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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

O voto feminino não é uma vitória feminista Mariana Setti

 Mariana Setti 


Durante grande parte da história, o direito ao voto esteve longe de ser universal. Em diferentes sociedades, a participação política era restrita por critérios como propriedade, renda, posição social, condição jurídica e sexo. Em determinados períodos, apenas uma pequena parcela da população, homens, mulheres, negros, brancos e menores, estava autorizada a votar. A exclusão política, portanto, não atingia exclusivamente as mulheres, mas fazia parte de uma estrutura mais ampla de restrição do sufrágio.

A partir dos séculos XVIII e XIX, essa estrutura começou a se transformar. A industrialização, a urbanização, a expansão do mercado de trabalho, o surgimento de novas classes sociais e as sucessivas reformas políticas ampliaram gradualmente a participação de diferentes grupos na vida pública.

É nesse processo mais amplo que se insere a questão central deste artigo: qual foi, de fato, o papel do movimento feminista na conquista do sufrágio feminino?

Não se pretende aqui questionar a legitimidade de suas reivindicações, mas investigar uma questão anterior: se o movimento feminista não tivesse existido, seria razoável supor que, diante da progressiva ampliação do sufrágio e das transformações políticas, sociais e econômicas da modernidade, as mulheres ainda assim teriam alcançado o direito ao voto?

A hipótese que orienta esta análise é que o sufrágio feminino pode ser compreendido como parte de um processo histórico mais amplo de transformação da sociedade. À medida que novas classes eram incorporadas à vida política, as relações de trabalho se modificavam, a participação econômica das mulheres se ampliava e a própria concepção de cidadania se transformava, a extensão dos direitos políticos às mulheres poderia constituir um desdobramento esperado desse processo, independentemente da existência de um movimento organizado para reivindicá-la.

Assim, interessa compreender se essa reivindicação foi a causa fundamental da mudança ou se apenas acompanhou uma transformação que, pelas próprias circunstâncias históricas, caminhava em direção à ampliação da cidadania política.

A expansão do sufrágio antes do voto feminino

Uma das primeiras questões a considerar é que a exclusão eleitoral não correspondia simplesmente a uma oposição entre homens que votavam e mulheres que não votavam. Durante séculos, grande parte dos próprios homens esteve excluída da participação política.

No Brasil, por exemplo, a Constituição de 1824 estabelecia requisitos de renda para a participação eleitoral. A Lei Saraiva, de 1881, manteve exigências econômicas para o exercício do voto. Mesmo após a proclamação da República, a Constituição de 1891 excluía, entre outros grupos, os analfabetos e os mendigos. A ampliação da cidadania política, portanto, foi um processo gradual, que modificou sucessivamente os critérios de participação eleitoral.

Esse padrão também pode ser observado em outros países. No Reino Unido, as reformas eleitorais de 1832, 1867 e 1884 ampliaram progressivamente o eleitorado masculino. A inclusão das mulheres ocorreu posteriormente, inserindo-se em uma trajetória mais longa de expansão da representação política.

Isso não significa negar que as mulheres enfrentassem uma exclusão específica por razão de sexo. Significa reconhecer que essa exclusão estava inserida em um sistema político que, durante grande parte de sua história, limitava o sufrágio por diversos critérios. A história do voto feminino, portanto, também é parte da história da expansão geral da cidadania política.

Uma transformação social mais ampla

A industrialização alterou as relações de trabalho e a organização das cidades. A urbanização aproximou grupos sociais distintos e favoreceu outras formas de organização política. O crescimento das classes trabalhadoras e a formação de partidos de massa aumentaram a pressão pela ampliação do sufrágio.

Ao mesmo tempo, as mulheres passaram a ocupar espaços econômicos e sociais que anteriormente lhes eram menos acessíveis. A participação no mercado de trabalho, o crescimento da educação feminina e a transformação das estruturas familiares contribuíram para modificar a própria percepção sobre o papel das mulheres na sociedade.

Nesse contexto, a reivindicação pelo sufrágio feminino não surgiu em um vazio histórico. Ela fez parte de uma sociedade que já estava redefinindo a noção de cidadania e quais grupos deveriam participar das decisões públicas.

Essa distinção é fundamental. O fato de um movimento reivindicar uma mudança não significa, por si só, que esse movimento tenha criado as condições que tornaram a mudança possível.

