condições mínimas de convivência em sociedade. Situações como o avanço do crime organizado em países como Bélgica ou França, ou o assassinato de dois guardas civis na Espanha pelas mãos do narcotráfico, devem servir como lembretes de que o delicado equilíbrio entre liberdade e segurança pode ser facilmente alterado caso se baixe a guarda e se abra espaço para a impunidade em qualquer nível.

Por enquanto, a nação centro-americana respira mais tranquila, pois é menos provável que o filho de uma família daquele país acabe preso pelo poder das maras. Mas isso não deve fazer esquecer aquilo que estão sacrificando — e o que outros talvez tenham de sacrificar se fizerem vista grossa diante das principais obrigações de um estado e de uma sociedade livre.



Andrés Ureña Rodríguez, Mises Brasil





















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'O Partidão PT-STF', por Adalberto Piotto Lula quer se descolar do Supremo porque pega mal com o eleitor.

por Adalberto Piotto Lula quer se descolar do Supremo porque pega mal com o eleitor.  Mas não vai conseguir porque a parceria do mal é evidente


N a última terça-feira, 12 de maio, o presidente Lula editou a Medida Provisória que revoga a “taxa das blusinhas”, aquela alíquota de 20% de impostos federais sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida, que o próprio Lula criou em 2024, contou com apelo do então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que viria a ser chamado de Taxad pela sequência sem fim de aumento de impostos que impôs aos brasileiros. O argumento era o de proteger a indústria nacional de prática de dumping, uma concorrência desleal com produtos chineses baratos vendidos em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. 

Não era verdade. O governo só queria mesmo era aumentar a arrecadação. O risco iminente era o de não cumprir o arcabouço fiscal que ele próprio criara para passar a imagem de alguma austeridade, depois do rombo de R$ 230 bilhões nas contas públicas de 2023. Fato é que não adiantou muito. Perdulário na essência, gastador irresponsável do dinheiro público, o governo Lula acumulou déficits fiscais, gastando muito mais do que arrecada, em todos os três primeiros anos do terceiro mandato. Em 2024, foi de R$ 43 bilhões (houve concessões do STF para não estourar a meta fiscal — trato disso mais à frente); em 2025, rombo de R$ 61,7 bilhões. A projeção para 2026 varia entre R$ 22 bilhões (estimativa da equipe econômica) e R$ 72 bilhões, gastando mais do que arrecada, segundo análises do mercado. 

No final, serão quatro anos de rombos fiscais ininterruptos. Por isso mesmo, vale a pergunta: como que um governo, cujas contas não fecham, abre mão de uma receita — a taxa das blusinhas — num cenário fiscal tão grave como o atual? A resposta é tão prosaica como desavergonhada. Trata-se de ano eleitoral e Lula está mal avaliado nas pesquisas. Simples e terrivelmente assim. E isso basta para quem não tem nenhuma preocupação com o país e só pensa em se reeleger a qualquer custo. Este é o ponto: mero e espúrio interesse eleitoreiro. Durante o governo de Jair Bolsonaro, algum ministro do Supremo Tribunal Federal já teria dado 48 horas para que o governo explicasse a contradição que evidenciaria ainda mais sua irresponsabilidade fiscal e administrativa. Mas não. Nenhum ministro da mais alta Corte do país parece estar disposto a ir adiante com um pedido de esclarecimento. E olha que se trata de evidente medida populista em um cenário de desespero lulista por votos, assim como de completo desprezo pelo suado dinheiro do pagador de impostos, que está endividado como pessoa física enquanto empresas recorrem cada vez mais à recuperação judicial.

Nada comoverá Suas Excelências. O Supremo nada fará porque, ao retirar Lula da cadeia de Curitiba e reabilitá-lo para a eleição de 2022, a Corte escolheu um lado e tem sido a maior aliada do governo. E sem pestanejar. Só que a vida real não manda recado. Ela vem e dita as regras. Com pesquisas apontando rejeição popular de 60%, com a imagem consolidada de uma Corte abusiva e agora no centro do escândalo do Banco Master, o Supremo está mal na praça. É ruim aparecer ao lado do STF que, por erros próprios, se tornou uma instituição pária da República indigente do lulopetismo. 

