Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

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FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

O paradoxo do atual Governo: a política econômica que pretende distribuir renda, mas concentra patrimônio

 Yuri Vianna 


O governo Lula construiu sua identidade política em torno da defesa dos pobres, sendo conhecido como o “presidente que se preocupa com o social”. Devido à sua origem humilde, vindo de uma região com baixos indicadores socioeconômicos, construiu sua carreira política marcada pela atenção aos pobres, como aquele governo que se preocupa com o “andar de baixo” da população.

Um dos maiores exemplos dessa política são os programas sociais voltados à distribuição de renda, tendo como principal exemplo o Bolsa Família.

O programa, criado no início dos anos 2000, começou com um orçamento relativamente pequeno. Em 2006, por exemplo, o orçamento do Bolsa Família era de aproximadamente R$ 14,6 bilhões.

Hoje, o programa possui uma dimensão completamente diferente: a Lei Orçamentária de 2026 previa cerca de R$ 159,5 bilhões para o Bolsa Família. É importante fazer justiça e reconhecer que, ao longo dos anos, outros presidentes também ampliaram o valor e o alcance do programa.

E, para além do Bolsa Família, há outros programas relevantes criados nos governos de Lula: Luz para Todos (2003), ProUni (2004), Minha Casa, Minha Vida (2009), a política de valorização do salário mínimo (reajuste acima da inflação), Farmácia Popular (2004) e, mais recentemente, o Pé-de-Meia (2024).

O que se vê e o que não se vê

Mas, como diz o economista Frédéric Bastiat, a economia é feita daquilo “que se vê e do que não se vê”. Ou seja, nenhum desses programas é um benefício sem custo. Todos possuem um efeito colateral que é menos perceptível a olho nu, sobretudo para quem é leigo em economia. Poderíamos discutir esses efeitos em detalhes — o que renderia assunto suficiente para um artigo inteiro. Porém, o que quero abordar neste texto é o ponto em que o governo, com sua política econômica, acaba atuando em favor do “andar de cima”, favorecendo uma concentração de patrimônio por mecanismos que poucos conseguem perceber.

O governo que favorece o “andar de cima”

Um dos problemas mais graves da atual política econômica do governo Lula é o desequilíbrio das contas públicas. E aqui não estamos falando apenas de uma discussão abstrata entre economistas, mas de um quadro real. A arrecadação de tributos não foi suficiente para cobrir os gastos do governo federal em nenhum dos anos desse mandato. Em 2025, por exemplo, o setor público consolidado terminou o ano com déficit primário de R$ 61 bilhões.

E, evidentemente, um rombo dessa magnitude acaba gerando um gigantesco aumento de dívida, de maneira que Lula será marcado como o presidente com maior crescimento de dívida pública dentro de um mandato. Uma “proeza” ainda mais impressionante quando consideramos que isso ocorre em um cenário de arrecadação tributária recorde. O governo arrecada cada vez mais e, ainda assim, não consegue controlar o crescimento da dívida pública.

Ao praticar uma política fiscal irresponsável, o governo que se apresenta como defensor do “andar de baixo” pressiona o endividamento público e aumenta a percepção de risco fiscal. Isto é, o Brasil passa a ser percebido como um país com as contas públicas desorganizadas — e países desorganizados inevitavelmente pagam juros mais altos para financiar sua dívida.

O interessante é que, no início do mandato, Lula responsabilizava o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (indicado pelo governo anterior), pelos juros elevados. Porém, desde janeiro de 2025, quando Gabriel Galípolo assumiu a presidência do Banco Central, indicado por Lula, o presidente deixou de ter a justificativa de que os juros elevados eram de responsabilidade de Roberto Campos Neto. Mais do que isso: atualmente, os oito diretores que compõem a Diretoria Colegiada (responsável por definir a taxa de juros), além do próprio presidente do banco, foram indicados durante o governo Lula.

Ainda assim, com essa diretoria toda indicada pelo governo atual, em junho de 2025 a taxa Selic chegou a 15% ao ano, o maior nível desde 2006.

Portanto, fica cada vez mais difícil para o governo atribuir exclusivamente a um Banco Central “vindo da oposição” a responsabilidade pelos juros elevados.

O paradoxo do governo

Juros elevados têm um enorme efeito sobre a distribuição de renda e, principalmente, sobre a distribuição de patrimônio.

Isso porque as pessoas que possuem grandes aplicações financeiras são beneficiadas pela elevada remuneração dos juros. Os pobres e a classe média baixa dificilmente terão grandes somas de dinheiro aplicadas no mercado financeiro a ponto de gerar uma renda significativa com esses juros.

Não estou dizendo que uma pessoa de baixa renda não possa ter uma aplicação financeira. É evidente que pode. O ponto é que o tamanho do patrimônio faz toda a diferença.