O papel do movimento sufragista

Em diferentes países, mulheres organizadas participaram de campanhas, pressionaram parlamentares, produziram argumentos públicos e ajudaram a colocar o sufrágio feminino no centro do debate político.

Entretanto, a experiência internacional demonstra que não houve um único caminho para a adoção do voto feminino. Dawn Teele identifica diferentes trajetórias, incluindo reformas que incorporaram homens e mulheres simultaneamente, processos graduais de expansão do eleitorado e mudanças decorrentes de transformações constitucionais ou de decisões de poderes externos.

O caso da Nova Zelândia, por exemplo, é particularmente relevante. O país concedeu às mulheres o direito de votar em eleições parlamentares nacionais em 1893, após intensa mobilização organizada. Entretanto, essa mobilização não pode ser reduzida ao feminismo contemporâneo. A Women’s Christian Temperance Union teve papel importante na campanha, mostrando que diferentes valores, inclusive religiosos e morais, podiam motivar a defesa do sufrágio feminino.

O próprio caso brasileiro reforça a necessidade de uma explicação mais ampla. O Código Eleitoral de 1932 reconheceu o direito de voto sem distinção de sexo, em meio à reorganização institucional promovida pelo Governo Provisório de Getúlio Vargas. A atuação de mulheres como Bertha Lutz foi relevante, mas a transformação também dependeu de decisões legislativas e de uma mudança mais ampla na estrutura eleitoral brasileira.

Assim, reconhecer a atuação das sufragistas não exige atribuir a elas a autoria exclusiva da transformação. Movimentos sociais, partidos, governos, mudanças institucionais e transformações econômicas podem atuar simultaneamente na produção de uma mesma mudança histórica.

A questão causal

É nesse ponto que surge a principal questão deste artigo. Se o movimento feminista participou da conquista do sufrágio, isso significa que, sem ele, o sufrágio feminino jamais teria ocorrido?

Estudos comparativos sobre a expansão do sufrágio mostram que partidos políticos, interesses eleitorais, mudanças institucionais e a própria difusão internacional de novos modelos de cidadania também influenciaram a adoção do voto feminino. Adam Przeworski, por exemplo, chama atenção para a importância da competição política e da ampliação das bases eleitorais. Ramirez, Soysal e Shanahan identificam ainda a crescente influência da difusão internacional de modelos de cidadania inclusiva ao longo do século XX.

Essa conclusão demonstra que existem mecanismos históricos independentes da mobilização feminista capazes de explicar parte importante da expansão da cidadania política.

Por isso, talvez seja mais adequado perguntar não se as sufragistas foram importantes, mas se sua atuação foi uma condição necessária para o resultado final.

Essa distinção também permite evitar outra simplificação: a ideia de que todas as mulheres compartilhavam a mesma posição política. Mulheres contrárias ao sufrágio também participaram do debate público, demonstrando que as mulheres nunca constituíram um bloco político homogêneo. A existência de diferentes posições entre elas reforça a ideia de que o direito ao voto pertence à cidadã individualmente, e não a um movimento que pretenda falar em seu nome.

Conclusão

O sufrágio feminino foi resultado de uma combinação de fatores. A mobilização de mulheres organizadas teve importância histórica e, em determinados contextos, pode ter acelerado a mudança. Mas reconhecer essa participação não significa atribuir a um único movimento o crédito por uma transformação que foi influenciada décadas de reformas políticas, mudanças sociais e econômicas, atuação de partidos, decisões governamentais e circulação internacional de novas concepções de cidadania.

Diante de toda essa história, não parece adequado tratar o direito ao voto como propriedade histórica do movimento feminista. O sufrágio feminino surgiu dentro de um processo muito mais amplo de expansão da cidadania política.

E essa distinção importa também no presente. Uma mulher não precisa adotar as ideias de um movimento para exercer legitimamente o direito que também foi reivindicado por suas integrantes. Pode reconhecer sua importância histórica e, ainda assim, discordar de suas pautas, defender valores conservadores, a família, a religião, o livre mercado ou qualquer outra posição política.

Não faria sentido transformar essa mesma mudança em uma obrigação para que elas se curvem diante de um movimento específico.

