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05:38
ANDRADEJRJOR
EDITORIAL O GLOBO
Aperfeiçoar o regime de
democracia representativa, sem cair em armadilhas do populismo que
contrabandeiam mecanismos de “democracia direta”, deve ser preocupação
constante dos políticos e de organismos da sociedade organizada.
O
desafio é criar-se uma multiplicidade de canais em que o cidadão, sem
deixar de se sentir representado nas Casas legislativas, atue de uma
maneira mais próxima dos centros de decisão. Em democracias com
populações gigantescas, como a brasileira, é fundamental a atenção com a
distância entre o Estado e as pessoas. Quanto menor, melhor.
A
criação de comissões com representantes do povo para ajudarem na
elaboração e/ou execução de políticas específicas é prática antiga.
Assim, como alega o governo, não deveria causar qualquer estranheza a
instituição de uma política e de um sistema de participação social, por
meio do Decreto-Lei 8.243, em maio.
Mas a questão é bem outra.
Nada contra comissões em si. O problema, e sério, está na constituição
do tal sistema, formado por uma constelação de comissões instaladas na
administração direta e mesmo estatais, previstas para atuar em fóruns,
mesas de negociação, audiências públicas, conferências nacionais,
ouvidorias etc.
Toda esta enorme estrutura criada para
supostamente representar a “sociedade civil” ficaria, segundo o decreto,
sob a coordenação da Secretaria-Geral da Presidência da República, com
status de ministério, hoje ainda ocupada por Gilberto Carvalho, a ser
substituído no segundo governo Dilma certamente por outro político da
alta hierarquia do PT. Não por acaso.
Na verdade, este “Sistema
Nacional de Participação Social” é a materialização em lei da política
de aparelhamento do Estado que o partido executa com disciplina desde a
chegada ao Planalto, com Lula, em 1º de janeiro de 2003. Sob inspiração
chavista. Esta evidência é escancarada quando o 8.243 define, para os
fins do sistema de comissões, o que é “sociedade civil”: “O cidadão, os
coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não
institucionalizados, suas redes e suas organizações”.
Óbvio, não é
simples coincidência esse meio político-social ser o mesmo em que o PT
exerce grande influência, tem enorme representatividade e atua até mesmo
distribuindo recursos públicos por intermédio de ministérios e
autarquias que controla (Incra é um desses guichês generosos).
De
qualquer eleição feita neste universo para escolher “representantes do
povo” sairão nomes ligados ao PT, a suas correntes e legendas aliadas à
esquerda. Um jogo de cartas marcadas.
Esta já seria uma razão
forte para a Câmara dos Deputados ter revogado o decreto-lei, decisão a
ser confirmada pelo Senado. Outro motivo é que a formulação dessa
proposta, capaz de tutelar a máquina do Estado por interesses
político-ideológicos específicos e conhecidos, tem de ser feita às
claras, no Congresso. Não por uma canetada presidencial.
fonte avarandablogspot
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