Quem possui R$ 5 mil aplicados a uma determinada taxa de juros recebe uma remuneração completamente diferente de quem possui R$ 5 milhões.

Portanto, em um ambiente de juros elevados, quem já possui patrimônio financeiro tem muito mais capacidade de transformar os juros em renda e aumentar ainda mais seu patrimônio.

É uma transferência que não aparece em nenhum programa social. A esquerda, que tanto critica os rentistas (pessoas que vivem de renda de investimentos), não entende que a política econômica do atual governo é que os favorece.

Mas esse não é o único problema.

Concentração empresarial

Outro ponto é que juros elevados dificultam a sobrevivência das empresas e dos negócios, principalmente das pequenas e médias empresas, que normalmente possuem mais dificuldade de acesso ao capital e ao crédito.

É justamente nesses momentos de juros altos que as grandes empresas, que possuem balanços mais fortes, maior geração de caixa e acesso a crédito mais barato, conseguem sobreviver com mais facilidade.

Enquanto isso, pequenas e médias empresas enfrentam um custo financeiro muito maior.

Uma grande empresa, por outro lado, pode ter caixa próprio, emitir títulos no mercado de capitais ou conseguir crédito em condições muito mais favoráveis.

Enquanto os pequenos empresários ficam pelo caminho, as grandes empresas conseguem sobreviver, ganhar participação de mercado e, em alguns casos, adquirir concorrentes menores que não conseguiram suportar o ambiente de juros elevados.

Juros altos não atingem todos da mesma maneira. Eles podem funcionar como uma espécie de peneira: os mais frágeis são eliminados, enquanto os mais capitalizados ganham capacidade de resistir e avançar. O resultado desses juros altos é um cenário que favorece uma maior concentração empresarial.

Micro e pequenas empresas: Representam 94% do total de CNPJs negativados (cerca de 8,7 milhões de pequenos negócios). Esse relatório do Serasa Experian mostra a gravidade da situação.

Mas ressalte-se: isso não significa que os juros altos não dificultam a vida das grandes empresas. Eles prejudicam a todos. Tanto que mesmo os grandes conglomerados estão passando por dificuldades para navegar nesse cenário. O noticiário econômico tem estado repleto de grandes empresas pedindo recuperação judicial.

Um breve parênteses: os 3 “golaços” do Governo Lula

Em minhas conversas diárias sobre finanças e economia, costumo dizer que o governo Lula já poderia pedir música no programa do Fantástico, pois marcou 3 “golaços” na economia (ironia, claro). Veja quais foram eles:

  1. Endividamento das famílias em nível recorde: pelo critério do Banco Central, o endividamento também atingiu 49,90% em fevereiro de 2026, superando o pico anterior da série histórica. Pelos dados da PEIC/CNC, o endividamento também bateu recorde histórico em 2026 — chegou a 82% das famílias com algum tipo de dívida em julho de 2026, marcando o sexto mês consecutivo de alta.
  2. Endividamento das empresas em nível recorde: a inadimplência das empresas brasileiras atingiu o recorde de 9,1 milhões de CNPJs negativados em junho de 2026, somando R$ 232,9 bilhões em dívidas em atraso, conforme dados divulgados pela Serasa Experian. O número é 16,67% maior do que o registrado no mesmo mês de 2025 e recorde na série histórica iniciada em 2016. Recuperações judiciais em nível recorde: bateram recorde em 2025, com 977 processos registrados no ano, a maior marca em 10 anos, envolvendo 2.466 empresas — salto de 13%. É o maior número da série histórica iniciada em 2006.
  3. Endividamento do governo federal em nível recorde: dados divulgados em setembro de 2026 mostram que a Dívida Pública Federal totaliza R$ 9,29 trilhões em agosto de 2026.

A inflação

Por fim, um último ponto extremamente deletério é que o desequilíbrio fiscal pode contribuir para a manutenção de uma inflação mais persistente.

E é justamente a população mais pobre que costuma ser mais castigada pela inflação. Isso acontece porque uma pessoa de alta renda normalmente possui maior sobra de caixa em seu orçamento e consegue direcionar parte de seu patrimônio para investimentos capazes de proteger ou até superar a inflação.

Ela pode possuir títulos indexados à inflação, imóveis e ações de empresas cujas receitas são corrigidas pela inflação.

Já uma pessoa de baixa renda muitas vezes utiliza praticamente toda a sua renda mensal para consumir bens e serviços essenciais. Quem possui patrimônio consegue utilizar o próprio patrimônio para se proteger da inflação. Quem não possui patrimônio precisa viver da renda do trabalho e sofre diretamente com o aumento do custo de vida. Ou seja, a inflação não atinge todas as pessoas da mesma maneira.

