Jornalista Andrade Junior

sábado, 15 de novembro de 2014

"Estado brasileiro é derrotado no combate à violência",

editorial de O Globo

A candidata Dilma prometeu e a presidente terá de cumprir a promessa de colocar o Executivo federal integrado no sistema de segurança pública nos estados


Não falta no Brasil conhecimento para desenvolver políticas de segurança pública eficazes.
É o que demonstra o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), em execução no Rio pelo governo fluminense, com resultados bastante positivos em termos de queda nos índices de violência e no resgate de dezenas de milhares de pessoa do jugo de quadrilhas. O dado de que nas áreas de UPPs a taxa média de homicídios é um terço do índice nacional prova a eficácia do programa.
O Estado de São Paulo, por sua vez, há tempos também segue uma política de ações múltiplas de enfrentamento do crime, com a mobilização de comunidades, ações sociais etc., e os resultados igualmente são alvissareiros. A ponto de ser o estado que menos se distancia do limite de 10 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes, a partir do qual a Organização Mundial de Saúde (OMS), da ONU, considera a violência endêmica.

O quadro geral da violência no país, no entanto, continua dramático, constata-se pelo oitavo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado anteontem: em 2013, foram assassinadas 53.646 pessoas, o que significa, em média, pouco mais de seis óbitos por hora. Em 26 anos, desde 1988, quando foi promulgada a Constituição da redemocratização, houve um milhão de assassinatos no país, estatística de guerra.
Apesar dos casos tópicos de sucesso, mesmo em grandes centros houve um acréscimo de 1,1% nas mortes violentas — homicídios, latrocínios (assassinato após roubo) e lesões corporais que levam à morte.
A taxa média brasileira de homicídios, de acordo com o Anuário, foi, no ano passado, de 26,6 por 100 mil habitantes, mais que o dobro do limite aceitável para a OMS. Como se trata de média, há aberrações para cima e taxas razoáveis abaixo. Alagoas lidera o ranking, com 67,5/100 mil, enquanto São Paulo é o mais bem colocado com 11,7. O índice do Rio de Janeiro subiu de 26,1 para 30,1, sintoma do contra-ataque de quadrilhas, sinal de que o programa de segurança precisa passar por ajustes, para a reafirmação de fundamentos — retomada do controle territorial pelo Estado, banimento de armas das comunidades, ações sociais.
O Anuário remete a um tema tratado na campanha eleitoral: ou o Executivo federal se envolve para valer com os demais entes da Federação no enfrentamento desta longa crise na segurança pública ou a barbárie continuará, deixando graves marcas demográficas. Já existem áreas em que há um número desproporcional de mulheres jovens, porque os homens foram mortos.
O trabalho a ser feito não é desconhecido: integrar as diversas forças policiais, respaldadas pelas Forças Armadas, para enfrentar uma criminalidade integrada já há bastante tempo, inclusive conectada com grupos no exterior. A candidata Dilma fez esta pregação dos palanques. Precisará cumprir a promessa. Disso depende a vida de milhares de pessoas.
fonte rota2014

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