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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O mito das políticas públicas baseadas em evidências

   Adriano Dorta 


A democracia é projetada para responder às preferências do eleitorado em geral

Provavelmente você já escutou o discurso de um centrista radical ou um especialista em políticas públicas dizendo: “políticas públicas deveriam ser baseadas em evidências”.

Políticas públicas são ações, leis, programas ou decisões adotadas pelo governo para enfrentar problemas coletivos ou alcançar determinados objetivos públicos. Em outras palavras, é o que o governo decide (ou não) fazer para lidar com determinada situação.

No contexto científico, evidência não significa opinião ou preferência. A evidência é formada por resultados de pesquisas, observações, experimentos, estudos, estatísticas ou banco de dados.

Uma política pública baseada em evidências é uma política pública formulada através da utilização das melhores evidências disponíveis sobre o que funciona ou não em determinada pauta coletiva.

A incompatibilidade entre democracia e evidências

É desejável que políticas públicas utilizem as melhores evidências disponíveis? Certamente. Entretanto, esse não é o principal mecanismo pelo qual legisladores tomam decisões. Democracias são instituições destinadas a agregar as preferências dos eleitores por meio do voto e não a selecionar automaticamente a política tecnicamente mais eficiente. Quanto maior o peso atribuído exclusivamente às evidências técnicas na formulação de políticas públicas, maior tende a ser o espaço ocupado por instituições tecnocráticas e, consequentemente, menor o espaço ocupado por instituições democráticas.

Ainda que vivêssemos em uma tecnocracia, dificilmente os técnicos entrariam em acordo em muitos assuntos. Para entender por que não estaríamos tão melhores em uma tecnocracia, pergunte ao ChatGPT ou pesquise no Google o que Roberto Campos achava dos técnicos de economia da Universidade Estadual de Campinas.

Como vivemos em uma democracia, os legisladores que participam da formulação de uma política pública são eleitos por indivíduos da sociedade civil para representar suas preferências.

Dessa forma, alguns indivíduos podem votar em políticos que defendem o uso de evidências na formulação de políticas públicas. Já outros gostariam de ver políticas públicas baseadas na sua religião, na sua ideologia ou simplesmente que não fosse formulada nenhuma política pública.

As evidências podem influenciar esse processo, mas não substituem as preferências dos eleitores, os incentivos dos políticos e a atuação dos grupos de interesse.

Por que é um mito?

“Não acredito que a solução para nossos problemas seja simplesmente eleger as pessoas certas. O importante é criar um ambiente político em que seja politicamente lucrativo para as pessoas erradas fazerem a coisa certa. A menos que seja politicamente lucrativo para las pessoas erradas fazerem a coisa certa, as pessoas certas também não farão a coisa certa; e, se tentarem, logo deixarão o cargo.”

Milton Friedman

Na realidade, as democracias – operando sobre a legislatura – acabam funcionando como um mercado político no qual as demandas dos diversos interesses são avaliadas umas contras as outras para a formulação da política pública.

A democracia é projetada para responder às preferências do eleitorado em geral. No entanto, os eleitores também podem se organizar em grupos de interesse que procuram influenciar os legisladores em políticas públicas específicas. Esses grupos podem oferecer aos legisladores apoio político, contribuições para campanha ou outros benefícios.

Mesmo quando o uso da evidência na formulação de uma política pública for popular entre o eleitorado geral, ela pode não prosperar se contrariar o interesse do grupo que influenciou o legislativo. Como a maioria das propostas de políticas públicas tem apoiadores e opositores, os legisladores precisam comparar os custos e benefícios políticos.

Por exemplo, empresas do setor têxtil podem pedir uma tarifa sobre os produtos internacionais para proteger os negócios locais da competição estrangeira. Em troca, podem oferecer apoio político e contribuições para campanha.

Por outro lado, empresas que trabalham no setor de importação serão contrárias a uma política pública que prejudique os lucros no setor. Essas empresas podem reduzir a doação de campanha, e o sindicato dos trabalhadores do porto pode retirar o apoio político a um legislador que apoie esse tipo de medida contrária aos seus interesses.

Os legisladores vão avaliar os custos e benefícios de apoiar e aprovar essa política. Mesmo que as evidências mostrem que o livre comércio é a melhor política pública nessa situação, os incentivos enfrentados pelos legisladores não apontam essa opção como mais viável.