Ademais, o conhecido efeito Cantillon mostra que a inflação não é apenas uma questão de aumento generalizado dos preços, mas ela beneficia uns em detrimento de outros. Aqueles que estão mais perto da “impressora” são mais beneficiados. Quem recebe primeiro o dinheiro recém-emitido pode utilizá-lo antes que os preços aumentem, enquanto aqueles que recebem esse dinheiro mais tarde, como trabalhadores cujos salários demoram a ser reajustados, podem perder poder de compra. Isso nos mostra como a expansão monetária (emissão de moeda) se propaga pela economia de maneira desigual. Os pobres tendem a ser os últimos a ter acesso a esse novo dinheiro, recebendo-o no momento em que os preços já subiram, tendo assim menos poder de compra.

Conclusão

Portanto, boa parte da mecânica deletéria da política econômica do atual governo pode ser explicitada num breve resumo:

Um governo perdulário faz com que os gastos públicos não sejam cobertos por uma arrecadação de tributos em nível recorde e, quando não se consegue equilibrar adequadamente as contas públicas, contribui-se para termos juros elevados.

Juros elevados remuneram melhor aqueles que possuem grandes patrimônios financeiros, encarecem o crédito, dificultam a sobrevivência das empresas (sobretudo as pequenas e médias) e podem favorecer uma maior concentração empresarial.

Ao mesmo tempo, uma inflação persistente tende a castigar proporcionalmente mais aqueles que possuem menor capacidade de proteção patrimonial através de aplicações financeiras e demais ativos reais. O governo Lula construiu sua identidade política em torno da defesa dos pobres, mas sua política fiscal faz o contrário: ela produz efeitos econômicos que favorecem justamente aqueles que já possuem patrimônio.












publicadaemhttps://mises.org.br/artigos/23380/o-paradoxo-do-atual-governo-a-politica-economica-que-pretende-distribuir-renda-mas-concentra-patrimonio/

'Lula 4: como navegar com quem decidiu afundar o navio?'

por Adalberto Piotto A herança maldita de Lula se volta contra ele próprio. E é enorme em déficits e rombos do próprio governo e endividamentos de famílias e empresas. Quem vai tapar o buraco?


O Brasil foi dormir na noite deste domingo, 25 de outubro, sem futuro definido. Lula saiu vitorioso, mas Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado. Nem poderia. A sucessão de abuso de poder pelo governo federal na eleição, somada à manobra de Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal, em prorrogar a eleição por mais duas horas, com uma canetada monocrática, é sem precedentes na vida nacional. A virada de Lula sobre Flávio não consegue ser explicada pela estatística. De uma vantagem em torno de 2 milhões de votos no 1º turno, Flávio Bolsonaro perdeu a eleição neste domingo com uma diferença de mais de 4 milhões de votos. 

Lula teve um acréscimo superior a 10 milhões de votos. Os números eleitorais poderão ter alguma explicação na redução da abstenção — apenas parcial —, em alguma virada de opinião do eleitor e muito na compra descarada de votos de Lula com a série de medidas eleitoreiras que anunciou às vésperas da eleição e dias antes do 2º turno. 

No Brasil, sem lei de Lula 3, distante da democracia, o ministro Gilmar Mendes, do STF, autorizou o governo a pagar um aumento do Bolsa Família na semana que antecedeu a votação deste domingo. Foi um atropelo da Justiça Eleitoral e da paridade de armas entre os candidatos, com desmesurado abuso de poder pelo presidente que concorria à reeleição. É a democracia que foi afrontada. De novo. Como já fora na perseguição que o bolsonarismo e a direita sofreram em 2022, quando da volta de Lula ao poder. Questões de legalidade eleitoral à parte, concentro-me aqui no futuro econômico do país sob Lula 4. Ou completa ausência de futuro.

O primeiro sinal foi dado ainda na noite de domingo. Na Bolsa de Nova York, a principal ETF ligada a ativos brasileiros, um fundo de investimento, despencou 19,63% nos primeiros momentos do anúncio da vitória de Lula. A mesma ETF havia crescido quase 2% na semana passada com a expectativa de vitória de Flávio. O comportamento dos investidores americanos é um sinal de crise à vista. Quem vai investir no país e quem vai pagar os sucessivos déficits do governo? 

No Brasil dos brasileiros que trabalham e produzem, que viveram os últimos quatro anos aprisionados por uma política velha, perdulária e que lhes amedrontava diariamente com perseguição estatal, Lula continua um peso insuportável nas costas. Algo inimaginável até poucos meses atrás. Continuará a se ter um governo jogando a favor de si e contra a livre iniciativa.

