Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 12 de julho de 2026

A tradição humanística e a educação

   Ricardo Vélez-Rodríguez


A Educação, na história ocidental, esteve sempre vinculada à Tradição Humanística, que resgatou o papel central do homem na sociedade e na história da cultura. Quando se aviltou o ensino das Humanidades, a Educação foi a primeira a sentir o grave impacto. Assim aconteceu, no Ocidente, desde Sócrates (470-399 AC). Em Atenas, o ensino em praça pública foi desempenhado pelos filósofos sofistas, que colocaram o processo de ensino em função do sucesso econômico das novas gerações. Diríamos que os sofistas fizeram do ensino um caminho fácil para realizar o sonho de ascensão econômica e social, incluindo nessa esperança o sucesso material de si próprios. “O homem é a medida de todas as coisas”, segundo ensinava o popular filósofo Protágoras de Abdera. Outro seguidor da corrente sofística, Górgias de Leôntinos, acreditava que a persuasão, aliada às palavras, modelava a mente dos homens como eles quisessem, abrindo o caminho para o progresso material. Hipías de Elis criou um engenhoso método mnemotécnico (arte da memória), a fim de facilitar aos seus alunos o poder do convencimento com argumentos os mais variados. Esse método, aliás, expandiu-se ao longo da Idade Média pelas cidades do interior da Itália e constituiu o cerne do ensino dos novos filósofos práticos, que vendiam a preço caro “a arte da memória”, como testemunhou o grande pensador renascentista Giordano Bruno (1548-1600).

A marca registrada dos sofistas foi reduzir a verdade a uma questão de consenso prático entre os homens, abandonando a busca de verdades fundamentais como coisa inútil. Mas nos séculos seguintes, preservada a busca de verdades fundamentais, imorredouras, filósofos medievais partiram, validamente, para a busca de consensos práticos que seriam verdades em processo de afirmação, a partir das variadas experiências, sem que isso significasse a negação de verdades supremas ou imorredouras, que expressavam pontos de vista universais. Os ensinamentos dos denominados nominalistas iam por esse caminho do reconhecimento de verdades variadas, umas ligadas à experiência individual, outras portadoras de princípios universais. Conhecemos hoje o importante legado de pensadores que se interessavam pela experiência concreta e que tentavam registrar as sensações em relação aos objetos, como uma imagem sensível que traduziria a sua apreensão sensorial do mundo. As qualidades das coisas não eram apenas lampejos passageiros, mas constituíam verdades de cunho prático e vinculadas à sensibilidade, a partir das quais poder-se-ia construir uma imagem sensível do mundo da experiência. “Nomina”, os nomes que guardavam essas experiências imediatas, deram ensejo à arte de preservar esses conhecimentos passageiros para construir uma visão prática do mundo.

Sócrates (470-399 AC) desenvolveu uma crítica radical aos sofistas e aos seus métodos práticos reduzidos à busca do enriquecimento pessoal. Ao participar da Guerra do Peloponeso (431-404 AC) como hoplita (soldado a pé que lutava com a sua lança e que obedecia às ordens dos cidadãos aristocráticos de Atenas), Sócrates concluiu que a verdade não se esgotava nas opções práticas do progresso material, mas que havia princípios universais, como o sentimento de justiça, convicção que alimentava a luta contra os inimigos da sua cidade, que tudo invadiam e que matavam os habitantes, buscando unicamente o enriquecimento pessoal. Com o conhecimento podia-se acessar uma imagem sensível do universo, colocando-a em função de efeitos práticos, mas era possível, também, apreender aspectos individuais e interiores do conhecimento, que desaguavam na chamada “experiência interior” do conhecimento sobre os nossos estados de espírito e das nossas volições, abrindo o duplo caminho que os filósofos escolásticos iriam ampliar, da “experiência interna” e da “experiência externa”.