O direito ao voto pertence à cidadã, não ao movimento. E a liberdade política só é completa quando a mulher também é livre para decidir por si mesma o que fazer com esse direito.










publicadaemhttps://mises.org.br/artigos/23164/o-voto-feminino-nao-e-uma-conquista-feminista/

Câmara dos Deputados abre licitação para aquisição de 216 eletrodomésticos

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O IMPOSTO DO PECADO

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FORMA ANTIÉTICA DE GANHAR DINHEIRO

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O ÚLTIMO TREM PRA LONGE DO DESASTRE

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Lula assina a canetada: o custo real do novo Imposto Seletivo

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PERMISSÃO PARA COMPRAR ÁGUA? FAZ U ÉLLI

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O QUE ESTÁ EM JOGO NA ELEIÇÃO DO SENADO EM FEVEREIRO

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Presidente do Paraguai Renuncia e Lula Pode Ser o Próximo!

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DISCURSO BEM DIFERENTE DA AÇÃO

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Lula Anuncia Novo Imposto do Pecado: Surreal!

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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

A política como religião e a moral do ressentimento

 Flavio Amoedo


A escassez e o consolo

O sofrimento é uma condição permanente da existência humana. Ele não nasce de um arranjo social específico, nem de uma classe, nem de um governo. Nasce da escassez, que é inerente à natureza.

Todo ser vivo luta contra a escassez de alimento, de abrigo, de tempo, de energia. O ser humano não é exceção. Nenhuma organização da sociedade, por mais engenhosa, elimina essa condição. Ela pode apenas tornar a luta mais eficiente, e é exatamente isso que a cooperação voluntária e o sistema de preços fazem.

O sofrimento, porém, não se resolve com explicações econômicas. Ele exige sentido. Durante milênios, a religião tradicional cumpriu essa função. Ela ofereceu ao indivíduo um propósito transcendente, uma explicação para a dor e uma forma de suportá-la sem culpar ninguém por ela.

Essa última característica é decisiva. Na religião tradicional, o sofrimento faz parte da condição humana. Ele não tem um culpado terreno a ser punido.

A religião secular

Quando uma sociedade abandona a explicação religiosa, o sofrimento continua lá. A necessidade de sentido também. A lacuna deixada pela religião não desaparece: ela é ocupada por outra coisa.

A ideologia de esquerda, especialmente em sua tradição marxista, rejeita a explicação metafísica do sofrimento e transfere a promessa de redenção para a política. A transformação da sociedade passa a ocupar o lugar da salvação. A igualdade assume a condição de ideal moral supremo. A militância oferece identidade, pertencimento e propósito existencial.

Essa transferência não é uma metáfora. Raymond Aron chamou de religiões seculares as doutrinas que prometem a salvação dentro da história, primeiro no ensaio “L’avenir des religions séculières”, e depois em O Ópio dos Intelectuais. Eric Voegelin, em As Religiões Políticas, analisou os movimentos totalitários de seu tempo como religiões políticas, que substituem a transcendência por uma promessa mundana de redenção. O próprio Mises, em Socialismo, apontou o caráter quiliástico do marxismo: a promessa de um reino final de reconciliação, agora situado na história e não além dela.

A política, então, deixa de ser um instrumento de coordenação social e assume características religiosas. Seus líderes são tratados como figuras sagradas. Seus princípios tornam-se dogmas, seus adversários passam a representar o mal e críticas são recebidas como heresia.

O mecanismo do ressentimento

O ressentimento não nasce na política. Nasce de uma experiência comum a todos: sofrer sem ter a quem culpar. A escassez é impessoal. A seca que destrói a colheita não tem intenção, a doença não escolhe suas vítimas e o mercado que não remunera um talento não age por maldade. Esse sofrimento sem autor é difícil de suportar justamente porque não oferece um alvo.

Ele se agrava quando passa pela comparação. Ter pouco é uma condição; ter menos do que o vizinho é uma ofensa. E a ofensa cresce quando a vida fica abaixo do que se esperava dela. Cada pessoa carrega uma ideia do quanto o mundo lhe deve, e quando o mundo entrega menos, a diferença não é sentida como acaso, mas como injustiça. Essa expectativa é uma construção da própria mente, não um dado da realidade. A frustração que ela produz, no entanto, é inteiramente real.

