Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O caso Moraes: quando o guardião da Constituição se torna parte interessada

 julianaantonelli/institutoliberal


O confronto público entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, deflagrado pela divulgação do relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master, não deveria ser lido como um mal-entendido entre colegas de tribunal. É a manifestação mais recente, e mais didática, de um problema que juristas de diferentes matizes vêm apontando há anos: a concentração, nas mãos de um único ministro, de poderes de investigar, acusar e julgar que a tradição do Estado de Direito liberal sempre insistiu em manter separados. Se há uma lição a extrair do episódio, não é sobre a rusga entre dois togados, mas sobre o preço institucional de tolerar, por tempo demais, o que deveria ter sido corrigido na origem.

A origem de boa parte da controvérsia remonta a 2019, com a abertura do Inquérito 4.781, o chamado Inquérito das Fake News. A primeira controvérsia foi por ter sido instaurado via portaria da própria Presidência do STF, sob comando de Dias Toffoli. Por ter sido de ofício, passou sem provocação do Ministério Público ou da Polícia Federal, como exige o desenho ordinário do processo penal.

Além disso, o inquérito foi entregue a Alexandre de Moraes por indicação direta do próprio Toffoli, seu amigo de faculdade (e também do amigo do pai de Marcelo Odebrecht), sem o sorteio eletrônico que normalmente distribui relatorias entre os ministros. Desde então, o mesmo magistrado que comanda as diligências, decide sobre prisões, determina quebras de sigilo e delibera sobre o andamento do processo é também, por definição do próprio objeto do inquérito, um dos ofendidos que a investigação pretende proteger. Moraes nunca se declarou impedido. Passados mais de sete anos, o inquérito permanece em grande parte sob sigilo, sem data para conclusão, uma duração dificilmente compatível com a garantia constitucional de razoável duração do processo, prevista no artigo 5º, inciso LXXVIII, da Constituição.

Esse desenho institucional viola, na sua raiz, um dos pressupostos mais elementares do processo penal liberal: a separação entre quem investiga, quem acusa e quem julga. Não se trata de mero formalismo processual. É a garantia que impede que o poder de punir se transforme em instrumento de autopreservação de quem o exerce, precisamente o risco que a doutrina identifica quando um mesmo agente público reúne, sobre um mesmo caso, as funções de vítima, investigador e juiz.

O caso Mendonça-Vorcaro não surge no vácuo. Um levantamento da Gazeta do Povo catalogou mais de cem decisões de Moraes que juristas classificam como abusivas: prisões preventivas decretadas com fundamentação genérica, sem exame individualizado da conduta de cada investigado; a manutenção sob custódia de um preso mesmo após a Procuradoria-Geral da República recomendar sua soltura, decisão que não chegou a ser reapreciada antes de sua morte na prisão; o afastamento de advogados de defesa no curso de uma sessão de julgamento; e uma sucessão de ordens de retirada de conteúdo jornalístico, da revista Crusoé ao site O Antagonista, passando por veículos como Jovem Pan e Gazeta do Povo, que a doutrina constitucional trata como censura prévia, vedada de forma expressa pelo artigo 5º, inciso IX, da Constituição.

Cada um desses episódios, isoladamente, já seria motivo de escrutínio jurídico. Somados, compõem o retrato de um poder que deixou de encontrar, na prática, limites capazes de contê-lo.

É nesse contexto que a revelação do relatório da PF adquire seu verdadeiro significado. As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, descrevem contatos supostamente mantidos com Moraes desde 2023, associados a um contrato milionário entre o banco, posteriormente liquidado pelo Banco Central sob suspeita de fraude, e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Não se trata mais de uma discussão abstrata sobre desenho institucional: é um caso concreto DA estrutura de poder que Moraes ajudou a consolidar: a de um relator que decide sozinho sobre sigilo, prazos e desdobramentos de investigações sensíveis. Recai sobre um processo que, segundo o próprio relatório da Polícia Federal, pode envolver interesse direto de sua família.

