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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Quebraram o Brasil, mas nem todo economista vai ter coragem de te dizer isso

  Adriano Paranaiba 


Mesmo com a taxa Selic em patamares elevados e a inflação corrente mostrando sinais de controle, mas ainda subindo, o mercado de títulos públicos, especialmente o Tesouro IPCA (Juro do Tesouro IPCA+ ultrapassa os 8% ao ano), continua a precificar juros reais (acima da inflação) bastante altos. Essa aparente contradição se explica principalmente pelo risco fiscal percebido no Brasil, que está construindo um cenário de instabilidade, e a eleição está como cortina de fumaça para esconder o risco real de quebra da economia.

O principal motor por trás desses juros elevados é a preocupação do mercado com a trajetória da dívida pública brasileira. Há uma percepção de que o governo pode ter dificuldades em cumprir suas metas fiscais, o que levaria a um aumento ainda maior do endividamento. Fatores como a flexibilização do arcabouço fiscal e a incerteza sobre a capacidade de gerar superávits primários consistentes alimentam essa desconfiança.

Quando o mercado enxerga um risco fiscal elevado, ele exige um “prêmio de risco” maior para emprestar dinheiro ao governo. Isso significa que, para atrair investidores, o Tesouro Nacional precisa oferecer taxas de juros mais altas em seus títulos, como o Tesouro IPCA. Essas taxas elevadas não apenas refletem o custo de financiamento do governo, mas também incorporam as expectativas de inflação futura.

A lógica é a seguinte: se a dívida pública cresce de forma insustentável, o mercado teme que, em algum momento, o governo possa recorrer a medidas inflacionárias para lidar com ela, como a monetização da dívida (impressão de dinheiro) ou uma perda de confiança na moeda. Mesmo que o Banco Central esteja combatendo a inflação atual com juros altos (Selic), a política fiscal expansionista ou incerta pode minar esses esforços ao gerar expectativas de inflação futura.

O risco da expansão monetária artificial e a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos (TACE)

A preocupação com o risco fiscal se aprofunda quando consideramos a possibilidade de o governo financiar seus déficits por meio da expansão artificial da base monetária, o que é conhecido como criação de fiat money. Conforme a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos (TACE), essa prática distorce os sinais de mercado, especialmente as taxas de juros, que são o custo do capital. Taxa Selic alta ajuda a controlar inflação, tirando fiat money do mercado de crédito. Mas o governo brasileiro está aumentando sua base monetária quase que em ritmo exponencial, como se não houvesse amanhã, conforme gráfico abaixo:

Fonte: Trading View, 2026.

Do outro lado, o Banco Central está tentando reduzir artificialmente as taxas de juros, e vai enviar sinais equivocados aos empreendedores. Somado a isso, projetos de investimentos que seriam inviáveis com taxas de juros naturais (determinadas pela poupança real da sociedade) tornam-se aparentemente lucrativos, graças ao acesso aos juros subsidiados (BNDES e créditos estatais). Isso vai levar aos malditos “malinvestiments” – alocações ineficientes de capital em setores que não possuem demanda real ou sustentabilidade a longo prazo. Estamos presenciando, assim, um “boom” econômico artificial, um crescimento insustentável que não se baseia em poupança e investimento genuínos, mas sim em crédito barato e ilusório. E como o governo não para de ‘imprimir’ dinheiro, a inflação vem correndo por fora, sabotando tudo isso.

Inflação: a perda do poder de compra e seus efeitos perversos

A inflação, nesse contexto, não é apenas o aumento generalizado dos preços, mas a perda do poder de compra da moeda, resultante de um excesso na base monetária em relação à oferta de bens e serviços. Essa desvalorização da moeda distorce os sinais de preço, dificultando a tomada de decisões racionais por parte de produtores e consumidores. A energia produtiva é desviada para a proteção contra a inflação (como a corrida aos supermercados em tempos de hiperinflação), em vez de ser direcionada para a geração de riqueza. A inflação também promove uma redistribuição injusta de riqueza, penalizando os mais pobres e os poupadores.

