Com Blog Felipe Moura Brasil
Veja o pronunciamento completo em que o senador listou as mentiras do governo Dilma
Para que fiquem registrados aqui no blog, eis o vídeo e a transcrição
(com grifos meus) do discurso de Aécio Neves (PSDB-MG) que marcou nesta
quarta-feira (5) o seu retorno ao Senado após a campanha eleitoral. Além
de condicionar o diálogo com o governo à investigação do petrolão, como
destacou a matéria da
Veja.com, o senador praticamente listou as mentiras do governo de Dilma
Rousseff (PT), das quais nunca é demais destacar o aumento dos juros
três dias após as eleições - exatamente aquilo que a presidente acusava
Aécio de querer fazer ou os tucanos de sempre terem feito: “Vocês sempre gostaram de plantar inflação para colher juros”, dissera cinicamente a petista no debate da Record. Em memorável aparte ao discurso de Aécio, que trago igualmente em vídeo e transcrição no próximo post, o senador
Magno Malta também detonou a medida, o que é ótimo. A máscara do PT não
cai sozinha. Cabe à oposição e aos políticos independentes da base
continuarem desmascarando essa gente todos os dias.
Retorno hoje à tribuna, ao lado de tantos dos nossos companheiros, para
falar aos brasileiros pela primeira vez, desde que se encerrou a
campanha eleitoral que enfrentamos este ano.
Antes de qualquer outra ponderação, devo afiançar-lhes: sinto-me especialmente gratificado e feliz!
Vivi uma das jornadas mais importantes de toda a minha trajetória
política, de toda minha vida – a mais difícil e desafiadora que um homem
com responsabilidade pública pode protagonizar.
Estou agradecido e honrado pela manifestação de mais de 51 milhões de
brasileiros de todas as nossas regiões, de todos os municípios, de todas
as idades e classes sociais, que viram na nossa candidatura a
possibilidade de construir um caminho melhor para o Brasil.
Um caminho para mudar de verdade o Brasil.
É com esse sentimento e consciente de minhas graves responsabilidades
que retorno a esta Casa e venho a esta tribuna. E retorno com convicções
ainda mais sólidas.
Nos últimos meses, representando inclusive muitos de vocês,
representando inclusive muitos dos senhores que aqui estão e milhões de
brasileiros que nos ouvem hoje, me coloquei como alternativa na defesa
de um Estado mais eficaz. Um Estado moderno, que valorizasse a
transparência, reconhecesse a meritocracia e, sobretudo, zelasse pelo
bom destino do dinheiro público e prestação de serviços de qualidade à
população.
Defendi a retomada das reformas para modernizar nossa economia e
retirá-la da paralisia e do marasmo em que o atual governo a colocou.
Comunguei, junto com milhares de brasileiros, em especial com Marina
Silva e Eduardo Campos, a agenda do desenvolvimento sustentável, a
transição rumo à economia de baixo carbono, caminho que se mostra cada
vez mais imperativo se quisermos construir um futuro adequado para
nossos filhos e netos.
Advoguei em todas as partes do Brasil a necessidade da maior
participação do investimento privado na construção da infraestrutura
para que deixássemos de ser aprisionados por uma visão ideológica
estatizante e ultrapassada.
Defendi a manutenção e avanços nos nossos programas sociais, para que
pudessem servir melhor à população e sair definitivamente da perversa
exploração eleitoral a que foram mais uma vez submetidos.
E propus a reaproximação do Brasil ao resto do mundo, ao qual demos as
costas nos últimos anos ao priorizar as parcerias com governos
ideologicamente alinhados.
Também, senhoras e senhores, me posicionei na firme na defesa de valores
que foram aviltados dia após dia; na busca da recuperação da ética
atropelada pelo vale-tudo político; na preservação do interesse público,
tão vilipendiado por interesses privados e partidários; e no combate
sem tréguas à corrupção, que atinge níveis como nunca antes se viu no
país.