É aí que a ideologia encontra o ressentimento, que oferece a ele uma desculpa. O ressentido sente que foi lesado, mas não sabe por quem. A ideologia responde por ele: foi o capitalista, o rico, o empresário, o sistema. A escassez impessoal passa a ser lida como injustiça pessoal. O sofrimento ganha um autor, e o ressentimento, que era difuso, ganha direção.

A desculpa é tanto mais atraente quanto mais protege a autoestima. Mises descreveu esse fenômeno em A Mentalidade Anticapitalista. Numa sociedade de mercado, a posição de cada um depende em grande medida do valor que os outros atribuem ao que ele oferece. Quem não alcança a posição que esperava fica diante de uma conclusão difícil de aceitar sobre si mesmo. A ideologia o dispensa dela: o fracasso não é seu, é do sistema. O que era frustração privada se converte em acusação pública.

A captura

Uma vez que o sofrimento passa a ter um culpado, o ressentimento é convertido em indignação, e a indignação é elevada à condição de virtude. O que era inveja ou frustração passa a ser chamado de consciência social. Nietzsche descreveu essa inversão de valores; a diferença é que aqui ela tem uma raiz material, a escassez, que ele não identificou.

A partir desse ponto, o militante não está apenas descontente. Ele está do lado do bem. A ideologia oferece uma explicação completa para o sofrimento, identifica os culpados e promete uma sociedade reconciliada com os desejos humanos. Explicação, culpado e redenção: a mesma estrutura de qualquer religião.

Nesse estágio, a inteligência deixa de questionar as crenças e passa a reforçá-las. Quanto mais inteligente o militante, mais sofisticada se torna a racionalização. A inteligência não protege contra a captura.

Isso explica por que fatos raramente convencem um militante. Os fatos se dirigem à inteligência, mas a adesão foi feita pelo sentimento. Uma crença que dá sentido ao sofrimento não é abandonada por causa de uma estatística.

O paradoxo da dependência

O paradoxo é que, ao procurar superar o sofrimento por meio da política, o indivíduo se torna psicologicamente dependente da ideologia que promete libertá-lo.

A dependência se forma porque a militância entrega uma recompensa real. Ela oferece o que o sofrimento sem autor nunca ofereceu: um alvo para a raiva, uma comunidade de iguais e a certeza de estar do lado certo. A indignação compartilhada produz alívio imediato. O ressentido deixa de ser alguém que fracassou e passa a ser alguém que denuncia.

Essa recompensa, porém, não muda nada na situação que a provocou. A escassez que gerou o ressentimento continua lá, intacta. O militante sente alívio sem ter resolvido coisa alguma. Essa é a estrutura do vício: uma recompensa que se separou da necessidade que deveria satisfazer. A substância alivia o desconforto sem remover sua causa; por isso o desconforto volta, e com ele a necessidade de uma nova dose.

Na militância, a dose é a indignação. Cada nova denúncia, cada novo inimigo, cada nova ofensa renova o alívio por algum tempo. Como no vício, a tolerância aumenta e o discurso precisa se tornar mais radical para produzir o mesmo efeito. E, como no vício, a dependência se fecha sobre si mesma, porque o militante passa a precisar do próprio problema que alega combater.

Se a injustiça apontada fosse resolvida, a identidade do militante acabaria junto com ela. O pertencimento, o propósito e a superioridade moral desapareceriam. Por isso o movimento precisa do ressentimento vivo. Cada conquista é seguida por uma nova desigualdade a ser denunciada, e a redenção prometida nunca chega.

Estrutura e vulnerabilidade

O mecanismo descrito aqui não é exclusivo da esquerda. Ele aparece em qualquer movimento capaz de transformar sofrimento em culpa alheia. A diferença está na arquitetura de cada tradição.

Na tradição marxista, o ressentimento é estrutural. A doutrina coloca a desigualdade e a distribuição no centro do diagnóstico. A comparação, que é a origem do ressentimento, faz parte da própria teoria. Somam-se a isso a rejeição da religião tradicional, que deixa a lacuna de sentido aberta para a política, e um arcabouço intelectual construído para reforçar essa leitura. Psicologia, religião e teoria apontam na mesma direção.

Na direita, o ressentimento é uma vulnerabilidade, não um dogma. O conservadorismo e o liberalismo não colocam a comparação de riqueza no centro de suas explicações e o nacionalismo exacerbado é a forma em que essa vulnerabilidade se manifesta.

