Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

-

CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Na trilha da próxima eleição

  Ricardo Vélez-Rodríguez 


Que estamos vivendo tempos autoritários, sob o tacão de ferro da ditadura da Juristocracia, não há dúvida; mas, mesmo assim, podemos comemorar algumas vitórias. Como a da rejeição, pelo Senado, do nome do pupilo de Lula, o Messias, da Advocacia-Geral da União, indicado para integrar o STF. O Senado da República cumpriu a contento com a sua missão e rejeitou o nome proposto por Lula. Dizem os historiadores que é um fato inédito nos últimos 134 anos de vida republicana. O certo é que o eleitorado, cansado do autocratismo lulista, decidiu pressionar o Congresso. E a pressão deu certo! É uma vitória significativa. E a porta está aberta para outras conquistas. Valeu pressionar os senadores conhecidos. Valeu cutucar com vara curta aquele senador em quem votamos. A pressão deu resultado!

Impressiona-me muito a vontade de ferro da jovem geração liberal-conservadora que passou a integrar, progressivamente, o Congresso brasileiro. Conheço alguns, como o corajoso Marcel van Hattem, que não tem papas na língua e que virou a assombração temida pelos parlamentares do PT. Corajoso, o jovem deputado gaúcho aspira a ser eleito senador pelo Rio Grande do Sul. Sem firulas. Não deixa passar sem dar o troco as safadezas quase cotidianas das velhas raposas petistas e da esquerda em geral. Olhando para o exemplo dele e de outros jovens parlamentares, chego à conclusão de que vale a pena comprar brigas para fortalecer a nossa representação.

Adorei o teatrinho de bonecos montado pelo jovem empresário e candidato à Presidência, o ex-governador de Minas Romeu Zema, que atrapalhou o grotesco rebolado do ministro Gilmar Mendes, tão pouco acostumado à fina ironia mineira. Peço ao jovem candidato que não guarde os seus bonequinhos e que faça bastante uso deles para tirar o sono das suas excelências, com a linguagem coloquial que o povo adora e que os juristocratas temem.

Otimismo com a próxima eleição

Como não ficar mobilizado diante da atitude corajosa de deputados e senadores que revidam as safadezas governistas e lutam pela defesa dos interesses daqueles que são perseguidos pela atual ditadura, especialmente as pessoas comuns que amargam penas desproporcionais, pelo fato de terem sido presas, desprevenidas, na Praça dos Três Poderes naquela fatídica tarde do 8 de janeiro de 2022? Detalhe: ao escutarem os seus eleitores e cumprirem com o que eles esperam como seus representantes, os nossos congressistas põem, também, a cabeça a prêmio. Vários já têm sido ameaçados com a perda do mandato. Vivemos, afinal de contas, numa ditadura tão nojenta como a que se instalou nos anos 1960 do século passado, ao ensejo do AI-5, porque o deputado ou o senador que contrariar os interesses da casta dominante fica em risco de ver o seu mandato cassado pela suprema Juristocracia, como já aconteceu com o deputado Daniel Silveira.

Lembro-me daquela jovem cabeleireira, Débora, que protestou contra os juízes corruptos escrevendo com batom na estátua da Justiça da Praça dos Três Poderes, a frase dita por um dos magnatas do STF quando cobrado por um brasileiro nas ruas de Nova York? “Perdeu, mané” significou, para Débora do Batom, a absurda condenação a 14 anos de prisão! A imagem da Justiça cega e equânime que vemos nos livros de educação moral e cívica já não é a mesma. É uma juíza ativista vestida de vermelho e inimiga de todo aquele que cobre dos donos do poder um pouco de decência e de justiça.

A batalha que se desenha no horizonte e da qual já começamos a participar é pelo resgate da Justiça no seio do Estado brasileiro. Concretamente, para o expurgo dos magistrados corruptos que fizeram dos seus cargos espaço para perseguir os cidadãos que ousarem reclamar. Nem falar dos excessos de enriquecimento ilícito com os bilhões desviados para contas particulares e para o exercício da Juristocracia!

Faço aqui a minha homenagem de cidadão aos jovens amigos liberais e conservadores que participam de grupos de reflexão e de formação política e que não deixam passar em brancas nuvens os atentados dos juristocratas contra os cidadãos deste país.

Publicado originalmente na Revista Oeste. 









publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/na-trilha-da-proxima-eleicao/

Em 4 de Outubro de 2026 o Brasil será julgado por si mesmo

 Jober Rocha


Há momentos em que uma eleição deixa de ser apenas uma disputa entre candidatos e se transforma num exame moral de uma nação inteira. O Brasil chegará a esse momento em 4 de outubro de 2026. 


Naquele domingo, não será apenas um governo que estará em julgamento. Será o próprio povo brasileiro.


Depois de décadas de corrupção sistêmica, aparelhamento institucional, crescimento do crime organizado, decadência educacional, esmagamento tributário da classe produtiva e destruição progressiva da confiança nacional, ninguém mais poderá alegar ignorância. O brasileiro conhece o país em que vive. Conhece os hospitais abandonados, as escolas fracassadas, as estradas destruídas, a violência cotidiana, o custo sufocante para trabalhar, empreender e produzir. Conhece também o espetáculo obsceno de escândalos públicos que se sucedem sem vergonha e sem consequências reais.


