Jornalista Andrade Junior

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

quando o MST bloqueia as estradas, a presidente se esquece de dizer que bloquear as estradas é crime

VALENTINA DE BOTAS

O que é, para que serve e o que faz um ministério da cultura? Aliás, o que é cultura? É uma coisa que eu digo assim “vamos ali fazer cultura?”, ou seja, é ato de vontade e consciente? Um post publicado nesta coluna há oito meses fazia essas perguntas para as quais Juca Ferreira ofereceu uma perturbadora resposta no aplauso à presidente.

O ministério da cultura e da falta dela gastou mais de um milhão dos reais que não temos para homenagear, entre outras pessoas, Augusto de Campos que, no que talvez sejam dos versos mais impenetráveis dele, disse que Dilma Rousseff, “heroína da democracia”, “neste momento, resiste com a mesma firmeza e coragem àqueles que intencionam ingloriamente malferir a integridade das nossas instituições democráticas”.
A cafonice do trololó confirma: sob o lulopetismo, o MINC é só mais uma repartição do Estado à disposição das patologias do PT. Da resistência da musa deformada do poeta confuso faz parte declarar, referindo-se aos caminhoneiros, que bloquear as estradas é crime. Certíssima. Na cultura da deturpação lulopetista, a presidente que não tolera crimes alheios ao próprio bando esqueceu de dizer que quando o MST bloqueia as estradas ela se esquece de dizer que bloquear as estradas é crime.
É que os caminhoneiros querem a destituição legal da heroína troncha. Mas ela resiste com a coragem que só os cínicos têm na certeza escarnecedora de ser recompensada por nos roubar com a oportunidade de continuar nos roubando até 2018, esperando até mesmo que paremos de cobrar algum respeito à nossa inteligência, ao nosso sofrimento e à nossa paciência estupidamente santa.
Na cultura em que a democracia se deturpa até perder as feições, a população brasileira resiste sozinha – sem a oposição oficial que, mais uma vez, se cala frente ao autoritarismo do governo contra os caminhoneiros –, sobrevivente de uma realidade infestada pela cadaverina ubíqua de um jeca que, mesmo defunto político, aposta, precisamente, na deturpação de tudo.
O impeachment perdeu trincheiras no Congresso com um Renan que só chocou o Brasil que presta por confirmar a expectativa; na Câmara, depois que Eduardo cunhou a própria defesa na paráfrase de Maluf que dizia não ser dono das contas de que era o titular; no TSE desse país tropical, abençoado por Toffoli e com uma ministra chamada Tereza que reunirá todos os processos contra Dilma Rousseff para, assim reunidos, ser arquivados vagarosa e definitivamente.
E também nas ruas, porque a nação indignada se abate assistindo à agonia da razão. Ainda que os caminhoneiros cumpram a lei e desobstruam as estradas, o país não sairá do lugar enquanto a heroína degenerada dos sabujos não desbloquear o futuro.





EXTRAÍDADECOLUNADEAUGUSTONUNESOPINIÃOVEJA

0 comments:

Postar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More