Os pais de Sócrates, Sofronisco e Fenárete, em Atenas, desempenhavam profissões modestas. Sofronisco era um simples canteiro que dominava a arte de burilar a pedra. A mãe, Fenárete, era parteira, praticando a arte da Maiêutica (ensinar às mães a arte de dar à luz). A mulher de Sócrates, Xantipa, criticava o marido pela ausência, nele, da vontade de praticar profissões mais lucrativas, que garantiriam o sucesso material. Sócrates contentou-se com a sua profissão de hóplita, soldado a pé, carregando a sua lança. Nessa condição participou em várias batalhas em defesa das cidades onde morou (Potideia, Anfípolis, Délion e Atenas). Deixou três filhos, Lâmpocles, Sofronisco e Menéxeno (cujos nomes aparecem citados nos Diálogos Platônicos).

Mas havia, em Sócrates, uma força interior que o levava a buscar, na sua alma, o sentido da verdade e da justiça. Terminada a Guerra do Peloponeso, Sócrates dedicou o tempo a conversar com os seus concidadãos, interrogando-os sobre temas éticos ou do sentido do comportamento humano e da experiência sofrida na guerra. No contexto desses diálogos informais, um amigo, Querofonte, que tinha características místicas e que se desempenhava como porta-voz do Oráculo de Delfos, que comunicava os segredos dos deuses aos seus concidadãos, declarou Sócrates o mais sábio dos Atenienses. Foi assim como o nosso filósofo descobriu a missão de levar os seus concidadãos a conhecerem-se melhor a si mesmos, mediante o exame do que entendiam como a virtude principal, para chegar à seguinte conclusão: “Só sei que nada sei”.

O diálogo socrático agiu como uma bomba de efeito retardado na Atenas formatada na busca do êxito imediato pelos influencers da época, os Sofistas. Rapidamente o nosso pensador foi acusado, perante o órgão máximo da Justiça, o Areôpago, como corruptor da juventude. Num juízo relâmpago instaurado com fins políticos, que buscavam extirpar os ensinamentos inconvenientes de Sócrates, o nosso pensador foi condenado à morte pela ingestão do veneno da cicuta. O filósofo, corajosamente, enfrentou a pena a que foi condenado injustamente. Os seus discípulos, entre os que se encontrava o jovem Platão, deram continuidade à pregação moral de Sócrates, aprofundando nos princípios que deveriam guiar validamente a comunidade política, certamente não os da conveniência material imediata segundo a pregação sofística, mas na busca, no interior da alma, daqueles que seriam os princípios imorredouros da verdadeira cidadania, que se deveria alicerçar no ideal da Justiça e da preservação dos valores da própria interioridade, ao redor das verdades eternas e não das consignas práticas dos propagandistas do momento. Sócrates deu início, assim, à preservação dos valores eternos da vida humana, na pregação das virtudes de que se fizeram eco os grandes filósofos clássicos de Atenas, Platão (427-347 AC) e Aristóteles (384-322 AC).







publicadaem https://www.institutoliberal.org.br/blog/a-tradicao-humanistica-e-a-educacao/






AS CASAS DE APOSTAS E O GOVERNO PETISTA

 gilbertosimoespires


REGRAS PARA PUBLICIDADE DE BETs

Ontem, o GOVERNO LULA resolveu anunciar NOVAS REGRAS PARA A PUBLICIDADE de apostas esportivas no Brasil. As medidas, apresentadas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, impõem que empresas autorizadas a operar no país terão que INCLUIR ALERTAS OBRIGATÓRIOS SOBRE OS RISCOS DAS APOSTAS EM SUAS CAMPANHAS. 

PUBLICIDADE GOVERNAMENTAL

Entretanto, como é do pleno FEITIO ORIGINAL PETISTA, a FALSA E PRA LÁ DE MENTIROSA -PUBLICIDADE GOVERNAMENTAL-, que se revela como muito mais NOCIVA para todos os brasileiros, segue INTACTA e/ou PERMITIDA DE FORMA NOJENTA E SEM REGRA ALGUMA. 

