Jornalista Andrade Junior

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

"Eu acredito",

por Nizan Guanaes Folha de São Paulo

Eu acredito em Papai Noel. Mesmo depois de, aos seis anos, um coleguinha estraga-prazeres ter me contado a mentira de que ele não existe, eu continuei acreditando.
Os empreendedores todos acreditam em Papai Noel. São crianças grandes, que acreditam em coisas mágicas e impossíveis.
Afinal, os homens sensatos se adaptam ao mundo. Os homens insensatos tentam adaptar o mundo a eles. Isso significa que todo o progresso da ciência se deve aos homens insensatos –os empreendedores.
Os caras que acreditam em Papai Noel são os que mudam o mundo, constroem empresas, fazem a humanidade avançar. Marcel Herrmann Telles, da Brahma, acreditou em Papai Noel, acreditou muito. Ele sempre dizia, brincando, que um dia ia comprar a Budweiser. As pessoas normais não acreditavam nisso. Mas Marcel acreditou em Papai Noel, e o bom velhinho ouviu seus pedidos.
Eu acredito em Papai Noel. E quem acredita em Papai Noel acredita em coisas que não existem. Por isso mesmo, eles fazem existir coisas que até então não existiam.
Walt Disney acreditava em Papai Noel. Ele acreditou num rato. Você acha que um ser humano normal vai acreditar num rato? Vai fazer um império baseado em uma coisa nojenta? Isso não passa em pré-teste. Pois Disney, grande acreditador do bom velhinho, acreditou no rato e fez coisas inacreditáveis a partir do Mickey.
Eu acredito em Papai Noel. Acreditei a vida inteira.
Nasci no Pelourinho, numa casa de cimento batido e sem água encanada. A gente aquecia a água no fogão, botava num latão e usava uma cuia para se banhar. A chance de eu estar onde estou hoje era uma em mil, no mínimo. E quem me trouxe até aqui foi a crença em Papai Noel e em coisas mágicas, que só a fé vê.
Acredito em Papai Noel. Pedi coisas a ele a vida inteira. Pedi sucesso em São Paulo como publicitário, e não é que o Washington Olivetto me levou para a DPZ?
Pura magia.
Empurrado por sonhos, fui crescendo e fazendo coisas que só os sonhadores fazem. Porque os sonhos me levaram a ter meu próprio negócio, a conquistar prêmios, contas –a conquistar o mundo. E a fazer coisas que só se pode fazer sonhando.
Guga e eu abrimos nossa agência, a DM9, em setembro de 1989 com investimento do Banco Icatu. Em março de 1990, o Plano Collor levou todo o nosso dinheiro. Sobrou o quê? O sonho. E foi o sonho que nos trouxe até aqui.
O sonho levou o menino pobre do Pelourinho a lugares que ele jamais poderia sonhar. Papai Noel tem vários nomes. Sonho grande, fé, esperança, imaginação, superação, poder da mente.
Para mim, Papai Noel não mora no polo Norte. Mora naquele lugar da mente e da alma onde as coisas comuns, os lugares-comuns e os homens comuns não chegam.
Papai Noel mora na alma de Steve Jobs, de Mark Zuckerberg, nos olhos do cara que criou o Netflix. Gênios empreendedores, eternas crianças. Que homem sério batizaria a sua empresa de "maçã"? Só um acreditador de Papai Noel.
É verdade que, com o tempo, minha cartinha a Papai Noel foi ficando mais ambiciosa. Antes eu pedia coisas, depois fui pedindo coisas complicadas, como ter um sonho de criança, ter paz de espírito. Agora estou pedindo netos.
Claro que, para ser atendido, você tem de ser um bom menino, fazer coisas boas, sonhar coisas belas e mágicas. Os empreendedores são aqueles que acreditam em Papai Noel e por isso ganham mais do que presentes. Eles fazem o futuro.
Feliz Natal empreendedores. Feliz Natal acreditadores em Papai Noel.
EXTRAÍDADEROTA2014BLOGSPOT

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