A reação a essa revelação tornou o problema ainda mais evidente. Diante da retirada do sigilo promovida por Mendonça, Moraes recorreu ao mesmo Inquérito das Fake News — o instrumento cuja legitimidade de origem já era contestada — para requerer a abertura de investigação contra o colega que expôs o caso. A manobra foi revertida pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que retirou o pedido do âmbito daquele inquérito e defendeu seu encerramento. Que tenha sido necessária a intervenção do próprio presidente do STF para impedir que um instrumento de investigação — criado para proteger a Corte — fosse usado para calar um ministro que denunciava um possível conflito de interesse é, por si só, a evidência mais contundente de que o modelo chegou ao limite.

Para quem entende a separação de poderes e o devido processo legal não como slogans, mas como técnicas precisas de contenção do arbítrio, o caso Moraes ilustra um problema estrutural que nenhuma reforma cosmética resolve. Não basta trocar o titular do cargo: é preciso alterar as regras que tornaram possível a um único ministro acumular, por sete anos, o comando de uma investigação em que ele próprio figura como parte interessada, sem qualquer instância externa capaz de revisar esse conflito de interesse.

Entre as medidas que a experiência recente torna urgentes estão a vedação expressa a que um ministro relate inquéritos em que figure como ofendido; o impedimento automático em casos de conflito de interesse patrimonial ou familiar apurado por investigação em curso; limites temporais rígidos para a tramitação de inquéritos sob sigilo, e a revisão das prerrogativas hoje conferidas aos relatores de inquéritos no STF, atualmente próximas, na prática, às de um juiz de instrução de tradição inquisitorial, incompatíveis com o sistema acusatório que a Constituição de 1988 pretendeu consagrar.

O episódio Moraes-Mendonça deveria, portanto, ser lido não como uma crise entre pessoas, mas como a confirmação de uma premissa liberal de séculos: poder que não encontra limites externos tende, cedo ou tarde, a ser exercido em causa própria. A pergunta não é se o Supremo Tribunal Federal vai superar esta crise específica, mas se será capaz de reconhecer, finalmente, que o problema não está apenas em quem ocupa a cadeira, mas nas regras que permitiram a ela chegar até aqui.

*Juliana Antonelli é diretora do Instituto Atlantos.


















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/o-caso-moraes-quando-o-guardiao-da-constituicao-se-torna-parte-interessada/



A inflação é o contraceptivo do estado

 Angelo Monaco


Sob uma perspectiva estritamente favorável ao livre mercado, fundamentada na Escola Austríaca e na teoria da escolha pública, o declínio demográfico de longo prazo da população nascida no próprio país não é um fenômeno social acidental. Trata-se da consequência previsível da expansão do governo, da dominância fiscal e de uma política irresponsável de expansão monetária.

Quando os gastos do estado superam as receitas tributárias, os déficits, a inflação e as distorções de mercado resultantes criam desincentivos estruturais que tornam compromissos de capital que se estendem por várias décadas — como ter e criar filhos — cada vez menos racionais para os agentes econômicos.

Sob uma perspectiva estritamente de mercado, a queda da taxa de natalidade da população do país constitui um ciclo estrutural de retroalimentação não intencional provocado pela expansão do estado:

Os gastos excessivos do governo desvalorizam o meio de troca e elevam os custos essenciais de vida → Os preços dos recursos indispensáveis à vida familiar (moradia, cuidados e assistência médica) aumentam mais rapidamente do que os salários reais → O cálculo econômico torna-se instável, elevando o risco associado a compromissos que se estendem por várias décadas.

Os indivíduos respondem racionalmente a esses custos impostos pelo estado optando por ter menos filhos. Longe de ser um mistério decorrente de mudanças nas preferências pessoais, a queda das taxas de natalidade do país é a resposta natural do mercado a um ambiente econômico no qual o estado penaliza continuamente a acumulação de capital, eleva o preço do espaço físico e socializa os custos da insolvência fiscal, transferindo-os para a geração seguinte.

