Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

terça-feira, 24 de março de 2026

Como o desenvolvimento econômico proporcionou a riqueza das nações?

   Og Leme


O desenvolvimento econômico é um processo social, do qual resulta a prosperidade material, mas é também um valor, a par com a liberdade, a paz e a justiça, por exemplo.

Mas é um NOVO fenômeno social e também um NOVO valor. A primeira notícia sobre ele, exposta de maneira consciente, explícita, abrangente e sistemática foi A Riqueza das Nações, de Adam Smith, de 1776, de surpreendente atualidade.

De fato, o fenômeno do desenvolvimento é uma das marcas da MODERNIDADE: a consciência de que os seres humanos têm razões para crer que a progressiva melhoria das suas condilções de vida é possível.

Antes, predominava a ideia de que a estagnação econômica – o estado estacionário – seria uma condição natural insuperável, de modo que a melhoria de algumas pessoas apenas era possível com a degradação da situação de outras: uma economia de soma zero.

Desde o momento em que se tomou consciência de que estagnação era fatalidade inelutável e que, portanto, podia ser superada por uma situação de prosperidade crescente, começaram os esforços para a compreensão do fenômeno e a busca de meios capazes de estimulá-lo, se bem que foi apenas a partir da década de 40 que se iniciaram estudos e pesquisas mais sistemáticos sobre ele. Nos anos 50, o tema já havia virado moda e uma verdadeira enxurrada de publicações passou a invadir o mercado livreiro e a ocupar o tempo de um grande número de estudiosos, estudante e intelectuais diletantes. O tempo se encarregou de mostrar que a grande maioria dessas publicações não tinha, afinal, o menor valor. Adam Smith tinha muito mais a oferecer.

A grande “virada” na história dos estudos sobre desenvolvimento econômico se deu nas décadas dos 50 e dos 60, e três nomes merecem destaque: Solomon Fabricant, do N.B.E.R., de Nova York, T. W. Schultz, da Universidade de Chicago, e Cairncross, um economista inglês, num estudo elaborado para o FMI ou o Banco Mundial.

Fabricant publicou, em 1953, sua análise de 85 ou 86 anos da história econômica norte-americana, com base em séries estatísticas que terminavam em 1952. Sua conclusão era esta: durante esse longo lapso de tempo, os acréscimos havidos do PIB dos EUA superavam os acréscimos dos insumos necessários para produzi-los: a soma dos aumentos havidos dos fatores trabalho, capital e recursos naturais era menor do que a soma dos aumentos havidos do PIB. Isto é, a soma dos fatores parecia menor do que a soma do produto final, um caso típico de sinergia. Que haveria passado?

Durante um longo lapso de tempo, os acréscimos havidos do PIB dos EUA superavam os acréscimos dos insumos necessários para produzi-los: a soma dos aumentos havidos dos fatores trabalho, capital e recursos naturais era menor do que a soma dos aumentos havidos do PIB. Isto é, a soma dos fatores parecia menor do que a soma do produto final, um caso típico de sinergia.

Diante dessa perplexidade, o prof. T. W. Schultz levantou a hipótese de que, de serem estatisticamente confiáveis esses dados, a explicação do resíduo estaria na melhoria da eficiência da economia americana nesse longo período de quase 100 anos. Schultz foi mais adiante: essa maior eficiência ter sido o resultado da melhoria da qualidade do fator trabalho, graças a investimentos feitos na sua educação e saúde: trabalhadores mais educados e mais hígidos podem ser mais produtivos. Várias teses de PhD foram feitas na Universidade de Chicago para testar as hipóteses de Schultz e todas elas confirmaram; ou, pelo critério de Popper, não as desmentiram. Aprendeu-se, então, que valia a pena investir na saúde e educação do agente humano e de que a noção de capital (no sentido de stock) devia ser expandida, a fim de incorporar a noção de capital humano. Nessa linha de investigação, destaca-se a contribuição de Gary Becker, ex-aluno de Schultz, e ambos ganhadores do Prêmio Nobel.

