por Mary Zaidan- Com Blog do Noblat - O Globo
Diálogo, palavra que Dilma repete à exaustão, dificilmente ocupará o lugar do divisionismo que o PT prega há tempos.
Reajuste dos combustíveis e das tarifas de energia elétrica, alta de
juros, suspensão de créditos subsidiados. Tudo feito de pronto. Até
cortes em salvaguardas trabalhistas, que na campanha a presidente
reeleita jurava de pés juntos que não faria e acusava seu adversário de
querer fazer, estão por vir.
“A inflação sob controle”, ladainha repetida por ela nos debates
eleitorais, foi substituída pela necessidade de fazer o “dever de casa”
para impedir a fúria do dragão. Os sempre condenados cortes em
benefícios sociais já não são imexíveis. Os gastos públicos recordes,
agora, promete a presidente, serão administrados.
Nada disso combina com o país cor-de-rosa que o PT mostrou no horário
eleitoral da TV. Mas Dilma Rousseff, que assim como o ex Lula nunca sabe
de nada, sabia que tudo era de mentirinha. E boa parte ainda é.
Costumeira, a prática do logro se mantém sem qualquer constrangimento.
Números do Ipea que apontam aumento dos miseráveis em 2013 são tratados
pelo primeiro escalão do governo como “não oficiais” ou “margem de
erro”. Dados oficiais do governo apontando o risco de racionamento de
energia no Sudeste “não valem nada”.
Desfaçatez não falta. O Ibama chegou a dizer que não contou ao país que o
desmatamento da Amazônia aumentou 122% em agosto e setembro para
impedir a ação de bandidos. Posto assim, o órgão ambiental teria
auxiliado continuamente a bandidagem e só deixou de fazê-lo nos meses
pré-eleição. É de dar vergonha.
Se no plano econômico o governo Dilma tem tentado agir, ainda que
timidamente, acenando com medidas adiadas há tempos, na política a
presidente e os seus insistem no ludibrio.
Quanto à corrupção, a presidente se diz uma combatente implacável. Mas,
finda a eleição, a indignação que mostrou dois dias antes com a
revelação de que Lula e ela sabiam das negociatas na Petrobras deu lugar
à mudez.
Isso sem responder a uma questão para lá de simples: sabia?
Diálogo, palavra que Dilma repete à exaustão, dificilmente ocupará o
lugar do divisionismo que o PT prega há tempos. O partido da presidente
confessa. Considera urgente construir a “hegemonia na sociedade”.
Hegemonia, segundo o Aurélio, é a “preponderância de uma cidade ou de um
povo sobre outras cidades e outros povos”. A definição fala por si.
Dilma não é lá muito afeita a conversas. Gosta do mando. E, ainda que se
esforce, dificilmente conseguirá mudar, como bem disse a jornalista
Eliane Cantanhêde em “Dilma adversária de Dilma”. Na economia e na
política.
Dias piores virão.
fonte rota2014





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