Lula 3 pode ser definido em duas palavras: herança maldita. E quando me refiro a essa expressão que o próprio Lula usou lá atrás, em 2003, para injustamente definir o legado dos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, que ele sucedia, é porque o país só veio a experimentar tal herança muito tempo depois, com o desastre de Dilma Rousseff. Afastada do cargo em 2016, depois de 13 anos e meio de governos petistas, o ápice da incompetência e maldição petista sobre o país havia sido atingido. A herança maldita que Lula dizia ter herdado era mentira. A que Dilma deixou e a que ele deixará são reais. 

Os crimes de responsabilidade fiscal e a mais brutal recessão econômica de nossa história de 10 anos atrás levaram a afilhada de Lula ao impeachment constitucional, que devolveu o Brasil aos brasileiros. Fato é que a “mulher sapiens” do “estoca vento” e que não enxerga as “nuvens” de dados cibernéticos praticamente moldou este terceiro mandato de Lula. E agora, Lula 4 herda de Lula 3 uma herança de degradação nas contas públicas e um mercado reticente em investir e acreditar no país. Neste 2026, depois de voltar ao poder e governar movido a bile, ódio e perseguição política, com um time de assessores mais afeiçoados a serviçais sem voz ativa e nenhuma perícia — o padrão do PT no governo —, Lula entrega para si algo ainda pior. 

O descalabro fiscal “a la Dilma” vem acompanhado de um desarranjo institucional sem precedentes, fonte inesgotável de insegurança jurídica e descompasso com a Constituição, em que apenas ele, seu governo e seus aliados mais próximos ganharam. O Brasil, os brasileiros, todos os demais perderam. Inclusive o desavisado ou comprado eleitor de Lula nesta eleição. 

Desde 2023, o país vem acumulando déficits primários que já somam mais de R$ 335 bilhões. Déficit primário é o quanto você gasta mais do que arrecada e sinaliza que está piorando a dívida do país como um todo. O déficit nominal, quando você também soma o quanto de juros o governo paga — e paga cada vez mais porque aumenta a dívida —, só em 2025 ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão. Não por acaso, a relação dívida/PIB que Lula herdou como herança bendita de Bolsonaro, de 72%, atingiu o número astronômico da irresponsabilidade: 83%. 

 O governo atual não vê problema nisso, Lula trata o tema com desdém. José Sérgio Gabrielli, coordenador da campanha petista, chamou a crise fiscal de “fake news” e de que seria um “mito” que a alta da relação Dívida/PIB seja um problema. Declarações estúpidas ou de má-fé. Um governo que se endivida demais e despreza os mais básicos fundamentos da economia perde a confiança do mercado, que é quem financia o déficit do governo. Dinheiro não dá em árvore. É sempre alguém que aceita pagar por algo. Mas que já não está mais aceitando.

No fim de 2024, um primeiro sinal do descarrilamento entre o governo e a boa gestão. À época, o Tesouro chegou a não vender quase nenhum dos títulos da dívida que financiariam o rombo daquele ano por desconfiança da capacidade do governo de honrar contratos. Em junho deste ano, mais uma vez. Para rolar a dívida, o governo chegou a oferecer títulos de IPCA (a inflação oficial) mais 8,5% de rendimento líquido e não encontrou compradores.

 Política e economia foram feitas para andarem juntas. Mas, quando a política ignora a matemática ou o significado das coisas, a conta não fecha. O governo insistiu no populismo e tentou vender a ideia de que dívida pública, rombo fiscal, e dificuldade em encontrar credores para a dívida pública seriam temas distantes da realidade cotidiana das pessoas. Erro de cálculo grosseiro. Economia é feita de gente. E gente respira, olha ao redor, faz contas e chega a conclusões.


Longe dos grandes números da macroeconomia, que dá a exata dimensão de terror das contas do governo, 82% das famílias brasileiras se viram endividadas. Quase 7 mil empresas recorreram à recuperação judicial ou extrajudicial porque não conseguiram lidar com o ambiente de juros altos e burocracia governamental. Da Brasília de Lula não vinha solução, vinha deboche: “se não tem picanha, come ovo”, disse o agora presidente derrotado. “O agro é fascista”, insistiu ele. São mais de 9,3 milhões de empresas negativadas com dívidas de R$ 244 bilhões. Parte disso tudo vem do agronegócio, o orgulho nacional que garante a balança comercial do país, mas é maltratado pelo presidente agora reeleito. 

A crise no setor privado é endêmica e tem origem na Brasília lulopetista que piora a situação até no que só depende dela. As estatais voltaram a dar prejuízo astronômico. Até agosto desse ano, excluindo a Petrobras e a Eletrobras, as estatais geraram um rombo de R$ 24,3 bilhões. Só os Correios, estatal do primeiro escândalo petista do Mensalão, em 2005, têm um rombo acumulado de R$ 11,7 bilhões. E aí é que está a parte ainda mais preocupante da herança amaldiçoada pela política de baixo nível do atual governo. Lula 3 está se dando um governo abarrotado de gente incompetente, acomodada em cabides de emprego na máquina pública e uma república disfuncional, altamente partidarizada e corroída por interesses de compadrio, com cortes tomadas por juízes militantes que desfizeram o básico da democracia e da lei: a igualdade entre todos os brasileiros e a previsibilidade. 

