Com Blog Rodrigo Constantino - Veja
Apenas dez dias após Dilma ser reeleita já ficaram evidentes inúmeros
estelionatos eleitorais. Logo três dias após a vitória, o Copom resolveu
subir a taxa de juros, algo que era, durante a campanha, associado a
coisa de tucano “neoliberal” insensível para com os pobres. Quando é o
PT quem faz tudo bem?
Em seguida, os nomes de dois banqueiros passaram a ser considerados na
lista de prováveis substitutos de Guido Mantega. Trabuco, do Bradesco, e
Meirelles, que foi presidente do Bank Boston, portanto banqueiro
internacional, seriam as sugestões de Lula para o cargo. Mas banqueiro
não faz a comida desaparecer do prato dos miseráveis?
Por falar em bancos, o PT não era o partido que iria enfrentá-los para
proteger os pobres? Marina Silva não foi acusada de defensora de
banqueiros por ter o apoio de uma herdeira do Itaú? Pois bem: o próprio divulgou esses
dias seu lucro recorde: R$ 5,4 bilhões no trimestre! Um aumento
superior a 35% contra o ano passado. Imagina só se Dilma fosse amiga, e
não inimiga dos banqueiros…
A inflação, vamos lembrar, estava “sob controle”, disse uma Dilma firme.
Chegou a afirmar que era zero, pegando um mês apenas, um ponto fora da
curva. E os preços represados? Isso não existia, garantiu a presidente
candidata. E agora?
Agora a Aneel já autorizou o aumento de quase 20% na conta de luz para
várias empresas, como a Light aqui no Rio, e a Petrobras já entrou com
pedido de aumento para a gasolina, que deve ser aprovado em breve.
A OCDE divulgou que, enquanto a inflação mundial caiu pelo quarto mês consecutivo, a nossa subiu. Mas não era tudo culpa de uma suposta “crise internacional”? Ao menos isso foi dito durante a campanha.
Dilma seria intransigente com a corrupção também. Foi a promessa durante
a campanha. O que aconteceu depois? André Vargas, aquele deputado que
saiu do PT para evitar constrangimentos após vazarem dados sobre sua
íntima relação com o doleiro Alberto Youseff, foi passear na sede do PT,
para trocar dois dedos de prosa com seus “ex-colegas” de partido. É
essa a imagem de quem não compactua com a corrupção?
O presidente da Transpetro, ligado ao PMDB que apoiou Dilma, caiu nesses
dias também. Eis uma amostra singela de apenas três notícias em
destaque no site de um jornal carioca ontem:
Diante disso tudo – e é só o começo – caberia perguntar aos eleitores do
PT: não se sentem traídos? Esperavam tantas mudanças repentinas logo
depois do pleito, em direção contrária ao que foi dito na campanha? Ou
será que não se importam com o estelionato eleitoral, pois o que vale é
ficar no poder “em nome do povo”, custe o que custar?
É por essas e outras que costumo dizer que o PT não tem mais eleitores, e
sim cúmplices. Qualquer pessoa com algum resquício de decência estaria
cobrando do partido e da presidente reeleita explicações para tantos
atos opostos ao prometido na campanha. Mas os eleitores do PT fazem um
ensurdecedor silêncio. É conivência. Estão dando o aval para mentir,
para enganar os mais ignorantes.
Aumento de juros, aumento da conta de luz, aumento da gasolina, aumento
do lucro dos bancos, e proximidade amigável com notórios corruptos: quem
não se sente traído só pode ser cúmplice. Podem ficar sossegados, caros
eleitores do PT, que estaremos aqui por muito tempo para jogar em suas
caras que são responsáveis por isso tudo também.
FONTE ROTA2014





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