Em sua essência, a constituição de uma família é o empreendimento de baixa preferência temporal por excelência — uma decisão consciente de renunciar ao consumo imediato no presente para acumular capital intergeracional ao longo de décadas. Ao desvalorizar sistematicamente a moeda e reduzir artificialmente a taxa natural de juros, a política monetária dos bancos centrais distorce esse cálculo econômico fundamental. A inflação provoca uma mudança social em direção à alta preferência temporal, obrigando os jovens adultos a priorizarem a liquidez imediata e a sobrevivência financeira de curto prazo em detrimento da poupança de longo prazo. Quando o dinheiro perde sua função de reserva de valor confiável, os sinais dinâmicos do mercado necessários para justificar compromissos de capital que se estendem por várias décadas deixam de funcionar. Em um ambiente no qual a acumulação de capital é penalizada e o poder de compra futuro é continuamente corroído, adiar ou desistir de ter filhos não representa uma mudança repentina nas preferências pessoais, mas um ajuste racional por parte de agentes econômicos que operam sob um regime de orientação artificial para o presente imposto pelo estado.

Estudos empíricos recentes demonstram que os picos de inflação aceleram a queda das taxas de fecundidade ao agravarem a incerteza econômica e elevarem drasticamente o custo imediato de constituir ou ampliar uma família.

Do ponto de vista econômico, ter filhos exige investimentos de capital significativos, tanto iniciais quanto recorrentes — principalmente em moradia, assistência médica, alimentação e cuidados como creches ou babás. Quando os preços ao consumidor sobem mais rapidamente do que os salários nominais, o poder real de compra das famílias diminui. Como as famílias consideram a constituição familiar um compromisso financeiro de grande importância, a redução da renda real leva muitos casais a adiarem ou desistirem de ter filhos.

Pesquisas empíricas estabelecem uma distinção entre uma inflação previsível e constante e choques inesperados nos preços. Quando a inflação dispara inesperadamente, como ocorreu durante a forte alta dos preços após 2020, as famílias enfrentam dificuldades para estimar o custo de vida futuro. Dados dos Estados Unidos referentes ao período de 2004 a 2023 mostram que um aumento de um ponto percentual na inflação inesperada está correlacionado a uma redução de três a cinco nascimentos para cada mil mulheres em idade reprodutiva. As mulheres na faixa dos 20 aos 25 anos apresentam a maior sensibilidade a picos inesperados de inflação e frequentemente optam por adiar a maternidade até que as condições econômicas se estabilizem, o que acaba fazendo com que tenham menos filhos.

Embora uma política econômica estável e a estabilidade de preços ajudem a eliminar os obstáculos financeiros ao planejamento familiar, a inflação funciona como um imposto econômico sobre a ampliação da família, agravando a tendência de longo prazo de queda das taxas de natalidade nos Estados Unidos à medida que os casais optam por ter menos filhos. Nas últimas duas décadas, o custo nominal de criar um filho desde o nascimento até os 17 anos — sem incluir o ensino superior — para uma família americana de renda média aumentou entre 60% e 90%, passando de aproximadamente US$ 170 mil–US$ 190 mil, em meados dos anos 2000, para mais de US$ 310 mil atualmente, de acordo com cálculos da Brookings Institution. Quando se levam em conta a inflação acumulada nos últimos anos, as diferenças regionais de custos ou as mensalidades referentes a quatro anos de faculdade, é comum que as despesas totais por filho ultrapassem a marca de US$ 400 mil.

Esse ônus financeiro crescente concentra-se em três categorias essenciais de despesas com a criação dos filhos, nas quais os preços subiram muito acima da variação do Índice de Preços ao Consumidor usado como referência. Dados nacionais da Child Care Aware of America sobre esse panorama de custos mostram que os cuidados de bebês em creches custam atualmente, em média, de US$ 15 mil a US$ 18 mil por ano para cada criança, fazendo com que os custos dos cuidados na primeira infância rivalizem com as anuidades de universidades públicas em muitos estados. Ao mesmo tempo, os custos do parto hospitalar e do atendimento pré-natal tornaram-se quase 2,5 vezes maiores em termos reais, enquanto também aumentaram as franquias dos planos de saúde pagas diretamente pelos pacientes. Por fim, dados históricos dos estudos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos sobre despesas com crianças confirmam que a moradia continua sendo a maior despesa individual — respondendo por 28% a 29% do orçamento total da família destinado aos filhos —, uma vez que o custo adicional de moradias com mais quartos, bairros adequados para famílias e distritos escolares de alto desempenho continua aumentando mais rapidamente do que a renda familiar mediana.