Adam Smith reconhecia, em seu livro de 1776, a importância da qualificação dos agentes humanos. E o economista inglês Cairncross, em sua excelente monografia, enfatizava a possibilidade da substituição entre os fatores de produção. Graças a Fabricant, Schultz, Becker e Cairncross, em sua excelente monografia, enfatizava a possibilidade da substituição entre os fatores de produção. Graças a Fabricant, Schultz, Becker e Cairncross, dava-se um grande passo no entendimento do processo de crescimento econômico.

O passar do tempo permitiu sabermos que Adam Smith tinha razão com relação a outro aspecto do processo de desenvolvimento: o arcabouço institucional. Estariam bem mais orientadas no caminho da riquza as nações capazes de especialmente assegurar a liberdade econômica individual e o respeito aos direitos de propriedade. Estudos recentes evidenciam a procedência da intuição do pensador escocês. Mais recentemente, tomaram vulto os estudos sobre a contribuição das instituições para o desenvolvimento econômico.

Em síntese, o que se sabe hoje a respeito do processo que leva à riqueza das nações é o seguinte: o desenvolvimento econômico é fruto do Estado de Direito e da economia de mercado, que asseguram a integridade da iniciativa privada, e da qualidade do capital humano, fruto de investimentos em educação e saúde.

Temos, então, as instituições configurantes da paisagem ou o cenário, e os agentes individuais qualificados e com seus direitos pessoas respeitados. Temos cenários e atores. Faltou o enredo, o script, a história. Aqui está o divisor de águas entre liberais e não liberais. Para os liberais, o processo gerador de riqueza é, obviamente, resultado da ação humana, mas não da ação humana deliberada. Para os liberais, os esforços individuais pelo próprio bem-estar pessoal acabam gerando a melhoria de todos. Predomina, no espírito liberal, a autonomia da iniciativa individual e, quando isso ocorre em clima condizente com o respeito à propriedade privada, florece o bem-estar geral. Pelo menos, é essa a lição da história. Para os não liberais, faz-se necessária a presença governamental, de maneira que a sua vontade deliberada produza e conduza, em graus variáveis de intervenção na economia, a riqueza nacional. Para os liberais, o script apenas se torna conhecido a posteriori, ao passado que para os não liberais ele deve ser definido a priori pelos detentores dos poderes públicos.

Para os liberais, o processo gerador de riqueza é, obviamente, resultado da ação humana, mas não da ação humana deliberada. Para os liberais, os esforços individuais pelo próprio bem-estar pessoal acabam gerando a melhoria de todos. Predomina, no espírito liberal, a autonomia da iniciativa individual e, quando isso ocorre em clima condizente com o respeito à propriedade privada, florece o bem-estar geral.

Mas, qual é a lição da história? A de que há uma expressiva correlação entre liberdade econômica individual e desenvolvimento econômico. E de que há uma correlação entre a preservação da liberdade econômica individual e a existência de instituições capazes de assegurá-la, isto é, o Estado de Direito e a economia de mercado.

Isto posto, a riqueza das nações depende de haver de fato um Estado de Direito e seu filho dileto e dependente, a economia de mercado. Sem esquecer, é claro, da qualidade do capital humano.

Mais recentemente, vem crescendo nos Estados Unidos a consciência a respeito de mais um elemento importante na equação do processo de desenvolvimento econômico e do problema da pobreza. Nos Estados Unidos, desde a inauguração dos programas de welfare e de combate específico à pobreza, já foram gastos 5 trilhões de dólares, ou pouco mais, na “guerra à pobreza”, através de vários programas governamentais. Como resultado – direto ou indireto -, a pobreza não diminuiu; na realidade, aumentou um pouco. Mas isso não é pior: aparentemente, esses programas que consumiram mais de 5 trilhões de dólares acabam gerando um novo tipo de pobreza: a pobreza comportamental, estimuladora do desemprego profissional e da mãe solteira. Seu resultado tem sido a degradação da conduta pessoal e da própria instituição da família. Um de seus subprodutos é o aumento da criminalidade, com a participação crescente dos filhos de mães solteiras ou de famílias desfeitas.





