A fragilidade do sistema bancário e as falhas de governo

O sistema de reservas fracionárias sempre deixou o sistema bancário vulnerável. Em um cenário de crise de confiança, a corrida aos bancos para saques pode levar a “feriados bancários”, como os observados na Argentina (2002) e na Grécia (2015), evidenciando que o fiat money não tem lastro físico suficiente para atender a todos os saques simultaneamente.

Impostos e subsídios distorcem ainda mais os sinais de mercado, criando o que a economia chama de “peso morto” – uma perda irrecuperável de bem-estar social. A história da crise de 1929 nos mostra como tarifas e aumentos de impostos, somados à expansão monetária artificial, transformaram uma recessão em uma Grande Depressão – estamos repetindo esse padrão.

O risco de quebra da economia

Em resumo, enquanto a política monetária (Selic) atua no controle da inflação no curto prazo, a política fiscal (gastos e endividamento do governo) é crucial para ancorar as expectativas de inflação no longo prazo. O alto custo que o Brasil paga em juros no Tesouro Direto é um reflexo direto dessa percepção de risco fiscal. Esse risco já está se materializado em uma expansão monetária artificial e insustentável. Os malinvestiments, a inflação crescente, a fragilidade do sistema bancário e as falhas de governo podem culminar em uma crise econômica profunda, com perda generalizada de confiança na moeda e no sistema financeiro, levando a um colapso da economia.

Este artigo foi originalmente publicado no site do professor Adriano Paranaiba.

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domingo, 28 de junho de 2026

A camisa da Seleção virou artigo de luxo — e isso diz mais sobre o Brasil do que sobre a Nike

 Marcos Kayan Niquelatte


A camisa da Seleção Brasileira sempre ocupou um lugar curioso na cultura nacional. Ela é, ao mesmo tempo, peça esportiva, símbolo patriótico, objeto afetivo e uniforme informal de milhões de torcedores. Em tese, deveria ser um produto popular. Na prática, tornou-se um artigo caro, inacessível para grande parte da população e revelador de uma distorção econômica brasileira que vai muito além do futebol.

A versão oficial de torcedor da camisa Nike da Seleção Brasileira para a Copa custa cerca de R$ 450. À primeira vista, alguém poderia dizer que esse é apenas o preço de mercado de um produto licenciado, produzido por uma grande marca global, associado à CBF, ao futebol internacional e à lógica contemporânea do consumo esportivo. Há verdade nisso. Mas a comparação internacional mostra que o problema brasileiro não se limita à marca, ao clube, à federação ou ao marketing. O problema é de poder de compra.

Com o salário mínimo brasileiro em torno de R$ 1.621, uma camisa de R$ 449,99 representa aproximadamente 27,8% do salário mínimo mensal. Em outras palavras: para um trabalhador que recebe o piso nacional, comprar uma camisa oficial da Seleção equivale a comprometer quase um terço da renda bruta do mês.

Esse dado, isoladamente, já é grave. Mas ele se torna ainda mais eloquente quando comparado com outros países. Nos Estados Unidos, uma camisa equivalente vendida por cerca de US$ 100 representa aproximadamente 8% do salário mínimo federal mensalizado. No Reino Unido, com preço próximo de £90, a proporção fica perto de 4%. Na Austrália, com a camisa em torno de A$130, a proporção é de aproximadamente 3,2%. Em países europeus como Alemanha, Irlanda, Holanda, Bélgica, França e Luxemburgo, a relação costuma ficar entre 4% e 6% do salário mínimo mensal.

Ou seja: no Brasil, a camisa oficial pesa proporcionalmente várias vezes mais no bolso do trabalhador. Não estamos falando de uma pequena diferença. Estamos falando de uma distorção estrutural. O brasileiro paga preço global com renda local deprimida e carga tributária elevada.

