Jornalista Andrade Junior

sábado, 15 de novembro de 2014

Se isso não é compra de votos, o que é então?

Com Blog Rodrigo Constantino - Veja

Vou insistir no ponto que já fiz aqui: a grande divisão política hoje não é entre esquerda e direita, mas entre populistas e republicanos. Populistas não ligam para o fortalecimento das instituições, e nunca pensam nas próximas gerações, apenas nas próximas eleições. Por isso usam e abusam da máquina estatal para se manter no poder, seu único projeto verdadeiro.
Quando descobrimos que às vésperas das eleições o governo triplicou as verbas de um programa social, o que devemos concluir? Que se trata de uma grande coincidência? Que os governantes se preocupam com os mais pobres? Ou que usam essa gente como massa de manobra para ficar no poder, mamando nas tetas estatais?
Nos meses que antecederam as eleições deste ano, o governo federal triplicou o pagamento às famílias de baixa renda no âmbito do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais. De junho a outubro de 2014, foram pagos R$ 121,37 milhões aos beneficiários do programa, uma das iniciativas do Plano Brasil Sem Miséria, voltado para a população em situação de pobreza ou extrema pobreza. No segundo semestre do ano passado, entre julho e dezembro, o valor pago foi de R$ 43,2 milhões.
O valor dos benefícios e o número de famílias alcançadas pelo programa foram crescendo à medida que se aproximavam as eleições. O número de famílias beneficiadas em outubro, mês da eleição, dobrou em relação aos meses anteriores. Ao todo, 36.569 famílias que receberam parcelas do benefício, contra 18.777 em setembro, 18.520 em agosto e 16.867 em julho, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
Além disso, quase 70 mil famílias foram cadastradas só em 2014 para receber o programa de fomento de atividades rurais:
O número de famílias atendidas pelo Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais também cresceu exponencialmente este ano. De janeiro de 2012, quando o programa foi criado, até dezembro de 2013, foram atendidas 55,2 mil famílias. Somente em 2014, entre janeiro e outubro, mais 68,4 mil famílias começaram a receber o apoio financeiro, de acordo com dados do MDS.
Informações do Siafi mostram que os valores também cresceram em ano eleitoral. Nos dois primeiros anos do programa, de janeiro de 2012 a dezembro de 2013, o programa liberou R$ 77 milhões em benefícios. Só neste ano, de janeiro até outubro de 2014, mês do segundo turno da eleição para presidente, foram R$ 173,7 milhões.
Isso é apenas a reedição do velho voto de cabresto, típico do coronelismo nordestino. O PT usa recursos públicos para se manter no poder. Justamente por isso não quer transformar os programas sociais em projetos de estado, para não perder essa oportunidade de fazer chantagem com os carentes, explorados eleitoralmente pelo partido.
A decisão do pleito pode até ter sido legal, se bem que há controvérsias, pois existem denúncias e testemunhas de fraudes nas urnas eletrônicas, e o PT reagiu com muito receio ao pedido do PSDB para auditoria, levantando suspeitas. Mas mesmo se foi legal, sem dúvida não foi legítimo. Qual a legitimidade, afinal, em se vencer apelando tanto, comprando tantos eleitores de forma tão escancarada?
Os populistas, ao contrário dos republicanos, não ligam para os pilares de uma sólida democracia. Só querem saber do poder pelo poder!
fonte rota2014

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