O que estará diante das urnas em 2026 não será uma simples escolha administrativa. Será uma pergunta brutal: O Brasil ainda deseja sobreviver como uma nação séria ou aceitou definitivamente sua condição de república saqueada?


Porque há algo profundamente degradante em um povo que aprende a conviver com o escândalo permanente sem reagir. Há algo de moralmente corrosivo numa sociedade que transforma corrupção em folclore, desperdício em rotina e cinismo em inteligência política.


Os defensores do atual projeto de poder continuarão dizendo que tudo não passa de “narrativa da oposição”, que as críticas são exageradas ou que qualquer alternativa representaria ameaça à democracia. Mas o cidadão comum já sente no corpo aquilo que os discursos tentam maquiar: perda de poder de compra, medo nas ruas, desesperança econômica e a percepção crescente de que o Estado brasileiro serve mais aos grupos organizados que vivem dele do que ao povo que o sustenta. 


Enquanto isso, o país assiste a uma expansão contínua da máquina pública, à multiplicação de privilégios políticos e à asfixia de quem trabalha honestamente. Empreender tornou-se um ato de resistência. Produzir virou punição. Sustentar a própria família exige enfrentar impostos sufocantes, burocracia humilhante e insegurança permanente.


Ao mesmo tempo, cresce a sensação de que o Brasil perdeu soberania moral. Parte da elite política demonstra complacência com regimes autoritários estrangeiros, relativiza violações de direitos humanos quando ideologicamente convenientes e trata democracias liberais com mais hostilidade do que ditaduras alinhadas politicamente.


Mas talvez o mais grave seja outra coisa: a normalização da decadência.


O brasileiro foi lentamente treinado para aceitar o absurdo como inevitável. Aprendeu a rir da corrupção porque perdeu a esperança de combatê-la. Aprendeu a sobreviver em vez de exigir grandeza. Aprendeu a chamar a mediocridade de pragmatismo. 


É isso que fará da eleição de 2026 um divisor histórico.


Se, conhecendo tudo o que viu, tudo o que sofreu e tudo o que lhe foi revelado, a maioria optar novamente pela continuidade do mesmo projeto político, estará fazendo mais do que uma escolha eleitoral. Estará assinando um pacto consciente com o modelo de país que existe hoje. Não poderá depois alegar surpresa diante da estagnação, da violência, do descrédito institucional ou da fuga de talentos e investimentos 


Povos também colhem aquilo que decidem tolerar.


Nenhuma nação se destrói apenas por causa de maus governantes. Nações se destroem quando seus cidadãos passam a considerar a degradação algo normal.


Mas existe outro caminho.


Se o Brasil escolher uma ruptura real com o ciclo atual, elegendo lideranças comprometidas com responsabilidade fiscal, liberdade econômica, combate duro ao crime organizado, valorização do mérito, redução do peso do Estado e defesa firme das liberdades individuais, talvez ainda seja possível recuperar algo que o país vem perdendo há muito tempo: dignidade nacional.


Porque um povo só volta a ter orgulho da própria terra quando sente que o esforço honesto vale mais do que o privilégio político. Quando percebe que a lei protege o cidadão em vez de sufocá-lo. Quando trabalhar deixa de ser castigo. Quando empreender deixa de ser heroísmo. Quando a verdade volta a valer mais do que propaganda.


O dia 4 de outubro de 2026 talvez não resolva todos os problemas do Brasil, mas revelará algo decisivo: se os brasileiros ainda desejam construir uma nação livre, próspera e respeitável ou se já desistiram silenciosamente dela.



















publicadanowhatsapp

“Escola Woke”: um dossiê imprescindível

  Lucas Berlanza 


Lançado pelo Instituto Livre pra Escolher, com apoio do Instituto Liberal, o livro Escola Woke: como o método Paulo Freire foi retrofitado para os dias de hoje, de autoria da professora Anamaria Camargo, é uma denúncia poderosa da engenharia internacional por detrás da apropriação ideológica da educação. Trabalhando extensamente sobre documentos oficiais e casos concretos, a obra é uma das mais importantes dos últimos tempos, procurando demonstrar, conforme resume a PhD em Educação Nine Borges na quarta capa, que existe “uma aliança entre o Estado brasileiro e organizações nacionais e internacionais, a qual instrumentaliza a educação para fins políticos aliciando e recrutando ativistas desde a infância”.

Com prefácio de Arthur Pinheiro Machado, a obra de Anamaria tem o objetivo de orientar o leitor em geral, mas particularmente os genitores, a “entender como o wokismo, explícito nas políticas públicas para a Educação no Brasil, pode impactar o ensino nas escolas públicas e privadas, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio; identificar e reagir à insidiosa presença do wokismo nos contextos cotidianos em que a educação escolar dos seus filhos está incluída” e “incentivar mudanças que permitam escolhas realmente livres”. Camuflando-se pela distorção do significado de termos conhecidos, corrompidos sem que a maioria das pessoas se desse conta, aquilo que se chama de “wokismo” tem um poder de penetração maior nas escolas do que o Marxismo tradicional, tornando-se um problema mais pronunciado na contemporaneidade.