Embora a identidade e o pertencimento a uma comunidade cumpram uma função legítima no nacionalismo, esse sentimento pode distorcer-se e passar a enxergar no estrangeiro ou em outra nação o autor do seu sofrimento.

Quando o nacionalismo converte a humilhação em dogma central, como fez o nazismo ao transformar Versalhes em ferida fundadora, ele adquire a mesma estrutura do caso marxista.

O critério, portanto, não é o lado do espectro político. É a arquitetura: onde o ressentimento está no centro da doutrina, a captura é a regra; onde ele é uma falha, a captura é a exceção.

A escassez que nenhuma política abole

Nenhuma ideologia elimina a escassez. Ela pode apenas mudar a forma como o sofrimento é interpretado. A religião tradicional ensinava a suportá-lo. A religião política ensina a culpar alguém por ele.

A diferença tem consequências. Quem aceita a escassez como condição da existência procura formas de coexistir com ela e minimizá-la. É exatamente essa busca descentralizada, coordenada pelos preços, que tirou a maior parte da humanidade da miséria. Quem enxerga na escassez uma injustiça pessoal procura alguém para punir. E a punição não produz um único grão a mais.

A solução não é uma ideologia. É reconhecer o sofrimento pelo que ele é: a marca de uma vida que precisa continuar lutando contra a escassez. A escassez é um fato, e maneiras de minimizá-la nunca vêm de um partido. A minimização da escassez vem da ação de cada indivíduo, livre para buscar o alívio de seu próprio sofrimento, cooperando com os outros.













publicadaemhttps://mises.org.br/artigos/23389/a-politica-como-religiao-e-a-moral-do-ressentimento/

O ESGOTAMENTO DA ESPERANÇA

 gilbertosimõespires/pontocritico


TERAPIA DE GRUPO

Mais do que nunca, notadamente depois que o STF, pelas mãos e mentes do petista Cristiano Zanin, escolhido previamente pela maioria dos ministros que comungam da mesma ideologia -TIRÂNICA- a MISSÃO de -A QUALQUER PREÇO- fazer do candidato LULA o vencedor da ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DE 2026, as REDES SOCIAIS se transformaram rapidamente em -SALAS DE TERAPIA DE GRUPO-, onde os eleitores que acreditavam na vitória de Flávio Bolsonaro, sem ter a quem recorrer, acharam por bem se manifestar, através de textos, áudios e vídeos, um VISÍVEL SENTIMENTO que reúne  FRUSTRAÇÃO, IMPOTÊNCIA E IRREPARÁVEL PERDA.   

VAMOS TODOS MORRER NA PRAIA

Pois, com base nesta lógica de raciocínio, cabe bem compartilhar o texto do empresário Eduardo Brandão, com o título -VAMOS TODOS MORRER NA PRAIA-. Eis:

- Vou parar de falar de política. Talvez estas sejam minhas últimas palavras sobre o assunto. Não por falta de convicções, tampouco por resignação intelectual, mas por uma razão muito mais amarga: o esgotamento da esperança. A política brasileira deixou de ser o território do debate de ideias para se transformar, aos meus olhos, num exercício permanente de indignação, impotência e desalento. E há um momento na vida em que até a indignação cobra seu preço. A alma também envelhece.

É O TEMPO

Lula foi eleito, a meu juízo, graças a uma sucessão de manobras jurídicas e políticas que considero uma afronta à consciência democrática. Mas isso já não importa. Assumirá mais um mandato e, temo, governará como governou anteriormente: sustentado por um sistema de alianças, conveniências, fisiologismo e promiscuidade entre o poder político e as instituições que deveriam fiscalizá-lo.

Os Alcolumbres e os Alexandres continuarão, provavelmente, onde sempre estiveram: próximos ao poder, protegidos pelas engrenagens de um sistema que parece ter desenvolvido extraordinária capacidade de preservar seus protagonistas, enquanto consome a esperança daqueles que deveria servir. Os personagens permanecem incólumes; as instituições se desgastam; a sociedade paga a conta.