Mas veja só, Lula está sendo orientado a tentar se afastar do Supremo, a criticar a Corte e demonstrar independência. Improvável que consiga, porque os fatos são teimosos. Não tem como dissociar Lula do STF ou o STF da imagem do presidente. Juntos formaram o mais tenebroso consórcio de poder, que atropelou a Constituição, aviltou o poder do Congresso Nacional, perseguiu, prendeu ou levou ao exílio críticos do governo e da Corte, cerceou liberdades fundamentais, reinstituiu a perseguição política como ferramenta de abuso de poder e fez um país inteiro voltar a ter medo dessa Brasília fora da lei. Como irmãos siameses, não há separação possível para o cidadão minimamente atento, aquele que Lula só enxerga como eleitor. Por mais que insistam os marqueteiros do Palácio do Planalto, Lula é o STF e o STF é Lula. 

Basta ver como tem sido seu terceiro mandato. Um levantamento feito no ano passado mostrou que a “taxa de sucesso” do governo federal no Supremo Tribunal Federal chega a 90%. De todos os debates, diretamente propostos ou nos que a Advocacia-Geral da União estava de alguma maneira envolvida, o STF foi favorável ao governo federal em 9 de cada 10 julgamentos. Um desses casos foi um verdadeiro tapa na cara da sociedade, um acinte à crença nacional no modelo republicano que a própria Constituição de 1988 consagrou: a separação dos Poderes. Em maio de 2025, movido pela própria sanha arrecadatória, o governo Lula aumentou o IOF por decreto. 

O que era um imposto meramente regulatório foi transformado em arrecadador, aumentando a carga tributária sem autorização do Legislativo. Logo no mês seguinte, em junho, o Congresso deu a resposta institucional que lhe cabia, ao ser o devido fiscal do Executivo: derrubou o decreto com vasta maioria, alegando que a medida era apenas arrecadatória, impondo uma derrubada de decreto presidencial que não acontecia em 30 anos, desde o governo Collor. Era para terminar ali. As instituições estavam funcionando de acordo com o que a Constituição prevê: o governo editou um decreto, o Congresso considerou ilegal, abusivo e o reprovou no voto. Mas em julho entra em cena o STF, no absurdo papel de gerente-geral do Brasil. Vendo que Lula havia perdido no voto, o ministro Alexandre de Moraes concedeu liminar anulando todas as decisões, do decreto do governo à rejeição do Congresso. Dias depois, ele próprio editaria uma decisão majoritariamente favorável ao governo federal, ignorando a decisão de 513 deputados e 81 senadores eleitos e com mandato popular. Lula ganhou no tapetão estendido pelo parceiro dentro do Supremo.

Era apenas mais uma decisão de um modus operandi de proteção total a Lula. Ainda em dezembro de 2023, o STF já declarara inconstitucional o teto de pagamentos de precatórios criado em 2021, no governo Bolsonaro, e aprovado pelo Congresso. Por 9 a 1 (só o ministro André Mendonça votou contra), o governo Lula pôde retirar das regras fiscais o pagamento dos precatórios até 2026, algo que notoriamente favorecia apenas o governo petista. Apenas entre 2023 e 2024, foram R$ 95 bilhões gastos com precatórios fora do orçamento. Gasto é gasto, não importa se recebeu um outro nome ou se foi autorizado por decisão do STF. É dívida que será paga algum dia pelo contribuinte. A prática se repetiria na seara econômica. 

Em 2024, o rombo foi considerado menor porque o mesmo Supremo permitiu ao governo não incluir na conta fiscal os gastos relacionados à tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul, fazendo o déficit cair de R$ 42 bilhões para R$ 11 bilhões, dentro do limite permitido pela lei. O Supremo veio sempre em socorro do governo Lula para contornar derrotas no Congresso, mesmo com pública compra de votos com cargos e emendas. Mas, sobretudo, as decisões do STF evitaram que Lula respondesse por crime de responsabilidade num processo de impeachment. Que outro governo teve tamanha bondade e dedicação? 