A premissa do livro, exposta já na introdução, dá conta de que o wokismo é “a seita baseada na crença de que todas as relações sociais e tudo o que a sociedade produz resultam da ação, consciente ou não, de grupos que desejam manter os sistemas de poder que os beneficiam, às custas de grupos oprimidos, marginalizados”. Entre tais sistemas de poder, incluir-se-iam o “racismo estrutural”, a homofobia ou a opressão feminina. Quanto mais aspectos descritivos de uma pessoa – sua etnia, seu gênero, sua orientação sexual, sua religião, seu peso – forem considerados oprimidos por um desses ditos sistemas de poder, mais essa pessoa será vista como vítima, cabendo àqueles que estão “despertos” para essa grande verdade da opressão generalizada a missão de “transformar a sociedade ocidental, fundada em valores judaico-cristãos, em uma sociedade fundada na justiça social”, emancipada dessas opressões. Isso justificaria, como bem ilustra Anamaria, intimidar e impor uma condição subalterna a alunos que estariam enquadrados nas categorias ditas “opressoras”, como que a constrangê-los à autodepreciação.

A definição do wokismo como uma seita, compartilhada por Anamaria com outros autores, é uma das ideias mais interessantes do trabalho. A autora lembra que essa linha de pensamento tem características religiosas, como o culto a gurus carismáticos e a promessa de estar apresentando uma grande verdade secreta que apenas os “iluminados” apreenderiam – nesse caso, não por meio de um líder espiritual ou uma fraternidade de seres místicos, mas por uma suposta “consciência crítica”. Também compara as táticas de recrutamento dos jovens para esses movimentos wokes ou identitários às táticas de seitas místicas propriamente ditas, incluindo a exortação ao isolamento do resto da sociedade, o acolhimento e os ritos de passagem, seguidos de ameaças de que talvez o recrutado não esteja à altura do grupo, para garantir sua fidelização.

No capítulo “Aprendizagem socioemocional – A teoria pedagógica da Escola Woke, Anamaria explica que o que se chama de “aprendizagem socioemocional” conquista aceitação como política educacional porque qualquer pai ou mãe desejará que seus filhos desenvolvam competências socioemocionais. Contudo, isso faz dos programas voltados a essa área um disfarce perfeito para a inoculação do vírus woke. Um dos principais responsáveis por isso, conforme demonstra Anamaria, tendo tomado de assalto as recomendações de documentos oficiais da burocracia educacional brasileira e mesmo as escolas norte-americanas, é o Casel, organização não-governamental fundada por líderes ligados à Teosofia – corrente esotérica desenvolvida pela russa Helena Blavatsky (1831-1891). Entre as lideranças mais recentes dessa instituição, conectadas diretamente à Organização das Nações Unidas, está Linda Darling-Hammond, muito influente nas políticas educacionais do governo Obama nos EUA, que expressamente utiliza o pensador marxista brasileiro Paulo Freire (1921-1997) como referência intelectual para o processo de Aprendizagem socioemocional. Essa genealogia das ideias exposta com riqueza de detalhes por Anamaria revela como as abordagens preconizadas pelo Casel visam a “preparar” os alunos para protagonizarem a transformação completa dos “sistemas de poder”, de maneira análoga àquela pela qual Freire queria, no fundo – ou nem tão fundo assim -, uma “pedagogia crítica” que projetasse os estudantes para desafiarem os limites do “sistema capitalista”. Sob as diretrizes do Casel, todos os planos de aula nas escolas devem contemplar a orientação das perspectivas críticas que fundamentam a teoria woke, como a Teoria Crítica da Raça, a Teoria de Gênero, a Teoria Queer, a Teoria pós-colonial ou os Estudos de Gordura, “capacitando” as crianças e jovens para destruir o mundo em que vivem e criar um mundo de “justiça social”.

No capítulo “Método Paulo Freire Transformativo: a prática pedagógica da Escola Woke”, Anamaria se concentra na obra de Paulo Freire, mostrando como, apesar de ele não ter pretendido exatamente, em sua época, desfraldar a bandeira do wokismo, sua metodologia e suas ideias foram convenientemente apropriadas pelos defensores dessa agenda no Brasil e no exterior. Conforme procura demonstrar a autora, o Método Paulo Freire não é um método de alfabetização, mas “a organização em etapas de um processo de aliciamento e doutrinação que tem por objetivo a conscientização do estudante, de modo que ele passe a entender que o capitalismo e as instituições que reproduzem essa ideologia – a educação e a família, por exemplo – mantêm o poder dos opressores e impedem os oprimidos de se reconhecerem como criadores de si mesmos e da sociedade”.

