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quinta-feira, 16 de julho de 2026

O Estado que cresce e a economia que não cresce

 Mateus Vitória Oliveira


O aumento do gasto público não se revela, por si só, como uma questão urgente nas estatísticas econômicas. Frequentemente, ele vem acompanhado de crescimento do PIB, aumento de transferências e expansão dos serviços estatais. Entretanto, quando se observa, em termos de produtividade e crescimento sustentável, o permanente aumento do tamanho do Estado, nota-se um custo estrutural significativo.

O Brasil aumentou de forma consistente sua carga de gasto público nas últimas décadas. De acordo com dados do Tesouro Nacional, a despesa primária do governo geral aumentou de cerca de 25% do PIB na década de 1990 para níveis próximos ou acima de 35% do PIB nos últimos anos. Isso representa um aumento considerável para uma nação de renda média de R$ 3.679.
Esse movimento não foi seguido por um aumento proporcional da produtividade. A produtividade total dos fatores (PTF), que é o principal indicador de eficiência econômica, mostra um estancamento que perdura há décadas no Brasil. Isso quer dizer que o Brasil cresce mais pela adição de insumos, trabalho e capital do que pela melhoria na eficiência.

Não se trata de uma coincidência estatística a relação entre esses dois fenômenos. O aumento do gasto público muda a distribuição de recursos na economia. Uma parte significativa do capital que está disponível começa a ser utilizada para financiar o Estado, seja por meio de impostos altos ou de endividamento público. Esse fenômeno caracteriza o chamado efeito crowding out. À medida que o setor público amplia sua demanda por recursos, reduz-se a disponibilidade de capital para o investimento privado. Em contextos de expansão acelerada do Estado, o investimento produtivo tende a ser comprimido.

No Brasil, a taxa de investimento permanece estruturalmente baixa, oscilando em torno de 17% a 19% do PIB, patamar insuficiente para sustentar ciclos robustos de crescimento. Economias emergentes que conseguiram acelerar sua renda per capita operam com taxas superiores.

Há também um impacto qualitativo na alocação de recursos, além do efeito quantitativo. O setor público, por sua própria natureza, não é guiado pelos mesmos incentivos de eficiência que caracterizam o setor privado. Gastos são decididos com base em critérios políticos, orçamentos rígidos e baixa pressão competitiva. Isso gera um retorno marginal do capital investido menor. Em outras palavras, cada real que o Estado gasta tende a produzir menos crescimento do que o mesmo real investido em atividades produtivas guiadas pelo mercado.

Outro aspecto importante é como o gasto é distribuído. O Brasil tem uma grande parte do seu orçamento comprometida com despesas obrigatórias, como a folha de pagamento e a previdência. Esses gastos têm uma baixa capacidade de gerar aumentos de produtividade no curto e médio prazo. Ao mesmo tempo, investimentos públicos que poderiam criar externalidades benéficas, como os de infraestrutura, seguem restritos. O que se observa é uma estrutura de gastos que se expande em volume, mas com pouca capacidade de alterar a base produtiva da economia.

O impacto reflete também no ambiente empresarial. Para manter um nível alto de despesas, o Estado impõe uma carga tributária elevada e uma complexidade fiscal considerável. O Brasil está entre os países que têm o maior custo de conformidade tributária do mundo, com milhares de horas por ano que as empresas gastam apenas para atender às obrigações acessórias.

Esse contexto mina a eficiência operacional das empresas, desencoraja a formalização e prejudica a competitividade no mercado internacional. Não é apenas a carga tributária, mas a previsibilidade e a qualidade do sistema. É a constante elevação do gasto público, sem aumento correspondente na produtividade, que aperta o laço do endividamento, em uma visão macroeconômica. O crescimento da dívida pública aumenta o risco fiscal, afeta as expectativas e altera o custo de capital da economia.

Estruturalmente, juros altos fazem investimentos de longo prazo parecerem menos viáveis, o que diminui ainda mais o investimento produtivo. É formado um ciclo em que o crescimento do Estado gera condições que inibem o crescimento da economia.