FOCO ELEITORAL

Mais do que sabido, só no primeiro semestre de 2026, o GOVERNO PETISTA empenhou mais de R$ 178 MILHÕES EM PUBLICIDADE INSTITUCIONAL, com -FOCO ELEITORAL- na Presidência da República. Mais: considerando as ações de COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL, o valor destinado pela SECOM -Secretaria de Comunicação Social- saltou para R$ 520 MILHÕES, representando MAIS QUE O DOBRO DO REGISTRADO NO MESMO PERÍODO DE 2022, gerando inúmeros, porém infrutíferos questionamentos legais e representações políticas.

CASAS DE APOSTAS E O GOVERNO PETISTA

Mesmo que alguém entenda como necessária a imposição de NOVAS REGRAS para as BETs, o FATO é que enquanto a -PUBLICIDADE DAS CASAS DE APOSTAS ESPORTIVAS- é custeada pelos APOSTADORES, a -PUBLICIDADE GOVERNAMENTAL- é bancada, integralmente, de forma -COMPULSÓRIA (de maneira OBRIGATÓRIA e FORÇADA) pelos PAGADORES DE IMPOSTOS (totalidade do povo brasileiro). 























publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/as-casas-de-apostas-e-o-governo-petista

O PACOTE ENCOLHEU... O PREÇO NÃO

 FROMX


NA MESMA VIBE DO GOVERNO QUE, AGORA, VENDE SABOR GASOLINA, AS EMPRESAS DIMINUEM O PACOTE, O PESO MAS O PREÇO....



A China quer ter uma maior influência no Brasil com Lula - SEM RODEIOS

 SEM RODEIOS/gazetadopovo

COMO O PARTIDO COMUNISTA CONTROLOU A MENTE DOS BRASILEIROS SEM DISPARAR UM UNICO TIRO

 HISTÓRIASQUENINGUEMESPERAVA/FACEBOOK


COMO O PARTIDO COMUNISTA CONTROLOU A MENTE DOS BRASILEIROS SEM DISPARAR UM UNICO TIRO



PEC ANTI-IPVA

 KIMKATAGUIRI/FACEBOOK


PEC ANTI-IPVA



FAÇA AS CONTAS E VEJA O QUANTO ELE ESTÁ CORRETO

 LETICIAKRAKA/FACEBOOK


FAÇA AS CONTAS E VEJA O QUANTO ELE ESTÁ CORRETO



A Manobra Secreta de Lula no Tarifaço

 andrémarsiglia/youtube


A Manobra Secreta de Lula no Tarifaço


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https://www.youtube.com/watch?v=cGFqPdFfUAo

CONTROLANDO SUAS DECISÕES

 OMARIONETISTA/FACEBOOK


CONTROLANDO SUAS DECISÕES






Jurista Renomado Expõe o Conluio Que Protege o STF!

 deltandallagnol/youtube


Jurista Renomado Expõe o Conluio Que Protege o STF!


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https://www.youtube.com/watch?v=YTmX0-GhSys

MUITA CARA DE PAU

 LOGICAMACAQUISTA/INSTAGRAM


O governo anunciou o fim da taxa de 20% sobre compras internacionais. Aplausos, lágrimas, gratidão. Só que o mesmo Engravatado que "acabou" com a taxa foi quem a criou, em 2023. E a suspensão dura 120 dias. Com a reforma tributária chegando em 2027, a carga pode chegar a 29%.




AMADORES DESTRUÍRAM O BRASIL

 claudiobranchieri/youtube


AMADORES DESTRUÍRAM O BRASIL 


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https://www.youtube.com/watch?v=Mng1-5IhcGE

sábado, 11 de julho de 2026

Soberania sequestrada

   Lexum 


A notícia de que os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas mal acabou de circular e já provocava, entre nós, uma reação familiar. De vários cantos ergueu-se a bandeira da soberania, como se a medida americana fosse uma afronta ao Brasil, uma intromissão indevida em assuntos de uma nação que se governa sozinha. O impulso é compreensível. A premissa é falsa. E vale a pena, antes de discutir se a medida foi acertada ou não, perguntar uma coisa simples: de quem é, afinal, essa soberania que tantos invocam?