PUBLICADAEMhttps://www.institutoliberal.org.br/biblioteca/textos-og-f-leme/como-desenvolvimento-economico-proporcionou-riqueza-das-nacoes/

Com tudo isso, o que eu faria?

 A Toca do Lobo


Minha relação com o dinheiro é puramente platônica: eu o admiro de longe, ele me evita ativamente. Por isso, quando leio que alguém assinou um contrato de 129 milhões de reais, sendo pagos com 3,6 milhões por mês, meu primeiro instinto não é inveja, mas a vontade de buscar um psiquiatra para tratar a minha noção de realidade. É uma quantia tão obscena que, se eu a tivesse, eu provavelmente passaria o resto da vida me escondendo num bunker, com medo de que o universo me cobrasse o troco.


O caso em questão envolve uma advogada cuja trajetória jurídica é tão invisível quanto a ética em um cassino de beira de estrada. O sujeito, que faria Tio Patinhas sentir-se um humilde pedinte, paga uma fortuna para ser representado por ela. Mas aí vem a reviravolta digna de um roteiro de Kafka filmado pelo Jerry Lewis: quando o sujeito sente o bafo quente da justiça no cangote, ele, curiosamente, não liga para a sua caríssima defensora, que pelo preço deveria ser a melhor conselheira jurídica do universo. Ele liga para o marido dela. 🤔


É uma coreografia fascinante. O marido, por um acaso do destino (ou por uma conspiração de deuses muito entediados), ocupa um cargo tão alto na hierarquia do universo que ele praticamente decide se a gravidade continua valendo para o resto de nós.


É o tipo de comportamento que me faz questionar a natureza da realidade. É como se um camarada pagasse uma fortuna para uma cardiologista renomada, mas, ao sentir uma pontada no peito, ignorasse o estetoscópio da doutora e ligasse para o marido dela para perguntar se deve tomar uma aspirina ou apenas aceitar o seu próprio fim.


O que temos aqui? Seria um caso de machismo anacrônico, onde o cliente ignora o "talento" milionário da contratada em favor da autoridade de seu "humilde" esposo, ou estamos diante daquela velha e clássica arquitetura de "fachada", onde o dinheiro entra por uma porta jurídica para que a influência saia pela janela dos fundos?


Sigo perplexo no meu mundinho modesto, onde por pagamentos de mais de 3 milhões de reais por mês, eu esperaria que a advogada não apenas me defendesse, mas que também realizasse alguns milagres menores, como transformar água em vinho ou me fazer entender o sucesso de crítica dos filmes do Kleber Mendonça Filho. Mas, aparentemente, no andar de cima, o que se compra não é o saber jurídico, mas sim o telefone certo para se ligar na hora do desespero.


A Toca do Lobo 


















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O que acontece com o preço do petroleo?

 professorchristian/faceboo


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Suprema impopularidade: 6 em cada 10 brasil. não confiam no STF

 caiocoppolla/youtube


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https://www.youtube.com/watch?v=JekGRKCw70g

O que Mendonça MAIS quer saber de Vorcaro na delação: veja!

 deltandallagnol/youtube


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Delação de Vorcaro vai mostrar interferência de Moraes no Banco Central!

 andrémarsiglia/youtube


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“Agente Secreto”: Campanha para o Oscar e o viés político

 brasilparalelo/youtube


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Ministros do STF confessam temor com delação explosiva de Vorcaro

 revistaoeste/youtube


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ABSURDO: Lula defende o Irã e ataca os EUA em palco internacional!

 rubinhonunes/youtube


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RECEBEM AUXILIOS ATÉ PARA COISAS QUE NUNCA DEVERIAM TER AUXÍLIOS

 ANJODASSOMBRAS/THREADS


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A FARSA DA 3 VIA

 DEP.PROF.CLAUDIOBRANCHIERI/INSTAGRAM


Querem vender a ideia de uma tal terceira via. Mas no fundo é o mesmo Brasil de sempre. Mais Estado, mais burocracia e menos liberdade. O Brasil não precisa voltar ao tempo do petrolão e do mensalão.



segunda-feira, 23 de março de 2026

O mecanismo do bode expiatório no Brasil

  Alex Pipkin


Reler René Girard no Brasil de 2026 não é um exercício acadêmico. Evidente que não. É testemunhar a autópsia de um rito de sangue.