O que wokes como os integrantes do Casel tiveram que fazer para consolidar seu projeto foi basicamente adaptar essa estrutura freiriana a questões não-exclusivamente econômicas. O capítulo explicita o problema com uma análise de documentos sobre Aprendizagem Socioemocional do próprio Ministério da Educação brasileiro, contemplando as teses preconizadas por esses grupos. Essa compilação se aprofunda no capítulo seguinte, “O manual do MEC para a efetivação da Escola Woke, em que Anamaria destaca trechos do Manual de implementação escolar – estratégia de desenvolvimento socioemocional divulgado pelo órgão, mostrando, sem margem para dúvida, sua complementaridade com os documentos do Casel e com o pensamento de Paulo Freire.

O capítulo “Formando professores para a Escola Woke documenta a presença do wokismo e da Aprendizagem Socioemocional nos textos orientadores da formação de pedagogos nos EUA e, principalmente, no Brasil. “A violência na Escola Woke, por sua vez, mostra como a ideologia woke contribui para “normalizar” a prática da indisciplina e até da violência nas escolas, compreendendo-as como resultados de reações aos sistemas de poder que se pretende demolir. “O globalismo e a Escola Woke destaca a influência do teórico crítico Herbert Marcuse (1898-1979) sobre a ideologia woke e oferece um oportuno arremate histórico, traçando uma síntese da trajetória de desenvolvimento do problema que o livro se propõe a diagnosticar. O último capítulo, “Entender para questionar a Escola Woke, elenca trechos de mais documentos do Ministério da Educação, argumentando, porém, através de perguntas, que atestam a vacuidade das citações e o quanto elas servem à pretensão de infiltrar agendas no ensino.

Cumprimento efusivamente a professora Anamaria Camargo por essa contribuição gigantesca que prestou ao país com a publicação de sua obra. É clichê dizer que as crianças encarnam o futuro de nossa sociedade, mas nem por isso menos verdadeiro. Em vez de libertá-las dos “sistemas de poder”, como querem aqueles denunciados pela autora, devemos libertá-las dos pregadores do ódio, do ressentimento, da inveja e da destruição. Escola Woke: como o método Paulo Freire foi retrofitado para os dias de hoje deverá constituir ferramenta imprescindível para esse objetivo.

















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/resenhas/escola-woke-um-dossie-imprescindivel/

'A toga e a lama'

 Ministros do STF viram verbetes na enciclopédia da corrupção Augusto Nunes -


Parece mentira, mas houve não faz tanto tempo um Brasil em que a honradez era a regra, e quem se arriscava a engordar o volume de exceções não se expunha apenas às punições previstas em códigos legais: também sofria o afastamento imposto pelos honestos. Guardo na memória o caso do gerente de banco perdido de amor pela bela forasteira recém-chegada à Casa da Diná, bordel mais concorrido da região. O cinquentão apaixonado exagerou na gastança com a jovem amante, sem reduzir as despesas com a família numerosa. Acuado pelo endividamento excessivo, sucumbiu à má ideia: dar um desfalque. 

Nenhum cliente perdeu dinheiro. O prejuízo foi engolido sem barulho pela direção do banco, que revidou com a demissão por justíssima causa. Esse seria o menor dos castigos. Muito mais dolorosa foi a exclusão social. Além do emprego, ele perdeu os amigos. Todos emparedados pelo isolamento e pela vergonha, o gerente, sua mulher e os quatro filhos primeiro sumiram dos bailes no clube, depois das sessões de cinema, em seguida das festas de aniversário e finalmente das ruas. Numa madrugada, a família deixou a cidade para nunca mais voltar. Naquele tempo, corrupção era crime hediondo e sem perdão. Hoje, quem diria?, um Brasil virado do avesso contempla com passividade bovina a chegada da ladroagem endêmica ao Supremo Tribunal Federal. 

Até o último verão, o comando do Judiciário era o único entre os Três Poderes que ficara fora dos sucessivos escândalos descobertos no primeiro quarto deste século. No último verão, o maior crime financeiro da história derrubou a fortaleza moral. Foi reduzida a escombros no fim de 2025, quando os ministros José Antonio Dias Toffoli e Alexandre de Moraes viraram verbetes de uma inevitável Enciclopédia Nacional da Infâmia. Ambos anabolizados por premiações em dinheiro distribuídas pelo dono do falecido Banco Master, Toffoli e Moraes garantiram a vaga no porão da História, nadando de braçada no pântano administrado por Daniel Vorcaro. Acabaram afundando até o pescoço. 

Passados quase seis meses, a dupla, que até recentemente fazia bonito no grupo da alta classe média, foi transferida para a primeira divisão reservada aos multimilionários. As fortunas embolsadas tornaram dispensáveis os rendimentos arrecadados por ministros do STF. Mas Toffoli e Moraes seguem no emprego, vestindo sem sinais visíveis de constrangimento a toga emporcalhada pela lama da corrupção. Malandragem impune é a norma. Honesto virou sinônimo de otário. 