Há duas maneiras de entender essa palavra, e elas não cabem no mesmo lugar. A primeira nasceu na Europa cansada de guerras religiosas. Em 1648, na Paz de Westphalia, os príncipes combinaram que cada um seria senhor absoluto dentro das suas fronteiras, sem dever satisfação a ninguém de fora. Nessa tradição, quem é soberano é o Estado. O território. O poder que se exerce sobre uma população. O povo entra na conta como objeto, não como titular de direitos. Foi a linguagem dos tratados entre coroas, e foi também, convém lembrar, a linguagem predileta de todo regime que precisou se proteger do olhar alheio.

A segunda maneira tem outra origem. Veio de Philadelphia, em 1787, e antes dela da Declaração de Independência, que cravou em poucas linhas uma ideia feita para incomodar tiranos. Os homens têm direitos que existem antes do Estado, e os governos são criados justamente para protegê-los. Aqui a soberania não está no aparato. Está no indivíduo. O poder do Estado é emprestado, delegado, instrumental, e só se justifica enquanto serve ao fim que o antecede. Como Randy Barnett gosta de resumir, primeiro vêm os direitos, depois vem o governo. Hamilton já dizia o mesmo, à sua maneira, no Federalista nº 78.

Olhe para fora um instante, e a ideia de Philadelphia deixa de parecer uma extravagância americana. De lá para cá, grande parte do mundo livre escolheu esse caminho, o das democracias republicanas, fundadas na premissa de que o indivíduo vem antes do poder. Essa premissa, aliás, não nasceu apenas na América. Em 1789, do outro lado do Atlântico, a Declaração dos Direitos do Homem já afirmava que o fim de toda associação política é conservar os direitos naturais do homem, a liberdade, a propriedade, a segurança. Em 1948, ao redigir a Declaração Universal, as nações não inventaram direitos. Reconheceram a dignidade que já existe em cada pessoa, anterior a qualquer governo. A Declaração não aboliu o mundo dos Estados nem fingiu que as fronteiras deixariam de existir. Fez algo mais discreto e mais profundo. Alojou, dentro desse mundo, a convicção de que a pessoa vem antes do poder e de que há um limite que nenhum Estado pode atravessar, o dos direitos de cada um. Desde então, convivem a velha soberania de Westphalia e essa nova medida de legitimidade.

Tal é a herança de Philadelphia, e ela se espalhou não por haver derrotado a soberania estatal, mas por ter mudado o entendimento sobre quem, afinal, manda em quem. Toda nação, livre ou não, guarda as suas fronteiras e resiste à intromissão alheia, e nisso não há vício algum. O abuso aparece quando a soberania deixa de proteger o cidadão e passa a blindar o Estado contra ele, quando se torna um muro erguido para esconder do próprio povo o que se faz em seu nome. É esse uso, e não a guarda legítima das fronteiras, que costuma servir aos regimes que têm o que esconder. Não surpreende que a bandeira levantada entre nós contra a medida americana soe tão parecida com a que esses regimes agitam. A pergunta, no fim, não é quantas constituições escolheram Philadelphia, mas de que lado cada país decide viver.

Falta saber qual dessas duas tradições a nossa Constituição escolheu. E ela respondeu com todas as letras. Todo o poder emana do povo, diz o parágrafo único do artigo primeiro. O preâmbulo anuncia que o Estado se constitui para assegurar direitos. Repare na palavra: assegurar. Só se assegura o que já existe. Ninguém garante aquilo que inventa do nada; garante-se o que reconhece como anterior. Ao se propor a assegurar direitos, a Constituição confessa que esses direitos vêm antes dela, que são os direitos naturais de cada um — vida, liberdade, propriedade e os demais direitos que viabilizam o florescimento humano — e que a sua razão de ser está em protegê-los. A soberania que ela consagra é a de Philadelphia. É, na distinção de Barnett que tantas vezes invoco, a soberania da Constituição Republicana, aquela que reside nas pessoas como indivíduos, e não na vontade do grupo.

