Jornalista Andrade Junior

terça-feira, 24 de novembro de 2015

"O dilema das 'botas no chão' na Síria",

 por Patrícia Campos Mello Folha de São Paulo

Uma pesquisa conduzida no final de semana passada, imediatamente após os atentados de Paris, mostra que a maioria dos americanos têm medo de um ataque terrorista nos EUA (63%) e acha que o governo deveria fazer mais para combater o Estado Islâmico (60%).
Mesmo assim, 76% se opõem ao envio de tropas terrestres para a Síria e o Iraque –as chamadas "boots on the ground", segundo o levantamento da Reuters/Ipsos.
O presidente americano, Barack Obama, afirmou na semana passada, em timing incrivelmente infeliz, que a coalizão tinha conseguido "conter" o EI.
O final de semana mostrou que a estratégia de fazer ataques aéreos e armar os curdos na Síria e no Iraque não está funcionando.
Está certo, os curdos, com apoio da coalizão, conseguiram retomar Kobani e Sinjar e impedir mais avanços nas áreas que ocupam. Mas Raqqa e Mossul continuam firmes sob poder do EI.
Raqqa tem sido alvo de repetidos ataques aéreos dos franceses e dos americanos, mas muitos bombardeios atingem edifícios abandonados.
Russos, que trabalham em colaboração muito próxima com as tropas do ditador Bashar al-Assad –e, por isso, tem melhor inteligência–, têm feito ataques mais eficientes.

O fato é que não dá para entrar em uma guerra sem sujar as mãos. A ilusão de que os ataques aéreos resolveriam a "questão Estado Islâmico" caiu por terra depois de Paris.
Sem medidas para cortar o financiamento do grupo, por exemplo, será muito difícil conter seu avanço. Por isso, tanto franceses quanto americanos estão mirando agora refinarias e instalações de exploração de petróleo controladas pelo EI.
Mesmo assim, será que é possível virar o jogo sem enviar as tropas?
A pesquisa mostra que, independentemente da resposta a essa pergunta, o governo americano não vai mandar mais soldados.
Obama se elegeu prometendo tirar os EUA das guerras em que se envolveu (Iraque e Afeganistão).
O fiasco do Iraque, onde a invasão americana ajudou a criar o EI, e da Líbia, onde a intervenção ocidental resultou em um Estado sem governo, estão frescos na memória.
Os políticos republicanos podem até fazer suas bravatas eleitoreiras pedindo mais "botas no chão", como fez o candidato Jeb Bush.
Na prática, as chances de Obama ou de o próximo presidente fazerem isso são minúsculas.
No máximo, eles devem aumentar o número de integrantes das "special Ops" que eles mandam para a Síria e para o Iraque para treinar e auxiliar
soldados locais. No máximo.
extraídaderota2014blogspot

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