É fundamental ressaltar que a questão não reside na existência do Estado, mas sim em sua eficiência e tamanho em comparação. Estados fortes existem em economias desenvolvidas, mas lá operam com mais qualidade institucional, previsibilidade regulatória e alocação de recursos. O problema brasileiro reside menos no “quanto” se gasta e mais no “como” e “com que retorno” esse gasto ocorre. Sem melhorias na eficiência, o crescimento do tamanho do Estado geralmente resulta em retornos cada vez menores.

Essa dinâmica, com o tempo, impede que o crescimento potencial ocorra. A economia começa a funcionar com uma capacidade reduzida, resultando em baixa produtividade, escassez de investimentos e uma geração de renda menor. Crescimento sustentável não é sinônimo de aumento de gastos, mas sim de transformação de recursos em valor econômico. Quando essa mudança não se concretiza, a expansão do Estado deixa de ser um motor de progresso e se torna uma causa de estagnação.

*Mateus Vitória Oliveira é associado do Instituto Líderes do Amanhã. 


























publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/economia/o-estado-que-cresce-e-a-economia-que-nao-cresce/

Mr. Paulo Freire in America

   Percival Puggina


 O professor Alan Sokal criou um caso e fez escola quando, em 1996, visando demonstrar publicamente a falta de rigor intelectual de uma revista acadêmica, usou seu conhecimento para enviar a ela um artigo técnico. Recheado de absurdos, mas enfeitado com jargões e cortejando as tendências ideológicas do veículo, o texto foi publicado. Então, Sokal, que leciona Matemática na UCL de Londres e Física na Universidade de Nova Iorque, divulgou o fato e seu intuito, mostrando por quais caminhos andava parcela já expressiva do ambiente acadêmico “progressista” norte-americano.

Vinte anos depois, três autores – James A. Lindsay, Helen Pluckrose e Peter Boghossian –, para evidenciarem a inversão de valores e a fragilidade intelectual de certa elite acadêmica, encaminharam vinte artigos a diversas publicações. A exemplo do artigo de Sokal, os textos eram repletos de idiotices com maquiagem esquerdista, expressas em rebuscada linguagem científica. Sete dos vinte foram aceitos para publicação e quatro efetivamente divulgados antes de a farsa se tornar pública. O episódio ficou conhecido como “Sokal squared” ou “Sokal ao quadrado”.

Há alguns dias, recebi da editora Avis Rara um exemplar do compilado de textos de James A. Lindsay sobre Paulo Freire, nosso conhecido patrono da Educação brasileira, intitulado “A pedagogia do marxismo”. O livro traz uma crítica severa e consistente à perniciosa influência de Freire na educação ... dos Estados Unidos. Sim, leitor. Até onde avancei na leitura, a obra faz meras menções laterais ao Brasil. Sua preocupação é mostrar o estrago que produz, no país do autor, uma pedagogia cuja finalidade é essencialmente política e voltada para a formação de militância em larga escala.

Não é de surpreender. Quando, no início de 1963, o desconhecido Paulo Freire realizou sua famosa experiência em Angicos, alfabetizando trezentos adultos em quarenta horas, o aprendizado focava duas áreas – alfabetização e política. Por quê? Todo mundo sabe. O aproveitamento foi avaliado em 87% quanto à Política e em 70% quanto à alfabetização. Para ele, a Educação é um ato político. Em suas próprias palavras a um repórter do Jornal da República (Recife, 31/08/70), ele fazia política através da Pedagogia.

A grande armadilha que montou e que o levou à sagração nos altares da apreciação esquerdista internacional está na sedução produzida pela simplificação de um fenômeno complexo. Para suas vítimas, Freire se torna um Cristo redivivo e faz o milagre de, através da Educação, “conscientizar” a sociedade, em vasta proporção, de que a “opressão” é “a causa” da pobreza material, motivando à “luta pela libertação”. Marxismo em modo tosco. Nada como um partido de esquerda para vender essa mercadoria à cadeia produtiva da Educação.

A opressão, onde exista, pode ser consequência da pobreza, não causa. A pobreza tem causas; assim, no plural! Entre tantas outras, elas são históricas, culturais, geográficas, políticas, econômicas, educacionais, familiares e individuais. Onde Paulo Freire é lido ou foi ouvido sobre Educação, o produto colhido das salas de aula é imprestável à superação da pobreza. Aliás, exceto para os militantes mais úteis aos companheiros e camaradas, só serve para agravá-la.