O desconforto começa aqui. A soberania que muitos levantaram contra a medida americana não foi a do brasileiro de carne e osso, aquele cujos direitos o PCC e o Comando Vermelho violam todos os dias. Foi a soberania do Estado como entidade abstrata, ciosa das suas fronteiras e surda a qualquer juízo vindo de fora. É a velha soberania de Westphalia vestida de patriotismo. E é exatamente o mesmo deslocamento que critiquei no meu livro quando uma Ministra do Supremo afirmou, da tribuna, que soberano é o Brasil, soberano é o Direito brasileiro. Naquele caso, como neste, a soberania foi tirada do povo e entregue a uma abstração, a nação, o Estado, o Direito. O cidadão, que deveria ser a origem do poder, vira alvo. A liberdade, que deveria ser protegida contra o Estado, passa a ser filtrada por ele.

Essa escolha de palavras tem algo de melancólico, porque foi esse mesmo vocabulário que os militares cultivaram durante a ditadura, quando a soberania nacional servia menos para proteger o cidadão e mais para proteger o governo do cidadão. Brasil, ame-o ou deixe-o era a soberania de Westphalia reduzida a slogan. Confundia-se o país com quem o governava, e convidava-se o cidadão a calar em nome de uma grandeza que não era dele.

Convém repor as coisas no lugar. O soberano primeiro é o indivíduo, dono de direitos que o Estado não inventou e não pode suprimir. A soberania da nação diante das outras vem depois, como consequência, e não como causa. Um país é soberano lá fora na medida em que é, primeiro, a casa de cidadãos soberanos cá dentro, gente cujos direitos encontram amparo de verdade. A projeção externa da soberania se apoia na soberania interna do indivíduo, e quando esta se esvazia, aquela perde o chão. Um Estado que não protege os seus não tem como exigir, de cabeça erguida, que respeitem a sua autonomia. Estaria pedindo que respeitem na fronteira o que ele próprio desrespeita dentro de casa.

Não me cabe aqui dizer se a medida americana foi sábia ou oportuna, pois isso merece análise própria e cada um a fará pelos seus efeitos. Insustentável é o argumento de que ela fere a soberania brasileira. Se a função primeira de uma democracia republicana é proteger os direitos dos seus cidadãos contra quem os ameaça, e se essas duas facções são, há muito tempo, ameaça concreta a esses direitos, qualquer providência que as enfraqueça conversa com o propósito mais profundo da nossa própria Constituição. Bem entendida, a soberania brasileira não tem nada a temer de medidas que atinjam quem aterroriza o brasileiro. Quem deveria temê-las são as facções, não o cidadão de bem que vive sob o jugo delas.

A soberania de uma república democrática é patrimônio do indivíduo, e existe para que ele viva livre e seguro sob a guarda daquilo que chamamos de Estado. Devolver essa palavra ao seu dono legítimo, o cidadão comum cujos direitos vêm antes de qualquer governo, talvez seja a tarefa mais republicana que se possa imaginar. As facções que aterrorizam esse cidadão não merecem o abrigo da bandeira que é dele. E, como lembra a própria Constituição, só há soberania legítima quando exercida pelo povo, e nunca contra ele.

*Leonardo Corrêa — sócio de 3C LAW | Corrêa & Conforti Advogados, com LL.M pela University of Pennsylvania, Cofundador e Presidente da Lexum e autor do livro A República e o Intérprete — Notas para um Constitucionalismo Republicano em Tempos de Juízes Legisladores.











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Quem decide o que seu filho aprende

   Claudio Apolinario


 O que entra na sala de aula não é neutro. Nunca foi. E no Brasil alguém decidiu o que seu filho deve pensar e você não foi consultado.

