Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Fascismo-leninismo na veia

  Ricardo Vélez-Rodríguez 


Se é para dar nome à estrovenga patrimonialista que nos assoberba, diria com Arnaldo Süssekind (1917-2012) que se trata de um esquema de dominação fascista-leninista. Digo “fascista” porque é corporativista, de cima a baixo, o espírito estamental que se espraiou pela sociedade e o Estado como metástase vertiginosa, já desde o período getuliano que sagrou tal condição na “Polaca”, a Constituição de inspiração fascista do Estado Novo em 37. Diria que a estrovenga é também “leninista”, porque empacotou os organismos sindicais na figura do “Sindicato Único”, posto em prática por Lenine (1870-1924) na Rússia após a Revolução de Outubro de 1918 e copiado na legislação trabalhista do getulismo após a Revolução de 30. O que Lula fez já desde o seu primeiro governo em 2003 foi privilegiar, à maneira getuliana, a infraestrutura sindical como chão firme da lambança petista, que no Mensalão e no Petrolão aliviou os cofres da União via empréstimos “democráticos” do BNDES em benefício de amigos e apaniguados (no Brasil e no exterior), isentando os sindicatos, aliás, de prestar contas ao TCU.

O bravo general Golbery (1911-1987) teria ficado assustado ao ver os resultados alvissareiros do ângulo trabalhista do jovem líder sindical posto aos cuidados do delegado Romeu Tuma nos idos de 79, quando, como informante a serviço dos militares, lhes passou os nomes dos líderes sindicais. O general considerava que, com Lula a serviço do regime, o trabalhismo getuliano estaria mortinho da silva. Coisa nenhuma. O peleguismo de Vargas entrou em nova fase de revigoramento, ao ensejo do velho corporativismo adotado por Lula.

Foi marcante, nos anais do populismo sindical, a dialética do progresso-retrocesso inaugurada em ritmo do tango justicialista, que desde a época áurea do Peronismo marca o baile de um passo para frente e dois para trás do eterno atraso progressista adotado como pano de fundo do patrimonialismo latino-americano. Lembro do que me dizia o grande Ernesto Sábato (1911-2011), quando da visita que lhe fiz em Santos Lugares, perto de Buenos Aires: “el tango es un pensamento triste que se baila”.

Convenhamos que os arquitetos da dominação patrimonialista latino-americana têm sido bastante criativos na arte de colocar a estrutura do Estado a serviço do seu projeto de gerir o público como privado. O velho esquema de apropriação do Estado, retomado na dialética barrosiana de que “o poder se toma, não se ganha”, já tinha sido originariamente praticado pelo coronel Hugo Chávez (1954-2013), na Venezuela, ao empoderar a Suprema Corte que garantiria as suas reeleições “sine fine”. Nada de original, portanto, no putsch monocrático do ministro Alexandre de Moraes, ao criar a etérea área de enquadramento de qualquer protesto ao ensejo do processo contra as “Fake News”, novo nome dado à prática da oposição, nessa original criação jurídica do “direito achado na rua”, que permite, ao mesmo monocrata, indiciar, prender, julgar e condenar à maneira das “Lettres Cachées” (“Decretos Segredos”) de Luís XIV (1638-1715).

Mas não se trata, a esta altura do campeonato, de conspirar contra os ocupantes da alta cúpula do Estado. Trata-se, sim, de resgatar o lugar que cabe aos cidadãos, que com os seus impostos pagam o funcionamento de toda a máquina estatal, incluídos aí os polpudos salários dos seus administradores. O lugar para os cidadãos lutarem em prol dos seus direitos políticos e econômicos tolhidos nessa guerra surda das Fake News é o Parlamento, popularmente chamado de “A Casa do Povo”.

Essa casa, sabemos pelos constitucionalistas que normatizaram a Democracia Representativa na modernidade, desde o século XVII, consta de Duas Câmaras, aquela que representa, como dizia Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846), nosso primeiro grande constitucionalista, “os interesses transitórios dos indivíduos” na Câmara dos Deputados, e a Câmara Alta, o Senado, que representa “os interesses permanentes da Nação”, aqueles sem cuja defesa periclitariam a integridade territorial e a permanência das instituições democráticas que garantem a governança. A época é de cobrança de nós, eleitores, em relação aos nossos representantes.