O retrocesso institucional no país é gigantesco. Basta ver a politização do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, tomados por aliados de Lula e simpáticos à esquerda.

O descalabro institucional em que se transformou o país é de Lula. O custo eleitoral de quase R$ 300 bilhões das medidas eleitoreiras de Lula em campanha será do Lula, agora reeleito. Mas o custo Brasil, que piorou dramaticamente com o último governo até será a marca de Lula 4, mas terá de ser pago pelos brasileiros. Lula passará. O rombo econômico e o desmonte da república, despudorado de qualquer sentimento de ética e preservação da vida nacional, não! 

Se a oposição não for bem-sucedida em seu justo questionamento sobre como estas eleições foram burladas pelo abuso de poder e intervencionismo do Supremo; ou se o novo Congresso eleito no início de outubro, majoritariamente conservador e de direita, não conseguir limitar um Lula 4, renovado em seu governo movido a bile, a resiliência brasileira será testada como nunca.


Adalberto Piotto - Revista Oeste











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'O triunfo da malandragem'

 augustonunes O descondenade fez o diabo para conseguir o quarto mandato


P ela primeira vez desde a Proclamação da República, o advogado de um presidente candidato à reeleição, e por ele premiado com uma vaga no Supremo Tribunal Federal, decidiu monocraticamente adiar por duas horas o encerramento de uma votação nacional. Pior: a decisão de Cristiano Zanin foi anunciada às 17h01, um minuto depois do horário fixado. Pela primeira vez desde que o Brasil adotou o sistema da eleição em dois turnos, um candidato derrotado no primeiro (por uma diferença de 2 milhões de votos) venceu o segundo (com uma vantagem de quase 5 milhões). Estranhamente, também pela primeira vez, a taxa de abstenção registrou uma queda de 3 milhões de eleitores do primeiro para o segundo turno. Pela primeira vez no mundo, um político conseguiu, no curto prazo de três semanas, anexar mais 10 milhões de cabeças a seu rebanho de eleitores. Pela primeira vez, nenhum instituto de pesquisas eleitorais registrou qualquer indício da virada de dimensões amazônicas. Dois dias antes de completar 81 anos, Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu, graças à soma desses assombros, mais quatro anos na chefia do governo brasileiro. 

Segundo a apuração oficial, Lula obteve, neste 25 de outubro, mais de 64 milhões de votos. No primeiro turno, estacionou abaixo de 54 milhões. O senador Flávio Bolsonaro, candidato da oposição, não conseguiu chegar a 60 milhões. Em 4 de outubro, ele ultrapassou a marca de 56 milhões. “A gente faz o diabo pra ganhar a eleição”, confessou Dilma Rousseff ao vencer Aécio Neves em 2014. Para conquistar o quarto mandato, Lula inspirou-se nessa lição que ensinou à discípula. Transformou de vez o Bolsa Família numa fábrica de dependentes desinformados, fez do buquê de “programas sociais” o maior sistema de compra de votos do planeta e gastou bilhões de reais inexistentes em medidas populistas. Ao longo da campanha, sobretudo nos dois debates na TV, mentiu mais do que nunca.

Além da amputação de plurais e do r final dos infinitivos, os falatórios de Lula em sua última campanha foram perturbados por estranhos curtocircuitos. Na Band, por exemplo, afirmou que nos próximos quatro anos acabaria com o Brasil. Na Globo, depois de uma pausa, recitou o seguinte: “Imposto, imposto, imposto, se alguém lhe fala todo santo dia imposto, imposto, imposto… porque pra eles… o que pesa pra eles é melhorá a vida do povo.” 

No mesmo debate, desconfiou do inimigo: “Eu não sei se o meu adversário fala baixo pra mim não escutá”. Em seguida, prometeu combater organizações narcoterroristas com a extinção da polícia e, mais de uma vez, recomendou a Flávio Bolsonaro, à plateia e aos espectadores que fossem “ao Gugo”, caso não entendessem alguma coisa. Quem foi ao Google descobriu que Lula mentira ao revelar de que forma conseguiu conhecer o Brasil: percorreu 91 mil quilômetros de ônibus, barco e trem. Tal proeza é impossível. A distância equivale a mais de duas voltas completas ao redor do planeta.

