, por Dora Kramer
A cúpula do PMDB está olhando para os movimentos políticos da presidente
Dilma Rousseff e não gosta do que acredita existir por trás deles.
Por via das dúvidas, ontem à noite haveria uma pequena reunião para
analisar melhor o quadro a fim de interpretar (e confirmar) se a ideia
de Dilma é mesmo reduzir a influência do partido no governo, apoiando-se
numa outra maioria formada por legendas antes periféricas na coalizão
e, a partir dessa constatação, estudar qual seria a melhor estratégia de
reação.
As coisas não vinham bem nessa parceria desde o segundo ano do primeiro
mandato; pioraram na campanha, quando o PMDB em vários Estados apoiou o
candidato tucano Aécio Neves - explícita e implicitamente - e ficaram
péssimas depois da formação do Ministério do segundo mandato.
O partido ganhou em quantidade (foi de cinco para seis pastas), mas
perdeu em qualidade. A presidente nomeou ministros ao arrepio da direção
(Agricultura, Minas e Energia e Pesca) e reservou para o PMDB outros
três postos sem relevância política: Turismo, Portos e Aviação Civil.
Estes últimos, secretarias com status de ministérios.
Sob a ótica do critério (fisiológico), isso significa desprestígio. Em
versão mais radical, castigo. Pastas muito mais robustas ficaram para o
PSD (Cidades e Micro e Pequena Empresa), PROS (Educação), PRB (Esporte,
em tempo de Olimpíada), PR (Transporte) e PP (Integração Nacional).
A presidente da República não está reduzindo a importância do PMDB no
governo para mudar os meios e modos de montar sua equipe. Em termos de
parâmetros, troca seis por meia dúzia. O modelo permanece o mesmo: sai
fulano, entra beltrano.
Nesse aspecto, se for mesmo uma alteração de parceira o que a presidente
está pretendendo promover, trata-se de uma manobra para lá de
arriscada. Os partidos agora contemplados têm mais votos, juntos, que a
bancada do PMDB. Mas não dispõem da mesma força, da provável presidência
da Câmara e da maioria no Senado que lhe dá a prerrogativa do comando
da Casa.
Brado retumbante. "Vossa
excelência chegou ao limite da ignorância e, no entanto, prosseguiu." A
perfeição da frase de Millôr Fernandes se encaixa na mais que
imperfeita manifestação de Gilberto Carvalho em sua despedida da
Secretaria-Geral da Presidência da República.
"Não somos ladrões!" Até aí, não obstante a impropriedade do conteúdo e a
inadequação do discurso ao ambiente, direito dele escolher a frase para
sintetizar o balanço de sua gestão.
A exorbitância residiu no fato de se dizer orgulhoso de pertencer à
"quadrilha dos pobres" e estender aos eleitores do PT a definição de
quadrilheiros.
Homens meigos. Quando
interessa, a presidente Dilma Rousseff sabe muito bem tratar
determinadas situações com panos quentes. Fez assim quando minimizou as
críticas de Marta Suplicy ao deixar o governo, dizendo que a ex-ministra
tinha "direito à opinião".
Ao que se viu no recente episódio em que obrigou Nelson Barbosa a
desmentir mudança na regra de cálculo para o reajuste do salário mínimo,
a intenção foi desautorizar com humilhação o ministro do Planejamento.
Barbosa não daria a notícia se a decisão não estivesse tomada
internamente. E Dilma não teria autorizado a divulgação da maneira rude
como exigiu o desmentido se a ideia fosse preservar, ao menos de
público, a autonomia do ministro num momento em que esse quesito é visto
como essencial para a condução da política econômica a um bom termo.
fonte rota2014





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