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10:47
ANDRADEJRJOR
MERVAL PEREIRA O GLOBO

Renan e Cunha estão
convencidos de ação da PF contra eles. As atitudes hostis do presidente
do Senado, Renan Calheiros, em direção ao Palácio do Planalto são
reflexos diretos da certeza de que seu nome está na lista de Janot de
políticos envolvidos na Operação Lava-Jato. Renan, e também Eduardo
Cunha, o presidente da Câmara, estão convencidos de que houve o dedo do
governo, com a atuação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo,
através da Polícia Federal, para incriminá-los com o objetivo de
fragilizar o Congresso e dividir as atenções neste momento de crise que o
país atravessa.
Como as investigações devem prosseguir até o fim
do ano, pelo menos, teremos um Congresso em ebulição pressionando por
uma solução política para um caso policial. Mas é um engano imaginar que
o fato de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir
investigações sobre os políticos envolvidos na Operação Lava-Jato, em
vez de já fazer denúncias, como no mensalão, significa um retrocesso ou é
sinal de que se arma uma grande pizza no STF.
Acontece que no
mensalão as investigações foram feitas durante as Comissões
Parlamentares de Inquérito (CPIs), e o então procurador-geral Antonio
Fernando de Souza apresentou denúncias ao Supremo com base nelas. No
petrolão, apesar da série de delações premiadas, as investigações se
aprofundarão agora, quando o relator do processo, ministro Teori
Zavascki, autorizá-las, provavelmente a partir desta sexta-feira, ao
mesmo tempo em que liberará o sigilo para que a lista seja revelada.
Ao
contrário do que a maioria imaginava, inclusive eu, o fato de a delação
premiada ser homologada pelo STF não significa que o delator forneceu
provas de que está dizendo a verdade. A homologação apenas atesta que os
ritos legais foram atendidos no processo de delação premiada, mas será
durante as investigações que as informações dadas serão checadas,
cruzadas com outros fatos, eventuais planilhas ou documentos fornecidos
pelos delatores - que serão analisados -, para que se forme um quadro
conclusivo.
A delação, por si só, não pode servir de prova contra
ninguém, mas deve indicar o caminho das investigações. E nesse caso do
petrolão, graças às diversas delações premiadas, pode ser possível
seguir o rastro do dinheiro, como preconiza o juiz Sérgio Moro na
investigação sobre políticos corruptos.
A preocupação do
Ministério Público será, a partir da próxima semana, arranjar as provas
que permitam denunciar os investigados e condená-los no decorrer do
processo. No mensalão, havia até mesmo recibos assinados do dinheiro a
que cada um teve direito, o que facilitou muito a formação de provas.
No
caso atual, o difícil será conseguir provar que o dinheiro doado por
empreiteiras por meio de mecanismos legais e registrado no Tribunal
Superior Eleitoral ( TSE) tem origem ilegal, desviado das obras da
Petrobras. Mesmo que se prove esse desvio com o cruzamento de planilhas,
descobrindo-se o caminho do dinheiro, será preciso provar que o
político que recebeu aquela doação sabia que era dinheiro ilegal.
Até
mesmo o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, o mais exposto de todos,
pode alegar que não sabia que o dinheiro era desviado de obras, embora
haja várias delações premiadas dando conta dos acertos financeiros entre
eles, os diretores da Petrobras e os empreiteiros. Juntar essas pontas
com provas é que será o trabalho dos investigadores a partir de agora.
Provavelmente
haverá um sentimento de frustração na opinião pública quando constatar
que até mesmo os empreiteiros hoje presos serão soltos brevemente, e que
os políticos da já famosa lista do procurador Janot continuarão nas
suas atividades dentro do Congresso enquanto as investigações estiverem
ocorrendo, mas esse é o ritmo do processo no STF, que deve ser apressado
pela decisão de entregar a uma das turmas o julgamento do caso, e não
ao plenário do STF, como foi feito no julgamento do mensalão.
O
julgamento dos empreiteiros e outros envolvidos na Operação Lava-Jato na
primeira instância, pelo juiz Sérgio Moro, em Curitiba, deve ser mais
rápido do que o processo do STF, mas em compensação os réus terão mais
instâncias recursais.
O Ministério Público poderá também fazer
uso de "provas emprestadas" para fundamentar sua acusação contra os
políticos, isto é, provas levantadas nas investigações sobre as
empreiteiras, ou delações premiadas que tenham conexão com as
investigações sobre os políticos, poderão ser requisitadas para o outro
processo no STF.
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