Esse é o tipo de comparação que desmonta a retórica confortável segundo a qual determinados bens são caros apenas porque “o consumidor quer pagar pela marca”. Sim, há valor de marca. Sim, há royalties, licenciamento, marketing, distribuição e margem de varejo. Mas há também o custo Brasil: tributação alta, burocracia, ineficiência logística, insegurança jurídica, baixa produtividade, câmbio sensível e uma economia formal que transforma qualquer produto regularizado em uma espécie de bem premium.

O resultado é perverso. O produto oficial, que deveria ser a escolha natural do consumidor, passa a competir contra alternativas informais muito mais baratas. Quando uma camisa alternativa de alta qualidade aparece no mercado por R$ 150 a R$ 250, o consumidor não precisa ser ideologicamente sofisticado para fazer a conta. Ele percebe, de modo intuitivo, que a camisa oficial custa três vezes mais, mas não necessariamente dura três vezes mais. E, quando a diferença de preço é dessa magnitude, o discurso moral contra o mercado paralelo perde parte de sua força persuasiva.

Isso não significa defender a falsificação. Do ponto de vista jurídico, há violação de propriedade intelectual. Do ponto de vista institucional, há prejuízo à economia formal, à arrecadação e aos agentes que cumprem as regras. Mas uma análise honesta precisa reconhecer que mercados paralelos prosperam quando a legalidade se torna excessivamente cara. A informalidade não surge apenas da malandragem; muitas vezes surge como resposta econômica a um sistema que cobra demais, entrega pouco e restringe o acesso ao consumo regular.

O liberalismo clássico parte de uma premissa simples: mercados funcionam melhor quando há liberdade econômica, concorrência, segurança jurídica, impostos moderados e regras estáveis. Quando o Estado tributa demais e regula mal, ele não elimina o desejo de consumo. Ele apenas empurra parte desse consumo para fora da formalidade. O consumidor continua querendo a camisa. O torcedor continua querendo vestir a Seleção. A diferença é que, diante de um preço oficial incompatível com sua renda, ele passa a buscar substitutos.

A consequência é uma espécie de círculo vicioso. O produto formal fica caro porque carrega impostos, encargos e custos regulatórios. Como fica caro, perde consumidores para o mercado informal. Como o mercado informal cresce, o Estado responde com mais fiscalização, mais controle e, muitas vezes, mais complexidade. Essa complexidade, por sua vez, encarece ainda mais a formalidade. Ao final, quem paga a conta é o consumidor comum.

A camisa da Seleção é um símbolo perfeito dessa tragédia econômica brasileira. Ela deveria representar pertencimento nacional, mas, no caixa da loja, representa exclusão. Para uma parcela relevante da população, o produto oficial diz: torça, mas não compre; vista a camisa, mas apenas se puder pagar preço de luxo.

A pergunta incômoda não é por que alguns consumidores recorrem a alternativas mais baratas. A pergunta correta é: por que um país torna tão caro comprar legalmente uma camisa de futebol?

Enquanto essa pergunta não for enfrentada, o debate continuará superficial. Uns acusarão o consumidor de compactuar com a pirataria. Outros acusarão as marcas de ganância. Ambos podem ter parte da razão. Mas o centro do problema está na estrutura econômica que transforma bens comuns em bens aspiracionais.

Uma sociedade livre e próspera não deveria precisar escolher entre legalidade e acessibilidade. O caminho liberal clássico é justamente reduzir essa distância: menos tributação sobre consumo, menos barreiras à importação, mais concorrência, mais produtividade, mais renda e mais liberdade para que produtos formais sejam efetivamente competitivos.

No Brasil, até a camisa da Seleção virou prova material de que o país pune quem produz, pune quem importa, pune quem vende formalmente e, no fim, pune quem quer comprar. O torcedor olha para a etiqueta de R$ 450 e entende, mesmo sem ler relatórios econômicos, que há algo errado. E há mesmo.

