por Vinicius Torres Freire
O Brasil não será o pior aluno da classe de economia latino-americana
neste ano porque há Argentina e Venezuela. No quadriênio 2011-2014,
ficará na lanterna entre as economias mais relevantes da região.
Como tediosamente se sabe, o governo alega que a economia se arrasta por
causa da "crise mundial". A oposição argumenta que a desculpa não para
em pé porque países da região crescem bem.
Sob Dilma Rousseff, teremos crescido em média cerca de 1,6% ao ano, ante
mais de 4% do Chile, mais de 5% de Colômbia, Peru e Uruguai. Mesmo o
México, um dos piores desempenhos da região nos últimos 20 anos, terá
avançado 2,8%.
Posto nesses termos, o debate é ruim. Do lado da oposição, pressupõe-se
que a economia brasileira possa ser comparada, sem mais, às dos demais
países latino-americanos. Não pode, dadas as diferenças de tamanho,
nível médio de renda, variedade produtiva e relevância do setor
industrial, para citar o mais óbvio. O país mais assemelhado ou
comparável ao Brasil seria o México, que, no entanto, é uma economia
atrelada à dos Estados Unidos.
Para começo de conversa, a explicação governista condena o Brasil à
dependência passiva dos humores mundiais, e as políticas brasileiras, à
quase irrelevância.
Nesse nível de banalidade, o argumento valida a tese de que o Brasil
teria crescido nos anos Lula porque especialmente favorecido pelo
crescimento mundial da década passada.
A crise e também as mudanças da economia mundial depois de 2008 podem
ter tido impacto específico maior no Brasil industrializado do que na
vizinhança.
O país foi afetado pela grande sobra de mundial de manufaturados
baratos. Pelo contínuo avanço chinês sobre nossos mercados de
manufaturados. Pelo dólar barateado pela sobra mundial de capital, pelos
juros mundiais a quase zero, pelo saldo comercial propiciado pela alta
do preço das commodities de exportação.
Passamos a importar mais e exportar menos produtos industriais. A indústria está na mesma desde 2008.
Isto posto, porém, o governo ignorou tais problemas ou procurou corrigi-los com remendos que, agora se nota, danificaram o conjunto da economia pelo menos até 2016 ou 2017.
O governo tolerou a alta de custos (inflação), o que piorou o efeito do
dólar barato na indústria (o Brasil ficou ainda mais caro). Tentou
compensar a indústria com auxílios fiscais diversos (subsídios,
empréstimos oficiais baratos, redução de impostos mal projetadas,
tentativa fracassada de reduzir o custo da energia).
Provocou assim uma calamidade nas contas públicas, descrédito, mais
valorização do real, inflação persistente e alta de juros, para nem
mencionar várias ineficiências criadas por intervenções equivocadas. Os
problemas da indústria continuam pelo menos os mesmos, mas provocou-se
descalabro macroeconômico.
Corrigir os excessos do fim do governo Lula e enfrentar o ambiente
externo adverso provavelmente custariam o crescimento de curto prazo,
haveria Pibinhos. Mas ao menos a economia não estaria em desordem e
poderiam ter sido tentadas inovações para lidar com os problemas de uma
economia de renda média e industrializada nesse novo ambiente mundial.
fonte rota2014





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