Jornalista Andrade Junior

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Reflexões sobre Eduardo Cunha e o equívoco de FHC

Roberto Nascimento

O destino do deputado Eduardo Cunha pode ser semelhante à derrocada de Severino Cavalcanti, também ex-presidente da Câmara. A pressão da opinião pública costuma ser devastadora, até que o político por si só abandone o barco, temendo um desgaste muito maior e até a perda dos direitos políticos por oito anos, em caso de destituição pelos seus pares.
Vários deputados e senadores desistiram de seus mandatos para aliviar a pressão da sociedade, quando acusados de irregularidades. Geralmente dá certo essa saída, como ocorreu com Renan Calheiros e Jáder Barbalho, que renunciaram antes de serem cassados e hoje são novamente senadores.
Em segundo lugar, considero um tapa na cara da sociedade e dos homens honestos que ainda existem no Brasil, a decisão da empresa Camargo Corrêa de devolver 700 milhões de reais à Petrobras, Eletronuclear e Eletrobrás, conforme reportagem de Mário Cesar Carvalho na Folha de São Paulo
QUAL O VALOR?
Será realmente de 700 milhões o valor da tunga nas três  estatais por esta empreiteira? Ora, senhores, um simples gerente da Petrobrás, o Sr. Pedro Barusco (portanto, um empregado público, que não é dono de nenhuma grande empresa), devolveu 97 milhões de dólares, que equivalem à quase a metade do valor oferecido pela Camargo Corrêa.
É só comparar a desproporção dos valores, simples exercício de lógica, para concluir que algo está errado nessas contas.
O povo brasileiro não pode continuar a ser enganado pelos poderosos de plantão. As empreiteiras estão indóceis a procura de uma saída para continuar a receber financiamentos para executar obras públicas com recursos oferecidos pelos bancos do Estado (nosso dinheiro). Logo, um acordo de leniência, que significa confessar aquilo que interessa e oferecer uma merreca de indenização pelos mau feitos, e estamos assim todos perdoados para continuar a vida que segue.
E AS VÍTIMAS?
Só que muitas pessoas morreram pelo caminho sem atendimento nos hospitais, por falta de leitos e de remédios, enquanto fortunas foram mandadas pelos doleiros da corrupção para paraísos fiscais mundo afora. Essa fatura não há como saldar, o efeito foi devastador, inclusive com reflexos no atual desemprego e desespero das famílias, que estão se desintegrando por falta de pão na mesa e olha que estamos apenas no começo da crise.
O que fazer, minha gente? Por que roubaram tanto nas obras que poderiam sair por um preço bem menor do que foram licitadas? É justo fazer isso em benefício próprio, se as crianças brasileiras vão para escolas que não têm o mínimo de condições para um aprendizado eficaz, enquanto cada criança japonesa tem um computador individual?
O futuro do país está ameaçado por culpa da corrupção desenfreada, me desculpe o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que afirmou não ser esse o mal maior e sim a má gestão dos recursos públicos. Ouso discordar do sociólogo e intelectual da Sorbonne.



EXTRAÍDADATRIBUNADAINTERNET

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