SUELY CALDAS O ESTADO DE SÃO PAULO
Tem perdido força o
entusiasmo com a chegada do ministro Joaquim Levy ao governo. E a
esperança de logo recuperar a economia se distancia. Não por culpa dele,
muito pelo contrário. Levy se esforça: viaja a Londres, Nova York,
injeta otimismo, promete prosperidade a investidores estrangeiros,
garante que não há país mais promissor para investir do que o Brasil,
almoça e janta com parlamentares para aprovar o ajuste fiscal, sua
jornada se estende noite adentro em reuniões com assessores planejando
caminhos para a ansiada retomada do crescimento. Ele não perdeu o
entusiasmo, cumpre seu papel com garra, virou um showman, sorri otimista
e segue em frente. Mas a crença dos brasileiros no futuro próximo
começa a fraquejar.
Lá se vão cinco meses de governo e a situação
econômica não dá sinais de se vai e quando vai melhorar. A inflação não
cede, o termômetro da recessão avança, o desemprego acelera, os gastos
públicos não recuam, indicadores econômicos e sociais pioram e o plano
de investimentos ainda não mostrou a cara - as licitações para construir
portos, estradas, aeroportos e usinas elétricas ainda são promessas,
talvez só em 2016. Exceção para o leilão da 13.ª rodada de petróleo, que
vai ofertar 269 blocos de óleo e gás em outubro. Com isso, a tal agenda
positiva indicando caminhos da retomada do investimento, do crescimento
e da geração de empregos continua ausente e sem dar cor ao cenário
sombrio.
O quadro piora com a perda de popularidade e autonomia
de gestão da presidente Dilma. Popularidade em baixa, ela perdeu o apoio
político dos presidentes da Câmara e do Senado, que têm dificultado a
votação do ajuste fiscal e ainda ameaçam aprovar propostas que aumentam
os gastos públicos. Com os partidos aliados cobrando pedágios cada vez
mais altos, Dilma perdeu apoio até do PT, e agora tem de arranjar às
presas um remendo para substituir o fator previdenciário, que caminha
para a extinção no Senado. No plano político, Dilma dá passos largos
para o isolamento. Sua saída é torcer pelo êxito do plano de Levy de
recolocar a economia nos trilhos e partir rumo ao crescimento econômico.
Mas ela precisa ajudar.
Há quase quatro anos de mandato à frente
e a vida não para nem espera, o País precisa viver, trabalhar, há
aluguel, conta de luz, escola para pagar, os filhos precisam vestir,
calçar, comer, comprar livros, remédios. É fundamental ter o governo
eleito funcionando e regulando a economia para desenvolver o País e
melhorar a vida do cidadão. Mas dona Dilma só tem enfrentado
dificuldades no segundo mandato. Agora nem mais importa se tudo isso foi
consequência de erros - alguns grosseiros, como lembrou Levy - dela e
de sua equipe econômica do primeiro mandato. Importa é reverter o
quadro, fazer a economia crescer, criar empregos, aumentar a renda das
pessoas. E para desenvolver o País o investimento é crucial. Mas como
Dilma pode ajudar?
Ela pode ajudar reconquistando a confiança
perdida no primeiro mandato. Mais do que ninguém, ela sabe que a crise
de confiança não se dissipou e tem freado o investimento privado.
Empresários vacilam em investir, temendo mudança de regras no caminho e
interferência indevida do governo em seu negócio. Temem que Levy saia
tão logo a economia entre nos trilhos e tudo volte ao que era antes.
Ela
deveria ter feito no início deste mandato, mas ainda há tempo de vir a
público pedir desculpas à população por ter sido a maior responsável por
mergulhar o País na difícil situação que enfrenta hoje e se comprometer
com princípios cuja indefinição e incertezas têm afastado o
investimento. Não se trata de capitulação, trata-se de dar vida e
progresso aos quatro anos que lhe restam. Como fez Lula com a Carta ao
Povo Brasileiro.
O governo perdeu investidores que antes
conseguia induzir - a Lava Jato retirou de cena as grandes empreiteiras,
os bilionários déficits atrofiaram o poder de investir dos fundos de
pensão de estatais, Petrobrás e Eletrobrás vendem ativos para
sobreviver. Dilma vai precisar, e muito, do investimento privado.
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