JAMIL CHADE - O ESTADO DE S. PAULO
Máfia italiana superou o volume de recursos movimentados pelos brasileiros
GENEBRA - Do Brasil às contas de bancos em Genebra ou Zurique.
Investigações realizadas pela Polícia Federal Suíça revelam que, hoje,
só a Máfia italiana movimenta mais dinheiro nas contas secretas na Suíça
que o crime organizado brasileiro.
Dados oficiais da Polícia Federal Suíça revelam que, em 2013, suspeitas
apontam que organizações criminosas brasileiras fizeram transitar mais
de R$ 75 milhões (29 milhões de francos suíços) por contas em bancos
suíços com o objetivo de lavagem de dinheiro. Os recursos teriam sido
bloqueados ou pelo menos identificados em processos que correm na
Justiça.
O volume, que cresceu de forma exponencial nos últimos anos, obrigou os
suíços a darem uma atenção especial aos casos envolvendo o Brasil.
Os dados revelam que, hoje, os grupos criminosos nacionais usam a praça
financeira do país europeu de forma mais intensa até mesmo que a máfia
russa ou o crime organizado chinês.
O volume de dinheiro movimentado pelos grupos brasileiros, por exemplo, é
três vezes superior ao que foi identificado com as "gangues russas".
O que surpreende os investigadores é que, se a base dessas organizações
estão nas periferias das grandes cidades brasileiras, a renda permite
que os principais chefes dos grupos tentem usar "laranjas" para
transferir milhões de dólares a cada ano para contas em paraísos
fiscais.
No total, as autoridades suíças investigaram 103 casos do uso de sua
praça financeira pelo crime organizado internacional, envolvendo o
tráfico de drogas, de armas, de produtos ilegais, de pessoas, corrupção e
prostituição.
A liderança ainda é dos "grupos criminosos italianos", que movimentaram quase R$ 150 milhões pelos bancos suíços em 2013.
Em 2013, a Europol já havia destacado para o fenômeno da
internacionalização do crime organizado brasileiro, identificando contas
e atividades das entidades em território europeu. Drogas, vendas de
passaportes e prostituição estavam entre as principais atividades. Mas
os grupos ainda estariam envolvidos no comércio ilegal de animais e até
mesmo em crimes financeiros.
FONTE ROTA2014





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