Ao atual estado de coisas, mais de 50 milhões de brasileiros, senhores senadores, disseram não.
E disseram “não” porque buscavam e sonhavam, como continuando buscando e
sonhando, com um país melhor, um país verdadeiramente justo, mais
honesto, mais equilibrado e um governo que seja mais eficiente e aja com
maior decência.
Porque acreditam que o rigor da lei deve atingir a todos.
Estes milhões de cidadãos que marcharam conosco também compartilham da
nossa visão de que o atual modelo político encontra-se esgotado,
degradado pelos atos daqueles que nos governam há mais de uma década.
Assim como nós, também perceberam que convivemos hoje com um modelo
econômico estagnado, desequilibrado, cada vez mais isolado do mundo, com
um Estado pesado e pouco produtivo.
Aos apoios e tantos foram eles que recebemos foram se somando muitos
outros, e pouco a pouco nossa candidatura deixou de ser apenas a de um
partido político, de uma coligação partidária, para se tornar um
movimento como poucas vezes se viu na história brasileira.
Perdemos as eleições por uma pequena diferença, mas algo de novo,
novíssimo aconteceu no Brasil: a chama da renovação se acendeu e
continua mais forte do que nunca, ultrapassando o tradicional marco do
processo eleitoral.
Sinto nas ruas, nas conversas e tenho certeza que os senhores da mesma
forma percebem isso, nas redes sociais, que o ânimo da população por uma
verdadeira mudança, por um novo rumo, não esmoreceu.
Tenho a dizer a todos e a cada um de vocês: nosso projeto para o Brasil continua mais vivo do que nunca.
Senhoras e Senhores, parlamentares que lotam este plenário. Travamos,
nestas eleições, uma disputa desigual. Uma disputa em que os detentores
do poder usaram despudoradamente o aparato estatal para se perpetuarem,
por mais quatro anos, no comando do país. Esta é a verdade.
Adotou-se um vale-tudo nunca antes visto na nossa história. Nossos
adversários cumpriram o aviso dado ao país, de que nas eleições se pode
“fazer o diabo”. E fizeram.
Mostraram que não enxergam limites na luta para se manter no poder. A
má-fé com que travaram a disputa chegou às raias do impensável, do
absurdo. E agrediu a consciência democrática do país.
Primeiro atingiram Eduardo Campos, depois Marina Silva e, por último,
fui eu o seu alvo preferencial. Mais grave ainda, espalharam o medo
entre pessoas humildes, manipularam o sentimento de milhares de
famílias, negando-lhes o livre exercício da cidadania.
Esta intimidação e esta violência só têm paralelos em regimes que
demonstram muito pouco apreço pela democracia. Nesse vale-tudo
eleitoral, legitimaram a calúnia e a infâmia como instrumentos da luta
política. Usaram a mentira para tentar assassinar reputações.
- Acrescentou-se ao cenário do uso vergonhoso da máquina pública,
simbolizado emblematicamente pela atuação dos Correios, essa grande
empresa brasileira. E aqui peço licença para saudar os seus funcionários
e agradecer as inúmeras manifestações de solidariedade que deles
recebemos na luta contra esse crônico aparelhamento da empresa.
Neste caso, viu-se o inimaginável, que resume um pouco de tudo o que
aconteceu: de um lado a postagem de correspondências da candidata do PT
sem chancela, significa que, na prática, nunca o Brasil saberá qual
volume de propagandas do PT foi efetivamente enviado sem pagamento.
De outro lado, a não-entrega de milhares de correspondências pagas pelos
partidos de oposição, e deixo aqui mais uma vez nesta tribuna,
constatada esta denúncia como as enviadas pelo PSDB e o Solidariedade
não chegaram aos seus destinatários. E essas violações são objeto hoje
de ações protocoladas por nós na Justiça Eleitoral e na Procuradoria da
República.