Conclusão

A democracia não foi criada para encontrar a política “correta”. Foi criada para permitir que as preferências dos cidadãos fossem convertidas em decisões coletivas. Em uma sociedade livre, os indivíduos têm o direito de escolher políticas que especialistas considerem equivocadas, assim como têm o direito de escolher representantes que defendam o uso das melhores evidências disponíveis. Essa escolha pertence aos cidadãos e não aos especialistas.

Entretanto, a própria dinâmica política faz com que nem sempre prevaleçam as preferências do eleitorado ou as melhores evidências científicas. Legisladores, burocratas e grupos de interesse respondem a incentivos próprios, negociam apoio político e realizam trocas que influenciam a formulação das políticas públicas.

Defender políticas públicas baseadas em evidência ignora tanto a finalidade da democracia quanto os incentivos que moldam o comportamento dos agentes políticos. Foi por esse motivo que James Buchanan e Gordon Tullock construíram uma forma de estudar a política sem romance.

*Artigo publicado originalmente na Revista Oeste.

BRASIL: CEMITÉRIO DA ESPERANÇA

 gilbertosimoespires/pontocritico


ESPERANÇA SEM NEXO

O velho ditado popular -A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE- leva muita gente a ACREDITAR, CONFIAR, sem o menor NEXO, que em meio a situações difíceis algo de bom vai acontecer. Para esse contingente de brasileiros, o sentimento de FÉ e ESPERANÇA significa, por exemplo, que ao plantar sementes de FEIJÃO, em breve (90 dias aproximadamente), a safra da LEGUMINOSA será transformada em farta colheita de LARANJAS, BANANAS ou ABACATES, por exemplo. 

AMANTE POLÍTICO

Antes de tudo, muito a propósito, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, totalmente seduzido -de corpo e alma- pela exploração de petróleo na Margem Equatorial, mais precisamente no Amapá, para selar a UNIÃO ESTÁVEL com o presidente Lula, presenteou o seu -AMANTE POLÍTICO- com a certeza de que fará de tudo e mais um tanto para que o projeto que propõe o FIM DA ESCALA DE TRABALHO 6x1, seja analisado e aprovado o quanto antes no Senado Federal. 

LUA DE MEL

Isto significa, claramente, que se alguém NUTRIA ALGUMA ESPERANÇA de que o FIM DA ESCALA 6 X 1 fosse alvo de -NEGOCIAÇÃO ENTRE AS PARTES -SINDICATOS DE EMPREGADOS E PATRONAIS-, e não de LEGISLAÇÃO, esta hipótese é praticamente nula. Ainda que a UNIÃO ESTÁVEL dos POMBINHOS não dure muito tempo, o fato é que os ESTRAGOS PRODUZIDOS durante a LUA DE MEL ficarão garantidos e protegidos, para sempre, por cláusulas pétreas. 














publicadaemhttps://www.pontocritico.com/artigo/brasil:-cemiterio-da-esperanca



Mendonça Perde a Paciência Com Chefe da PF de Lula!

 andremarsiglia/youtube


Mendonça Perde a Paciência Com Chefe da PF de Lula!




 


COI E CBV VETARAM — E A ESQUERDA AINDA CHAMA DE TRANSFOBIA

 rubinhonunes/youtube


COI E CBV VETARAM — E A ESQUERDA AINDA CHAMA DE TRANSFOBIA

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https://www.youtube.com/watch?v=7JIkgWB3pnY

VOCÊ É LIVRE PARA PENSAR...

 THREADS/


VOCÊ É LIVRE PARA PENSAR...



QUEM TEM QUE TER MAIS PODER - O CIDADÃO OU O ESTADO?

 AURIVERDE/FACEBOOK


QUEM TEM QUE TER MAIS PODER - O CIDADÃO OU O ESTADO?



EM QUEM VOCÊ PENSA QUANDO ESCUTA A PALAVRA LADRÃO???

 FÁBIOOSTERMANN/FACEBOOK


EM QUEM VOCÊ PENSA QUANDO ESCUTA A PALAVRA LADRÃO???