Lula ampliou a manada de cabos eleitorais com a inclusão da imprensa estatizada, dos institutos de pesquisa reduzidos a lojinhas de porcentagens, da máquina federal e dos devotos da seita, fora o resto. O ex-advogado Cristiano Zanin, presenteado por Lula com uma vaga no STF, foi o ministro que decidiu adiar o fim da votação para as sete horas da noite. Zanin passou meses afirmando que seu cliente mais ilustre não era corrupto e lavador de dinheiro, ofícios que custaram a Lula a condenação a nove anos de cadeia pelo juiz Sérgio Moro, agora governador eleito do Paraná. 

O TRF da 4ª Região aumentou a pena para 12 anos. O Superior Tribunal de Justiça endossou a decisão. Zanin só não mente mais que Lula, que sempre foi essencialmente um assassino da verdade. Mentindo, abandonou o emprego de torneiro mecânico para virar primeiro-secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Procurado pela também viúva Marisa Letícia, que queria tratar do caso do marido morto, Lula engavetou a papelada até conseguir seduzi-la. Assumiu o comando da entidade amparado em outra falácia: aquele pernambucano atarracado e barbudo jamais abandonava companheiros de lutas. Todos foram esquecidos em algum lugar do caminho percorrido pelo operário que se converteu em político profissional depois da fundação do Partido dos Trabalhadores em fevereiro de 1980. 

Candidato a governador de São Paulo em 1982, perdeu para Franco Montoro, Reinaldo de Barros e Jânio Quadros. Mas conseguiu mais de 1 milhão de votos e, sobretudo, aprendeu a tapear plateias. Diante de órfãos dos grupelhos que tentaram derrubar a bala a ditadura militar e substituí-la pela ditadura do proletariado, ou estudantes que sem terem lido uma única vírgula de O Capital se apaixonavam pelo líder operário com jeitão de marxista, Lula repetia o refrão da campanha: “Vote 3, porque o resto é burguês”. Se houvesse muitos burgueses entre os espectadores, abrandava o falatório: “Não sou de esquerda nem de direita. Sou torneiro mecânico”. 

Até virar presidente de sindicato, Lula jurava querer distância de partidos e ideologias. “Detesto política e quem gosta de política”, repetia. Em julho de 1979, entrevistado pela revista Playboy, mudou de ideia. Revelou que entre as celebridades que admirava estavam o ditador cubano Fidel Castro, Tiradentes, Gandhi, Che Guevara, Mao Tsé-Tung e Adolf Hitler. Diante da expressão intrigada do jornalista, tentou explicarse: “Não apoio todas as ideias do Hitler, mas ele tinha uma coisa que eu admiro num homem. O fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer”. Em 1989, transferiu-se para a banda esquerda: “Sou daqueles que acreditam que o socialismo é o melhor sistema político”, informou o candidato à Presidência da República pelo PT, 

Com a dissolução do colosso comunista e o fim da Guerra Fria, começou a referir-se a si próprio como se o apelido fosse alguma entidade. “Só o Lula pode dar um jeito no Brasil”, por exemplo. Para quem vê as coisas como as coisas são, ficou claro que Lula sempre fora e sempre seria apenas lulista. O mais fanático e passional dos lulistas. Foi assim que o que poderia ter sido um partido virou seita, cujos devotos veem no líder seu único deus. Lula transformou seu altar em palanque ambulante. Derrotado por Fernando Collor na primeira tentativa de instalar-se no Palácio do Planalto, também perdeu para Fernando Henrique Cardoso os duelos de 1994 e 1998. Concretizou o sonho neste século ao vencer José Serra no pleito de 2002. Reeleito em 2006, esperaria 12 anos para voltar ao cargo que deixara no fim de 2010. 

A partir de janeiro, Lula terá de lidar com seu próprio legado. Ele sempre atribuiu a terceiros os problemas que cria ou aumenta. Fernando Henrique Cardoso, que o derrotou duas vezes já no primeiro turno, entregou-lhe em janeiro de 2003 um país com a moeda estável, modernizado pelas privatizações de estatais deficitárias e em pleno desenvolvimento. No dia da posse, Lula despediu-se do antecessor que lhe entregara a faixa com uma mentira carinhosa: “Aqui você sempre terá um amigo”. Três meses depois, de passagem por Paris em companhia de Lula, o ministro Antônio Palocci telefonou para FHC, que também estava na capital da França. “Em nome do presidente, quero agradecer ao senhor pelo país que recebemos”, ouviu o ex-presidente. Ainda em 2003, Lula responsabilizou Fernando Henrique por todos os problemas passados, presentes e futuros do Brasil: “Ele me deixou uma herança maldita”. 

Maldita é a herança com que o presidente reeleito terá de lidar — e enfrentando, pela primeira vez, uma oposição vigorosa, fortalecida pela conquista de 16 governos estaduais e majoritária tanto na Câmara quanto no Senado. Na noite deste domingo, tão logo terminou a apuração, Flávio Bolsonaro avisou que não reconhece o resultado oficial e pedirá a anulação da disputa manchada pela interferência de outro Poder. Se é que isso serve de consolo, Flávio escapou da missão de encontrar soluções para um Brasil submerso no poço de areia movediça escavado pela fusão da crise econômica, da incompetência administrativa, da corrupção endêmica e de um Supremo Tribunal Federal em adiantado estágio de decomposição.

