Eduardo Bresciani - O Globo
José Jorge, que se aposentará, relatava processos da área de energia e fez críticas ao governo Dilma Rousseff
Na sua última sessão no Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro
José Jorge fez um discurso recheado por críticas ao governo Dilma
Rousseff pelas ações na área de energia. Ele relatava os processos da
área e deixará o cargo na próxima semana por completar 70 anos.
– No setor elétrico, estamos nas mãos de Deus, porque São Pedro sozinho
não vai resolver esse problema. Empresas endividadas, reservatórios
vazios e grandes dívidas a serem pagas pelo contribuinte. Quanto a
Petrobras, é triste a situação da empresa, além de ser utilizada
indevidamente para segurar a inflação, foi vítima de desvios e má gestão
– afirmou.
José Jorge foi ministro de Minas e Energia em 2001, quando houve o
racionamento. Para ele, a situação atual é pior do que a daquele
momento.
– Fui ministro de Minas e Energia na época do racionamento. Foi o pior
momento. Não tenho sorte. Podia ter sido agora, mas se bem que agora
acho que está pior – disse.
Ele reclamou de ter de deixar suas funções por fazer 70 anos e disse ter ainda condições de trabalhar.
– Não uso bengala nem estou doente, não tenho porque deixar de trabalhar – registrou.
Por mais de uma hora os colegas registraram elogios a José Jorge. Um dos
amigos mais próximos na corte, o conterrâneo José Múcio relatou
histórias sobre o “humor inglês” do ministro que deixa a corte. Contou
que uma vez procurou José Jorge pedindo apoio para um relatório seu no
tribunal porque outro colega tinha parecer de igual teor. Jorge, então,
pediu vistas sobre o voto de Múcio para que o do “concorrente” fosse
aprovado.
— Eu entendi. Era um recado para não pedir mais nada a ele – disse Múcio, em meio a risos.
Os ministros lembraram ainda das tradicionais festas de São João
organizadas por José Jorge em Brasília. Alguns deles manifestaram desejo
de participar do evento se ele for transferido em 2015 para Recife,
onde o ministro irá morar.
José Jorge teve destaque ao longo deste ano por processos relativos a
Petrobras. Foi dele o relatório sobre o caso da compra da refinaria de
Pasadena, nos Estados Unidos. Ele concordou em retirar da lista dos
responsáveis a presidente Dilma Rousseff e os demais integrantes do
Conselho de Administração, mas acabou derrotado quando queria colocar a
presidente da empresa, Graça Foster, entre os dirigentes que teriam os
bens indisponíveis enquanto a investigação estiver em andamento. No
discurso de despedida, citou matéria do jornal O Globo que mostrou Graça
Foster e o ex-diretor Nestor Cerveró repassando bens para parentes
defendendo a medida de indisponibilidade.
A sucessão do ministro já provoca uma disputa na base aliada. A ministra
de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, é sempre lembrada para o cargo,
mas o PMDB do Senado, que tem a maior bancada na casa, deve indicar o
senador Vital do Rêgo (PB), que preside a CPI da Petrobras.
fonte rota2014
Ele reclamou de ter de deixar suas funções por fazer 70 anos e disse ter ainda condições de trabalhar.





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