Jornalista Andrade Junior

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

"De lama a ratos",

por Valdo Cruz Folha de São Paulo

A lama de Mariana chegou ao mar neste fim de semana, mas bem antes disto outro tipo de lamaçal estava contribuindo nas profundezas das águas turvas de Brasília para a tragédia ambiental.
Explico. No ano passado, numa conversa reservada, um empresário fez o seguinte relato a amigos. Havia sido procurado por um grupo de deputados, gente importante, com uma proposta nada republicana, mas bastante comum por aqui.
O empresário deveria reunir seu setor, arrecadar algumas dezenas de milhões de reais e "doar" aos parlamentares em questão. Em troca, o código de mineração seria aprovado da forma que o setor queria.
A grana entraria pelos canais enlameados da política, sem deixar rastros. Pelo visto, a extorsão não prosperou da forma como foi urdida pela turma que adora estes caminhos para se manter no poder.
Em tramitação na Câmara dos Deputados desde 2013, até hoje o código, conjunto de normas sobre a atividade mineradora, não foi aprovado. Dormia nas gavetas do legislativo à espera de uma ajudazinha, prejudicando até o setor privado.
Agora, sob o impacto do desastre de Mariana, deputados tentam, enfim, aprová-lo, incluindo regras para diminuir riscos ou minimizar danos destas tragédias. 
Algo que estava sendo deixado em segundo plano e não era visto como prioridade
*
Por falar em lama, a do terrorismo leva a Polícia Federal a propor não tratar de "lobos solitários" jovens seduzidos pela ideologia de grupos terroristas, mas que agem isoladamente em seus países.
Para a PF, a expressão envolve um clima de romantismo e pode funcionar como um apelo à juventude. Ela prefere identificar estes terroristas como "ratos solitários".
Por sinal, apesar de não termos tradição na área, há, sim, riscos de muitos ratos agirem por aqui. Quem cuida do tema está em alerta.
extraídaderota2014blogspot

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