A teoria da escolha pública descreve o estado moderno como uma entidade movida por interesses próprios, que recorre à monetização da dívida pelos bancos centrais para financiar gastos públicos crescentes sem provocar o desgaste político decorrente de uma tributação explícita. Como demonstra a teoria monetária austríaca, a moeda fiduciária recém-criada entra na economia por canais estruturados, em vez de ser distribuída uniformemente — fenômeno conhecido como efeito Cantillon. Órgãos governamentais, empresas contratadas favorecidas politicamente e as principais instituições financeiras ocupam as primeiras posições nesse fluxo de injeção monetária, utilizando dólares cujo poder de compra ainda não foi corroído para adquirir ativos reais antes que os preços se ajustem no restante do mercado. Em contrapartida, os jovens adultos que se encontram na idade mais propícia para constituir uma família estão na ponta final dessa cadeia de transmissão monetária: eles enfrentam aumentos imediatos nos preços dos bens de consumo, da moradia e dos cuidados infantis muito antes que seus salários nominais consigam se ajustar. Essa erosão sistemática do poder real de compra eleva acentuadamente a preferência temporal das famílias, obrigando os casais a priorizarem a sobrevivência financeira imediata em detrimento de compromissos de capital que se estendem por várias décadas, como criar filhos.

Como a constituição de uma família exige um horizonte de cálculo econômico previsível de 18 a 25 anos, a expansão monetária persistente destrói o mecanismo de formação de preços de mercado necessário a um planejamento racional de longo prazo. Quando os bancos centrais manipulam as taxas de juros para manter baixos os rendimentos dos títulos de uma enorme dívida soberana, o crédito artificial inunda os mercados financeiros e leva o capital a abandonar moedas fiduciárias em processo de desvalorização, direcionando-o para ativos físicos. Consequentemente, os imóveis residenciais transformam-se em instrumentos financeiros de proteção contra a inflação, em vez de cumprirem sua função primária como bens de consumo, fazendo com que seus preços se dissociem drasticamente da renda familiar mediana, como mostra o Índice de Poder de Compra de Moradias da National Association of Realtors. À medida que o custo por metro quadrado dispara em decorrência dessas pressões distorcivas, as famílias jovens deixam de ter condições financeiras de adquirir casas unifamiliares, o que cria uma grave limitação física e financeira à ampliação da família.

As restrições financeiras à constituição de uma família vão além dos preços dos imóveis e alcançam distorções regulatórias sistêmicas impulsionadas pela dinâmica da escolha pública. Segundo a teoria da escolha pública, agentes políticos e grupos de interesse concentrados valem-se do poder do estado, por meio da busca de privilégios, para criar elevadas barreiras à entrada, protegendo-se da concorrência de mercado ao mesmo tempo que aumentam os custos para os consumidores. Os gastos governamentais em setores essenciais para as famílias atuam em conjunto com exigências regulatórias que desarticulam as forças do livre mercado: licenças exigidas pelos governos estaduais, obrigatoriedade de qualificações acadêmicas posteriores ao ensino médio e regras rígidas sobre a proporção entre funcionários e crianças — todas defendidas por lobbies do setor — transformaram, na prática, o mercado de cuidados infantis em um cartel. Uma análise empírica do Cato Institute demonstra como regulamentações rigorosas sobre os cuidados infantis elevam os preços sem proporcionar melhorias proporcionais na qualidade, fazendo com que os gastos com cuidados na primeira infância alcancem níveis comparáveis às mensalidades do ensino superior e inviabilizando financeiramente famílias com uma ou até mesmo duas fontes de renda. Uma dinâmica semelhante afeta o setor de saúde, no qual subsídios governamentais diretos e distorções provocadas pelo pagamento por terceiros desvincularam os custos hospitalares do parto e as mensalidades dos planos de saúde dos mecanismos de formação de preços do mercado.

