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09:49
ANDRADEJRJOR
JORGE OVIEDO O GLOBO

Contam que Hugo Chávez,
com os preços do petróleo a US$ 20, após anos bem desvalorizados,
prometia ser “o rei da América Latina” quando a cotação do barril
chegasse a US$ 40. Ele quase conseguiu, porque sua companhia petrolífera
estatal era uma máquina de obter dólares para o governo, quando o preço
do petróleo chegou a quase US$ 150. Chávez faleceu e seu país desmorona
devido a inúmeros equívocos acumulados. Do topo, o preço do petróleo
cai. E nem mesmo o sistema de múltiplas taxas de câmbio, que permite
qualquer tipo de manobras corruptas, incluindo os funcionários, é claro,
suporta a pressão.
Agora, uma parte da cotação do câmbio estará
liberada ao valor de mercado, esse mesmo mercado que o chavismo e todos
seus adeptos venezuelanos e estrangeiros tanto odiaram. Em todo caso, o
Estado venezuelano poderá obter mais moeda local por dólares que serão
vendidos em leilões.
Para evitar uma explosão de preços e uma
queda dramática da renda dos trabalhadores, manteve-se uma taxa de
câmbio oficial mais que artificial, cotado a pouco mais de oito
bolívares, que é acessível apenas a importadores de bens considerados
como imprescindíveis. A Venezuela importa quase tudo. É outro fracasso
brutal do chavismo, que estatizou a ferro e fogo inúmeras empresas, que
hoje não conseguem abastecer a demanda interna.
Um segundo dólar
será para o turismo, com quantidades mais que limitadas. Com um teto de
US$ 3 mil por ano pode-se dizer que os venezuelanos estão tacitamente
proibidos de ir ao exterior, a não ser que o façam como mochileiros.
A
solução é de um mercado livre que presumivelmente continuará orbitando
próximo aos preços do paralelo ou “ilegal”, e que na Venezuela não se
pode nem mencionar na imprensa sem ser por meio de eufemismos. Mas não
será um mercado totalmente livre porque haverá limitação de quantidades.
O
que pensaria o falecido comandante se pudesse ver seus herdeiros
aplicando receitas parecidas às que, na Argentina, são aconselhadas por
Domingo Cavallo (ex-ministro de Economia de Carlos Menem e autor do
plano de conversibilidade argentino) para sair do buraco? O ex-ministro
argentino sugere uma transição em que haja um dólar comercial, mas
igualmente um câmbio livre, cuja cotação venha do resultado da oferta e
da demanda públicas e cujo preço, seria razoável especular, se pareceria
inicialmente ao do dólar paralelo.
O auge dos preços das
matérias-primas, que permitiu a heterodoxia dos que se imaginaram
“líderes da Pátria Grande”, está chegando ao fim; e alguns acreditam que
por causa do discurso, o relato, os caprichos, o populismo e os sonhos
de reinados regionais perderam inúmeras oportunidades.
O equatoriano Rafael Correa não pode desvalorizar porque seu país tem o dólar como moeda.
O
petróleo se desvaloriza e o dólar se valoriza frente às moedas dos
países vizinhos. Trata-se de uma grande oportunidade para que Peru e
Colômbia, após desvalorizarem suas moedas, exportem para o Equador. Aos
governados por Correa comprar no exterior sai mais barato. Então, quem
inventou o ato de rasgar jornais que publicam notícias que lhes
desagradam, gesto logo imitado por Jorge Capitanich (chefe de Gabinete
da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que rasgou uma edição do
jornal “Clarín”), impôs taxações às importações, o que é proibido pela
Comunidade Andina de Nações. Já foi exigido a Quito que retire as
medidas e indenize os afetados. Correa, discípulo de Chávez, não
cumpriu. Por enquanto ainda não rasgou nada.
fonte avarandablogspot
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