Os políticos têm de serem instados, pelos seus eleitores, para que cumpram o papel que lhes corresponde de serem os seus representantes tanto na Câmara Baixa (dos Deputados) quanto na Câmara Alta (o Senado). A primeira cobrança, nestes tumultuados tempos, deve ser feita em relação ao desmonte das irregularidades legais que foram sendo levantadas, aos poucos, pela alta cúpula do Judiciário (no TSE e no STF), para tolher o direito dos cidadãos a se exprimirem e a protestarem, ao verem os seus direitos tolhidos. Essas ações, claro, abarcam também os devidos processos de impeachment, no Senado, a serem instaurados contra aqueles membros da alta magistratura que desconheceram criminosamente os direitos dos cidadãos à livre expressão.

Confesso, ao analisar os desvios orçamentívoros do Estado patrimonial atual na América Latina, que fico com saudades da criatividade literária de outras épocas para colocar no pelourinho da tragicomédia toda essa cena de safadeza pouco republicana. Valorizo demais as toadas de repentista genial que o médico e senador gaúcho Ramiro Fortes de Barcellos (1851-1916) entoou na sua obra-prima, de 1915, Antônio Chimango, com a qual verberou as crônicas “reeleições” de Antônio Augusto Borges de Medeiros (1863-1961), seu primo, chamado de “O Chimango”.

Ficaram famosos os sábios conselhos de maquiavelismo dos pampas, recordados nas toadas do preto-velho Aureliano: “Quando um erro cometeres / O que bem se pode dar / Tu não deves olvidar / Como se sai da enrascada: / A culpa é da peonada, / o Patrão não pode errar”. Em tempos de mudança de governo, vale a pena lembrar esta outra toada, ao ensejo do processo sucessório no Rio Grande, quando o Patriarca Júlio de Castilhos (1860-1903) indicou o nome do obscuro Chimango, o fiel burocrata Borges de Medeiros: “Toda minha gente é boa / Pra parar bem um rodeio, / Boa e fiel já lo creio; / Mas eu procuro um mansinho / Que não levante o focinho / Quando eu for meter-lhe o freio”.

Em tempos de “xilindró” ambulante, como os que estamos vivendo – isso é, aliás, a prisão com tornozeleira -, lembro-me da genial obra Eu o Supremo (1974) do escritor paraguaio Augusto Roa Bastos (1917-2005), dedicada a reviver as memórias do autocrata positivista don Gaspar Rodríguez de Francia (1766-1840), o famoso “doctor Francia”, que decidiu isolar o seu país numa República à la Romana, presidida por dois Cónsules, que terminaram virando um Cónsul, encarnado no próprio Doctor Francia (imitando, aliás, o episódio do Consulado da Primeira República Francesa que emergiu do terror jacobino, tendo à testa três Cónsules que viraram um: o eterno Napoleão Bonaparte, que outorgou a Constituição absolutista de 1802 e que virou o primeiro Imperador dos Franceses, ao se autoproclamar e se auto coroar Imperador em 1804).

O que fez o Doutor Francia para virar eterno monocrata do Paraguai entre 1814 e 1840? Convidou todo o corpo diplomático acreditado em Assunção para um magnífico coquetel servido em alto luxo no iate presidencial, ancorado sobre o Rio Paraguai. No momento dos brindes, o Doutor Francia saudou os convidados erguendo a taça de finíssimo champagne francês, dizendo: “Brindo à memória da grande República do Paraguai, que não precisa render tributo às demais Potências ocidentais”. Fecharam-se as portas do navio, que zarpou com o corpo diplomático como refém, rumo à Argentina, onde foram desembarcados os cónsules e os embaixadores. A recepção e o banquete tinham sido magníficos. E a criatividade autocrática do Doutor Francia passou a povoar, em grande estilo, a imaginação literária.

