e outras cinco notas de Carlos Brickmann Com Blog do Augusto Nunes - Veja
A expectativa de prisão de Lula foi levantada por petistas (e reforçada,
naturalmente, pelo conjunto da obra): quem deu a notícia de que o risco
era real e iminente foi um blogueiro paulista, Eduardo Guimarães, que
aproveitou a oportunidade para convocar os correligionários a uma
vigília em frente à casa de seu líder. Nada deu certo: a vigília reuniu
umas vinte pessoas, 30 no máximo, e o Japonês da Federal não apareceu
por lá.
Lula será preso? Talvez; mas não é obrigatório que a prisão ocorra. Pode
acontecer até que ele seja condenado num dos três processos a que por
enquanto responde e o juiz lhe dê o direito de recorrer em liberdade.
E que fará o ex-presidente enquanto a máquina da Justiça avança para
triturá-lo? Breno Altman, jornalista ligado a Lula, editor do site Opera
Mundi, diz que uma coisa é certa: o líder petista não sai do Brasil,
não pede asilo em nenhuma Embaixada e já comunicou a decisão aos
companheiros. Acha que se exilar, ou asilar. enfraqueceria sua defesa,
deixaria o PT mais frágil e seria um mau exemplo. E se for preso? “Irá
enfrentar, pelas ruas e instituições do país, contando sempre com a
solidariedade internacional, a perseguição da qual é vítima. Não se
renderá nem fugirá. Se vier a ser preso, será do calabouço que
continuará lutando contra o arbítrio e o golpismo, liderados pelos
setores mais reacionários da PF, do MPF e do Poder Judiciário”.
É uma situação complexa: a prova dos nove.
Cadeia para os outros
O ex-ministro José Dirceu, que Lula gostava de chamar de Capitão do
Time, acaba de provar que sete anos e 11 meses se esgotam em dois anos.
Graças a essa matemática política, está livre da pena do Mensalão. Só
não está livre, leve e solto por ter sido condenado também no Petrolão. É
uma das últimas heranças de Dilma antes de ser impichada.
Em dezembro, Dilma assinou decreto de indulto natalino extinguindo a
pena de condenados abaixo de oito anos, que tivessem cumprido um quarto
do período, sem falta disciplinar grave. Dirceu, veja só a coincidência,
tinha pena de 7 anos e 11 meses, precisamente no limite. Tinha cumprido
dois anos, um na prisão, outro em casa. Por sorte, bem no limite. Mas
tinha mantido o envolvimento no Petrolão enquanto cumpria pena pelo
Mensalão. Por isso, o ministro Luis Roberto Barroso impediu que Dirceu
tivesse o perdão. Mas aí ocorreu outra coincidência: o procurador Janot
informou que Dirceu tinha cometido os crimes do Petrolão até 13 de
dezembro de 2013. Como foi preso no Mensalão em 15 de dezembro de 2013,
por coincidência já há dois dias tinha abandonado as atividades ilegais.
E isso permitiu que obtivesse o indulto das penas do Mensalão.
O papel do destino
Claro que Dilma não escolheu o limite de oito anos para beneficiar
Dirceu. Deve ter jogado dois dadinhos para cima ao escolher o número.
Nem ninguém pensaria num preso específico na hora de verificar o bom
comportamento. Dirceu, efetivamente, acordou num determinado dia
disposto a mudar de vida e a cumprir a lei. Ponto final. E foi
recompensado pelo céu: por ter-se regenerado bem a tempo, ganhou o
indulto. Alvíssaras!
Querem mais
A defesa de Lula, que busca comprovar a suspeição do juiz Sérgio Moro,
tenta de novo: quer ouvir o prefeito eleito de São Paulo, João Dória;
Moro esteve num evento promovido por Dória 13 meses antes da eleição.
Dinheiro na mão…
Mas a matemática, ora de subtração de tempo, ora de multiplicação de
fortunas, não se encerra em indultos que, por puro acaso, parecem feitos
sob medida. Agora se inicia uma estação do ano em que haverá fartura de
contas – especialmente bancárias. O mandado de segurança 20.895,
impetrado pelo repórter Thiago Herdy e a Infoglobo, foi concedido pelo
Superior Tribunal de Justiça; só falta o ministro Napoleão Nunes Maia
Filho, do STJ, determinar o cumprimento do acórdão. Dizem que é
explosivo: autoriza o acesso às despesas pagas com o cartão corporativo
do Governo Federal usado por Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe da
representação da Presidência da República em São Paulo. Conforme o que
foi pago, e a quem, podem surgir ligações suspeitas.
Ou insuspeitadas.
…é vendaval
Rose há muito tempo tem boas relações com Lula; viajou ao Exterior com
ele 32 vezes, no Airbus presidencial. Dizem em Brasília que com
frequência o nome de Rose não estava na lista de passageiros, o que é
ilegal. O cartão tem a resposta para algumas dúvidas. Por exemplo, se
aparecerem despesas, digamos, em Angola, e seu nome não estiver entre os
passageiros, como terá ido para lá? Rose se manteve poderosa até
novembro de 2012, quando foi presa pela Operação Porto Seguro, e Dilma a
demitiu do cargo. Ela responde a processo, mas não delatou ninguém.
extraídaderota2014blogspot





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