Augusto Nunes - Revista Oeste













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O Estado encarece a vida e o crédito vira sobrevivência

   Isaías Fonseca 

O superendividamento da população brasileira deixou de ser um problema individual para se tornar um dos sintomas mais evidentes de uma economia estruturalmente desequilibrada. Milhões de brasileiros convivem diariamente com parcelas, cartões de crédito, empréstimos, financiamentos e contas atrasadas. Para uma parcela crescente da população, o crédito já não representa um instrumento para antecipar investimentos ou realizar projetos, mas uma forma de sobreviver até o próximo salário. Os números ajudam a dimensionar o problema. Em julho de 2026, 82% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, o maior patamar da série da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor. Além disso, quase 30% das famílias possuíam dívidas em atraso, enquanto o comprometimento da renda com o pagamento de obrigações financeiras permanecia em níveis elevados.

Sob uma perspectiva liberal, esses números exigem uma análise mais profunda do que a simples condenação moral do consumidor. É confortável atribuir o endividamento exclusivamente à falta de educação financeira ou ao consumo irresponsável. Evidentemente, decisões individuais importam, e educação financeira é necessária. No entanto, não se pode ignorar o ambiente econômico em que essas decisões são tomadas. Quando o custo de vida cresce, a renda perde poder de compra e o crédito é extremamente caro, o endividamento deixa de ser apenas uma escolha e passa, muitas vezes, a ser uma consequência previsível do próprio funcionamento da economia.

Um dos principais elementos da crise de endividamento brasileira é o extraordinário custo do crédito. Dados recentes do Banco Central indicam que a taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas alcançou 64% ao ano em junho de 2026. Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias chegou a 49,8% e o comprometimento da renda com dívidas atingiu 28,5%.

É importante compreender o significado desses números. Uma economia saudável deveria permitir que o crédito fosse utilizado principalmente para financiar investimentos, aquisição de bens duráveis e projetos capazes de aumentar a produtividade e o patrimônio das famílias. No Brasil, porém, uma parcela significativa do crédito é utilizada para cobrir despesas correntes, reorganizar dívidas anteriores ou compensar temporariamente a perda do poder de compra.

Como observava Frédéric Bastiat, uma das grandes dificuldades da política econômica é enxergar não apenas os efeitos imediatos de uma medida, mas também suas consequências indiretas e futuras. O crédito fácil ou emergencial pode resolver um problema momentâneo, mas, quando contratado a juros excessivos, transforma uma dificuldade presente em um problema ainda maior no futuro. A dívida, nesse contexto, funciona como uma espécie de imposto sobre o amanhã. O consumidor recebe recursos hoje, mas compromete uma parte crescente de sua renda futura. Quando milhões de famílias fazem isso simultaneamente, o resultado é uma economia com menor capacidade de consumo, investimento e poupança.

O Estado também pesa no orçamento das famílias. Uma análise liberal não pode ignorar a responsabilidade do Estado na deterioração do poder de compra da população. O cidadão brasileiro não administra seu salário em um ambiente de livre escolha. Antes mesmo de decidir como gastar sua renda, ele já enfrenta uma complexa estrutura de impostos diretos e indiretos, além de custos regulatórios que se incorporam aos preços de praticamente todos os produtos e serviços.

O trabalhador produz, recebe seu salário e, antes de consumir, vê uma parcela relevante de sua renda ser absorvida por tributos. Ao comprar alimentos, energia, combustível, medicamentos e outros bens essenciais, volta a pagar impostos embutidos nos preços. O resultado é que o orçamento familiar precisa sustentar não apenas as necessidades privadas, mas também uma estrutura estatal frequentemente cara e ineficiente.

Essa realidade é especialmente cruel para as famílias de menor renda. A própria PEIC mostra que o endividamento é mais elevado entre os lares com renda de até três salários mínimos, grupo no qual a inadimplência também é significativamente superior à observada entre as famílias mais ricas. O problema, portanto, não é simplesmente que o brasileiro “gasta demais”. Muitas vezes, ele vive em uma economia na qual custa caro demais simplesmente existir. Inflação, juros e a armadilha do crédito. A inflação também desempenha um papel central nesse processo. Quando os preços sobem persistentemente, o poder de compra dos salários diminui. A família que conseguia pagar suas despesas básicas com determinada renda passa a enfrentar um déficit mensal. A solução imediata costuma ser o cartão de crédito, o cheque especial ou o empréstimo pessoal, mas essa solução pode se transformar rapidamente em uma armadilha.