*Artigo publicado originalmente no site do autor.








publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/fascismo-leninismo-na-veia/

Populismo e estatismo

   Ricardo Vélez-Rodríguez


Ao abordar a obra política de Juscelino Kubitschek (1902-1976), nos deparamos com um personagem sui generis, a meio caminho entre o autoritarismo puro e a feição democrática de que se revestiu a sua passagem pela vida pública. Juscelino não era um autoritário simplesmente. Tinha traços autoritários que o inseriam na longa fila de admiradores crescidos à sombra de Getúlio Vargas (1882-1954), mas o seu modo de agir o colocava como um político amigo do povo, simples, seresteiro, que como bom mineiro se articulava sem tropeços nas conjunturas políticas, sabendo lidar com desembaraço em face das necessidades da gestão pública e da fixação de prioridades políticas, sem que, por isso, os seus subordinados o alcunhassem de autoritário, fazendo, no entanto, o jogo do autoritarismo.

Fazia falta, no meio intelectual brasileiro contemporâneo, fixar a atenção em Juscelino, a fim de calibrar o seu autoritarismo e a sua pretendida herança liberal. Contemporaneamente, essa tarefa de avaliação foi desenvolvida por dois jovens intelectuais vinculados ao Instituto Liberal: Lucas Berlanza e Antônio Claret Jr., na recente obra por eles publicada com o título: Juscelino – Uma crítica ao desenvolvimentismo (São Paulo: LVM Editora / Instituto Liberal, 2026, 224 pp.). Os nossos liberais clássicos como Eugênio Gudin (1886-1986) e Roberto Campos (1917-2001) catalogaram corretamente Juscelino como um autoritário de orientação desenvolvimentista. Num cenário intelectual mais amplo, o conceito que de Juscelino tinha um scholar americano como Roy Richard Rubboton (1912-2010), ex subsecretário de Estado para as Américas nos governos do Presidente Eisenhower, a quem convidei para ministrar palestras na Universidade de Medellín nos anos 70 (quando ali fui pró-reitor de pós graduação), era o de que se tratava de um líder com características carismáticas, mas profundamente vinculado ao getulismo, o que o levava a professar uma democracia relativa, afinada com as necessidades do ditador gaúcho. Os americanos, não sem razão, tinham um pé atrás em face do populismo de Juscelino. O meu saudoso amigo e querido mestre Antônio Paim (1927-2021), que foi preso político durante o governo do general Dutra (de rígida estirpe militarista ), tendo sofrido no Presídio Frei Caneca, no Rio, uma tentativa de assassinato de parte de um tenebroso delegado da polícia do Estado da Guanabara, me confidenciava que quando Juscelino chegou à Presidência da República, houve uma lufada de ar no mundo da repressão, sendo considerado Juscelino um governante alegre e compassivo, que se distanciava da truculência tradicional da ditadura varguista. Já por esse detalhe passei a ter de Juscelino um conceito menos negativo do que tinha em relação a outros colaboradores da ditadura Vargas.

Destacarei neste breve comentário os aspectos que me pareceram mais marcantes a partir da leitura dos vários capítulos dedicados ao estudo da passagem de Juscelino pela política, em Minas Gerais e à frente da Presidência da República. Menciono o título dos capítulos para que o leitor tenha uma visão de conjunto da obra: 1 – Contexto histórico. 2 – Natureza do pessedismo e suas principais lideranças. 3 – Síntese da vida pública e pensamento político de Juscelino Kubitschek. 4 – Prefeitura em Belo Horizonte. 5 – O governo estadual. 6 – A filosofia desenvolvimentista de Juscelino para a presidência da República. 7 – Os economistas desenvolvimentistas da CEPAL e as críticas liberais de Eugênio Gudin. 8 – A influência teórica do ISEB. 9 – Governo federal: a construção de Brasília. 10 – Governo federal: análise crítica do Plano de Metas. 11 – O legado de Juscelino Kubitschek: progresso ou ilusão?