Essas distorções específicas de cada setor são agravadas por um ambiente macroeconômico moldado pelos horizontes temporais curtos da política, no qual as autoridades eleitas monetizam rotineiramente os gastos atuais e transferem obrigações reais para as gerações futuras por meio de uma dívida pública cada vez maior. Essa instabilidade fiscal estrutural cria o que o historiador econômico Robert Higgs chama de “incerteza de regime” — uma paralisia generalizada do planejamento privado de longo prazo, provocada pela atuação imprevisível do estado, por mudanças regulatórias e por ameaças aos direitos de propriedade. As famílias jovens reconhecem, ainda que implicitamente, que os compromissos fiscais sem lastro assumidos hoje resultarão inevitavelmente em aumentos drásticos de impostos no futuro, na desvalorização sistêmica da moeda ou na incapacidade dos sistemas de proteção social de honrarem suas obrigações. Diante de uma carga tributária per capita crescente e de um cenário regulatório instável, os jovens adultos fazem um cálculo econômico racional: adiam ou abrem mão de constituir uma família para preservar sua liquidez individual e manter sua flexibilidade financeira em um regime econômico cada vez mais incerto.

A economia austríaca nos ensinou como a intervenção governamental altera os incentivos humanos e as instituições sociais. Historicamente, a família funcionava como a principal sociedade descentralizada de auxílio mútuo, rede de proteção e sistema de amparo na velhice. À medida que aumentaram os gastos governamentais com programas de transferências sociais — financiados por impostos sobre o trabalho produtivo e pelo endividamento —, o estado socializou os retornos financeiros decorrentes da criação dos filhos, ao mesmo tempo que privatizou seus custos imediatos. Quando o estado assume o papel de provedor substituto, a necessidade econômica das estruturas familiares intergeracionais é enfraquecida. Ao mesmo tempo, a elevada carga tributária necessária para sustentar essa estrutura estatal de transferências sociais reduz a renda líquida que os pais obtêm com seu trabalho, desincentivando ainda mais a ampliação da família.

Em última análise, artifícios políticos como as “contas bancárias para bebês propostas pelo presidente Trump” subsidiadas, os bônus por nascimento financiados pelo governo e as manifestações superficiais de apoio por parte de autoridades eleitas nada farão para reverter a queda das taxas de natalidade enquanto a estrutura econômica subjacente continuar profundamente comprometida. Oferecer aos jovens casais pequenos aportes temporários financiados por dívida ou novidades acompanhadas de benefícios fiscais é apenas uma tentativa de tratar a erosão sistêmica da moeda com curativos monetários — financiando esses mesmos programas por meio da expansão fiscal que deu origem à crise do custo de vida.

Constituir uma família não é uma compra por impulso estimulada por benesses políticas; é um compromisso de capital que se estende por várias décadas e depende de um poder de compra preservado ao longo do tempo e de cálculos econômicos previsíveis. Enquanto o estado não enfrentar a causa fundamental e não deixar de promover irresponsavelmente a desvalorização generalizada da nossa moeda, os jovens adultos continuarão tomando a decisão econômica racional de proteger sua sobrevivência financeira imediata, adiando ou abrindo mão de assumir o enorme compromisso financeiro de constituir uma família.
























publicadaemhttps://mises.org.br/artigos/22261/a-inflacao-e-o-contraceptivo-do-estado/

Bets: ‘viciam’ ou ‘eu não gosto’ não são argumentos suficientes para proibir

  Lucas Berlanza


Em todos os grandes autores liberais, encontraremos a condenação da ideia de que o Estado deve impedir ocupações individuais.

