editorial de O Globo
O presidente da Petrobras, Pedro Parente, começou a praticar o que
defende — a variação dos preços de combustíveis ser uma “decisão
empresarial”, sem interferência política do governo, e haver uma
paridade entre eles e as cotações internacionais. A partir desses
parâmetros, a estatal anunciou na sexta-feira a primeira queda nos
preços médios da gasolina e diesel, em sete anos, 3,1% para o primeiro,
2,7% no caso do segundo.
Como há uma cadeia de custos entre a refinaria e o posto da esquina,
ainda não se podia afirmar ao certo, no fim de semana, de quanto será o
reflexo da medida no orçamento familiar do consumidor. A informação
interessa a todos, no momento principalmente ao BC, que hoje e amanhã
reúne o Conselho de Política Monetária (Copom) para discutir a
possibilidade de um corte nos juros básicos. E, nesta avaliação, saber a
tendência dos preços efetivos dos combustíveis é essencial.
Importante é o estabelecimento, afinal, de uma política clara, e
relacionada ao mercado, de fixação de preços dos combustíveis. Mudança
radical, para melhor, em relação ao que vinham praticando os governos
lulopetistas, devido a seu viés intervencionista.
Manipular esses preços para conter a inflação é distorção antiga. A
ditadura militar já fazia isto. Uma intervenção, porém, que chegou ao
paroxismo ocorreu em 2013/2014, quando a presidente Dilma manteve esses
preços congelados, para facilitar a reeleição. Um pesado subsídio
político-eleitoral concedido pela estatal, à custa dos acionistas e do
Tesouro (leia-se, todos os contribuintes). Além de drenar o caixa da
estatal — já afetado pelos custos crescentes de investimentos mal feitos
e superfaturados pelo esquema lulopetista do petrolão —, o congelamento
estrangulou a indústria alcooleira, porque o álcool tem grande
dependência do preço da gasolina.
Por meio de desvios éticos consecutivos e erros de administração em
série — uns relacionados com os outros —, a Petrobras acumulou a maior
dívida corporativa do planeta, equivalente a meio trilhão de reais.
Reduzir esta dívida deve tomar boa parte da jornada de trabalho de
Parente, e é para equacionar o problema que ele trata de vender ativos
da estatal, uma heresia para os governos anteriores de Dilma e Lula. Mas
não há outra alternativa melhor. Afinal, neste momento de séria crise
fiscal é inadequado qualquer aporte do Tesouro, acionista controlador da
empresa. E ainda não há condições de a Petrobras ir ao mercado se
capitalizar a custos aceitáveis.
Aqui está outro aspecto da nova política de preços: ela dá segurança a
grupos privados que se interessem em adquirir partes ou a totalidade de
subsidiárias da empresa. O caso mais claro é o da BR Distribuidora, cuja
parcela de 51% será vendida. Para existirem compradores firmes da BR, é
preciso confiança no compromisso do governo de que não interferirá nos
preços de combustíveis. Por enquanto, Pedro Parente é o fiador desta
política.
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