O Banco Central tem o dever de combater a inflação, e taxas de juros elevadas são um dos instrumentos utilizados para isso. O problema é que, em uma economia marcada por desequilíbrios fiscais, baixa produtividade, insegurança jurídica e elevado risco econômico, o combate à inflação frequentemente ocorre em um ambiente no qual o custo do crédito já é estruturalmente alto. O resultado é paradoxal: o cidadão sofre primeiro com a perda do poder de compra e, depois, com o encarecimento do crédito utilizado para compensar essa perda. Em outras palavras, o brasileiro é pressionado dos dois lados. Quando consome, enfrenta preços elevados. Quando precisa recorrer ao crédito, enfrenta juros elevados.

Não é por acaso que a inadimplência atingiu números históricos. Dados divulgados pela Serasa indicaram que mais de 83 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em 2026, representando mais da metade da população adulta. O fenômeno também não parece ser temporário: uma parcela expressiva dos inadimplentes atuais já enfrentava restrições financeiras há uma década, demonstrando o caráter persistente do problema.

Superendividamento não se resolve com mais dependência

Diante desse cenário, é comum surgirem propostas de novas linhas de crédito subsidiadas, renegociações permanentes e programas estatais destinados a administrar os efeitos do endividamento. Embora algumas medidas possam aliviar situações emergenciais, é necessário cuidado para não tratar apenas os sintomas. Uma economia não se torna mais saudável simplesmente porque o Estado transfere ou reorganiza dívidas. Se os custos estruturais permanecem os mesmos, a população pode voltar a se endividar pouco tempo depois.

O liberalismo defende que a verdadeira solução deve estar na criação de condições para que o cidadão dependa menos do crédito para manter seu padrão básico de vida. Isso significa uma economia mais produtiva, maior liberdade para empreender, concorrência real no sistema financeiro, simplificação tributária, responsabilidade fiscal e redução dos obstáculos que encarecem a produção e o consumo. Milton Friedman defendia que não existe almoço grátis. Toda política pública tem custos, mesmo quando esses custos não aparecem imediatamente. Subsídios são pagos por impostos, déficits públicos precisam ser financiados e a expansão irresponsável dos gastos pode gerar inflação, juros mais altos ou aumento da dívida pública. Por isso, prometer soluções fáceis para o endividamento sem discutir a origem do problema pode apenas transferir a conta de um lugar para outro.

Defender uma visão liberal não significa absolver o indivíduo de suas escolhas. Educação financeira, planejamento, poupança e consumo consciente são fundamentais. O cidadão precisa compreender que crédito não é renda e que uma parcela aparentemente pequena pode esconder um custo financeiro gigantesco. Mas responsabilidade individual não pode servir como desculpa para ignorar a responsabilidade das instituições. É incoerente exigir planejamento financeiro perfeito de uma população submetida a inflação, tributação complexa, crédito caro e sucessivas incertezas econômicas. Da mesma forma, não é razoável imaginar que programas governamentais de renegociação serão suficientes enquanto milhões de brasileiros continuam sendo empurrados para novas dívidas. A liberdade econômica pressupõe indivíduos responsáveis, mas também um Estado que reconheça os limites de sua atuação. Quanto mais caro, burocrático e imprevisível é o ambiente econômico, menor é a capacidade das pessoas de planejar suas próprias vidas.

O superendividamento brasileiro é um retrato de uma população que, em muitos casos, passou a financiar o presente com um futuro que já está comprometido. Os números atuais revelam uma sociedade pressionada pelo alto custo de vida e por um sistema de crédito que pode transformar pequenas dificuldades em longos ciclos de dependência financeira. A solução não está em demonizar o consumidor nem em acreditar que o Estado pode, sozinho, administrar eternamente as consequências das dívidas. É preciso atacar as causas estruturais: reduzir o custo de produzir e consumir, ampliar a concorrência, fortalecer a responsabilidade fiscal, aumentar a segurança jurídica e criar um ambiente no qual o trabalho e a poupança sejam alternativas mais viáveis do que o endividamento permanente.

Como alertava Bastiat, é preciso olhar além do que se vê. O parcelamento que parece facilitar uma compra hoje pode representar renda comprometida amanhã. O benefício estatal que parece gratuito possui um custo que será pago por alguém. A dívida que parece uma solução temporária pode se transformar em uma prisão financeira. O Brasil precisa, portanto, de menos ilusões financeiras e mais liberdade econômica. Não para abandonar o cidadão à própria sorte, mas para devolver a ele aquilo que uma economia excessivamente onerosa muitas vezes lhe retira: a capacidade de construir o próprio futuro sem precisar endividá-lo todos os meses.






publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/o-estado-encarece-a-vida-e-o-credito-vira-sobrevivencia/


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