Ricardo Galhardo - O Estado de São Paulo
A presidente Dilma Rousseff nem sequer assumiu o segundo mandato,
conquistado há menos de duas semanas, mas o ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva já se movimenta para pavimentar o caminho de volta ao
Planalto em 2018. Ontem, o petista pediu a 59 prefeitos paulistas do
partido que "comprem sapatos com sola de borracha bem grossa" e saiam às
ruas em defesa do PT, e prometeu que ele mesmo vai rodar o Brasil a
partir do ano que vem.
A reunião com os prefeitos petistas faz parte de uma série de encontros
que Lula pretende fazer com setores da sociedade e da política ainda em
2014. Anteontem, ele se reuniu com a bancada de senadores atuais e
eleitos pelo PT e, a partir da semana que vem, deve conversar com
sindicalistas, movimentos sociais e representantes das novas redes e
coletivos da juventude.
O pedido de Lula aos prefeitos é uma reação a manifestações que, na
semana passada, pediram o impeachment de Dilma e até intervenção
militar. O diagnóstico do ex-presidente é que o antipetismo,
principalmente em São Paulo, se tornou o maior empecilho tanto para o
segundo mandato de Dilma quanto para a sua possível volta à Presidência
em 2018.
Metáfora. Segundo
Lula, a direita está ocupando o lugar historicamente usado pela
esquerda nas manifestações de rua. O ex-presidente usou uma de suas
metáforas para dizer que o PT tem de voltar a ocupar o espaço nas ruas.
"É como andar em um ônibus lotado: se a gente levanta a perna, vem outra
pessoa e coloca o pé no lugar", disse Lula, segundo relatos dos
participantes do encontro.
O ex-presidente reuniu os prefeitos petistas em um churrasco na sede da
Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM), em São Bernardo. Com o
prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), sentado na plateia, Lula
pediu que os mandatários petistas "façam mais política". "Obra é bom,
mas só obra não ganha eleição", disse o ex-presidente. "Essa coisa de
Facebook e Twitter é importante, mas nada substitui o abraço, o olho no
olho, o aperto de mão", cobrou o ex-presidente.
Modelo tucano. Vários
prefeitos corroboraram a análise de Lula e citaram o governador de São
Paulo, Geraldo, Alckmin (PSDB), reeleito com folga no 1.º turno, como
exemplo por ter viajado todos os finais de semana para o interior
inaugurando obras e falando com as lideranças políticas locais durante
os quatro anos de mandato. Um prefeito que pediu anonimato ironizou o
tucano, alegando que uma mesma obra foi "inaugurada três vezes" nesse
período.
Lula também cobrou dos petistas mais abertura para os novos movimentos
da juventude e uma reciclagem na agenda política que, segundo ele, deve
incorporar pautas inéditas, principalmente nas grandes cidades.
Participantes do encontro ouvidos pelo Estado não
tiveram dúvida em interpretar a fala de Lula como uma indicação do
caminho a ser seguido até 2018 e uma postura menos passiva em relação ao
primeiro mandato de Dilma.
Sacudida. No
decorrer do churrasco regado a cerveja, os prefeitos também passaram a
fazer críticas. O principal alvo foi a falta de aceso ao governo.
Lula amenizou as queixas, lembrou que pela primeira vez na história do
Brasil um partido escolhido democraticamente vai ficar 16 anos no poder e
que esse longo período leva a uma acomodação "natural" das pessoas que
trabalham na gestão federal. No entanto, o ex-presidente encerrou
dizendo que o segundo mandato de Dilma deve ser diferente do primeiro.
"É hora de dar uma sacudida no governo."
FONTE ROTA2014





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