Com Blog Rodrigo Constantino - Veja
Vou insistir no ponto que já fiz aqui:
a grande divisão política hoje não é entre esquerda e direita, mas
entre populistas e republicanos. Populistas não ligam para o
fortalecimento das instituições, e nunca pensam nas próximas gerações,
apenas nas próximas eleições. Por isso usam e abusam da máquina estatal
para se manter no poder, seu único projeto verdadeiro.
Quando descobrimos que às vésperas das eleições o governo triplicou as
verbas de um programa social, o que devemos concluir? Que se trata de
uma grande coincidência? Que os governantes se preocupam com os mais
pobres? Ou que usam essa gente como massa de manobra para ficar no
poder, mamando nas tetas estatais?
Nos
meses que antecederam as eleições deste ano, o governo federal
triplicou o pagamento às famílias de baixa renda no âmbito do Programa
de Fomento às Atividades Produtivas Rurais. De junho a outubro de 2014,
foram pagos R$ 121,37 milhões aos beneficiários do programa, uma das
iniciativas do Plano Brasil Sem Miséria, voltado para a população em
situação de pobreza ou extrema pobreza. No segundo semestre do ano
passado, entre julho e dezembro, o valor pago foi de R$ 43,2 milhões.
O
valor dos benefícios e o número de famílias alcançadas pelo programa
foram crescendo à medida que se aproximavam as eleições. O número de
famílias beneficiadas em outubro, mês da eleição, dobrou em relação aos
meses anteriores. Ao todo, 36.569 famílias que receberam parcelas do
benefício, contra 18.777 em setembro, 18.520 em agosto e 16.867 em
julho, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
Além disso, quase 70 mil famílias foram cadastradas só em 2014 para receber o programa de fomento de atividades rurais:
O
número de famílias atendidas pelo Programa de Fomento às Atividades
Produtivas Rurais também cresceu exponencialmente este ano. De janeiro
de 2012, quando o programa foi criado, até dezembro de 2013, foram
atendidas 55,2 mil famílias. Somente em 2014, entre janeiro e outubro,
mais 68,4 mil famílias começaram a receber o apoio financeiro, de acordo
com dados do MDS.
Informações
do Siafi mostram que os valores também cresceram em ano eleitoral. Nos
dois primeiros anos do programa, de janeiro de 2012 a dezembro de 2013, o
programa liberou R$ 77 milhões em benefícios. Só neste ano, de janeiro
até outubro de 2014, mês do segundo turno da eleição para presidente,
foram R$ 173,7 milhões.
Isso é apenas a reedição do velho voto de cabresto, típico do
coronelismo nordestino. O PT usa recursos públicos para se manter no
poder. Justamente por isso não quer transformar os programas sociais em
projetos de estado, para não perder essa oportunidade de fazer chantagem
com os carentes, explorados eleitoralmente pelo partido.
A decisão do pleito pode até ter sido legal, se bem que há
controvérsias, pois existem denúncias e testemunhas de fraudes nas urnas
eletrônicas, e o PT reagiu com muito receio ao pedido do PSDB para
auditoria, levantando suspeitas. Mas mesmo se foi legal, sem dúvida não
foi legítimo. Qual a legitimidade, afinal, em se vencer apelando tanto,
comprando tantos eleitores de forma tão escancarada?
Os populistas, ao contrário dos republicanos, não ligam para os pilares
de uma sólida democracia. Só querem saber do poder pelo poder!
fonte rota2014





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