O primeiro capítulo é precedido por uma nota de autoria do cientista político e empresário Luiz Felipe D´Ávila, que leva como título: “Juscelino Kubitschek: um democrata antimercado”; nesse breve texto, o seu autor frisa: “As ligações pessoais de Juscelino com Vargas e seu padrinho político mineiro, o governador Benedito Valadares, estavam acima das divergências ideológicas que os separavam. Juscelino preferia o silêncio a se opor aos seus amigos políticos. De fato, as relações pessoais pareciam mais importantes do que as convicções políticas e a defesa de valores. Por interesse político, Juscelino manteve forte vínculo com Vargas, porque sabia que o presidente era uma força irresistível. Na visão de Juscelino, não havia futuro político promissor divorciado do varguismo” [p. 11]. Mas não era apenas o oportunismo que mantinha Juscelino na órbita getuliana. O líder mineiro acreditava também, assim como Getúlio, no nacional-desenvolvimentismo, alicerçado na ideia de que o autor do desenvolvimento é somente o Estado que, para isso, tem de submeter a iniciativa privada. “A ideia de que o Estado forte exerce um papel fundamental no desenvolvimento econômico do país e serve de alavanca para a realização das grandes obras de infraestrutura; a noção de que o intervencionismo estatal é vital para disciplinar o mercado e direcionar a ambição dos empresários para os setores estratégicos do Estado; e, por fim, a convicção de que a estabilidade política do país decorre do aumento da dependência econômica do setor privado do Estado para desencorajar empresários e fazendeiros a criar um bloco poderoso de oposição ao governo, marcaram a trajetória política de Kubitschek”. Luiz Felipe D’Ávila conclui assim o seu arrazoado introdutório: “O Brasil só será o país do futuro que sonhamos quando nos desvencilharmos da cultura do nacional-desenvolvimentismo, da dependência do Estado ineficiente e da crença na magia de governos populistas. Esses fatores debilitam a confiança nas instituições, nas leis e na democracia. A mudança de cultura necessária para sairmos desta armadilha só ocorrerá quando compreendermos melhor a nossa história e aprenderemos com os erros e acertos do passado. O livro de Claret e Berlanza nos brinda com a releitura do período marcante de Juscelino Kubitschek. Trata-se de um bom começo para refletirmos sobre a história do período e avaliar o que queremos preservar do passado e o que temos de mudar para evoluir como sociedade e deixar um país melhor para as próximas gerações” [p. 13].

Centrarei a minha análise na crítica liberal ao estatismo getuliano, de parte dos clássicos do nosso liberalismo republicano, Eugênio Gudin (1886-1986) e Roberto Campos (1917-2001). Mestre Gudin era claro acerca do que se poderia entender por desenvolvimento: imaginar sequer que ele poderia provir da ação estatal, era um despropósito. O Estado, para Gudin, só sabe duas coisas: gastar e imprimir papel moeda. Frisava a respeito: “Há muito quem pense – e pense erradamente – que muitos dos empreendimentos não poderiam ter-se realizado porque a economia privada não dispõe de recursos suficientes e porque só o Estado tem capacidade financeira para tanto. É um erro, baseado na ideia de que o Estado pode forjar capital. O que o Estado forja é papel moeda e empréstimos bancários, por inflação de crédito, e foi isso que se fez no Brasil. Mas papel pintado só é capital na cabeça dos inocentes. O que o papel-moeda faz é tirar do povo para as mãos do governo que emite o dinheiro. A emissão de papel-moeda dá lugar ‘à privação forçada’; é um imposto, não direi como outro qualquer, porque é o pior deles (…). As empresas de economia mista, assim chamadas por serem organizadas com participação de capital do Estado e de particulares, não constituem solução, porque a participação do Estado afugenta o capital privado, pelo justo receio da forçosa preponderância que o Estado exercerá na administração da empresa e na escolha de seus dirigentes, feita, em regra, sob critérios políticos (…). O capital privado foge de colaborar com o capital do Estado porque não confia na capacidade e eficiência administrativas do Estado. Isso não é, aliás, peculiar ao Brasil nem ao seu atual governo. É um fenômeno geral” [Juscelino, uma crítica ao desenvolvimentismo, pp. 153-154].