Girard ensinou que sociedades em crise buscam a paz através de um sacrifício coletivo. Durante anos, o “bolsonarismo” foi o lugar onde o consórcio entre o lulopetismo e a cúpula do Judiciário operou uma perseguição constitucional. Sob o pretexto de “salvar a democracia”, ergueram uma catedral de exceção, em que o arbítrio era santificado pela urgência de exterminar o “mal absoluto”.

Para que o feitiço funcionasse, era necessário um braço litúrgico. Claro, a Rede Globo. Ao invadir o santuário dos lares brasileiros, a emissora vendeu a “Mentira Romântica” de Girard, distorcendo a realidade para os desavisados.

O jornalismo, com “J” maiúsculo, foi executado e substituído por uma pregação ideológica que fabricou a ficção de um “golpe permanente” para justificar a divinização de Alexandre de Moraes. Mas o mecanismo do bode expiatório exige a fé cega na pureza do sacrificador – e essa fé apodreceu.

O espetáculo mais emblemático dessa decomposição ocorreu no Estúdio I. Ali, Andréia Sadi, arquétipo da militância travestida de notícia, foi tragada pela força centrífuga dos fatos. Enfeitiçada por anos de uma dissonância cognitiva “progressista”, ela se viu nua, obrigada a gaguejar a verdade que sua própria emissora tentava asfixiar.

A mudança de tom não é ética; é o pânico do sobrevivente que percebe que o barco do “sistema” está fazendo água. Quando Demétrio Magnoli afirma que a nota de Moraes foi “incinerada” pelos fatos, o mito desmorona. O escândalo do Banco Master e as mensagens com Daniel Vorcaro revelam o que Girard chama de “crise de indiferenciação”, em que o perseguidor tornou-se o espelho fiel do crime que jurou combater. O “salvador” da ordem é agora o epicentro da podridão.

Aqueles que reivindicaram o status de vítimas para se tornarem os novos vitimizadores agora encaram a própria face monstruosa. A Globo recua porque o ídolo de barro está rachando sob o peso da própria soberba. Como Girard advertiu, a violência que veste o traje da justiça absoluta é a mais perigosa, mas é também a que mais rápido se desintegra quando o sangue no altar deixa de purificar e passa apenas a sujar as mãos de quem o derrama.

A farsa acabou. O que nos resta é a visão obscena de um tribunal que, de tanto caçar monstros para salvar a democracia, acabou por devorá-la no jantar, servida por uma imprensa que agora tenta limpar o batom do rosto enquanto o cadáver do Estado de Direito esfria na sala de estar.















PUBLICADAEMhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/o-mecanismo-do-bode-expiatorio-no-brasil/


Lula em pré-campanha: Ataques a Bolsonaro revelam desespero?

 revistaoeste/youtube


 Lula em pré-campanha: Ataques a Bolsonaro revelam desespero?


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‘Abrasileirar’ preços artificialmente pode causar DESabastecimento

 caiocoppolla/youtube

 

‘Abrasileirar’ preços artificialmente pode causar DESabastecimento 


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DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS? A NOVELA DOS COMBUSTÍVEIS

 BIGODENEWS/FACEBOOK


DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS? A NOVELA DOS COMBUSTÍVEIS ​O que antes era "crime eleitoral", hoje é "solução econômica". Você já percebeu como a regra muda dependendo de quem está no poder?



Eleições parlamentares ou feira eleitoral?

 percivalpuggina/youtube


Eleições parlamentares ou feira eleitoral?

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O crime que não foi punido por causa de três dias

 brasilparalelo/youtube


O crime que não foi punido por causa de três dias


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STF sofre sua maior DERROTA até hoje!

 deltandallagnol/youtube


STF sofre sua maior DERROTA até hoje!


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https://www.youtube.com/watch?v=WTdL-HTPbic

ESCÂNDALO EM MIAMI: Ministro de Lula deve ser denunciado ao governo americano!

 rubinhonunes/youtube


ESCÂNDALO EM MIAMI: Ministro de Lula deve ser denunciado ao governo americano!