Fato: esconderam de nós

 percivalpuggina/youtube


Fato: esconderam de nós


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https://www.youtube.com/watch?v=87W4-rBgWM0

Janones propõe a ‘idiotização’ –

  por Caio Coppolla


Janones propõe a ‘idiotização’ 

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BRASIL DEIXA O RANKING DAS MAIORES ECONOMIAS DO MUNDO

 APAVORADORES/FACEBOOK


BRASIL DEIXA O RANKING DAS MAIORES ECONOMIAS DO MUNDO



CENSURA, BEM PIOR QUE NOS TEMPOS DOS MILITARES

 MARCELOTOLEDO/FACEBOOK


CENSURA, BEM PIOR QUE NOS TEMPOS DOS MILITARES



Lulinha Queria Esconder Dinheiro No Exterior?

 deltandallagnol/youtube


Lulinha Queria Esconder Dinheiro No Exterior?

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https://www.youtube.com/watch?v=6oa2ocW1Qqc

domingo, 23 de agosto de 2026

Afinal, o pouso na Lua foi uma farsa?

 Rainer Zitelmann


Após a missão Artemis II em abril, teorias afirmando que a aterrissagem na Lua em 1969 foi uma fraude e que tudo teria sido filmado em um estúdio de TV ganharam novo impulso.

Nas redes sociais, perguntas como estas têm sido levantadas com cada vez mais frequência:

  1. “Se conseguimos pousar na Lua em 1969 com a missão Apollo 11, por que hoje nem conseguimos repetir isso?”
  2. “Estranho que agora eles só orbitem a Lua — parece até que nunca dominaram de verdade a técnica de pousar lá.”
  3. “A tecnologia deveria ser melhor, mas agora voltamos a apenas voar ao redor da Lua em vez de pousar?”
  4. “Cinquenta anos atrás, supostamente fizeram isso com tecnologia menos avançada — agora, com supercomputadores, não conseguem?”
  5. “Por que precisam de foguetes e sistemas totalmente novos se tudo já funcionava antes?”
  6. “Se o programa Apollo foi real, pousar na Lua deveria ser rotina hoje — mas não é.”
  7. “Por que não existe um módulo lunar funcionando hoje se eles já tinham um naquela época?”
  8. “Para mim, parece que agora estão sendo cautelosos porque sabem que aquilo não aconteceu de verdade naquela época.”

Essas perguntas parecem plausíveis: por que, depois de mais de meio século, os seres humanos ainda não retornaram à Lua, e por que agora eles apenas voaram ao seu redor em vez de pousar? A tecnologia computacional avançou de forma tão dramática desde então que o que era possível naquela época deveria ser hoje muito, muito mais fácil.

As dúvidas sobre se o pouso na Lua teria sido filmado em um estúdio de TV existem há muito tempo. Céticos argumentaram, entre outras coisas: ‘Em várias sequências de vídeo, a bandeira tremula ao vento e, portanto, essas cenas devem ter sido gravadas na Terra.’ Como sabemos, não há vento na Lua, então, como uma bandeira poderia tremular ao vento? Thomas Eversberg, que analisa extensivamente esses argumentos em seu livro The Moon Hoax [em português, A Farsa da Lua], destaca: ‘…não existe uma única sequência em que a bandeira se mova sem que um dos astronautas toque a bandeira ou o mastro, ou a tenha tocado alguns segundos antes de ela se mover. Um movimento de ‘tremulação’ só pode ser observado quando a bandeira acabou de ser tocada ou está sendo tocada”.

Além disso: se o pouso na Lua tivesse sido filmado em um estúdio, de onde teria vindo o “vento” ali? Os céticos dizem: do sistema de ar‑condicionado. Eversberg também refuta outros argumentos em seu livro, por exemplo, por que nenhuma estrela pode ser vista no céu lunar.

Na década de 1960, União Soviética e Estados Unidos disputavam a corrida espacial. Cada lado queria vencer a qualquer custo para demonstrar a superioridade de seu sistema. Se o pouso na Lua realmente tivesse sido uma fraude, por que os soviéticos não a denunciaram imediatamente? Isso teria sido fácil de fazer — e eles teriam todos os motivos para expor isso.

Após o pouso na Lua em julho de 1969, outros cinco pousos lunares se seguiram. Por que alguém teria se dado ao trabalho de filmar mais cinco filmes adicionais em um estúdio de televisão, mesmo sabendo que cada nova farsa aumentaria a probabilidade de que a fraude fosse descoberta?