Já no caso específico do Brasil, frisa Gudin, “na execução da política de produtividade [pela qual] está a bradar o povo brasileiro, importa estar atento à insidiosa resistência passiva dos interesses reacionários de grupos e associações industriais que visam, antes de tudo, à defesa dos interesses particulares dos industriais já instalados, desenvolvendo surda oposição e hábeis manobras contra tudo que possa vir a com eles concorrer. É a política de afastamento de concorrentes (nacionais e estrangeiros), de restrição de produção e manutenção dos preços. Os diretores dessas associações entendem (e talvez entendam certo, do seu ponto de vista) que o seu dever está em defender os interesses dos associados que os elegeram e de cujo apoio podem precisar amanhã para sua reeleição ou para apoio a suas pretensões políticas. Na luta contra a competição interior, eles combatem as iniciativas dos que se propõem a criar estabelecimentos concorrentes, mais bem aparelhados e mais eficientes, procurando barrar essas iniciativas ou, se não o conseguem, fazendo-lhes guerra de preços ou procurando fechar-lhes as portas do crédito. Na luta contra a concorrência exterior, eles bradam contra a tentativa de ‘esmagamento ou de dumping’ e tiram partido do espírito de nacionalismo mercantilista para denunciar a agressão econômica e invocar o amparo do Estado” [SIMONSEN, Roberto Cochrane; GUDIN, Eugênio. A controvérsia do planejamento na economia brasileira: Coletânea da polêmica Simonsen X Gudin, desencadeada com as primeiras propostas formais de planejamento da economia brasileira ao final do Estado Novo. Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 2010, p. 117 [p. 154].

No que concerne às críticas de Roberto Campos à política econômica de Juscelino Kubitschek, assim as sintetizam os autores da obra por nós comentada, nestas linhas: “Situada no interior do país, longe dos grandes centros econômicos e populacionais, a nova capital carecia de conexões logísticas e de infraestrutura que a integrassem efetivamente ao restante do território. Para Roberto Campos, isso evidenciava a desconexão entre a visão idealizada do projeto e as dificuldades práticas enfrentadas pelo Brasil. Embora Brasília hoje seja reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade e um marco da arquitetura moderna, seu legado é profundamente ambíguo. Por um lado, a cidade simboliza a capacidade do Brasil de realizar grandes feitos e projetar uma imagem de modernidade para o mundo. Por outro, sua construção expôs as contradições e as desigualdades estruturais do país, evidenciando as projeções desalinhadas de um governo que buscava atender mais a seus próprios interesses políticos do que às necessidades da população. Para Campos, Brasília permanecia como um exemplo de como obras simbólicas podem mascarar falhas estruturais e desviar o foco de políticas públicas que realmente promovessem inclusão e desenvolvimento. A capital modernista, com suas avenidas amplas e edifícios futuristas, continuaria desconectada das realidades enfrentadas por milhões de brasileiros que ainda lutam por acesso a serviços básicos e oportunidades justas. Brasília, com todo o seu simbolismo e grandiosidade, é um lembrete dos desafios enfrentados pelo Brasil na busca por equilíbrio entre ambição e realidade, entre modernização e inclusão. Para Roberto Campos, a capital representava mais do que uma cidade, ela seria o reflexo de um modelo de desenvolvimento que privilegia a aparência sobre a substância, as elites sobre as massas e o curto prazo sobre a sustentabilidade. (…). Enquanto Brasília brilha como um marco arquitetônico, ela também lança uma sombra sobre as promessas não cumpridas de integração e igualdade que continuam a desafiar o Brasil contemporâneo. Para Roberto Campos, a edificação da cidade representava não apenas a ambição modernizadora de Juscelino Kubitschek, mas também perfazia um retrato da captura do Estado por interesses corporativos, especialmente o setor da construção civil. Esse fenômeno consolidou um modelo de governança no qual o Estado frequentemente se tornava refém de um ciclo de grandes obras, beneficiando uma elite econômica em detrimento do interesse público” [pp. 188-189].

Descartadas as saídas econômicas propostas pelo getulismo, centradas na ideia falsa de que o Estado Empresário cria riqueza e garante a sua correta distribuição, o que de fato precisaria ser feito seria desmontar de vez a falsa ideia de que é possível haver um popular messias salvador da sociedade, à maneira de Antônio Conselheiro (1830-1897), que comandou os esfarrapados monarquistas de Canudos, que colocaram em debandada o Exército republicano. Ora, o que Getúlio fez em 30, auxiliado pela Segunda Geração Castilhista e pelo Clube 3 de Outubro, integrado por oficiais do Exército, consistia em ele se apresentar como Salvador da Pátria com o princípio do “equacionamento técnico dos problemas”. Getúlio vendeu e a sociedade brasileira comprou o mito do Messianismo Político, sofregamente bebido na obra de dois autores: em primeiro lugar, o filósofo prático francês Henri–Claude de Saint-Simon (1760-1825), com as suas obras La Physiologie sociale (A Fisiologia Social) e Le nouveau Christianisme (O Novo Cristianismo) e, em segundo lugar, o sociólogo fluminense Francisco José de Oliveira Vianna (1883-1951) com o livro que acabava de lançar em 1920, para explicar a barafunda da República brasileira, Populações Meridionais do Brasil.