Mas não foi apenas isso.
A anti-política também assumiu a face do medo que fez milhões de
brasileiros reféns da insegurança. Vejam os senhores, aonde chegaram:
Sabe disso o senador Cássio Cunha Lima e tantos outros brasileiros:
-
Nas regiões mais pobres do país, carros de som espalhavam que 13 era o
número para permanecer no Bolsa Família e 45 o número para se
descredenciarem do programa.
- Famílias receberam ligações e mensagens dizendo que se a oposição vencesse, o programa Minha Casa, Minha Vida seria extinto.
- Funcionários de empresas estatais foram informados de que iríamos privatizar empresas e que seriam todos eles demitidos!
- No geral, o que se assistiu foi uma campanha baseada no estímulo ao
ódio – um projeto amesquinhado e subordinado ao marketing do medo e da
ameaça.
- Tentaram, a todo custo, dividir o país ao meio, entre pobres e ricos,
entre Nordeste e Sudeste como se não fôssemos, e esse fosse o nosso mais
valioso patrimônio, um só povo, um só país, uma só esperança de tempos
melhores.
A vitória do PT alavancada através desses expedientes explica o grande
sentimento de grande frustração que tomou conta de milhões de
brasileiros após o resultado.
Mesmo enfrentando tudo isso, e esta para mim é a questão mais relevante,
o sentimento de mudança que moveu a candidatura das oposições que tive a
honra de liderar alcançou um resultado magnífico.
Reconhecemos o resultado das eleições. Sou um democrata. E aqui não se
trata mais de contar votos, de fazer comparações, ou medir desempenho
apenas do ponto de vista eleitoral.
Mais importante que tudo isso é saudar o novo país que surgiu das urnas.
E esse é o fato mais marcante, extraordinário e maravilho dessas
eleições que a história haverá de registrar: nós assistimos ao despertar
de um novo país. Um país sem medo. Um país crítico. Um país mobilizado.
Um país com voz e convicções.
Um país que não aceita mais o discurso e a propaganda que tenta sem
prejustificar o injustificável. Que tenta esconder a realidade.
O Brasil que saiu das urnas é um novo Brasil, onde os brasileiros
descobriram que podem eles próprios serem protagonistas do seu próprio
destino.
Por todas as regiões, milhares de pessoas ocuparam as ruas de forma espontânea. Não
apenas para apoiar um nome, mas uma causa. Os brasileiros, senhor
presidente e senhores senadores, perderam o constrangimento de dizer
aquilo que não concordam, que não aceitam, que não pactuam. E eles não
pactuam mais com a corrupção, com o desmando e com tanta ineficiência.
Ocuparam as ruas para mostrar que sabem o que está acontecendo com o Brasil e que não vão permanecer mais em silêncio.
Nessa campanha eleitoral, milhões de brasileiros, e a história
registrará isso de forma muito clara, tomaram posse do seu próprio país.
Os exemplos estão por todos os cantos.
Estão nos idosos e quantos foram aqueles com quem me encontrei ao longo
desta caminhada, de 80 ou de mais de 90 anos de idade, que me diziam que
faziam questão de ir às urnas para ajudar a fazer a mudança.
Nas crianças que me enviaram desenhos e mensagens por toda a parte do
país querendo participar deste processo que significa na verdade a
construção do seu próprio futuro.
Este país se fez ver nos debates que tomaram as escolas e universidades de todo país.
Nos jovens que ocuparam de forma pacífica e alegre as ruas de todo
Brasil. Nas correntes de oração que uniram milhões de brasileiros.
E me emociono de lembrar de muitas delas. Das freiras Clarissas, que
ouviam os nossos debates de joelhos acreditando num país melhor para
todos os brasileiros.
Ao final, acredito sinceramente que esta campanha permitiu o reencontro
dos brasileiros com o país que ainda sonham ter e sonhamos ser.
