Ricardo Balthazar FOLHA DE SÃO PAULO
A presidente Dilma Rousseff desperdiçou nos últimos dias todas as
chances que teve para desanuviar o ambiente político e construir uma
saída para a crise em que seu governo está mergulhado.
Quando decidiu reduzir a meta fiscal deste ano, Dilma poderia ter
aproveitado a ocasião para uma conversa franca com o país, sobre os
erros cometidos na condução da economia, as dificuldades atuais e o
futuro. Em vez disso, mandou os ministros da área econômica explicarem a
medida e deixou crescer a impressão de que eles não se entendem muito
bem, contribuindo para pôr em xeque a credibilidade de sua equipe.
Um dia depois, quando a Folha revelou que o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva buscara uma aproximação com seu antecessor, o
tucano Fernando Henrique Cardoso, Dilma autorizou o ministro Edinho
Silva a expressar entusiasmo pelo movimento e sugerir seu interesse em
participar da conversa. Assim que petistas e tucanos bombardearam a
iniciativa, Dilma achou melhor recuar e criticou a manifestação do
ministro, como se nada tivesse com ela.
A presidente resolveu então chamar os governadores dos Estados para um
encontro em Brasília. Antes de definir com clareza a pauta e os
objetivos da reunião, deixou que versões contraditórias sobre suas
intenções proliferassem.
Todo mundo entendeu o convite como uma tentativa de Dilma de encontrar
sócios para administrar a crise, pela qual nenhum deles se sente
responsável.
Em seu discurso na abertura da reunião, a presidente afirmou que a
economia voltará a crescer antes do que os pessimistas imaginam, que o
crédito voltará a ser abundante, e que está preparando o país para um
novo ciclo de expansão do consumo.
Com um discurso tão irrealista como esse, o mais provável é que a
encenação promovida por Dilma sirva apenas para reduzir ainda mais sua
credibilidade como interlocutora, uma das razões que têm alimentado a
crise que seu governo atravessa.
EXTRAÍDADEROTA2014BLOGSPOT





0 comments:
Postar um comentário