editorial de O Globo
É urgente a integração entre os órgãos de segurança para lidar com os riscos criados pela ligação entre o Hezbollah e o crime organizado no Brasil
Reportagem no GLOBO de domingo, feita com base em relatórios da Polícia
Federal, mostrou uma realidade preocupante para o país: conexões entre
traficantes libaneses de drogas, ligados ao Hezbollah (organização xiita
radical baseada no Líbano), e a principal facção criminosa atuante nos
presídios brasileiros, o PCC. É uma mistura explosiva:
terrorismo, tráfico de drogas e armas, entrelaçados no crime. O
Hezbollah é uma organização política, sob influência do Irã, que usa o
terrorismo como instrumento de ação religiosa sectária. Segundo os
relatórios, a facção criminosa brasileira recebe armas dos libaneses
para ampliar as ações no país, dando em troca proteção aos traficantes
árabes presos pela polícia brasileira.
Há muito os serviços secretos dos Estados Unidos monitoram as atividades
da comunidade árabe na Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e
Paraguai), por detectar ações de arrecadação de fundos para abastecer os
cofres do Hezbollah, que luta contra Israel e interesses ocidentais no
Líbano em particular e no Oriente Médio em geral. O foco da inteligência
americana é o combate ao terrorismo e ao tráfico. Nas informações da PF
a que se teve acesso, o tráfico de drogas e armas aparece em destaque. É
uma grave ameaça para o Brasil.
O Hezbollah tem integrantes altamente treinados na luta armada, na
sabotagem e em atentados terroristas. A facção criminosa brasileira
domina presídios a partir de cadeias paulistas e já demonstrou
capacidade de mobilização de malfeitores nas ruas, atuantes em várias
atividades ilícitas. É uma ameça à própria segurança nacional que esse
grupo possa se valer de armas e do know-how de traficantes e terroristas
árabes para ampliar suas operações.
Os órgãos de segurança do Brasil não têm um nível de integração que lhes
permita enfrentar esta ameaça. Durante a Copa do Mundo, as diversas
áreas — federais, estaduais e municipais — foram bem-sucedidas em
coordenar as atividades para garantir a tranquilidade de um evento de
massas que certamente poderia despertar o interesse de grupos
terroristas. Como acontecerá com as Olimpíadas.
Apesar de algumas iniciativas nesse sentido, como em instalações de UPPs
no Rio, é preciso que a coordenação seja feita no dia a dia, e cada vez
mais, pois os perigos estão aumentando, como demonstram as informações
sobre a Tríplice Fronteira. Os organismos de segurança do Brasil não
dispõem sequer de uma legislação antiterrorismo para que possam
trabalhar mais efetivamente. O projeto que existe foi barrado pelo PT,
para não criminalizar os “movimentos sociais”.
É preciso, portanto, acelerar a integração de fato dos órgãos de
segurança em todos os níveis, para potencializar ações de inteligência e
de campo para lidar com a nova e preocupante realidade da interconexão
de grupos de diversas origens, todos financiados pelo tráfico.
FONTE ROTA2014





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