Com Blog Rodrigo Constantino - Veja
Nada mais velho do que a tentativa de nossa esquerda monopolizar as
virtudes e os fins nobres, como se somente ela se preocupasse com os
mais pobres e defendesse seus interesses. Na incapacidade de debater
focando em argumentos e fatos, de rebater as acusações de seus
“malfeitos” no poder, de responder sobre os infindáveis escândalos nos
quais se vê envolvida, essa esquerda apela para o velho bordão de que
faz tudo em defesa dos pobres e, portanto, goza de um salvo-conduto para
o crime.
“Não somos ladrões”, disse o ex-ministro Gilberto Carvalho. É o brado
dos corruptos que banalizaram a corrupção. Escândalos milionários quase
não ganham mais destaque, uma vez que os bilionários assumiram seus
lugares. Desvios que destroem as maiores empresas estatais do país e, no
caminho, deixam “comissões” de US$ 100 milhões na Suíça para
subalternos. Ladrões? Claro que não. Essa palavra seria suavizar demais,
amenizar demais o que significa montar um verdadeiro sistema de corrupção em toda a máquina pública.
E não é “só” isso! Crimes mais bisonhos, como o até hoje inexplicado
assassinato de Celso Daniel, ex-prefeito petista, assombram certas
figuras do partido, que alguns preferem chamar de “ajuntamento mafioso”.
Ladrão parece uma figura menor, quase insignificante quando se analisa o
currículo de alguns membros da alta cúpula do PT. Ladrão nos remete ao
sujeito que furtou um objeto de uma loja, não ao mais corrupto governo
da história deste país.
Diante de tudo isso, resta apelar para o monopólio da defesa dos pobres.
A “quadrilha dos pobres”, eis a única quadrilha a que pertencem. E são
atacados pela “elite” pois esta não suportaria a ascensão dos mais
pobres. Só há um “detalhe”: ninguém mais é pobre na quadrilha. Todos
ficaram ricos, frequentam o hospital privado mais caro do país, circulam
de jatinho por todo canto, compram coberturas triplex em locais de
luxo, bebem dos melhores vinhos. Pobres são aqueles manipulados pelos
corruptos, usados como massa de manobra, como inocentes úteis para seu
projeto de poder.
O populismo precisa dos pobres como o poeta necessita da dor. Sem eles,
os populistas não conseguem se perpetuar no poder, falando em nome dos
pobres, enquanto enchem os bolsos e as contas no exterior de dinheiro
sujo, desviado do orçamento público. Para que os populistas transformem a
“coisa pública” em “cosa nostra”, faz-se necessária a existência de uma
gama de pessoas carentes e ignorantes, desesperadas por esmolas.
O trabalho sujo de forjar um elo artificial entre uns e outros fica a
cargo dos “intelectuais”, que se vendem por migalhas ou em busca do ópio
para apaziguar sua alienação perante a sociedade “burguesa”, que
detestam com todos os músculos de seus corpos. Assim nasce a falácia de
que essa esquerda corrupta, carcomida, autoritária e indecente, a tal
elite vermelha, luta pelos direitos dos pobres. Nada mais falso.
O pobre é só seu mascote, seu instrumento de “trabalho”, sua argila a
ser moldada de forma a permitir o enriquecimento e o acúmulo de poder
por parte da quadrilha. A quadrilha dos ricos que exploram os pobres,
usando o socialismo, o discurso igualitário, o populismo, a retórica
messiânica, como entorpecentes para garantir sua permanência no poder.
Usurpam a esperança dos incautos e abusam de sua estupidez para viverem
como os nababos capitalistas que condenam nos discursos hipócritas. Agem
como os piores coronéis nordestinos do passado – e do presente.
Ladrões? Não são “apenas” ladrões. São muito mais do que isso. São muito
piores!
fonte rota2014





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