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18:43
ANDRADEJRJOR
Agência Estado
Documentos internos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação que organiza o
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), questionam a adoção das provas
para a certificação de ensino médio. Segundo nota técnica obtida com
exclusividade pelo jornal O Estado de S.Paulo, há “fragilidades
pedagógicas” em usar o exame para a obtenção de diploma.
O
estudo aponta dificuldades de construir uma prova que certifique e
também sirva para selecionar alunos para o ensino superior, como
acontece atualmente com o Enem.
O
número de participantes que solicitam a certificação tem aumentado a
cada edição. No exame deste ano, que ocorre neste sábado, 8, e domingo,
9, 997 mil candidatos se inscreveram com o objetivo de conseguir o
diploma de ensino médio. No ano passado, foram 784 mil, mas apenas 7,6%
dos candidatos conseguiram nota mínima para a certificação, segundo
informações da ONG Ação Educativa.
“Para
as pessoas que tiveram problema de acesso à educação, dificilmente elas
vão conseguir responder uma prova sofisticada como o Enem”, diz Roberto
Catelli Junior, coordenador da Educação para Jovens e Adultos (EJA) da
Ação Educativa.
Em
2009, o Enem foi reformulado, ganhou o formato atual e passou a ser
usado como vestibular por universidades federais. A partir daí, o exame
também virou processo de certificação e substituiu o Exame Nacional para
Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) para o
ensino médio.
As
notas técnicas mostram que a própria equipe do Inep apontou em “várias
oportunidades” problemas na certificação por meio do Enem. O documento
da Diretoria de Avaliação da Educação Básica (Daeb) do Inep de 2012
indica, além da fragilidade pedagógica, a “dificuldade psicométrica de
se construir uma prova que atenda plenamente a dois objetivos distintos:
certificação e seleção”.
Pontuação
O
parecer é de autoria da cúpula da Daeb. Na oportunidade, ao mesmo tempo
em que reafirmam os problemas, os técnicos indicaram que a nota mínima
para certificação subisse (leia mais nesta página). O documento recorre a
estudo feito em 2010 pela Coordenação Geral de Instrumentos e Medidas
da Daeb, cuja conclusão era pela separação do Encceja e do Enem.
Segundo
o estudo assinado por 30 técnicos do Inep, a matriz de conteúdos do
Enem não contempla especificidades da educação de jovens e adultos. “Ao
unir o Encceja ao Enem deixa-se de lado o objetivo principal do
primeiro, que é avaliar as habilidades e competências básicas de jovens e
adultos que não tiveram oportunidade de acesso à escolaridade regular
na idade apropriada.”
Para
Maria Inês Pestana, ex-diretora da Daeb, oferecer a possibilidade de
certificação pelo Enem teve o objetivo de inclusão, mas o exame acabou
se tornando uma ferramenta muito voltada para a seleção de
universitários. “Sempre foi um dilema, e a decisão tomada foi pensando
na inclusão. Mas tecnicamente seria ideal separar as provas”, diz ela,
hoje aposentada.
O
presidente do Inep, Francisco Soares, reconheceu que o tema é
“controverso”, mas que a opção de certificar é “segura”. “Como temos
muitos itens na prova, de dificuldades diferentes, podemos contemplar a
certificação”, diz ele. “Não podemos ter dois pesos e duas medidas sobre
o que o concluinte deve saber.”
Para
o professor da Universidade de São Paulo (USP) Ocimar Alavarse, seria
importante avaliar o próprio exame para testar todas as suas funções.
“Precisamos avaliar o que o Enem está medindo”, diz.
Para
a consultora em educação Ilona Becskeházy, o ponto central é que não
existe no Brasil um currículo básico. “A desonestidade técnica e
política é não ter currículo.”
fonte rota2014
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