Ainda assim, a pergunta dos céticos é válida: se os seres humanos realmente chegaram à Lua naquela época, por que nada comparável aconteceu nos 50 anos seguintes? No meu livro New Space Capitalism, respondo a essa pergunta: é uma história sobre o fracasso dos voos espaciais conduzidos pelo Estado. O programa Apollo foi um sucesso extraordinário, mas o programa do Ônibus Espacial que veio depois foi um fracasso completo. Os custos de lançamento permaneceram estagnados durante décadas. Enquanto avanços rápidos aconteciam em todos os lugares na indústria privada (basta pensar nos computadores pessoais e nos celulares!), os voos espaciais liderados pelo Estado ficaram estagnados.

O primeiro capítulo do meu livro se chama “O Fim do Futuro”. Nele, mostro por que, depois de 2011, os Estados Unidos já não eram sequer capazes de transportar seus próprios astronautas até a Estação Espacial Internacional usando seus próprios foguetes. Somente seis anos atrás Elon Musk conseguiu realizar isso novamente com seu foguete Falcon 9. Eu mostro como ele reduziu os custos de lançamento em 95% em comparação com o Ônibus Espacial. O Estado fracassou — mais uma vez!

Mas por que não há seres humanos na Lua desde 1972, muito menos em Marte? Porque nada no mundo acontece sem uma razão realmente poderosa. Na década de 1960, essa razão era a competição sistêmica entre a União Soviética e os Estados Unidos. Assim que essa competição foi decidida, simplesmente não restou uma razão forte o suficiente. Os Estados Unidos haviam vencido — o que mais havia para provar? Por que continuar gastando tanto dinheiro?

Somente agora os americanos estão correndo de volta para a Lua porque temem que os chineses possam chegar lá primeiro. Mas o prestígio nacional não será suficiente a longo prazo. Sem fortes motivos econômicos, o progresso futuro continuará muito abaixo do que seria possível de outra forma.

O problema é a ausência de incentivos econômicos. E isso, por sua vez, está ligado ao Tratado do Espaço Exterior de 1967. De acordo com o Artigo 2 desse tratado, as nações não têm permissão para possuir corpos celestes ou realizar pousos em corpos celestes. Se isso também se aplica a indivíduos privados é uma questão debatida entre especialistas em direito espacial. A situação jurídica incerta paralisa a iniciativa privada.

Após o pouso na Lua, o arquiteto do programa Apollo, Wernher von Braun, foi questionado sobre quais deveriam ser as prioridades para as viagens espaciais nos anos seguintes. Ele respondeu: “Temos que mostrar que os voos espaciais são úteis, e até mesmo lucrativos, para as pessoas na Terra. De fato, os projetos espaciais deveriam começar a se pagar por si mesmos.” Mas foi justamente isso que os voos espaciais conduzidos pelo Estado não conseguiram alcançar.

No momento em que se tornar possível adquirir propriedade privada na Lua, em Marte e em asteroides, começará a mais extraordinária história imobiliária da humanidade. Finalmente, haveria um poderoso motor econômico! Os mercados de ações experimentariam um boom de ações relacionadas a Marte e asteroides, os chamados Space-REITs.

Olhando para a história, sem o Homestead Act de 1862, a ocupação do oeste dos Estados Unidos teria avançado muito mais lentamente. Essa lei oferecia terras quase de graça a qualquer pessoa disposta a atender ao chamado de “Ir para o Oeste”. Todos os cidadãos adultos dos EUA e imigrantes podiam solicitar 160 acres de terra desde que concordassem em se estabelecer e cultivá-la por cinco anos. O resultado foi uma migração em massa dos estados do leste e da Europa para o Meio-Oeste, levando ao desenvolvimento de fazendas, povoados e infraestrutura, especialmente em conexão com a construção de ferrovias.

Nós precisamos de propriedade privada no espaço também. Sistemas sem propriedade privada não funcionaram na Terra. Incentivos econômicos são necessários para a próxima etapa da conquista do espaço.
















publicadaemhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/historia/afinal-o-pouso-na-lua-foi-uma-farsa/

Saúde: Gasta como rico. Entrega como pobre.