O governo Lula realizou na sexta-feira 25 uma investida de aniquilação das “bets”, que nada mais são do que sites de apostas ou jogos de azar. Trata-se da versão virtual dos cassinos, do “jogo do bicho” ou das loterias que o próprio Estado mantém. A pauta, entretanto, tem apoio também entre políticos de direita, o que a torna um tema particularmente sensível. Não podemos deixar de enfrentá-la, por delicada que seja, sob um ponto de vista liberal.

É paradoxal que nossos políticos há tanto tempo defendam condenar essas práticas por força de lei quando desenvolvidas pelo setor privado, supostamente maligno, “excessivamente ganancioso” e desprovido de solidariedade, mas aceitem que o Estado preserve loterias próprias sob o argumento de que o governo destinaria parte das receitas ao cumprimento de suas “funções sociais”. Além de absolutamente incoerente, a lógica por detrás de tentativas de proibição provém da mesma velha essência paternalista que tanto contamina a nossa cultura política, partindo do princípio de que o Estado deve tutelar a população.

Uma aposta é o investimento de tempo e recursos, por livre vontade, em um jogo no qual ganhos e perdas financeiros estão envolvidos. Ninguém obriga ninguém a apostar. “Apostas fazem mal, viciam, eu não gosto de apostas porque considero imorais” ou quaisquer outros argumentos do gênero não são suficientes, em uma lógica liberal, para sustentar que o Estado se intrometa e impeça uma atividade pactuada espontaneamente entre indivíduos.

Um argumento inaceitável

Dizem os especialistas em saúde que o sedentarismo faz mal. Então, será que deveríamos proibir que as pessoas fiquem sentadas o dia inteiro sob pena de multa ou prisão? Ou talvez proibir computadores e televisões de funcionarem em determinados horários? Ou proibir a venda de balas e salgadinhos porque há quem se exceda na gula? A existência do vício em jogos eletrônicos e vídeo games em geral é motivo para fechar todas as empresas que os produzem e criminalizar a atividade? Esse argumento inaceitável poderia ser estendido infinitamente a toda sorte de atividades ou produtos, resultando no puro totalitarismo.

Em todos os grandes autores liberais, encontraremos a condenação da ideia de que o Estado deve impedir ocupações individuais praticadas sem provocar dano a terceiros apenas por se julgar que a escolha é ruim, seja qual for o critério para essa apreciação.

Em John Stuart Mill, até encontramos, em seu clássico Sobre a Liberdade, a opinião de que apostas e jogos são atividades nocivas e indesejáveis e de que seria admissível haver restrições regulamentares às casas de jogos públicas, mas nunca a interdição da atividade individual de apostar.

Mesmo quanto aos chamados “liberais sociais”, corrente influenciada por Mill que tolera um grau maior de intervencionismo estatal do que a tradição clássica do liberalismo, se pensarmos com base nos pressupostos de um de seus autores mais representativos, o britânico Leonard Hobhouse, ele apenas diria que é importante questionar se as condições de vida de um indivíduo permitem afirmar que sua escolha verdadeiramente expressa uma decisão autônoma, emancipada de amarras socioeconômicas. Isso não significa que sugeriria a proibição como receituário.

Por sua vez, Ludwig von Mises dedica uma seção inteira de seu monumental Ação Humana ao tema, embora sem fazer juízos morais a seu respeito, limitando-se a descrever a prática sob uma ótica econômica. Ao definir apostas e jogos de azar como atitudes de “comprometimento com outra pessoa, através do qual arriscamos dinheiro ou outros bens, antecipando o resultado de um determinado evento”, sequer lhe ocorre questionar se uma decisão individual livremente pactuada como essa deveria merecer contenção coercitiva.

Murray Rothbard, por sua vez, diz positivamente, em seu Manifesto Libertário, que “existem poucas leis mais absurdas e iníquas que as leis contra os jogos de azar”; primeiro, porque seria praticamente impossível impedir apostas privadas, feitas entre familiares ou amigos, por exemplo. Se nos concentrássemos em interditar apostas em roletas, máquinas, bares ou, em nosso caso, online, Rothbard questionaria por que tais jogos seriam “de alguma maneira algo moralmente mau” e a ser enfrentado pelo “poder maciço da polícia” enquanto as apostas domésticas não seriam.