*Marcos Kayan Niquelatte é Diretor de Formação do Instituto Atlantos.











publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/a-camisa-da-selecao-virou-artigo-de-luxo-e-isso-diz-mais-sobre-o-brasil-do-que-sobre-a-nike/

O LEVIATÃ AMEAÇA A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

  Dagoberto Lima Godoy


O Brasil parece disposto a regular a inteligência artificial antes mesmo de compreender bem do que se trata. Em nome da proteção de direitos, da segurança e da transparência, uma nova camada de controle sobre o ambiente digital avança no Congresso e no Executivo. A intenção declarada é nobre, como quase sempre é. Mas a história ensina que o poder raramente se expande confessando seus verdadeiros apetites. O Leviatã moderno não se apresenta como tirano, mas como tutor.
A inteligência artificial é a inovação mais decisiva de nosso tempo — talvez de todos os tempos. Ela afetará a produtividade, a ciência, a indústria, a educação, a saúde, a defesa, a administração pública e será decisiva para a competitividade internacional. O país que souber usá-la ganhará velocidade; o que a constranger — por medo, burocracia ou suspeita — ficará para trás.
É claro que há riscos: fraude, manipulação, violação de intimidade, discriminação, abuso de dados e vigilância indevida. Mas a resposta não pode ser transformar a inovação em território vigiado, submetido a conceitos vagos como “alto risco”, “impacto sistêmico”, “uso responsável” ou “falha sistêmica”, entregues à interpretação de burocracias reguladoras.
A norma vaga é o instrumento preferido do Estado sedento de poder. Ela não proíbe claramente; intimida. Não censura diretamente; induz à autocensura. Não impede a inovação por decreto; torna-a cara, arriscada e juridicamente insegura.
O resultado é previsível. Plataformas e empresas passam a remover conteúdos, bloquear experiências e evitar riscos antes mesmo de qualquer ordem estatal. Ao mesmo tempo, os grandes grupos saem fortalecidos, pois têm departamentos jurídicos, equipes de compliance e acesso permanente ao Estado. Já startups, pesquisadores, pequenas empresas e empreendedores locais são empurrados para fora do jogo.
Assim, uma regulação apresentada como defesa da sociedade pode acabar concentrando mercado, sufocando a inovação nacional e aumentando a dependência de plataformas estrangeiras. O Estado diz proteger o cidadão, mas termina protegendo os gigantes e constrangendo os pequenos.
Não se trata de defender uma terra sem leis. O Brasil já as tem até em excesso, embora muitas vezes desconsideradas até por quem existe para por elas zelar. O que se contesta é a criação sucessiva de novas estruturas administrativas, com sanções, relatórios, deveres genéricos e crescente margem de intervenção política.
A inteligência artificial precisa de responsabilidade, mas precisa, sobretudo, de liberdade. Sem liberdade, não há ciência viva, mercado dinâmico nem criatividade transformadora. O perigo não está apenas nos abusos da IA, mas na tentação de usar esses abusos como pretexto para domesticar a inteligência humana.


















publicadaemhttps://www.pontocritico.com/espaco-pensar-artigo/o-leviata-ameaca-a-inteligencia-artificial-110626

A escola que não ensina

  Claudio Apolinario


O Brasil gasta mais e aprende menos. Isso não é acidente.

Entre 2003 e 2014, o Brasil triplicou o gasto público por aluno na educação básica. Mesmo descontando a inflação, o aumento real foi de 65%. O resultado? A posição do Brasil no ranking mundial de educação ficou entre os 20% piores do mundo.

Mais dinheiro. Resultado ruim. Isso por si só deveria ser um escândalo nacional.

