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08:37
ANDRADEJRJOR
HENRIQUE MEIRELLES FOLHA DE SÃO PAULO

A revista "Economist"
diz que a economia brasileira está uma bagunça, com problemas maiores do
que o governo admite e os investidores imaginam. O escândalo da
Petrobras afeta a imagem do Brasil. Começa a faltar água em São Paulo, e
o racionamento de energia no país é possível. No Congresso, o governo
perde disputas importantes. Nas estradas, caminhoneiros cassam o direito
de ir e vir. No Rio, juiz é flagrado passeando com carro de luxo que
mandou apreender de investigado.
Diante de tudo isso, o que fazer?
A
primeira coisa é lembrar que o Brasil é uma democracia estável, capaz
de crescer a taxas elevadas e sustentáveis, como na década passada. Para
tanto, é preciso restaurar o equilíbrio macroeconômico conquistado
naquela época, o que começa pelo ajuste efetivo das contas públicas,
fundamental para reduzir as incertezas sobre a solvência futura do
Tesouro, e com uma ação suficientemente forte do Banco Central para
trazer para a meta, ainda neste ano, as expectativas de inflação para
2016.
São medidas duras que podem contribuir para conturbar mais o
ambiente, pois geram contração da atividade numa economia já em
processo recessivo e com desemprego em alta. É o preço do desarranjo
construído nos últimos anos.
Por isso, é importante que o ajuste
seja firme e produza resultados concretos o mais rápido possível,
trazendo de volta a confiança e os investimentos.
E devemos olhar
à frente para criar as condições de crescimento mais elevado, com visão
clara de onde chegaremos --uma visão capaz de gerar a energia para
superar a conturbação natural deste momento de ajuste duro.
Condição
básica para sustentar o desenvolvimento é a existência de instituições
fortes, como um Banco Central independente, para garantir a
administração correta de setores-chave da economia e a continuidade de
políticas fundamentais.
É necessário criar uma estrutura de
funcionamento econômico que, ao invés de prejudicar os negócios, aumente
sua eficiência. Isso passa por carga tributária menor e mais racional,
melhora substantiva da qualidade da educação, viabilização dos
investimentos privados na infraestrutura e, finalmente, abertura dos
mercados para reduzir os custos de importação e o custo Brasil,
permitindo que as empresas possam adquirir tecnologia de ponta e
componentes baratos de qualidade para se especializarem nos setores mais
competitivos do país. A Embraer mostra como essa abertura pode
funcionar muito bem.
Portanto, é uma necessidade premente não só
olhar para todos os problemas que estão aí, mas começar a dirigir toda
essa energia e toda essa irritação nacional para a construção de um país
mais eficiente, produtivo e capaz de oferecer um alto padrão de vida à
população.
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