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https://www.youtube.com/watch?v=h6jDxgvyLgE

COMO SERIA O BRASIL SE NÃO TIVESSEMOS TANTOS CORRUPTOS

 CARLOS ALEXANDRE/INSTA


Se a corrupção fosse erradicada, o Brasil passaria por uma transformação profunda em praticamente todas as áreas básicas. Aqui estão os pontos principais de como essa mudança impactaria o país: Saúde e Educação: Recursos que hoje são desviados seriam reinvestidos em infraestrutura hospitalar



O Maranhão está virando um deserto humano

andrécosta/instagram 


O Maranhão está virando um deserto humano. Milhares de brasileiros estão fazendo as malas e indo embora. O que já foi um dos estados mais ricos do Brasil hoje amarga: ▪️ A maior taxa de pobreza do país ▪️ O menor IDH ▪️ O menor PIB per capita 



domingo, 22 de março de 2026

Amigos da Corte — e as dúvidas que não pedem licença

  Lexum 


Em fevereiro deste ano, durante julgamento no plenário do STF sobre o referendo de liminares que suspenderam verbas indenizatórias acima do teto constitucional, o advogado Jonas Modesto da Cruz, representando o Sindicato Nacional dos Magistrados como amicus curiae, criticou uma decisão monocrática do ministro Flávio Dino e afirmou que os agravos interpostos pela entidade estavam “como corpo sem alma, sem processamento”. O ministro Alexandre de Moraes pediu a palavra e reverteu a expressão: “Corpo sem alma é um amicus curiae subir à tribuna para criticar o tribunal.” Na sequência, enunciou o princípio: “Amigo da Corte não é inimigo da Corte.” O amicus curiae, explicou, não atua para defender interesse próprio — existe para auxiliar o tribunal. A definição é correta. Mas merece um complemento que o ministro omitiu: o verdadeiro amigo de uma corte não é aquele que a aplaude em silêncio — é aquele que tem o dever de apontar quando ela se desvia do caminho. Críticas são o preço saudável da autoridade pública. O elogio incondicional, que não se confunde com auxílio, é que deveria despertar suspeita.

Naquele mesmo dia, durante o julgamento que resultou na condenação unânime dos assassinos de Marielle Franco, uma falha técnica travou os slides de sua apresentação. O ministro reagiu com ironia: “Querem me derrubar faz tempo” — e completou: “Eu nem vou fazer aquela brincadeirinha de que cabeças vão rolar porque vão.” Aliados classificaram a fala como humor diante do contratempo. Críticos viram outra coisa. Que cada um tire suas conclusões.

Dito isso, caro leitor, guarde essa ideia. O que se segue ocorreu antes — em novembro do ano passado — mas só chegou ao conhecimento público em reportagem recente. São 7h19 do dia 17 de novembro. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, envia uma mensagem para o número do ministro Alexandre de Moraes: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?” Horas depois, a Polícia Federal cumpre o mandado de prisão. O celular é apreendido. As mensagens, lidas. É o que relata Malu Gaspar, em reportagem publicada ontem no jornal O Globo, com base em informações extraídas do aparelho do banqueiro apreendido por ocasião de sua primeira prisão. O ministro, por meio da assessoria de imprensa do STF, negou ter recebido as mensagens e classificou a reportagem como “ilação mentirosa” destinada a atacar o Supremo Tribunal Federal. A defesa de Vorcaro preferiu não comentar.

Ficam, portanto, os fatos, dos pequeninos aos maiores que não nos deixam em paz — insistindo, com a teimosia das coisas que não têm resposta, em semear dúvidas que não pedem licença para germinar. E eles já são suficientes para uma reflexão que prescinde de qualquer julgamento sobre o que ocorreu — ou não ocorreu — entre as partes.

