Cleide Carvalho - O Globo
Em novo depoimento à Justiça Federal, delator detalha propina do esquema da Petrobras
O doleiro Alberto Youssef afirmou, em depoimento à Justiça Federal
em Curitiba, que Carlos Habib Chater, dono de postos de combustíveis em
Brasília, fez pagamentos de propinas de obras da Petrobras a políticos
em Brasília, a seu pedido. Youssef contou que fazia transferências
bancárias para Chater, que providenciava a entrega em dinheiro.
Segundo Youssef, há contabilidade que comprova as operações. Para a
Polícia Federal (PF), Chater, que também foi preso na Operação
Lava-Jato, é um dos maiores doleiros de Brasília.
A ligação entre Youssef e Chater foi revelada em interceptações
telefônicas feitas pela PF na Lava-Jato. Nas conversas, os dois
comentavam sobre uma remessa de dinheiro, em dólar, de Brasília para São
Paulo. Youssef afirmou que opera com Chater desde 2005 e que seu
parceiro anterior no negócio morreu num assalto. Ele confirmou ainda que
Chater tinha relacionamento com o também doleiro Fayed Trabulsi, preso
na Operação Miqueias, da PF, e que tinha em sua agenda nomes de
políticos.
Chater, que também prestou depoimento ontem à Justiça Federal do Paraná,
negou atuar como doleiro. Perguntado se entregava dinheiro a políticos
em Brasília a pedido de Youssef, também negou. Disse que entregava o
dinheiro a portadores ou depositava em contas indicadas por ele.
— Eu recebia algumas vezes alguns motoristas — disse Chater.
O advogado de Chater, Pedro Henrique Xavier, não quis comentar o
depoimento de seu cliente e negou que ele pretenda fazer delação
premiada.
Youssef afirmou que parte das remessas de Brasília para São Paulo foi
feita a pedido do deputado José Janene, (PP-SP), falecido em 2010 e um
dos investigados no mensalão. Segundo ele, Janene usava o dinheiro de
propinas para investir em outros negócios por meio da empresa CSA
Project Finance, que tinha um sócio oculto: Cláudio Augusto Mente.
Em depoimento à Justiça, o advogado Carlos Alberto Pereira Costa, que
figura como um dos sócios da CSA, afirmou que o tesoureiro do PT,
JoãoVaccari, costumava se reunir com Mente no escritório do doleiro.
Vaccari nega qualquer irregularidade.
A Justiça Federal determinou que a Secretaria da Fazenda do estado de
São Paulo apresente cópias das notas fiscais emitidas pela CSA Project
Finance.
fonte rota2014





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