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09:35
ANDRADEJRJOR
Merval Pereira
O Globo
Fazer
mais com menos, e, para tanto, ter uma gestão eficiente para atender a
demanda da sociedade por mais e melhores serviços públicos, será o
grande desafio dos novos governadores, eleitos ou reeleitos em outubro,
que terão a atuação limitada pela restrição de recursos e precisarão
inovar na gestão pública. É com este pano de fundo que a consultoria
Macroplan, especializada em gestão pública e cenários futuros, organizou
o estudo “Desafios dos Governos Estaduais”.
Claudio
Porto, presidente da Macroplan, insiste em que a única forma de avançar
de forma pertinente é pensar no longo prazo. “Sem uma gestão eficiente,
focada no planejamento e implementação de planos de longo prazo não é
possível ter desenvolvimento sustentável. Isto está em acordo com a
demanda da sociedade por mais e melhores serviços públicos e também com o
aprimoramento do papel do Estado”.
Com
um diagnóstico dos Estados brasileiros - realizado a partir da análise
da evolução na última década de 69 indicadores das áreas de segurança,
saúde, educação, juventude, desenvolvimento econômico e social,
infraestrutura, institucional e gestão fiscal-, os economistas da
Macroplan oferecem questionamentos a modelos de gestão pouco eficientes e
expõem alguns pontos para reflexão dos futuros governadores e de suas
equipes de planejamento.
“Será
preciso ‘fazer mais com menos’. Mais do que nunca será necessário aos
governos se concentrar em prioridades e avançar em eficiência”, afirma o
diretor da Macroplan, Gustavo Morelli, coordenador do estudo. O ranking
exibido pelo estudo da consultoria demonstra que persiste a histórica
divisão entre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e as regiões do
Norte e Nordeste, quando se avalia o desenvolvimento social e econômico
do país.
Mas
também comprova que boas práticas de gestão e a continuidade na
execução dos projetos fazem toda a diferença. Em Pernambuco, programas
inovadores na área de educação reduziram a taxa de evasão escolar do
ensino médio e possibilitaram ao Estado dar um salto da 26º para o 1º
colocação do ranking, entre 2007-2013. O Estado também diminuiu a
desigualdade social com uma redução de 17,5% no coeficiente de GINI no
período e aumentou em 22,7% a proporção de domicílios com rede de
esgoto. E mais. Alcançou uma redução de 33,7% na altíssima taxa de
homicídios, contra a tendência de vários Estados da mesma região.
A
vizinha Alagoas, apesar de ter elevado a despesa per capita com
segurança em 62,4%, entre 2005 e 2012, tem a pior taxa de homicídio do
Brasil (2012), que se elevou 88% na última década, chegando a 64,6/por
100 mil habitantes. Há outros exemplos: o Ceará reduziu em 52,3% a taxa
de mortalidade infantil em uma década. Goiás reduziu, entre 2006 e 2013,
a taxa estadual de distorção da idade do aluno/série em 16,7% e
diminuiu em 9,8 pontos percentuais a evasão escolar entre 2007-2013.
Para
os economistas da Macroplan, um dos mais urgentes esforços a ser focado
em todos os Estados é o investimento na profissionalização da gestão. O
grande problema para os Governadores, do ponto de vista da lógica
política, é que o retorno de boa parte deste investimento, especialmente
em projetos de educação, saúde e melhoria das instituições, entre
outros, vai se dar alguns anos depois.
No
estudo da Macroplan, embora sublinhados os inegáveis avanços em vários
Estados brasileiros, sobressaem notícias preocupantes. Mesmo os Estados
com os melhores desempenhos ainda não alcançam os índices de referência
mundiais. São bons exemplos os Estados de Santa Catarina e São Paulo que
exibem as mais baixas taxas de homicídio do Brasil (de 12,8 e 15,1/ 100
mil habitantes, respectivamente), porém bem acima dos países da OCDE
(4,5/ 100 mil habitantes).
A
escolaridade média no Distrito Federal - de 10 anos - é inferior à dos
EUA, de 13 anos. E as mais baixas taxas de mortalidade infantil do país,
de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul - de 11 óbitos por 1000
nascidos vivos são maiores do que o padrão aceitável da Organização
Mundial da Saúde (OMS) - de 10 óbitos por 1000 nascidos vivos.
Embora
deixando a desejar em relação a indicadores mundiais - não só de
economias desenvolvidas, mas de alguns países igualmente emergentes -,
os Estados de Santa Catarina e São Paulo são, ao lado do Distrito
Federal, os que têm os melhores desempenhos do Brasil na análise dos 69
indicadores que compõem o estudo da Macroplan, enquanto Alagoas, Pará e
Maranhão estão na lanterna.
fonte rota2014
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