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10:50
ANDRADEJRJOR
EDITORIAL FOLHA DE SP

Deterioração do poder da presidente Dilma Rousseff se reflete na sutil coreografia do programa televisivo apresentado pelo PMDB
Com
sua popularidade corroída, não apenas por causa dos escândalos na
Petrobras, mas também devido aos sinais negativos na economia, a
presidente Dilma Rousseff (PT) parece ter optado pela estratégia menos
arriscada --que é, igualmente, a menos produtiva.
Praticamente
desaparece de cena. Entrega a seu ministro da Fazenda o peso maior da
responsabilidade pelos duríssimos ajustes em curso. Quanto à
responsabilidade pelas negociatas na estatal petrolífera, Dilma a joga,
de modo patético, sobre o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Enquanto
isso, assiste, sem reação coerente ou iniciativa clara, a uma sequência
de derrotas no Legislativo, que não parece nem perto de interromper a
investida.
A atitude produz a sensação de vazio de poder no
centro do Executivo; sintoma disso, e nada banal, foi o programa
televisivo apresentado pelo PMDB na quinta-feira (26). Era possível
identificar nas entrelinhas duas vertentes de significado na bem cuidada
apresentação.
"Bem cuidada" porque soube realizar proezas de
fotogenia ao enfocar, de modo quase exclusivo, o rosto impávido, o olhar
supostamente franco, o sorriso bem dosado dos personagens chamados a
depor no horário obrigatório.
Começando pelo vice-presidente da
República, Michel Temer, seguiram-se figuras que ocupam cargos
ministeriais, além do atual presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e
do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ).
As alocuções se caracterizaram por um ponto comum e por um subtexto contraditório com o que era apresentado à primeira vista.
Houve,
inicialmente, preocupação em demonstrar fidelidade ao processo
democrático e a Dilma Rousseff. Repetiu-se a ideia de que escolhas foram
feitas, cabendo agora ao PMDB pôr em prática seus planos para a pesca, o
turismo, a energia ou a agricultura.
Mas o envoltório governista
dessa entrada em cena (e não por acaso o cenário do programa imitava um
palco de teatro) admitia espaço para interpretações diversas.
O
nome da presidente da República jamais foi pronunciado no programa. Mais
que isso, Temer e seus correligionários assumiam a atitude de quem se
sente no comando do Estado; uma tomada de posse televisiva, por assim
dizer, ainda que só nos quadros relativamente modestos dos ministérios.
Consequência
natural, e indisfarçável nos sintomas visuais e cênicos do programa, da
retirada de protagonismo a que se vem conformando a presidente Dilma
Rousseff. Assiste-se à coreografia: o PMDB a desenvolve habilmente,
enquanto o Planalto parece, cada vez mais, inseguro do terreno.
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