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21:31
ANDRADEJRJOR
BERNARDO MELLO FRANCO FOLHA DE SÃO PAULO

BRASÍLIA - O acordo de
delação do dono da UTC, Ricardo Pessoa, pode ser o anzol que faltava
para fisgar os peixes grandes na Lava Jato. Apontado como chefe do
"clube das empreiteiras", ele conheceu como poucos o propinoduto da
Petrobras.
A colaboração também é esperada porque o empresário
ajudou a financiar a campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição.
Negociava direto com o ministro Edinho Silva, tesoureiro do comitê
petista.
Pelo potencial explosivo do depoimento, é de se prever
uma nova temporada de críticas ao juiz Sérgio Moro, ao Ministério
Público e ao uso das colaborações premiadas. O ataque a esse instrumento
está se tornando a principal defesa dos acusados de corrupção.
Na
decisão que prendeu Pessoa e outros empreiteiros, Moro lembrou que
"crimes não são cometidos no céu e, em muitos casos, as únicas pessoas
que podem servir como testemunhas são igualmente criminosas". "Quem, em
geral, vem criticando a colaboração premiada é aparentemente favorável à
regra do silêncio, a omertà das organizações criminosas", escreveu.
Para
entender melhor a cabeça que comanda a Lava Jato, vale ler o artigo "O
uso de um criminoso como testemunha: um problema especial", do juiz
americano Stephen S. Trott. O próprio Moro traduziu o texto para o
português, em 2007.
Trott defende as delações, mas frisa que é
necessário corroborá-las com provas. Ele alerta que os delatores são
"notadamente manipuladores e mentirosos" e ensina a fugir de armadilhas e
pistas falsas que podem levar à anulação de processos e à absolvição de
corruptos.
O autor compara a delação premiada a um bisturi. Nas
mãos de um médico talentoso, pode salvar a vida do paciente. Em mãos
inexperientes ou sem cuidado, pode cortar uma artéria e matá-lo. O
doutor Moro deve pensar na metáfora a cada vez que se depara com uma
nova veia do petrolão.
EXTRAÍDADEAVERDADESUFOCADA
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