   Claudio Apolinario


      O Brasil gasta em saúde quase o mesmo que países ricos — mas quem paga a diferença é o cidadão. Quem não tem plano espera 2 anos por uma cirurgia. Isso não é falta de recurso. É escolha.

O Brasil tem uma das maiores redes de saúde pública do mundo. E uma das maiores filas também.

Em 2024, mais de um milhão de brasileiros aguardavam na fila do SUS por cirurgias eletivas. Procedimentos que não são emergência — mas que doem, que limitam, que impedem de trabalhar. Essa fila cresceu 26% em relação a 2023. O tempo médio de espera é de 2 anos e 4 meses.

Dois anos e quatro meses esperando por uma cirurgia.

O Brasil e os países ricos gastam no total percentuais parecidos em saúde — em torno de 9% da economia. A diferença está em quem paga essa conta. Nos países ricos, o Estado banca 70% do total gasto. No Brasil, o estado banca apenas 45%. A diferença é paga pelo cidadão — quem pode paga plano, quem não pode espera na fila. O Estado brasileiro entra com menos e transfere a diferença para o bolso do cidadão.

E o impacto é direto: o Brasil gasta apenas US$ 1.573 por pessoa em saúde por ano. Os países ricos gastam US$ 4.986. Menos de um terço.

Menos de 25% dos brasileiros têm plano de saúde — cerca de 53 milhões de pessoas. Os outros 160 milhões dependem exclusivamente do SUS.

No andar de cima, quem tem plano agenda consulta com especialista em dias, faz exame na semana, é operado em semanas. No andar de baixo, quem depende do SUS espera meses por uma consulta, meses por um exame, anos por uma cirurgia. São os mesmos impostos pagos. São resultados completamente diferentes.

E o custo dessa espera não aparece só na fila. Aparece no trabalhador que perde emprego enquanto aguarda uma cirurgia que poderia tê-lo recuperado em semanas. Aparece na criança que deixa de ir à escola porque a mãe não tem com quem deixá-la durante as consultas intermináveis. Aparece no idoso que piora enquanto espera o diagnóstico. A fila do SUS não é só inconveniente. É um gerador silencioso de pobreza.

Esse não é um problema sem comparação. Um estudo sobre eficiência dos sistemas de saúde na América Latina mostrou que o Brasil figurou de forma consistente entre os países menos eficientes da região — ao lado de países que gastam proporcionalmente menos e entregam mais. Chile e Colômbia, que investem percentuais menores do PIB em saúde pública, aparecem entre os sistemas mais eficientes da região. A diferença não está em quanto se gasta. Está em como se gasta — e em quem responde pelo resultado.

E não é um problema novo. O Estado brasileiro sempre transferiu para o cidadão uma fatia maior da conta do que os países desenvolvidos fazem. Não é de hoje.

ão décadas de escolhas orçamentárias que priorizaram outras despesas e deixaram o sistema público funcionando abaixo do que a população precisa.

Cada vez que um orçamento é aprovado com menos dinheiro para a saúde do que o necessário, alguém decide que a fila pode esperar. Cada vez que um gestor não é cobrado pelo resultado do sistema que administra, a fila cresce.

O Brasil não precisa de mais discurso sobre saúde. Precisa de menos tolerância com a fila. Quem tem voz — quem vota, quem debate, quem influencia — tem uma responsabilidade concreta: parar de aceitar 2 anos e 4 meses como resposta normal.

Quando uma espera absurda vira aceitável, ela vira permanente.

Porque 2 anos e 4 meses esperando por uma cirurgia não é inevitável. É consequência da escolha de quem controla o sistema.

*         O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.







publicadaemhttps://www.puggina.org/outros-autores-artigo/saude:-gasta-como-rico-entrega-como-pobre__18718

RECADO AOS CATÓLICOS

 GIL88/FACEBOOK


RECADO AOS CATÓLICOS



Juristas criticam o ativismo do STF: 'Viola a Constituição quando lhe convém'

 REVISTAOESTE/YOUTUBE


Juristas criticam o ativismo do STF: 'Viola a Constituição quando lhe convém'


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Moraes Provoca Flávio Com Nova Decisão Cruel

 ANDREMARSIGLIA/YOUTUBE


Moraes Provoca Flávio Com Nova Decisão Cruel


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