Mas o que verdadeiramente me atormenta já não é Lula. É O TEMPO. Quando outro presidente assumir depois dele, estarei com 67 anos. Sessenta e sete anos! Uma idade em que o futuro deixa de parecer uma promessa inesgotável e passa a ser medido pela urgência dos dias que ainda nos restam. E não estou sozinho nesse sentimento. Vejo meus amigos, companheiros de geração, igualmente cansados. Homens que atravessaram décadas acreditando que o Brasil poderia, enfim, encontrar seu destino. Hoje, carregamos a sensação devastadora de termos envelhecido à espera de um país que nunca chegou.

A VIDA PASSOU...

Não foram apenas anos perdidos. Foram anos que deixamos de viver plenamente, consumidos pela expectativa de uma mudança que parecia sempre próxima e que, a cada novo amanhecer, se afastava um pouco mais. Passamos praticamente todo o século XXI combatendo aquilo que consideramos a degradação política e moral do Brasil. Vimos o Partido dos Trabalhadores consolidar uma estrutura de poder que, em nossa percepção, ultrapassou a disputa eleitoral e alcançou a própria consciência de parte da sociedade. Lutamos, denunciamos, discutimos, escrevemos, votamos, protestamos. Acreditamos que a verdade prevaleceria sobre a conveniência, que as instituições resistiriam às tentações do poder e que a democracia seria capaz de corrigir seus próprios desvios.

Talvez tenhamos cometido o mais humano dos equívocos: acreditar que a história caminharia necessariamente em direção ao progresso. Mas a história não tem compromisso com nossas esperanças. O TEMPO, esse juiz silencioso e implacável, não devolve os anos sacrificados em nome de causas que não triunfaram. E há uma crueldade particular em perceber que podemos ter dedicado a melhor parte da existência a uma batalha cujo desfecho talvez não tenhamos sequer o privilégio de testemunhar. Envelhecemos lutando. E, enquanto lutávamos, a vida passou.

APENAS DESTROÇOS...

Não teremos mais a juventude necessária para recomeçar. Talvez nem a disposição para continuar. A reconstrução de uma nação exige décadas; a existência humana, entretanto, não admite prorrogações. É essa a dimensão mais dolorosa da nossa derrota: não apenas a possibilidade de perdermos o país que sonhamos construir, mas a certeza de que estamos perdendo o tempo que nos permitiria vê-lo reconstruído. Ao fim desse quarto mandato de Lula, temo que o Brasil se assemelhe a uma embarcação que atravessou sucessivas tempestades sem jamais encontrar um porto seguro. Uma nau exaurida, com o casco ferido, as velas rasgadas e a tripulação dividida entre os que ainda acreditam na travessia e os que já não distinguem o horizonte. E nós, que durante tantos anos remamos contra a correnteza, talvez já não tenhamos forças para alcançar a margem.

Há uma tragédia silenciosa em chegar ao entardecer da vida e descobrir que a pátria pela qual se lutou continua sendo uma promessa adiada. Não é apenas uma derrota política. É uma espécie de exílio dentro da própria terra. E, se existe algo mais doloroso do que perder a esperança no presente, é olhar para os filhos e netos e perceber que talvez lhes estejamos deixando como herança exatamente aquilo que passamos a vida tentando combater. Sinto muito por eles. Profundamente. Porque nós ainda tivemos o direito de sonhar com outro Brasil. Receio que eles herdem um país onde até o sonho tenha se tornado um luxo.

Ao fim e ao cabo, talvez seja esse o destino da nossa geração: assistir, impotente, ao naufrágio das próprias esperanças, enquanto o tempo recolhe, uma a uma, as forças que nos restam. E, quando a última onda finalmente alcançar a areia, talvez não haja vencedores entre nós. Apenas os destroços da nau chamada Brasil e os corpos de uma geração que passou a vida inteira tentando salvá-la. Vamos todos morrer na praia.































publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/o-esgotamento-da-esperanca


LEI FEDERAL IMPEDE ESCOLA DE PEDIR ALGUNS ITENS

 INVESTIGOU


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O que Lula está armando nos bastidores para aprisionar o Brasil | LACOMBE

 luisernestolacombe/youtube


O que Lula está armando nos bastidores para aprisionar o Brasil


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OESTE NA MIRA! Vorcaro se revolta com reportagem de Carlo Cauti sobre caso Master

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ILUSÃO DA 6 X 1

 DEP.PROFCLAUDIOBRANCHIERI/FACEBOOK


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