Jornalista Andrade Junior

segunda-feira, 9 de março de 2026

Perspectivas liberais iniciais sobre o Irã

  Bernardo Santoro


Em 1979, o Irã deixou de ser uma monarquia politicamente autoritária, ainda que liberal e secular nos costumes e na economia, para se tornar uma teocracia autoritária que, sob a promessa de justiça social, independência e incentivadora de costumes conservadores, gerou um estado extremamente opressor.

Vou aprofundar.

A Revolução de 1979 foi estruturalmente antiliberal.

No campo econômico, uma esquerda bem socialista, defensora de uma forte redistribuição de renda, com controle de setores estratégicos e retórica anti-mercado.

Nos costumes, impôs um conservadorismo islâmico rígido, podendo ser acusada como “de direita”, transformando moral religiosa em lei estatal, regulando vestimenta, comportamento e expressão.

Entregou um regime que controla eleições, sufoca a economia, regula costumes, vigia comportamento moral de mulheres e oprime dissidentes. Uma revolução contra a liberdade em todas as suas dimensões.

É falso, no entanto, o argumento de que a revolução de 1979 foi uma ocupação estrangeira árabe na comunidade persa. Ela foi uma revolução de raiz popular, vinda de uma sociedade profundamente religiosa que vivia sob um Estado modernizador e relativamente secular ao qual o povo da época se opunha.

A ocupação árabe da Pérsia ocorreu no séc. VII, quando o império persa foi derrotado pelos exércitos árabes muçulmanos, levando à queda do Estado persa zoroastrista.

Mas os árabes foram depois embora e os persas escolheram ficar com o islã.

Os mais de 1.500 anos de islã no local mudaram os persas da mesma maneira que os persas mudaram o islã. Não à toa, enquanto a maioria dos árabes são sunitas, os persas são xiitas e tem sua própria visão da religião.

Pode ser que a nova sociedade persa, em um Irã pós-regime, queira reconstruir sua identidade nacional resgatando o zoroastrismo e os símbolos persas de um passado remoto como oposição ao radicalismo que os próprios persas construíram, mas esse seria um movimento de elite, não de base popular, ainda que o regime esteja desgastado com sua própria base.

Talvez eu escreva mais sobre isso nesta semana. Hoje vou apenas comemorar o fim desse ditador que representa tudo o que o liberalismo, e eu, abominamos.









 publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/perspectivas-liberais-iniciais-sobre-o-ira/

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