Bolsonaro teve o comando do enfrentamento à pandemia retirado do Ministério da Saúde, foi impedido de nomear seu diretor-geral da Polícia Federal (PF) e enfrentava prazos curtíssimos para explicar cada uma de suas ações como chefe do Executivo a um Supremo sem limites. Lula colocou seu chefe de segurança da campanha na PF, estourou o orçamento em todos os anos de governo, afrontou os valores da diplomacia nacional ao se aliar a ditaduras e o STF nunca sequer lhe fez um questionamento.

O consórcio Lula-Supremo foi a estrela do terceiro mandato. Lula nunca o negou ao dizer que jamais conseguiria governar sem a simpatia da Corte, que não lhe negou decisões monocráticas ou do colegiado para impor uma maioria que nunca teve no Congresso. A eleição de 2022 foi uma excrescência, não há como negar. A malfadada tese do CEP de Curitiba, uma invenção do ministro Edson Fachin, hoje o presidente da Corte, e posteriormente referendada pela maioria dos ministros, praticamente anulou o trabalho de três instâncias da Justiça na Operação Lava Jato. E tinha um objetivo certo: a reabilitação política de Lula que, ao ter anuladas as condenações e ser libertado da prisão — o processo voltou à estaca zero — recuperou a elegibilidade. 

Ali, o Supremo perdeu o prurido institucional, que recomenda distanciamento e apreço pela lei, e degringolou a se envolver em tudo. A demonstração pública da aliança já não tinha autocontenções. Luís Roberto Barroso, quando presidia a Corte, foi a um congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), uma agremiação de extrema esquerda, e ao lado de Flávio Dino, então ministro da Justiça de Lula, disse, sem ruborizar a face, a famosa frase “derrotamos o Bolsonarismo”. O próprio Alexandre de Moraes, que coleciona várias cenas de cochichos com Lula — o último no lançamento do canal de notícias SBT News, na sede do grupo em Osasco, em São Paulo, já recebeu homenagens oficiais do gabinete de Lula. Mas uma cena em específico resume o desmonte da institucionalidade pelas partes. 

Em dezembro de 2023, o ministro compareceu a um evento no Palácio do Planalto, depois de ter dado 120 dias para o governo federal apresentar um plano para a população em situação de rua. Atenção ao prazo: 120 dias! Mas esse nem é o principal aspecto que separa o STF de Lula do que perseguiu Bolsonaro e a direita. Ao se dirigir para fazer seu discurso, o ministro levou um tapa nas contas de Janja, no mais deslavado estilo “brother”. 

O gesto da primeira-dama, que sorria enquanto demonstrava sem pudor a intimidade palaciana com o ministro, foi uma bofetada na separação dos Poderes e no devido pudor entre autoridades, enquanto a plateia obediente de correligionários gritava “Xandão” e “Sem Anistia”. Até o mais concessivo deputado constituinte que escreveu o texto de 1988 ficaria perplexo. Os brasileiros de hoje mantêm seu estado de choque, horror e insistência para recuperar o país e suas instituições de seus sequestradores.

Em eleição, para aliados do STF, pode-se tudo. Se a estratégia de fingir distanciamento entre os parceiros de consórcio vai funcionar ou não, o eleitor dirá. Mas o fato que não desaparece com a mágica desavergonhada do marketing político é que Lula e o PT empilham os maiores escândalos de corrupção da história brasileira. O Supremo Tribunal Federal agora tem um para chamar de seu, o do Banco Master. Mas consórcio que se preze não abandona o parceiro. Como mostrou a reportagem de Edilson Salgueiro, no site de Oeste nesta semana, o governo Lula está umbilicalmente ligado ao banqueiro preso Daniel Vorcaro, ao Master e a todo o resto, dos políticos petistas da Bahia, passando por assessores palacianos, até os ministros mais encalacrados da Corte.


Adalberto Piotto - Revista Oeste

















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ARMADILHAS PARA MULHERES

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O que não te contaram sobre Nunes Marques no TSE

 deltandallagnol/youtube


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REDUFLAÇÃO, VOCÊ PAGA A CONTA

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HERÓIS TRATADOS COMO CRIMINOSOS

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VOCÊ Precisa Estar PREPARADO0 para a GUERRA do PT

 rubinhonunes/youtube


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GOVERNO SE VALE DE DISCURSO MENTIROSO PARA EMPURRAR MAIS ETANOL NA MISTURA DA GASOLINA

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