Me sinto particularmente honrado em ter podido ser parte desse
movimento. E com a mesma firmeza com que falei aos brasileiros e os
convoquei a darem voz à sua indignação e à sua esperança, saúdo neste
momento, mais uma vez a todos os brasileiros, mas especialmente das
regiões mais pobres e de forma especialíssima ao Nordeste brasileiro,
mas saúdo aqueles que, corajosamente, marcharam ao nosso lado,
mobilizados por um único desejo, uma única vontade, um único sonho em
comum: o sonho da mudança. A mudança que representa um novo projeto
depaís, no lugar de um projeto de poder.
Quero expressar aqui o meu mais irrestrito respeito àqueles que
democraticamente fizeram outra opção e deixar minha palavra de
agradecimento aos companheiros do PSDB, do DEM, do Solidariedade, do PTB
e dos outros partidos que fizeram conosco essa caminhada.
E agradeço de forma especial aos companheiros do PSB de Eduardo Campos,
do PPS, do PV, do PSC, do pastor Everaldo aqui presente, e dissidentes
do PMDB, em especial Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon e Ricardo Ferraço,
dentre outros; do PDT de Pedro Taques, Cristovam Buarque e Reguffe; e do
PP da grande senadora e amiga Ana Amélia, quero aqui agradecer o
privilégio da sua companhia nesta caminhada, do senador Dornelles, e de
tantos quantos em partidos que não estão hoje no âmbito da oposição,
fizeram fazer prevalecer a sua consciência e a sua responsabilidade para
com o país.
Através deles, homenageio, milhares de lideranças políticas, espalhadas
por todos os municípios brasileiros que disseram sim à mudança. A essas
forças políticas, somaram-se forças da sociedade: sindicatos de
trabalhadores, entidades de classe, associações comunitárias,
profissionais liberais, médicos, advogados, servidores públicos
indignados com o que vêem acontecer em suas empresas.
Mas
nada, nada foi mais forte do que a volta dos jovens às ruas para,
deforma pacífica, dizer um sonoro “Basta” a tudo que está aí.
Portanto, meus amigos e minhas amigas,
Subi já várias vezes a esta tribuna. Por inúmeras vezes na tribuna da
nossa Casa irmã, a Câmara dos Deputados, mas em nenhum momento, com esta
carga de responsabilidade.
E quero aqui, do alto desta responsabilidade, reafirmar para que os anais desta casa registrem para a história que, de todas, a mentira foi a principal arma dos nossos adversários.
Mentiram sobre o passado para desviar a atenção do presente. Mentiram
para esconder o que iriam fazer tão logo passasse as eleições. Fomos
acusados de propostas que nunca fizemos. Assistimos a reiteradas
tentativas de reescrever a história, sempre nos reservando o papel de
vilões que jamais fomos, e não somos.
No
entanto, não demorou muito para que a máscara começasse a cair. O
Brasil escondido pelo governo na campanha eleitoral está se revelando a
cada dia.
-
Alertei durante todo o processo sobre os riscos da inflação. Perante
toda a nação, a presidente insistiu em negar o problema evidente da alta
de preços, da carestia. O desenrolar dos fatos mostrou quem tinha
razão.
Apenas
três dias após as eleições – repito: três dias – o Banco Central elevou
os juros já escorchantes da nossa economia e não sei se irá parar por
aí…
Para a presidente, em sua campanha, elevar os juros era retirar comida do prato dos mais pobres.
Pois bem, se isso era verdade, foi o que ela fez logo que ganhou as
eleições: prejudicando os brasileiros mais carentes. E sabia que iria
fazer isso!
- O
governo escondeu o rombo das contas públicas brasileiras, que
registraram em setembro o pior resultado da nossa história: R$ 20
bilhões num único mês! Resultado: desde o início do governo
Dilma, a dívida pública brasileira já cresceu mais de oito pontos do PIB
apenas nesse período.