Toffoli embolsou mais de R$ 40 milhões com as negociatas costuradas no Tayayá, único resort do planeta que não precisa de hóspedes para atrair interessados em comprá-lo por muito mais do que vale. Moraes já pode viver como o diabo gosta, graças a um contrato que não precisou assinar e nem menciona seu nome. Bastaram os garranchos manuscritos por Vorcaro e Viviane Barci, advogada casada com o ministro, para validar o documento. O texto informa que o dono do Master pagará R$ 129 milhões para dispor dos serviços da doutora Viviane entre janeiro de 2024 e dezembro de 2026. As entrelinhas revelam o preço acertado para que o pronto-socorro do mais poderoso ministro ficasse permanentemente à disposição do banqueiro bandido.

Toffoli anda meio sumido. Talvez tenha aprendido que culpa rima com cautela. Talvez esteja aprendendo como é a vida de nababo que não precisa fingir que trabalha. Talvez acredite que já cumpriu seu dever no curto período em que foi dono do caso do Master — e fez o que pôde para destruir as pilhas de provas colhidas pela Polícia Federal. O importante é que o silêncio do ministro tem poupado a gramática e a ortografia (além dos integrantes do Pretório Excelso que conseguiriam a aprovação no Enem) das medonhas sessões de tortura que impõe à língua portuguesa, sobretudo quando desanda em improvisos.

O súbito surto de discrição também poupa a Constituição e os códigos legais dos socos e pontapés aplicados pelo líder do ranking dos ministros que mais envergonharam o Supremo. Se as circunstâncias exigirem obscenidades urgentes, Alexandre de Moraes tem procuração para agir em nome de Toffoli. Juntos, eles criaram há quase sete anos o mais torpe inquérito da história do STF. Juntos, proclamaram em 2022 a ditadura do Judiciário. Juntos, anexaram o Supremo ao escândalo do Master. É provável que só se separem na disputa da primazia indesejada: um deles será o primeiro integrante da Corte punido com o impeachment. 

Por enquanto, Moraes faz de conta que continua acumulando os cargos de detetive, delegado, promotor, juiz e Primeiro Carcereiro — soma de funções que o transformou no Comandante Supremo da Democracia à Brasileira. Com a arrogância e a crueldade que balizam seu comportamento desde 2019, segue administrando uma imaginária Vara Criminal especializada em prender, multar e atormentar os perseguidos favoritos, além de garantir a prosperidade dos fabricantes de tornozeleiras eletrônicas.

A insolência patológica é anabolizada pela cumplicidade de colegas. Até agora, o único punido pelo enriquecimento criminoso de Moraes é o perito criminal João Cláudio Nabas, acusado de ter quebrado o sigilo que protegia o contrato assinado por Vorcaro e Viviane Barci de Moraes. Alvo de uma operação de busca e apreensão executada pela Polícia Federal, Nabas está suspenso das funções que exercia. Nestes trêfegos trópicos, é criminoso quem revela que um ministro do Supremo ganhou o equivalente a várias Mega-Senas acumuladas para manter em liberdade um parceiro fora da lei. Inocente é o juiz de araque que tenta esconder a resposta que deu à pergunta formulada pelo chefe da quadrilha: 

“Conseguiu bloquear?”. Bloquear a prisão de Vorcaro, o interpelado não conseguiu. Livre, leve e solto, Moraes concentra-se agora na luta pelo bloqueio das investigações sobre o acerto criminoso em que se meteu. O Brasil decente tem na ponta da língua as duas palavras que celebrarão o triunfo da Justiça: “Perdeu, Mané”.


Augusto Nunes - Revista Oeste














publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2026/05/augusto-nunes-toga-e-lama.html

A esquerda articulada e a direita torta

 Gilberto Simões Pires

DIFERENÇA BÁSICA ENTRE ESQUERDA E DIREITA NO BRASIL

Mais do que sabido, enquanto a ESQUERDA BRASILEIRA, de forma estratégica, se mostra sempre muito ARTICULADA, defendendo suas IDEIAS assim como seus LÍDERES, independente dos partidos políticos que integram e representam, a DIREITA BRASILEIRA, por incrível que possa parecer, não por acaso se mostra, de forma intencional e direta, como -DIREITA TORTA-, do tipo que concentra suas IDEIAS, AÇÕES E INTENÇÕES no sentido da -AUTODESTRUIÇÃO-.

DIREITA TORTA

Esta incrível AUTODESTRUIÇÃO se verifica, claramente, através de ATAQUES -COMBINADOS OU NÃO- que os grupos da -DIREITA TORTA BRASILEIRA- trocam constantemente- CONTRA POLÍTICOS DE PARTIDOS admitidos como -ALIADOS-. Assim, o que menos acontece nesse NEFASTO SISTEMA DE AUTODESTRUIÇÃO são ações e manifestações em DEFESA DA -LIBERDADE ECONÔMICA, DA VALORIZAÇÃO DO INDIVÍDUO, DA PROPRIEDADE PRIVADA, DA PRESERVAÇÃO DE TRADIÇÕES E VALORES MORAIS, DO LIVRE MERCADO E DA REDUÇÃO DO TAMANHO E DA INTERFERÊNCIA DO ESTADO NA SOCIEDADE-, que caracterizam o legitimo papel da -DIREITA- NO MUNDO TODO.  