Em 2022, o PISA — avaliação que mede o conhecimento de jovens de 15 anos em 81 países — colocou o Brasil na 65ª posição em matemática, na 63ª em ciências e na 59ª em leitura. Atrás de Chile, Uruguai e Colômbia.

Mas o dado mais perturbador não é a posição. É que desde 2009, os resultados brasileiros não mudaram nas três disciplinas. Mais de quinze anos parado no mesmo patamar. Metade dos jovens brasileiros de 15 anos não consegue interpretar um texto simples. Apenas 2% atingem alto desempenho em leitura.

Pense nisso. Metade dos jovens que hoje votam, trabalham e tomam decisões não conseguem ler um contrato, entender uma notícia ou saber o que estão assinando.

E tem um dado que assusta ainda mais. Segundo o INAF 2024 — pesquisa coordenada pela Ação Educativa com apoio de UNESCO e UNICEF — 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais. Sabem ler, mas não conseguem interpretar o que leram. Não conseguem preencher um formulário, entender uma bula de remédio ou calcular o troco. São 40 milhões de pessoas. E o mais revelador: 17% de quem terminou o ensino médio ainda é analfabeto funcional. A escola não garantiu nem o básico.

Isso não é falta de recurso. Colômbia e México gastam menos por aluno do que o Brasil e têm resultados melhores (dados OCDE). O problema não é quanto se gasta. É o que se faz com esse dinheiro.

E aqui está a pergunta que ninguém quer responder: se o gasto triplicou e o resultado não mudou, para onde foi o dinheiro?

Essa pergunta incomoda porque a resposta também incomoda. Um sistema inteiro vive desse orçamento — com avaliações que medem mas raramente geram consequência real para quem não entrega.

Não é novidade que há décadas o conteúdo objetivo — matemática, leitura, ciências — tem cedido espaço para outros objetivos dentro da sala de aula. Quando formar opinião política vira prioridade e ensinar a calcular e ler vira secundário, o resultado aparece nos dados. Uma escola que transforma criança em militante ao invés de ensiná-la a interpretar um texto não está falhando por acidente. Está executando um método.

Doutrinação não é falha de gestão. É uma escolha. E esta escolha tem um custo — pago pelas próximas gerações.

O Brasil mede. Mas não age na altura de corrigir o que está errado.

O IDEB — Índice de Desenvolvimento da Educação Básica — existe desde 2007 e mapeia o desempenho de cada escola e município do país. A meta nacional era atingir, em 2022, o nível de qualidade dos países desenvolvidos. Não foi atingida. Em 2019, apenas 23% dos municípios cumpriram a meta. Nenhuma escola fechou por isso. Nenhum gestor perdeu o cargo.

O Brasil sabe onde está falhando. E continua igual.

A incompetência produz resultados ruins por acidente. O que o Brasil tem é diferente: estagnação, aumento constante de orçamento, nenhuma mudança real de cobrança de resultado. Isso não é desorganização. É um sistema feito para quem vive nele, não para o aluno que depende dele.

Coreia do Sul, Japão e Cingapura têm algo em comum: cobram resultado. Professor é avaliado. Escola é avaliada. Aluno é avaliado. Quem não entrega resultado é obrigado a mudar o que está fazendo. São países que estão no topo do ranking mundial em educação. Não por acaso.

No Brasil, o debate sobre educação raramente chega na pergunta mais simples de todas: o aluno aprendeu? Em vez disso, discute-se tudo menos isso. E o ponteiro do PISA não se move desde 2009.

Uma escola que não ensina a ler, a calcular e a pensar não está cumprindo sua função. Não importa a metodologia. Não importa o orçamento. O que importa é se está ou não dando o resultado. O resultado do Brasil é estar na 65ª posição entre 81 países.

Quinze anos parado. Quanto tempo falta para sermos os últimos?

Quem já entendeu isso tem uma responsabilidade concreta. Antes de votar é preciso perguntar: qual é a meta de aprendizagem? Como será medida? O que acontece se não for atingida?