Vejamos o que se sabe, até o momento. Segundo reportagem de Mônica Bergamo publicada ontem na Folha de S.Paulo, Vorcaro não escondia que se considerava amigo de Moraes e afirmava que o escritório Barci de Moraes Associados — cujos sócios incluem a mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, e os dois filhos do magistrado, Giuliana e Alexandre Barci de Moraes — prestou serviços ao Banco Master, entre eles — segundo a matéria, e a palavra merece ser lida com vagar — a confecção de manuais de compliance da instituição. Mas o que o contrato previa ia além disso. Reportagem de Rafael Moraes Moura, publicada em janeiro deste ano no blog de Malu Gaspar no Globo, revelou que o acordo, assinado em 16 de janeiro de 2024, previa atuação “estratégica, consultiva e contenciosa” perante o Judiciário, o Ministério Público, o Legislativo e o Executivo — e estipulava honorários de R$ 3 milhões líquidos por mês, o que totalizaria cerca de R$ 130 milhões até o início de 2027, ano em que Alexandre de Moraes assumirá a presidência do STF pelo critério de antiguidade.

Apesar dessa previsão contratual expressa, a mesma reportagem revela que o trabalho da advogada é desconhecido em pelo menos três dos quatro órgãos do Executivo onde ela supostamente deveria atuar: o Banco Central, o CADE e a PGFN. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, consultada via Lei de Acesso à Informação, informou que não foi identificado registro de ingresso da advogada em suas instalações entre janeiro de 2024, quando o contrato entrou em vigor, e dezembro de 2025. O CADE afirmou que nem Viviane nem representantes do escritório tiveram reunião para tratar da compra do Master pelo BRB nem para discutir outros casos relacionados ao banco desde pelo menos janeiro de 2024. A reportagem revela ainda que o ministro Alexandre de Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master — ao menos três contatos por telefone e ao menos um encontro presencial.

Nada disso, segundo o ministro, corresponde à realidade. Nada do que foi relatado foi judicialmente comprovado. Mas o acúmulo de informações produz uma imagem que seria imprudente ignorar, e que não depende de qualquer condenação para merecer exame.

A república exige distância. Não a distância fria das formalidades vazias, mas aquela separação quase instintiva que protege as instituições contra a intimidade do poder. Ela vive de fronteiras invisíveis — entre o público e o privado, entre o juiz e a parte, entre a autoridade e o interesse. Quando essas fronteiras são postas à prova, o problema republicano raramente está nas ilegalidades explícitas. Está em algo anterior e mais sutil: na arquitetura das relações que se permitem existir.

Confiança pública não se constrói sobre consciências — constrói-se sobre aparências verificáveis. O que ocorre no interior de cada consciência é um fenômeno íntimo — “passado lá onde não entra olho de homem”, como escreveu Machado de Assis. E é precisamente por isso que a república não pode repousar sobre ele. A velha máxima do direito inglês permanece atual: a Justiça não deve apenas ser feita — deve também parecer que está sendo feita. À mulher de César não bastava ser honesta — ela precisava parecer honesta. Porque tribunais não governam pela força. Não têm exércitos, não têm polícia própria, não têm votos. Governam por autoridade moral, que é um ativo frágil — demora décadas para se construir e pode se deteriorar em poucos episódios de proximidade imprudente.

Essa lógica tem um corolário específico para o juiz que se vê envolvido, direta ou indiretamente, em causa que lhe diz respeito. Como advertia Mauro Cappelletti: “O juiz que decidisse a controvérsia sem pedido das partes, não oferecesse à parte contrária razoável oportunidade de defesa, ou se pronunciasse sobre o seu próprio litígio, embora vestindo a toga de magistrado e a si mesmo se chamando de juiz, teria na realidade cessado de sê-lo.” A toga não confere imunidade à parcialidade — apenas a torna mais difícil de enxergar.

Para lidar com essa tensão, o direito moderno desenvolveu instrumentos precisos: impedimento, suspeição, dever de reserva e normas de ética judicial. Todos partem de uma mesma premissa civilizatória — o juiz não precisa apenas ser independente; ele precisa viver em condições que tornem essa independência visível. O problema começa quando essas cautelas passam a ser tratadas como formalidades antiquadas, quando se instala a crença de que a integridade pessoal do magistrado é suficiente para neutralizar qualquer proximidade. Instituições não são construídas sobre virtudes pessoais. São construídas sobre regras que limitam as circunstâncias em que a virtude pode ser posta à prova. Nenhuma república que se funde nisso dura muito tempo.