CONSELHEIROS DO BANCO MASTER

Vejam que enquanto a ESQUERDA BRASILEIRA se mantem UNA, CONFIANTE e ARTICULADA apontando que o conteúdo das mensagens que envolvem o PATROCÍNIO DO FILME/DOCUMENTÁRIO SOBRE A VIDA DO EX-PRESIDENTE JAIR BOLSONARO, é ATO CRIMINOSO, a DIREITA TORTA  não consegue se UNIR EM DEFESA -UNÍSSONA- DAQUILO QUE REALMENTE SE IMPÕE, qual seja, de APONTAR QUE A BUSCA DE PATROCÍNIOS PARA A REALIZAÇÃO DE QUALQUER TIPO DE OBRA OU PROJETO, NOTADAMENTE JUNTO À INICIATIVA PRIVADA, ALÉM DE LÍCITO, passou pelo crivo do CONSELHO DO BANCO MASTER, onde a maioria dos seus integrantes era formada por ex-ministros do GOVERNO LULA, como é o caso de -GUIDO MANTEGA, RICARDO LEWANDOWSKI, HENRIQUE MEIRELLES, GUSTAVO LOYOLA e GERALDO MAGELA, por exemplo, onde TODOS DERAM  AVAL INCONDICIONAL ÀS INÚMERAS SAFADEZAS COMETIDAS.

 








publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/a-esquerda-articulada-e-a-direita-torta__18668



MEXA-SE!

 percivalpuggina/youtube


MEXA-SE!


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=VlXDWZf_XNM

"Se for culpado, que pague": Ciro Nogueira lava as mãos sobre Flávio Bolsonaro | CAFÉ COM A GAZETA

 CAFÉ COM A GAZETA

"Se for culpado, que pague": Ciro Nogueira lava as mãos sobre Flávio Bolsonaro 

clique no link abaixo e assista

A conta não fecha: Quem paga a mamata?

 jakestionei/instagram


A conta não fecha: Quem paga a mamata? Você trabalha de janeiro a junho SÓ para pagar imposto. E para onde vai esse dinheiro? Enquanto o cidadão comum sofre na fila do SUS, chora para pagar o IPVA do carro popular e vai trabalhar até os 70 anos para o INSS não quebrar



Mais Uma DERROTA de Moraes: Defensoria Pede Afastamento!

 andrémarsiglia/youtube

clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=lIBX4adjQyY

A verdade que Nine não controla

 rubinhonunes/youtube


A verdade que Lula não controla


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=OVV_gRW3jq8

A CENSURA CHEGOU E NO PERÍODO ELEITORAL

 PAULOALCEU/FACEBOOK


 A CENSURA CHEGOU E NO PERÍODO ELEITORAL 



GUERRA CULTURAL - ESQUERDA vs DIREITA

 prof.claudiobranchieri/youtube


GUERRA CULTURAL - ESQUERDA vs DIREITA


clique no link abaixo e assista

https://www.youtube.com/watch?v=P7UBL-6ZaZw

domingo, 24 de maio de 2026

O Supremo sob limites: o que o Brasil pode aprender com o Chile

    João Loyola 


Após a destituição de ministros da Corte Suprema chilena, o Brasil precisa rediscutir o papel do Senado, os mecanismos de responsabilização do STF e a diferença entre independência judicial e imunidade institucional.

O Chile acaba de lembrar à América Latina uma verdade que o Brasil evita enfrentar com a seriedade necessária: toga também é poder, e todo poder, em uma República, precisa de limite. A independência judicial é uma conquista indispensável do constitucionalismo moderno. Sem ela, juízes poderiam ser pressionados por governos, maiorias parlamentares, partidos, grupos econômicos ou correntes de opinião circunstanciais. Mas independência não significa ausência de responsabilidade. A toga protege a função de julgar; não transforma o julgador em autoridade imune a qualquer forma de controle constitucional.

Nos últimos anos, o Chile atravessou uma crise profunda em sua Corte Suprema. Ministros do mais alto tribunal chileno foram submetidos a acusações constitucionais e, em casos relevantes, acabaram destituídos pelo Senado por “notable abandono de deberes”, expressão que pode ser compreendida, em linhas gerais, como grave abandono dos deveres do cargo. Sergio Muñoz, ministro da Corte Suprema chilena, foi destituído em outubro de 2024, ficando inabilitado para exercer cargos públicos por cinco anos. Segundo o Senado chileno, a acusação constitucional contra ele foi aprovada após quase sete horas de deliberação.

Em dezembro de 2025, Diego Simpértigue, também ministro da Corte Suprema, foi igualmente destituído. A acusação envolvia, entre outros pontos, deveres de probidade, abstenção e imparcialidade no contexto do caso Belaz Movitec, conhecido no Chile como parte da “trama bielorrusa”. A imprensa chilena registrou que o capítulo relativo à violação desses deveres foi aprovado por unanimidade, com 43 votos favoráveis, resultando em perda do cargo e inabilitação para funções públicas por cinco anos.