Getúlio deu vida, cento e cinquenta anos depois, ao Mito do Messianismo Político, que Napoleão Bonaparte (1769-1821) encarnou para superar as desgraças da Revolução Francesa e do Terror jacobino. O gênio da Córsega precisava urgentemente de uma tábua de salvação para a França destruída pelo fanatismo do terror. Fê-lo se colocando, perante o acovardado Diretório, como salvador da cúpula do Estado, ameaçado de linchamento pela turba ensandecida e sedenta de sangue, que se dirigia vociferante pelas Tulherias ao Palácio do Louvre, Centro do Poder, que repousava no acovardado Diretório presidido pelo corrupto Paul François visconde de Barras (1755-1829). Jovem general desempregado em Paris, Bonaparte se apresentou no Palácio com uma ideia salvadora: domaria as turbas e reestruturaria a ordem republicana. Oficial artilheiro de grande reputação, o franzino general (chamado despectivamente por Barras de “generalzinho de casaca puída” e que as meninas chamavam de “Gato com Botas”, nos bailecos de fim de semana em Toulon) foi rapidamente empossado como “chefe militar da Praça de Paris”. Contam os historiadores que, sem perder tempo, o audacioso general desempregado colocou artilharia pesada na entrada das quatro avenidas que desaguavam no Palácio do Diretório, hoje Museu do Louvre. Quando o primeiro grupo desorganizado de revolucionários assomou, Bonaparte deu a ordem de abrir fogo sobre a multidão vociferante e precariamente armada. Não foi necessário que as quatro peças de artilharia disparassem. Após o brutal disparo da segunda peça, os poucos sobreviventes saíram em disparada. Paris estava livre do Terror das Ruas, para que o Comitê de Salvação Pública praticasse o seu Terror Judiciário, sentenciando à guilhotina já não as figuras de prol da antiga realeza, que tinham sido guilhotinadas, mas agora os próprios guilhotinadores, a começar pelo seu chefe, o ensandecido advogado Maximilien de Robespierre (1758-1794) e o “lindinho” da época, o radicalíssimo e belo Louis-Antoine Léon de Saint Just (1769-1794). Livre a cidade de Paris do tumulto revolucionário das ruas, Napoleão Bonaparte dominou os dois cônsules que, com ele, integravam o poder tripartite, converteu-se em único Cónsul Ditador e, pouco tempo depois, em 2 de dezembro de 1804, coroou-se a si mesmo e à sua esposa, como Imperador dos Franceses, em grandiosa cerimônia realizada na Catedral de Notre Dame, com a presença do Papa Pio VII (1742-1823) e das altas autoridades civis e militares da Nova Ordem. Paul, visconde de Barras (1755-1829), destituído dos seus altos cargos à frente da República, assistiu em primeira fileira à coroação do “generalzinho de casaca puída” e da sua esposa, a bela Josefina de Beauharnais (1763-1814), que tinha sido, aliás, em tempos menos brilhantes, amante do próprio Barras. Getúlio, aliás, que lia e escrevia corretamente em francês, conhecia bem a saga do Messianismo Político saint-simoniano, como leitor aplicado da obra do romancista francês Émile Zola (1840-1902) que divulgou entre os jovens o pensamento de Saint-Simon.

*Artigo publicado originalmente no site do autor









publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/resenhas/populismo-e-estatismo/



O MITÔMANO LULA NO JN

 GILBERTOSIMÕESPIRES/PONTOCRITICO


AUTÊNTICO

Quem, porventura (pouco ou nada provável), esperava que o presidente LULA PETISTA faria uso da entrevista que concedeu na noite de 27, ao Jornal Nacional, na condição de candidato à reeleição, para tentar CONVENCER os eleitores mais desavisados de que ainda é possuidor de uma ínfima fração de -BOM CARATISMO-, muito provavelmente percebeu que o MITÔMANO LULA foi apenas -MAIS DO MESMO-. Ou seja, foi AUTÊNTICO. Ao responder os questionamentos dos entrevistadores -companheiros-, o -MITÔMANO- fez questão de mostrar que -MENTIR lhe dá INCOMENSURÁVEL PRAZER-. 

