por Igor Gielow Folha de São Paulo
A crise política passa por um momento de paralisia sob tensões
contraditórias, se é que esta é uma imagem adequada para ilustrar o
bizarro peso conferido às ações de um único homem, Eduardo Cunha, para
determinar seu pretenso desfecho.
Uma esperança de resolução de resto vã, porque o país vai lentamente se
esfarelando. Nem cito aqui as estripulias do mercado. Deixemos as
Moody's da vida de lado.
Falemos de Francisca, típica cidadã que viveu a ascensão ilusória dos
anos Lula, devidamente hagiografada pelo Ipea e por viúvas do petista.
Ela trabalha como diarista no Plano Piloto da capital. Cobra R$ 120 por
dia e descarta buscar a formalização. "Assinar carteira prende. Prefiro
controlar meus horários", diz.
Seu filho mais velho mal se formou em uma faculdade paga, com auxílio
federal, e foi dispensado do estágio em um escritório de administração
de imóveis em que trabalhava.
Ingressou, sem entrar na estatística formal, no contingente de
desempregados cujos números tenebrosos revelados pelo Ministério do
Trabalho na sexta (23) insinuam um monstrengo de dois dígitos a
assombrar o país ao lado de sua coirmã de mesmo vulto, a inflação.
"Agora acho que ele vai ajudar o tio numa oficina, enquanto não arranja
emprego. E eu vou abrir dois dias na semana para trabalhar", conta
Francisca, que trocou a "marca boa" de arroz que comprava por uma mais
barata –de R$ 10,50, e não mais R$ 13, o pacote de cinco quilos.
Dilma ocupa seu terceiro mandato, contado a partir de uma reforma
ministerial que já dá sinais de cansaço, quase exclusivamente de uma
dança da morte com o Cunha para evitar seu impeachment. O presidente da
Câmara, por sua vez, só trata de como permanecer na cadeira.
O que pensa Francisca disso tudo? "A Dilma e o Lula são culpados pela
desgraceira toda. Esse Cunha eu vi na TV, tem algum problema, né?".
extraídaderota2014blogspot





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