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12:04
ANDRADEJRJOR
VINICIUS TORRES FREIRE FOLHA DE SP -

Dilma teve dez meses para planejar reforma da empresa; trapalhada reduz prazo a 48 horas
DILMA
ROUSSEFF teve dez meses para pensar numa solução para a Petrobras.
Agora, terá 48 horas. Para piorar, ainda não se sabe se a presidente
compreende o problema que tem de resolver.
Faz mais de dez meses
que a Operação Lava Jato deu o último sinal de alerta de que era preciso
virar a empresa pelo avesso. As 48 horas entre a noite de terça e a
noite de hoje são o tempo que resta a Dilma para nomear uma diretoria
que comece a afastar a Petrobras da beira do abismo.
Foi na noite
de terça-feira que a presidente descobriu que não teria uma diretoria
tampão na petroleira até o final do mês, como imaginara ter combinado
com a demissionária Graça Foster. A diretoria debandou. Foi outra
trapalhada constrangedora, condizente com o improviso degradado em
alvoroço que é este governo, ainda mais atarantado pelas tantas crises
que criou.
Estava difícil de saber até o fim da tarde de ontem
para qual solução o governo pendia, se é que estava em condição de fazer
muita escolha para a nova direção da Petrobras.
Uma solução mais
caseira, de gente mais próxima ou sujeitável a Dilma Rousseff, seria
mais fácil, dada a emergência. Mas lança- ria descrédito sobre o futuro
da empresa, que precisa de um plano de reforma.
Nomear
rapidamente um nome que por si só representasse a grande mudança
significaria uma rendição quase incondicional de Dilma Rousseff.
Difícil, mas cada vez frequente. Apesar do apreço da presidente pelas
viagens ao fim da noite, ao limite das crises, ela rendeu-se ao
inevitável no Ministério da Fazenda, no tarifaço que enterra seus sonhos
no setor elétrico ou no programa de concessões de infraestrutura.
Ainda
que estivesse claro o grau de autonomia da nova direção da Petrobras,
em especial para os próprios diretores, gente do governo e um
conselheiro da Petrobras diziam na tarde de ontem não haver ainda
solução para o problema do balanço da empresa e para a conta de perdas e
danos. Trata-se não apenas de uma assombração que poderia perturbar o
reinício da Petrobras mas de assustar os candidatos a presidente, que
poderiam se enrolar juridicamente de graça, como está claro para todo o
mundo, aqui e lá fora.
Os planos derradeiros de Graça Foster para
a Petrobras faziam sentido: gastar menos, recuperar rentabilidade e
crédito no mercado de capitais, não depender de dívida inviável de tão
cara, reduzir o endividamento (ressalte-se: sem isso, o povo vai ter de
bancar o rombo).
Mas espera-se muito mais da nova direção.
"Espera-se" quer dizer: atuais e possíveis credores esperam. O complexo
de empresas dependentes da Petrobras, em parte sob o risco de quebra,
espera. O restante do mundo espera, pois, afora o problema concreto
imediato do descrédito financeiro do país e de suas empresas, os
múltiplos vexames do desgoverno da Petrobras degradam a imagem da
economia brasileira, que começa a parecer algo com um bananal
cleptocrático, o que não é.
A fim de reerguer a empresa líder de
pagamentos de impostos, em volume de investimentos e de progressos
tecnológicos do país, é preciso desmanchar também o plano Dilma 1 para a
Petrobras.
fonte avarandablogspot
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