Bets: um transtorno?

Em brilhante síntese sobre o mesmo tema, a jornalista Sara Ganime pontuou que 0,8% dos brasileiros com mais de 14 anos, segundo levantamento da Unifesp, apresentam um padrão de envolvimento com as bets que se enquadra em um transtorno. Como justificar que o Estado tutele todos os outros 99,2% por causa dessa minoria? Tal insensatez autoritária, como ela também documenta, resultaria em atraiçoar a fonte de R$ 9 bilhões em tributos apenas em 2025, depois de um total de R$ 2,5 bilhões que as empresas de apostas pagaram ao governo para terem licença para funcionar. Todo este último valor teria que ser, em caso de proibição, devolvido – com os nossos recursos, é claro, mesmo de quem, como este autor, nunca fez uma só aposta. A isso se somaria o prejuízo monumental para clubes de futebol, espetáculos e outras atividades que contam com patrocínios dessas mesmas empresas.

Nada disso significa que não possamos reconhecer externalidades perniciosas provocadas pelo vício no jogo ou por ilicitudes no setor. Qualquer argumento aceitável por um liberal para limitar ou estabelecer regulações colaterais a uma determinada prática precisa partir do princípio de que aquela prática pode exercer efeitos negativos sobre terceiros; em consequência, tais medidas devem se concentrar em confrontar esses efeitos de preferência a aniquilar a liberdade de escolha, sobretudo se mediante a criação de estruturas burocráticas leviatânicas. Pode-se e deve-se fiscalizar a transparência das informações, combater fraudes e estabelecer dispositivos de proteção de terceiros para que eventuais perdas em jogos não abranjam o patrimônio de credores e familiares.

Querer ir além disso, por melhores que sejam as intenções, é abrir uma porta para tiranias draconianas cujo limite, do ponto de vista lógico, não se poderia vislumbrar. Afinal, como diz o ditado, de boas intenções, o Inferno está cheio.













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FOCO SEM TRÉGUA

 gilbertosimoespires/pontocritico


GRITO DE VITÓRIA

Mais do que sabido e até lamentado, ainda que a maioria dos eleitores que resolveram comparecer às urnas para votar em FLÁVIO BOLSONARO, ou CONTRA O SISTEMA, o FATO é que o número de votos apurados não foi suficiente para que o CANDIDATO DA DIREITA viesse a ser anunciado como -VENCEDOR DA ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE 2026-. Com isso, o altamente possível e muito esperado -GRITO DE VITÓRIA- foi adiado para o dia 25 de OUTUBRO, quando acontece o definitivo SEGUNDO TURNO. 

18 DIAS

Assim, nesses próximos 18 DIAS que nos separam da IMPRESCINDÍVEL, NECESSÁRIA e MUITO ESPERADA VITÓRIA DE FLÁVIO BOLSONARO, TODOS OS BRASILEIROS DE BEM, INDEPENDENTE DE POSSUÍREM OU NÃO O TÍTULO DE ELEITOR, precisam se MOBILIZAR AO MÁXIMO. Ainda que seja pra lá de importante O FATO de que A MAIORIA DOS SENADORES E DEPUTADOS FEDERAIS que resultou ELEITA É DE -DIREITA-, o que GARANTE uma grande possibilidade de aprovação de REFORMAS IMPORTANTES, isto não é o bastante para MUDAR O BRASIL. 

DE CORPO E ALMA

Mais: todos sabem que o INIMIGO LULA PETISMO tem como hábito, marca e característica a MENTIRA, a CORRUPÇÃO, O POPULISMO DESVAIRADO e a DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA E/OU DAS CONTAS PÚBLICAS. Só por aí a LIÇÃO DE CASA se traduz na INCESSANTE E NECESSÁRIA MOBILIZAÇÃO EM BUSCA DE VOTOS PARA FLÁVIO BOLSONARO, DE HOJE, 07, ATÉ A MANHÃ DO DIA 25. ESQUEÇAM TUDO E SE DEEM DE TUDO -DE CORPO E ALMA - para que o GRITO DE VITÓRIA ACONTEÇA SEM RECEIOS. 














publicadaaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/foco-sem-tregua

COMEÇARAM O FILME DEPOIS

 Por Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial


Quem me lê sabe que prefiro escrever sobre liberdade, escolhas, mercados, Adam Smith. Há, porém, dias em que o meu assunto me escolhe.
Hoje é um deles.
Escrevo como judeu.
Escrevo porque hoje é 7 de outubro. Em memória das crianças, dos jovens, das mulheres, dos homens e dos velhos assassinados naquele dia. Escrevo porque, três anos depois, quando o antissemitismo volta às ruas, às universidades e às redes com uma desenvoltura que imaginávamos enterrada pela História, calar seria escolher o conforto errado.
Este texto é homenagem. É também desabafo.
Há três anos, terroristas atravessaram a fronteira de Israel para barbarizar e matar. Não para negociar território ou apresentar uma proposta de paz. Entraram em casas, massacraram famílias, assassinaram jovens, sequestraram civis e levaram reféns para Gaza.
Depois, alguns telefonaram para casa para contar o que haviam feito.
A guerra começou ali.
Mas encontraram uma maneira extraordinariamente eficiente de reescrevê-la.
Começaram o filme depois.
Retira-se o 7 de outubro, entra Gaza, desaparece o agressor e permanece somente a reação. Some a causa, exibe-se a consequência, e a cronologia, quando atrapalha a narrativa, sofre um pequeno acidente editorial.
Mas existe um detalhe ainda mais incômodo. Parte do mundo não esperou Gaza para mostrar o que pensava. Enquanto Israel ainda recolhia seus mortos, houve quem celebrasse a carnificina como resistência.
O antissemitismo não nasceu da resposta israelense. Em muitos lugares, apenas encontrou nela uma justificativa posterior.
Chegam também os filmes que nos fazem chorar. Crianças palestinas mortas rasgam o coração. Devem rasgar. A morte de uma criança não precisa de nacionalidade para ser intolerável. A voz de Hind Rajab comove porque ainda somos humanos.
Justamente por isso precisamos assistir à película inteira.
Nela há uma verdade constrangedora para quem diz defender os palestinos. O 7 de outubro foi uma tragédia para Israel e uma catástrofe também para Gaza. O Hamas não roubou apenas vidas israelenses. Ao escolher o massacre, roubou dos palestinos casas, famílias, anos de vida e um futuro melhor.
Reconhecer isso não diminui em uma lágrima o sofrimento palestino. Apenas devolve autoria às consequências.
Pode-se discutir cada decisão israelense, cada operação militar, cada excesso comprovado. O que não se pode fazer é começar a história na resposta e transformar quem respondeu na origem da história.
Com os judeus, essa montagem é antiga.
Durante séculos fomos o bode expiatório disponível. Mudaram os governos, as ideologias, as acusações e os uniformes. Seis milhões de judeus foram assassinados no Holocausto. Depois veio o “Nunca Mais”.
Durou menos do que imaginávamos.
Hoje, combater discriminação parece obrigação moral até que o discriminado seja judeu. Então chegam as ressalvas, as equivalências e uma pergunta que nenhuma outra minoria deveria responder antes de merecer solidariedade.
O que Israel fez?
O 7 de outubro revelou algo que ainda relutamos em admitir. O antissemitismo não desapareceu depois de Auschwitz. Aprendeu a trocar o judeu pelo sionista, o preconceito pela causa e o ódio pela virtude.
Não é preciso declarar que se odeiam judeus.
Basta mutilar a linha do tempo até que o judeu volte a parecer culpado pela violência que sofreu.
Hoje é 7 de outubro.
Não peço que esqueçam uma única criança palestina.
Peço apenas que, em memória dos mortos e em respeito aos vivos, devolvam ao filme a cena que cortaram.
Am Israel Chai.








publicadaemhttps://www.pontocritico.com/espaco-pensar-artigo/comecaram-o-filme-depois-071026

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