Carlos Alberto Di Franco ESTADÃO
Com atraso de dois meses, a Petrobrás divulgou seu balanço financeiro do
3º trimestre de 2014, mas sem incluir o valor desviado em corrupção.
Pelo que se divulgou até agora, o buraco aberto na empresa pela gestão
petista é assustador: uma conta de R$ 61,4 bilhões.
A perda foi determinada a partir da análise de 52 empreendimentos em que
se envolveram empresas citadas na Operação Lava Jato. Juntos, equivalem
a cerca de um terço dos ativos da estatal. Em 31 deles, o prejuízo é de
88,6 bilhões; nos outros 21, haveria ganho de R$ 27,2 bilhões. É um
caso emblemático de incompetência, má-fé e dilapidação do patrimônio
público.
Quando toda a verdade vier à tona, e o que já se comprovou é
contundente, a punição dos culpados é inescapável. A presidente da
República, do ponto de vista estritamente jurídico, dificilmente
escapará do crime de responsabilidade. Seu corolário político, como se
sabe, é o processo de impeachment, com eventual perda de mandato.
Tudo ocorreu nas gestões do presidente Lula e da atual presidente da
República. No mandato de Lula, Dilma Rousseff era presidente do Conselho
de Administração da Petrobrás que, por força da lei das sociedades
anônimas, tem responsabilidade direta pelos prejuízos gerados à estatal.
Depois de tudo o que foi denunciado e comprovado (basta pensar na
compra da refinaria de Pasadena), é difícil fugir do crime de
responsabilidade culposa contra a probidade administrativa, pois quem
tinha a responsabilidade legal e estatutária de administrar a empresa,
deixou de fazê-lo.
Mas o desmando, creio, contaminou o mandato da atual presidente da
República. A manutenção de Graça Foster –que fora alertada, segundo a
imprensa, dos potenciais desvios sem ter feito nada para impedi-los- no
cargo de presidente da Petrobrás, mostra uma continuidade da omissão de
Dilma Rousseff. Há, sem dúvida, um crime continuado da mesma gestora da
coisa
pública, quer como presidente do Conselho da Petrobrás, quer como presidente da República, ao ficar inerte e ao manter os mesmos administradores da empresa. A substituição de Graça Foster, embora necessária, foi decidida na vigésima quinta hora.
pública, quer como presidente do Conselho da Petrobrás, quer como presidente da República, ao ficar inerte e ao manter os mesmos administradores da empresa. A substituição de Graça Foster, embora necessária, foi decidida na vigésima quinta hora.
Estou convencido da honestidade pessoal da presidente da República. Como
governante, no entanto, Dilma Rousseff foi flagrantemente omissa e
incompetente num caso paradigmático de desvio de dinheiro público.
A corrupção lancetada pelo bisturi do Judiciário, tão bem representado
pelo juiz Sergio Moro, pelo excelente trabalho da Polícia Federal, pelo
empenho do Ministério Público e pela força do jornalismo independente
(que querem controlar sob o falso pretexto da democratização da
comunicação), está perdendo o jogo. O Brasil não será o mesmo depois da
Operação Lava Jato.
FONTE ROTA2014





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