Escondeu reiteradamente que havia a urgente necessidade de ajustes, mas
agora antecipa que eles deverão ser “duríssimos”, no ano que vem, em
meio a um ambiente econômico que já não cresce e que a cada dia gera
menos empregos.
- Para complicar, o déficit comercial só cresce,
indicando problemas flagrantes na competitividade da nossa economia, e o
rombo nas contas externas aumenta e nossas taxas de investimento e
poupança só diminuem. Chegamos a ter a menor taxa de nossa economia em
décadas.
- A candidata oficial também negou a necessidade de reajustar tarifas
públicas e, mais que isso, acusou a minha candidatura de estar
preparando-os, caso vencêssemos as eleições.
- Pois bem, a presidente já está fazendo o que disse que não faria: na próxima semana, teremos o aumento da gasolina e já nesta semana as tarifas de energia sofrerão reajustesque simplesmente anulam toda a redução obtida com a trucenta intervenção havida no setor elétrico nos últimos dois anos.
- Sem falar na ameaça, estampada nos jornais de hoje, de que no verão nos esperam apagões de energia.
E o mais grave, senhoras e senhores, ao omitir dos brasileiros a
verdade, e adiar medidas necessárias a conta a ser paga aumenta
exatamente para aqueles que menos têm.
Me orgulho de ter feito uma campanha limpa. Mas isso parece não importar
aos donos do poder. Ganhamos, devem estar dizendo, e é isso que
importa.
Quem falou a verdade foi tachado de pessimista, de ser contra o Brasil,
e quantas vezes ouvi essas acusações. Mas a história rapidamente
mostrou quem tinha razão: esconder, camuflar, virou a rotina deste
governo.
Só
não conseguiram esconder os escândalos de corrupção porque os delatores
que faziam parte do esquema resolveram falar a verdade para diminuir
suas penas e todo esforço feito inclusive nesta Casa pra inibir as
investigações foi em vão. Os fatos falaram mais alto.
Agora,
os que foram intolerantes durante 12 anos falam em diálogo. Pois bem:
qualquer diálogo tem que estar condicionado ao envio de propostas que
atendam aos interesses dos brasileiros e, principalmente, ao
aprofundamento das investigações e exemplares punições àqueles que
protagonizaram o maior escândalo da história deste país, já conhecido
como “Petrolão”.
A triste realidade é que o governo não se preparou para controlar a
inflação, recuperar o controle fiscal e reduzir nosso desequilíbrio
externo para voltarmos a crescer e gerar empregos de maneira
sustentável.
O que se observa hoje é um governo ainda sem um plano econômico – aliás,
sem plano algum que tenha sido trazido a conhecimento da sociedade
brasileira. Exceto pela ameaça de aumento da carga tributária e de
mudanças em direitos dos trabalhadores, como o seguro-desemprego –
contra os quais desde já nos posicionamos.
Senhoras e senhores. Ainda que por uma pequena margem, o desejo da
maioria dos brasileiros foi que nos mantivéssemos na oposição. E é isso
que faremos, com o ânimo redobrado.
É isso o que faremos conectados com o sentimento de metade do país que temos hoje a responsabilidade de representar.
Faremos uma oposição incansável, inquebrantável, intransigente na defesa
dos interesses dos brasileiros. Vamos fiscalizar, acompanhar, cobrar e
denunciar. Vamos combater sem tréguas a corrupção que se instalou no
governo brasileiro.
E, mesmo sendo minoria no Congresso, vamos lutar para que o país possa
avançar nas reformas e nas conquistas que precisamos alcançar.
E a nossa prioridade deverá continuar a ser a mesma que teríamos se
fossemos governo: sempre os mais pobres, sempre a diminuição das
desigualdades que ainda nos envergonham.
É hora de olhar para frente. De cuidar o presente, para prover o futuro que o Brasil e os brasileiros merecem ter.