Segundo o livro de James Lindsay, isso está sendo provado também nos Estados Unidos. O resultado da educação freireana, segundo o autor, “é que as crianças norte-americanas em idade escolar quase sempre fracassam no desenvolvimento de competências básica em praticamente todas as matérias e em praticamente todos os níveis de ensino. (...) a educação dessas crianças foi usurpada e o que a está substituindo destina-se a ser usado como arma contra a sociedade da qual seu futuro depende”.














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Lula Perde Guerra com Trump e Recebe Péssima Notícia!

 deltandallagnol/youtube


Lula Perde Guerra com Trump e Recebe Péssima Notícia!

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BAHIA CONCENTRA O MAIOR NÚMERO ABSOLUTO DE ANALFABETOS NO BRASIL

 VISÕESPELO MUNDO/FACEBOOK

BAHIA CONCENTRA O MAIOR NÚMERO ABSOLUTO DE ANALFABETOS NO BRASIL 



SEGREDOS DA PSICOLOGIA

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SEGREDOS DA PSICOLOGIA



TARCÍSIO DETONA O NINE

 TARCISIOFREITAS/FACEBOOK


TARCÍSIO DETONA O NINE



NÃO FALTA DINHEIRO...SOBRAM LADRÕES

 ROMEUZEMA/FACEBOOK


NÃO FALTA DINHEIRO...SOBRAM LADRÕES



Fernão Revela o Que Está Por Trás da Aliança Entre Lula e STF

 praetorium/youtube


Fernão Revela o Que Está Por Trás da Aliança Entre Lula e STF


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Est*pro de bebê em Fortaleza: quem votou contra endurecer a pena de est*prador?

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LUTA CONTRA O PT É A DE SEMPRE

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Flávio Tem Última Cartada pra Rever o Pai Preso!

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 Flávio Tem Última Cartada pra Rever o Pai Preso!


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quarta-feira, 15 de julho de 2026

O verdadeiro significado de soberania nacional

   Luan Sperandio 


A noção de soberania nacional tem sido frequentemente associada a ideias de protecionismo, monopólios estatais e defesa nacionalista e patriótica. Contudo, esse entendimento limitado ignora o verdadeiro significado do que é soberania para o desenvolvimento econômico e o bem-estar das nações.

A soberania nacional não se resume a fechar as fronteiras econômicas e proteger a indústria doméstica por meio de monopólios estatais, como defendem intervencionistas, de esquerda e de direita. Pelo contrário, uma abordagem mais moderna e eficiente da soberania está associada à promoção da concorrência de mercado e ao incentivo da competição entre empresas nacionais e estrangeiras. Isso é essencial para garantir a qualidade dos produtos e serviços oferecidos aos cidadãos, além de manter os preços acessíveis.

Um exemplo que ilustra esse ponto é o setor de telecomunicações. No passado, a defesa de monopólios estatais na área de comunicações retardou o progresso tecnológico e limitou o acesso da população a serviços eficientes e modernos. Enquanto demorava até mais de um ano e o preço era equivalente ao de um carro para uma família ter acesso a uma linha telefônica, estatais de telecomunicações eram utilizadas por governantes para priorizar a distribuição de linhas para aliados políticos, bem como em troca de votos nas eleições. Na obra Deus tenha misericórdia dessa nação — A biografia não autorizada de Eduardo Cunha, escrita por Aloy Jupiara e Chico Otavio, conta-se como, no início da carreira política, Eduardo Cunha, sob a presidência da Telerj, distribuía linhas telefônicas de acordo com interesses políticos e partidários. Isso não é soberania nacional.

Em julho de 1998, foi concretizada a privatização do sistema Telebrás por meio de leilão na então bolsa de valores do Rio de Janeiro, dando início à democratização da telefonia no Brasil.

Até a década de 1990, o setor de telecomunicações brasileiro era dominado pela companhia estatal.

A Telebrás era responsável por controlar todos os serviços de telecomunicações no país, incluindo telefonia fixa, telefonia celular e serviços de transmissão de dados. No entanto, com o passar dos anos, o monopólio estatal se mostrou ineficiente na amplificação dos serviços e na introdução de tecnologias mais avançadas.