O ponto essencial não é copiar o modelo chileno. Cada país tem sua história, seus mecanismos constitucionais, seus riscos políticos e seus próprios vícios institucionais. O que torna o caso chileno relevante para o Brasil não é a semelhança perfeita entre os sistemas, mas o contraste entre um mecanismo efetivamente acionado e um mecanismo que, entre nós, existe formalmente, mas permanece quase sempre paralisado.

No Brasil, a Constituição não colocou os ministros do Supremo Tribunal Federal fora de qualquer controle. O art. 52, inciso II, da Constituição Federal atribui privativamente ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF nos crimes de responsabilidade. A Lei 1.079, de 1950, por sua vez, define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento. Portanto, discutir a responsabilização de ministros do Supremo, quando fundada em hipóteses graves e juridicamente qualificadas, não é uma aventura contra a Constituição. É discutir um instrumento que a própria Constituição entregou ao Senado.

A dificuldade brasileira está menos na ausência de previsão normativa e mais na sua baixa efetividade prática. O país convive com uma arquitetura institucional curiosa: ministros do STF exercem enorme influência sobre temas penais, eleitorais, administrativos, federativos, tributários, econômicos e morais, mas os mecanismos de controle político-constitucional sobre eventuais abusos permanecem quase sempre inertes. Pedidos de impeachment são apresentados, mas seu andamento depende de uma dinâmica altamente concentrada na Presidência do Senado. O resultado é uma espécie de controle que existe no texto constitucional, mas quase desaparece na vida institucional concreta.

Essa assimetria precisa ser enfrentada com maturidade. Criticar o Supremo não significa desejar a destruição do Judiciário. Defender limites ao STF não significa submeter ministros à vontade do governo, de partidos, de maiorias ocasionais ou de campanhas de opinião. Um ministro não deve ser punido por decidir de forma impopular, por adotar interpretação jurídica minoritária ou por contrariar expectativas políticas. Esse ponto é decisivo. Impeachment de ministro de Corte Suprema não pode ser instrumento de vingança contra voto, decisão ou orientação jurisprudencial. Deve ser medida excepcional, reservada a situações de abuso funcional, violação grave de deveres, conflito de interesses, quebra de imparcialidade, desrespeito ao devido processo ou conduta incompatível com a dignidade do cargo.

O problema brasileiro é que, muitas vezes, qualquer tentativa de discutir esses limites é imediatamente tratada como ataque à democracia. Essa reação empobrece o debate. A democracia constitucional não se fortalece blindando um poder contra qualquer escrutínio. Fortalece-se quando cada poder conhece seus limites, presta contas dentro das formas previstas e aceita que autoridade pública não é propriedade pessoal de quem a exerce. O liberalismo político nasceu justamente da desconfiança em relação ao poder concentrado. Essa desconfiança vale para presidentes, parlamentares, burocratas, promotores, juízes e ministros de cortes constitucionais.

Também é preciso reconhecer o risco oposto. O uso abusivo de acusações constitucionais contra magistrados pode corroer a independência judicial. O próprio caso chileno não está livre de controvérsias. A destituição de Sergio Muñoz foi criticada por setores que enxergaram no processo risco à autonomia do Judiciário. O presidente Gabriel Boric afirmou que a decisão poderia estabelecer um precedente perigoso, especialmente pela forma como as acusações contra Muñoz e Ángela Vivanco foram tratadas politicamente. Posteriormente, Muñoz recorreu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, alegando arbitrariedade e motivação política em sua destituição.

Essas controvérsias não enfraquecem o argumento; ao contrário, ajudam a qualificá-lo. Elas mostram que mecanismos de responsabilização precisam de cautela, contraditório, fundamentação pública, critérios objetivos e devido processo. A alternativa ao abuso do controle não pode ser a ausência de controle. Uma República madura não deve escolher entre submissão do Judiciário à política e blindagem absoluta do Judiciário contra qualquer responsabilização. O caminho correto está no equilíbrio: proteger a independência judicial nas decisões legítimas e preservar instrumentos efetivos contra desvios graves de função.

É nesse ponto que o Senado brasileiro precisa ser chamado à responsabilidade. A Casa não existe apenas para aprovar indicações ao STF em sabatinas protocolares. Também não existe apenas como espaço de composição política entre governo e oposição. O Senado é uma peça central do sistema de freios e contrapesos. Quando aprova um ministro do Supremo sem exame rigoroso, falha na porta de entrada. Quando se omite diante de acusações juridicamente relevantes, falha na porta de controle. Em ambos os casos, quem perde é a República.

Essa crítica não exige espetáculo, gritaria ou voluntarismo. Exige procedimento. O Brasil deveria discutir regras mais objetivas para a análise preliminar de pedidos de impeachment contra ministros do STF, com critérios públicos de admissibilidade, prazos mínimos de manifestação, fundamentação das decisões de arquivamento e possibilidade de maior controle colegiado sobre a matéria. Não se trata de obrigar o Senado a aceitar toda acusação. Trata-se de impedir que temas institucionalmente relevantes desapareçam sem explicação suficiente.