Três compromissos fundamentais vão orientar a nossa luta: o compromisso com a liberdade, com a transparência e com a democracia. Primeiro,
a defesa intransigente das liberdades, em especial a liberdade de
imprensa. Segundo, a exigência da transparência em todas as áreas da
administração pública. Terceiro, a defesa da autonomia e fortalecimento
dos poderes como base de uma sociedade democrática.
E aqui antecipo, que o decreto dos conselhos populares enviado ao
Congresso Nacional sem qualquer discussão prévia, deverá ter aqui, no
Senado, o mesmo fim que teve na Câmara dos Deputados, o seja, o arquivo.
Defendo como sempre defendi, a ampliação das consultas populares e da
participação popular na definição das políticas públicas neste país. Mas
isso tem de ser feito em diálogo permanente com os representantes do
povo brasileiro e eles estão aqui no Congresso Nacional.
Senhoras e senhores, neste cenário de tão grandes dificuldades
esperadas, vamos estar mais firmes do que nunca: vamos cumprir o nosso
dever!
Precisamos
estar atentos aos nossos adversários, que, poucos dias depois das
eleições, divulgam um documento oficial que mostra sua verdadeira face: a
da intolerância, a da supressão das liberdades, a dos ataques às
instituições.
Mais que isso, nossos adversários de novo não se constrangem em propor
um projeto que se pretende hegemônico, o oposto daquilo que a democracia
pressupõe: liberdade de escolha e alternância de poder.
Não satisfeitos em atacar instituições, em atentar contra a democracia, tentaram carimbar na nossa candidatura características que na verdade retratam a própria ação petista.
Dizem
no documento que a minha candidatura representou “o machismo, o
racismo, o preconceito, o ódio, a intolerância, a nostalgia da ditadura
militar”.
Não, senhoras e senhores, esses atributos que jogam sobre mim, na
verdade, eles jogam sobre 51 milhões de homens e mulheres que são
verdadeiramente atacadas pelo PT neste instante em um documento oficial.
A
grande verdade é que nossa campanha respeitou os limites da ética,
falou a verdade, defendeu a democracia em todos os instantes e, por
isso, conectou-se com toda a sociedade brasileira.
Não, nós não somos isso que querem fazer crer. Somos, na verdade,
brasileiros de várias matrizes ideológicas que se, de alguma forma, se
juntaram, se encontraram, no mesmo campo político, no mesmo projeto, é
porque este era o projeto melhor para o país.
Senhoras e senhores, essas não são, como disse aqui, as características
do povo brasileiro. Somos um povo generoso. E a missão da atual e
próxima presidente da República, disse isso a ela no telefonema que lhe
fiz, logo após a homologação do resultado eleitoral, é exatamente este,
maior que qualquer outro, de unir o país, em torno de um projeto de
desenvolvimento, mas para isso é preciso falar a verdade. Para isso é
preciso encarar nos olhos todos os brasileiros.
Como já disse, e repito mais uma vez, é nosso desejo verdadeiro
contribuir para que o país avance através das reformas que os
brasileiros há tanto tempo esperam e há tanto tempo buscam, como a
reforma política e a tributária.
É hora de o Brasil conhecer as bases da proposta de reforma política do
governo até hoje omitida. Porque deverá ser debatida e aprovada nesse
Congresso legitimamente eleito e depois sim, submetida através de
referendo, ao crivo da sociedade brasileira.
Qualquer outro caminho é mais uma tentativa diversionista para tentar
distrair a plateia de outros graves problemas que estamos enfrentando e
ainda vamos enfrentar.
É nosso compromisso, senhoras e senhores, transformar o Bolsa Família em
política de Estado, para livrar o país, definitivamente, da chantagem
eleitoral, que se repete, eleição após eleição, a céu aberto, sem
qualquer constrangimento.
Da mesma forma, vamos trabalhar incessantemente para dar à segurança
pública patamar de política de Estado, para por fim às omissões do
governo central nesta área.