Pergunte a qualquer pai o que seu filho aprendeu na escola sobre livre mercado. Depois pergunte o que aprendeu sobre racismo estrutural. A diferença entre as duas respostas não é acaso. É currículo.

O currículo escolar não é neutro. Nunca foi em nenhum país do mundo. É sempre uma escolha — sobre o que importa, o que forma, o que o jovem deve pensar ao sair da escola. A questão não é se o currículo tem direção. É quem decide essa direção e com qual critério.

No Brasil, essa decisão foi sendo tomada ao longo de décadas, longe dos pais, longe do debate público e longe de qualquer cobrança de resultado. E o produto dessa decisão está em sala de aula hoje.

Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica, nos anos finais do Ensino Fundamental, quase 40% das turmas não possuem professores com formação compatível para lecionar em suas disciplinas. Quase 4 em cada 10 turmas estão sendo ensinadas por professores sem formação específica na matéria que lecionam. Um professor de história ensinando ciências. Um pedagogo cobrindo matemática. Não por má vontade — por falta de profissionais formados nas áreas certas.

Porque as áreas certas não eram a prioridade.

Em Singapura — país que ocupa o primeiro lugar no PISA 2022 nas três disciplinas — apenas um em cada oito candidatos é aprovado para a carreira docente. Os aprovados passam por formação rigorosa, recebem salários competitivos e têm grande valorização social. O currículo tem ênfase intensa em matemática, ciências e tecnologia — conteúdo objetivo, mensurável, com cobrança de resultado.

O Brasil fez escolhas diferentes. A Pedagogia brasileira reserva espaço central para filosofia da educação, sociologia, antropologia e correntes pedagógicas — disciplinas que formam a visão de mundo do professor antes de formar o especialista na disciplina que vai ensinar.

Isso não é crítica à teoria. É crítica ao desequilíbrio. Um professor que domina a filosofia da educação mas não domina o conteúdo da disciplina que leciona não falha por falta de esforço. Falha porque foi formado com outra prioridade.

Em 2023, um Projeto de Lei apresentado no Senado Federal propôs proibir questões com viés ideológico no ENEM, alegando que a prova passou a trazer conteúdo que "condiciona o que é ensinado nas escolas para os anos seguintes, colocando em risco todo o sistema educacional."

O projeto revelou o que já era visível para quem olhava: o principal exame de acesso ao ensino superior tornou-se campo de disputa entre o que se ensina e o que se quer que o jovem pense.

O mecanismo é direto. O ENEM define o que as escolas ensinam. O que cai no ENEM é o que quem controla a prova prioriza. O que é priorizado entra no currículo. E o currículo, por sua vez, reflete as escolhas de quem decide o que o ENEM deve medir. É um ciclo fechado — e quem está dentro dele define o produto final.

Estudos comparativos entre Brasil, Singapura e Finlândia identificam com precisão o que diferencia sistemas educacionais de alto desempenho dos demais: foco em conhecimentos essenciais, sequência lógica, base científica e ligação íntima entre currículo, material didático, formação de professores e avaliação. Nos países que lideram o ranking, o que o aluno aprende e como isso é medido são decisões técnicas, não políticas.

No Brasil, essa fronteira foi sendo apagada — deliberadamente. Quando o critério de seleção de conteúdo deixa de ser "o aluno precisa saber isso para pensar com autonomia" e passa a ser "o aluno precisa pensar dessa forma", o ensino muda de natureza. Não forma quem pensa. Forma quem concorda.

O produto final não é mistério. É o jovem que sai da escola sem conseguir interpretar um texto simples, sem calcular o troco, sem entender uma bula de remédio — mas que domina os termos que alguém decidiu que ele precisava conhecer.

Isso não é falha. É escolha. E a pergunta é: quem escolheu?

A pergunta que cada pai deveria fazer não é "meu filho passou de ano?" É mais simples e mais importante: "o que ele está aprendendo a pensar — e quem decidiu isso?"

Porque quem forma o que uma geração pensa, forma o país que essa geração vai construir.

*             O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.









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