Que bom te ver por aqui, seja bem vindo. Neste espaço busco repassar a informação séria, sem censura. Publico artigos e notícias que estão na internet e que acredito serem de interesse geral. Também publico textos, vídeos e fotos de minha autoria. Nos textos há sempre uma foto ou um gif, sempre ilustrativa, muitas vezes, nada tem a ver com o texto em questão. Para entrar em contato comigo pode ser em comentários nos artigos ou, então, pelo e mail andradejrjor@gmail.com.
Dilma Rousseff apenas
inicia, ao passo que Cristina Kirchner está por terminar seu segundo
mandato presidencial. Apesar disso, Brasil e Argentina parecem, ambos,
viver o encerramento de um ciclo político de mais longa duração. Em que
pesem claras diferenças,há inquietantes semelhanças nos processos
políticos experimentados pelos dois países sob o lulopetismo e o
peronismo kirchnerista. A maior delas reside em que, a despeito de quase
tudo indicar o esgotamento dos respectivos projetos políticos, não se
verifica a articulação clara de alternativas à altura das melhores
aspirações de renovação das instituições políticas e da cultura
democrática nos dois países.
No Brasil, depois de quase vencer as
eleições de outubro, o PSDB mostra-se até aqui incapaz de imprimir
diretriz consistente à oposição democrática e menos ainda de estabelecer
interlocução mais ampla com os atores sociais insatisfeitos com o
status quo. Na Argentina, a oposição segue fragmentada e são grandes as
chances de vitória, nas eleições de outubro, de um candidato que apenas
atenue o pathos discricionário do kirchnerismo. Não é improvável que no
país vizinho ocorra a reconciliação pós-eleitoral da "família
peronista", com Cristina e seus próximos em posição subalterna, mas sem
ruptura com as práticas que caracterizaram seu governo e o de seu
marido.
Em ambos os países se acumularam problemas econômicos
decorrentes de erros de concepção e implementação de políticas públicas.
Eles têm magnitudes diferentes porque na Argentina o "experimento
desenvolvimentista" teve mais tempo e menores freios para seguir em
frente. O Brasil encontra-se estrutural e conjunturalmente em melhor
situação, mas não cabe ter ilusões: há pelo menos um ano a deterioração
da economia brasileira surpreende pela velocidade e a tendência por ora
não foi estancada, muito menos revertida.
Os problemas políticos,
se não produzidos, ao menos agravados sob o lulopetismo e o
kirchnerismo, são ainda maiores: personalismo da liderança, beirando o
culto à personalidade; aparelhamento do Estado para fins partidários;
entrelaçamento promíscuo de interesses políticos e empresariais.
Ao
início, o kirchnerismo exibiu feições de uma versão moderna e
progressista do peronismo. O governo de Néstor Kirchner deu resposta
eficaz às expectativas de recomposição da capacidade de governo na
esteira da crise brutal que atingiu a Argentina em 2001/2002. No plano
econômico, com Roberto Lavagnano Ministério da Fazenda, reestruturou a
impagável dívida externa do país e definiu uma política econômica apta a
controlar a inflação e retomar o crescimento, aproveitando o vento de
cauda soprado pela alta das commodities. No social, lançou programas de
transferência de renda para reduzir a pobreza então crescente, ao passo
que o mercado de trabalho começava a se beneficiar da retoma da
economia. No político, buscou alianças fora de seu grupo político e
colocou no topo da agenda o acerto de contas judicial com as violações
dos direitos humanos durante a ditadura militar.
Em 2006, porém, o
kirchnerismo sofreu uma mutação ativando genes presentes em seu DNA
peronista, até então atenuados: o "transversalismo político" dos
primeiros anos cede lugar à lógica do "nós" contra "eles"; a necessária
recomposição da capacidade de governar, esfacela-da pela crise,
transforma-se em obsessiva procura por concentrar poderes na presidência
e exercê-los de forma cada vez mais intrusiva e discricionária; com a
saída de Lavagna, a condução da economia e dos negócios do Estado passa a
submeter-se a objetivos políticos e eleitorais de curto prazo e a
subordinar-se à estratégia de perpetuação do kirchnerismo no poder, sob
Néstor ou Cristina. Cresce a manipulação de dados públicos sobre a
economia e o Estado é posto a serviço do governo e do grupo político
dominante, sob uma ideologia nacional-estatista.
Adeptos veem
nessa "mutação" uma resposta necessária a um suposto "cerco conservador"
que se armava contra o governo à medida que se revelavam a extensão e a
profundidade das mudanças "progressistas" pretendidas pelo
kirchnerismo. Além de se apoiar num "erro cronológico" - a "mutação" se
dá antes do conflito com os produtores rurais, que a mesma narrativa
assinala como o marco inaugural do suposto "cerco conservador" -, o
argumento mostra a carga genética potencialmente antidemocrática de um
certo "progressismo" em voga na América Latina.
Nos limites deste
artigo é impossível uma comparação cuidadosa do lulopetismo com o
kirchnerismo. Mas ao leitor atento não escaparão semelhanças
inquietantes, entre elas o recurso insistente ao argumento do "cerco
conservador" e seus derivados, como "o golpe da mídia", agora
desdobrado, lá e cá,no "golpe do Judiciário", para justificar o que é
injustificável sob uma ótica política progressista (sem aspas). Como
pode ser progressista uma força política cuja ação solapa as bases
institucionais e culturais de vida democrática?
Há diferenças
significativas entre as forças que dominaram a política no Brasil e na
Argentina nos últimos 12, 13 anos. Em favor do lulopetismo, reconheça-se
sua maior racionalidade e capacidade de composição. A diferença
principal, porém, não é intrínseca, é extrínseca às duas forças
políticas. Ela reside em especial na maior qualidade das instituições
brasileiras. Vamos precisar delas agora, mais que nunca, para navegar e
superar a crise em que o País se encontra.
Todavia, se nos
oferecem as regras para a solução pacífica dos conflitos, as
instituições não podem, por si mesmas, suprir a falta de uma liderança
política coletiva que defina novos caminhos. Com o governo enredado nas
mentiras da campanha eleitoral e no escândalo da Petrobrás, cabe
fundamentalmente às forças de oposição indicar e construir esses
caminhos.
Como profissional, trabalhei como apresentador, repórter, redator, produtor, diretor de jornalismo em várias emissoras de rádio - Rádio Difusora de Pirassununga, Rádio Cultura de Santos e São Vicente, Rádio Capital de Brasília, Rádio Alvorada de Brasília, Sistema Globo de Rádio/DF, Rádio Manchete FM/DF, Rádio Planalto de Brasília e 105 FM DF e Rádio Cultura de Brasília. Fui Professor de Radiojornalismo no CEUB. Funcionário concursado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal requisitado pelo TCDF até me aposentar em fevereiro ultimo. Também trabalhei, nos anos 70 no jornal O Movimento de Pirassununga.
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