editorial da Folha de São Paulo
Os economistas da presidente Dilma Rousseff (PT) pareciam ter uma
política econômica no segundo trimestre deste ano. Anunciaram metas para
a inflação e para as contas públicas, pelo menos.
O silêncio quanto a planos e ações de mais longo alcance, além da falta
de apoio dentro do próprio governo, minavam a confiança nesse programa.
Ainda assim, tratava-se de orientação que pautava discussões políticas e
cursos possíveis de ação tanto no setor público quanto no privado.
Dessa política restaram apenas intenções vagas. Os planos esfumaçaram-se
de vez na semana que passou. Desconhece-se o tamanho da despesa; não se
sabe dos objetivos quanto à inflação ou juros.
O governo ratificara a intenção de poupar R$ 55,3 bilhões ao final de
maio, 1% do PIB, desconsideradas as despesas com juros. A meta foi
abatida para 0,1% do PIB ao final de julho, menos de R$ 6 bilhões. Nos
últimos dias, a equipe econômica reconheceu o deficit, mas ele parece
imensurável.
Talvez seja de R$ 46 bilhões, a depender de alguma receita
extraordinária; talvez chegue perto de R$ 118 bilhões, caso seja
necessário pagar despesas atrasadas de 2014, as chamadas pedaladas.
A disparidade dos números já espanta. Pior, a meta fixada para 2016 é
mera fantasia aritmética, pois se desconfia das projeções oficiais, as
quais dependem dos débitos a serem liquidados neste ano –valor
desconhecido, vale reiterar.
Reconheça-se que as estimativas foram desmoralizadas por vários fatores:
recessão maior que a prevista, decisões irresponsáveis do Congresso e
frustração de receitas extraordinárias, como as de concessões e
privatizações. A equipe econômica, contudo, errou demais em suas
estimativas e jamais deixou claro o tamanho do descalabro do primeiro
mandato de Dilma.
A desordem nas contas públicas resultou em descrédito do governo e do
país, refletido na desvalorização do real e na piora das expectativas de
inflação.
Diante desse cenário, o Banco Central mais uma vez postergou a data em
que pretende conduzir a inflação à meta –de 2016 provavelmente para
2017–, embora insinue que possa aumentar os juros caso vislumbre
descontrole maior de preços. Na prática, elevou-se ainda mais a
incerteza sobre as balizas da economia brasileira.
Não há rumo para o balanço das contas públicas, ampliam-se desconfianças
sobre a inflação, não existe diretriz clara para os juros: no momento,
esta é a constatação, não há propriamente política econômica –e ninguém
no governo parece achar isso um absurdo.
extraídaderota2014blogspot





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