Vamos cobrar cada uma das promessas para a melhoria da qualidade da
nossa educação básica, ainda tão fragilizada e carente de recursos e
esforços convergentes.
É crucial recuperar imediatamente os patamares de investimento em saúde
pública, para revertermos o quadro dramático de desassistência em todo o
país.
Cobraremos, senhoras e senhores, e este é o nosso papel, deste governo a
vigência de um estado que respeite direitos, em contraposição ao
flagrante regime de drásticas insuficiências que se abateu sobre o país e
penaliza diretamente os mais pobres, os que mais precisam, aqueles que
menos têm.
E este talvez seja, senhoras e senhores, o grande desafio do Brasil do
nosso tempo: ser uma Nação que garanta direitos dignos dos cidadãos.
O Brasil real exige providências efetivas que resgatem os direitos das
pessoas à vida, à dignidade. Basta de tanta omissão. Chega de
terceirizar responsabilidades e penalizar estados endividados e
municípios à beira do colapso financeiro.
E aqui faço questão de reiterar um dos nossos compromissos mais
importantes: a restauração plena da Federação brasileira, engolfada pela
incúria do governismo e uma das mais drásticas concentrações de
recursos, poder e mando da história republicana na órbita da União.
O Brasil exige – e nós cobraremos desse governo – respeito à lógica
federativa, o que significa compartilhar decisões e responsabilidades e
repartir com mais justiça e equidade os impostos arrecadados com o
trabalho dos cidadãos.
Por iniciativa desta casa e saúdo mais uma vez a senadora Ana Amélia, começamos a trabalhar e conseguir avanços nessa direção.
Peço
licença para encerrar essas minhas primeiras palavras agradecendo a
todos e a cada um dos companheiros, e a cada um deles, com que tive a
honra de cumprir essa jornada de amor ao Brasil.
Saúdo, na família de Eduardo Campos, de sua esposa Renata e seus filhos,
cada família brasileira que uniu gerações no sonho de mudar o Brasil.
Saúdo em Marina Silva a capacidade de priorizar, acima de tudo, o amor
ao Brasil. A ela meu imenso respeito pessoal e a certeza de que, mais do
que nunca, seu protagonismo se faz necessário para consolidarmos a
grande travessia.
Nos companheiros do PSDB, saúdo o encontro e o reencontro com a nossa
história, nossos princípios e nossos compromissos com o país.
E me permito homenagear a todos na figura do grande estadista Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República.
Aos nossos aliados, saúdo o desprendimento e a crença inabalável em uma
Nação forte, justa, mais igual. A oposição a partir de agora não terá a
voz de um líder. Seremos todos porta-vozes de um inédito sentimento por
mudanças que galvanizou o país.
E me dirigindo, respeitosamente, aos que venceram essas eleições, e que
democraticamente cumprimento, reafirmo que: ao olharem para as oposições
no Congresso Nacional, não contabilizem apenas o número de cadeiras que
ocupamos seja no Senado ou na Câmara.
Enxerguem, através de cada gesto, de cada voto, de cada manifestação de cada um dos nossos, a voz estridente de mais de 51 milhões de brasileiros que não aceitam mais ver o país capturado por um partido e por um projeto de poder.
É a esses brasileiros que quero garantir ao final, de forma muito clara: nossa travessia não terminou. Nós não vamos nos dispersar.
A cada brasileiro e a cada brasileira que foi às ruas. Que vestiu as cores da nossa bandeira. Que enfrentou as calúnias e constrangimentos de um exército pago nas redes sociais.
Que com alegria e esperança defendeu a mudança, a ética e a união dos
brasileiros. A cada um de vocês, digo, em nome dos companheiros da
oposição, agora e a cada dia dos próximos anos: estaremos presentes.
Vamos em frente, juntos sempre, por um Brasil melhor que o Brasil atual!
Muito obrigado.
fonte rota2014





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