Em 1998, havia 17 milhões de telefones fixos, pouco mais de 4 milhões de aparelhos celulares, 2,5 milhões de televisões por assinatura e, a respeito da conexão da internet, O Brasil ainda engatinhava na internet discada. No entanto, com a abertura do mercado e a chegada de empresas privadas, a competição aumentou, levando a avanços tecnológicos significativos e à oferta de serviços de qualidade a preços mais baixos.

Após 25 anos da privatização das telecomunicações, foram investidos mais de R$ 1 trilhão e o número de celulares no país ultrapassou a quantidade de habitantes.

A telefonia móvel passou de 7,4 milhões de acessos, em 1998, para 251 milhões, um crescimento de 3.309%. Já a telefonia fixa passou de 20 milhões de linhas, em 1998, para 27 milhões. O aumento de 33% foi expressivo, mas já foi maior, e se deve à substituição na última década de linhas fixas por aparelhos móveis. Já a TV por assinatura passou de 2,6 milhões para 12 milhões de assinaturas, alta de 371%. Por fim, a banda larga fixa nem sequer era disponível em 1998, e alcançou a marca de 45,7 milhões de acessos. Os dados são da Conexis Brasil Digital.

Essa democratização dos meios de comunicação se deu em virtude da concorrência e economia de mercado. Os detratores eram favoráveis aos monopólios e a estatização do mercado de comunicações, mas a soberania nacional de verdade é a população com telefone acessível e barato.








publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/o-verdadeiro-significado-de-soberania-nacional/


Paraíso do Caos e o verdadeiro Mata-Mata

  Francisco Carneiro Junior


 Já estávamos sem pão. Agora terminou o circo…

Já perdemos copas antes. Várias vezes. Choramos no Maracanã em 1950 como se o mundo tivesse desabado, e o mundo, generoso, continuou — porque ainda havia o que chorar. Tínhamos alma. Sim, o verbo está no pretérito, e é essa mudança de tempo verbal que condena o presente: a derrota de ontem só expunha o que éramos; a de hoje revela, sem anestesia, o que deixamos de ser. Chamam isso de desclassificação, palavra pobre para um desastre rico. Desclassificação é sair de um torneio, acidente de calendário que se repete a cada quatro anos sem doer muito. Há uma queda mais funda, e essa não sai em súmula: a de um povo que deixa de ser reconhecido pelo traço que o definia.

E o traço, convém dizer com todas as letras, foi trocado por outro sem que ninguém nos consultasse.

O futebol brasileiro adotou um cotismo estrutural que decide escalação por critério de cota e não de talento, e vestiu esse critério com o verniz respeitável do wokeísmo, como se rebaixar a meritocracia fosse sinal de evolução moral e não de covardia técnica.A meritocracia, que escolhia o craque pela categoria, foi substituída por um cálculo de conveniências. E o pior: ninguém no comando teve a coragem de chamar a substituição pelo nome. Culpa, todo mundo tem um pouco — o cartola, o dirigente, o comentarista que aplaude qualquer coisa para não ser chamado de imbecil. Mas falhamos mesmo foi no conceito, na ideia matriz, na definição do que deveríamos ser em campo. Não foi um jogador que errou o pênalti decisivo; foi um projeto inteiro que errou o objetivo antes da bola rolar.

O técnico italiano, contratado por milhões para nos ensinar o que já sabíamos fazer melhor que qualquer escola europeia, deu-nos de presente um futebol que não é nosso. É europeu. Organizado, previsível, elegante como um funeral bem produzido. Deixamos de jogar o nosso futebol para aceitar jogar um futebol global, genérico, sem sotaque, o mesmo em Londres, em Milão ou em Madri. O Brasil deu as costas para o próprio DNA. A seleção não respeita mais a forma brasileira de jogar — o drible como assinatura, a criatividade como flexão de músculo, a irreverência como estratégia.

Perdemos a originalidade, a singularidade, aquilo que fazia da bola nos pés de um brasileiro um dialeto reconhecível a quilômetros de distância. Virou puxadinho do futebol europeu: uma cópia malfeita, construída às pressas sobre a fundação de uma casa que já tinha arquitetura própria e bonita.

