Copa sob suspeita e desinteresse sobre Olimpíada põem megaeventos em crise
Vinícius Konchinski - UOL
O futuro da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos está em xeque. Suspeitas
de corrupção, exigências bilionárias e dúvidas sobre legado têm feito
governos repensarem se vale mesmo a pena sediar uma edição dos maiores
eventos esportivos do planeta. Alguns lugares do mundo, aliás, já
decidiram que não vale. E essa resistência contra a Copa e a Olimpíada
acabou criando uma crise: a crise dos megaeventos esportivos.
O fenômeno ganhou força nos últimos anos, depois de três cidades
desistirem de disputar o direito de sediar os Jogos Olímpicos de Inverno
de 2022 e de uma série de manifestações populares contra Copa tomarem
as ruas do Brasil durante a Copa das Confederações, em junho de 2013
Meses antes dos protestos, em março, os suíços rejeitaram em um
referendo a candidatura de Saint Moritz e Davos à sede dos Jogos de
Inverno de 2022. Já em novembro, a população de Munique, na Alemanha,
decidiu também em votação que a cidade não deveria se candidatar para
receber o mesmo evento.
Já neste ano, foi a vez de Oslo também retirar sua candidatura para sede
dos Jogos de 2022. E todas essas desistências, aliadas às suspeitas
envolvendo a escolha do Qatar como sede da Copa do Mundo e aos
questionamentos sobre os legados dos eventos esportivos, fizeram o COI
(Comitê Olímpico Internacional) e a Fifa a se movimentar.
"O que ocorreu Jogos Olímpicos de Inverno foi emblemático", afirmou
Pedro Trengrouse, professor visitante da Universidade de Harvard, nos
Estados Unidos, e consultor da ONU (Organização das Nações Unidas) para a
Copa do Mundo. "As desistências acenderam um alerta nas organizações
esportivas para que a crise não chegue nos eventos de primeira linha
como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos de Verão."
O COI, por exemplo, intensificou um processo de reforma dos Jogos
Olímpicos iniciado pelo seu novo presidente, o alemão Thomas Bach. A
chamada Agenda 2020 visa a repensar os eventos olímpicos, flexibilizar o
programa de modalidades e até alterar o processo de candidatura de
cidades à sede da Olimpíada.
Essa reforma foi aprovada no final de outubro pelo Comitê Executivo do
COI. Em dezembro, a Assembleia da entidade vai avaliar o tema. Uma das
propostas já aprovadas pelo comitê executivo é a que muda o processo de
candidatura de cidades à sede da Olimpíada de Inverno e Verão,
possibilitando assim a redução de custos da realização dos eventos.
Os últimos Jogos de Inverno, realizados em Sochi, na Rússia, custaram
cerca de R$ 125 bilhões (US$ 50 bilhões). Já a Olimpíada do Rio, que
começa daqui a dois anos, está orçada atualmente em cerca de R$ 37
bilhões.
Já na Fifa, organizadora da Copa, a redução de custos dos eventos e o
apoio popular também entraram em pauta. Logo após o fim da Copa do Mundo
do Brasil, o presidente da entidade máxima do futebol, Joseph Blatter,
afirmou que considerava reduzir o número de sedes do Mundial da Rússia
para baratear o torneio. A ideia foi rejeitada pelos russos.
Meses antes, depois da Copa das Confederações, o secretário-geral da
Fifa, Jérôme Valcke, disse que vai trabalhar para que a entidade passe a
exigir uma aprovação popular dos países que desejam ser sede do
Mundial. Isso reduziria a chance de protestos contra o torneio, como os
ocorridos no Brasil.
"A imagem da Fifa está arranhada por todos os protestos e suspeitas de
corrupção", disse o professor universitário e membro do Comitê Popular
da Copa no Rio, Orlando Alves dos Santos Júnior. "O discurso de mudança
faz parte de uma tentativa de melhorar essa situação. Eu ressalto só que
não acredito que muita coisa vá mudar quando o assunto é Copa."
Dos Santos considera, sim, que é preciso repensar a realização dos
megaeventos esportivos. Não acredita, porém, que existe um risco de eles
pararem de serem promovidos. Trengrouse, da ONU e de Harvard, também
não vê um risco imediato. Mas alerta: "Acho que se não houver cuidados, a
evolução tecnológica e a mudança de hábitos sociais podem comprometer a
viabilidade econômica dos grandes eventos esportivos da forma que são
hoje", afirmou.
fonte rota2014





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