Há uma agravante específica ao momento brasileiro. Quanto mais poder uma corte acumula — e o STF acumulou muito, nas últimas décadas, intervindo em processos eleitorais, reordenando competências, arbitrando conflitos que o sistema político não conseguiu resolver —, maior deve ser a disciplina institucional que a cerca. A expansão da autoridade judicial exige, como contrapartida necessária, um aumento proporcional das barreiras republicanas. A história oferece um paralelo instrutivo: em 1937, sob pressão frontal de Roosevelt e seu court-packing plan, a Suprema Corte americana sobreviveu recuando — o célebre “switch in time” reduziu sua intervenção e reafirmou deferência. Foi autopreservação por contenção. O padrão inverso — autopreservação por expansão — produz um resultado distinto: não autoridade reforçada, mas autoridade fragilizada. Porque, repita-se quantas vezes for necessário, a atribuição e o dever do Judiciário é dizer o que a lei é, não o que ela deveria ser — e essa fronteira só se sustenta quando o próprio ambiente em que os magistrados operam é compatível com ela.

Vorcaro chegava a exibir a tornozeleira eletrônica para argumentar que nenhuma interferência havia ocorrido em seu favor: se o ministro tivesse interferido de fato, raciocinava o ex-banqueiro, ele não se encontraria monitorado 24 horas por dia em prisão domiciliar. É um raciocínio cômodo — sobretudo quando o caso já se encontrava sob a luz intensa do escrutínio público. Mas não dissolve a questão de fundo, que não diz respeito a Vorcaro, nem ao ministro, nem às mensagens cuja existência permanece disputada. Diz respeito à pergunta que a república é obrigada a fazer sempre que esse tipo de situação emerge: as condições em que essas relações se desenvolveram eram compatíveis com a dignidade da função?

Essa pergunta não pressupõe culpa. Pressupõe apenas o reconhecimento de que aparências importam, e que a Justiça, para continuar sendo Justiça, precisa continuar parecendo algo que pertence a todos — e não um ambiente onde alguns poucos se encontram com familiaridade.

Crises institucionais raramente começam com grandes rupturas. Começam com pequenas permissões. Uma amizade que parece inocente. Um contrato milionário celebrado com o escritório da família, prevendo atuação perante as mesmas instituições que um ministro da mais alta corte do país pode influenciar. Uma mensagem enviada — ou não — às sete da manhã. A soma dessas pequenas permissões vai alterando, lentamente, o ambiente institucional, até que o que antes exigiria cautela passa a ser tratado com naturalidade. E é esse processo, não este ou aquele episódio isolado, que a república tem obrigação de examinar.

Em fevereiro, ao reagir à crítica feita da tribuna, o ministro afirmou que um amigo da Corte não poderia agir como inimigo dela. A observação merece ser lembrada — não para discutir quem critica ou quem defende o tribunal, mas porque ajuda a iluminar a pergunta que os fatos de hoje deixam suspensa no ar. Cortes constitucionais não se preservam pela imunidade à crítica, mas pela confiança que suas próprias condutas inspiram. A toga exige uma forma particular de solidão. Não porque magistrados sejam superiores aos demais cidadãos, mas porque a autoridade que exercem só se sustenta enquanto permanecer acima da suspeita de que serve a alguns mais do que a todos.

O ministro negou. O caso pode não ter desdobramentos jurídicos. E ainda assim a situação toda permanece, na palavra mais precisa disponível, estranha. Não pela ilegalidade que não foi provada, mas pela normalidade que foi revelada.

Leonardo Corrêa — sócio de 3C LAW | Corrêa & Conforti Advogados, com LL.M pela University of Pennsylvania, Cofundador e Presidente da Lexum e autor do livro A República e o Intérprete — Notas para um Constitucionalismo Republicano em Tempos de Juízes Legisladores.

*Artigo publicado originalmente no site da Lexum.













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