E, como se a perda de identidade não bastasse, perdemos também a espinha. Falta resiliência a esse time, e falta ainda mais capacidade de ouvir crítica sem se fazer de vítima. Cada apontamento técnico vira perseguição; cada questionamento, ataque pessoal. Um time que não tolera ser corrigido é um time que já decidiu não evoluir. E, nesse cenário de fragilidade coletiva, ainda sobra munição para a esquerda de plantão culpar Neymar — Neymar, que jogou vinte minutos e mesmo assim balançou a rede —, como se o problema estrutural de um projeto inteiro coubesse nas costas de um homem que mal teve tempo de suar a camisa. É mais fácil crucificar o símbolo do que admitir o erro de concepção.

Convém lembrar quem é a Noruega no histórico mundial do futebol: três participações em Copas do Mundo, uma trajetória modesta, quase decorativa, até este domingo. Não há vergonha em perder para quem sempre foi grande; há vergonha em perder para quem, até anteontem, mal sabia o caminho do estádio. E há muito tempo a seleção brasileira não reflete o futebol que se joga, por exemplo, no Brasileirão — onde ainda sobrevivem o drible, a posse de bola paciente, a ousadia de tentar o improvável. O que vestimos de amarelo em Copas do Mundo virou uma seleção estrangeira com passaporte brasileiro. Falta driblar mais. Falta ter domínio e posse de bola com propósito, não por estética televisiva, mas por convicção de que aquele é, sim, o nosso jeito de jogar.

Ancelotti disse que as trocas do segundo tempo eram para colocar mais frescor, dar mais profundidade. Traduzindo: chegou frescor tarde demais a um time que já mofava desde a preleção. E cabe perguntar, com a inocência que a pergunta finge ter: era preciso contratar um estrangeiro a peso de euros para descobrir isso no intervalo? Seu auxiliar, que por acaso é também seu filho — coincidências assim não existem só no futebol brasileiro contemporâneo , mas no nosso judiciário também — resumiu tudo em outra frase pronta: assumimos essa responsabilidade, sentimos muito. Sente-se muito, mas o contrato segue firme até 2030, salário intacto, cargo intocado.

Há, porém, um mérito nessa dor toda, e é preciso reconhecê-lo. Haaland ajudou o brasileiro a esquecer o circo por um instante e a se lembrar de todo o roubo, de toda a corrupção que corrói este país há décadas e que insistimos em varrer para debaixo do tapete entre uma Copa e outra. Para resolver isso, meus caros, vamos ter que "haalar" muito — achar coragem, achar memória, achar vergonha na cara antes que seja tarde. Porque tem outro sujeito ferrando com o país, e não é o norueguês de cabelo loiro que nos eliminou em Nova Jersey. É necessário desalojá-lo do poder, e todos sabem exatamente de quem eu estou falando.

Se nada mudar no futebol, ficaremos mais vinte e oito anos sem ganhar uma Copa — ou talvez ganhemos antes disso, porque um relógio quebrado acerta duas vezes no dia (lembrando que na Era PT nunca se ganhou nenhuma Copa!). Mas no caso do governo e da situação do país o cálculo é muito mais cruel: se não tirarmos o PT do poder, o que já está ruim vai piorar de um jeito que fará Cuba parecer paraíso perto daqui. O Brasil de hoje já é insalubre. Imagine o que herdarão os nossos filhos depois de mais uma década com esse governo: um país onde vinte e cinco por cento da população vive sob domínio territorial de terroristas armados, onde trabalhar duro deixou de ser garantia de nada, onde quem faz a coisa certa é chamado de otário nas rodas de conversa, e a corrupção virou paisagem, não mais escândalo.O futebol é o que dá identidade, pertencimento ao brasileiro — por isso dói tanto vê-lo desfigurado. Mas o que não podemos, sob hipótese alguma, é perder a vergonha na cara.

O time que joga sem alma é o reflexo de um desgoverno que engana, mente e corrompe sem pudor. Perder a Copa dói. Perder a vergonha mata devagar. Falta de originalidade em campo, falta caráter nos gabinetes, falta pudor em quem normalizou a destruição do Brasil. E mudar isso, sem o pão e agora sem o circo, é a única esperança que ainda nos resta!











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