Jornalista Andrade Junior

sexta-feira, 27 de março de 2015

ATÉ QUANDO?

Jacy de Souza Mendonça

 Em Caracas, no dia 5 de março de 2015, João Pedro Stédile, o comandante em chefe do exército ilegal do MST, foi aplaudido entusiasticamente por Maduro ao pregar a luta contra o capitalismo na América Latina e convocar as nações socialistas da região para lutarem pela implantação do socialismo também no Brasil. Naquele momento vieram-me à lembrança as palavras iniciais de Cícero no Senado Romano, protestando contra a revolução que Catilina preparava na periferia da cidade: até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?
Stédile está mobilizando nações estrangeiras para atuarem contra o sistema constitucional do Brasil que, ao contrário dos socialistas, assegura a livre iniciativa (art. 170), utiliza-a como fundamento da ordem econômica (art. 170, IV) e garante o livre exercício de qualquer atividade econômica (art. 170, parágrafo único). Princípios que não se compatibilizam com o sistema socialista.
Como se não bastasse, no dia 9 deste mesmo mês, li, no blog do jornalista Juca Kfouri, uma das páginas mais lamentáveis para esse velho leitor que teve a felicidade de passar a juventude em uma nação pacífica, progressista e feliz e encontra-se na iminência de legar a seus descendentes um País economicamente destroçado, socialmente rompido e politicamente desmoralizado.
Para começar, o Sr. Kfouri critica o povo brasileiro por ter votado em Collor, Maluf, Newton Cardoso, Roseana, Marconi Perilo e Palocci (mesmo sabendo que muitos brasileiros nunca votaram nesses candidatos). Isso porque, no mais perfeito estilo socialista, não aceita que o cidadão eleja quem quer, mas quer que ele seja obrigado a votar no Partido único (ou que se tem por único). Além disso, em um lapso que só Freud explica, ignora que Palocci faz parte da entourage dominante. Estranhamente, não critica esse mesmo povo por ter cometido o crasso erro de votar em Lula, Dilma et caterva.
Em seguida, ignorando fatos e distorcendo evidências, como se tivesse autoridade para interpretar intenções alheias, afirma peremptoriamente que o panelaço do povo não foi contra a corrupção... terá ele coragem de pensar que foi a favor dela? Não! Os favoráveis à corrupção finalmente estão sendo presos e nem ousam andar pelas ruas de nossas cidades. Em outra agressão à verdade dos fatos, diz que o panelaço ocorreu nas varandas gourmet, fingindo não ter visto as fotografias dos jornais e os filmes das televisões que revelam à saciedade, a quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, que cenário dos acontecimentos foram mesmo as vias públicas das grandes cidades brasileiras.
Dando sequência à sua ousadia interpretativa, afirma que a causa do evento se encontra no que denomina o incômodo da elite branca contra a gente humilde. Não, Sr. Kfouri, a elite brasileira, branca, parda, vermelha, amarela ou negra, nunca se sentiu mal com o fato de seus coirmãos ultrapassarem a fronteira da pobreza e começarem a colaborar com o progresso do País. Sempre desejou isso. Nunca houve sentimento de luta de classes entre nós, antes da chegada ao Poder dos atuais dirigentes que, estes sim, estimulam o conflito, como a mídia já mostrou nas palavras furiosas de Lula e Stédile.
Do alto de meus 84 anos de idade, posso afirmar-lhe, Sr, Kfouri, que nunca tinha havido ódio político em nossa História. O brasileiro era pacífico, ordeiro e tolerante. Nunca um rico moveu uma palha contra um pobre apenas por ele ser pobre. Esse sentimento belicoso entre os brasileiros está sendo plantado pelos atuais detentores do Poder. Jogar os pobres contra os ricos, os pretos e os índios contra os brancos, os homo contra os heterossexuais, o norte contra o sul, é técnica marxista adotada rigorosamente pelo PT, às vezes acobertado pelos desordeiros de seu braço revolucionário, o MST, com o propósito de solapar a sociedade.
Não diga também, Sr. Kfouri, que o governo atual é de centro-esquerda. Não, não é. Ele é de esquerda-esquerda e só não é ainda mais esquerdista por temer reações e porque espera o momento adequado para fazê-lo. Nem diga também que seu Partido defende os pobres e os trabalhadores contra os ricos. Serão porventura pobres os seus correligionários que roubaram a mãos cheias as estatais, a ponto de, pela primeira vez no mundo, levar ao estado falimentar uma empresa petrolífera, precisando por isso serem aprisionados? Algum trabalhador ou algum pobre foi beneficiado pelos bilhões roubados por seus correligionários? Quem ajuda o trabalhador, Sr. Kfouri, é o capitalista que coloca seu patrimônio a risco, investindo para gerar empregos, graças aos quais os trabalhadores podem sustentar suas famílias. Não dá mesmo para perceber isso?
O senhor diz que os liberais e os ricos perderam a eleição, não aceitam isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. Não posso nem suspeitar que o senhor seja cego. O senhor não percebeu realmente que os únicos portadores e usuários de armas são seus companheiros do MST, são seus colegas do exército de Lula e Stédile? Leia, então, os jornais e assista às televisões. É tão evidente que não creio possa passar despercebido a seus olhos.
Realmente, Sr. Kfouri, nunca dantes nesse País se roubou tanto no governo. Como jornalista, visite os arquivos dos jornais, revistas e TVs e terá a confirmação desse fato. Ou, se quiser, procure os arquivos de processos no fórum e nos Tribunais de qualquer Comarca e qualquer Estado. Certamente os fatos irão desmascarar a parcialidade de sua posição.
Mais ainda: protestar contra o estado de coisas do governo, com ou sem panelaço, não é falta de senso do ridículo, não. É patriotismo puro. Seus colegas devem até agradecer aos céus por esse povo ser tolerante; assiste abismado aos desmandos dos governantes e limita-se a gritar pacificamente fora, Dilma!
Não foi só na zona leste de São Paulo que não houve panelaço por falta de luz e de água. O senhor deve saber que o Brasil inteiro, além da carência de água e luz, não tem portos (embora seu Partido tenha construído um em Cuba com o dinheiro arrecadado à força dos brasileiros), aeroportos e rodoviárias adequadas; não tem linhas para a transmissão da energia gerada em suas usinas; não tem saúde nem educação nem previdência; não tem segurança... não tem nada! E já teve. Foi perdendo tudo isso na última década, em consequência à desastrada política econômica e fiscal de seu Partido.
Acho, enfim, arriscado afirmar que Dilma foi eleita democraticamente quando as provas estão se acumulando segundo as quais ela foi eleita graças ao dinheiro surrupiado dos cofres público das empresas estatais...


extraídadepuggina.org

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