PÉROLA DAS MENTIRAS

Em meio a tantas e bizarras afirmações -COMPROVADAMENTE INVERÍDICAS- ditas durante a sua participação no ciclo de sabatinas com candidatos à presidência, ainda que todas pra lá de conhecidas, LULA, -O AUTÊNTICO- fez questão de repetir a velha conhecida PÉROLA DAS MENTIRAS, que consiste na -AFIRMAÇÃO BESTIAL- de ter sido -ACUSADO DE TER UM APARTAMENTO QUE NÃO TINHA, ASSIM COMO DE TER UMA CHÁCARA QUE NÃO TINHA-.

Espetacular, não

RESPONSÁVEL FISCAL???

Sem saber se deveria rir ou chorar, confesso que fiquei impressionado com a postura séria do MENTIROSO quando fez a seguinte AFIRMAÇÃO, SEM SER MINIMAMENTE CONTESTADO: -SE TEM ALGUÉM NESSE PAÍS QUE TEM RESPONSABILIDADE FISCAL, ESTE ALGUÉM SOU EU-. Mais: pela enésima vez tentou colocar na RETA DOS FRACASSOS QUE PLANTOU E ESTÁ COLHENDO A OLHOS VISTOS, o governo de Jair Bolsonaro. Para tanto AFIRMOU, bestialmente, que -O GOVERNO BOLSONARO DESMONTOU A PREVIDÊNCIA E O SISTEMA DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS-. Bárbaro, não??

CEREJA DO BOLO

Entre tantas mentiras ditas e repetidas durante os 40 minutos da entrevista , a CEREJA DO BOLO foi colocada quando O MENTIROSO NÚMERO UM DO BRASIL -resolveu NEGAR -PUBLICAMENTE- QUE CONHECE A LOBISTA ROBERTA LUCHSINGER. Tão logo fez esta MENTIROSA E INDECENTE AFIRMAÇÃO, começaram a pipocar fotos e fotos nas redes sociais, que PROVAM, DE FORMA CABAL, como bem diz o candidato ao Senado, Marcel Van Hattem, o tamanho da CANALHICE DE QUEM QUER CONTINUAR NA CENA DO CRIME!

VALE LEMBRAR

LULA PODE MENTIR, mas as VERDADES DOS CRIMES QUE ENVOLVEM O SEU GOVERNO SE IMPÕEM ATRAVÉS, por exemplo, do MENSALÃO, PETROLÃO, ESCÂNDALO CORREIO, LAVAJATO, ESCÂNDALO INSS, DÍVIDA DA VENEZUELA, DÉFICIT DAS ESTATAIS, ESCÂNDALO DO BANESTADO, ESCÂNDALO DAS SANGUESSUGAS, ESCÂNDALO DA OPERAÇÃO ZELOTES, ESCÂNDALO DO BNDES, DOS FUNDOS DE PENSÕES, DA ELETROBRÁS, TRANSPETRO, ODEBRECHT, REFINARIA DE PASSADENA, INSTITUTO LULA, SÍTIO DE  ATIBAIA, TRIPLEX DE GUARUJÁ, DO PORTO DE MARIEL (CUBA), PORTO DE MOÇAMBIQUE, SUPERFATURAMENTO COPA 2014, CASO OI/TELEMAR, ETC., ETC...






























PUBLICADAEMhttps://www.pontocritico.com/artigo/o-mitomano-lula-no-jn

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 CAIOCOPPOLLA/FACEBOOK


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Nova denúncia: Lulinha aparece em negócio de R$ 626 milhões envolvendo o SUS

 GAZETADOPOVO/YOUTUBE



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DESTA VEZ A MENTIRA PODE TER MATADO O LULA

 FERNAOLARAMESQUITA/YOUTUBE


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ISSO É UM ABSURDO

 EDUARDOPRADO/FACEBOOK


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Lulinha Tinha Farras Com Mulheres e Uísque: Veja!

 RUBINHONUNES/YOUTUBE


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"VOCÊ é o FIADOR do rombo dos CORREIOS e NÃO SABIA"

 RUBINHONUNES/YOUTUBE


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