VERA ROSA - O ESTADO DE S. PAULO
Governo deve reforçar discurso de que foi a presidente quem demitiu corruptos da Petrobrás e defende investigações ‘doa a quem doer’
O governo está atônito com a velocidade da Operação Lava Jato, que levou
à prisão presidentes de grandes empreiteiras e o ex-diretor de Serviços
da Petrobrás Renato Duque, indicado para o cargo pelo ex-chefe da Casa
Civil José Dirceu, condenado no processo do mensalão. A maior
preocupação, agora, é com a blindagem da presidente Dilma Rousseff e com
a extensão do escândalo, já considerado no Palácio do Planalto como a
pior crise política do governo petista desde a administração de Luiz
Inácio Lula da Silva.
Dilma está em Brisbane, na Austrália, para participar neste fim de semana da Cúpula do G-20, o grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo. Ela se encontrava com integrantes da equipe econômica para acertar detalhes que serão apresentados durante o encontro quando soube da nova fase da Lava Jato e da prisão de Duque. As informações sobre a ação da Polícia Federal e as prisões chegaram às mãos de Dilma antes das 21h desta sexta no horário de Brisbane (perto de 9h em Brasília).
Na capital federal, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi
avisado da megaoperação pelo diretor-geral da PF, Leandro Daiello, às
6h30 desta sexta. Daiello acordou Cardozo. O chefe da PF disse ao
ministro que a sétima fase da Lava Jato seria avassaladora, atingindo
doadores de campanha eleitoral e escancarando o esquema de corrupção que
assolou a Petrobrás.
O escândalo tem potencial explosivo porque ainda faltam aparecer os
nomes dos políticos envolvidos, justamente no momento em que Dilma
prepara a montagem do Ministério do segundo mandato. Até agora, porém,
sabe-se que o esquema de desvio de dinheiro na Petrobrás atinge
expoentes dos principais partidos da base de sustentação do governo no
Congresso, alvejando o PT, o PMDB e o PP, partidos já citados nas
delações premiadas do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo
Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef.
Auxiliares de Dilma tentavam construir o discurso da blindagem e da
contenção de danos, segundo o qual foi a presidente quem iniciou as
mudanças na Petrobrás, mandando demitir diretores corruptos. Na campanha
e logo após ser reeleita, Dilma afirmou que nunca engavetou
investigações, que não compactua com a corrupção e que apurações desse
porte são fundamentais para o País acabar com a impunidade, "doa a quem
doer".
Na prática, porém, um clima de perplexidade tomou conta do Planalto e do
Congresso. O cuidado no governo é para que a blindagem de Dilma não
acabe jogando luzes sobre a gestão de Lula, uma vez que tanto Duque como
Costa foram nomeados na época em que ele era presidente.
A menção na Lava Jato a Marice Corrêa Lima, cunhada de João Vaccari
Neto, desgasta ainda mais o tesoureiro do PT, já citado na investigação
como intermediador dos recursos desviados da estatal para o partido.
Marice teve mensagem eletrônica interceptada indicando, segundo o
Ministério Público Federal, que um representante da OAS mandou entregar a
ela R$ 110 mil. Vaccari e Marice negam as acusações. / COLABORARAM
ANDREZA MATAIS e FERNANDO NAKAGAWA
fonte rota2014





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