Jornalista Andrade Junior

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O mar de lama fez de Mariana um Brasil em miniatura

 REYNALDO ROCHA

Duas barragens se romperam duas barragens em Mariana, Minas Gerais. Um povoado lindo, visitado por “jeepeiros” e praticantes de enduro, literalmente desapareceu sob a lama. Provando mais uma vez que não são solidários somente no câncer, os mineiros se mobilizaram para resgatar esse microcosmo do Brasil.

Uma agravante: a Vale, proprietária da mineração Samarco (responsável pelas barragens de contenção), não aceitou enquanto era tempo instalar no povoado sirenes de aviso. A empresa achou desnecessário.
A semelhança com o Brasil é evidente. Nós tínhamos sirenes de aviso. Foram acionadas em 2014. E ignoradas. Um dia o acúmulo do rejeito, o fruto da exploração descontrolada, do império do “posso tudo”, produziria a consumação do desastre.
Quem conheceu o povoado denominado Bento Rodrigues temia algo desse tipo. Bastava trilhar caminhos off road para ver a precariedade das contenções de um imenso mar de lama. O inevitável aconteceu. Como no Brasil. A lama inundou o país inteiro porque as sirenes foram desprezadas. A barragem do Brasil estourou.
A lama fétida tragou o futuro, o passado e nos faz sobreviventes de um presente doloroso. Como em Mariana, estamos morrendo afogados na lama que já não pode ser contida.
O país repete o discurso da Samarco/Vale em Mariana, que atribui a tragédia à fatalidade. A lama que nos engole também não tem donos. Só existem vítimas. Como no Brasil, os mais afetados foram os que nada tinham e perderam até mesmo o futuro.
No Brasil, a farsa adquiriu tintas que a tornam inteiramente criminosa. Não havia nenhum perigo à vista. As advertências eram obra de “antipatrióticos pessimistas”. Aconteceu.
Estamos afundados na lama. Bento Rodrigues, Mariana, Minas Gerais: seu outro nome é BRASIL!






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