editorial de O Globo
A candidata Dilma prometeu e a presidente terá de cumprir a promessa de colocar o Executivo federal integrado no sistema de segurança pública nos estados
Não falta no Brasil conhecimento para desenvolver políticas de segurança pública eficazes.
É o que demonstra o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP),
em execução no Rio pelo governo fluminense, com resultados bastante
positivos em termos de queda nos índices de violência e no resgate de
dezenas de milhares de pessoa do jugo de quadrilhas. O dado de que nas
áreas de UPPs a taxa média de homicídios é um terço do índice nacional
prova a eficácia do programa.
O Estado de São Paulo, por sua vez, há tempos também segue uma política
de ações múltiplas de enfrentamento do crime, com a mobilização de
comunidades, ações sociais etc., e os resultados igualmente são
alvissareiros. A ponto de ser o estado que menos se distancia do limite
de 10 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes, a partir do qual a
Organização Mundial de Saúde (OMS), da ONU, considera a violência
endêmica.
O quadro geral da violência no país, no entanto, continua dramático,
constata-se pelo oitavo Anuário Brasileiro de Segurança Pública,
divulgado anteontem: em 2013, foram assassinadas 53.646 pessoas, o que
significa, em média, pouco mais de seis óbitos por hora. Em 26 anos,
desde 1988, quando foi promulgada a Constituição da redemocratização,
houve um milhão de assassinatos no país, estatística de guerra.
Apesar dos casos tópicos de sucesso, mesmo em grandes centros houve um
acréscimo de 1,1% nas mortes violentas — homicídios, latrocínios
(assassinato após roubo) e lesões corporais que levam à morte.
A taxa média brasileira de homicídios, de acordo com o Anuário, foi, no
ano passado, de 26,6 por 100 mil habitantes, mais que o dobro do limite
aceitável para a OMS. Como se trata de média, há aberrações para cima e
taxas razoáveis abaixo. Alagoas lidera o ranking, com 67,5/100 mil,
enquanto São Paulo é o mais bem colocado com 11,7. O índice do Rio de
Janeiro subiu de 26,1 para 30,1, sintoma do contra-ataque de quadrilhas,
sinal de que o programa de segurança precisa passar por ajustes, para a
reafirmação de fundamentos — retomada do controle territorial pelo
Estado, banimento de armas das comunidades, ações sociais.
O Anuário remete a um tema tratado na campanha eleitoral: ou o Executivo
federal se envolve para valer com os demais entes da Federação no
enfrentamento desta longa crise na segurança pública ou a barbárie
continuará, deixando graves marcas demográficas. Já existem áreas em que
há um número desproporcional de mulheres jovens, porque os homens foram
mortos.
O trabalho a ser feito não é desconhecido: integrar as diversas forças
policiais, respaldadas pelas Forças Armadas, para enfrentar uma
criminalidade integrada já há bastante tempo, inclusive conectada com
grupos no exterior. A candidata Dilma fez esta pregação dos palanques.
Precisará cumprir a promessa. Disso depende a vida de milhares de
pessoas.
fonte rota2014





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