por Bernardo Mello Franco FOLHA DE SÃO PAULO
Na campanha, a presidente Dilma Rousseff dizia que as críticas à
política econômica eram coisa de Pessimildo. Agora que os fatos deram
razão a seus ex-adversários, ela tenta ressurgir como a Otimilda do
Alvorada.
No longo discurso aos governadores, Dilma tentou indicar uma luz no fim
do túnel que especialistas e eleitores não conseguem ver. A caminho do
maior tombo do PIB desde a era Collor, repetiu a ladainha de que a
economia brasileira é "bem mais sólida" do que "alguns anos atrás".
A presidente sugeriu que o fim da era de vacas magras está logo ali:
basta dobrar a esquina. "Eu não nego as dificuldades, mas eu afirmo que
nós todos aqui, e o governo federal em particular, tem [sic] condições
de superar essas dificuldades de enfrentar os desafios e, num prazo bem
mais curto do que alguns pensam, voltar a ter, assistir à retomada do
crescimento da economia brasileira", prometeu, em dilmês castiço.
O otimismo presidencial não parece combinar com a realidade. Nesta
quinta, ficamos sabendo que o governo acumulou um deficit fiscal inédito
de R$ 1,6 bilhão no primeiro semestre. Pouco depois, divulgou-se um
novo corte de R$ 1 bilhão na Educação. Alguém imagina crescer tirando
verba de escolas e universidades?
Todo governante tenta vender esperança em tempos de crise. No caso de
Dilma, a falta de carisma dificulta a tarefa. Sem empatia, ela evitava
encarar os governadores enquanto falava. No fim, o descompasso entre o
texto lido e a imagem da TV sugeria que ela não acreditava muito nas
próprias palavras. "Não nos falta energia e determinação para vencer
esses problemas", disse, em tom monocórdio e olhando para baixo.
Os métodos de Eduardo Cunha estão mudando o significado da sigla CPI.
Antes, as três letras eram sinônimo de Comissão Parlamentar de
Inquérito. Agora, estão mais para Conluio de Proteção ao Investigado.
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