Também é necessário qualificar as sabatinas. Um ministro do STF não deveria ser aprovado apenas com base em currículo formal, articulação política e respostas genéricas. O Senado deveria questionar com profundidade a visão do indicado sobre separação de Poderes, limites da jurisdição constitucional, decisões monocráticas, ativismo judicial, liberdade de expressão, devido processo legal, segurança jurídica, federalismo, direito de propriedade, deferência ao Legislativo e autocontenção judicial. A sabatina não pode ser um rito de passagem previsível. Deve ser uma etapa real de escrutínio republicano.

Outro ponto indispensável é a transparência sobre impedimentos, suspeições e conflitos de interesse. O caso chileno colocou no centro do debate deveres como probidade, abstenção e imparcialidade. Esses valores não são particularidades chilenas. São exigências universais de qualquer magistratura superior. Sem imparcialidade, a toga perde legitimidade moral. Sem abstenção diante de conflito, a jurisdição se confunde com interesse pessoal, político ou relacional. Sem probidade, a autoridade judicial passa a depender apenas da força formal do cargo e não da confiança pública.

O Brasil também precisa discutir limites mais claros para decisões monocráticas de grande impacto. Quando um único ministro suspende leis, interfere em políticas públicas, altera efeitos de decisões legislativas ou toma medidas com consequências nacionais, o problema deixa de ser apenas jurídico e passa a ser institucional. A colegialidade não é mero detalhe procedimental. Ela é uma garantia contra a personalização do poder judicial. Cortes constitucionais são fortes quando decidem como instituições, não quando se tornam dependentes da vontade isolada de seus integrantes.

Há ainda uma diferença relevante entre os modelos de nomeação. No Chile, a escolha dos ministros da Corte Suprema passa por uma lista elaborada pela própria Corte, por indicação do presidente da República dentro dessa lista e por aprovação do Senado com quórum elevado. No Brasil, o presidente da República indica livremente o nome ao STF, e o Senado aprova por maioria absoluta. O modelo brasileiro concentra mais poder inicial no presidente e, na prática, tem produzido sabatinas frequentemente pouco exigentes. A porta de entrada é politicamente concentrada, e a porta de saída é politicamente bloqueada.

Essa combinação não é saudável. Um ministro do Supremo exerce poder por décadas, decide temas centrais da vida nacional e participa da interpretação final da Constituição. Se sua escolha é pouco exigente, sua atuação é pouco controlável e sua responsabilização é quase inviável, o sistema cria uma autoridade muito forte com poucos mecanismos efetivos de contenção. Isso contraria a lógica mais elementar do constitucionalismo liberal: instituições devem ser desenhadas não para anjos, mas para seres humanos reais, sujeitos a erro, vaidade, ambição, ideologia e abuso.

O Chile, com todas as suas controvérsias, oferece uma provocação útil ao Brasil. Ele mostra que cortes supremas também podem ser chamadas a prestar contas quando há suspeitas graves de desvio funcional. O Brasil não deve transformar essa experiência em licença para perseguição política contra ministros, mas também não deve usá-la como desculpa para manter tudo como está. A maturidade institucional está justamente em distinguir controle republicano de intimidação política.

O Supremo Tribunal Federal é indispensável ao Estado de Direito brasileiro. Justamente por isso, precisa preservar sua autoridade por meio da autocontenção, da transparência, da colegialidade e do respeito aos limites constitucionais. Uma Corte que concentra poder demais e responde de menos acaba corroendo a própria legitimidade. Em uma democracia, a confiança nas instituições não se sustenta apenas por imposição formal. Ela depende da percepção de que todos, inclusive os mais poderosos, estão submetidos a regras.

O Brasil precisa parar de tratar esse debate como tabu. Discutir limites ao Supremo não é atacar a Constituição. Pode ser, ao contrário, uma forma de defendê-la. O Senado precisa exercer com mais responsabilidade sua função de sabatinar, aprovar, fiscalizar e, quando necessário, processar autoridades. A sociedade precisa abandonar a falsa escolha entre submissão do Judiciário à política e blindagem absoluta do Judiciário contra qualquer controle. Nenhuma dessas alternativas serve a uma República livre.

A lição chilena é simples, mas poderosa: uma Suprema Corte forte não precisa ser uma Suprema Corte sem limites. A toga deve proteger a jurisdição, não blindar o poder. O Brasil não precisa copiar o Chile, mas precisa aprender com ele que independência judicial e responsabilidade constitucional não são ideias opostas. São partes do mesmo arranjo republicano. Onde há poder, deve haver controle. Onde há autoridade, deve haver responsabilidade. E, onde a Constituição entrega ao Senado uma função de contrapeso, a omissão também se torna uma escolha política.

No fim, a pergunta brasileira não é se devemos atacar o Supremo. Não devemos. A pergunta correta é outra: quem controla o controlador quando ele ultrapassa os próprios limites? O Chile, com riscos, controvérsias e imperfeições, teve coragem de enfrentar essa pergunta. O Brasil, por enquanto, ainda parece preferir fingir que ela não existe.








publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/o-supremo-sob-limites-o-que-o-brasil-pode-aprender-com-o-chile/

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More