Cobrar o resultado de quem prometeu, antes de renovar o voto, é o mínimo que o eleitor consciente pode fazer. E explicar a realidade para quem ainda não viu que mais dinheiro não trouxe mais aprendizado. Isso é desperdício com dinheiro do contribuinte.

A próxima geração está sendo formada agora. E o que ela vai saber depende das perguntas que fazemos hoje e das ações que tomamos agora.

*                O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.







publicadamhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/a-escola-que-nao-ensina__18689

TORCER PELO LADRÃO DA PRÓPRIA TORCIDA

 gilbertosimõespires/pontocritico


É TEMPO DE COPA

No momento em que preparava um texto voltado ao -COMPORTAMENTO UFANO- do povo brasileiro em geral, no que diz respeito à participação na NOSSA SELEÇÃO nos jogos da COPA DO MUNDO, me deparei com o oportuno artigo do pensador Alex Pipkin, com o título -O VERDADEIRO ESPORTE NACIONAL- e achei que melhor caberia o compartilhamento do conteúdo através do editorial de hoje. Eis:


ATO DE FÉ

É tempo de Copa, quando o país volta a repetir, quase como um ATO DE FÉ, que o futebol é o nosso esporte nacional. Não é. 

O verdadeiro campeonato brasileiro acontece longe dos estádios, nos corredores do poder, onde influência pesa mais do que mérito, conexões substituem competência e o resultado da partida costuma ser conhecido antes mesmo do apito inicial.

ROBIN HOOD FOI DEMITIDO POR OBSOLESCÊNCIA

Nesse campeonato, Robin Hood foi demitido por obsolescência. Roubar dos ricos para dar aos pobres exige esforço, risco pessoal e uma ingenuidade incompatível com o grau de sofisticação que alcançamos. O Brasil aperfeiçoou a fórmula. Expropria-se quem trabalha, produz, empreende e paga impostos para sustentar uma máquina cuja principal vocação parece ser recompensar aqueles que aprenderam a gravitar em torno do poder.

Tudo isso acontece embalado por discursos moralmente grandiosos.

FREQUENTAR O PIB É MAIS CONFORTÁVEL

A esquerda festiva descobriu, ao longo da caminhada, que é infinitamente mais confortável frequentar o PIB do que combatê-lo. Banqueiros, operadores de influência, grandes empresários e políticos profissionais passaram a compartilhar os mesmos ambientes, os mesmos interesses e, frequentemente, as mesmas conveniências. 

A revolução terminou exatamente onde tantas revoluções terminam; no salão principal do castelo, com o banquete financiado pelos contribuintes.

Mas a verdadeira inovação brasileira não está na corrupção, nos privilégios ou nas relações promíscuas entre poder político e interesses privados. Nada disso é particularmente novo.

TORCER PELO LADRÃO DA PRÓPRIA TORCIDA

A grande novidade é o desaparecimento completo do pudor. Já não existe a necessidade de negar, esconder ou disfarçar. O escândalo se transformou em passivo gerencial, a contradição foi incorporada à rotina e a incoerência transformou-se em simples detalhe operacional.

A velha res publica foi silenciosamente convertida em algo muito mais conveniente. Continua sendo financiada por todos, mas administrada como patrimônio daqueles que controlam a máquina. 

Robin Hood imaginava que o problema eram os privilégios dos nobres instalados dentro do castelo. Nós fomos mais criativos. Transformamos o próprio Estado no castelo e enviamos a conta da manutenção para os camponeses que observam o banquete do lado de fora dos muros.

O detalhe realmente extraordinário é que muitos deles continuam discutindo apenas qual mesa do banquete merece mais aplausos.

No fim, o verdadeiro esporte nacional nunca foi o futebol. Sempre foi torcer pelo ladrão da própria torcida.
























publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/torcer-pelo-ladrao-da-propria-torcida

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